Quando acordei, ainda estava meio dolorida da noite que tinha passado com Michael e Ahmed. Por sorte, naquela noite não tinha nenhum cliente.
Durante a tarde, fiquei na dúvida se devia ou não contatar o número que Ahmed tinha me deixado. Ficava com um pé atrás porque era fim de semana, mas Ahmed tinha dito que não importava. Não sabia direito o que era, quem era esse contato e no que eu estava me metendo, mas pensei que só de perguntar não ia perder nada. Então, juntando um pouco de coragem, mandei umas mensagens me apresentando, dizendo que Ahmed tinha me falado para contatar por uma oportunidade de trabalho.
Quinze minutos depois, me responderam, perguntando se podiam me ligar. Falei que sim e na hora o celular vibrou. Quando atendi, era a voz de um cara, não parecia velho, era de meia-idade. Falava espanhol, mas bem mal. Gaguejava muito e não pronunciava direito, mas mesmo assim a gente se entendeu. Ele me agradeceu por ligar e disse que Ahmed tinha me recomendado pra caramba e que ele era uma pessoa de confiança.
O cara me explicou bem por cima como era a parada. Naquela quarta-feira ia ter uma recepção diplomática num hotel em Pilar. Eu conhecia, era um hotel chiquérrimo, lindíssimo. A recepção era da delegação diplomática dos Emirados Árabes em Buenos Aires recebendo um pessoal de lá. Ia ter uma reunião pequena e um jantar, e depois iam oferecer a algumas pessoas serviços como o meu, reforçando várias vezes a necessidade de máxima discrição. Falei que não tinha problema com isso, comentei um pouco como eu trabalhava, o que pareceu não interessar muito aquele cara, e logo discutimos um par de condições e pedidos que ele tinha, ele perguntou quanto eu cobrava e eu falei.
Não pareceu se impressionar muito e seguiu a conversa na hora com outros detalhes. Perguntou se eu precisava de transporte e falei que sim, por favor, ida e volta. Também não pareceu se incomodar com isso. Aí perguntei sobre o cliente, ou os clientes, e aí sim percebi ele um pouco reticente. Basicamente me disse que era gente dos Emirados que estavam visitando e só. Que isso também entrava na máxima discrição que estavam pedindo.
Finalmente aceitei e ele me disse pra indicar onde mandar o carro e que eu estivesse pronta às 20h da quarta-feira, e que fosse pontual sem exceção. Desliguei com o cara e passei meu endereço pelo WhatsApp.
Fiquei pensando e era tudo meio estranho e bem misterioso. Não sei se misterioso era realmente a palavra... incomum talvez seja um termo melhor. Incomum demais. Muitas coisas vagas, sem muito detalhe. Não era o círculo onde eu já tinha aprendido a me movimentar, nem os jeitos que eu conhecia de trabalhar. Era diferente. Me pareceu muito seco e super profissional tudo. Bem frio, sem o toque pessoal que eu tinha com todos os meus clientes. Isso era outra coisa. Outro nível. Uma vibe completamente diferente. Por um momento, só por um momento, me deu um pouco de medo e pensei em mandar mensagem pra ele na mesma hora, pedindo desculpas mas cancelando. Mas aí lembrei do que a Laura me dizia, que uma vez que eu falava sim, tinha que cumprir. Que os clientes sempre lembram disso.
Fiz um café com leite e liguei pra Laura pra contar. Ela disse que também não tinha ideia disso, que nunca realmente tinha ouvido falar de algo assim, mas que soava bem como gente daquele nível se movia e operava. Que não achava que eu estivesse em perigo nem nada, até porque fui recomendada por outro cliente. Amigo, por sua vez, de um cliente repetidor meu, de confiança. Ela disse pra eu não ter medo e ir, que podia ser uma boa oportunidade de trabalho. Pela grana, claro, mas também pra botar um pezinho naquela porta e ficar em contato. Se eu trabalhasse bem... quem sabe.
Perguntei pra Laura como ela achava que eu devia me vestir, já que o cara não tinha me falado nada sobre isso. Não sabia se ia bem, bem de putinha fatal ou Elegante pra ocasião. A Laura me disse sem hesitar que era pra ir elegante. Que a ocasião ia ser assim e que ela não queria que eu destoasse. Que se os clientes quisessem uma menininha, eu podia ser menininha numa boa, mas já no quarto, a sós.
Decidi me preparar bem pra quarta-feira e mudar bastante o visual, deixando de lado o de menininha e testando várias coisas com maquiagem e cabelo pra parecer um pouco mais velha. Ou pelo menos, parecer da minha idade. No fim, depois de muito tentativa e erro, cheguei a algo que gostei no rosto e no cabelo. Resolvi testar como ficava combinado com uns vestidinhos elegantes que eu tinha guardados, pra ocasiões como essa que precisavam. Experimentei vários, mas no final, como sempre, a gente nunca erra com um vestidinho preto simples, lindo e sexy.
Me olhei no espelho e sorri. Ajustei mais uns detalhes e tirei uma foto sozinha, pra mim, de como eu tinha ficado linda e diferente. Dava pra ver que eu parecia um pouco mais velha, mais séria. A menininha tinha ficado pra trás e estaria disponível se pedissem. Aqui já tinha uma mulher, igualmente gostosa.
Quando o dia chegou, eu tava muito ansiosa. Não era nervoso, tava calma, mas morrendo de vontade que a noite finalmente começasse e eu pudesse ir vendo como tudo ia se desenrolar. Como sempre, jantei algo cedo, bem antes do horário marcado, pra estar alimentada e pronta. Também, por via das dúvidas, tinha tomado mais de meio litro de água durante a tarde, pra estar hidratada e bem. Tava pronta, mas ainda tava retocando detalhes da minha roupa e do cabelo quando ouvi a campainha tocar, uns dois minutos antes do horário. Quando desci, tinha um carro preto bonito, com vidros escuros, me esperando na porta do meu prédio, e um motorista de terno, também com cara de árabe, que abriu a porta de trás pra mim. Cumprimentei ele e ele sorriu educadamente sem dizer nada, me fazendo entrar e depois assumindo o volante pra dirigir. Durante o trajeto, ele não falou comigo e eu também não falei com ele. Ele tava bem focado em dirigir e olhando o GPS o tempo todo, e eu também me distraía com o celular.
