Frambu e seu coquetel da vida XIII

Frambu e seu coquetel de vida Enquanto minha mãe se confessava na cozinha deixando seus sentimentos fluírem, meu pai nos ouviu E nos viramos com as xícaras para levá-las à mesa e lá estava meu pai parado nos ouvindo: Pai:- Que lindo é ouvir isso, meu amor... Bom dia! Mãe:- Bom dia, amor!! - se aproximou e deu vários beijinhos curtos na frente de mim Eu:- Bom dia, pai Pai:- Minha pichona... o que você faz acordada? Vai para a escola? Eu:- Não, não para a escola, não mais. É que vou na casa do vovô, assim a tia me ajuda com a apresentação que preciso fazer para hoje, é a prova final de inglês no instituto Pai:- Very good, my love Eu:- Ai, pai... não sabia que você gostava de inglês! Pai:- Só sei o básico, sou meio travado na pronúncia - Eu ri, assim como minha mãe - Vamos tomar café, meus amores? Falta meu outro amorzinho... ela não vai para a escola? Mãe:- Como assim não! Ela tem que continuar indo! A professora ainda não disse nada sobre isso ou não mandou nada sobre ela ter passado em tudo Pai:- Então vou acordá-la Eu me sentei para tomar café, meu pai foi buscar a Guille enquanto minha mãe se sentou ao meu lado e acariciava minha mão Terminamos todos de tomar café, fui me trocar enquanto minha irmã já estava quase pronta para ir à escola. Meu pai se ofereceu para me levar na casa do vovô depois de deixar a Guille na escola Cumprimentei a Natali, Ingrid, Emma e a Rosario, que estavam cedo para conseguir passar nas matérias antes da nossa viagem. Me despedi delas e seguimos caminho para a casa do avô Ao chegar, meu pai desce junto comigo Ele, como tem chave, abriu a porta e cumprimentou em voz alta Pai:- Oi pai, oi irmã... cheguei aqui com mais alguém... - minha tia vinha andando com meu avô segurando seu braço e ele, ao me ver, solta ela de repente e se aproxima a passos apressados Vovô:- Oi Fran... minha menina Eu:- Oi vovô - o abracei forte e ele acariciava minha cabeça e beijava meu rosto - Como você está? Vovô:- Muito, muito feliz em te ver, minha filha... te parabenizo... te parabenizo! Eu:- Obrigada... - Sem me soltar e vendo minha tia parada - Vovô, me deixa cumprimentar a tia?
Vovô: - Não, não não... que ela espere... você veio me ver só a mim!
Eu ri e acenei para minha tia, e ela mandou um beijo.

Dolores: - Oi Fran... Oi Martin... pai... você não vai cumprimentar seu filho?
Vovô: - Pra quê? Se eu vejo ele sempre... me deixem em paz com minha netinha... olha aqui, minha filha, veja... preparei o mate do jeitinho que a gente gosta - caminhamos os dois no ritmo dele até a mesa da cozinha.

Eu: - Bom, vamos que eu te levo.
Vovô: - Eu posso andar sozinho, minha filha, só que sua tia e seu pai me superprotegem, não me deixam um minuto sozinho. Nem me deixam ter namorada!
Eu: - Ai vovô... que chatos! - Nós quatro rimos.

Meu pai foi com minha tia conversar separados, enquanto eu me sentava ao lado do vovô para tomar mate. Suas mãos enrugadas, mas fortes, seguravam a cuia e a chaleira de metal. Ele colocou umas cascas de laranja e açúcar.

Vovô: - Toma cuidado que pode estar bem quente...
Eu: - Eu gosto assim! Adoro seus mates! - Enquanto tomava o último gole, sorrindo para ele.

Vovô: - Minha mulher, sua avó Lourdes, adorava meus mates, minha filha... às vezes sinto tanta falta dela... - ele tomava mate.
Eu: - Imagino que você deva sentir muita falta dela, vovô. Ela era muito companheira com você?
Vovô: - E ela tinha suas manias, seus costumes, mas eu a amava. Mas muitas vezes eu queria ter uma mulher pra fazer companhia, pelo menos pelos anos que me restam de vida!
Eu: - Ai vovô... não fala assim. Você vai viver mais cem anos! Olha, eu quero continuar vindo e tomando seus matezinhos sempre! - ele me deu mais um mate.

Vovô: - Olho pra você e vejo algumas coisas da sua avó, e juro que você me faz lembrar dela. Essas expressões, esse olhar doce, mesmo sabendo que você se parece muito com sua mãe, mas tem muitas coisas tão lindas da minha mulher também...
Eu: - Calma, vovô... não fica triste. De agora em diante, eu posso vir todos os dias te ver e tomar mate com você - devolvi a cuia para ele. ao vovô Nonno:
- Já sabe que dia você recebe seu boletim, seu diploma?

