11
Submissa ao inimigo do meu marido, parte 4
A situação com o Mario está saindo do meu controle. Às vezes invento desculpas para não vê-lo, mas só servem para adiar o encontro por alguns dias. Além disso, ele está ficando mais exigente. Já não se contenta em me ver uma vez por semana. Pra piorar, parece ter tempo de sobra, e não vejo a hora de ter a sorte de que, um dia, seja ele quem não possa comparecer ao nosso encontro.
Nas últimas duas semanas, nos vimos cinco vezes no apartamentinho que ele tem no centro. O porteiro do prédio já me deixa entrar como se eu fosse mais uma moradora. E me olha com ironia. Com certeza acha que sou uma puta. É lógico. O que uma garota de trinta anos, gostosa, estaria fazendo no apê de um veterano de cem quilos por duas horas? Além disso, Mario mandava eu me maquiar igual uma prostituta. Cada vez era mais difícil sair de casa vestida de forma sensual e depois me maquiar no ônibus.
O mais chocante de tudo isso é que eu mesma estou me acostumando a ser a puta pessoal dele. Obedeço cada ordem à risca, e até encontro um certo prazer em me sentir usada como um brinquedo sexual. Já não me pergunto o porquê; toda vez que chega a hora de ir ao encontro, vou como uma autômata. Já nem precisava mais repetir a ameaça que pairava sobre meu marido.
Saio com outros homens para lembrar como é ter o controle, e troco mensagens com outros para ter opções. Mas, uma ou duas vezes por semana, a mulher livre, que nem se deixa reprimir por normas morais ou pelo contrato do sagrado casamento, se transforma numa escrava. Uma escrava sexual.
Na quinta-feira, recebi uma mensagem do Mario me lembrando que às seis tínhamos um encontro. Ele mandou eu vestir um shortinho minúsculo e um top preto. E prender o cabelo em duas tranças. Devia pintar os lábios de um violeta chamativo, e a sombra dos olhos tinha que combinar.
Pedi que ele por favor, me deixa me vestir assim no seu apartamento. Se eu saísse com essa aparência, sozinha, às cinco da tarde, chamaria muita atenção, e as fofocas que eu já sabia que estavam começando a rolar sobre mim aumentariam, e inevitavelmente chegariam ao Andrés. Mas ele foi totalmente inflexível quanto a isso. Eu tinha que chegar assim no apartamento dele, e ponto final. Para alguma coisa eu era a putinha dele.
Eu tinha o short e o top que devia usar. Mas a maquiagem eu precisava comprar. Fiz uma cagada. Não dava pra andar pelo bairro vestida igual uma putinha adolescente. Então coloquei um dos meus vestidinhos e enfiei as roupas que devia usar com o Mario na minha bolsa. Saí de casa com tempo e comprei o batom e a sombra. Quando estava a duas quadras do endereço do Mario, entrei num McDonald's. Fui direto pro banheiro do primeiro andar. Faltavam trinta minutos. Se eu chegasse atrasada, o Mario me castigaria me amarrando na cama e não me deixaria ir embora até altas horas da noite. Entrei num dos cubículos com vaso sanitário. Me troquei num piscar de olhos. Guardei o vestido na bolsa. As tranças demoraram mais. Tive que ter paciência. Depois, passei batom e sombra na frente do espelho.
Não teve homem que não virasse a cabeça pra me olhar. Até alguns que estavam de braço dado com as namoradas me encararam bestificados. E um monte de buzinas tocou na rua. O short mal cobria minha bunda, e o top fazia o mesmo com meus peitos. A roupa dava uma sensação de nudez, e a cor chamativa do batom e da sombra acabava de deixar minha aparência exageradamente provocante. Se eu não fosse jovem e não tivesse tudo no lugar, pareceria ridícula. Mas, pelo contrário, todo mundo parecia me achar fascinante.
O porteiro do prédio demorou pra me reconhecer, e quando finalmente abriu a porta, disse "se divirta", com um sorriso grotesco no rosto.
Embora a roupa fosse exagerada, não imaginei que me esperasse uma noite muito diferente das outras. O Mario me faria... me despir devagarzinho, ela me acariciaria toda com as mãos calejadas. Talvez me mandasse chamar o Andrés enquanto me apalpava. Enfiava o pau e os dedos em todo lugar, e se estivesse de bom humor, me faria um delicioso boquete. Me obrigaria a engolir o esperma dele. Colocaria um cinto no meu pescoço, preso com uma corrente, e me faria rastejar como uma putinha pela casa, até ter outra ereção. Eu teria que dizer que era a puta dele, a puta pessoal dele, a escrava dele, a submisso dele.
O Mario me abriu a porta. Acariciou minha bunda enquanto eu entrava. Embora o apartamento estivesse silencioso, senti a fumaça densa de cigarro. O Mario não fumava.
Na mesa da pequena sala de jantar, três homens estavam sentados ao redor. No centro da mesa, um maço de cartas.
– Pô, pô, olha a que o Marito escondeu. – disse um deles. Um magro de olhos fundos, com cabelo loiro palha, com alguns fios brancos.
– Apresento minha puta. – disse Mario.
Todos tinham mais de quarenta anos, beirando os cinquenta. Os outros dois eram um homem de óculos e cabelo preto, bem curto, vestido de terno. E o último era um musculoso, mas barrigudo, de camiseta preta, com cara de segurança de boate.
– Nunca fiquei com tantos. – reclamei.
Mario acariciou minha bochecha com indulgência.
– Você só vai ficar com os vencedores. – disse.
– O quê?
– O que você ouviu, putinha. – disse o loiro de cabelo palha.
– Vem. – disse Mario. – Vamos jogar um joguinho.
– Que joguinho? – perguntei, intrigada e assustada.
– Isso Mario, que joguinho? – disse o homem de terno.
– Muito simples. Vamos jogar as cartas. Quem tirar um doze (um rei) primeiro, vai ter direito a um boquete da minha puta.
Os outros três comemoraram como crianças. Eu estava parada ao lado do Mario, que já estava sentado numa das pontas da mesa. Nem se deram ao trabalho de me dar um lugar.
– Espera aí, Mario. Então no final ela vai ficar com todos. – disse o de terno. – Se os reis são quatro, e nós também!
– Nada disso. Só os dois primeiros. Os outros vão ficar com vontade do boquete e esperar pelo próximo jogo.
– Que trapaceiro, Marito. – disse o loiro. – Ela já deve ter te chupado mil vezes, e você pode ter ela quando quiser, não devia participar.
– Para de reclamar! Quando é que você vai ter uma gostosa dessas de graça?
– O Mario tem razão. – disse o cara com cara de segurança. – Ainda mais que ele nos entrega essa boneca e você reclama.
– Você fala isso porque é um voyeur e se contenta em olhar. – rebateu o loiro.
– Isso eu não nego. – confessou o segurança.
– Chega de discussão. Vamos começar, que essa puta adora uma pica. Não vamos deixar ela esperando.