Quando finalmente chegamos no hotel, ele parou na porta e um rapaz do hotel abriu a porta pra mim, me ajudando a sair. Vi que o carro foi embora na hora. Perguntei ao rapaz onde era a recepção diplomática e ele me indicou. Caminhando até o lugar, cruzei com um cara que me parou, ele tava muito bem vestido e também tinha cara de alguém do Oriente Médio. Quando ele falou e me cumprimentou, reconheci a voz e o espanhol que ele falava com dificuldade. Era o cara com quem eu tinha falado no telefone. Ele me disse pra ir pra parte dos fundos do hotel, onde tinha outro lobby e um bar que dava pros jardins. Se eu quisesse, podia pegar algo pra beber e esperar, que se precisassem de mim em algum momento, alguém ia me dar mais instruções.
Fiz o que ele disse e fui pra parte dos fundos, que parecia ser um lobby reservado pra ocasião. Quando cheguei e vi tudo, aí sim fiquei nervosa. Mas nervosa de verdade. Aqueles mesmos nervos e desespero interior que eu tinha sentido naquela primeira vez, caminhando... por Santa Fé com o Michael. Só que lá não tinha o doce do Michael pra me acalmar. Tinha dois caras de terno na entrada do lobby, que soltaram uma corda e me deixaram passar, sem falar uma palavra. E quando entrei no lobby…
Engoli seco. Tava cheio de outras minas. Também trabalhando. Todas elegantérrimas. Todas mais velhas que eu. Meus olhos naturalmente foram pra um par que eu vi, que não posso nomear porque são muito famosas. Tinha uns poucos caras conversando com elas, quase todos bebendo alguma coisa, batendo papo em grupinhos. Também tinha várias minas sozinhas, sentadas ou mexendo no celular. Juntando coragem, andei devagarinho até um sofá que tinha perto e sentei sozinha, timidamente tentando não chamar a atenção de ninguém.
Isso tava muito, mas muito acima do meu nível e da minha zona de conforto. Demais.
É difícil explicar o que eu sentia naquele ambiente e o nervosismo que me pegou. Eu me sentia… tipo o jogador de futebol, o moleque que a vida inteira jogou nas categorias de base do clube, e de repente chamam ele pra jogar no time principal. Sem preparo. E de repente ele entra em campo e sente os gritos da torcida toda. Esse tipo de sensação, esse tipo de nervoso, de querer cuidar cada gesto e cada movimento. De não querer fazer ou parecer nada errado. As outras minas eu via na delas ou diretamente desinteressadas de tudo. Conversando tranquilas, bebendo drinks e passando o tempo no celular. Eu pensei que tava elegante. Comigo sentada ali e sem nem chegar perto, elas me mostraram o que era elegante e relaxada de verdade. Profissional de verdade. E não tinha nada, mas nada a ver com a roupa. Senti uma vontade enorme de fazer xixi.
Na hora um garçom do hotel se aproximou pra perguntar se eu queria alguma bebida. Pedi uma Sprite e ele trouxe de novo num copo, em tempo recorde. Fiquei ali olhando timidamente pra tudo e pra todas, por dentro gritando pra ninguém perceber que eu existia e estava Aí. Pra que nenhuma chegasse perto de mim pra falar. Claro que nenhuma fez isso. Tinha umas dez ou doze minas ali, mas nenhuma chegou perto. Nenhum dos caras também. Tentei me acalmar o máximo possível e observar tudo. Como elas se moviam, como interagiam com os caras, prestando atenção pra pescar alguma coisa de alguma conversa. Escutava conversas em inglês, uma em francês e, entre os caras, eles falando no que com certeza era árabe.
De tanto observar, vi como se viravam e como ia ser a noite. De vez em quando aparecia um cara que devia ser da delegação ou algo assim, procurava a mina certa, falava alguma coisa e mostrava um papelzinho com algo anotado. Não entregava, guardava. A mina juntava as coisas, ou se despedia se tava falando com outra, e sumia por um dos elevadores. Enquanto eu esperava, mais umas minas chegaram no lobby, junto com mais alguns caras. Deviam ter chegado depois de mim. Totalmente tranquilas e na delas, sentavam no bar e pediam alguma coisa, ou começavam a conversar com alguém. Eu continuava sozinha no meu sofá, morrendo de medo até de cruzar o olhar com alguma.
Mas ninguém parecia se importar que eu tava ali. O tempo foi passando, foram chamando e indicando outras minas, e elas sumiam pra cima. Ninguém vinha me buscar. Me acalmei um pouco depois de mais de uma hora e levantei, fui no banheiro e voltei pro lobby. Dessa vez fiquei de pé, fui até a janela e fiquei olhando os jardins, mesmo sendo noite tavam bem iluminados. Mas ninguém vinha me buscar. Tinha passado aquela hora e depois passou mais uma hora. E nada. Eu continuava ali, já quase não tinha minas e caras no lobby. Sentei de novo e logo senti um aperto no estômago quando vi o cara que vinha buscar as minas andando na minha direção, finalmente.
Levantei do sofá quando ele chegou perto. Nem me cumprimentou. Num espanhol bem enrolado, me mostrou o papel. Só tinha um número anotado. Ele mandou eu subir no elevador e ir praquele quarto. Disse que quando terminasse, iam me pagar. Falou isso, virou as costas e voltou por onde veio. Peguei minha bolsinha e, meio nervosa, fui pros elevadores, subindo e sumindo também, igual todas as outras tinham feito.
Quando cheguei no andar, saí do elevador e fui procurar o número. O corredor era bem comprido e vi uns caras de terno, fácil uns cinco ou seis, parados de boa e em silêncio perto das portas de alguns quartos. Quando cheguei no quarto que tinham me indicado, feito uma idiota, sorri e dei um oi pro segurança. Ele nem se mexeu, nem me cumprimentou. Só bateu na porta, esperou uns segundos e abriu pra me fazer entrar, fechando ela atrás de mim.