Eu:
- Ainda não sei, mas assim que eu descobrir, te conto. Também tenho uma coisa pra te contar, vovô... mas é segredo entre você e eu.

Nonno:
- Claro, minha filha... me conta - enquanto ele tomava chimarrão.

Eu:
- Eu tenho namorado! - e sorri - Conheci ele quando fui com o papai pro Uruguai e ele é um homem divino, quase igual ao papai: atencioso, doce, bom, carinhoso, engraçado e muito familiar.

Nonno:
- Ah é?? Mas vamos falar baixo porque esses bisbilhoteiros por aqui vão descobrir. Te parabenizo, minha filha!! - me deu mais um chimarrão.

Eu:
- Olha, tenho uma foto com ele aqui. Ele se chama Ezequiel. Olha... - Mostrei as fotos do meu celular e ele colocou os óculos - aqui a gente estava num monumento que se chama Mãos ou Dedos de Punta del Este. Aqui ele me tirou posando, aqui descendo as escadas e aqui... - vi a selfie que tiramos - aqui está ele comigo.

Nonno:
- Não seria melhor revelar essas fotos, minha filha?

Eu:
- Como?? Não entendi...

Nonno:
- Ter elas em papel, assim como eu tenho muitas da minha mulher, dos meus filhos e de vocês duas! Olha... aqui estão você e a Guille - me mostra uma foto em que éramos pequenas junto com meus pais - olha essa outra, essa é minha preferida, é o dia que sua mãe tirou de mim, sua avó e seus outros dois avós no dia que vieram pra cá... estávamos com uma tristeza enorme nesse dia porque vocês nos faziam muito felizes - a última foto em que estávamos com minha irmã e os quatro avós.

Eu:
- Adorei... deixa eu tirar uma foto com meu celular pra ter comigo?

Nonno:
- Sim, sim, Fran... tira sim...

Tirei fotos e sorri feliz por ter uma lembrança linda com meus quatro avós juntos.

Meu pai junto com minha tia voltaram pra cozinha onde estávamos com o vovô tomando chimarrão.

Tomei mais alguns chimarrões e depois me aproximei da minha tia pra ela me ajudar com a apresentação de inglês e ficamos um bom tempo praticando e conversando pra eu ficar mais confortável.

Meu pai começou a preparar a comida porque o vovô tinha uma... dieta rigorosa por causa da idade e da saúde. Nos sentamos para comer e eu me sentei ao lado do meu avô, e do outro lado estava meu pai. Minha tia tirou uma foto nossa desprevenidos enquanto comíamos.

Papai: - Peeeeero... mas que malvada... você tirou uma foto da gente??

Dolores: - Você fica muito bem com um olho aberto e a boca cheia de comida, Martincito!

O vovô e eu demos risada.

Papai: - Sempre a mesma coisa com você, menina... você vai ver!! No dia que sua sobrinha se formar, vou escolher as fotos em que você sai assim para postar e compartilhar nas redes sociais!

Dolores: - Nãããão, não seja mau, Martin!

Martin: - Então tira uma foto boa da gente. Aproveita que a Fran está ao lado de cada um de nós!

E eu larguei os talheres e abracei meu pai e o vovô. Sorrimos os três para minha tia, que tirou várias fotos.

Terminamos de comer. Enquanto ajudava minha tia a levar tudo que havíamos usado para comer, meu pai levou o vovô lá fora para tomar um ar.

Meu avô, com seus mais de oitenta anos, era um homem que se movia bem devagar e sentia muito a falta da vovó, essa ausência de uma companheira, mesmo com meu pai e minha tia estando com ele o tempo todo, acompanhando-o.

Depois de terminar, continuei revisando todo o discurso com minha tia para ficar mais preparada para a aula de inglês, e às 15h30 saí da casa deles para ir ao instituto.

Eu ia caminhando com minha mochila sob o sol quente do final de novembro, imaginando estar na piscina da minha casa ou na casa do Ezequiel. Ao pensar nele, peguei o celular e mandei uma mensagem:

"Oi amor, como você está? Desculpa ter sumido, mas tive um dia muito corrido. Fiquei com meu nonno: meu avô e minha tia, fazia tempo que não os via. Nem usei o celular o dia todo, além de que estou indo fazer minha última prova de inglês para já ficar livre e poder marcar alguma coisa com você. Te amo muito."

