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Compêndio IIIEnquanto Erin passava o aparelho de ultrassom na barriga da minha passarinhae só se ouvia o ronco da máquina e o barulho característico do gel, eu tava meio entediado e comecei a olhar as fotos típicas com certificados de participação atrás da mesa da doutora, de palestras e programas que ela tinha participado...
Notando um padrão comum nas fotos, soltei num tom de brincadeira:
- Doutora, desde quando você tem um marido no trabalho?
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Quando conhecemos a Erin pela primeira vez durante a gravidez da Alicia, ela ainda era residente no hospital. Naquela época, já tinha reputação em obstetrícia e ginecologia e foi muito bem recomendada. Apesar da juventude, a Erin se destacava pela atenção meticulosa aos detalhes e pelo compromisso com as pacientes.
Por isso, quando nos apresentaram ela, a gente amou de cara, e diferente de outros casais, seguimos as instruções dela pra gravidez da Alicia à risca. Por causa disso, a Erin ficou impressionada com a saúde impecável da minha passarinhae com meu compromisso em cada aspecto do desenvolvimento da nossa bebê, desde a nutrição até o cuidado pré-natal.
No entanto, o único "porém" que apresentamos foi que a Marisol insistiu em ter a Alicia de parto normal. A Erin era contra, dado o histórico clínico da minha esposa com as gêmeas, e embora eu não tivesse totalmente convencido, acabei apoiando a opinião da minha mulher, ganhando a admiração dela pelo nosso compromisso.
Hoje em dia, a Erin subiu de cargo, sendo agora a especialista chefe da maternidade. A carreira dela floresceu graças à dedicação, compromisso e senso de autoridade na área. Embora o cargo atual a coloque mais na área de gestão, ela ainda opta por supervisionar pessoalmente alguns casos particulares, como o da minha rouxinol, dada a história que compartilhamos juntos.
No entanto, o engraçado é que, além de não estar interessada em ter filhos (ou pelo menos, não com o marido atual) e apesar das conquistas e promoções na carreira, continuo não achando ela particularmente gostosa.
Agora ela tem o cabelo castanho mais comprido, na altura dos ombros, ondulado e solto, e o corpo dela encheu um pouco depois do casamento, mas ainda mantém um rosto que passa certa elegância, mais do tipo que impõe respeito do que charme.
Os olhos castanhos puxados ainda mostram uma expressão altiva e arrogante; o nariz empinado, mas pontudo, aumenta ainda mais o ar de seriedade insuportável; os lábios finos e as maçãs do rosto, embora deem elegância, trazem um aspecto sóbrio, mas nada acolhedor, então realmente não acho ela atraente.
*************************************************************************************Bom, voltando ao momento, Erin me olhou com uma cara feia por causa do meu comentário e continuou atendendo a Marisol, me ignorando, embora minhas palavras tivessem ficado na cabeça dela. Depois que terminou o exame, ela sentou e começou a explicar os resultados de outros exames que minha passarinhinha tinha feito, até que, do nada, me perguntou:
• Marco, por que você disse isso? – com uma voz cheia de irritação, cortando a própria explicação.
Eu ri, insistindo que era só uma brincadeira. Mas dava pra perceber pelas facadas nos olhos dela que, sem querer, eu tinha acertado bem na mosca…
- Bem, Doutora. – falei, tentando acalmá-la pra ela continuar a explicação. – É que a senhora mencionou que casou há 4 anos. Mas as únicas 3 fotos emolduradas que tem aqui são as da sua carreira médica.
• Poxa, eu não misturo minha vida familiar com a profissional, Marco! – insistiu furiosa, me chamando pelo nome.
Foi aí que percebi que, de alguma forma, Erin estava tomando mais liberdades do que eu tinha dado…
- Sim, mas o que me chamou a atenção é que é sempre o mesmo médico que aparece do seu lado. – respondi, sondando o clima e apontando pras fotos.
Minha passarinhinha nos observava com curiosidade, notando o mesmo padrão nas fotos, mas sem entender direito o que eu queria dizer.
Mesmo assim, o comentário deixou Erin vermelha de raiva…
• O doutor Morgan foi um grande mentor durante toda a minha vida profissional e é natural que ele tenha me apoiado em cada passo, Marco!
Isso me tirou do sério de vez, porque eu tinha mantido meu respeito profissional e ela estava me tratando como se fôssemos íntimos. Então, revidei com as imagens.
