Frambu e seu coquetel de vida

No capítulo anterior, chegamos ao Uruguai com meu pai, jantamos juntos e eu dormi no sofá admirando a paisagem da janela da minha sacada no hotel. No dia seguinte, acordei na minha cama e pensei: o que aconteceu? Como vim parar aqui? E ouço baterem na porta. — Fran? — Sim, pai... pode entrar... — Bom dia, love. — Bom dia, pai... — Ele me deu um beijo na bochecha e me acariciou. — Foi você que me colocou na cama? — Sim, love... você tinha dormido naquele sofá e preferi te levar pra cama pra dormir confortável... dormiu bem? — Siiim, papai... e você? — Sim, sim... linda. — Pai... posso te perguntar uma coisa? — Sim, love... pergunta. — Tomara que você não fique bravo, mas ontem à noite, quando você se levantou pra se servir, eu olhei seu celular pra ver as fotos que você tinha tirado de mim e me chamou a atenção: por que você tirou tantas fotos? — É que te ver ali, naquele momento, você parecia a cara da sua mãe. Você tem o mesmo sorriso dela, o cabelo lindo e aquela personalidade que te faz igual a ela... igual, igualzinha. — Ahhh... pensei que fosse por outra coisa. — Não, não, love... sou seu pai e me surpreende te ver tão gostosa, tão crescida e tão parceira comigo! Mas me desculpa se tirei tantas fotos. — Não, pai... sem problemas! — Tá bom, love... vamos descer pra tomar café? — Sim, sim, papai... vamos! Nós trocamos de roupa e descemos com meu pai. Tomamos um café da manhã continental com café, torradas e croissants, suco de laranja e até tinha geleias variadas. Quando voltamos pro quarto, ele me diz: — Vou me barbear e trocar porque às 10 temos nossa primeira reunião! Você precisa tomar banho? — Não, acho que não... só vou me trocar, escovar bem o cabelo, os dentes e acho que com isso já tá bom. — Tá bom... love. Ele foi pro banheiro, enquanto eu me trocava e fui ver no meu notebook se tinha mensagens das minhas amigas ou do Blas. Me surpreendi ao ter na minha rede social uma mensagem da minha mãe, abri e, enquanto lia, meu coração parecia que ia sair do peito: "Oi Fran, como você tá? Tomara que a você está passando muito bem, assim que voltarem, você e eu temos que conversar. Sua amiga Natali veio ontem e me disse que todo mundo estava preocupado com você, quando perguntei quem, ela falou que suas amigas e especialmente o namorado dela, parece que pelo olhar dele, achava que eu sabia de quem ela tava falando, você não me contou que tá se encontrando com alguém e também tão chegando mensagens no seu celular, mas a gente não consegue ver de quem é e também não consegue desligar, porque é um tsunami o dia inteiro de mensagens chegando! Por favor, não vou olhar suas mensagens, mas... você pode me dizer como silenciar isso? Dá um beijão no seu pai e a gente se fala" Na minha cabeça passou que ela ia falar alguma coisa sobre as mensagens com o Barti. A parada de um suposto cara na minha vida seria mais fácil de lidar do que as mensagens que eu tinha com o ex dela e eu escrevi: "Oi mãe. Aqui tudo bem, ontem jantamos muito bem com o pai, ele tomou vinho e eu tomei um refrigerante. Hoje tomamos café e já estamos nos preparando pra ir pra reunião que vamos ter. Sobre o Blas, é um cara que conheci faz pouco tempo, não é nada sério, por isso não te contei. Meu celular desbloqueia com os meus últimos seis dígitos da minha data de nascimento. Não dá pro Guille. Não quero que ele mexa nem veja meu celular! Mando muitos beijos e tô com muita saudade, mãe!" Meu pai saiu do banheiro, já barbeado e com um pouco de gel no