Não falei nada. Fiquei ali parada, ouvindo as palavras humilhantes deles, disputando meu corpo como se eu fosse um troféu.
– Então você é casada. – disse o homem de terno.
Mario começou a distribuir as cartas devagar. O jogo me pareceu ridículo. Por que ele não pedia logo pra eu chupar todos e pronto? Não podia dizer não. E não só por causa da minha obediência. Eu estava num apartamento com quatro homens. Não teria como resistir.
– Claro que é casada, e o corno do marido eu apaguei com um soco. Vocês não têm ideia de como ele é medroso.
Os quatro caíram na gargalhada, enquanto Mario contava em detalhes aquela briga que deu início à nossa relação sórdida.
– Legal. Vem cá, puta.
O homem de cabelo loiro desbotado tinha um doze de paus na mesa.
– Aí, viado. Tá vendo? Você reclamou e foi o primeiro a ganhar. – disse o segurança.
Não esperei o Mario mandar. Me aproximei daquele cara que eu nem sabia o nome. Ele empurrou a cadeira pra trás pra abrir espaço. Me agachei, aos pés dele, em vez de ajoelhar, pra não me machucar.
– Faz devagar e com carinho, putinha. – disse ele. E, virando pro segurança, completou: – Aqui, aproveita o show, tarado.
– Assim vou fazer. – disse o aludido, se posicionando num lugar onde podia ver tudo.
Acariciei a pica por cima da calça. Ainda não estava dura, então massageei até sentir ela endurecer. Depois abri o zíper da calça e, delicadamente, tirei o pau e levei à boca.
— Essa putinha sabe o que faz. — disse ele, sentindo como eu batia uma punheta enquanto minha língua devorava a cabeça do pinto.
O pau dele era normal, mas parecia pequeno perto da pica enorme do Mario, que já era minha conhecida. O loiro me agarrou pelas tranças e começou a fazer movimentos pélvicos, fazendo com que eu engolisse a pica toda e a pélvis peluda dele batesse na minha cara uma e outra vez. Tentei tirar ele de cima de mim quando achei que ele ia gozar. Mas ele me segurou pela nuca e gozou dentro. O sêmen bateu na minha garganta. Me fez tossir e cuspir no chão.
— Que porquinha linda. — disse o desgraçado.
Enquanto eles discutiam quem seria o próximo a enfiar a pica na minha boca, eu fiquei limpando a bagunça que fiz.
O próximo que eu tinha que chupar era o homem de terno.
Esse era mais educado e deixava eu fazer todo o trabalho, sem me forçar a engolir inteiro. Ele acariciava minha bochecha com carinho e repetia sem parar que eu era linda, entre gemidos.
Quando ele disse que não aguentava mais, bati uma punheta frenética nele e fiz ele gozar na minha cara.
— Ei, não vai se apaixonar, amigão. — disse o loiro, e todos riram.
Fui ao banheiro limpar o rosto. Quando voltei, Mario explicava o próximo jogo.
— Agora vou dar uma rodada de cartas. Só uma para cada. Quem tirar a carta mais alta vai ter o direito de mandar minha putinha tirar uma peça de roupa. Quem tirar a última, vai poder comer ela, mas vai ter que fazer aqui, na frente de todo mundo.
— Mas Mario, os tênis contam como uma peça só ou duas? — perguntou o de terno.
— Como uma só.
— E os ases ganham de todas as outras? — disse o loiro.
— Claro que sim. E se houver empate, se Desempate entre os vencedores. Ficou claro?
Na primeira rodada, o loiro tirou um onze que ninguém conseguiu superar.
– Vamos, slutty, comecemos pelo mais chato. Tchau, tênis.
Tirei eles. Não ia demorar muito para o jogo acabar. Eu só vestia o short, a tanga e o top. Mario foi o próximo a ganhar e mandou eu tirar o top.
– Olha que peitinho lindo que a foxy tem. – disse o loiro.
– Tão vendo que minhas putas não são qualquer coisa. – se gabou Mario. – Carne de primeira qualidade.
– Desce o short devagarzinho. – disse o segurança, que acabara de ganhar a terceira aposta. – Vira e rebola a bunda enquanto faz isso. – completou.
Assim fiz, e recebi as vaias do loiro, do Mario e do próprio segurança. O único que não agia como um imbecil quando estava diante de uma mulher seminua era o de terno.
Jogaram a última rodada. Mario e o segurança empataram.
– Precisa desempatar, Marito? – disse este último. – Se você sempre ganha. Deixa pra mim. Não vá eu sair daqui sem ganhar nada.
– Que viado. Você parece com um que você já conhece. – disse Mario, apontando com o olhar para o loiro. – Se perder, já vai ter sua chance mais tarde. Aqui vão as cartas.
Mario tirou um quatro, e o segurança um seis.
– Vem cá, bebê. – disse o vencedor.
Me curvei na frente dele e apoiei o tronco na mesa. O segurança arrancou minha tanga e fez ela em tiras. Não me importava. Na bolsa tinha outra, e Mario, diferente do Andrés, não tinha problema em me comprar roupa íntima.
Molhou a mão e enfiou na minha buceta.
– Já tá molhada a putinha. – disse, o que era verdade.
Me segurou pelos quadris e meteu devagarzinho. Os outros três não perdiam detalhe da cena. Ele tinha muita força nas pernas. Quando já estava dilatada, começou a se mover mais rápido. A mesa começou a arrastar pra frente enquanto ele me comia. Fechei os olhos, desejando que Essa noite não foi tão longa quanto eu imaginava. Eu tinha escrito pro Andrés que chegaria tarde, como tantas outras vezes. Mas não queria aparecer em casa às duas da manhã.
O segurança tirou o pau, removeu a camisinha e gozou nas minhas nádegas.
O homem de terno teve a gentileza de me dar um lenço descartável pra me limpar.
– Muito bem, agora ninguém pode reclamar. Todos tiveram um pouco da minha putinha. – exclamou Mario.
– Já acabaram os jogos?
– Nada disso. Falta um último jogo. Vamos pra sala – ele disse. Eu os segui, nua.
Mario tirou de uma gaveta uma caixinha com quatro DVDs.
– Olha, putinha. – disse, se dirigindo a mim. – Aqui tem quatro filmes diferentes. Você só precisa escolher um. O jogo é muito simples: você vai ter que fazer o que a atriz do filme que escolher fizer. E também vai escolher quem de nós vai fazer o papel dos homens do filme. Se tiver sorte, só vai ter que dar uns boquetes. Se não tiver, vai ter que lidar com quatro paus ao mesmo tempo.
– Que ideia boa, Mário. – disse o segurança.
– Imagino que tenha pelo menos um filme onde fazem uma penetração anal e vaginal, enquanto um mete na boca dela, e o outro é masturbado pela mesma garota. – fantasiou o loiro. – Tomara que pegue um filme assim.
Escolhi um vídeo aleatório, sem pensar muito. O tesão que esses joguinhos causavam neles, pra mim era entediante.