Na primeira foto apareciam alguns médicos jovens, com Erin parecendo muito com a época em que Marisol e eu a conhecemos. Do lado de Erin estava um sujeito alto, canoso, de olhos verdes e bigode, abraçando ela pela cintura. Pelo que dava pra ler no diploma, ele tinha sido um médico residente local.
Na segunda foto, de um simpósio regional pós-pandemia, apareciam agora uns 20 especialistas, todos reunidos em volta de uma mesa de conferência com vários expositores. Dessa vez, o mesmo médico aparecia abraçando Erin pelo ombro, enquanto ela tinha a cara de pau de segurar a mão dele de um jeito carinhoso…
— E na terceira, claramente dá pra ver que vocês já transaram… — informei, sem nenhum interesse.
• O quê? — ela exclamou pros céus, explodindo que nem o Krakatoa.
A terceira foto era a mais recente. Tinham tirado no começo do ano num auditório enorme com pelo menos 50 médicos de hospitais diferentes, alguns vestidos em ternos pretos elegantes, e outros, como Erin e Morgan, nos seus jalecos de laboratório.
O que tornava a imagem incriminadora é que, dessa vez, eles se posicionaram num canto, quase não aparecendo na foto. O médico aproveitou a chance de se curvar de um jeito, com a desculpa de sair na fotografia, que o rosto dele ficou colado no de Erin, e ela parecia toda radiante por estar perto dele…
— Dá até pra ver o “A” entre vocês… — insisti, mostrando a imagem pra ela.
Marisol só olhava pra gente, nervosa…
• Que “A” é esse que você tá falando? — perguntou Erin, furiosa.
Expliquei que, na internet, corre um boato de que a linguagem corporal de casais tirando fotos indica a intimidade emocional pela proximidade física. Em poses onde um se inclina sobre o outro, aproximam os rostos ou as cinturas se roçam, são entendidas como sinais de conexão.
Fazendo o teste com casais famosos que eventualmente terminaram em separação, dava pra notar tendências em que um deles se afastava do outro ou deixava um espaço, formando uma espécie de “V” nas imagens, indicando um distanciamento emocional ou falta de compromisso. Em outros casos com relacionamentos mais duradouros (e o motivo pelo qual ficou marcado pra mim foi porque usaram uma foto do Lionel Messi junto com a esposa), os casais formavam uma espécie de “A” ou um “I”, simbolizando afeto mútuo, onde os parceiros se inclinavam um pro outro ou se mostravam à vontade, que curiosamente foi o que aconteceu em várias fotos da época em que eu e a Marisol éramos “só amigos”, por isso a teoria me convenceu.
Erin ficou gelada e sem palavras com minha explicação…- Você vai me dizer que Morgan não é seu amante? – perguntei irritado.
Os olhos dela se arregalaram e ela ficou paralisada. Quanto a mim, eu "brilhava de alegria", porque, embora Erin me seja simpática, não me interessa a vida social dela e também não sou amigo dela.
Ela caiu naquela história típica: que Morgan e ela se conhecem há anos, mantendo uma relação apenas profissional. Ele tinha sido seu instrutor e os sentimentos deles se misturaram entre admiração e amor platônico, embora nunca tenham feito nada.
Então, ela conheceu Julian, seu atual marido. Apresentaram ele nos encontros de família, se deram bem e Erin achou que era um bom partido. Casaram, tiveram uma lua de mel e, por uns 6 meses, viveram um conto de fadas.
Segundo ela, depois desse tempo, Julian parou de dar atenção a ela, porque se dedicou de corpo e alma ao trabalho e, com isso, ela reparou em Morgan e…
- Espera aí! – interrompi, vendo como ela me jogava a primeira mentira na cara. – Você tá me dizendo que VOCÊ, que trabalha em turnos intensivos e longos, tá reclamando porque ELE se dedicou mais ao trabalho?
Erin ficou vermelha ao perceber que a desculpa esfarrapada que ela mesma inventou pra justificar a infidelidade valia tanto quanto uma camisinha furada.
Mas sim. Morgan esteve lá, apoiou ela emocionalmente, pedindo que ela entendesse o ponto de vista do Julian, já que, como "homem casado", ele também tinha enfrentado situações parecidas com a esposa…
Além de estar puto por ter que fazer de "psicólogo de merda" da nossa obstetra, não entrava na minha cabeça como Erin podia ser tão otária…
- Agora entendo por que você não quer ter filhos. – interrompi sem vontade o "discurso majestoso" dela, onde se fazia de vítima, e ela me fulminou com o olhar ardente.