cabelo, enquanto terminava de arrumar o cabelo com o pente pequeno que ele tinha -Já tô quase pronto, filha... e você, como cê tá? -Pai... tava escrevendo pra mãe que me mandou uma mensagem na minha rede social perguntando como ela podia desligar ou silenciar meu celular porque tô recebendo muitas mensagens das minhas amigas e outras pessoas que têm meu contato... -Mas você, love, sempre, mas sempre tem que tomar cuidado com gente nova que queira te adicionar ou pedir amizade. Porque uma vez sua mãe me falou que você tem uma rede social e ela tava e ainda continua muito puta, embora nesse caso eu não ache ruim que a ter, mas tem que tomar cuidado, viu... porque principalmente com os amigos das suas amigas ou amigos dos seus colegas, porque você, filha, eu sei que é uma menina muito boa e nunca se deixaria fazerem mal a você, não gosto de me meter na sua vida pessoal, mas o mundo em que a gente vive é uma merda, tem gente de bosta que quer se aproveitar de meninas como você, minha princesa, minha filha que em breve vai ser toda uma mulher! -Obrigada, pai... você é o homem mais importante junto com os avós... -Eu sei que você vai ter homens na sua vida que vão te amar ou vão dizer que te amam, mas não esquece disso, meu amor. Eu vou estar sempre, mas sempre pra você e o papai vai te amar pra sempre e vai te ver como aquela menina que você era muitos anos atrás, que só queria estar segura nos meus braços e me pedir mil e uma coisas... Eu estava tão emocionada que até levantei o olhar e vi ele enxugando as lágrimas... não podia acreditar: meu pai estava chorando, emocionado falando comigo do fundo do coração dele -Me perdoa, filha. Vamos?? -Sim... sim... Dessa vez, fui prendendo o cabelo com uns prendedores enquanto ia pro elevador. Meu pai fechou bem a porta do nosso quarto e guardou a chave no bolso e esperamos pacientemente o elevador, enquanto ele segurava umas pastas e ouvimos o celular dele tocar -Olha, amor... você pode segurar isso pra mim, por favor? -Claro, pai... me dá que eu levo pra você- ele atendeu -Alô? Ah sim, sim, sim... ah tá bom... tá bom... sim, sim, em alguns minutos a gente chega aí. Tô indo com minha filha e também levo os contratos e convênios pra vocês darem uma olhada... tá certo. Perfeito. Um abraço- Desligou e olhou pra mim e sorriu. Descemos no elevador e ficamos no hall de entrada enquanto ele esperava uma ligação e me disse: -Olha, gostosa... você colocou um prendedor torto, deixa eu arrumar? -Sim, pai... - eu joguei a cabeça bem pra trás pra ele poder arrumar sem problemas -Agora sim ficou muito bom! Saímos de lá e veio um carro todo preto nos buscar E muito grande, e lá dentro vi a cara conhecida do homem de ontem à noite que me confundiu com minha mãe, e ele vinha junto com outros dois homens e um garoto bem jovem, mais ou menos da minha idade. A gente cumprimentou todo mundo meio por cima, e quando chegamos no escritório de um deles, aí sim cumprimentamos bem melhor. Estavam Marcelo, Ricardo, Osvaldo, e o jovem se apresentou bem docemente como Ezequiel, filho do Ricardo. Eu e o Ezequiel ficamos na área dos sofás, e os outros foram pra sala de reunião que era perto de onde a gente tava. Ezequiel: — Oi, gostosa! Qual é o seu nome? Eu: — Oi, Ezequiel, me chamo Francesca. É um prazer... Eze: — O prazer é meu, você é daqui? Eu: — Não, não, sou da Argentina, vim com meu pai pra essas reuniões e de quebra pra conhecer e passear. Eze: — Ahhh, seu pai é o famoso Martin? Eu: — O que faz meu pai ser tão famoso aqui? Eze: — Não