Sempre o noturno me atraiu fortemente, mas não o burburinho das pessoas e o barulho, e sim a auréola silenciosa que a noite guarda. É ali que se movem as forças estranhas das personalidades humanas. Aquele escuro onde despertam nossos instintos mais escondidos e que são observados atentamente pelos duendes noturnos.
Quando saíamos pra passear alguma noite com o Edu, meu marido, e voltávamos pra casa de carro depois de um rolê normal, já de madrugada, eu pedia pra ele me levar pra dar uma volta pela zona quente, como era chamada, e ele, entendendo meu pedido, seguia devagar em direção à zona vermelha ou zona quente da cidade de Córdoba, que, como toda cidade grande, tem nas suas periferias centrais. Da nossa bolha automotiva, observávamos os visitantes noturnos que desfilavam pela rua, todos aqueles seres que de dia não se veem. As putas e travestis que se oferecem pros clientes ocasionais, os que vão pros boliches não santos da área, os maridos safados buscando sexo casual, os marginais que vagam silenciosos.
Observar essa vida noturna me extasiava e, enquanto rodávamos de carro, eu não perdia nenhum detalhe do que rolava naquelas ruas pouco movimentadas. Eu sentia por dentro que esses passeios me excitavam muito forte sexualmente, e meu marido percebia isso, satisfazendo meus caprichos quando estacionava um pouco pra eu observar os transeuntes com mais calma. Eu dizia pra ele que me atraía um corredor escuro que fica na rua San Martín, número 500, onde às vezes se notava alguma silhueta feminina que se refugiava dos olhares indiscretos e só aparecia quando alguma luz de carro a iluminava. Era um lugar perfeito de pegação escura e sórdida, testemunha silenciosa de transas sexuais momentâneas. Eu fantasiava que aquele era um lugar que me atraía e contava pro meu marido, cúmplice dos meus desejos, enquanto ele ria compreensivamente ao compartilhar. meus segredos.
Às vezes, quando eu me desocupava na Receita por algum trâmite de imposto que fazia, lembrava que o beco ficava na esquina da rua Rivera Indarte, onde fica o prédio principal da Receita. Às vezes, picada por uma curiosidade mórbida, já passei de dia pelo beco pra dar uma olhada bem. Ele é estreito e comprido, tem uma porta no fundo que vive fechada e uma escada de ferro que leva a algum lugar, no meio do beco. Não consegui reparar em mais detalhes nas minhas passadas rápidas porque de dia é um corre-corre danado de gente trabalhando e circulando. Embora com a luz do sol não tenha a magia da noite, eu pensava que de dia os duendes dele tão dormindo e só vão acordando quando a noite chega.
No verão passado, precisamente na sexta-feira, 19 de janeiro de 2024, a gente teve uma briga com meu marido bem antes de uma viagem de trabalho dele, por uma besteira minha. Quando ele foi embora, chorei desconsolada, arrependida da nossa discussão, e pensei como tinha sido tão otária. Ele tinha ido bem puto pela minha falta de noção, algo que não é comum em mim, e eu entendia, porque não costumo reagir assim. Mas como ele ia ficar fora o fim de semana inteiro, já que só voltaria na segunda, eu me sentia amargurada. Naquela mesma sexta, minha amiga Gladis veio me visitar à tarde e, como em toda conversa de mulher essas coisas se contam, eu desabafei sobre a briga com meu marido. Ela disse pra eu não me preocupar, deixar a tristeza de lado, que ia passar, e que eu tentasse sair e me divertir um pouco pra mudar de energia. A gente se olhou cúmplices pela sugestão dela, porque eu entendi a mensagem safada, mas falei que não tinha ninguém pra sair. Ela disse pra eu não ser boba, que não ia me fazer mal sair e conhecer alguém, e se desse pra dar uma boa trepada, tava tudo bem, afinal seria só um touch and go. Eu falei que ela tinha razão, que a ideia não era ruim, e minha amiga me fez prometer que naquela noite eu iria dançar pra qualquer lugar, já que ela tinha que sair com o namorado, senão teria me feito companhia pra sairmos juntas pra nos divertir.