Mario colocou um vídeo. Na tela apareceu uma garota, muito mais nova que eu, completamente nua, ajoelhada no chão. De repente, entraram em cena quatro homens nus. Cercaram ela. Os paus estavam duros, e se aproximaram dela. A garota começou a chupar eles, um por um. Enquanto com as mãos masturbava outros dois.
– Repara que ela não usa as mãos com quem tá chupando. – disse Mario.
Eu concordei com a cabeça.
– E troca de pau toda hora. – disse o segurança.
Era verdade. Ela só ficava uns segundos com o pau na boca dela, e logo trocava de homem. Os outros giravam em volta dela, pra trocar de vez.
Mario adiantou o vídeo, e deu pra ver como os quatro homens gozaram na cara dela, deixando ela toda cheia de porra.
— Se considera sortuda. Esse não é o mais difícil. — Explicou Mario. Eu imaginei que ele tinha razão. O mais difícil com certeza era um bem parecido com o que o loiro descreveu.
Mario teve a gentileza de colocar uma almofada no chão, pra eu me ajoelhar nela. Não precisava escolher o "ator" que fizesse o papel correspondente do filme, porque de qualquer jeito, tinham que ser quatro.
Mario e os capangas dele se pelaram. Meu amante já tava com o pau imenso duro. O loiro e o de terno já estavam meia-bomba, e o segurança se masturbava. Me cercaram. Eu peguei o pau monstruoso do Mario, que tava na minha direita, e com a outra ajudei o seguranção a endurecer o membro. O loiro tava na minha frente. Abri a boca, e recebi o pau dele de novo. Ainda tava pegajoso e com um gosto forte de porra.
Era muito difícil imitar a mina. Eu custava pra chupar o pau sem ajuda das mãos, e ao mesmo tempo, coordenar meus movimentos pra masturbar os outros dois ao mesmo tempo. Quando o pau entrava duas ou três vezes na minha boca, trocava por outro. Dei, sem querer, umas mordidas. Então decidi não usar muito meus lábios, mas sim minha língua.
Um fio de baba caía direto da minha boca, cada vez que esses quatro paus entravam e saíam. Muitas vezes tiveram que me mandar masturbar eles, porque, sem perceber, eu tinha parado. O pau do Mario era o mais difícil de lidar, porque enchia minha boca, e se eu não tirasse rápido, eu começava a tossir e cuspir.
Minhas mandíbulas doíam de tanto abrir e fechar. Entre minhas pernas, tinha se formado uma poça de baba. Nunca me senti tão suja, nem tão humilhada. O primeiro a gozar foi o loiro. Mas eu tive que continuar um bom Fiquei ali com os outros três, com aquele desconforto de ter porra grudada na cara.
Não sei quanto tempo fiquei chupando eles, mas pareceu uma eternidade. Gozaram, um por um, na minha cara. Quando terminaram, Mario me pegou pelo braço e me levou pro banheiro.
– Olha pra você. – ele disse, quando estávamos na frente do espelho. – Isso é você. – completou, enquanto passava a mão na minha bunda.
Minha cara estava cheia de fios de porra. E em algumas partes, onde tinha mais quantidade, já começava a escorrer pra baixo.
Ele me deixou sozinha. Limpei o rosto enquanto ouvia eles comentando como eu tinha me comportado bem. Fui pegar minha bolsa.
– Já posso ir? – perguntei.
– Pode, sua puta, depois a gente marca outro encontro. – disse Mario.
Os três comparsas dele concordaram que adorariam me ver de novo.
Vesti a calcinha limpa e o vestido na frente deles. Não quis tomar banho ali. Queria ir embora o mais rápido possível.
Peguei o ônibus, porque tinha medo de que, num táxi, o motorista sentisse o cheiro de porra que ainda tinha no meu corpo. Sentei no fundo, longe dos outros passageiros. Tirei o batom e o resto da maquiagem. E de repente, desabei a chorar.
Cheguei em casa meia-noite. Tomei um banho antes de me deitar com meu marido.
– Você tá bem? – perguntou Andrés, ao me ver agitada.
– Tô. – respondi.
Ele me deu um beijo no ombro e logo dormiu.
12
Sempre fui um perdedor. No colégio era aquele garoto que todo mundo zuava. Ruim nos esportes, com cara de nerd, mas sem as vantagens da inteligência que supostamente vinham junto com isso. Tímido até o desespero. Desajeitado. Acanhado. E, claro, terminei o colégio sendo virgem.
Tinha poucos amigos. E a maioria foi se afastando da minha vida (e eu da deles). O único com quem mantinha contato regular era o Marcos. Conheci ele na minha época solitária de adolescente. Ele era dois anos mais avançados que eu. Na verdade, não éramos amigos naquela época, porque nessa idade, dois anos de diferença é demais. Mas ele sempre me tratou bem, e mais de uma vez me salvou de alguma surra dos valentões da escola. Anos depois, fomos colegas de trabalho por um tempo, e foi aí que nossa relação se fortaleceu. Era o único amigo que me restava, e por isso, quando Valéria me largou e eu comecei a ler os contos, ele foi o primeiro e único que liguei pra desabafar.
Quando terminei de ler o conto do Mário, vi que tinham chegado várias mensagens. Olhei ansioso pro celular, torcendo pra ser a Valéria, mas era o Marcos, que tinha me mandado três mensagens. Pensei que ele devia estar preocupado comigo. Nem me dei ao trabalho de ler. Sabia que ia encontrar o mesmo texto que ele me mandou de noite: "não lê os contos". Tarde demais, amigo.
Já tinha amanhecido, o dia estava lindo e os passarinhos começavam a cantar. Se isso fosse um filme com finais batidos, essa bela manhã simbolizaria um final feliz, ou um novo e promissor começo pro protagonista. Mas isso estava por se ver.
Embora muitos me achem um idiota, era difícil pra mim decidir se algum dia conseguiria perdoar a Valéria. Mas mesmo que a perdoasse, era inviável começar a relação do zero. No entanto, nunca me perdoaria. Minha visão inocente e desleixada da vida, minha covardia, meu desinteresse pelos detalhes, e tantas outras falhas, me custaram meu casamento. Um casamento que, provavelmente, nunca existiu além dos papéis.
Sempre assumi que a Valéria valia mais que eu. Que devia agradecer à vida, porque uma mulher como ela virar a cabeça pra olhar pra alguém com tantos defeitos e tão poucas virtudes. Me convenci de que nosso relacionamento seguia o ritmo dos desejos dela, e não fiz nada quando ela começou a passar menos tempo na minha cama e mais tempo na rua.
Não sei se teria conseguido segurar uma mulher tão gostosa. caprichosa e sem preconceitos como ela. Mas o que eu sei é que nunca tentei.
O outro que eu nunca poderia perdoar é o Mario. O prazer dele em humilhar os outros, a prepotência, a agressividade, e agora que eu tinha lido os relatos, a misoginia, o sadismo e a crueldade absoluta dele eram coisas que ninguém deveria deixar passar.
