Valeu a todos que acompanharam o relato. Desculpa pela demora em postar, mas tive uns problemas por causa da saúde frágil do meu pai. Valeu mesmo pelos comentários e avaliações de vocês.
Eu: - O que cê tá fazendo aqui?
Blas: - Feliz aniversário, linda Fran...
Eu: - Bom, valeu... mas cê não pode ficar aqui...
Blas: - Por que não? Vim com o Lucas, o namorado da sua amiga...
Eu: - Cê não pode ficar aqui... o que cê quer?
Blas: - Só te ver... só ficar no seu aniversário com meu amigo, te olhando...
Eu: - Juro que se cê fizer alguma merda, vai se arrepender...
Blas: - Seu namorado tá aqui?
Eu: - Claro que sim... meu namorado e a família toda dele...
Blas: - Ah, olha só... então se comporta direitinho... que cê anda com outros escondido do teu uruguaio - ele se virou e foi pra mesa da comida
Eu fiquei paralisada, morrendo de medo e pensei "Será que o Blas me viu com meu colega Rodrigo... Ai meu Deus... Tomara que ele não abra a boca..."
Eu: - Não se atreve a chegar perto do meu namorado...
Blas: - Então é verdade o que todo mundo sabe... que cê é uma puta e deu pro teu amigo
Eu: - Não deixo cê falar isso...
Blas: - Cê me largou por aquele rebelde e agora tá enfiando uns chifres lindos nele
Eu: - Já chega...
Blas: - Tomara que ele sofra igual eu sofri, aquele idiota... - eu dei um tapa na cara dele e parece que todo mundo ouviu, porque vários olharam pra gente - cê é uma vagabunda... uma vagabunda igual à puta da sua mãe... eu sei bem do passado dela. Acha que porque bateram no meu tio, ela vai se safar, mas a mancha já tá feita...
Eu: - Como??? Que tio?
Blas: - Meu tio Gaston ou Bartolomé... não se faz de sonsa...
Eu: - Pelo que minha mãe me contou, achei que o Gaston não tinha irmãos...
Blas: - Sua mãe é incrédula igual a você... meu tio Gaston é louco de amor por ela e quando contei pra ele quem cê era, ele pediu pra não te machucar, mas cê me machucou demais e não vou aguentar mais... então... Surpresa, vagabunda! Feliz aniversário...
Eu tava num momento de desespero e angústia. Tremendo. Ele se afastou rindo e eu temia por tudo que ele sabia sobre mim e o passado da minha mãe. Tava furiosa com o Gastón e eu ia responder ele educadamente. Meu pai se aproximou ao me ver ali sozinha.
Pai: - Meu coelhinho... o que houve com aquele rapaz?
Eu: - Nada... nada... outra hora te conto...
Pai: - Que ninguém te machuque, meu amor... porque você é tão importante pra mim que eu não me importaria de arrancar cabeças nem de ficar marcado como um sicário se alguém te fizer sofrer...
Eu: - Em casa te conto... já, fica tranquilo...
Pai: - Minha menina linda - ele me beijou na testa e me levou pelo braço até onde estavam meus avós.
Ao me ver, meu nonno me pegou pela mão e fez um movimento suave pra dançar, e eu acompanhei o passo. O DJ mudou a música e colocou uma do Elvis Presley, um som mais antigo que meu avô seguia os passos e eu tentava acompanhar o ritmo.
Eu: - Ai, nonno... não sabia que você era um dançarino.
Nonno: - Ai, mija... essas músicas a gente dançava com sua avó e deixava a sola no chão - nós dois rimos.
Eu: - Ai, que lindo... Como eu queria ter visto vocês dançando...
Nonno: - Sente a música e vai ser como se sua avó vivesse em você... te amo, mija.
Eu: - E eu você, nonno...
A gente continuou dançando um tempinho, e eu ajeitava o cabelo depois das voltas que ele me dava. Minha Tata, ao me ver, também se aproximou.
Tata: - Me permite a próxima música com a mocinha?
Nonno: - Claro...
Eu: - Obrigada, Nonno... oi, Tata... - abracei ele e ele me devolveu um abraço forte.
Tata: - Minha menina linda... percebi que aconteceu algo com você, meu amor... conta pro seu avô o que houve... o que aquele garoto te fez...
E enquanto a gente dançava, eu fui contando e minhas lágrimas começaram a cair, e ele me apertou contra o peito e me acalmou.
- Sabe que, você é uma menina maravilhosa. Não vou deixar ninguém falar mal de você...
Eu: - Mas, vô, eu fui uma namorada ruim pro meu namorado, fui infiel, mas não achei que ele tivesse algo a ver com o Gastón, o ex da mamãe.