Me dava graça o conselho dela, porque a Gladis geralmente não fala dessas coisas comigo. Como prometi que naquela noite ia meter o pé na jaca do jeito que ela me aconselhou, a gente riu pra caralho e abriu uma garrafa de champanhe pra brindar como duas boas amigas. Depois de um tempo, as bolhas já tinham subido um pouco na cabeça e a gente ria às gargalhadas das nossas besteiras. Lá pelas oito, a Gladis se despediu de mim porque tinha que voltar pra casa pra se arrumar e sair com o namorado naquela noite. Quando a gente se deu um beijo na porta de casa, prometemos que eu ia cumprir o pacto de amigas, e ela foi embora. Quando fiquei sozinha, me joguei esparramada no sofá pra ver TV um pouco, mas não conseguia me concentrar no programa. Como se fosse uma compulsão, a ideia da aventura casual ficava rodando na minha cabeça. Coloquei uma música animada no som e fiquei dançando sozinha um tempo, tomando um uísque pra me animar. Depois, fiquei relaxada no sofá enquanto a mistura de bebidas fazia efeito.
Perto das dez da noite, entrei numa banheira de imersão pra passar o torpor, e depois me enrolei numa toalha pra ver como estava a rua pela janela. Tava um calor do caralho e muita umidade, tudo parecia meio pegajoso, e fui pro guarda-roupa escolher a roupa que ia vestir. Procurei algo bem fresquinho pra usar e, sem pensar muito, separei um vestidinho de tecido elastano fininho, verde maçã fluorescente, com alças finas e bem decotado, com um drapeado na frente que o deixava ideal pra ir pra uma balada dançar. Quando vesti e me olhei no espelho do guarda-roupa pra ver como ficava o vestidinho que quase nunca usei, notei que ele estava bem justo e apertado no meu corpo, mas ficava excelente pro meu gosto, apesar de ser tão chamativo. Optei por combinar com um par de sandálias de Plataformas transparentes de acrílico que apertavam meu pé só com duas tirinhas pretas cruzadas no peito do pé. Me perfumei com “Oscar de la Renta”, chique pra caralho, embora caro por ser importado, e passei uma maquiagem bem leve por causa do calor infernal e da umidade. Pintei as pálpebras de tom escuro pra destacar meus olhos verdes, bem delineados nos contornos, mas não passei batom nos lábios. Quando fiquei pronta, sentei num banquinho alto de pernas cruzadas na frente do espelho grande da sala e fiquei me olhando enquanto terminava o drink.
Só o abajur de uma mesinha estava aceso e, enquanto me observava no espelho, levei um susto com o gongo do relógio de parede marcando meia-noite. O barulho metálico do relógio soou como uma ordem, e senti que aquilo despertou em mim um comando, percebi no meu estômago que deu uma leve revirada, senti um frio na barriga e me toquei que a noite me chamava pra ela.
Tava sozinha e sabia que o que rolasse naquela noite ficaria só no meu segredo. Peguei um xale leve de linha preta, tecido em redes grandes, pra cobrir um pouco meu decote na hora de sair de casa. Ajeitei o cabelo por último no espelho e curti meu visual. No olhar final, notei que o vestidinho tava bem curto e marcava demais a raba, mas não dava mais tempo de procurar outra roupa. Então peguei uma bolsa de alças longas e saí de casa. Fui rápido até a esquina pra pegar um táxi. Ainda bem que veio um rapidinho, e quando entrei, o taxista perguntou pra onde levar. Falei resoluta um endereço e chegamos em não mais de dez minutos. Paguei o senhor e desci do carro. Tava bem na esquina da Igualdade com a San Martín, no centro de Córdoba, bem na zona boêmia, embora ainda cedo, porque quase não tinha movimento. A rua naquele trecho tava escura e o ar tava bem pesado. Virei na San Martín, rebolando sem muito me esforçando pela altura dos meus saltos e, quando atravessei a rua na perpendicular em direção ao corredor das minhas fantasias, passou um carro com dois caras que gritaram "gostosa" e não sei mais o quê.