É verdade que a Valéria provocou ele e se deixou cair nas garras dele. Mas o resto, obrigar ela a se vestir como uma puta, arriscando que ela se exponha pra todo mundo. Humilhar ela toda vez que possuía ela, e principalmente, obrigar ela a transar com três desconhecidos. Mario era um filho da puta com todas as letras. E se não fosse a Valéria, seria outra garota, provavelmente mais inocente, que ele transformaria na puta pessoal dele.
Não conseguia tirar da cabeça a possibilidade de que, naquele exato momento, a Valéria estivesse com ele. Talvez amarrada e amordaçada, enquanto ele usava o corpo dela como um brinquedo sexual.
A Valéria vinha me dando sinais há um tempo, e eu me recusei a ver. Nos relatos mais recentes, dava pra ver como ela procurava outros homens com mais frequência do que o normal. Entre eles estão "L" e "P".
Lembrei como, à noite (fazia séculos), ela deixou o celular em cima da mesa e foi tomar banho. Provavelmente muitas vezes ela tinha feito algo parecido, mas só ontem à noite eu me dignei a prestar atenção nos indícios e tive coragem de olhar. Sem dúvida, a Valéria esperava receber alguma mensagem naquela hora. Provavelmente pediu pros amantes dela fazerem isso bem naquele momento. Naquela altura, os chamados de atenção dela eram um pedido de socorro.
Ela precisava que eu soubesse. Precisava se livrar do peso morto do marido. Ao não ter que esconder a vida dupla de mim, ela seria livre de novo. Até poderia largar o Mario sem medo de represálias.
Era estranho. Não tinha dormido por muitas horas, mas me sentia mais lúcido do que nunca. Fui até a cozinha. Peguei uma faca afiada, não muito grande, porque precisava esconder na cintura. Saí de casa. Era a primeira Pela primeira vez na vida, me senti tão determinado.
Eram cinco e meia da manhã. As ruas estavam desertas. Só precisava andar trezentos metros, mas pareceram uma eternidade.
Quando cheguei, nem me dei ao trabalho de tocar a campainha. Pulei o portão. Lembrei que o Mario tinha um cachorro, mas pelo visto tava lá no fundo. Bati na porta com violência. Se acordasse algum vizinho, melhor ainda.
— O que você quer, idiota? — ouvi a voz do Mario do outro lado da porta.
— Cadê minha mulher? — exigi saber.
Ele, confiante, abriu a porta.
— Além de corno, você é burro, que se pen...
Não deixei ele terminar. Devolvi o soco que ele tinha me dado uns meses atrás. Mas ele mal se mexeu, e minha mão doeu pra caralho.
— Ah, você é doido, hein? — ele disse. Me pegou pelo pescoço e me puxou pra dentro.
Me deu um murro na barriga que me deixou sem ar.
— Então agora você é o príncipe encantado? — ouvi ele dizer.
Tentei puxar a faca da cintura, mas antes de conseguir, levei um chute na cara. Meu nariz e boca sangravam. A gengiva doía pra cacete. Senti um dente mole, e o lábio inferior tinha um corte fundo. Quis agarrar a faca, quis me levantar e lutar. Mas não conseguia me mexer, e o Mario tirou a faca das minhas mãos fracas.
Vou morrer, pensei. Minha visão tava embaçada. Ficava imaginando onde ele ia cravar a faca.
Mas aí ouvi ele gritar, de dor. E depois um barulho parecido com um pedaço de pau batendo num balde de plástico. O Mario caiu no chão, do meu lado. Quase me esmagou.
— Andrés, você tá bem? — ouvi uma voz masculina dizer. — Tá bem?
— Marcos? — sussurrei, reconhecendo meu velho amigo. — Marcos, por que...?
Acordei na casa dele quatorze horas depois.
— Sorte que você não tem nada grave — ele disse.
— Você me salvou. O que tava fazendo lá? — minha boca tava inchada, mal conseguia falar.
— Você não respondia minhas mensagens — ele explicou, e mudando de assunto, completou. — Você precisa ir ver essas feridas. ferimentos. Principalmente o do lábio.
– Ele tá morto?
– Nem ideia. No fim, você leu, né?
Pela primeira vez na vida, minha cabeça funcionou com perspicácia.
– Você tam… Você também tá nos relatos. – falei, e não era uma pergunta. – Por isso não queria que eu lesse.
– Foi uma vez só. – me prometeu, com cara de sofrimento. – juro que foi uma vez só. Foi quando fiquei dormindo no sofá da sua casa. Ela me procurou de madrugada, enquanto você dormia. Não consegui dizer não.
– E quem consegue. – falei.
– Depois disso, evitei ela como se tivesse lepra.
Acho que depois de tudo que eu tinha lido, e considerando que ela tinha acabado de me salvar a vida, não dava pra cobrar nada. Pelo menos naquele momento.
– E a Valéria?
– Nem ideia. Na casa do Mário não tava.
– E com quem ela tá?
– Talvez com ninguém.
Fiquei uns dias na casa dela. Tratei dos ferimentos. Pelo visto, o Mário tava na UTI. Corria o boato de que um dos drogados pra quem ele vendia droga tinha atacado ele selvagemente.
Seis meses depois.
Sei que agora ela tá com os pais dela. Dona Beatriz e seu Román são boas pessoas. Mesmo quando ela pediu pra eles esconderem a localização dela, me ligaram e me contaram. Mário, finalmente, foi pro outro mundo. E meu herói Marcos saiu totalmente ileso da situação. Também não teve acusados. Ninguém ligava pra quem tinha matado um traficante de merda. Mário se achava o Tony Montana, mas era só mais um lixo. Totalmente substituível. O inútil sistema de justiça jogou a nosso favor.
Voltei pra casa. Muitos vizinhos me olhavam com curiosidade, e alguns se animavam a perguntar da Valéria. Eu respondia, sem rodeios, que a gente tinha se separado.
Minha amizade com Marcos continua. Não só por ele ter me salvado e depois cuidado de mim. Do jeito que a Valéria seduziu ele, indo semidesnuda no meio da noite, onde ele tava dormindo, quase dava pra considerar um estupro. E é assim que tá no conto "Com o amigo do meu marido, enquanto dorme”. Tenho que admitir que ainda me masturbo lendo alguns dos contos dela. Mas não sinto mais que estou lendo como estão comendo minha mulher, porque o marido da Valéria, o desses contos, é outro, diferente do meu eu de agora.
Acho que finalmente entendi uma coisa sobre minha mulher. Escrever sobre os acontecimentos da vida dela e compartilhar com estranhos é um alívio para o estresse. Por isso agora, em homenagem a quem, para o bem ou para o mal, é a mulher da minha vida, publico minha história.
Ontem recebi uma ligação da Valéria. Mas não atendi. Agora estou reconstruindo minha vida e não quero voltar ao passado. Talvez mais pra frente a gente possa ter uma conversa legal, mas por agora, não.
Fim.