Tata: - Calma... a gente vê o que dá pra fazer. Hoje. aproveite e não quero te ver triste. Seja feliz, sabe? Ele me acariciou, viu que o Ezequiel tava vindo e me soltou devagar, me fez girar e o Eze me pegou e seguiu o ritmo suave. Eze: - Oi, love... finalmente te encontrei... - eu abracei ele e ele acariciava minha cabeça - Ai, love.. o que aconteceu? Eu: - Agora só preciso que você me abrace... Eze: - Não sou bobo, love... me diz por favor o que aconteceu... Fui contando e a gente parou de dançar - Quem é esse infeliz? O infeliz do seu ex tá aqui... me diz qual é, por favor... Eu: - Não, não... Eze: - Se não me falar, vou descobrir... Eu: - Não quero que dê problema agora... Eze: - Não vai dar agora, mas vai dar na hora certa... deixa eu falar com seu pai... Eu: - Não, não... porque se meu pai descobrir que ele é sobrinho do Bartolomé... Eze: - É sobrinho do ex da sua mãe??? Já volto... não, love, espera... Ezequiel me soltou e foi até onde meu pai tava. Eu fiquei parada e alguém me toca por trás, era o Rodrigo. Rodri: - Oi, gostosa... Feliz aniversário! Eu: - Ai, não... só faltava você agora. Rodri: - O quê? Por que você fala isso?? Não fica feliz em me ver...?? Eu: - Tô com um problema enorme pra logo agora meu namorado me ver com você... Rodri: - O que aconteceu, gostosa? Eu: - Encontrei meu ex, ele veio no meu aniversário e disse que é sobrinho do ex da minha mãe e que sabe tudo que rolou entre a gente... Rodri: - Mas... ele contou pro seu rebelde? Eu: - Não, não... mas eu contei e ele vai com meu pai fazer alguma coisa e tenho medo de levarem eles presos por me defender... eu sempre temi que isso fosse acontecer... e tudo por não ter parado e nunca ter dado um basta no começo quando fiquei com você. Rodri: - Imaginei... então você se arrepende de ter ficado comigo? Eu: - Me arrependo de não ter te enxergado antes, me arrependo de não ter visto os mil sinais do seu carinho e amor... mas me arrependo mais ainda de você ter se apaixonado por mim. Rodri: - Não fala assim... não se martiriza... fui eu que me apaixonei por você assim que te conheci, tinha 9 anos e eu tinha me apaixonado, e assim continuei até hoje, já se passaram 9 anos desde que nos conhecemos... Eu:- Deus... não consigo acreditar... Rodri:- Lembra do alfajor que te dei no recreio quando você caiu? Pra você não chorar, te dei aquilo e fazia caretas e gracinhas, e você parou de chorar e começou a rir. Desde aquele dia acho que te amei ainda mais... Eu:- Obrigada... obrigada de verdade... sim, sim, lembro. Minhas amigas falavam que você era um palhaço, que com certeza iam te contratar pra algum circo Rodri:- Ai, que malvada... - rimos- ainda acha que me contratariam? Eu:- E talvez você seja um bom palhaço!- rimos de novo Rodri:- Assim que eu gosto, que você esteja feliz... vou indo e obrigado por me dar os melhores sorrisos, garota linda... Eu:- Obrigada pelas suas palhaçadas de doido, meu palhacinho Rodri:- Te amo, garota... sabe que te amo pra caralho- beijou minha mão e foi embora Fiquei dançando com algumas amigas do colégio. Vi minha irmã muito agarrada com uma garota da idade dela e supus que fosse a Ámbar, a irmã mais nova do Ezequiel Daqui a pouco chega Emma com Ingrid e Rosario Emma:- Ai, mina... você parece um fantasma... onde você se meteu? Eu:- Uff... história longa, mas vou resumir: veio o idiota do Blas, me disse que é sobrinho do Barti, ex da minha mãe, sabe tudo sobre ela e o tio dele, também me viu com Rodrigo, tem informação demais pra explodir tudo: minha vida, a da minha mãe e meu relacionamento com o Eze... quero morrer... Rosario:- É um filho da pu... Emma:- Aiii não... que maldito... Ingrid:- Não acredito que ele seja capaz disso... Eu:- Tô com medo... tô com medo pelo Eze, como ele vai reagir a uma notícia dessas... Emma:- Calma... fica calma, relaxa... Me escuta... como ele teve coragem de vir? Eu:- Veio com o Lucas, o namorado da Nati... esse Blas é um sem-vergonha... Ingrid:- Sem-vergonha pra caralho... fala pro Lucas tirar ele ou os dois vão se arrepender Eu:- Mas a Nati não vai ficar brava? Rosario:- Que nada... deixa comigo senão... Ingrid:- Você não disse que ele veio te cumprimentar no Rodri? Eu: - Sim... Ingrid: - Fala pra ele... além disso, ele conhece o Blas e aquela vez na balada ele ia te defender! Emma: - É verdade... Eu: - Não, mas não... Rosario: - Deixa comigo, eu vou buscar ele e falo... não se metam com a segurança dela - eu sorri Eu: - Valeu, Ro... Ela foi buscar o Rodrigo, enquanto eu tava com a Ingrid e a Emma. Tocava uns sons bem agitados brasileiros no fundo e eu comecei a rebolar junto com minhas duas amigas, fechava os olhos e mexia o corpo. Aí me tocam na cintura, quando viro vejo o Ezequiel com aquele olhar doce e me sorrindo Eze: - Oi, gostosa... Eu: - Oi, love... cê tá bem? Eze: - Tô, tô sim... tudo mais que bem... Eu: - Por que cê fala isso? Eze: - Porque tô aqui... com você... - enquanto acompanhava o ritmo - adoro te ver se divertindo... - murmurou alguma coisa baixinho Eu: - Não entendi... o que cê disse? Eze: - Adoro te ver se divertindo, love... Eu: - Isso eu ouvi... a outra coisa que cê falou mais baixo Eze: - Ah... nada, meu love. Tudo certo! Tudo sob controle... Eu: - Tá bom... Continuamos dançando e vi a Rosario passar, fazendo um sinal de que tava tudo certo. Prepararam a mesa com o bolo principal e outras coisas doces. Me aproximei junto com o Ezequiel, vieram meus pais, meus avós, minhas tias, os pais e a irmã do Eze, meus amigos, minhas colegas de hóquei e meus colegas de inglês, perto de onde eu tinha que ficar pra posar na foto. Meus pais repetiram uma foto que sempre pediam pra tirar comigo, me dando um beijo de cada lado do rosto, e depois as fotos com a família e os amigos. Foram passando meus pais, minhas tias, minha irmã e meus avós. O Eze junto com os pais dele tava num canto, e meu pai fez sinal pra ele. Pai: - Vem... vem cá, Eze querido... você junto com sua família e a Fran. O Eze foi se aproximando de mim e junto com a família dele. Ele me segurou pela cintura, me abraçando sutilmente com as duas mãos, e os pais dele um de cada lado, a irmã dele do lado esquerdo onde tava o pai. O fotógrafo fez sinal de que era a vez. Das minhas amigas, todas gritavam:
- Beijo... beijo... beijo...
