Meus anos perdidos - Parte 5 (final)

Quando voltei a abrir os olhos, a luz parecia que me machucava. Estava tudo muito brilhante e senti uma dor de cabeça absurda, pulsando dolorosamente e me fazendo sentir que ia explodir. Também senti um gosto horrível na boca.

Mas eu estava viva. E estava numa cama. Quando consegui focar direito, vi que era uma salinha de hospital. Veio uma enfermeira me checar e um tempo depois chegou uma médica, que se apresentou e me examinou, me disse que foi ela quem me atendeu e me salvou. Que eu tinha ficado quase dois dias inconsciente e que ela não fazia ideia de como eu não estava morta. A médica me disse que ela não acreditava em milagres, mas que se eles existissem, esse com certeza se qualificava como um.

Ela me pediu pra contar o que tinha acontecido e eu, fraca, contei. Contei tudo, o que aqueles dois filhos da puta do Pablo e do German tinham feito comigo. Quando lembrei, comecei a chorar desconsoladamente enquanto contava. Eu me sentia a pior merda do mundo, não só fisicamente. Eles tinham tentado me matar, sem me dar nenhuma explicação... será que eu valia tão pouco assim?

A médica teve pena de mim e me acolheu. Ficou um bom tempo comigo, segurando minha mão e me dando um pouco de água. Eu estava com soro no braço, mas tinha a garganta ressecada. Essa médica era um anjo, me entendeu e me acalmou enquanto eu contava tudo o que tinha me acontecido, quase desde o começo.

Embora a médica me entendesse, ela me disse que por ordem policial eu não podia sair dali. Que tinham me encontrado naquele dia na casa durante uma batida e quando me viram jogada lá com os sinais vitais quase desaparecidos, nem chamaram ambulância, me meteram numa viatura e me levaram voando pro hospital. A médica me disse que eu cheguei quase morta, que se tivessem me encontrado só uma hora mais tarde, com certeza eles já não poderiam ter feito nada por mim. Mas graças a Deus conseguiram me estabilizar na hora e me salvar.

Foi aí que entendi que alguém estava avisando o Pablo e o German. Naquele dia em que iam invadir a casa e decidiram fugir. Em vez de me levar, simplesmente escolheram me deixar lá morta pra eu não poder contar nada pra ninguém. Decidiram me descartar como um pano de chão que não servia mais pra eles. A doutora me disse que ia fazer o possível pra falar com a polícia e atrasar eles um pouco, mas que já tinham avisado ela que assim que eu estivesse melhor pra ser transferida, iam me deter ou me prender. Eu desabei a chorar de novo e ela me disse que entendia que eu era a vítima, mas que achava que como a invasão tinha dado tudo errado pra polícia... não acharam os irmãos, não acharam nada de droga nem nada incriminador, só eu quase morta... eles tinham que fazer alguma coisa pra provar que a operação toda não tinha sido em vão. E essa coisa era eu. Se alguma cabeça fosse rolar, ia ser a minha, não a de nenhum deles. Ninguém ia se importar muito. Se me acharam lá chapada de overdose, com certeza eu tava metida em coisa errada e ninguém ia falar nada se eu fosse presa. A doutora cumpriu a palavra dela e atrasou a polícia o máximo que pôde, mas no fim não deu mais. Fiquei cinco dias no hospital com ela até que finalmente ela se despediu de mim com carinho e me deixou aos cuidados de duas policiais mulheres que me tiraram do hospital. Me seguraram três noites numa cela numa delegacia até que no terceiro dia apareceu um cara que nem se identificou, não tinha distintivo de polícia nem nada, mas tava vestido como um. Ele me disse que iam me transferir pra um presídio feminino, que tinha saído minha prisão preventiva por posse e tráfico de entorpecentes. Quando eu falei que aquilo era absurdo e que queria falar com um advogado, ele sorriu e me disse que tinham encontrado um monte de comprimidos, seringas e heroína entre minhas coisas na casa. Eu não sabia se aquilo era uma história que ele tava inventando só pra me condenar, ou se era verdade e os filhos da puta do Pablo e do German tinham deixado aquilo lá pra incriminar-me. Qualquer uma podia ser verdade. Eu não conseguia pensar na tristeza que sentia com tudo aquilo, e me sentia tão, mas tão fraca. Quando o cara me perguntou se eu tinha alguém pra avisar, eu só disse que não. Que eu estava sozinha na vida.

Era exatamente o que eu sentia.