Quando entrei no quarto, que era bem chique, um cara também com toda cara de ser da delegação me recebeu. Me cumprimentou e falava um inglês muito bom, sorrindo e me admirando de cima a baixo. E infelizmente é até aí que posso contar do que rolou naquele quarto, por motivos que vão entender mais pra frente.
Se posso dizer que umas três horas e meia depois, saí do quarto e fui pra outro que aquele cara tinha me indicado, no mesmo andar. Nesse não tinha segurança. Bati, e me mandaram entrar. Lá dentro tinha dois caras da delegação que cuidaram do meu pagamento. Também me fizeram assinar um documento que ficou com eles. Os dois me cumprimentaram super educadamente com dois apertos de mão e falaram que eu podia ir, era só esperar o carro que ia me levar na porta do hotel.
O carro me deixou tarde em casa, já era quase cinco horas. Tomei um banho e tirei a roupa de trabalho. Me joguei na cama e fiquei lá. Olhando pro teto. E pensando. No fim, dormi. Não tinha ideia nem noção, naquele momento, do quanto aquela noite ia mudar minha vida.
Claro que no dia seguinte minha vida continuou normal como sempre. E Infelizmente, virou tão normal de repente que tive outro encontro tenso com o porteiro do meu prédio. Ele me mandava mensagens pra eu ir atender ele lá em cima, e eu nem respondia. Simplesmente não queria. Já tava de saco cheio daquele cara e do que ele tava me forçando a fazer com a chantagem dele. A coisa piorou porque ele deve ter se excitado e veio tocar a campainha diretamente, fingindo raiva porque eu não quis subir. Não fez escândalo com medo de alguém dos outros apartamentos ouvir, mas ficou insistindo que queria entrar na minha casa. Eu recusei. Falei que hoje não tava a fim de atender ele, que outro dia sim, mas que hoje não me enchesse o saco. Ele não gostou e, baixinho, me ameaçou, dizendo que se eu continuasse bancando a sonsa, ia falar sobre o meu trampo com o condomínio e contar pra todo mundo no grupo de vizinhos do prédio. Com um sorriso debochado, virou as costas e foi embora, me deixando engolindo seco de raiva.
Não sabia como resolver a parada desse cara, já que ele tava ficando pesado demais e até perigoso. A última coisa que eu queria na vida era problema desse tipo e, pra piorar, problemas que talvez me forçassem a ter que me mudar pra outro lugar. Fiquei pensando por um bom tempo, tentando achar uma solução, mas percebi que sozinha não dava. O porteiro tinha todas as cartas na mão. Então me veio a ideia de que o único jeito era meter outro jogador na jogada pra me ajudar.
De tarde, comecei a trocar ideia com meu traficante, com quem não falava há meses. Mas resolvi tentar mesmo assim.Oi, como você tá? Me desculpa te incomodar. Não faria isso se não fosse urgente, sabe."
"Oi, gostosa. Como vai? O que rolou?"
"Odeio te encher o saco, mas preciso de ajuda e não sei a quem recorrer. Tô com um problema foda."
"Fala pra mim."
"Por favor, você pode me ajudar? Tô com muito medo. Aconteceu uma parada pesada."
"Claro, lógico, mas me conta."
"O porteiro do meu prédio ficou muito pesado... faz tempo que ele me enche o saco. Fala um monte de putaria e umas vezes já tentou me apalpar."
"Ok..."
"Hoje, quando cheguei em casa, ele entrou no elevador comigo e se jogou em cima de mim. Quando tentei me livrar dele, ele meio que me deu um tapa e gritou comigo. Queria passar a mão na minha buceta toda. Eu saí correndo do elevador e me tranquei aqui em casa."
"Filho da puta, desgraçado, vai tomar no cu!!!"
"Tô tremendo 😞"
"Fica tranquila, bebê. Fica dentro de casa e não sai. Você ainda mora aí?"
"Sim."
"Relaxa. Fica de boa. Valeu por me avisar."
"Você pode fazer alguma coisa? Por favor, te imploro... por favor... já tô com muito medo desse cara."
"Sim. Relaxa. Não sai do seu apartamento. Fica tranquila. Já era."
"Valeu. Te amo muito, obrigada."
"Não precisa agradecer. Eu que agradeço por você ter me avisado. Fica tranquila, ok? Vai dar tudo certo. Mas fica aí, não sai nem cruza com ele."
"Ok. Valeu... te amo."
"Também te amo.Nem preciso dizer que eu tava super tranquila, tomando um café gostoso com cum que eu mesma tinha feito. Que eu não tava tremendo e que, claro, tudo aquilo que falei pro meu traficante do elevador nunca tinha acontecido, mas ele não precisava saber disso. Só tinha que comprar o problema que eu tava vendendo. Fiz o que ele mandou e por dois dias não saí do apartamento, mas também não tinha motivo pra sair, não precisava de nada.
Depois de dois dias, as mensagens do porteiro pararam. Nunca mais recebi uma. E a partir daquele dia, quando eu cruzava com ele, ele nem me cumprimentava, não falava comigo, não dirigia uma palavra e até baixava a vista ou olhava pro lado pra me evitar. Na hora, não perguntei pro meu traficante o que ele tinha feito, só fiquei muito grata por ele ter resolvido o problema e falei isso pra ele. O docinho só me mandou um emoji de joinha.
Depois, com o tempo, acabei descobrindo. Ele tinha mandado duas... pessoas, vamos chamar assim, contatos locais que ele tinha aqui de Buenos Aires. Uma tarde, o porteiro tava na guarita dele no hall de entrada, eles fizeram sinal de fora pra ele abrir a porta e o otário abriu. Entraram, pegaram ele, jogaram no chão ali mesmo atrás do balcão e enfiaram um ferro na cabeça dele, gritando pra ele parar de encher o saco comigo. Que se recebessem mais uma reclamação minha... bom.
Quando a gente é boa com os outros, os outros sempre lembram.