Eu fiquei toda vermelha e o Eze sorria pra caramba, falou no meu ouvido:
Eze:
- Você quer que eu atenda o pedido ou deixo pra outra hora?
Eu:
- Pra mim não tem problema...
Ele me virou de lado pro fotógrafo, passou a mão de leve no meu rosto e se aproximou mais. Fechei os olhos e a gente se beijou.
Eu ouvia todo mundo vibrando, aplaudindo, assobiando, uma puta euforia. Quando olhei em volta, vi meus pais junto com os pais do Eze, todos emocionados e comovidos. Meus avós e minhas tias aplaudiam e riam de felicidade. Minhas amigas gritavam que nem umas loucas. Continuei olhando e vi o Rodrigo no meio da multidão, aplaudindo e sorrindo pra mim.
Continuei olhando e vi o Blas parado perto do Lucas, o namorado da Nati. Ele tava com um olhar e um sorriso maldoso, aplaudindo debochado. Tentei ignorar, mas quando eu olhava pra todo lado, via que ele não tirava os olhos de mim.
Depois que as fotos acabaram, acenderam as 18 velas e começaram a cantar parabéns pra mim em alto e bom som. Do meu lado, vi meu pai com o boné dele que nunca falta, escrito "Papai Cool", e tiraram umas fotos. Minha mãe colocou uma máscara de Cleópatra. E me botou uma coroa parecida com a dela. Meu pai tirou o boné e colocou um adereço de Faraó, e a gente posou de novo. Todo mundo cantava parabéns em coro, eu fiz meus três pedidos em silêncio e depois todos aplaudiram felizes.
Foi muito engraçado ver meus pais daquele jeito, com aquelas paradas na cabeça. Minha mãe, com o cabelo liso e comprido, até que parecia a Cleópatra. Meu pai, já tava difícil de acostumar, porque sempre vi ele com aquele boné.
Quando acabou, foram cortando os pedaços do bolo e eu fui com aquela coroa na cabeça até onde o Blas estava, com cara séria.
Eu:
- Dá pra você vazar, por favor?
Blas:
- Do que você tem medo? De toda a informação que eu tenho? De tudo que você e a puta da sua mãe fizeram comigo e com meu tio?
Eu:
- Vaza, Blas... eu sei bem o que tô falando...
Blas:
- Eu não tenho medo de nada. a ninguém... ou será que seu pai acha que o Barti tá feliz com o que ele fez? Sua família não sabe com quem se meteram...
Eu: - Se você tem algo pra falar de mim, fala. Mas dos meus pais, não deixo você falar merda nenhuma...
Blas: - Você vai se arrepender de tudo que me fez... vai lamentar ter terminado nosso relacionamento assim...
Eu: - Pelo amor de Deus, vai embora de uma vez...
Vi meu pai chegando junto com o Ezequiel pra onde a gente tava. Eu segurei o Ezequiel, porque parecia que ele ia partir pra cima dele.
Pai: - Fran, filha... então esse é o sobrinho do bastardo...?
Blas: - E o senhor deve ser o marido da puta e o suposto pai da puta?? Linda família de mulheres fáceis.
Pai: - Não permito que fale assim da minha filha... eu conheço o passado da minha mulher, mas da minha filha não acredito nisso que cê tá dizendo...
Blas: - Ah pelo amor de Deus, bom homem... o senhor acha que sua filha é sua filha?
Pai: - Como assim? Claro que ela e a irmã dela são minhas filhas!
Blas riu de um jeito escroto e macabro.
Blas: - Que sorte o senhor ter essa certeza... mas faz um teste e a gente vê se é verdade.
Ele se virou, e o Ezequiel se soltou de mim e foi pra cima dele. Blas tirou uma pistola de dentro da roupa.
Blas: - Encosta em mim e eu juro que estouro a cabeça de você, da rabuda e do idiota do seu suposto sogro. Nem você nem ele vão fazer comigo o que fizeram com meu tio... tchau, puta... aproveita seu aniversário de merda.
Ele guardou a arma, e meu pai fez um movimento. Não sei se entre os convidados que tavam perto tinha um policial amigo dele, mas o cara segurou ele antes de ir embora, tomou a arma, um monte de balas, e ele tava usando um colete à prova de balas. Levaram ele preso num carro particular.
Eu tava muito abalada e assustada com tudo que aconteceu. Pouca gente percebeu o rolo, por causa da música, das luzes, e porque todo mundo tava comendo em outro lugar.
Ezequiel me abraçou forte.
Eze: - Ai, meu amor... o que cê tava fazendo com aquele cara?
Eu: - Pedi pra ele ir embora, não queria ver ele aqui... Medo de que algo fosse acontecer, e quase deu uma tragédia...
Eze: — Fica tranquila... se ele tentasse puxar o gatilho, eu poderia me defender, mas preferi deixar ele agir até ver onde queria chegar, porque conheço esses caras que ameaçam e não fazem nada... se quisesse ter me matado, já teria feito.
Eu: — Nããão... não queria que chegasse a isso... me perdoa.
Eze: — Fica tranquila... já passou — ele me abraçou bem forte enquanto me acariciava.
Nisso, meu pai se aproxima.
Pai: — Fran, meu amor... você tá bem?
Eu: — Tô, pai... fica tranquilo, tô bem...
Pai: — Minha princesa... meu grande amor...
Eu: — Você acha que é verdade o que ele disse?
Pai: — Eu não tenho dúvida nenhuma de que sou seu pai, meu amor... eu fui quem esteve sempre do lado da sua mãe e de vocês em todo momento, e se fosse verdade o que ele diz, também não mudaria nada, porque fui eu quem sempre fez tudo por você e sua irmã... — nisso, minha mãe se aproxima.
Mãe: — O que aconteceu que vocês estão aqui?