E foi isso. Depois desses 6 meses de casada, Morgan e ela tiveram um encontro romântico no internato médico. Se viram de novo, se beijaram um par de vezes e acabaram na cama.
Como era de se esperar, depois do internato que durou umas 2 semanas, Erin voltou cheia de remorsos pro casamento. Embora sentisse algo pelo Julian, a atração pelo Morgan era maior e, depois de algumas semanas, conseguiu disfarçar o arrependimento e voltar ao normal.
No hospital, enquanto isso, Morgan e Erin mantinham uma postura profissional, embora mantivessem aquele clima proibido através de olhares indiscretos.
Depois, a pandemia estourou e o fluxo de pacientes ficou sem fim. Na maternidade, tentavam manter as mães estáveis, priorizando a vida dos bebês. Foram períodos longos e intermináveis, passando dias inteiros em que Erin não voltava pra casa e, assim como muitos outros médicos e enfermeiras, acabou dividindo a cama com alguém que não era o marido ou parceiro (ou melhor, dividiu com o "marido de trabalho"), se justificando que fez isso pra aliviar as tensões e que era só sexo. Que não tinha apego emocional.
Lá no fundo e pela forma como ela falou, meu ceticismo me fazia lembrar do ditado "Desgraça de muitos, consolo de trouxa."
Mesmo assim, a segunda foto refutava o argumento dela, porque claramente, Erin parecia bem à vontade se deixando abraçar e ter a mão segurada pelo doutor.
Segundo ela, os encontros duraram até o fim dos alertas e, a partir daí, retomaram as rotinas normais.
Mas por causa da participação dela naquele simpósio e durante toda a emergência sanitária, Erin recebeu reconhecimentos que a fizeram subir de cargo e que culminaram na conferência deste ano, onde, além de ser promovida a especialista chefe da maternidade, ela passou a trabalhar diretamente sob o comando do Morgan.
Nesse ponto, o casamento dela era uma casca vazia. Julian, feliz com as conquistas da esposa e reconhecendo que no último período não tinham conseguido transar por causa dos respectivos trabalhos, a levou por 2 semanas pra Tailândia.
Com um olhar de tédio, Erin nos contou que Julian e ela transaram sem parar, como se tentasse recuperar o tempo perdido, e Erin não conseguia recusar. Ele a levou pra lugares exóticos, comer e dançar, mas ela insistia que tava preocupada com o trabalho. Julian admirava ela pela dedicação, mas também insistia que ela precisava tirar um tempo pra descansar, sem saber que a esposa tava morrendo de vontade de ver o amante de novo.
As palavras dela foram um golpe baixo no meu respeito por Erin. Sempre vi ela como profissional e correta, a mulher que ajudou a trazer a Alicia ao mundo, que nos guiou com a Marisol durante a gravidez, mas agora, essa conversa me enchia de pena e raiva enquanto Erin falava da segunda lua de mel com Julian.
Sinceramente, me fazia questionar se o casamento dela foi uma farsa desde o começo, só uma fachada pra esconder as verdadeiras intenções.
Quando Erin falava da trepada com o Morgan, a voz dela ficava distante, cheia de uma saudade que ela não conseguia esconder, nem de si mesma. Mas ao falar do marido, era com desprezo, arrogância e irritação.
Era chocante pra mim ver minha obstetra falar com tanta frieza de alguém que parece genuinamente apaixonado.
— E por que você não se divorcia? — perguntei, curioso.
Erin sorriu amargamente…
• Já te falei. O Morgan é casado e tem filhos. — comentou com arrogância. Como se fosse uma verdade óbvia pra mim. — Além disso, mesmo que meu salário seja bom, não daria pra pagar minhas contas ou alugar uma casa.
Sei que não tô em posição de julgar, mas me irritou que ela nem se importava com o que acontecia com o marido.
— E seu marido não desconfia?
Ela riu de novo com a frieza que refletia o coração dela. Parecia adorar esfaquear o Julian no peito…
• Claro que não! Ele tá muito focado no trabalho e nunca tem tempo pra mim! — respondeu com uma voz cheia de sarcasmo.
Assim que voltaram da viagem, os turnos noturnos junto Com a Morgan, elas se tornaram muito mais frequentes.