Continuei caminhando mais umas duas quadras quando senti que chegou uma mensagem:

"Oi minha linda. Que gostoso ler você!! Que coincidência! Hoje eu não fui para a faculdade e Também fiquei o dia todo com minha vó, aquela que fez a geleia que você adorou. Passamos a manhã toda juntas e preparamos um monte de coisas. Ela me mima e faz comidas caseiras pra eu levar pra casa, ela diz que é tipo meu pagamento porque eu sempre ajudo e dou dinheiro pra ela comprar o que precisa. É uma troca! Assim que você sair da aula, me liga e vamos fazer uma vídeo chamada. Tô com saudades e quero ver como você tá linda! Te amo, minha rainha!" Cheguei no instituto, fiquei com várias colegas de lá praticando. Por volta das 18h saí de lá muito feliz, já tinha passado na última prova e por isso também no curso todo. Mandei uma mensagem pros meus pais: "Oi pai e mãe, pra contar que passei nessa última prova e tô super feliz porque já tenho o curso aprovado também. Amo vocês. Tô indo pra casa" Continuei andando e sinto que um carro tá me seguindo e para perto de mim. Deu um calafrio, achei que podia ser o Blas. Mas era só uma pessoa descendo num negócio perto e ouço que chega outra mensagem e paro pra ler "Oi linda da Fran, como você tá? Como estão sua mãe e sua irmãzinha? Eu tô em Mendoza por algumas reuniões e principalmente pra te dizer que preciso ir a San Luis por algumas burocracias e a verdade é que adoraria vê-las. Mando um beijão" "Oi Barti. Tudo bem e acabei de sair do instituto de inglês e já aprovei o curso. Olha, sobre a gente se ver, acho que não vai dar porque meus pais tão bem entre eles agora e se eles te vissem, ia acabar com o relacionamento deles. Eu não teria problema em te ver, mas não conta com minha mãe nem com minha irmã. Um beijo" Continuei andando, parei e comprei um doce numa barraca e segui caminho pra casa e ouço o celular tocando e atendi Eu: - Alô? Eze: - Oi minha linda namorada! Eu: - Oi amor... Eze: - Como você tá? Como foi? Eu: - Muito bem. Já passei, então tô mais que feliz! Tô indo a pé pra casa Eze: - Não é Perigoso você estar sozinha? Eu: Não, não... aqui é tranquilo. A única coisa que me preocupa é com aquele cara que eu fiquei, que é a única coisa perigosa pra mim... mas relaxa, amor. Enquanto eu tô andando e falando com você, me sinto muito acompanhada. Eze: Tá bom. E como você tá se preparando pra receber seus 18? Eu: Ahhh muito bem, ainda não organizei nada sobre tema ou horário, porque a maioria das vezes meus pais que fazem por mim, eu só preciso convidar a galera e eles fazem tudo: comida, decoração, às vezes colocam balões e até fazem uma cartola ou chapéu de festa! É muito engraçado. Porque o papai também tem um que diz "o pai legal" e ele aparece nas fotos com esse chapéu. Eze: Que lindo, meu amor... e com certeza, se você quiser, eu tô aí com você pra comemorar mais um ano da sua vida. Eu: Claro que sim!! Eu adoraria que você estivesse comigo! Já tô a umas duas quadras de casa, atravessando uma pracinha perto e já dá pra ver um pôr do sol lindo. Eze: Tem um banco aí perto? Eu: Tem, sim. Por quê? Eze: Senta e fecha os olhos enquanto eu te digo uma coisa. - Eu obedeci: sentei no banco e fechei os olhos - Imagina que a gente tá sentado nesse banco, os dois juntos, enquanto eu te abraço e acaricio de leve seu ombro e fodo, uns beijinhos suaves no seu cabelo e a gente fica olhando esse pôr do sol lindo juntos. Eu: Wowwwww, a verdade é que eu adoro ter essas sensações que me fazem sentir você aqui do meu lado! Eze: Já tô ansioso pra fazer isso, meu amor! Saudades, minha linda! Eu: E eu também sinto sua falta e te quero muito! Eze: E eu também, mas muito, muito... mais tarde, posso te fazer uma videchamada? Eu: Simmmm, eu adoraria. Eze: Que tal tipo 22h? Eu: Sim, simmmm... Eze: Então te ligo nesse horário e já tô ansioso pra te ver, meu amor. Eu: Te mando muitos, muitos beijinhos. Já tô na esquina da minha casa. Eze: Que bom. Te quero muito e a gente se fala mais tarde! Eu: Beleza, amor. Te amo! Eze: Adoro te ouvir falar isso. E eu te amo muito também, meu amor! Desliguei e entrei em casa, só tava o Guille, sentado. na sala de jantar fazendo a lição de casa
Eu: - Oi, nenê
Guille: - Oi, Fran - estranhei que ela não me chamasse pelo apelido
Eu: - Tudo bem? O que aconteceu?
Guille: - É, não sei o que deu na mamãe. Porque cheguei do handebol e ela estava lá, mas se ofereceu para preparar minha comida e recebeu uma ligação e saiu sem dizer nada. Ainda não voltou e também não sei se o papai está com ela ou o que...
Eu: - Que estranho!! Ai, não me diga que...??? - imaginei que minha mãe tivesse ido ver o Barti, seu ex
Guille: - O quê?? Lembrou de algo??
Eu: - Nada, nada... fica tranquila. Vou tentar falar com uma amiga da mamãe. Se precisar de ajuda, assim que terminar de falar com a amiga da mamãe, te ajudo
Guille: - Ok, obrigada, Fran...
Imediatamente me tranquei no meu quarto e escrevi para o Barto: "Oi Barti, tudo bem?"
Me dediquei a guardar as roupas que minha mãe tinha deixado dobradas em cima da minha cama e organizei as pastas de inglês na minha mesa de estudo e vejo que estão me ligando
Eu: - Alô?
Barti: - Oi, linda
Eu: - Oi, Barti... Tudo bem?
Barti: - Bem, muito bem e você?
Eu: - Tudo bem... queria saber se minha mãe está com você ou se combinou de encontrar com você pelo que você me disse de que viria para San Luis e...
Barti: - Uauuuuu, a verdade é que você me surpreende, como ainda é inteligente e rápida! Sim, sim, combinamos de nos encontrar e ela já está voltando para casa...
Eu: - Mas Barti... Eu te disse que ia meter ela em confusão!
Barti: - Olha, linda... sua mãe foi quem quis me ver e a verdade é que foi incrível vê-la
Eu: - Ai, meu Deus...
Barti: - Mas não pense que fizemos algo tipo transar, mesmo que eu tivesse adorado fazer de tudo com ela, porque eu ainda amo sua mãe, mas ela só me viu para me dizer da decisão dela de que não quer mais que eu fale com você, que ela é feliz com o casamento e com a vida que leva com seu pai. Então, linda Fran... foi maravilhoso revê-la graças a você e guardo comigo minhas melhores lembranças e os momentos que compartilhei com vocês. Cuide-se
Eu: - Bom, Barti... se cuida. Te mando um beijo Um beijão... Cortei a ligação e fui para a sala de jantar.