Pai: — Você e eu precisamos conversar sobre um assunto que rolou aqui.
Mãe: — Não tô entendendo, amor... o que aconteceu? — meu pai foi até a porta de saída — o que foi que aconteceu, Fran?
Eze me acariciou as costas e fez sinal pra eu contar.
Eu: — É que o Blas parece que é sobrinho do Barti, do Gastón... e me ameaçou que ia contar toda a verdade e ainda disse que talvez eu não fosse filha do meu pai... isso é verdade?
Mãe: — Gastón é um mentiroso do caralho... não, não é verdade nada do que esse cara te disse...
Eu: — Eu sou filha do meu pai?
Mãe: — Claro que sim...
Eu: — Tem certeza, mãe? O pai eu vi muito preocupado quando o Blas falou isso; parecia que ele sentiu que podia ser verdade o que ele disse...
Mãe: — Não, não. Pode ter certeza que você é tão filha do seu pai quanto a Guille. Eu terminei com o Gastón muito antes de me casar com seu pai: depois da lua de mel, engravidei de você, jurei não pensar mais no meu ex, porque eu amava ele, mas te digo a verdade que com seu pai aprendi o que era o amor verdadeiro. Ele me cuidou, me respeitou, me amou, cuidou da nossa economia sem deixar faltar nada. deixando que eu passasse tempo com vocês, fazendo muito sacrifício, passando muitas horas do dia trabalhando fora de casa e chegando cansado, mas quando via vocês, você e sua irmã, o cansaço sumia. Ele nunca reclamava... Eu: - É verdade... papai é único! Só vi ele triste ou mal quando aconteceu aquilo no Uruguai, mas fora isso, ele tá sempre com um sorriso, e olha que eu já viajei com ele e ele nunca me falou aquela frase famosa de 'tô cansado', se eu queria sair pra algum lugar, ele já dizia sim pra tudo. Mamãe: - E cadê seu pai agora? Eu: - Não sei... não sei pra onde ele foi... Minha mãe saiu correndo pra procurar ele. Não achava ele nem o Rick, pai do Ezequiel. Tanto minha mãe quanto a mãe do Eze estavam preocupadas. Ela se ofereceu pra levar a Silvia e a Ámbar, junto com os pais delas, meus avós, pro lugar onde estavam hospedadas pra descansarem. Eu levei minhas tias e meu Nonno pra casa deles e depois passaria pra pegar o Ezequiel. Quando voltei pra onde tinha sido minha festa de aniversário, só tinham os responsáveis, os garçons e o pessoal juntando e arrumando tudo. Eu, preocupada, não achava o Ezequiel, ligava pra ele e ele não atendia nem as ligações nem as mensagens. Decidi ir devagar. Quando peguei o caminho da estrada que vai pra cidade, do lado de uma estrada bem esquecida, vejo um carro muito parecido com o do meu pai, de onde desceram três homens juntos e tiraram um do porta-malas, e esse tava amarrado, e os três começaram a bater nele. Eu parei mais na frente e esperei pra ver se era meu pai com o Rick e o Eze. Depois de um tempo, vejo eles voltarem pro carro, dando a volta pra voltar pra estrada, e quando se aproximaram, eu me inclinei um pouco e vi eles três como se estivessem comemorando alguma coisa. Eu quis saber quem tinham batido e olhei do meu carro e consegui reconhecer pela roupa que era o Blas. Todo machucado, de bruços e com manchas de sangue. Eu me segurei como pude ao ver ele, mas por dentro tinha uma sensação de culpa, mas também de alívio, porque não queria que fosse meu pai. Fiquei marcada por algo que ele tinha dito, mas por outro lado, Blas já tinha feito muito estrago. Decidi ir devagar, caminhando na boa pra minha casa, pensando se era verdade ou não aquela história de que Blas era sobrinho do Barti. Mandei uma mensagem: "Oi, Bartolomé ou Gastão. Não acredito que você nunca me contou a verdade sobre ter parentesco com quem eu saí, e esse alguém quis revelar tudo no meu aniversário, querendo foder minha vida e a da minha mãe. Se um dia eu te amei e respeitei, hoje eu amaldiçoo o dia que te mandei mensagem na minha rede social. Tomara que a gente nunca mais se cruze."
Quando cheguei em casa, vi meu pai com o Ezequiel e o Ricardo brindando. Papai: "Meu coelhinho... a gente tá comemorando porque..." Eu: "É... eu sei. Porque o serviço ficou bem feito, né?" Papai: "Mas você, como sabe disso..." Eu: "Eu vi, eu vi vocês três tirando um cara do porta-malas do carro e largando ele na beira da estrada... ninguém me contou, porque eu mesma vi." Papai: "Olha, love... eu não vou deixar um filho da puta te fazer passar por tudo que você passou. Sei por comentários de gente muito próxima que esse infeliz te fez sofrer... e então... dei uma boa lição nele, love." Eu: "Não consigo comemorar uma parada dessas, mas... tô um pouco mais tranquila."
Meu celular tocou com a notificação de uma mensagem, me afastei e li. Era do Barti: "Me perdoa, gostosa, isso não tem nada a ver com você. Mas meu sobrinho ouviu a conversa que eu tava tendo com meu outro irmão, o tio dele, e o Blas pirou. Eu pedi, implorei pra ele não fazer merda, mas já era tarde demais. Me perdoa, bonita." Fui pro meu quarto e bloqueei ele. Com um gosto amargo na boca, porque de novo tava com aqueles sentimentos confusos pelo love que um dia senti pelo Barti, mas por causa da mentira que ele contou pra minha mãe, era como se eu tivesse feliz pelo que aconteceu com ele e agora com o Blas. Já faz uns quatro anos dessa história, viajo direto pra Argentina, visito minha família e minhas amigas porque tenho no Uruguai um "rebelde" que me cuida como ninguém e tô curtindo pra caralho ficar junto com ele e com nosso bicho, Raymundo, realizando o sonho que eu tinha desde menina. FIM!