Com o tempo, me transferiram como tinham dito pra uma penitenciária feminina, uma que ficava em Ezeiza, e lá me processaram e me registraram como presa. Quando as policiais finalmente me levaram pra que ia ser a minha cela, me deixaram lá e me deram um livrinho com as regras a seguir, dizendo que amanhã uma guarda ia me orientar sobre como seria tudo. Eu estava morrendo de medo e de tristeza. E ainda por cima, assim que as policiais foram embora, algumas das outras presas vieram me ver do outro lado da grade. Pra ver a carne fresca. Ficavam rindo e me dizendo safadezas, contando tudo o que iam fazer com uma menina linda como eu. Como iam fazer eu me divertir com todas elas. Como riam. E quando não consegui evitar e desabei a chorar, aí elas perceberam como eu era mole e pioraram. Lambiam as barras da cela, mandavam beijinhos, se esfregavam entre as pernas por cima dos uniformes... me dizendo que já iam me pegar no banheiro, ou no chuveiro, ou em qualquer lugar, rindo... sempre rindo.

Foi aí que conheci a que ia ser minha companheira de cela. Uma morena baixinha, um pouco encorpada, que se chamava Maria, mas todo mundo chamava de La Tana. Era uma coroa gostosa, tinha 46 anos. Quando ela veio pra cela dela e viu as outras lobas me zoando do outro lado da grade, mandou todas à merda e entrou comigo. Quando me viu direito, os olhinhos dela brilharam.

Se vocês acham que vou contar que a La Tana foi a única boa da penitenciária e que foi ela que me salvou das outras... bom, não. A La Tana era tão filha da puta e escrota quanto as outras presas. Ou pior, porque ela era uma das que mandavam ali. Mas pelo menos era honesta. Sentou comigo na cama, se apresentou, conversamos algumas coisas pra a gente se conheceu e ela me disse na cara. Que o único jeito de eu me dar bem ali era se eu estivesse sob a proteção dela. Se não, ela disse, era só eu ver como ia me sair com as outras lobas.

Já imaginam que tipo de proteção a Tana tinha em mente.

Naquela mesma noite, na nossa cela, a Tana deixou bem claro que quem mandava era ela. Quando as luzes se apagaram, ela me chamou pro catre dela e disse que não ia repetir duas vezes. Fui e me deitei com ela. A Tana tava muito feliz por finalmente ter uma neném gostosa pra ela, pra poder curtir. Eu nunca tinha ficado com outra mulher antes e realmente me dava muito nojo. Mas a Tana tratou de tirar meu nojo rapidinho na base de tapas e puxões de cabelo. Eu tava ali pra fazer ela feliz, ela disse, e se não fosse, ela ia me jogar pras outras.

Eu me tornei muito, mas muito rápido a putinha da Tana. E ela fez questão de deixar as outras sabendo naquela mesma noite, me fazendo gritar de dor e de prazer, enquanto as outras presas batiam palma e assobiavam me ouvindo das outras celas. Nunca nenhuma das outras presas encostou um dedo em mim, exceto quando a Tana tava entediada e chamava alguma amiga pra me comerem as duas juntas. Eu já era propriedade dela e, já na primeira semana, eu tava provando isso com muito amor, toda noite no catre dela, amando minha nova dona e satisfazendo ela do jeito que ela quisesse.
Mis años perdidos - Parte 5 (fin)A Tana adorava meu corpo e o que ela mais gostava era fazer 69 comigo, curtindo como minha língua e meus lábios satisfaziam a buceta e o clitóris dela, enquanto ela me provava também, às vezes enfiando os dedos e outras vezes direto abrindo o buraco que ela quisesse com um daqueles consolos enormes que ela tinha.GordinhaAo terminar o primeiro mês eu já era sua nena, sua slut, doce e amorosa, atendendo e satisfazendo ela com o que ela me pedisse. Toda manhã eu acordava na cama dela, com minha dona me abraçando suavemente. Eu passava o dia inteiro com ela, do lado dela como sua mascote. E à noite eu a satisfazia com muito love na cama dela, me entregando completamente a ela, dando prazer e deixando que ela aproveitasse meu corpo o quanto quisesse. Ela adorava abrir bem as pernas, sentada na cama, e puxando forte meu cabelo, esmagar minha cara contra sua buceta, me deixando ali até minha língua fazer ela gozar docemente, pra depois provar a minha e me dar um orgasmo também.