Quando subi na calçada, primeiro parei na escuridão do corredor, mas não sabia o que fazer ali. Senti que minha sorte estava lançada, que tinha queimado as pontes e não havia volta. Já estava ali posicionada, não mais como observadora, mas como atriz principal da minha aventura. Imaginava o que podia acontecer comigo vestida daquele jeito, sozinha naquela escuridão e na zona quente, mas não tinha medo, me sentia tranquila porque ninguém ia me obrigar a nada que eu não quisesse. No entanto, estava um pouco nervosa pela solidão momentânea e pela novidade da situação. Pensava na minha amiga Gladis, que nem imaginaria que eu estava naquele momento na zona de prostituição como uma das tantas que esperam algum cara abordar, nem eu mesma entendia, mas algo forte me impulsionava por dentro e me fazia sentir excitada. Era uma sensação estranha que me invadia e, ao contrário do que sou normalmente, vi as luzes de um carro que me iluminou ao virar na esquina. Olhei para o ocupante, que não consegui distinguir bem, mas o carro seguiu como se nada fosse. Olhei para dentro do corredor, que estava muito escuro às minhas costas, e algo me levou a explorá-lo. Enquanto caminhava tentando não fazer barulho, sentia uma mistura de medo e excitação, minha barriga se contorcia voluptuosamente diante daquele jogo perigoso. Pensei em voltar e ir embora dali, mas, se decidisse ir, antes queria chegar até o fundo do corredor. Dizia para mim mesma que era uma louca até chegar na porta que sempre estava fechada.
Só havia uma luz fraca acesa de um lado, que mal iluminava quando observei aquela porta velha e descascada.
Tudo estava em silêncio ali, exceto pelo escapamento de algum carro que passasse na rua. Aproveitando a luzinha que iluminava fracamente, examinei minha carteira, procurando minha bolsinha de maquiagem e me olhando como dava no espelhinho de mão, passei um batom bem vermelho iridescente nos lábios, um pouco de blush nas bochechas e pronto. Já tava pronta. O corredor tava silencioso e quando cheguei na metade, já bem escuro, parei pra sentir a paz daquele silêncio e encostei as costas na parede, levantando a cabeça pro céu, olhei pras estrelas que mal dava pra ver, apagadas pelas luzes da cidade naquela noite quente de verão. Falei pra mim mesma que tinha que ir pra porta que dava na rua, porque se alguém entrasse ou saísse daquela porta fechada, eu não teria explicação pra dar da minha presença ali. Meio nervosa, fui andando em direção à rua, tentando abafar um pouco o barulho dos meus saltos altos e guardei o xale na minha bolsa.
Quando cheguei na rua, me senti mais segura parada na porta do corredor, como se tivesse esperando alguém, e me sentia segura apesar de tudo, o que me deixou mais calma. Uma árvore grande e frondosa que tava na calçada fazia mais sombra no lugar. Pensei em ficar mais um pouco e voltar pra casa, mas descartei a ideia porque me sentia ligada. O mistério da minha presença ali parada me excitava e seduzia, como se me deixasse sem vontade de ir embora. Pensava que ainda era cedo e não sabia quanto tempo mais ia ficar parada ali quando os carros e o pessoal da noite começassem a passar. Sentia meus sentidos ficarem mais aguçados e meu coração batia forte de excitação, e sentia a pele úmida, nem uma folha da árvore se mexia. Fiquei olhando uma luz no meio do quarteirão da Rua Igualdade, onde dava pra ver o único movimento num motel de casais que funciona ali, quando vi que apareceu um homem que virou andando pela calçada onde eu tava parada. Ao me ver sozinha e no escuro, ele parou na minha frente pra me olhar de perto e perguntou o que eu tava fazendo ali. Falei que tava esperando uma pessoa que ia me buscar. Entendendo, ele se aproximou um pouco mais e perguntou meu nome, eu respondi Graciela, do que me arrependi depois porque, embora seja meu segundo nome, é o verdadeiro, e lembrei de manter meu anonimato. Nisso, um carro virou da Rua Igualdade e nos iluminou com seus faróis potentes por apenas alguns segundos. O homem me mostrou que eu agradava ele quando elogiou como eu estava vestida e, para quebrar o gelo, me ofereceu um cigarro, que aceitei porque estava com vontade de fumar. Ele disse, enquanto acendia meu cigarro com toda educação, e perguntou se eu era nova, porque nunca tinha me visto por ali. Eu concordei, e ele, muito respeitoso, disse que quando passasse de novo mais tarde, se me encontrasse, me convidaria para tomar algo. Eu falei que beleza, sem problemas, e o homem seguiu andando.