Submissa ao inimigo do meu marido, parte 4
A situação com o Mario está saindo do meu controle. Às vezes invento desculpas para não vê-lo, mas só servem para adiar o encontro por alguns dias. Além disso, ele está ficando mais exigente. Já não se contenta em me ver uma vez por semana. Pra piorar, parece ter tempo de sobra, e não vejo a hora de ter a sorte de que, um dia, seja ele quem não possa comparecer ao nosso encontro.
Nas últimas duas semanas, nos vimos cinco vezes no apartamentinho que ele tem no centro. O porteiro do prédio já me deixa entrar como se eu fosse mais uma moradora. E me olha com ironia. Com certeza acha que sou uma puta. É lógico. O que uma garota de trinta anos, gostosa, estaria fazendo no apê de um veterano de cem quilos por duas horas? Além disso, Mario mandava eu me maquiar igual uma prostituta. Cada vez era mais difícil sair de casa vestida de forma sensual e depois me maquiar no ônibus.
O mais chocante de tudo isso é que eu mesma estou me acostumando a ser a puta pessoal dele. Obedeço cada ordem à risca, e até encontro um certo prazer em me sentir usada como um brinquedo sexual. Já não me pergunto o porquê; toda vez que chega a hora de ir ao encontro, vou como uma autômata. Já nem precisava mais repetir a ameaça que pairava sobre meu marido.
Saio com outros homens para lembrar como é ter o controle, e troco mensagens com outros para ter opções. Mas, uma ou duas vezes por semana, a mulher livre, que nem se deixa reprimir por normas morais ou pelo contrato do sagrado casamento, se transforma numa escrava. Uma escrava sexual.
Na quinta-feira, recebi uma mensagem do Mario me lembrando que às seis tínhamos um encontro. Ele mandou eu vestir um shortinho minúsculo e um top preto. E prender o cabelo em duas tranças. Devia pintar os lábios de um violeta chamativo, e a sombra dos olhos tinha que combinar.
Pedi que ele por favor, me deixa me vestir assim no seu apartamento. Se eu saísse com essa aparência, sozinha, às cinco da tarde, chamaria muita atenção, e as fofocas que eu já sabia que estavam começando a rolar sobre mim aumentariam, e inevitavelmente chegariam ao Andrés. Mas ele foi totalmente inflexível quanto a isso. Eu tinha que chegar assim no apartamento dele, e ponto final. Para alguma coisa eu era a putinha dele.
Eu tinha o short e o top que devia usar. Mas a maquiagem eu precisava comprar. Fiz uma cagada. Não dava pra andar pelo bairro vestida igual uma putinha adolescente. Então coloquei um dos meus vestidinhos e enfiei as roupas que devia usar com o Mario na minha bolsa. Saí de casa com tempo e comprei o batom e a sombra. Quando estava a duas quadras do endereço do Mario, entrei num McDonald's. Fui direto pro banheiro do primeiro andar. Faltavam trinta minutos. Se eu chegasse atrasada, o Mario me castigaria me amarrando na cama e não me deixaria ir embora até altas horas da noite. Entrei num dos cubículos com vaso sanitário. Me troquei num piscar de olhos. Guardei o vestido na bolsa. As tranças demoraram mais. Tive que ter paciência. Depois, passei batom e sombra na frente do espelho.
Não teve homem que não virasse a cabeça pra me olhar. Até alguns que estavam de braço dado com as namoradas me encararam bestificados. E um monte de buzinas tocou na rua. O short mal cobria minha bunda, e o top fazia o mesmo com meus peitos. A roupa dava uma sensação de nudez, e a cor chamativa do batom e da sombra acabava de deixar minha aparência exageradamente provocante. Se eu não fosse jovem e não tivesse tudo no lugar, pareceria ridícula. Mas, pelo contrário, todo mundo parecia me achar fascinante.
O porteiro do prédio demorou pra me reconhecer, e quando finalmente abriu a porta, disse "se divirta", com um sorriso grotesco no rosto.
Embora a roupa fosse exagerada, não imaginei que me esperasse uma noite muito diferente das outras. O Mario me faria... me despir devagarzinho, ela me acariciaria toda com as mãos calejadas. Talvez me mandasse chamar o Andrés enquanto me apalpava. Enfiava o pau e os dedos em todo lugar, e se estivesse de bom humor, me faria um delicioso boquete. Me obrigaria a engolir o esperma dele. Colocaria um cinto no meu pescoço, preso com uma corrente, e me faria rastejar como uma putinha pela casa, até ter outra ereção. Eu teria que dizer que era a puta dele, a puta pessoal dele, a escrava dele, a submisso dele.
O Mario me abriu a porta. Acariciou minha bunda enquanto eu entrava. Embora o apartamento estivesse silencioso, senti a fumaça densa de cigarro. O Mario não fumava.
Na mesa da pequena sala de jantar, três homens estavam sentados ao redor. No centro da mesa, um maço de cartas.
– Pô, pô, olha a que o Marito escondeu. – disse um deles. Um magro de olhos fundos, com cabelo loiro palha, com alguns fios brancos.
– Apresento minha puta. – disse Mario.
Todos tinham mais de quarenta anos, beirando os cinquenta. Os outros dois eram um homem de óculos e cabelo preto, bem curto, vestido de terno. E o último era um musculoso, mas barrigudo, de camiseta preta, com cara de segurança de boate.
– Nunca fiquei com tantos. – reclamei.
Mario acariciou minha bochecha com indulgência.
– Você só vai ficar com os vencedores. – disse.
– O quê?
– O que você ouviu, putinha. – disse o loiro de cabelo palha.
– Vem. – disse Mario. – Vamos jogar um joguinho.
– Que joguinho? – perguntei, intrigada e assustada.
– Isso Mario, que joguinho? – disse o homem de terno.
– Muito simples. Vamos jogar as cartas. Quem tirar um doze (um rei) primeiro, vai ter direito a um boquete da minha puta.
Os outros três comemoraram como crianças. Eu estava parada ao lado do Mario, que já estava sentado numa das pontas da mesa. Nem se deram ao trabalho de me dar um lugar.
– Espera aí, Mario. Então no final ela vai ficar com todos. – disse o de terno. – Se os reis são quatro, e nós também!
– Nada disso. Só os dois primeiros. Os outros vão ficar com vontade do boquete e esperar pelo próximo jogo.
– Que trapaceiro, Marito. – disse o loiro. – Ela já deve ter te chupado mil vezes, e você pode ter ela quando quiser, não devia participar.
– Para de reclamar! Quando é que você vai ter uma gostosa dessas de graça?
– O Mario tem razão. – disse o cara com cara de segurança. – Ainda mais que ele nos entrega essa boneca e você reclama.
– Você fala isso porque é um voyeur e se contenta em olhar. – rebateu o loiro.
– Isso eu não nego. – confessou o segurança.
– Chega de discussão. Vamos começar, que essa puta adora uma pica. Não vamos deixar ela esperando.