Mas nem tudo foram desgraças e coisas misteriosas com árabes naquela época. Através de um cliente antigo meu... não velho de idade, mas que tinha sido um dos meus primeiros, entrei em contato com uma cliente que gostou de mim e tava interessada nos meus serviços. Sim, uma cliente, o que era incomum pra mim. Só posso dizer que minha cliente trabalha na televisão e na mídia, que é uma mulher muito gostosa pra idade dela e que, claro, é secretamente lésbica. Até eu, que não vejo muita TV e não tô ligada em nomes e personalidades, claro que conhecia ela. Fazia tempo. que era atriz e fazia teatro e televisão.
Adorei me encontrar com ela num café tranquilo e ouvir o que ela precisava de mim. Pessoalmente, também achei ela uma mulher lindíssima. Não era mais uma menina, de jeito nenhum, mas se mantinha tão bem e tinha um corpo lindo, bem sexy de mulher de meia-idade muito bem cuidada, quase sem nenhuma cirurgia aparente. Tinha que saber olhar bem pra notar. Adorei conversar com ela porque além disso era muito gente boa e assim que viu que eu era profissional e a gente se deu bem, ela se soltou pra contar as coisas dela e as necessidades. Ela me disse que de vez em quando pedia alguma garota pra ficar, mas era só sexo mesmo. Ela curtia, com certeza, mas queria mais. Conhecia meu cliente do meio da mídia e ele disse que eu era muito boa pra realizar as fantasias dos clientes, ela se interessou e pesquisou mais sobre mim. Foi aí que meu cliente passou meu contato, dizendo que eu era de total confiança.
Achei estranho quando na nossa longa conversa ela finalmente me contou, já que não me pareceu nada perverso ou esquisito. Muito pelo contrário. E achei estranhíssimo que nenhuma das garotas com quem ela ficou aparentemente quisesse embarcar nisso. Segundo minha cliente me contava, as garotas só queriam transar, receber e nada mais. O que é super válido. Algumas querem fazer só isso e não se interessam por outra coisa, querem trabalhar assim. É perfeitamente respeitável.
O que minha cliente queria era sentir, mesmo que fosse por uma tarde ou uma noite de cada vez, que tinha uma namorada. Uma parceira mulher. Que era mais que sexo. Mesmo que fosse por um tempinho. Ela me disse que realmente precisava disso porque, apesar da época e de como a sociedade era liberal com essas coisas, ela ainda não tinha coragem de formar um relacionamento com outra mulher. Mas queria sentir isso. Eu sorri docemente pra ela. Claro que dava pra encaixar esse pedido. Mais que isso, adorei a ideia, era algo bom pra mim. Por dois motivos. Por poder satisfazer minha cliente com algo tão fácil e Lindo e ainda me satisfazer por estar com outra mulher.
Ela me perguntou se podia ser por uma tarde, uma noite ou algumas horas. Fiquei tão tocada e com uma energia tão boa com o pedido dela que falei que podia ser um dia inteiro, se ela quisesse, pelo mesmo preço. Ela amou. E eu também amei ela. Dava pra ver como ela estava feliz.
Combinamos o dia que ela podia e ia ter completamente livre, e nesse dia cedo fui buscá-la na casa dela. Quando cheguei, nos beijamos muito e com muita ternura, eu dizendo como adorava ver ela e estar com ela, o quanto tinha sentido falta, e ela na mesma hora respondendo igual. A gente tinha sincronizado nossas ondas perfeitamente. Nem transamos ali. Sorri pra ela e falei que queria sair. Passear, tomar um café ou almoçar… qualquer coisa, mas com ela. Então saímos. Saímos pra passear, num parque, caminhar… Almoçamos juntas e conversamos pra caralho sobre nossas coisas. Continuamos andando e tomamos outro café. De vez em quando, dávamos uns beijos quando ninguém via, rindo as duas, nos perdendo nos olhos uma da outra e acariciando as mãos por baixo da mesa.
Quando voltamos pra casa dela no fim da tarde, fizemos amor. Tão doce e tão carinhoso. Nos amamos com paixão e ao mesmo tempo com ternura, como duas mulheres que se querem e precisam estar uma com a outra. Não foi nada difícil pra mim, como eu disse, minha cliente era uma mulher linda pra caralho.
Tinha um corpaço pra idade dela, com as curvas suaves e firmes, exatamente onde e como uma mulher já mais madura tem que ter. E o olhar dela e a simpatia acabavam de me matar. Na solidão do apartamento dela e finalmente na nossa intimidade, sem olhares dos outros e sem incômodos, eu curti a fantasia de que éramos um casal tanto quanto ela.
Fizemos amor lindamente, trocando doces orgasmos várias vezes e curtindo nossos corpos e nossos olhares, que mataram a gente duas. Jantamos tranquilas à noite, vimos um pouco de TV abraçadas no sofá dela, e depois fomos pra nossa cama, continuar nos amando sem ninguém atrapalhar. Sem ninguém falar nada. Sem ela ter que esconder nada.

Finalmente, a gente dormiu as duas na cama dela, ela me abraçando por trás, do jeito que eu gostava. Quando acordamos, não transamos de novo, só ficamos enrolando na cama, falando coisas doces baixinho e nos beijando abraçadas.
Com um sorriso lindo de cliente satisfeita, ela me fez o café da manhã, me pagou e a gente se despediu. Ela me perguntou se eu tava disponível pra fazer de novo outro dia e eu sorri. Claro que tava. Tinha sido incrível, finalmente dando atenção pra aquela outra parte minha que adorava sentir outra mulher. Falei que quando ela precisasse, se eu tivesse livre, eu ia adorar satisfazer ela de novo. Ela me deu um beijão enorme e muito amoroso, acariciando meu rosto suavemente e me agradecendo tantas vezes com um amor e uma ternura que me quebrou toda. Eu também vi nos olhos dela a doce satisfação de finalmente ter cuidado daquela parte dela que também estava escondida.
Uns dias depois, convidei a Laura pra jantar em casa porque fazia tempo que não a via. E, conversando sobre tudo, comentei sobre a minha cliente. Eu sabia que a Laura podia guardar segredo, já que era tão profissional quanto eu. Pensei que ela ia gostar do que a gente fez, mas não. Ela só fez uma cara estranha e me olhou por um tempo. Só disse: "Ah... não sabia que você era uma putinha... olha só.