No entanto, o mais trágico de tudo é que Julian finalmente conseguiu melhorar no trabalho. Ele foi promovido e até conseguiu comprar uma casa, que queria encher de filhos. Embora, claramente, para nós com a Marisol, isso não estivesse entre as prioridades da Erin.
Mas tanto a arrogância quanto a frieza da Erin me faziam desconfiar.
Nesse aspecto, peço desculpas, meu estimado leitor, porque a arrogância é um pecado que também carrego e que vem do fato de que, por ter mais estudos e saber mais coisas, nos achamos invencíveis.
No entanto, na hora da verdade, todos temos pontos fracos.
— Erin, quando foi a última vez que você transou com o Julian?
A pergunta a deixou desconcertada…
— O que isso tem a ver? — perguntou confusa, incapaz de se lembrar.
Expliquei que, durante uma infidelidade, as mulheres tendem a se afastar tanto sexual quanto emocionalmente do parceiro para privilegiar o amante.
Isso não é tão comum nos homens, porque somos mais tarados e conseguimos separar nossos instintos dos nossos sentimentos.
— Julian e eu transamos! — respondeu na defensiva, com as bochechas vermelhas de frustração. — A gente faz quando tem tempo!
— E isso é quando, exatamente? — perguntei, levantando uma sobrancelha.
O silêncio dela foi ensurdecedor.
— Tanto faz! Julian está ocupado demais com o trabalho. Sexo é a última coisa que passa pela cabeça dele. — projetou os próprios sentimentos no Julian, com a voz carregada de irritação.
Me diverti com o fato de ela ter escapado da minha pergunta.
— Ok, e como vocês fazem pra esconder os rastros? Vão pra motéis? Usam cartões? Porque, claramente, não dá pra fazer no hospital. — argumentei.
A confiança dela vacilou, me encarando por alguns segundos antes de responder.
— Morgan e eu nos encontramos em hotéis, longe do hospital e das nossas casas. E sim, pagamos com cartões. — comentou. Orgulhosa.
Eu ri da ignorância dela.
—Esse é um erro grave — comentei, cortando a fala dela. — Quando você vai a hotéis, deveria pagar em dinheiro. Ninguém impede que seu cônjuge veja os detalhes das suas contas, sem falar que você se expõe ao bombardeio constante de propaganda de hotéis que pode fazer ele desconfiar, se você e seu marido nunca se hospedaram lá. Além disso, você sempre tem que tomar cuidado com os recibos e presentes, já que pode deixar seu parceiro desconfiado.
No meu caso, há alguns meses consegui finalmente fazer com que a propaganda do Hyatt caísse direto na pasta de spam…
Mas minhas palavras substituíram a confiança dela por preocupação, fazendo-a calar por um breve instante. Erin não tinha considerado a possibilidade de que suas ações pudessem ser descobertas com tanta facilidade.
—E o seu celular?
Ela sorriu de novo, cheia de si.
—Isso não é problema pra gente. Somos ambos profissionais ocupados — confessou com orgulho. — A gente se vê todo dia e não comete o erro de mandar mensagens ou fotos quentes.
—Não tava falando disso — respondi indiferente, sem me impressionar com o esforço raso dela de evitar minha pergunta. — Você poderia até falar com ele todo dia se mudasse o nome do contato pra um nome de mulher ou de um grupo de amigos. Alguns, mais burros, salvam os contatos com nomes de restaurantes de fast food. Quem fala meia hora com o entregador de comida? Mas meu ponto é que iPhones como o seu têm a opção de rastrear a localização.
Não quis entrar em detalhes maiores sobre outros programas e aplicativos que permitem monitoramento de equipamentos e localizações pra celulares Android, sem falar nas sincronizações com computadores, porque claramente era um assunto desconhecido pra ela.
Mas minhas reflexões feriram o ego dela, que achava que não tava deixando nenhuma evidência na sua traição.
—Como você sabe disso? — me perguntou, irritada porque soubesse mais do que ela mesma.
- Porque durante um tempo, eu também tive uma esposa de trabalho.
Foi então que Marisol contou pra ele sobre meu relacionamento com Hannah, anos atrás.
Não sei se acontece o mesmo com cornos homens, mas a Marisol adora contar sobre minhas infidelidades.Acreditem, com minha esposa, cada mulher com quem transei e cada encontro que tive, fui o mais honesto possível.
Pra minha passarinhazinha, é como um segundo romance, ela curte o jogo de sedução que eu fiz, facilitando pra Marisol se imaginar fazendo aquilo com ela mesma.