Não falei nada. Fiquei ali parada, ouvindo as palavras humilhantes deles, disputando meu corpo como se eu fosse um troféu.
– Então você é casada. – disse o homem de terno.
Mario começou a distribuir as cartas devagar. O jogo me pareceu ridículo. Por que ele não pedia logo pra eu chupar todos e pronto? Não podia dizer não. E não só por causa da minha obediência. Eu estava num apartamento com quatro homens. Não teria como resistir.
– Claro que é casada, e o corno do marido eu apaguei com um soco. Vocês não têm ideia de como ele é medroso.
Os quatro caíram na gargalhada, enquanto Mario contava em detalhes aquela briga que deu início à nossa relação sórdida.
– Legal. Vem cá, puta.
O homem de cabelo loiro desbotado tinha um doze de paus na mesa.
– Aí, viado. Tá vendo? Você reclamou e foi o primeiro a ganhar. – disse o segurança.
Não esperei o Mario mandar. Me aproximei daquele cara que eu nem sabia o nome. Ele empurrou a cadeira pra trás pra abrir espaço. Me agachei, aos pés dele, em vez de ajoelhar, pra não me machucar.
– Faz devagar e com carinho, putinha. – disse ele. E, virando pro segurança, completou: – Aqui, aproveita o show, tarado.
– Assim vou fazer. – disse o aludido, se posicionando num lugar onde podia ver tudo.
Acariciei a pica por cima da calça. Ainda não estava dura, então massageei até sentir ela endurecer. Depois abri o zíper da calça e, delicadamente, tirei o pau e levei à boca.
— Essa putinha sabe o que faz. — disse ele, sentindo como eu batia uma punheta enquanto minha língua devorava a cabeça do pinto.
O pau dele era normal, mas parecia pequeno perto da pica enorme do Mario, que já era minha conhecida. O loiro me agarrou pelas tranças e começou a fazer movimentos pélvicos, fazendo com que eu engolisse a pica toda e a pélvis peluda dele batesse na minha cara uma e outra vez. Tentei tirar ele de cima de mim quando achei que ele ia gozar. Mas ele me segurou pela nuca e gozou dentro. O sêmen bateu na minha garganta. Me fez tossir e cuspir no chão.
— Que porquinha linda. — disse o desgraçado.
Enquanto eles discutiam quem seria o próximo a enfiar a pica na minha boca, eu fiquei limpando a bagunça que fiz.
O próximo que eu tinha que chupar era o homem de terno.
Esse era mais educado e deixava eu fazer todo o trabalho, sem me forçar a engolir inteiro. Ele acariciava minha bochecha com carinho e repetia sem parar que eu era linda, entre gemidos.
Quando ele disse que não aguentava mais, bati uma punheta frenética nele e fiz ele gozar na minha cara.
— Ei, não vai se apaixonar, amigão. — disse o loiro, e todos riram.
Fui ao banheiro limpar o rosto. Quando voltei, Mario explicava o próximo jogo.
— Agora vou dar uma rodada de cartas. Só uma para cada. Quem tirar a carta mais alta vai ter o direito de mandar minha putinha tirar uma peça de roupa. Quem tirar a última, vai poder comer ela, mas vai ter que fazer aqui, na frente de todo mundo.
— Mas Mario, os tênis contam como uma peça só ou duas? — perguntou o de terno.
— Como uma só.
— E os ases ganham de todas as outras? — disse o loiro.
— Claro que sim. E se houver empate, se Desempate entre os vencedores. Ficou claro?
Na primeira rodada, o loiro tirou um onze que ninguém conseguiu superar.
– Vamos, slutty, comecemos pelo mais chato. Tchau, tênis.
Tirei eles. Não ia demorar muito para o jogo acabar. Eu só vestia o short, a tanga e o top. Mario foi o próximo a ganhar e mandou eu tirar o top.
– Olha que peitinho lindo que a foxy tem. – disse o loiro.
– Tão vendo que minhas putas não são qualquer coisa. – se gabou Mario. – Carne de primeira qualidade.
– Desce o short devagarzinho. – disse o segurança, que acabara de ganhar a terceira aposta. – Vira e rebola a bunda enquanto faz isso. – completou.
Assim fiz, e recebi as vaias do loiro, do Mario e do próprio segurança. O único que não agia como um imbecil quando estava diante de uma mulher seminua era o de terno.
Jogaram a última rodada. Mario e o segurança empataram.
– Precisa desempatar, Marito? – disse este último. – Se você sempre ganha. Deixa pra mim. Não vá eu sair daqui sem ganhar nada.
– Que viado. Você parece com um que você já conhece. – disse Mario, apontando com o olhar para o loiro. – Se perder, já vai ter sua chance mais tarde. Aqui vão as cartas.
Mario tirou um quatro, e o segurança um seis.
– Vem cá, bebê. – disse o vencedor.
Me curvei na frente dele e apoiei o tronco na mesa. O segurança arrancou minha tanga e fez ela em tiras. Não me importava. Na bolsa tinha outra, e Mario, diferente do Andrés, não tinha problema em me comprar roupa íntima.
Molhou a mão e enfiou na minha buceta.
– Já tá molhada a putinha. – disse, o que era verdade.
Me segurou pelos quadris e meteu devagarzinho. Os outros três não perdiam detalhe da cena. Ele tinha muita força nas pernas. Quando já estava dilatada, começou a se mover mais rápido. A mesa começou a arrastar pra frente enquanto ele me comia. Fechei os olhos, desejando que Essa noite não foi tão longa quanto eu imaginava. Eu tinha escrito pro Andrés que chegaria tarde, como tantas outras vezes. Mas não queria aparecer em casa às duas da manhã.
O segurança tirou o pau, removeu a camisinha e gozou nas minhas nádegas.
O homem de terno teve a gentileza de me dar um lenço descartável pra me limpar.
– Muito bem, agora ninguém pode reclamar. Todos tiveram um pouco da minha putinha. – exclamou Mario.
– Já acabaram os jogos?
– Nada disso. Falta um último jogo. Vamos pra sala – ele disse. Eu os segui, nua.
Mario tirou de uma gaveta uma caixinha com quatro DVDs.
– Olha, putinha. – disse, se dirigindo a mim. – Aqui tem quatro filmes diferentes. Você só precisa escolher um. O jogo é muito simples: você vai ter que fazer o que a atriz do filme que escolher fizer. E também vai escolher quem de nós vai fazer o papel dos homens do filme. Se tiver sorte, só vai ter que dar uns boquetes. Se não tiver, vai ter que lidar com quatro paus ao mesmo tempo.
– Que ideia boa, Mário. – disse o segurança.
– Imagino que tenha pelo menos um filme onde fazem uma penetração anal e vaginal, enquanto um mete na boca dela, e o outro é masturbado pela mesma garota. – fantasiou o loiro. – Tomara que pegue um filme assim.
Escolhi um vídeo aleatório, sem pensar muito. O tesão que esses joguinhos causavam neles, pra mim era entediante.
