— Ah sim, sou a Kimiko Nakamura, mas com quem estou falando? — Senhora Nakamura, sou o doutor Eugenio Valera, estou ligando pra informar que seu marido está internado no nosso hospital e, agora que acordou, está pedindo pela senhora. A pobre Kimiko não sabia se ficava feliz ou assustada. Pelo que o doutor tinha dito, o Kenji foi assaltado ontem de manhã, roubaram o dinheiro dele, o celular e a carteira, que tinha o documento de identidade, então no hospital não sabiam como identificar ele. A boa esposa se trocou rápido e saiu com o filho pra ver como é que o Kenji estava.
A mulher era uma verdadeira bagunça de emoções e perguntas naquele momento, mas o que importava agora era ir até o seu amado marido. Quando chegou ao quarto dele, o coração dela se partiu ao ver seu Kenji naquela cama de hospital, todo machucado e enfaixado. — Ai, meu Deus, Kenji! O que aconteceu com você? — Kimiko… Ai… Você veio. — Claro que sim. Estou aqui… com você, sempre. Kimiko se colocou ao lado da cama do marido, beijou ele com todo o amor que tinha e segurou a mão dele. “Que cena romântica”, pensou uma enfermeira que os observava ali. Uma mulher tão gostosa com o filho dela, preocupada com a saúde do seu amor. Queria ter um relacionamento igual ao deles. Kenji estava feliz pra caralho de ver a esposa ao lado dele, tão preocupada. Ultimamente ele achava que ela não o amava mais como antes. Talvez depois disso eles conseguissem resolver todos os problemas que tinham. O pobre marido contou o que tinha acontecido pra esposa. Depois que saiu pra trabalhar no dia anterior de manhã, enquanto caminhava, alguém o empurrou num beco e o assaltou. Ele lembrava muito bem da dor: golpe após golpe, o medo de Kenji aumentava; medo pela vida dele e pela possibilidade de nunca mais ver a esposa e o filho. Quase quando ele estava prestes a perder a consciência, o criminoso parou de bater nele e começou a revistar a roupa dele, pegou a carteira com o dinheiro, um relógio que era presente do pai dele e até o anel dele. Ele podia ter ficado quieto, deitado no próprio sangue esperando alguém ajudar, mas quando sentiu que aquele homem estava tirando também o anel que representava o símbolo de união e amor com a Kimiko, ele resistiu. — Não, por favor, isso não. Kenji estava ferido e fraco, mas com toda a força dele tentou se levantar e resistiu ao criminoso que tentava arrancar o anel dele. Isso foi uma péssima ideia. — Não, Kenji, você é louco? Isso foi uma péssima ideia. É só um objeto, você é mais importante. — Não, Kimiko, é o símbolo da nossa união e do nosso amor… você teria desistido do seu também? Fácil? -… A resistência do pobre marido enfureceu o bruto assaltante, que quebrou o dedo de Kenji na brutalidade, pegou o anel do mesmo jeito e depois deu mais uns tapas, talvez ainda mais fortes que os primeiros por ter ousado resistir. E como se não bastasse, empurrou ele escada abaixo que estava ali.
Kenji caiu como um saco de batatas, sentiu muita dor, mas antes de bater no fundo da escada, apagou. Como lhe contariam depois, a polícia tinha revisado as imagens de uma câmera de segurança e descobriu que o corpo desmaiado dele ficou horas ali sem ninguém ajudar. Que mundo horrível a gente vive. Os transeuntes de manhã, naquela hora eram poucos, especialmente naquela rua, e ele estava num beco. Quem viu, com certeza pensou que era um mendigo sujo ou um drogado, então evitaram. — Que filhos da puta! Sem vergonha na cara, sem coração. O povo desse mundo perdeu toda a decência e humanidade. — Disse Kimiko, brava. Resumindo, Kenji tinha um dedo e um braço quebrados, duas costelas fraturadas, uma concussão e perdeu um dente na mão daquele delinquente que bateu nele tão forte que ele ia lembrar pra vida toda. Era difícil dizer o que machucou mais: a queda ou as porradas. Kimiko ouviu o conto de horror do marido chorando e se sentindo culpada por tudo que fez naquela mesma manhã. — Kimiko? — Fala, Kenji, o que foi? — Os médicos disseram que fiquei dormindo por mais de um dia. Ou seja, dormi aqui, né? — Sim. — E você, Kimiko? O que fez? Não me procurou? Não chamou a polícia quando eu não voltei pra casa? — Ah, Kenji, me desculpa, me desculpa muito. Eu... Kimiko carregava um peso enorme no coração e precisava soltar. Começou a chorar ainda mais forte e confessou tudo ao marido.