E no caso da Hannah, nosso love foi crescendo semana após semana, até que a gente consumou na cama.
Claro que, ao ouvir as palavras doces e carinhosas da minha passarinhazinha, o dois pesos e duas medidas da Erin ativou...
Como era possível que eu, casado e com 2 filhas recém-nascidas, tivesse uma amante com quem eu transava a cada duas semanas?
Pra mim, por ser homem, isso me fazia um porco. Pra Erin, por ser mulher, era aceitável...
— E você e o Julian? Como é a relação de vocês? — continuei, ignorando a raiva dela.
O olhar dela ficou distante, com sinais de rancor nos olhos.
• Já te falei. Ele não desconfia de nada. — comentou com um tom irritado. — Ele fica me enchendo o saco perguntando quando vamos começar uma família, com convites pra comer e sair. Mas não tô mais a fim. É tarde demais pra ele.
A indolência e irritação dela me fizeram assobiar.
— Você tá prestes a perder tudo... — falei, sentenciando ela com os olhos.
Tanto ela quanto a Marisol me olharam confusas, então decidi explicar pra minha esposa.
— Imagina, passarinhazinha, — comecei, pegando nas mãos dela. — que quando você e eu casamos, eu coloquei na cabeça a meta de te fazer feliz. Que, mesmo te amando de todo coração e pensamento, eu tinha que focar completamente no meu trabalho, te deixando de lado...
Marisol corava e sorria feliz, sabendo que, mais ou menos, foi isso que aconteceu no começo do nosso casamento...
— Mas o tempo passa e finalmente consigo me estabilizar financeiramente como a gente queria. — falo, soltando um pequeno suspiro. — Tento me aproximar de você, buscando o amor que a gente tinha no começo, quando casamos. Mas ele já não está mais lá. Olho nos seus olhos e você não me ama como antes. Entendo que te negligenciei, mas faço de tudo pra reconquistar seu amor. Compreendo que também não sou o mesmo. Que mudei. Tento ganhar seu amor de novo, te convidando pra sair, tentando passar mais tempo comigo… mas você continua igual, indiferente. Começo a me perguntar se algo em você mudou… e então, começo a buscar a verdade…
Marisol não precisou de mais palavras pra entender o resto e, juntos, olhamos pra Erin.
Mas pra surpresa das duas, eu comecei a chorar…
Tanto Marisol quanto ela ficaram desconcertadas com minha reação, mas no fim, perceberam que eu não tinha visto a imagem do ultrassom.
O rosto de Jacinto estava claramente visível na barriga da minha esposa. Meu nariz. O queixo de Marisol…
Com lágrimas nos olhos, expressei minhas impressões.
— Quando Julian descobrir, você vai perder tudo. — Falei com raiva. — Você vai se desculpar com ele, dizendo que é um erro, que "não é o que parece" e que "dá pra consertar", mas você fez isso por mais de 4 anos e foi sua escolha. Então, vai enfrentar a fúria de um marido traído. Ele vai pedir o divórcio e reclamar no hospital, porque tenho certeza de que você e Morgan estão quebrando as regras de fraternização, e mesmo que não resultem em demissões, no mínimo vai dar uma advertência. Você e Morgan não vão poder trabalhar juntos, porque todo mundo vai saber do relacionamento de vocês e você vai ter que ir pra outro hospital, porque duvido que Morgan tope se divorciar e fugir com você, já que você mesma diz que ele é casado e tem filhos, que provavelmente estão na faculdade. Você não vai ter pensão nem grandes benefícios, porque seu casamento não tem tempo de duração. E como você mesma disse, vai ter que se virar sozinha, sem os luxos que Julian já te dá, e vai passar por episódios depressivos, sozinha, que vão afetar seu… trampo.
Erin ficou paralisada, finalmente se ligando na situação delicada em que se meteu, e ficou olhando pra gente, quase pedindo socorro...
Mas, infelizmente, pra nós, Erin é só nossa obstetra, que a gente reencontrou depois de quase 7 anos, e não podemos ter mais influência na vida dela.
Pegamos nossos exames, agradecemos, saímos do consultório dela e torcendo pra que ela cuide do parto do Jacinto.
E quando a gente foi pro estacionamento, Marisol se encostou no meu peito e eu abracei ela, formando um "A" com nosso abraço.Próximo post
2 comentários - Erin, a Infiel - PDB 62
Que si uno va hacer cornuda o cornudo a su pareja tiene que encargarse primero de su felicidad?