Durante a tarde, fiquei na dúvida se devia ou não contatar o número que Ahmed tinha me deixado. Ficava com um pé atrás porque era fim de semana, mas Ahmed tinha dito que não importava. Não sabia direito o que era, quem era esse contato e no que eu estava me metendo, mas pensei que só de perguntar não ia perder nada. Então, juntando um pouco de coragem, mandei umas mensagens me apresentando, dizendo que Ahmed tinha me falado para contatar por uma oportunidade de trabalho.
Quinze minutos depois, me responderam, perguntando se podiam me ligar. Falei que sim e na hora o celular vibrou. Quando atendi, era a voz de um cara, não parecia velho, era de meia-idade. Falava espanhol, mas bem mal. Gaguejava muito e não pronunciava direito, mas mesmo assim a gente se entendeu. Ele me agradeceu por ligar e disse que Ahmed tinha me recomendado pra caramba e que ele era uma pessoa de confiança.
O cara me explicou bem por cima como era a parada. Naquela quarta-feira ia ter uma recepção diplomática num hotel em Pilar. Eu conhecia, era um hotel chiquérrimo, lindíssimo. A recepção era da delegação diplomática dos Emirados Árabes em Buenos Aires recebendo um pessoal de lá. Ia ter uma reunião pequena e um jantar, e depois iam oferecer a algumas pessoas serviços como o meu, reforçando várias vezes a necessidade de máxima discrição. Falei que não tinha problema com isso, comentei um pouco como eu trabalhava, o que pareceu não interessar muito aquele cara, e logo discutimos um par de condições e pedidos que ele tinha, ele perguntou quanto eu cobrava e eu falei.
Não pareceu se impressionar muito e seguiu a conversa na hora com outros detalhes. Perguntou se eu precisava de transporte e falei que sim, por favor, ida e volta. Também não pareceu se incomodar com isso. Aí perguntei sobre o cliente, ou os clientes, e aí sim percebi ele um pouco reticente. Basicamente me disse que era gente dos Emirados que estavam visitando e só. Que isso também entrava na máxima discrição que estavam pedindo.
Finalmente aceitei e ele me disse pra indicar onde mandar o carro e que eu estivesse pronta às 20h da quarta-feira, e que fosse pontual sem exceção. Desliguei com o cara e passei meu endereço pelo WhatsApp.
Fiquei pensando e era tudo meio estranho e bem misterioso. Não sei se misterioso era realmente a palavra... incomum talvez seja um termo melhor. Incomum demais. Muitas coisas vagas, sem muito detalhe. Não era o círculo onde eu já tinha aprendido a me movimentar, nem os jeitos que eu conhecia de trabalhar. Era diferente. Me pareceu muito seco e super profissional tudo. Bem frio, sem o toque pessoal que eu tinha com todos os meus clientes. Isso era outra coisa. Outro nível. Uma vibe completamente diferente. Por um momento, só por um momento, me deu um pouco de medo e pensei em mandar mensagem pra ele na mesma hora, pedindo desculpas mas cancelando. Mas aí lembrei do que a Laura me dizia, que uma vez que eu falava sim, tinha que cumprir. Que os clientes sempre lembram disso.
Fiz um café com leite e liguei pra Laura pra contar. Ela disse que também não tinha ideia disso, que nunca realmente tinha ouvido falar de algo assim, mas que soava bem como gente daquele nível se movia e operava. Que não achava que eu estivesse em perigo nem nada, até porque fui recomendada por outro cliente. Amigo, por sua vez, de um cliente repetidor meu, de confiança. Ela disse pra eu não ter medo e ir, que podia ser uma boa oportunidade de trabalho. Pela grana, claro, mas também pra botar um pezinho naquela porta e ficar em contato. Se eu trabalhasse bem... quem sabe.
Perguntei pra Laura como ela achava que eu devia me vestir, já que o cara não tinha me falado nada sobre isso. Não sabia se ia bem, bem de putinha fatal ou Elegante pra ocasião. A Laura me disse sem hesitar que era pra ir elegante. Que a ocasião ia ser assim e que ela não queria que eu destoasse. Que se os clientes quisessem uma menininha, eu podia ser menininha numa boa, mas já no quarto, a sós.
Decidi me preparar bem pra quarta-feira e mudar bastante o visual, deixando de lado o de menininha e testando várias coisas com maquiagem e cabelo pra parecer um pouco mais velha. Ou pelo menos, parecer da minha idade. No fim, depois de muito tentativa e erro, cheguei a algo que gostei no rosto e no cabelo. Resolvi testar como ficava combinado com uns vestidinhos elegantes que eu tinha guardados, pra ocasiões como essa que precisavam. Experimentei vários, mas no final, como sempre, a gente nunca erra com um vestidinho preto simples, lindo e sexy.
Me olhei no espelho e sorri. Ajustei mais uns detalhes e tirei uma foto sozinha, pra mim, de como eu tinha ficado linda e diferente. Dava pra ver que eu parecia um pouco mais velha, mais séria. A menininha tinha ficado pra trás e estaria disponível se pedissem. Aqui já tinha uma mulher, igualmente gostosa.
Quando o dia chegou, eu tava muito ansiosa. Não era nervoso, tava calma, mas morrendo de vontade que a noite finalmente começasse e eu pudesse ir vendo como tudo ia se desenrolar. Como sempre, jantei algo cedo, bem antes do horário marcado, pra estar alimentada e pronta. Também, por via das dúvidas, tinha tomado mais de meio litro de água durante a tarde, pra estar hidratada e bem. Tava pronta, mas ainda tava retocando detalhes da minha roupa e do cabelo quando ouvi a campainha tocar, uns dois minutos antes do horário. Quando desci, tinha um carro preto bonito, com vidros escuros, me esperando na porta do meu prédio, e um motorista de terno, também com cara de árabe, que abriu a porta de trás pra mim. Cumprimentei ele e ele sorriu educadamente sem dizer nada, me fazendo entrar e depois assumindo o volante pra dirigir. Durante o trajeto, ele não falou comigo e eu também não falei com ele. Ele tava bem focado em dirigir e olhando o GPS o tempo todo, e eu também me distraía com o celular.Quando finalmente chegamos no hotel, ele parou na porta e um rapaz do hotel abriu a porta pra mim, me ajudando a sair. Vi que o carro foi embora na hora. Perguntei ao rapaz onde era a recepção diplomática e ele me indicou. Caminhando até o lugar, cruzei com um cara que me parou, ele tava muito bem vestido e também tinha cara de alguém do Oriente Médio. Quando ele falou e me cumprimentou, reconheci a voz e o espanhol que ele falava com dificuldade. Era o cara com quem eu tinha falado no telefone. Ele me disse pra ir pra parte dos fundos do hotel, onde tinha outro lobby e um bar que dava pros jardins. Se eu quisesse, podia pegar algo pra beber e esperar, que se precisassem de mim em algum momento, alguém ia me dar mais instruções.