Eu: - O que cê tá fazendo aqui?
Blas: - Feliz aniversário, linda Fran...
Eu: - Bom, valeu... mas cê não pode ficar aqui...
Blas: - Por que não? Vim com o Lucas, o namorado da sua amiga...
Eu: - Cê não pode ficar aqui... o que cê quer?
Blas: - Só te ver... só ficar no seu aniversário com meu amigo, te olhando...
Eu: - Juro que se cê fizer alguma merda, vai se arrepender...
Blas: - Seu namorado tá aqui?
Eu: - Claro que sim... meu namorado e a família toda dele...
Blas: - Ah, olha só... então se comporta direitinho... que cê anda com outros escondido do teu uruguaio - ele se virou e foi pra mesa da comida
Eu fiquei paralisada, morrendo de medo e pensei "Será que o Blas me viu com meu colega Rodrigo... Ai meu Deus... Tomara que ele não abra a boca..."
Eu: - Não se atreve a chegar perto do meu namorado...
Blas: - Então é verdade o que todo mundo sabe... que cê é uma puta e deu pro teu amigo
Eu: - Não deixo cê falar isso...
Blas: - Cê me largou por aquele rebelde e agora tá enfiando uns chifres lindos nele
Eu: - Já chega...
Blas: - Tomara que ele sofra igual eu sofri, aquele idiota... - eu dei um tapa na cara dele e parece que todo mundo ouviu, porque vários olharam pra gente - cê é uma vagabunda... uma vagabunda igual à puta da sua mãe... eu sei bem do passado dela. Acha que porque bateram no meu tio, ela vai se safar, mas a mancha já tá feita...
Eu: - Como??? Que tio?
Blas: - Meu tio Gaston ou Bartolomé... não se faz de sonsa...
Eu: - Pelo que minha mãe me contou, achei que o Gaston não tinha irmãos...
Blas: - Sua mãe é incrédula igual a você... meu tio Gaston é louco de amor por ela e quando contei pra ele quem cê era, ele pediu pra não te machucar, mas cê me machucou demais e não vou aguentar mais... então... Surpresa, vagabunda! Feliz aniversário...
Eu tava num momento de desespero e angústia. Tremendo. Ele se afastou rindo e eu temia por tudo que ele sabia sobre mim e o passado da minha mãe. Tava furiosa com o Gastón e eu ia responder ele educadamente. Meu pai se aproximou ao me ver ali sozinha.
Pai: - Meu coelhinho... o que houve com aquele rapaz?
Eu: - Nada... nada... outra hora te conto...
Pai: - Que ninguém te machuque, meu amor... porque você é tão importante pra mim que eu não me importaria de arrancar cabeças nem de ficar marcado como um sicário se alguém te fizer sofrer...
Eu: - Em casa te conto... já, fica tranquilo...
Pai: - Minha menina linda - ele me beijou na testa e me levou pelo braço até onde estavam meus avós.
Ao me ver, meu nonno me pegou pela mão e fez um movimento suave pra dançar, e eu acompanhei o passo. O DJ mudou a música e colocou uma do Elvis Presley, um som mais antigo que meu avô seguia os passos e eu tentava acompanhar o ritmo.
Eu: - Ai, nonno... não sabia que você era um dançarino.
Nonno: - Ai, mija... essas músicas a gente dançava com sua avó e deixava a sola no chão - nós dois rimos.
Eu: - Ai, que lindo... Como eu queria ter visto vocês dançando...
Nonno: - Sente a música e vai ser como se sua avó vivesse em você... te amo, mija.
Eu: - E eu você, nonno...
A gente continuou dançando um tempinho, e eu ajeitava o cabelo depois das voltas que ele me dava. Minha Tata, ao me ver, também se aproximou.
Tata: - Me permite a próxima música com a mocinha?
Nonno: - Claro...
Eu: - Obrigada, Nonno... oi, Tata... - abracei ele e ele me devolveu um abraço forte.
Tata: - Minha menina linda... percebi que aconteceu algo com você, meu amor... conta pro seu avô o que houve... o que aquele garoto te fez...
E enquanto a gente dançava, eu fui contando e minhas lágrimas começaram a cair, e ele me apertou contra o peito e me acalmou.
- Sabe que, você é uma menina maravilhosa. Não vou deixar ninguém falar mal de você...
Eu: - Mas, vô, eu fui uma namorada ruim pro meu namorado, fui infiel, mas não achei que ele tivesse algo a ver com o Gastón, o ex da mamãe.