Mario colocou um vídeo. Na tela apareceu uma garota, muito mais nova que eu, completamente nua, ajoelhada no chão. De repente, entraram em cena quatro homens nus. Cercaram ela. Os paus estavam duros, e se aproximaram dela. A garota começou a chupar eles, um por um. Enquanto com as mãos masturbava outros dois.
– Repara que ela não usa as mãos com quem tá chupando. – disse Mario.
Eu concordei com a cabeça.
– E troca de pau toda hora. – disse o segurança.
Era verdade. Ela só ficava uns segundos com o pau na boca dela, e logo trocava de homem. Os outros giravam em volta dela, pra trocar de vez.
Mario adiantou o vídeo, e deu pra ver como os quatro homens gozaram na cara dela, deixando ela toda cheia de porra.
— Se considera sortuda. Esse não é o mais difícil. — Explicou Mario. Eu imaginei que ele tinha razão. O mais difícil com certeza era um bem parecido com o que o loiro descreveu.
Mario teve a gentileza de colocar uma almofada no chão, pra eu me ajoelhar nela. Não precisava escolher o "ator" que fizesse o papel correspondente do filme, porque de qualquer jeito, tinham que ser quatro.
Mario e os capangas dele se pelaram. Meu amante já tava com o pau imenso duro. O loiro e o de terno já estavam meia-bomba, e o segurança se masturbava. Me cercaram. Eu peguei o pau monstruoso do Mario, que tava na minha direita, e com a outra ajudei o seguranção a endurecer o membro. O loiro tava na minha frente. Abri a boca, e recebi o pau dele de novo. Ainda tava pegajoso e com um gosto forte de porra.
Era muito difícil imitar a mina. Eu custava pra chupar o pau sem ajuda das mãos, e ao mesmo tempo, coordenar meus movimentos pra masturbar os outros dois ao mesmo tempo. Quando o pau entrava duas ou três vezes na minha boca, trocava por outro. Dei, sem querer, umas mordidas. Então decidi não usar muito meus lábios, mas sim minha língua.
Um fio de baba caía direto da minha boca, cada vez que esses quatro paus entravam e saíam. Muitas vezes tiveram que me mandar masturbar eles, porque, sem perceber, eu tinha parado. O pau do Mario era o mais difícil de lidar, porque enchia minha boca, e se eu não tirasse rápido, eu começava a tossir e cuspir.
Minhas mandíbulas doíam de tanto abrir e fechar. Entre minhas pernas, tinha se formado uma poça de baba. Nunca me senti tão suja, nem tão humilhada. O primeiro a gozar foi o loiro. Mas eu tive que continuar um bom Fiquei ali com os outros três, com aquele desconforto de ter porra grudada na cara.
Não sei quanto tempo fiquei chupando eles, mas pareceu uma eternidade. Gozaram, um por um, na minha cara. Quando terminaram, Mario me pegou pelo braço e me levou pro banheiro.
– Olha pra você. – ele disse, quando estávamos na frente do espelho. – Isso é você. – completou, enquanto passava a mão na minha bunda.
Minha cara estava cheia de fios de porra. E em algumas partes, onde tinha mais quantidade, já começava a escorrer pra baixo.
Ele me deixou sozinha. Limpei o rosto enquanto ouvia eles comentando como eu tinha me comportado bem. Fui pegar minha bolsa.
– Já posso ir? – perguntei.
– Pode, sua puta, depois a gente marca outro encontro. – disse Mario.
Os três comparsas dele concordaram que adorariam me ver de novo.
Vesti a calcinha limpa e o vestido na frente deles. Não quis tomar banho ali. Queria ir embora o mais rápido possível.
Peguei o ônibus, porque tinha medo de que, num táxi, o motorista sentisse o cheiro de porra que ainda tinha no meu corpo. Sentei no fundo, longe dos outros passageiros. Tirei o batom e o resto da maquiagem. E de repente, desabei a chorar.
Cheguei em casa meia-noite. Tomei um banho antes de me deitar com meu marido.
– Você tá bem? – perguntou Andrés, ao me ver agitada.
– Tô. – respondi.
Ele me deu um beijo no ombro e logo dormiu.
12
Sempre fui um perdedor. No colégio era aquele garoto que todo mundo zuava. Ruim nos esportes, com cara de nerd, mas sem as vantagens da inteligência que supostamente vinham junto com isso. Tímido até o desespero. Desajeitado. Acanhado. E, claro, terminei o colégio sendo virgem.
Tinha poucos amigos. E a maioria foi se afastando da minha vida (e eu da deles). O único com quem mantinha contato regular era o Marcos. Conheci ele na minha época solitária de adolescente. Ele era dois anos mais avançados que eu. Na verdade, não éramos amigos naquela época, porque nessa idade, dois anos de diferença é demais. Mas ele sempre me tratou bem, e mais de uma vez me salvou de alguma surra dos valentões da escola. Anos depois, fomos colegas de trabalho por um tempo, e foi aí que nossa relação se fortaleceu. Era o único amigo que me restava, e por isso, quando Valéria me largou e eu comecei a ler os contos, ele foi o primeiro e único que liguei pra desabafar.
Quando terminei de ler o conto do Mário, vi que tinham chegado várias mensagens. Olhei ansioso pro celular, torcendo pra ser a Valéria, mas era o Marcos, que tinha me mandado três mensagens. Pensei que ele devia estar preocupado comigo. Nem me dei ao trabalho de ler. Sabia que ia encontrar o mesmo texto que ele me mandou de noite: "não lê os contos". Tarde demais, amigo.
Já tinha amanhecido, o dia estava lindo e os passarinhos começavam a cantar. Se isso fosse um filme com finais batidos, essa bela manhã simbolizaria um final feliz, ou um novo e promissor começo pro protagonista. Mas isso estava por se ver.
Embora muitos me achem um idiota, era difícil pra mim decidir se algum dia conseguiria perdoar a Valéria. Mas mesmo que a perdoasse, era inviável começar a relação do zero. No entanto, nunca me perdoaria. Minha visão inocente e desleixada da vida, minha covardia, meu desinteresse pelos detalhes, e tantas outras falhas, me custaram meu casamento. Um casamento que, provavelmente, nunca existiu além dos papéis.
Sempre assumi que a Valéria valia mais que eu. Que devia agradecer à vida, porque uma mulher como ela virar a cabeça pra olhar pra alguém com tantos defeitos e tão poucas virtudes. Me convenci de que nosso relacionamento seguia o ritmo dos desejos dela, e não fiz nada quando ela começou a passar menos tempo na minha cama e mais tempo na rua.
Não sei se teria conseguido segurar uma mulher tão gostosa. caprichosa e sem preconceitos como ela. Mas o que eu sei é que nunca tentei.
O outro que eu nunca poderia perdoar é o Mario. O prazer dele em humilhar os outros, a prepotência, a agressividade, e agora que eu tinha lido os relatos, a misoginia, o sadismo e a crueldade absoluta dele eram coisas que ninguém deveria deixar passar.