Fiz o que ele disse e fui pra parte dos fundos, que parecia ser um lobby reservado pra ocasião. Quando cheguei e vi tudo, aí sim fiquei nervosa. Mas nervosa de verdade. Aqueles mesmos nervos e desespero interior que eu tinha sentido naquela primeira vez, caminhando... por Santa Fé com o Michael. Só que lá não tinha o doce do Michael pra me acalmar. Tinha dois caras de terno na entrada do lobby, que soltaram uma corda e me deixaram passar, sem falar uma palavra. E quando entrei no lobby…
Engoli seco. Tava cheio de outras minas. Também trabalhando. Todas elegantérrimas. Todas mais velhas que eu. Meus olhos naturalmente foram pra um par que eu vi, que não posso nomear porque são muito famosas. Tinha uns poucos caras conversando com elas, quase todos bebendo alguma coisa, batendo papo em grupinhos. Também tinha várias minas sozinhas, sentadas ou mexendo no celular. Juntando coragem, andei devagarinho até um sofá que tinha perto e sentei sozinha, timidamente tentando não chamar a atenção de ninguém.
Isso tava muito, mas muito acima do meu nível e da minha zona de conforto. Demais.
É difícil explicar o que eu sentia naquele ambiente e o nervosismo que me pegou. Eu me sentia… tipo o jogador de futebol, o moleque que a vida inteira jogou nas categorias de base do clube, e de repente chamam ele pra jogar no time principal. Sem preparo. E de repente ele entra em campo e sente os gritos da torcida toda. Esse tipo de sensação, esse tipo de nervoso, de querer cuidar cada gesto e cada movimento. De não querer fazer ou parecer nada errado. As outras minas eu via na delas ou diretamente desinteressadas de tudo. Conversando tranquilas, bebendo drinks e passando o tempo no celular. Eu pensei que tava elegante. Comigo sentada ali e sem nem chegar perto, elas me mostraram o que era elegante e relaxada de verdade. Profissional de verdade. E não tinha nada, mas nada a ver com a roupa. Senti uma vontade enorme de fazer xixi.
Na hora um garçom do hotel se aproximou pra perguntar se eu queria alguma bebida. Pedi uma Sprite e ele trouxe de novo num copo, em tempo recorde. Fiquei ali olhando timidamente pra tudo e pra todas, por dentro gritando pra ninguém perceber que eu existia e estava Aí. Pra que nenhuma chegasse perto de mim pra falar. Claro que nenhuma fez isso. Tinha umas dez ou doze minas ali, mas nenhuma chegou perto. Nenhum dos caras também. Tentei me acalmar o máximo possível e observar tudo. Como elas se moviam, como interagiam com os caras, prestando atenção pra pescar alguma coisa de alguma conversa. Escutava conversas em inglês, uma em francês e, entre os caras, eles falando no que com certeza era árabe.
De tanto observar, vi como se viravam e como ia ser a noite. De vez em quando aparecia um cara que devia ser da delegação ou algo assim, procurava a mina certa, falava alguma coisa e mostrava um papelzinho com algo anotado. Não entregava, guardava. A mina juntava as coisas, ou se despedia se tava falando com outra, e sumia por um dos elevadores. Enquanto eu esperava, mais umas minas chegaram no lobby, junto com mais alguns caras. Deviam ter chegado depois de mim. Totalmente tranquilas e na delas, sentavam no bar e pediam alguma coisa, ou começavam a conversar com alguém. Eu continuava sozinha no meu sofá, morrendo de medo até de cruzar o olhar com alguma.
Mas ninguém parecia se importar que eu tava ali. O tempo foi passando, foram chamando e indicando outras minas, e elas sumiam pra cima. Ninguém vinha me buscar. Me acalmei um pouco depois de mais de uma hora e levantei, fui no banheiro e voltei pro lobby. Dessa vez fiquei de pé, fui até a janela e fiquei olhando os jardins, mesmo sendo noite tavam bem iluminados. Mas ninguém vinha me buscar. Tinha passado aquela hora e depois passou mais uma hora. E nada. Eu continuava ali, já quase não tinha minas e caras no lobby. Sentei de novo e logo senti um aperto no estômago quando vi o cara que vinha buscar as minas andando na minha direção, finalmente.
Levantei do sofá quando ele chegou perto. Nem me cumprimentou. Num espanhol bem enrolado, me mostrou o papel. Só tinha um número anotado. Ele mandou eu subir no elevador e ir praquele quarto. Disse que quando terminasse, iam me pagar. Falou isso, virou as costas e voltou por onde veio. Peguei minha bolsinha e, meio nervosa, fui pros elevadores, subindo e sumindo também, igual todas as outras tinham feito.
Quando cheguei no andar, saí do elevador e fui procurar o número. O corredor era bem comprido e vi uns caras de terno, fácil uns cinco ou seis, parados de boa e em silêncio perto das portas de alguns quartos. Quando cheguei no quarto que tinham me indicado, feito uma idiota, sorri e dei um oi pro segurança. Ele nem se mexeu, nem me cumprimentou. Só bateu na porta, esperou uns segundos e abriu pra me fazer entrar, fechando ela atrás de mim.