Guille: - E aí?? Sabe alguma coisa da mamãe?

Eu: - Sim, sim... ela tinha ido na casa da Delia. Já está voltando.

Guille: - Mas por que ela saiu sem falar nada?

Eu: - Porque a amiga deve ter precisado dela com urgência. Fica tranquila. Ela já vem... Entendeu o que tem que fazer nessa tarefa?

Guille: - Sim, sim... só estava preocupada com a mamãe porque ela não costuma sair de casa assim do nada.

Eu: - Já acabou. Já está vindo, o amigo me disse que já está vindo.

Guille: - Como amigo? Não disse que foi com a Delia?

Eu: - Eu disse que a amiga me disse que ela está vindo... olha... aí ela chega... viu, nenita? Não tinha porque se preocupar!

A mamãe chegava no seu carro e, ao descer, dava pra ver que ela estava com muita amargura no rosto. Eu percebi porque a vi da janela da frente enquanto ela se aproximava da porta. Ela abre a porta e sua expressão estava um pouco melhor do que a que eu tinha visto através da janela.

Mamãe: - Oi, minhas meninas... - nos cumprimentou com um beijo em cada uma.

Eu: - Oi, mãe.

Guille: - Oi, mamãe... Onde você foi?

Mamãe: - Tive que ir até a casa de uma amiga por uma coisa...

Eu: - Na casa da Delia, né? - pisquei o olho para ela.

Mamãe: - Emmmmm... sim, sim... é que ela teve um incidente em casa e me chamou, mas já estou aqui, Guille... me perdoe por ter saído assim...

Guille: - Achei que tinha acontecido alguma coisa com o papai!

Mamãe: - Não, não... fica tranquila, está tudo bem! O papai está trabalhando ou está na casa do pai dele, ou seja, com o avô de vocês.

Eu: - Com certeza.

Ela foi para o quarto e eu a segui por trás.

Eu: - Mamãe...

Mamãe: - O que foi, Fran?

Eu: - Você foi ver o Barti?