saberia te dizer, gostosa, mas aqui em todas as reuniões que meu velho me leva, ele sempre fala de um tal Martin, e acho que é o seu pai! Eu: — Fico lisonjeada que meu pai seja tão respeitado aqui no Uruguai. Eze: — Quantos anos você tem, gostosa? Eu: — Eu tenho 17, daqui a pouco faço 18. E você? Eze: — Eu tenho 22, tô cursando administração de empresas na universidade pra poder ajudar meu velho nessa parada toda, porque esse trampo é bem complexo e eu tenho que prestar atenção em tudo que ele faz... Eu: — Ahhh, que legal... Eze: — E você tá namorando ou tá sozinha? Eu: — Conheci um cara legal faz pouco tempo, ele é bem doce e a gente conversou bastante. E você? Eze: — Fico lisonjeado que você me veja assim, linda — eu sorri — mas não, tô solteiro, não tenho nada com ninguém ainda, mas é difícil eu me apaixonar porque vivo ocupado com minhas atividades e ajudando meu velho. Eu: — Você é um jovem empresário! Eze: — Você também vai ser em breve, gostosa! Vou adorar trabalhar com você, gostosa! Ele se aproximou de mim e me ofereceu um café que tinha numa mesinha tipo centro, junto com um monte de coisinhas tipo biscoitinhos e mini cookies. Eu: Valeu, você é muito atencioso.
Eze: — É que nesse ramo de negócio, o café é essencial, assim como o mate pra nós uruguaios...
Eu: — Pra nós também é, eu tomo mate com minhas amigas e às vezes com minha mãe, porque meu pai não curte muito mate.
Eze: — Ahhh... e você tem irmãos?
Eu: — Sim, sim... tenho só uma irmã, mas ela ficou em casa com minha mãe. E você?
Eze: — Tenho dois irmãos, um mais velho que eu e a outra, a caçula: uma mimada do caralho. Meu irmão tem 26 e tá no Brasil morando há uns anos, e agora sobrou eu com ela e meus velhos! Tô doido pra me virar e viajar pra outro país... você mora aí com seus pais?
Eu: — Sim, sim... adoraria já ter meu canto, minha casa ou apartamento, porque não aguento mais minha irmã, ela é muito chata pra caralho, e além disso quero minha solidão e espaço pra levar minhas amigas ou, se um dia eu tiver namorado.
Eze: — Já te falei, não vou pra Argentina, não insiste, por favor — a gente riu junto —. A verdade é que você é muito legal, gosto de estar com você e conversar.
Eu sentei no sofá e ele puxou um pufe redondo pra perto de mim, e eu sorri tímida. Ele tentou olhar nos meus olhos, se aproximou mais, acariciou minha bochecha, me olhou nos olhos e tentou me tocar.
Eu: — Me desculpa, Ezequiel, mas eu tenho um possível namorado lá na Argentina e não seria capaz de fazer merda nenhuma.
Eze: — Desculpa, Fran, é que é a primeira vez que uma mina me atrai tanto desde o primeiro minuto que conheci. Não quero que a gente perca uma possível amizade e talvez no futuro a gente possa ser algo mais, vou esperar você.
A gente terminou de tomar o café e ouviu a porta abrir. O pai do Ezequiel apareceu.
Ricardo: — Eze, pede pra mocinha as pastas que eles trouxeram? Dá uma olhada e depois traz pra mim assinar.
Ezequiel: — Sim, pai!
Ricardo fechou a porta, eu levantei pra entregar as pastas, ele se levantou e foi sentar num sofá mais confortável. Tava por perto e ele fala, imitando a voz de um senhor mais velho:
— Então, senhorita, pode me dar as pastas que a senhora trouxe?
Eu: — Claro, cavalheiro... aqui estão as pastas e os convênios da empresa que eu administro, e acho que não tem nada fora do lugar, mas o senhor decide, senhor!
E nós dois rimos. Ezequiel apoiou o pé sobre a outra perna e examinava as pastas com atenção, lia em silêncio e folheava devagar. Eu estava do lado dele, olhando, esperando a aprovação de que estava tudo certo.