Quando observei ele se afastando, não senti vergonha nenhuma de ter tido aquela conversa rápida com o estranho. Talvez pelo clima casual e clandestino do lugar, mas estava tudo bem até então. A verdade é que estava com vontade de fumar, e o calor infernal me pedia uma bebida gelada urgente. De repente, não sei de onde surgiu, apareceu uma caminhonete escura daquelas novas, que apagou os faróis quando parou na minha frente. Dentro dava pra ver uma silhueta masculina e o vermelho da brasa de um cigarro aceso. Ele piscou os faróis pra mim, e eu só olhei, apoiada na porta do corredor. O homem desceu e se aproximou. De novo a mesma pergunta do anterior e minha mesma resposta, mas ele acrescentou se eu estava esperando o cara com quem tinha falado antes. Respondi que sim, que ele tinha dito que voltaria. O cara perguntou meu nome, e dessa vez saiu automático “Gisella”, sem nem pensar. Ele disse que se chamava Federico e que eu estava muito gostosa pra ficar tão sozinha, e me convidou pra tomar algo gelado em outro lugar. A verdade é que não fiz muito charme, porque a sede estava apertando. Quando me acomodei ao lado dele ao subir na caminhonete, meu vestidinho subiu, mostrando generosamente minha pernas pro desconhecido que me olhava com muita simpatia. Era um cara atraente, de meia-idade, que foi me contando que sempre passava por aquele lugar, mas que nunca tinha me visto antes. Eu respondi brincando que, como era tão escuro, talvez ele não tivesse me visto. Ele riu e não insistiu no assunto. Enquanto isso, a gente tinha chegado no Parque Sarmiento e, a uma quadra do monumento ao Dante, tem um bar muito bonito e fresco, mas por causa do calor pesado que fazia naquela noite, o bar tava lotado de gente. Federico estacionou a caminhonete debaixo das árvores na rua secundária, do lado da Avenida, e me disse que a gente ia tomar algo dentro do veículo porque não tinha lugar no bar. Ele desceu e voltou com dois copos de trago longo com fernet com coca e muito gelo. A gente ficou conversando na caminhonete um tempão sobre coisas sem importância e repetiu o trago mais duas vezes. A gente já tava na confiança, e eu tinha tirado os sapatos pra ficar mais confortável. Enquanto eu ria cada vez mais alto das piadas dele, percebi que tava ficando bêbada com a bebida. Num momento, falei pra ele, e ele respondeu que tava tudo bem, que a gente tava ali pra se divertir, e era verdade. Era só isso. O cara se mostrava muito seguro de si, e isso me atraía nele.
Me senti muito relaxada, e ainda mais quando ele reclinou meu banco, mas comecei a sentir que tudo tava girando enquanto sentia as mãos dele explorando meu corpo. Ele dizia que adorava minha bunda e meus peitos, eu ia às gargalhadas, mas tava consciente apesar da tontura. Me sentia excitada com os carinhos e falei que já era hora de voltar porque iam me buscar. Ele aceitou, e a gente voltou de novo pra esquina da Igualdade com San Martín. Federico perguntou se tinha problema em me acompanhar até que viessem me buscar, e eu disse que não. A gente ficou ouvindo música enquanto eu observava que a fauna noturna já tava a todo vapor na área, e os carros desfilavam procurando diversão. Eu me deixava levar pelos carinhos. do tipo, mas sem tentar me beijar, e às vezes eu virava a cabeça olhando pro corredor escuro de onde o homem tinha me levantado e a luz fraca no fundo que mal dava pra ver da rua enquanto sentia ele enfiar as mãos em todo lugar. Eu não entendia o que tinha acionado o gatilho na minha mente pra eu estar assim naquele momento com aquele homem naquele lugar. De repente, levantou um vento forte de terra e Federico me disse pra gente sair dali porque vinha tempestade. Sem eu responder, ele ligou a caminhonete e saímos da área. Quando cruzamos a ponte Sarmiento, eu não sabia pra onde a gente ia e nem perguntei. Só coloquei a cabeça pra fora da janela pra sentir o vento forte no rosto. O cara pegou uma rua lateral que dava na Avenida Patria. Quando chegamos lá, já caíam umas gotonas grossas de chuva.