Quase tudo… Ela contou sobre a preocupação porque ele não chegava em casa, como tentou ligar pra ele, mas também como uma mulher atendeu o celular, e não ele.
— Uma mulher?
— Sim, Kenji, uma mulher. Por que uma mulher estava com seu celular?
— Kimiko, juro que não sei. Mas tenho quase certeza de que quem me assaltou foi um homem… a não ser que a anestesia que me deram esteja mexendo com minha memória.
Kimiko não tinha motivo pra duvidar de Kenji.
— …E então, já que você não voltava, não ligava, e depois que uma mulher atendeu seu celular, eu pensei… pensei…
— Pensou o quê?
— Pensei… pensei que você tinha me traído.
Kimiko chorava.
— Eu te tratei tão mal, a gente brigava tanto, e eu pensei… Ah, Kenji, me desculpa muito, eu tinha certeza de que você tinha me sido infiel.
— Não, Kimiko, nunca, jamais, nem em mil anos. Eu te amo e sempre amarei.
— Sempre?
— Claro que sim.
— Ah, Kenji, eu também te amo.
Os dois se abraçaram, mas a atrapalhada da Kimiko fez as costelas doerem muito mais.
— Ai, ai, cuidado.
— Desculpa, desculpa.
— …
— Kenji, te prometo que de agora em diante as coisas vão mudar. Vamos voltar pra nossa vida de antes, como a gente era no começo, juro pelo nosso filho.
A gravação foi interrompida pela chegada da polícia.
— Com licença, senhores, precisamos fazer algumas perguntas ao senhor Nakamura.
— Ah, claro.
Kimiko saiu do quarto de hospital do marido e esperou do lado de fora enquanto Kenji contava em detalhes o que tinha acontecido. A mulher foi sincera com suas palavras. Era hora de uma mudança.
Koji, ao lado dela, tentava chamar a atenção puxando a camiseta dela porque estava com fome.
— Sr. Nakamura, me desculpe, mas as câmeras estavam muito longe e a qualidade do vídeo era muito baixa pra identificar o agressor, então... o senhor poderia descrever o sujeito? Idade, etnia, cabelo, marcas, cicatrizes ou tatuagens? Qualquer coisa que possa nos ajudar.
— Ah, sim, claro.
TRIIIM
O celular de Kimiko tocou enquanto ela comprava algo pra comer. Era o Kenji, ou pelo menos era o que dizia a tela. A mulher ficou confusa. Se um homem roubou o celular do Kenji, por que uma mulher atendeu? E por que ela estava ligando pra ela? Kimiko teve medo de atender. Precisava contar pra alguém, pra polícia, mas agora ela tava longe demais. Com certeza ia perder a ligação. E se não ligassem mais? Todos os instintos da esposa do ferido diziam pra ela não atender, pra não tocar no celular.
— Alô?
De novo aquela voz feminina que, no começo, tinha deixado ela com ciúmes.
— … Kimiko demorou uns segundos pra falar.
— Alô.
— Alô? Tô falando com a polícia?
— Quê? Não.
— A senhora é a Kimiko Nakamura, certo?
— Kkkk, sim, é ela.
Ouviu um barulho, como se o celular tivesse sido virado.