Mamãe: - Sim... como você sabia?

Eu: - É que um tempo atrás ele tinha me dito que estaria por Mendoza e Chile e imaginei que viria para San Luis...

Mamãe: - Ai, meu Deus, filha... eu já falei com ele e disse que não quero mais saber nada dele e que ele não se aproxime mais de mim, nem de você, nem da Guille. Que ele nos deixe viver em paz!

Eu: - Só isso que aconteceu?

Mamãe: - Sim, sim... só isso.

Eu: - Mas... por que você está com essa cara tão amargurada? E triste? Você ainda gosta do Barti?
Mãe: É que ao rever ele, estar sentados no carro dele e conversar, ele falando de tudo que fez para nos encontrar me comoveu um pouco.
Eu: E o que aconteceu? Se beijaram?
- Minha mãe se levantou e virou de costas -
Mãe??
Mãe: Ele tentou me beijar e eu recusei! Sempre recusei. Porque quero terminar com tudo isso. Eu amo seu pai e não amo nenhum outro homem, mas precisava dizer isso a ele!
Nisso entra a Guillermina.
Guille: Fran... Fran... não é você aqui?
- me mostra a foto que enviaram para ela, era a mesma que minhas amigas me enviaram, mas agora as revistas circulavam como moeda corrente por toda nossa cidade.
Eu fiquei gelada porque estaria na boca do povo.
Eu: Ai, não acredito...
Guille: Por que tiraram fotos suas?
Mãe: Olha... então a Fran está na capa de uma revista uruguaia.
- mostra do celular dela a foto da revista para minha mãe -
Fran... é você?
Eu: Eu não percebi que era um fotógrafo profissional... senão teria coberto o rosto.
Mãe: Não, não digo por isso... mas vejo as fotos e você tem um olhar e um sorriso totalmente diferente, relaxado, e dá para ver que está curtindo.
Eu: É que não entendo por que você esconde nosso verdadeiro sobrenome e não quer que a gente apareça nesse tipo de foto.
Mãe: É que eu quero cuidar de vocês e preservá-las de outras pessoas, vocês são filhas de um homem que faz muitos negócios e tem muito dinheiro, e eu não gostaria que alguém lhes fizesse mal, mas você, Fran... em breve tudo isso vai mudar porque você será maior de idade e vai escolher se quer ser conhecida ou seguir sendo reservada.
Eu: É que eu estava com medo dessas fotos por sua causa... porque sei que você nos protege, mas também, se essa foto cair nas mãos do Blas, tenho medo por mim e pelo Ezequiel! O pai dele é quase como o meu, bah, o nosso... é muito respeitado e também um homem de muitos negócios, mas no Uruguai.
Guille: Então esse é seu namorado, Fran?
- enquanto ampliava a foto e olhava os detalhes - detalhes de me ver junto com um homem
Eu: Sim, sim, ele é
Ezequiel: Ele é um amor de pessoa!!
Guille: Ah...
- ela foi para a sala de jantar, continuando no celular, e eu fiquei ali com a mãe
Eu: Mãe...
Mãe: O que foi, Fran?
Eu: Você não está brava pelas fotos?
Mãe: Não, não, Fran... só fiquei surpresa, nada mais
Eu: Ah...
Você sabia que o pai estava falando com o Ricardo, o pai do Ezequiel, por um problema que ele teve com o outro filho, e o pai ia ajudá-lo?
Mãe: Não, não sabia de nada...
Eu: Viu ontem à noite que ele recebeu aquela ligação? Pra mim ele tava falando com ele, e não sei o que querem fazer com o cara que fez algo com o irmão do Eze
Mãe: Eu via que ele tava agindo mais estranho com seu pai... e... ai, Deus
Eu: Acha que o Barti tem algo a ver?
Mãe: Tomara que não. Mas melhor dizer não sei... porque segundo ele, uma vez me disse que todos os negócios eram reais e nunca ficou com dinheiro dos outros
Eu: E eu também desconfiava porque justo o Barti tava andando por aqui perto e justo o pai falou assim, e eu tô preocupada... embora o pai seja incapaz de bater ou matar uma mosca, mas... pode ter outras pessoas que sim
Mãe: Vou ligar pra ele e assim a gente vai saber onde ele está!
Minha mãe ligou e o celular do pai estava desligado ou fora da área de cobertura. Ela insistiu mais algumas vezes e deixou uma mensagem: "Oi, amor, como você está? Queria saber: você vem jantar ou mais ou menos que horas vai chegar? Te amo"
E minha mãe continuou arrumando as roupas e outras coisas que tinha que guardar
CONTINUA...

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