A Tana tinha um temperamento muito forte e era muito mandona. Nunca me rebelei contra ela nem nada disso, mas às vezes a gente discutia por alguma coisa e ela não perdia tempo em me corrigir com tapas. Quando eu me acalmava, ela me fazia chupar sua buceta e, no final, pra eu aprender, me levava pelos cabelos até o vaso sanitário que a gente tinha na cela, me fazia colocar a cara na abertura e, abrindo as pernas em cima de mim, ela mijava na minha cara toda, deixando bem claro quem mandava e o que acontecia quando eu me revoltava com alguma coisa.

Nessas noites em que a gente tinha discutido durante o dia e chegado naquele ponto, eu esperava as luzes se apagarem e, silenciosamente, ia sozinha até a cama dela, sem ela me chamar, abraçando ela, acariciando e pedindo perdão, falando coisinhas lindas no ouvido e dando beijinhos suaves e amorosos na boca dela até que ela finalmente me perdoava e a gente se amava de novo. A Tana adorava como sua nena slut e gostosa pedia perdão tão docemente e com quanto love a gente se pegava ao fazer as pazes à noite.

Acabou que eu gostei de ficar com a Tana. Aquele nojo de ficar com outra mulher passou rápido e, estando com ela, eu me sentia segura. Ninguém nunca me fez nada por causa disso. Eu era propriedade da Tana e nenhuma outra se atrevia a fazer algo comigo. O que nunca me agradou era quando às vezes ela chamava alguma amiga na cela pra me compartilhar com ela. Não pelo ato em si, eu já me sentia propriedade dela e podia fazer o que quisesse comigo, mas a verdade é que tinha cada mulher tão nojenta naquele presídio que aí sim me dava asco. A Tana, felizmente assim como eu, era uma mulher limpa e gostava de se manter assim, mas das amigas dela não podia dizer o mesmo. Infelizmente às vezes eu tinha que fazer, pra agradar minha dona. Chupei e lambi bucetas e cus sujos demais, e também tomei vários mijões das amigas dela na minha cara quando a Tana tinha vontade de deixar elas fazerem isso comigo.
Mas eu nunca reclamei. Tava feliz de ser propriedade da minha dona e contente com o quanto ela cuidava de mim.
Quando não tava com a Tana, no presídio tinha uma unidade de reabilitação de drogados e eu era obrigada a frequentar. No começo achei que não ia me servir de muita coisa, mas acabou me fazendo muito bem. Quando entrei no presídio tinha sequelas feias da minha overdose e uma síndrome de abstinência bem forte, mas graças ao pessoal da unidade de reabilitação consegui controlar bem devagar. Não digo superar, porque nunca sumiu, mas aprendi a controlar com muito esforço. Se estar na cadeia, pelo lado sexual, não me curou já que eu continuava sendo a putinha de alguém, pelo lado das minhas dependências me ajudou a me curar bastante. Não me curar completamente, mas melhorar muito. As doutoras da unidade sempre me diziam que eu ia passar a vida inteira lutando contra aquilo, que vício ruim era assim, não ia embora nunca, só podia controlar. Nunca ia deixar de ser drogada, só ia ser com muito esforço uma drogada que não se droga.
Fiquei catorze meses no presídio, até que finalmente um dia me avisaram que logo iam me soltar. A Tana ficou muito triste e nesses últimos dias me aproveitou ao máximo, sem me compartilhar com mais ninguém, até a última noite que teve a sua puta que quase se jogou a chorar. Eu nunca tinha visto ela daquele jeito. Ela me deixou o número do celular dela pra eu procurar ela quando saísse em alguns anos. Eu, claro, falei que sim, mas não tinha interesse nenhum. Se iam me soltar, não queria saber nada com ela nem com nenhuma das outras presas que cheguei a conhecer. O que passou, já tinha passado.

Lembro que no dia que me soltaram chovia pra caralho. Era impressionante, não parava nunca. Me colocaram, eu e mais algumas, numa van do serviço penitenciário e nos levaram de volta pra capital. Eu só tinha uma bolsinha com minhas coisas, o pouco que alguém tinha pensado em guardar pra mim depois do flagrante. Me deixaram na mesma delegacia onde tinham me processado no começo, assinei uns papéis e me falaram que eu podia ir embora, que já tava livre.

E eu, sinceramente, não sabia o que fazer. Tava perdida e triste. Na cadeia, pelo menos, tinha teto e comida, agora tava sozinha de novo e sem nada. Consegui que me dessem o endereço de um abrigo pra mulheres e comecei a andar. Não tinha nem grana pra pegar um ônibus. Quando cheguei, já tava encharcada e meu coração partiu quando me falaram que o abrigo tava lotado e não tavam aceitando mais ninguém. Me joguei a chorar ali, implorando pra moça me deixar ficar, mesmo que fosse na entrada, mas ela falou que não, que eu tinha que ir embora.