Tata: - Calma... a gente vê o que dá pra fazer. Hoje. aproveite e não quero te ver triste. Seja feliz, sabe? Ele me acariciou, viu que o Ezequiel tava vindo e me soltou devagar, me fez girar e o Eze me pegou e seguiu o ritmo suave. Eze: - Oi, love... finalmente te encontrei... - eu abracei ele e ele acariciava minha cabeça - Ai, love.. o que aconteceu? Eu: - Agora só preciso que você me abrace... Eze: - Não sou bobo, love... me diz por favor o que aconteceu... Fui contando e a gente parou de dançar - Quem é esse infeliz? O infeliz do seu ex tá aqui... me diz qual é, por favor... Eu: - Não, não... Eze: - Se não me falar, vou descobrir... Eu: - Não quero que dê problema agora... Eze: - Não vai dar agora, mas vai dar na hora certa... deixa eu falar com seu pai... Eu: - Não, não... porque se meu pai descobrir que ele é sobrinho do Bartolomé... Eze: - É sobrinho do ex da sua mãe??? Já volto... não, love, espera... Ezequiel me soltou e foi até onde meu pai tava. Eu fiquei parada e alguém me toca por trás, era o Rodrigo. Rodri: - Oi, gostosa... Feliz aniversário! Eu: - Ai, não... só faltava você agora. Rodri: - O quê? Por que você fala isso?? Não fica feliz em me ver...?? Eu: - Tô com um problema enorme pra logo agora meu namorado me ver com você... Rodri: - O que aconteceu, gostosa? Eu: - Encontrei meu ex, ele veio no meu aniversário e disse que é sobrinho do ex da minha mãe e que sabe tudo que rolou entre a gente... Rodri: - Mas... ele contou pro seu rebelde? Eu: - Não, não... mas eu contei e ele vai com meu pai fazer alguma coisa e tenho medo de levarem eles presos por me defender... eu sempre temi que isso fosse acontecer... e tudo por não ter parado e nunca ter dado um basta no começo quando fiquei com você. Rodri: - Imaginei... então você se arrepende de ter ficado comigo? Eu: - Me arrependo de não ter te enxergado antes, me arrependo de não ter visto os mil sinais do seu carinho e amor... mas me arrependo mais ainda de você ter se apaixonado por mim. Rodri: - Não fala assim... não se martiriza... fui eu que me apaixonei por você assim que te conheci, tinha 9 anos e eu tinha me apaixonado, e assim continuei até hoje, já se passaram 9 anos desde que nos conhecemos... Eu:- Deus... não consigo acreditar... Rodri:- Lembra do alfajor que te dei no recreio quando você caiu? Pra você não chorar, te dei aquilo e fazia caretas e gracinhas, e você parou de chorar e começou a rir. Desde aquele dia acho que te amei ainda mais... Eu:- Obrigada... obrigada de verdade... sim, sim, lembro. Minhas amigas falavam que você era um palhaço, que com certeza iam te contratar pra algum circo Rodri:- Ai, que malvada... - rimos- ainda acha que me contratariam? Eu:- E talvez você seja um bom palhaço!- rimos de novo Rodri:- Assim que eu gosto, que você esteja feliz... vou indo e obrigado por me dar os melhores sorrisos, garota linda... Eu:- Obrigada pelas suas palhaçadas de doido, meu palhacinho Rodri:- Te amo, garota... sabe que te amo pra caralho- beijou minha mão e foi embora Fiquei dançando com algumas amigas do colégio. Vi minha irmã muito agarrada com uma garota da idade dela e supus que fosse a Ámbar, a irmã mais nova do Ezequiel Daqui a pouco chega Emma com Ingrid e Rosario Emma:- Ai, mina... você parece um fantasma... onde você se meteu? Eu:- Uff... história longa, mas vou resumir: veio o idiota do Blas, me disse que é sobrinho do Barti, ex da minha mãe, sabe tudo sobre ela e o tio dele, também me viu com Rodrigo, tem informação demais pra explodir tudo: minha vida, a da minha mãe e meu relacionamento com o Eze... quero morrer... Rosario:- É um filho da pu... Emma:- Aiii não... que maldito... Ingrid:- Não acredito que ele seja capaz disso... Eu:- Tô com medo... tô com medo pelo Eze, como ele vai reagir a uma notícia dessas... Emma:- Calma... fica calma, relaxa... Me escuta... como ele teve coragem de vir? Eu:- Veio com o Lucas, o namorado da Nati... esse Blas é um sem-vergonha... Ingrid:- Sem-vergonha pra caralho... fala pro Lucas tirar ele ou os dois vão se arrepender Eu:- Mas a Nati não vai ficar brava? Rosario:- Que nada... deixa comigo senão... Ingrid:- Você não disse que ele veio te cumprimentar no Rodri? Eu: - Sim... Ingrid: - Fala pra ele... além disso, ele conhece o Blas e aquela vez na balada ele ia te defender! Emma: - É verdade... Eu: - Não, mas não... Rosario: - Deixa comigo, eu vou buscar ele e falo... não se metam com a segurança dela - eu sorri Eu: - Valeu, Ro... Ela foi buscar o Rodrigo, enquanto eu tava com a Ingrid e a Emma. Tocava uns sons bem agitados brasileiros no fundo e eu comecei a rebolar junto com minhas duas amigas, fechava os olhos e mexia o corpo. Aí me tocam na cintura, quando viro vejo o Ezequiel com aquele olhar doce e me sorrindo Eze: - Oi, gostosa... Eu: - Oi, love... cê tá bem? Eze: - Tô, tô sim... tudo mais que bem... Eu: - Por que cê fala isso? Eze: - Porque tô aqui... com você... - enquanto acompanhava o ritmo - adoro te ver se divertindo... - murmurou alguma coisa baixinho Eu: - Não entendi... o que cê disse? Eze: - Adoro te ver se divertindo, love... Eu: - Isso eu ouvi... a outra coisa que cê falou mais baixo Eze: - Ah... nada, meu love. Tudo certo! Tudo sob controle... Eu: - Tá bom... Continuamos dançando e vi a Rosario passar, fazendo um sinal de que tava tudo certo. Prepararam a mesa com o bolo principal e outras coisas doces. Me aproximei junto com o Ezequiel, vieram meus pais, meus avós, minhas tias, os pais e a irmã do Eze, meus amigos, minhas colegas de hóquei e meus colegas de inglês, perto de onde eu tinha que ficar pra posar na foto. Meus pais repetiram uma foto que sempre pediam pra tirar comigo, me dando um beijo de cada lado do rosto, e depois as fotos com a família e os amigos. Foram passando meus pais, minhas tias, minha irmã e meus avós. O Eze junto com os pais dele tava num canto, e meu pai fez sinal pra ele. Pai: - Vem... vem cá, Eze querido... você junto com sua família e a Fran. O Eze foi se aproximando de mim e junto com a família dele. Ele me segurou pela cintura, me abraçando sutilmente com as duas mãos, e os pais dele um de cada lado, a irmã dele do lado esquerdo onde tava o pai. O fotógrafo fez sinal de que era a vez. Das minhas amigas, todas gritavam:
- Beijo... beijo... beijo...