Quando entrei no quarto, que era bem chique, um cara também com toda cara de ser da delegação me recebeu. Me cumprimentou e falava um inglês muito bom, sorrindo e me admirando de cima a baixo. E infelizmente é até aí que posso contar do que rolou naquele quarto, por motivos que vão entender mais pra frente.
Se posso dizer que umas três horas e meia depois, saí do quarto e fui pra outro que aquele cara tinha me indicado, no mesmo andar. Nesse não tinha segurança. Bati, e me mandaram entrar. Lá dentro tinha dois caras da delegação que cuidaram do meu pagamento. Também me fizeram assinar um documento que ficou com eles. Os dois me cumprimentaram super educadamente com dois apertos de mão e falaram que eu podia ir, era só esperar o carro que ia me levar na porta do hotel.
O carro me deixou tarde em casa, já era quase cinco horas. Tomei um banho e tirei a roupa de trabalho. Me joguei na cama e fiquei lá. Olhando pro teto. E pensando. No fim, dormi. Não tinha ideia nem noção, naquele momento, do quanto aquela noite ia mudar minha vida.
Claro que no dia seguinte minha vida continuou normal como sempre. E Infelizmente, virou tão normal de repente que tive outro encontro tenso com o porteiro do meu prédio. Ele me mandava mensagens pra eu ir atender ele lá em cima, e eu nem respondia. Simplesmente não queria. Já tava de saco cheio daquele cara e do que ele tava me forçando a fazer com a chantagem dele. A coisa piorou porque ele deve ter se excitado e veio tocar a campainha diretamente, fingindo raiva porque eu não quis subir. Não fez escândalo com medo de alguém dos outros apartamentos ouvir, mas ficou insistindo que queria entrar na minha casa. Eu recusei. Falei que hoje não tava a fim de atender ele, que outro dia sim, mas que hoje não me enchesse o saco. Ele não gostou e, baixinho, me ameaçou, dizendo que se eu continuasse bancando a sonsa, ia falar sobre o meu trampo com o condomínio e contar pra todo mundo no grupo de vizinhos do prédio. Com um sorriso debochado, virou as costas e foi embora, me deixando engolindo seco de raiva.
Não sabia como resolver a parada desse cara, já que ele tava ficando pesado demais e até perigoso. A última coisa que eu queria na vida era problema desse tipo e, pra piorar, problemas que talvez me forçassem a ter que me mudar pra outro lugar. Fiquei pensando por um bom tempo, tentando achar uma solução, mas percebi que sozinha não dava. O porteiro tinha todas as cartas na mão. Então me veio a ideia de que o único jeito era meter outro jogador na jogada pra me ajudar.
De tarde, comecei a trocar ideia com meu traficante, com quem não falava há meses. Mas resolvi tentar mesmo assim.Oi, como você tá? Me desculpa te incomodar. Não faria isso se não fosse urgente, sabe."
"Oi, gostosa. Como vai? O que rolou?"
"Odeio te encher o saco, mas preciso de ajuda e não sei a quem recorrer. Tô com um problema foda."
"Fala pra mim."
"Por favor, você pode me ajudar? Tô com muito medo. Aconteceu uma parada pesada."
"Claro, lógico, mas me conta."
"O porteiro do meu prédio ficou muito pesado... faz tempo que ele me enche o saco. Fala um monte de putaria e umas vezes já tentou me apalpar."
"Ok..."
"Hoje, quando cheguei em casa, ele entrou no elevador comigo e se jogou em cima de mim. Quando tentei me livrar dele, ele meio que me deu um tapa e gritou comigo. Queria passar a mão na minha buceta toda. Eu saí correndo do elevador e me tranquei aqui em casa."
"Filho da puta, desgraçado, vai tomar no cu!!!"
"Tô tremendo 😞"
"Fica tranquila, bebê. Fica dentro de casa e não sai. Você ainda mora aí?"
"Sim."
"Relaxa. Fica de boa. Valeu por me avisar."
"Você pode fazer alguma coisa? Por favor, te imploro... por favor... já tô com muito medo desse cara."
"Sim. Relaxa. Não sai do seu apartamento. Fica tranquila. Já era."
"Valeu. Te amo muito, obrigada."
"Não precisa agradecer. Eu que agradeço por você ter me avisado. Fica tranquila, ok? Vai dar tudo certo. Mas fica aí, não sai nem cruza com ele."
"Ok. Valeu... te amo."
"Também te amo.Nem preciso dizer que eu tava super tranquila, tomando um café gostoso com cum que eu mesma tinha feito. Que eu não tava tremendo e que, claro, tudo aquilo que falei pro meu traficante do elevador nunca tinha acontecido, mas ele não precisava saber disso. Só tinha que comprar o problema que eu tava vendendo. Fiz o que ele mandou e por dois dias não saí do apartamento, mas também não tinha motivo pra sair, não precisava de nada.
Depois de dois dias, as mensagens do porteiro pararam. Nunca mais recebi uma. E a partir daquele dia, quando eu cruzava com ele, ele nem me cumprimentava, não falava comigo, não dirigia uma palavra e até baixava a vista ou olhava pro lado pra me evitar. Na hora, não perguntei pro meu traficante o que ele tinha feito, só fiquei muito grata por ele ter resolvido o problema e falei isso pra ele. O docinho só me mandou um emoji de joinha.
Depois, com o tempo, acabei descobrindo. Ele tinha mandado duas... pessoas, vamos chamar assim, contatos locais que ele tinha aqui de Buenos Aires. Uma tarde, o porteiro tava na guarita dele no hall de entrada, eles fizeram sinal de fora pra ele abrir a porta e o otário abriu. Entraram, pegaram ele, jogaram no chão ali mesmo atrás do balcão e enfiaram um ferro na cabeça dele, gritando pra ele parar de encher o saco comigo. Que se recebessem mais uma reclamação minha... bom.
Quando a gente é boa com os outros, os outros sempre lembram.