— KENJI…
— Isso é tudo que eu lembro.
— Tá bem, Sr. Nakamura. Acho que já é o suficiente. A gente avisa se tiver novidades.
Os policiais disseram isso antes de sair com um retratista. Continua...
A mulher era uma verdadeira bagunça de emoções e perguntas naquele momento, mas o que importava agora era ir até o seu amado marido. Quando chegou ao quarto dele, o coração dela se partiu ao ver seu Kenji naquela cama de hospital, todo machucado e enfaixado. — Ai, meu Deus, Kenji! O que aconteceu com você? — Kimiko… Ai… Você veio. — Claro que sim. Estou aqui… com você, sempre. Kimiko se colocou ao lado da cama do marido, beijou ele com todo o amor que tinha e segurou a mão dele. “Que cena romântica”, pensou uma enfermeira que os observava ali. Uma mulher tão gostosa com o filho dela, preocupada com a saúde do seu amor. Queria ter um relacionamento igual ao deles. Kenji estava feliz pra caralho de ver a esposa ao lado dele, tão preocupada. Ultimamente ele achava que ela não o amava mais como antes. Talvez depois disso eles conseguissem resolver todos os problemas que tinham. O pobre marido contou o que tinha acontecido pra esposa. Depois que saiu pra trabalhar no dia anterior de manhã, enquanto caminhava, alguém o empurrou num beco e o assaltou. Ele lembrava muito bem da dor: golpe após golpe, o medo de Kenji aumentava; medo pela vida dele e pela possibilidade de nunca mais ver a esposa e o filho. Quase quando ele estava prestes a perder a consciência, o criminoso parou de bater nele e começou a revistar a roupa dele, pegou a carteira com o dinheiro, um relógio que era presente do pai dele e até o anel dele. Ele podia ter ficado quieto, deitado no próprio sangue esperando alguém ajudar, mas quando sentiu que aquele homem estava tirando também o anel que representava o símbolo de união e amor com a Kimiko, ele resistiu. — Não, por favor, isso não. Kenji estava ferido e fraco, mas com toda a força dele tentou se levantar e resistiu ao criminoso que tentava arrancar o anel dele. Isso foi uma péssima ideia. — Não, Kenji, você é louco? Isso foi uma péssima ideia. É só um objeto, você é mais importante. — Não, Kimiko, é o símbolo da nossa união e do nosso amor… você teria desistido do seu também? Fácil? -… A resistência do pobre marido enfureceu o bruto assaltante, que quebrou o dedo de Kenji na brutalidade, pegou o anel do mesmo jeito e depois deu mais uns tapas, talvez ainda mais fortes que os primeiros por ter ousado resistir. E como se não bastasse, empurrou ele escada abaixo que estava ali.
Kenji caiu como um saco de batatas, sentiu muita dor, mas antes de bater no fundo da escada, apagou. Como lhe contariam depois, a polícia tinha revisado as imagens de uma câmera de segurança e descobriu que o corpo desmaiado dele ficou horas ali sem ninguém ajudar. Que mundo horrível a gente vive. Os transeuntes de manhã, naquela hora eram poucos, especialmente naquela rua, e ele estava num beco. Quem viu, com certeza pensou que era um mendigo sujo ou um drogado, então evitaram. — Que filhos da puta! Sem vergonha na cara, sem coração. O povo desse mundo perdeu toda a decência e humanidade. — Disse Kimiko, brava. Resumindo, Kenji tinha um dedo e um braço quebrados, duas costelas fraturadas, uma concussão e perdeu um dente na mão daquele delinquente que bateu nele tão forte que ele ia lembrar pra vida toda. Era difícil dizer o que machucou mais: a queda ou as porradas. Kimiko ouviu o conto de horror do marido chorando e se sentindo culpada por tudo que fez naquela mesma manhã. — Kimiko? — Fala, Kenji, o que foi? — Os médicos disseram que fiquei dormindo por mais de um dia. Ou seja, dormi aqui, né? — Sim. — E você, Kimiko? O que fez? Não me procurou? Não chamou a polícia quando eu não voltei pra casa? — Ah, Kenji, me desculpa, me desculpa muito. Eu... Kimiko carregava um peso enorme no coração e precisava soltar. Começou a chorar ainda mais forte e confessou tudo ao marido.
