Una noche loca

Assim que a Lu colocou o filme, passou uns vinte e poucos minutos e eu comecei a cair no sono. Domingo ou quarta de jogo, mas principalmente domingo, são dias bem longos e a gente volta morto. De manhã cedo é dar uma limpada, fazer as compras, preparar o fogo, jogar algo na churrasqueira, umas birita, pré-jogo, viagem pro estádio, partida e a volta. Quem vai no estádio sempre ou já foi um dia sabe do que eu tô falando. O jogo dura 90 minutos, mas como eu disse, desde cedo a gente já tá a mil e depois no estádio várias horas em pé, apertado quase sempre, com calor, sol, vento, chuva, dependendo do que vier. Cantar, pular, fora tudo que comeu, tudo que bebeu, um baseado talvez pra alguns, e você termina tão cansado quanto depois de um dia de trampo. No meio do filme, ouço a Lu: "Amor". Papai: "Pelo visto ele dormiu". Não tinha dormido, mas tava naquele estado. Escutei a Lu e ia responder, mas escutei meu pai e não falei nada pra ver se eles engoliam que eu tava dormindo. Lu: "Legal, pra ir no estádio, encontrar os parças, comer churrasco, ir no autódromo, ele não tem sono, mas pra ver um filme juntos, sim". Papai: "Calma, Lu, haha. Ele sempre foi assim. Nesse sentido, não tem muito o que reclamar, acho, porque sempre foi assim." Lu: "Fala sério, Adri. Ele quando se encontra com os parças, quando quer ir no estádio, quando vai no autódromo, eu sempre entro nos planos dele, sempre acompanho, dou maior força. Quando eu quero ver uma série ou um filme, ele sempre faz a mesma coisa." Papai: "Você cozinhou e tudo hoje ainda, mas enfim, como eu tô dizendo. Nesse sentido, ele sempre foi assim e você já conheceu ele assim, não é que ele era de um jeito quando te conheceu e agora mudou. Sempre foi assim. Por isso acho que nesse sentido você não pode falar nada pra ele." Lu: "Qual é, Adri, ele sempre faz a mesma coisa comigo, é muito chato. Eu nos planos dele sempre topo, e quando eu proponho algo, ele nunca me acompanha." Papai: "Você devia conversar com ele e falar isso que você tá me dizendo, e achar uma solução. Porque também não é algo tão grave pra vocês discutirem ou brigarem por isso, mas você precisa conversar, porque senão essa besteira vai gerar um monte de discussão. Tô falando por experiência."
Lu: "É que juro, sempre acontece a mesma coisa. Ele me fala 'vamos nos encontrar com tal pessoa, topa?' e eu topo. Quando eu peço pra ele me acompanhar em algum lugar pra comprar algo, visitar uma amiga ou sei lá, ele sempre me deixa na mão."
Pai: "É, como eu disse, ele sempre foi assim. Sempre teve esse jeito e essa personalidade. Até com a gente. Com o Ale, a gente sempre ficava intrigado e preocupado, porque não sabíamos como ele ia se virar na escola, no trabalho. Sempre foi muito fechado, pouco expressivo. A gente sempre falava: 'ele é mais raro que cachorro verde'. Se todo mundo ia pra um lado, ele ia pro outro. Sempre foi assim. Mas a verdade é que as professoras, os colegas de trabalho, todo mundo adora ele e fala maravilhas. Às vezes vêm me falar: 'parabéns, seu filho é um luxo, educado, respeitoso, companheiro, dedicado, trabalhador'. E isso me enche de orgulho como pai."
Lu: "Ele sempre foi assim, eu sei, mas sei lá. Eu queria que ele fosse mais parceiro comigo, mais carinhoso, mais afetuoso, sei lá, é muito frustrante."
Pai: "Vê se você consegue conversar com ele e colocar isso pra ele. Porque como eu falei, se vocês conversarem, podem resolver. Agora, se não conversarem, pode acabar dando merda."
Lu: "Valeu por me ouvir, e desculpa desabafar com você, mas é tudo muito frustrante, me deixa muito mal."
