Projeto Cernunnos: 001 - Prazer Solo e Mistério

Eu era um cara comum e comum, talvez até consciente demais da minha mediocridade como cidadão do mundo, como ser humano, como profissional, etc. Não vivo a irrelevância como um castigo ou uma tortura, já que a imensa maioria dos que habitam esse mundo cruel vai embora sem deixar nada que os outros lembrem ou que signifique algo para o curso da história. Talvez por isso nunca tive a necessidade de acreditar em dogmas religiosos nem em manifestações paranormais, e me mantive cético diante de superstições. Meu aniversário de 35 anos me pegou no meu pequeno e confortável apartamento celebrando o aniversário do meu nascimento só na companhia de uma caixa de garrafas de cerveja, uma televisão na minha frente e a brisa da noite da periferia entrando pelo espaço entre a parede e a porta de correr da minha varanda de cortinas sempre abertas.
O prédio pequeno e modesto onde eu morava era pouco habitado, e como nunca tinha visto ninguém nos outros apartamentos que davam para o pátio interno compartilhado, eu me dava ao luxo de não fechar as cortinas, exceto por motivos de segurança na hora de dormir. Naquela noite de aniversário, eu apaguei assistindo a um filme de terror típico, em que adolescentes que transam antes do casamento são mortos pelo vilão da vez. Acordei de madrugada com a sensação incomum de ouvir barulhos na varanda que ficava bem na frente da minha, do outro lado do pátio. Agarrada na grade estava uma jovem mulher nua, com cabelo bem preto e pele bem branca, tatuada por todo lado. Ela gritava de prazer porque estava sendo penetrada por outra garota também muito gostosa e morena, que usava um arreio com uma pica gigante (entendo que é algo vulgarmente chamado de "cintaralho") e estava metendo com toda a força. Elas estavam tão concentradas no que faziam que nunca notaram minha presença a poucos metros nem se preocuparam com os barulhos que eu poderia ouvir. Girei o sofá direto para varanda e fiquei olhando para elas até que minha ereção ficou tão forte que não deu pra fazer outra coisa senão uma punheta vendo aquela cena lésbica linda que o destino me oferecia ali mesmo no meu condomínio.
Projeto Cernunnos: 001 - Prazer Solo e MistérioA garota da cintura fina não tinha piedade da outra e empurrava com força o consolador pra dentro da buceta de quem recebia, agarrada na barra transversal de ferro da estrutura da sacada. Ela, de pele branca e tatuagens, olhava pra frente e gemia sem parar, quase como se tivesse espasmos de prazer, mordendo o lábio inferior de tão bom que era sentir a companheira sexual penetrando ela. Os olhos escuros e intrigantes dela se perdiam no vazio: olhavam direto pra minha posição, mas com uma ausência no olhar, como se não pudesse me ver enquanto estivesse numa espécie de transe. O corpo nu dela, os gemidos e gritos de prazer me excitaram pra caralho e meu pau tava prestes a explodir carregado de porra. Eu me toquei furiosamente no ritmo da parte mais intensa com que uma metia na outra até gozar em jatos, sujando o chão, o sofá e minha cueca, e tão solto que, por reflexo, estiquei uma perna e bati num móvel, derrubando um livro bem velho. No instante em que liberei meu líquido preso, um fio que cruzava o pátio soltou faíscas e estourou, causando um clarão que me fez fechar e abrir os olhos de novo. Quando consegui enxergar bem outra vez, na sacada da frente já tinham fechado as cortinas, e aquela visão de duas gostosas se dando prazer virou só uma lembranha pra mim. Mas a ocupação daquele apartamento e a identidade daquela garota de olhos profundos viraram prioridade no meu cérebro. No dia seguinte, me levantei do sofá e na frente não tinha cortina nem vestígio das duas mulheres nem nada, como se eu tivesse sonhado. Achei no chão o livro que tinha caído e o reconheci porque era do meu avô, que eu nunca vi lendo, mas era ele quem tinha deixado ali onde estava. "A história da família Cervantes: Cervatto, Carabantes, Cernunnus" dizia na capa. Deixei na mesa de cabeceira do meu quarto com a intenção de folhear antes de dormir, mas não fiz isso até vários dias depois. Não consegui tirar da cabeça os olhos daquela garota pálida, seus lábios e seus gritos de prazer. Na noite seguinte, me masturbei várias vezes seguidas imaginando que penetrava aquela bunda redonda até enchê-la de porra e fazê-la gozar aos gritos. Nos sonhos, minhas visões pararam em uma das tatuagens dela, ainda sem conseguir lembrar direito por causa da distância em que eu estava e do pouco que dava pra distinguir na escuridão daquele pátio que separava varanda de varanda. De repente, eu sabia que a garota penetrada tinha tatuado uma caveira com chifres embaixo do umbigo. Me imaginei regando as tatuagens dela com minha porra até ela me pedir pra parar. Quando voltei com a mente pro mundo real, ouvi a campainha insistindo na minha porta.


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