Quase tudo… Ela contou sobre a preocupação porque ele não chegava em casa, como tentou ligar pra ele, mas também como uma mulher atendeu o celular, e não ele. — Uma mulher?
— Sim, Kenji, uma mulher. Por que uma mulher estava com seu celular?
— Kimiko, juro que não sei. Mas tenho quase certeza de que quem me assaltou foi um homem… a não ser que a anestesia que me deram esteja mexendo com minha memória.
Kimiko não tinha motivo pra duvidar de Kenji.
— …E então, já que você não voltava, não ligava, e depois que uma mulher atendeu seu celular, eu pensei… pensei…
— Pensou o quê?
— Pensei… pensei que você tinha me traído.
Kimiko chorava.
— Eu te tratei tão mal, a gente brigava tanto, e eu pensei… Ah, Kenji, me desculpa muito, eu tinha certeza de que você tinha me sido infiel.
— Não, Kimiko, nunca, jamais, nem em mil anos. Eu te amo e sempre amarei.
— Sempre?
— Claro que sim.
— Ah, Kenji, eu também te amo.
Os dois se abraçaram, mas a atrapalhada da Kimiko fez as costelas doerem muito mais.
— Ai, ai, cuidado.
— Desculpa, desculpa.
— …
— Kenji, te prometo que de agora em diante as coisas vão mudar. Vamos voltar pra nossa vida de antes, como a gente era no começo, juro pelo nosso filho.
A gravação foi interrompida pela chegada da polícia.
— Com licença, senhores, precisamos fazer algumas perguntas ao senhor Nakamura.
— Ah, claro.
Kimiko saiu do quarto de hospital do marido e esperou do lado de fora enquanto Kenji contava em detalhes o que tinha acontecido. A mulher foi sincera com suas palavras. Era hora de uma mudança.
Koji, ao lado dela, tentava chamar a atenção puxando a camiseta dela porque estava com fome.
— Sr. Nakamura, me desculpe, mas as câmeras estavam muito longe e a qualidade do vídeo era muito baixa pra identificar o agressor, então... o senhor poderia descrever o sujeito? Idade, etnia, cabelo, marcas, cicatrizes ou tatuagens? Qualquer coisa que possa nos ajudar. — Ah, sim, claro.
TRIIIM
O celular de Kimiko tocou enquanto ela comprava algo pra comer. Era o Kenji, ou pelo menos era o que dizia a tela. A mulher ficou confusa. Se um homem roubou o celular do Kenji, por que uma mulher atendeu? E por que ela estava ligando pra ela? Kimiko teve medo de atender. Precisava contar pra alguém, pra polícia, mas agora ela tava longe demais. Com certeza ia perder a ligação. E se não ligassem mais? Todos os instintos da esposa do ferido diziam pra ela não atender, pra não tocar no celular.
— Alô?
De novo aquela voz feminina que, no começo, tinha deixado ela com ciúmes.
— … Kimiko demorou uns segundos pra falar.
— Alô.
— Alô? Tô falando com a polícia?
— Quê? Não.
— A senhora é a Kimiko Nakamura, certo?
— Kkkk, sim, é ela.
Ouviu um barulho, como se o celular tivesse sido virado.
— KENJI…
— Isso é tudo que eu lembro.
— Tá bem, Sr. Nakamura. Acho que já é o suficiente. A gente avisa se tiver novidades.
Os policiais disseram isso antes de sair com um retratista. Continua...
Comentarios Destacados
6 comentários - Mãe do Pedro e o valentão 25
esta historia se fue a la mierda