Chorando o tempo todo e me sentindo a pior merda de novo, comecei a andar. Debaixo da chuva. Já tava fria e encharcada, não me importava com nada. Quando pensei na ideia de passar a noite debaixo de uma ponte ou algo assim, sem comer e sem nem um cobertor, juro que deu vontade de me jogar na frente de um trem e acabar com tudo ali.

Mas foi nesse momento, do nada, acho, que tive a ideia que mudou minha vida pra sempre. De repente, parei de vagar pelas ruas e percebi onde tava. Foi como uma chaminha de esperança que acendeu dentro de mim. interior. Por acaso eu estava perto de onde o Ricky morava, que tinha me tratado tão bem naquela vez que já parecia tão distante. Tinham se passado anos e tanta coisa tinha acontecido comigo… eu nem sabia se ele ainda morava lá, se estava sozinho, se me deixaria entrar na casa dele… não sabia de nada, mas estava apostando tudo naquela que eu sabia que era de verdade minha última carta.

Por sorte eu lembrei do endereço e da casa. Parada ali na calçada, encharcada e tremendo de frio, com muito medo toquei a campainha e, graças a Deus, o Ricky abriu a porta e me viu. Eu olhei pra ele e comecei a chorar que nem uma criança, não aguentava mais nada, comecei a balbuciar e a pedir, a implorar de coração pra ele, por favor, me deixar entrar e ficar… que eu não tinha nada e não tinha ninguém…

Quando ele me viu daquele jeito, o Ricky nem pensou duas vezes. Nem me deixou terminar. Me reconheceu na hora, ainda bem que ele lembrava de mim. Ele me pegou e me tirou da chuva fria, me fez entrar e me envolveu na hora com uma toalha. Ele se surpreendeu com todo o tempo que tinha passado e mais ainda com o fato de eu lembrar onde ele morava. Eu não conseguia falar de tanto choro e do frio que me fazia tremer. O Ricky me deu um sorriso e um olhar doce, que pelo menos aqueceu minha alma, e eu sorri pra ele como consegui.

Ele me levou pro banheiro e me disse pra tomar um banho quente na hora enquanto ele procurava uma roupa seca pra mim. Que prazer foi sentir aquela água quente tirando o frio do meu corpo. Quando me enxuguei e saí do banho, o Ricky já tinha deixado uma pilha de roupas pra mim ali. Sentei com ele na cozinha dele, como tinha feito naquela vez, e ele me fez um café quentinho. E me deu comida de novo. E ficava me olhando e me ouvindo com um sorriso doce enquanto eu contava tudo o que tinha acontecido comigo naqueles anos, desde a última vez que eu tinha estado ali.

Finalmente criei coragem e pedi, perguntando se por favor ele não me deixava ficar ali naquela noite. Até eu conseguir clarear a cabeça e organizar o que eu queria e podia fazer com a minha vida. Ele só se sorriu, me pegou docemente na mão e me disse que por favor eu ficasse, que nem me passasse pela cabeça sair dali com a chuva e sem saber o que ia fazer. Naquela noite ele me deixou dormir na cama dele enquanto ele se deitou no sofá da sala, apesar dos meus protestos, eu dizia pra gente inverter. Ele não queria saber de nada. Me disse que se sentia feliz se eu estivesse o mais confortável possível.

Passei uma noite incrível, depois de tanto, tanto tempo. Adormecendo suavemente com o barulho da chuva lá fora e o coração aquecido graças à bondade do Ricky.

No dia seguinte a gente acordou, tomou café e foi aí que ele me disse que também tinha ficado pensando naquela noite no que fazer. Eu falei que se ele quisesse, assim como eu tinha feito com os irmãos, eu limpava a casa dele, fazia as compras, o que ele quisesse, mas se não o incomodasse eu ficar ali uns dias. Não falei de transar, como tinha feito com o Pablo e o German. Achei que não precisava.

Ricky só sorriu e me disse que não queria saber disso. Eu estranhei e perguntei por quê. Ele disse que não precisava de uma empregada. Que se eu quisesse ficar ali, o tempo que eu quisesse, eu podia, mas como amiga dele que precisava, e ele adoraria me ajudar assim.

Eu comecei a chorar que nem uma idiota ali mesmo. Não conseguia parar as lágrimas de tanta emoção e ternura que esse homem estava me causando. Do quão bom ele era comigo sem pedir nada em troca, como todos os outros tinham feito.