Ezequiel: — Sinceramente, senhorita, estou muito surpreso. Sua empresa atende a tudo que exigimos para podermos operar com ela... então, parabéns! Seremos sócios de agora em diante! — Fechou a pasta e estendeu a mão.
Eu olhei surpresa, porque era exatamente como meu pai sempre descrevia que seria uma reunião, com acordos, assinaturas de convênios e o modo de operação, mas, para ser a primeira vez sozinha com uma pessoa desconhecida falando sobre papéis, contratos e convênios, me senti muito bem e muito à vontade.
Eu: — Sinceramente, o prazer é meu, e será um prazer trabalhar com vocês.
Ezequiel se levantou e estendeu a mão, mas pegou a minha suavemente e deu um beijo. Isso me deixou completamente corada e eu baixei o olhar.
Ezequiel: — Senhorita, não seja tímida! É só um beijo, um gesto nobre para a senhora.
Eu: — É que é a primeira reunião formal que tenho.
Ezequiel: — E virão muitas outras reuniões. Tomara que haja muito mais convênios, negócios e acordos com a senhora e sua empresa, senhorita! Porque gosto do seu jeito e da sua seriedade no trabalho. — Eu sorri de novo, timidamente.
— Olhe, senhorita, se continuar sorrindo desse jeito, vou ter que aplicar uma pequena correção num futuro contrato que tivermos.
Eu: — O que precisamos mudar ou melhorar nele?
E Ezequiel se aproximou de mim, acariciou devagar meu braço, levantou levemente meu queixo e me olhou com seus olhos cor de mel, e sorriu.
Eu não tinha reparado antes... Esse olhar e a cor daqueles olhos pareciam muito mais chamativos do que o olho verde que eu já tinha visto em algum colega. Quando menos esperava, o Ezequiel estava colado no meu corpo, o braço dele rodeando minhas costas e com uma mão acariciando minhas bochechas, afastando devagar os fios de cabelo que caíam no meu rosto. Ezequiel: — A gente podia jantar a sós pra fechar um trato. A senhorita precisa dar uma olhada e me dar o OK pra gente começar o quanto antes. Porque tô muito interessado nisso. Eu: — Desculpa, mas acho melhor a gente falar disso outro dia. Como já te falei, eu tenho um relacionamento... um possível relacionamento com alguém já... no meu país... e... não... não é legal discutir isso agora. Eze: — Mas senhorita, a senhora sabe das minhas intenções. Eu faria qualquer coisa por você, te cortejaria onde precisasse, cuidaria de você durante sua estadia e mostraria lugares lindos do meu país. Só precisa me dar o OK e assinar meu novo contrato. Deixa eu te dar meu cartão pessoal. Se mudar de ideia, pode me mandar uma mensagem e me dar um possível sim pro meu pedido. Ele levou a mão até o bolso do paletó, eu aproveitei pra me afastar dele. Ele me deu o cartão, junto com um bombom que tinha lá. — Não leva a mal, mas a verdade é que só quero te cortejar, te mimar e cuidar de você durante sua estadia. Tem muito homem sem noção por aí, e eu vou ser seu segurança, seu motorista e seu guia turístico, tudo num só. Eu: — Obrigada, você é muito gentil! — O Marcelo chegou rindo e perguntou: Marcelo: — Fala, juventude! Eze: — Beleza, Marcelo? Eu: — Oi... o que você tava precisando? Marcelo: — As pastas que trouxeram com seu pai — apontando pra mim — pra entregar pro seu pai — apontou pro Ezequiel. Eze: — Tão comigo aqui. Fala pro meu pai que tá tudo certo, já conferi tudo e tá tudo beleza. E fala pros nossos pais que vou levar essa gatinha pra dar uma volta aqui perto. Marce: — Tá bem... tentem não ir muito longe
Eze: — Relaxa, é aqui perto...
Marce: — OK, se cuidem