Mas nem tudo foram desgraças e coisas misteriosas com árabes naquela época. Através de um cliente antigo meu... não velho de idade, mas que tinha sido um dos meus primeiros, entrei em contato com uma cliente que gostou de mim e tava interessada nos meus serviços. Sim, uma cliente, o que era incomum pra mim. Só posso dizer que minha cliente trabalha na televisão e na mídia, que é uma mulher muito gostosa pra idade dela e que, claro, é secretamente lésbica. Até eu, que não vejo muita TV e não tô ligada em nomes e personalidades, claro que conhecia ela. Fazia tempo. que era atriz e fazia teatro e televisão.
Adorei me encontrar com ela num café tranquilo e ouvir o que ela precisava de mim. Pessoalmente, também achei ela uma mulher lindíssima. Não era mais uma menina, de jeito nenhum, mas se mantinha tão bem e tinha um corpo lindo, bem sexy de mulher de meia-idade muito bem cuidada, quase sem nenhuma cirurgia aparente. Tinha que saber olhar bem pra notar. Adorei conversar com ela porque além disso era muito gente boa e assim que viu que eu era profissional e a gente se deu bem, ela se soltou pra contar as coisas dela e as necessidades. Ela me disse que de vez em quando pedia alguma garota pra ficar, mas era só sexo mesmo. Ela curtia, com certeza, mas queria mais. Conhecia meu cliente do meio da mídia e ele disse que eu era muito boa pra realizar as fantasias dos clientes, ela se interessou e pesquisou mais sobre mim. Foi aí que meu cliente passou meu contato, dizendo que eu era de total confiança.
Achei estranho quando na nossa longa conversa ela finalmente me contou, já que não me pareceu nada perverso ou esquisito. Muito pelo contrário. E achei estranhíssimo que nenhuma das garotas com quem ela ficou aparentemente quisesse embarcar nisso. Segundo minha cliente me contava, as garotas só queriam transar, receber e nada mais. O que é super válido. Algumas querem fazer só isso e não se interessam por outra coisa, querem trabalhar assim. É perfeitamente respeitável.
O que minha cliente queria era sentir, mesmo que fosse por uma tarde ou uma noite de cada vez, que tinha uma namorada. Uma parceira mulher. Que era mais que sexo. Mesmo que fosse por um tempinho. Ela me disse que realmente precisava disso porque, apesar da época e de como a sociedade era liberal com essas coisas, ela ainda não tinha coragem de formar um relacionamento com outra mulher. Mas queria sentir isso. Eu sorri docemente pra ela. Claro que dava pra encaixar esse pedido. Mais que isso, adorei a ideia, era algo bom pra mim. Por dois motivos. Por poder satisfazer minha cliente com algo tão fácil e Lindo e ainda me satisfazer por estar com outra mulher.
Ela me perguntou se podia ser por uma tarde, uma noite ou algumas horas. Fiquei tão tocada e com uma energia tão boa com o pedido dela que falei que podia ser um dia inteiro, se ela quisesse, pelo mesmo preço. Ela amou. E eu também amei ela. Dava pra ver como ela estava feliz.
Combinamos o dia que ela podia e ia ter completamente livre, e nesse dia cedo fui buscá-la na casa dela. Quando cheguei, nos beijamos muito e com muita ternura, eu dizendo como adorava ver ela e estar com ela, o quanto tinha sentido falta, e ela na mesma hora respondendo igual. A gente tinha sincronizado nossas ondas perfeitamente. Nem transamos ali. Sorri pra ela e falei que queria sair. Passear, tomar um café ou almoçar… qualquer coisa, mas com ela. Então saímos. Saímos pra passear, num parque, caminhar… Almoçamos juntas e conversamos pra caralho sobre nossas coisas. Continuamos andando e tomamos outro café. De vez em quando, dávamos uns beijos quando ninguém via, rindo as duas, nos perdendo nos olhos uma da outra e acariciando as mãos por baixo da mesa.
Quando voltamos pra casa dela no fim da tarde, fizemos amor. Tão doce e tão carinhoso. Nos amamos com paixão e ao mesmo tempo com ternura, como duas mulheres que se querem e precisam estar uma com a outra. Não foi nada difícil pra mim, como eu disse, minha cliente era uma mulher linda pra caralho.
Tinha um corpaço pra idade dela, com as curvas suaves e firmes, exatamente onde e como uma mulher já mais madura tem que ter. E o olhar dela e a simpatia acabavam de me matar. Na solidão do apartamento dela e finalmente na nossa intimidade, sem olhares dos outros e sem incômodos, eu curti a fantasia de que éramos um casal tanto quanto ela.
Fizemos amor lindamente, trocando doces orgasmos várias vezes e curtindo nossos corpos e nossos olhares, que mataram a gente duas. Jantamos tranquilas à noite, vimos um pouco de TV abraçadas no sofá dela, e depois fomos pra nossa cama, continuar nos amando sem ninguém atrapalhar. Sem ninguém falar nada. Sem ela ter que esconder nada.

Finalmente, a gente dormiu as duas na cama dela, ela me abraçando por trás, do jeito que eu gostava. Quando acordamos, não transamos de novo, só ficamos enrolando na cama, falando coisas doces baixinho e nos beijando abraçadas.Com um sorriso lindo de cliente satisfeita, ela me fez o café da manhã, me pagou e a gente se despediu. Ela me perguntou se eu tava disponível pra fazer de novo outro dia e eu sorri. Claro que tava. Tinha sido incrível, finalmente dando atenção pra aquela outra parte minha que adorava sentir outra mulher. Falei que quando ela precisasse, se eu tivesse livre, eu ia adorar satisfazer ela de novo. Ela me deu um beijão enorme e muito amoroso, acariciando meu rosto suavemente e me agradecendo tantas vezes com um amor e uma ternura que me quebrou toda. Eu também vi nos olhos dela a doce satisfação de finalmente ter cuidado daquela parte dela que também estava escondida.
Uns dias depois, convidei a Laura pra jantar em casa porque fazia tempo que não a via. E, conversando sobre tudo, comentei sobre a minha cliente. Eu sabia que a Laura podia guardar segredo, já que era tão profissional quanto eu. Pensei que ela ia gostar do que a gente fez, mas não. Ela só fez uma cara estranha e me olhou por um tempo. Só disse: "Ah... não sabia que você era uma putinha... olha só.
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