Pai: "Valeu você, Lu, por se abrir comigo. Isso é algo de vocês, e fico feliz que você tenha conseguido se abrir assim comigo sobre algo que te faz mal. E com certeza, depois de falar sobre isso, você deve se sentir mais aliviada."
Lu: "Hoje cozinhei tudo, falei: 'Boca vai ganhar, os bocudos vão vir contentes', e olha só."
Pai: "Conversa com ele, Lu. Não guarda isso pra você. Deixa ele saber disso e vê como vocês podem resolver."
Lu: "Imagina se o Ale te pedisse algo e você estivesse sempre disponível, mas quando você pede algo pra ele... Te deixei sozinho, é bem chato." Pai: "Do mesmo jeito, repito, não é algo tão grave. Tem solução. Mas vocês precisam conversar e tentar resolver da melhor forma." Lu: "Juro que isso me dá tanta raiva que dá vontade de chorar, porque eu sempre tô pra ele e ele não tá pra mim." Pai: "Jere é um cara bom, repito. Ele tem esse jeito e essa personalidade, que sempre teve e é foda de lidar, mas dá uma chance de conversar e dar um jeito, porque como te falo, apesar do jeito dele, eu sei que ele é um cara bom." Lu: "Eu sei, Adri. Sei que ele é um cara bom e vocês têm muito a ver com isso, mas isso, juro, me frustra pra caralho." Pai: "A verdade é que ele não fala muito, mas a gente percebe como ele te ama e te apoia e te defende até o fim. Talvez ele tenha dificuldade de demonstrar, mas do jeito dele ele mostra. Por isso, conversa com ele e eu sei que vocês vão conseguir resolver." Lu: "Chega um ponto que, juro, me frustra tanto que não sei o que fazer, não sei mesmo." E ela deita no meu colo e começa a chorar. Pai: "Chora, Lu, chora se precisar. Tá tudo bem, precisa desabafar, tirar essa angústia, e vai te fazer bem." Enquanto acariciava as costas dela, dando apoio e como quem diz: vai, chora e fica bem. Lu: "Isso me faz muito mal, desculpa por ficar assim." Pai: "Claro, óbvio que te entendo, mas isso já é um bom passo. Ter conseguido soltar o que sentia, e agora você vai se sentir mais leve." Lu: "Não queria ficar assim, desculpa." Pai: "Não precisa me pedir desculpa por nada. Tá tudo bem, você precisava desabafar, senão ia explodir." Lu: "De novo, obrigada, Adri, por me apoiar. Você é muito doce. Queria que ele fosse assim comigo também." Pai: "Esquece, não tem que me agradecer por nada. Você é a namorada do meu filho e é parte da família. É como se fosse mais uma filha." Lu: "Mas não sou sua filha e você tá aqui me apoiando." Pai: "Claro. Você tava se sentindo mal, como que não vou te apoiar?" Lu: "Quero te agradecer por me apoiar e pedir desculpa por ficar assim." Pai: "O que você vai me agradecer? Já te falei, você é a namorada do meu Filho, você já é parte da família. A gente te ama muito.
Lu: "Que lindo o que você tá me dizendo, isso me faz sentir melhor."
Pai: "Respira agora, leva o ar pra barriga, segura uns segundos e solta. Você vai ver que vai se sentir melhor."
Lu: "Sim, obrigada."
Pai: "Se precisar falar comigo, sabe que quando quiser pode fazer isso."
Lu: "Te amo, obrigada."
Pai: "Eu também te amo muito."
Lu: "Um milhão de obrigada, Adri, sério."
Pai: "Um milhão de nada. Você não tem que me agradecer por nada."
Lu: "Viu, assim que eu gostaria que ele fosse. Mais atento, mais compreensivo, mais carinhoso."
Pai: "Fica tranquila agora e amanhã você conversa com ele e vai ver que conversando tudo se resolve."
Lu: "Já sei. Obrigada."
Pai: "Eu vou indo. Assim vocês descansam e podem conversar sobre isso amanhã. E qualquer coisa, sabe que pode contar comigo pra bater um papo ou o que precisar.

1 comentários - Una noche loca

Tantas palabras para nada ... perdí interés en el relato, demasiado extenso y repetitivo... A tenerlo en cuenta