Fiquei morando com o Ricky na casa dele por umas duas semanas. E, claro, como não podia ser diferente, a gente acabou se apaixonando um pelo outro. Ele me disse que eu sempre tinha atraído ele, que eu tinha flechado ele quando me viu naquela primeira vez que o Mariano tocou a campainha comigo. Eu já sentia demais por ele naquele momento quando ele me disse aquilo pra ficar calada e não fazer nada. A gente estava os dois cortando legumes pra fazer o jantar quando ele me falou isso. A gente se olhou e eu simplesmente larguei tudo e a gente nós nos abraçamos, trocando uns beijos incríveis ali na cozinha, cheios de amor e daquela paixão que a gente guardava tanto um pelo outro e finalmente vinha à tona.

Que homem lindo e bom que era o Ricky. Que cara incrível. Me tratava como uma princesa, como sua rainha. E finalmente eu me sentia verdadeiramente amada, e cuidada. Valorizada. De vez em quando eu tinha noites bem ruins por causa das sequelas dos meus vícios e ele percebia na hora. Quando via que eu ficava agitada e minhas mãos começavam a tremer, meu homem lindo preparava um banho quente e entrava comigo, só me abraçando e me segurando nos braços dele até eu me acalmar. Devagarzinho, falando baixinho e tranquilo, dizendo o quanto me amava e que aquilo ia passar, que eu tivesse força... O que me ajudava sentir e ouvir tudo aquilo não tem nome. O bem que me fazia ter o Ricky por perto era incrível.
garotinhaFicamos quatro anos de namoro, onde eu pude me refazer como pessoa e voltar a ter uma vida normal, longe das drogas e da prostituição. Longe de toda essa merda. Longe de tudo aquilo que tinha me arruinado e quase me matou. O Ricky não ligava pra nada disso. Claro que contei tudo pra ele, mas ele não se importava com o que eu tinha feito.

Ele me disse que meus problemas do passado eram minha história, mas que os problemas do meu futuro eram privilégio dele. Ele falou isso com um sorriso e me destruiu completamente. Ele me amava loucamente e eu amava ele.

Depois desses quatro anos de namoro, decidimos casar. Já estamos há treze anos como marido e mulher e já temos dois filhos lindos. Eles são minha luz, meu sol e a razão pela qual estou viva hoje. E meu homem incrível, meu marido gostoso, meu amigo que me adora e me cuida… ele é minha estrela guia. E eu sou a dele. Eu me jogaria na frente de uma bala por ele, se não fosse porque sei que ele faria isso primeiro por mim. Nunca, jamais, estive tão profundamente apaixonada por alguém e nunca, jamais, me senti tão amada e cuidada por alguém.
AbusoHoje eu já tenho 38 anos e finalmente posso dizer que faz muito, muito tempo que estou bem e me sinto bem. Depois de todos os desastres que eu mesma arrumei e que me aconteceram, finalmente estou bem na vida. Me sentindo bem comigo mesma. Me sentindo desejada, amada e podendo dar amor e cuidado pra minha família. Quando nasceu nosso primeiro filho, Agustín, até juntei coragem e com o apoio do Ricky consegui me reconectar com a minha mãe e meus irmãos, depois de tanto tempo que eles não sabiam nada de mim. Claro que não contei tudo o que eu tinha feito, só dei a versão sanitizada, mas foi uma alegria enorme poder vê-los de novo e ter ficado em contato. Minha mãe está encantada em ser avó e de eu ter encontrado um homem tão maravilhoso quanto o Ricky.

E eu também estou. Hoje que já estou bem, plena e inteira como pessoa de novo, quando olho pra trás e lembro de todas as coisas que me aconteceram, se não fosse pelo fato de que, graças a isso, por acaso, pude conhecer meu marido incrível, o homem que amo com toda a minha alma… eu me livraria de tudo. De tudo o que vivi e de tudo o que me aconteceu. De tudo o que fiz. Aqueles anos, pra mim, são só meus anos perdidos.

7 comentários - Meus anos perdidos - Parte 5 (final)

Ldmo37
Por suerte tuvo un final feliz, van 10!!
Entré a pajiarme y terminé leyendo el guión de un peliculón, y ese final, que excelente el good ending, de los mejores relatos que leí en mi vida
Por favor , que historia .lo tuyo es la escritura . Ojalá sigas escribiendo
Hermosura de relato, la verdad... Como escribieron por ahí: ese good ending, fue demasiado genial. Jajaja Ricky sin lugar a dudas el MVP. Sigo con el resto