Eu fiquei toda vermelha e o Eze sorria pra caramba, falou no meu ouvido:
Eze:
- Você quer que eu atenda o pedido ou deixo pra outra hora?
Eu:
- Pra mim não tem problema...
Ele me virou de lado pro fotógrafo, passou a mão de leve no meu rosto e se aproximou mais. Fechei os olhos e a gente se beijou.
Eu ouvia todo mundo vibrando, aplaudindo, assobiando, uma puta euforia. Quando olhei em volta, vi meus pais junto com os pais do Eze, todos emocionados e comovidos. Meus avós e minhas tias aplaudiam e riam de felicidade. Minhas amigas gritavam que nem umas loucas. Continuei olhando e vi o Rodrigo no meio da multidão, aplaudindo e sorrindo pra mim.
Continuei olhando e vi o Blas parado perto do Lucas, o namorado da Nati. Ele tava com um olhar e um sorriso maldoso, aplaudindo debochado. Tentei ignorar, mas quando eu olhava pra todo lado, via que ele não tirava os olhos de mim.
Depois que as fotos acabaram, acenderam as 18 velas e começaram a cantar parabéns pra mim em alto e bom som. Do meu lado, vi meu pai com o boné dele que nunca falta, escrito "Papai Cool", e tiraram umas fotos. Minha mãe colocou uma máscara de Cleópatra. E me botou uma coroa parecida com a dela. Meu pai tirou o boné e colocou um adereço de Faraó, e a gente posou de novo. Todo mundo cantava parabéns em coro, eu fiz meus três pedidos em silêncio e depois todos aplaudiram felizes.
Foi muito engraçado ver meus pais daquele jeito, com aquelas paradas na cabeça. Minha mãe, com o cabelo liso e comprido, até que parecia a Cleópatra. Meu pai, já tava difícil de acostumar, porque sempre vi ele com aquele boné.
Quando acabou, foram cortando os pedaços do bolo e eu fui com aquela coroa na cabeça até onde o Blas estava, com cara séria.
Eu:
- Dá pra você vazar, por favor?
Blas:
- Do que você tem medo? De toda a informação que eu tenho? De tudo que você e a puta da sua mãe fizeram comigo e com meu tio?
Eu:
- Vaza, Blas... eu sei bem o que tô falando...
Blas:
- Eu não tenho medo de nada. a ninguém... ou será que seu pai acha que o Barti tá feliz com o que ele fez? Sua família não sabe com quem se meteram...
Eu: - Se você tem algo pra falar de mim, fala. Mas dos meus pais, não deixo você falar merda nenhuma...
Blas: - Você vai se arrepender de tudo que me fez... vai lamentar ter terminado nosso relacionamento assim...
Eu: - Pelo amor de Deus, vai embora de uma vez...
Vi meu pai chegando junto com o Ezequiel pra onde a gente tava. Eu segurei o Ezequiel, porque parecia que ele ia partir pra cima dele.
Pai: - Fran, filha... então esse é o sobrinho do bastardo...?
Blas: - E o senhor deve ser o marido da puta e o suposto pai da puta?? Linda família de mulheres fáceis.
Pai: - Não permito que fale assim da minha filha... eu conheço o passado da minha mulher, mas da minha filha não acredito nisso que cê tá dizendo...
Blas: - Ah pelo amor de Deus, bom homem... o senhor acha que sua filha é sua filha?
Pai: - Como assim? Claro que ela e a irmã dela são minhas filhas!
Blas riu de um jeito escroto e macabro.
Blas: - Que sorte o senhor ter essa certeza... mas faz um teste e a gente vê se é verdade.
Ele se virou, e o Ezequiel se soltou de mim e foi pra cima dele. Blas tirou uma pistola de dentro da roupa.
Blas: - Encosta em mim e eu juro que estouro a cabeça de você, da rabuda e do idiota do seu suposto sogro. Nem você nem ele vão fazer comigo o que fizeram com meu tio... tchau, puta... aproveita seu aniversário de merda.
Ele guardou a arma, e meu pai fez um movimento. Não sei se entre os convidados que tavam perto tinha um policial amigo dele, mas o cara segurou ele antes de ir embora, tomou a arma, um monte de balas, e ele tava usando um colete à prova de balas. Levaram ele preso num carro particular.
Eu tava muito abalada e assustada com tudo que aconteceu. Pouca gente percebeu o rolo, por causa da música, das luzes, e porque todo mundo tava comendo em outro lugar.
Ezequiel me abraçou forte.
Eze: - Ai, meu amor... o que cê tava fazendo com aquele cara?
Eu: - Pedi pra ele ir embora, não queria ver ele aqui... Medo de que algo fosse acontecer, e quase deu uma tragédia...
Eze: — Fica tranquila... se ele tentasse puxar o gatilho, eu poderia me defender, mas preferi deixar ele agir até ver onde queria chegar, porque conheço esses caras que ameaçam e não fazem nada... se quisesse ter me matado, já teria feito.
Eu: — Nããão... não queria que chegasse a isso... me perdoa.
Eze: — Fica tranquila... já passou — ele me abraçou bem forte enquanto me acariciava.
Nisso, meu pai se aproxima.
Pai: — Fran, meu amor... você tá bem?
Eu: — Tô, pai... fica tranquilo, tô bem...
Pai: — Minha princesa... meu grande amor...
Eu: — Você acha que é verdade o que ele disse?
Pai: — Eu não tenho dúvida nenhuma de que sou seu pai, meu amor... eu fui quem esteve sempre do lado da sua mãe e de vocês em todo momento, e se fosse verdade o que ele diz, também não mudaria nada, porque fui eu quem sempre fez tudo por você e sua irmã... — nisso, minha mãe se aproxima.
Mãe: — O que aconteceu que vocês estão aqui?
Pai: — Você e eu precisamos conversar sobre um assunto que rolou aqui.