E o Ezequiel me pegou pela cintura e fomos caminhando até a saída, e eu vi a vista da manhã, totalmente diferente da que tinha visto com meu pai na noite anterior

Eu: — Nossa, esse lugar é incrível, cada vez gosto mais!
Ezequiel: — É que Punta é um dos lugares mais tops e mais escolhidos por turistas internacionais e pelos próprios daqui. Vou te levar a um lugar emblemático de Punta, que são as famosas mãos, e de lá tem um restaurante lindo com comidas variadas

Seguimos caminhando e cada vez fazia mais calor, eu ia me abanando com as mãos. Passamos por uma barraca de chapéus, bonés e roupas mais leves, e parei pra olhar. Ele disse:
Eze: — Escolhe algo pra você e depois a gente acerta
Eu: — Não, não... não fica bem pra mim
Eze: — Pelo amor de Deus, Fran... experimenta essa capeline... uauuuu ficou maravilhosa em você... se olha!

Me olhei no espelho que tinha lá e amei. O Ezequiel pagou e seguimos caminhando. Paramos numa descida, ele desceu e, com o celular, tirou uma foto minha. Eu sorri e apoiei a mão no corrimão, e ele tirou outra foto.

Nós dois sorrimos e continuamos descendo até a praia. Ele tirou os sapatos e as meias e começou a andar descalço. Me pegou pela mão e eu me senti no paraíso.

Fomos até a área das mãos e ele tirou várias fotos minhas posando. Num momento, ele disse:
— Vamos tirar uma selfie!

Eu sorri, ele encostou minha cabeça na dele e sorriu. Depois fez uma foto 360, girou o celular completamente pra mostrar tudo como era, e a última foi aquela foto redonda onde parece que somos as únicas pessoas no planeta.

Ele me pegou pela mão e caminhamos pela praia. Íamos em silêncio, eu apreciando a paisagem e ele me olhando. Num momento, olhei pra ele e ele sorriu pra mim.

— Você é tão linda, Fran... não pensei em dizer isso, mas... tô me apaixonando. Agora não consigo parar de te olhar e ver como você é maravilhosa...

Paramos, ele me pegou pela cintura e me acariciou. devagar pelas minhas costas e com a mão ele acariciou meu rosto devagar, eu fechei os olhos e nos beijamos. A gente parou quando sentiu que a água tocava nossos pés. Continuamos andando devagar pra voltar pro escritório e fomos em silêncio. Quando chegamos lá, meu pai tava com o Ricardo e o Marcelo na entrada e, quando nos viram chegar, meu pai sorriu aliviado.

Eu: — Oi, pai!

Pai: — Oi, love... oi... hmm...

Eze: — Sou o Ezequiel, sou filho do Ricardo... prazer, senhor. Levei sua filha pra conhecer o monumento das mãos.

Pai: — Obrigado, você é muito respeitoso e muito atencioso comigo, e com certeza também foi com minha filha.

Eze: — Sim, senhor. — apertaram as mãos.

Ricardo: — A gente podia terminar essas assinaturas e selar essa parceria almoçando juntos, que tal, Martin?

Pai: — Perfeito.

Fomos pro mesmo restaurante que a gente tinha jantado sozinhos na noite anterior com meu pai, mas dessa vez com o Ezequiel, Ricardo, Osvaldo e Marcelo. Sentei do lado do meu pai dessa vez, mas na minha frente tava o Ezequiel. Me surpreendi de novo que meu pai, igual os outros, tinha escolhido o rodízio de novo.

Eze: — Por que você não escolhe o rodízio, Francesca?

Eu: — É que tem muita coisa e eu não ia me decidir...

Eze: — Posso te acompanhar pra você ver tudo que tem pra você. — falando com meu pai — Com licença, senhor. Vou levar sua filha por um minuto. — ele concordou com a cabeça.

Fomos pro buffet e ele me mostrou.

Eze: — Aqui cê tem todo tipo de entrada, o que quiser: frios, guarnição de verduras, caldos e até sopas. Mais lá tem empadas, tortas, bolinhos, guarnições, cubos de verduras e mais lá estão os peixes, o que você imaginar tem ali: lulas, cornalitos, camarão, mexilhões, salmão, lula, polvo e até tubarão!

Eu: — Uauuuu... meu pai tava certo!

Eze: — Já vieram aqui?

Eu: — Sim, sim, ontem à noite, mas eu escolhi caçarola... acho que dessa vez também vou de rodízio.

Fomos escolhendo uma variedade de comidas nós dois, enquanto nossos pais e os outros ainda continuavam conversando e não tinham se levantado. a se servir. Quando chegamos à mesa com nossos pratos, meu pai me viu e disse:

Pai: - Ahhh, que bom, love... você escolheu o rodízio!

Eu: - Sim, pai... Eze... Ezequiel me mostrou tudo que tem pra comer.