É verdade que a Valéria provocou ele e se deixou cair nas garras dele. Mas o resto, obrigar ela a se vestir como uma puta, arriscando que ela se exponha pra todo mundo. Humilhar ela toda vez que possuía ela, e principalmente, obrigar ela a transar com três desconhecidos. Mario era um filho da puta com todas as letras. E se não fosse a Valéria, seria outra garota, provavelmente mais inocente, que ele transformaria na puta pessoal dele.
Não conseguia tirar da cabeça a possibilidade de que, naquele exato momento, a Valéria estivesse com ele. Talvez amarrada e amordaçada, enquanto ele usava o corpo dela como um brinquedo sexual.
A Valéria vinha me dando sinais há um tempo, e eu me recusei a ver. Nos relatos mais recentes, dava pra ver como ela procurava outros homens com mais frequência do que o normal. Entre eles estão "L" e "P".
Lembrei como, à noite (fazia séculos), ela deixou o celular em cima da mesa e foi tomar banho. Provavelmente muitas vezes ela tinha feito algo parecido, mas só ontem à noite eu me dignei a prestar atenção nos indícios e tive coragem de olhar. Sem dúvida, a Valéria esperava receber alguma mensagem naquela hora. Provavelmente pediu pros amantes dela fazerem isso bem naquele momento. Naquela altura, os chamados de atenção dela eram um pedido de socorro.
Ela precisava que eu soubesse. Precisava se livrar do peso morto do marido. Ao não ter que esconder a vida dupla de mim, ela seria livre de novo. Até poderia largar o Mario sem medo de represálias.
Era estranho. Não tinha dormido por muitas horas, mas me sentia mais lúcido do que nunca. Fui até a cozinha. Peguei uma faca afiada, não muito grande, porque precisava esconder na cintura. Saí de casa. Era a primeira Pela primeira vez na vida, me senti tão determinado.
Eram cinco e meia da manhã. As ruas estavam desertas. Só precisava andar trezentos metros, mas pareceram uma eternidade.
Quando cheguei, nem me dei ao trabalho de tocar a campainha. Pulei o portão. Lembrei que o Mario tinha um cachorro, mas pelo visto tava lá no fundo. Bati na porta com violência. Se acordasse algum vizinho, melhor ainda.
— O que você quer, idiota? — ouvi a voz do Mario do outro lado da porta.
— Cadê minha mulher? — exigi saber.
Ele, confiante, abriu a porta.
— Além de corno, você é burro, que se pen...
Não deixei ele terminar. Devolvi o soco que ele tinha me dado uns meses atrás. Mas ele mal se mexeu, e minha mão doeu pra caralho.
— Ah, você é doido, hein? — ele disse. Me pegou pelo pescoço e me puxou pra dentro.
Me deu um murro na barriga que me deixou sem ar.
— Então agora você é o príncipe encantado? — ouvi ele dizer.
Tentei puxar a faca da cintura, mas antes de conseguir, levei um chute na cara. Meu nariz e boca sangravam. A gengiva doía pra cacete. Senti um dente mole, e o lábio inferior tinha um corte fundo. Quis agarrar a faca, quis me levantar e lutar. Mas não conseguia me mexer, e o Mario tirou a faca das minhas mãos fracas.
Vou morrer, pensei. Minha visão tava embaçada. Ficava imaginando onde ele ia cravar a faca.
Mas aí ouvi ele gritar, de dor. E depois um barulho parecido com um pedaço de pau batendo num balde de plástico. O Mario caiu no chão, do meu lado. Quase me esmagou.
— Andrés, você tá bem? — ouvi uma voz masculina dizer. — Tá bem?
— Marcos? — sussurrei, reconhecendo meu velho amigo. — Marcos, por que...?
Acordei na casa dele quatorze horas depois.
— Sorte que você não tem nada grave — ele disse.
— Você me salvou. O que tava fazendo lá? — minha boca tava inchada, mal conseguia falar.
— Você não respondia minhas mensagens — ele explicou, e mudando de assunto, completou. — Você precisa ir ver essas feridas. ferimentos. Principalmente o do lábio.
– Ele tá morto?
– Nem ideia. No fim, você leu, né?
Pela primeira vez na vida, minha cabeça funcionou com perspicácia.
– Você tam… Você também tá nos relatos. – falei, e não era uma pergunta. – Por isso não queria que eu lesse.
– Foi uma vez só. – me prometeu, com cara de sofrimento. – juro que foi uma vez só. Foi quando fiquei dormindo no sofá da sua casa. Ela me procurou de madrugada, enquanto você dormia. Não consegui dizer não.
– E quem consegue. – falei.
– Depois disso, evitei ela como se tivesse lepra.
Acho que depois de tudo que eu tinha lido, e considerando que ela tinha acabado de me salvar a vida, não dava pra cobrar nada. Pelo menos naquele momento.
– E a Valéria?
– Nem ideia. Na casa do Mário não tava.
– E com quem ela tá?
– Talvez com ninguém.
Fiquei uns dias na casa dela. Tratei dos ferimentos. Pelo visto, o Mário tava na UTI. Corria o boato de que um dos drogados pra quem ele vendia droga tinha atacado ele selvagemente.
Seis meses depois.
Sei que agora ela tá com os pais dela. Dona Beatriz e seu Román são boas pessoas. Mesmo quando ela pediu pra eles esconderem a localização dela, me ligaram e me contaram. Mário, finalmente, foi pro outro mundo. E meu herói Marcos saiu totalmente ileso da situação. Também não teve acusados. Ninguém ligava pra quem tinha matado um traficante de merda. Mário se achava o Tony Montana, mas era só mais um lixo. Totalmente substituível. O inútil sistema de justiça jogou a nosso favor.
Voltei pra casa. Muitos vizinhos me olhavam com curiosidade, e alguns se animavam a perguntar da Valéria. Eu respondia, sem rodeios, que a gente tinha se separado.
Minha amizade com Marcos continua. Não só por ele ter me salvado e depois cuidado de mim. Do jeito que a Valéria seduziu ele, indo semidesnuda no meio da noite, onde ele tava dormindo, quase dava pra considerar um estupro. E é assim que tá no conto "Com o amigo do meu marido, enquanto dorme”. Tenho que admitir que ainda me masturbo lendo alguns dos contos dela. Mas não sinto mais que estou lendo como estão comendo minha mulher, porque o marido da Valéria, o desses contos, é outro, diferente do meu eu de agora.
Acho que finalmente entendi uma coisa sobre minha mulher. Escrever sobre os acontecimentos da vida dela e compartilhar com estranhos é um alívio para o estresse. Por isso agora, em homenagem a quem, para o bem ou para o mal, é a mulher da minha vida, publico minha história.
Ontem recebi uma ligação da Valéria. Mas não atendi. Agora estou reconstruindo minha vida e não quero voltar ao passado. Talvez mais pra frente a gente possa ter uma conversa legal, mas por agora, não.
Fim.
2 comentários - Todo mundo come minha mulher, Parte 3