Mãe: — Não tô entendendo, amor... o que aconteceu? — meu pai foi até a porta de saída — o que foi que aconteceu, Fran?
Eze me acariciou as costas e fez sinal pra eu contar.
Eu: — É que o Blas parece que é sobrinho do Barti, do Gastón... e me ameaçou que ia contar toda a verdade e ainda disse que talvez eu não fosse filha do meu pai... isso é verdade?
Mãe: — Gastón é um mentiroso do caralho... não, não é verdade nada do que esse cara te disse...
Eu: — Eu sou filha do meu pai?
Mãe: — Claro que sim...
Eu: — Tem certeza, mãe? O pai eu vi muito preocupado quando o Blas falou isso; parecia que ele sentiu que podia ser verdade o que ele disse...
Mãe: — Não, não. Pode ter certeza que você é tão filha do seu pai quanto a Guille. Eu terminei com o Gastón muito antes de me casar com seu pai: depois da lua de mel, engravidei de você, jurei não pensar mais no meu ex, porque eu amava ele, mas te digo a verdade que com seu pai aprendi o que era o amor verdadeiro. Ele me cuidou, me respeitou, me amou, cuidou da nossa economia sem deixar faltar nada. deixando que eu passasse tempo com vocês, fazendo muito sacrifício, passando muitas horas do dia trabalhando fora de casa e chegando cansado, mas quando via vocês, você e sua irmã, o cansaço sumia. Ele nunca reclamava... Eu: - É verdade... papai é único! Só vi ele triste ou mal quando aconteceu aquilo no Uruguai, mas fora isso, ele tá sempre com um sorriso, e olha que eu já viajei com ele e ele nunca me falou aquela frase famosa de 'tô cansado', se eu queria sair pra algum lugar, ele já dizia sim pra tudo. Mamãe: - E cadê seu pai agora? Eu: - Não sei... não sei pra onde ele foi... Minha mãe saiu correndo pra procurar ele. Não achava ele nem o Rick, pai do Ezequiel. Tanto minha mãe quanto a mãe do Eze estavam preocupadas. Ela se ofereceu pra levar a Silvia e a Ámbar, junto com os pais delas, meus avós, pro lugar onde estavam hospedadas pra descansarem. Eu levei minhas tias e meu Nonno pra casa deles e depois passaria pra pegar o Ezequiel. Quando voltei pra onde tinha sido minha festa de aniversário, só tinham os responsáveis, os garçons e o pessoal juntando e arrumando tudo. Eu, preocupada, não achava o Ezequiel, ligava pra ele e ele não atendia nem as ligações nem as mensagens. Decidi ir devagar. Quando peguei o caminho da estrada que vai pra cidade, do lado de uma estrada bem esquecida, vejo um carro muito parecido com o do meu pai, de onde desceram três homens juntos e tiraram um do porta-malas, e esse tava amarrado, e os três começaram a bater nele. Eu parei mais na frente e esperei pra ver se era meu pai com o Rick e o Eze. Depois de um tempo, vejo eles voltarem pro carro, dando a volta pra voltar pra estrada, e quando se aproximaram, eu me inclinei um pouco e vi eles três como se estivessem comemorando alguma coisa. Eu quis saber quem tinham batido e olhei do meu carro e consegui reconhecer pela roupa que era o Blas. Todo machucado, de bruços e com manchas de sangue. Eu me segurei como pude ao ver ele, mas por dentro tinha uma sensação de culpa, mas também de alívio, porque não queria que fosse meu pai. Fiquei marcada por algo que ele tinha dito, mas por outro lado, Blas já tinha feito muito estrago. Decidi ir devagar, caminhando na boa pra minha casa, pensando se era verdade ou não aquela história de que Blas era sobrinho do Barti. Mandei uma mensagem: "Oi, Bartolomé ou Gastão. Não acredito que você nunca me contou a verdade sobre ter parentesco com quem eu saí, e esse alguém quis revelar tudo no meu aniversário, querendo foder minha vida e a da minha mãe. Se um dia eu te amei e respeitei, hoje eu amaldiçoo o dia que te mandei mensagem na minha rede social. Tomara que a gente nunca mais se cruze."
Quando cheguei em casa, vi meu pai com o Ezequiel e o Ricardo brindando. Papai: "Meu coelhinho... a gente tá comemorando porque..." Eu: "É... eu sei. Porque o serviço ficou bem feito, né?" Papai: "Mas você, como sabe disso..." Eu: "Eu vi, eu vi vocês três tirando um cara do porta-malas do carro e largando ele na beira da estrada... ninguém me contou, porque eu mesma vi." Papai: "Olha, love... eu não vou deixar um filho da puta te fazer passar por tudo que você passou. Sei por comentários de gente muito próxima que esse infeliz te fez sofrer... e então... dei uma boa lição nele, love." Eu: "Não consigo comemorar uma parada dessas, mas... tô um pouco mais tranquila."
Meu celular tocou com a notificação de uma mensagem, me afastei e li. Era do Barti: "Me perdoa, gostosa, isso não tem nada a ver com você. Mas meu sobrinho ouviu a conversa que eu tava tendo com meu outro irmão, o tio dele, e o Blas pirou. Eu pedi, implorei pra ele não fazer merda, mas já era tarde demais. Me perdoa, bonita." Fui pro meu quarto e bloqueei ele. Com um gosto amargo na boca, porque de novo tava com aqueles sentimentos confusos pelo love que um dia senti pelo Barti, mas por causa da mentira que ele contou pra minha mãe, era como se eu tivesse feliz pelo que aconteceu com ele e agora com o Blas. Já faz uns quatro anos dessa história, viajo direto pra Argentina, visito minha família e minhas amigas porque tenho no Uruguai um "rebelde" que me cuida como ninguém e tô curtindo pra caralho ficar junto com ele e com nosso bicho, Raymundo, realizando o sonho que eu tinha desde menina. FIM!
0 comentários - Frambu e seu coquetel de vida XXIV