Meu pai, Marcelo, Osvaldo e Ricardo foram se servir, ficando nós dois a sós na mesa.

Eze: - Fran, posso confessar uma coisa?

Eu: - Claro, fala.

Eze: - Queria que o tempo parasse pra você não voltar ainda pro seu país.

Eu: - Ainda tenho mais dois dias antes de ir...

Eze: - Sério?? Pensei que você fosse hoje... posso te convidar pra sair pra dançar numa balada exclusiva daqui?

Eu: - Vou ter que pedir permissão pro meu pai.

Eze: - Tenho certeza que ele vai deixar, porque hoje à noite eles têm outra reunião com jantar e senão você ia ficar sozinha no hotel.

Eu: - Como você sabe?

Eze: - Sou filho do homem que mais faz negócios no Uruguai.

Eu: - Ah... então talvez a gente se veja hoje à noite...

Eze: - Agora, assim que terminarmos, a gente podia ir pra praia...

Eu: - Mas não sei se trouxe nada pra vestir, uma sunga ou biquíni.

Eze: - Por isso não se preocupa, lá onde comprei sua capelina vende de tudo, a gente podia ir dar uma olhada...

Eu: - Agora?

Eze: - Simmm, claro, agora... vamos deixar eles comendo, bebendo e falando de negócios sossegados.

Eu: - Tá bom...

Meu pai voltou com Ricardo, e atrás vinham Marcelo e Osvaldo. Ele os parou antes de chegar na mesa e contou a proposta pra mim e pro meu pai, que balançou a cabeça que sim.

Coloquei minha capelina e saímos pra caminhar. Enquanto olhávamos algumas vitrines, parei numa que tinha um biquíni em várias cores e no meu modelo favorito, também tinha vestidos de praia e escolhi um.

Ele, junto com o pai dele que tinha chegado no lugar de carro, se ofereceu pra deixar minha roupa que eu tinha tirado depois da compra. Foi se trocar, deixou a chave com um manobrista e fomos caminhando. Ele segurou minha mão. Quando tirei minha capelina, também tirei o vestido e ele, ao me ver assim, ficou de olhos arregalados. Sentei na areia e ele ficou em pé. Me olhando...
—Uauuuuu, Fran... sério, você tá muito gostosa... me deixou sem palavras
—Você não gostou do meu biquíni?
—Gostei, sim... é que é a primeira vez que venho com uma mina pra praia e você é a mais linda que tem aqui!

Eu fiquei vermelha e baixei o olhar. Ele tava de short de praia e uma camisa branca com as mangas dobradas até o cotovelo, tirou a camisa devagar e ficou com o torso nu: nunca tinha visto um cara com um pouco de pelo e uma barriguinha e fiquei impactada. Ele me olhou, eu sorri pra ele.

—Vejo que você é curiosa...
—Desculpa... é que é a primeira vez que alguém tira a roupa na minha frente...
—E você gosta de me ver?

Eu fiquei vermelha de novo e olhei pra baixo.

—Vamos, Fran... me fala...
—É que você tá muito gostoso!!
—E você também, é linda e adoro estar com você... sinto que a gente se conhece há anos!

Ele senta do meu lado e acaricia devagar minha bochecha. Eu baixo o olhar e ele levanta meu rosto de novo, me olha nos olhos, se aproxima mais e me beija de novo, um beijo suave e calmo, sem abrir os olhos. Eu acariciava o corpo dele e ele me beija com mais tesão, abrindo mais minha boca e mexendo nossas línguas devagar. A gente se deita na areia e ele acaricia meu rosto devagar.

—Ah, Fran... você é tão linda. Não acredito que me apaixonei por você
—Ah, Eze... não... não... não quero brincar com seus sentimentos, você também é muito gato e adoro compartilhar tudo isso com você, mas sabe que eu... eu tô num relacionamento recente com um cara de lá e não gosto de fazer esse tipo de coisa...
—Mas a gente só se beijou... não tamos machucando ninguém. Eu não vou dar nenhum outro passo se você não quiser, não vou te forçar nem te obrigar, quero que a decisão seja sua!

CONTINUA...

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