Umas seis quadras adiante, a caminhonete entrou num posto de gasolina bem grande que fica abaixo do nível da avenida. Ele estacionou no fundo do posto e desceu pra me trazer uma coca gelada, mas sem álcool, falei, porque eu tava me sentindo bem tonta. Eu olhava ele da caminhonete indo em direção a um escritório do lado onde tava o frentista e uma geladeira imensa, com uns cinco ou seis caras jovens bebendo e zoando entre eles. Dava pra ver que eram do bairro, e Federico ficou conversando um tempo com eles, dando gargalhadas. Depois, o funcionário entregou uma garrafa de refrigerante e dois copos pra ele, que voltou pro veículo. Eu tomei só um gole, e o cara começou, dessa vez, a me acariciar mais fundo. A avenida tava alagada e tinha começado a cair granizo junto com a chuva forte. Ele me perguntou se eu queria transar dentro da caminhonete, já que não dava pra sair e ir pra um lugar mais tranquilo, mas eu falei que ali era desconfortável, além de que os caras percebiam porque não tiravam o olho da caminhonete e ficavam zoando entre eles. O cara me disse que ia ver como Fiz isso na hora e fui de novo até o funcionário da estação, eles conversaram um pouco e ele voltou pra me dizer que estava tudo resolvido. Me falou que em cima da estação tinha um salão vazio e que o funcionário emprestava a chave pra gente ir pra lá. Eu ri divertida com a oferta dele e percebi que naquela altura qualquer um podia me levar até um banheiro apertado sem insistir muito.
Quando desci da caminhonete, tropecei nos meus saltos, sentia o vestido grudado no corpo e Federico segurou minha mão pra me ajudar a subir uma escada larga até o andar de cima. Eu tentava em vão puxar o vestido pra baixo, porque achava que os caras estavam olhando pra minha bunda, e era verdade, porque os manos soltaram um assobio de aprovação e riram. Meu acompanhante casual abriu com a chave uma porta de vidro grande que dava pra um salão vazio e escuro, todo cercado por janelões sem cortina. Meus saltos ecoavam forte lá dentro enquanto ele me levava pela mão até uma janela grande que abriu pra entrar um vento. Quando senti aquele ar fresco maravilhoso me invadir, respirei fundo enquanto sentia o cara tirando meu vestido. O ar fresco da janela tomou conta do meu corpo quente e me apoiei no parapeito. O cara me agarrou por trás com os braços fortes enquanto as mãos dele acariciavam meus peitos. Senti o peito quente dele, com a camisa entreaberta, encostado nas minhas costas, que grudavam na minha pele, e ele sussurrou no meu ouvido que tinha uma pica gostosa e quente pra mim. Eu respirei pesado e fechei os olhos, totalmente entregue. Senti, como num sonho, o homem se livrando nervosamente da calça. Os dedos dele acariciavam minha buceta por trás e ele encostava a pica dura feito um pau. Depois, com os dedos, ele puxou minha calcinha fio dental apressado pra achar a entrada do meu buraquinho. Eu tava molhada quando senti ele abrir os lábios da minha buceta com o membro dele e soltei um suspiro. O cara me disse que eu Fiquei quietinha e assim que a cabeça do pau dele entrou um pouco em mim, ele enfiou com força até o fundo. Eu tremi um pouco e comecei a receber as estocadas violentas dele, que batiam no meu útero. Não sei o que aconteceu, mas veio um orgasmo instantâneo. Foi um clarão reluzente, como os relâmpagos que iluminavam o salão vazio. Meus gemidos ecoavam naquela imensidão enquanto o cara me dizia para gozar como uma gostosa, que eu era uma puta que procurava paus e coisas do tipo, enquanto me arrombava com força. Isso parecia excitar ele ainda mais, porque ele metia com mais violência.
Eu me sentia presa num vértice estranho que me queimava e não oferecia resistência, só me deixava levar pro fundo de um abismo escuro que brilhava como os relâmpagos e a chuva que caía torrencialmente.
Em um momento, senti que o pau dele saiu de dentro de mim, e ele me ajeitou de novo para recebê-lo. Abri mais as pernas, mas senti que ele estava apoiando mais pra cima, procurando a entrada da minha bunda. Ele molhou com alguma coisa, porque começou a empurrar no meu cu, que foi se dilatando enquanto ele ia metendo até sentir ele inteiro dentro de mim. Fazer por trás, dava pra ver que fazia ele gozar mais, principalmente quando ele enfiava os dedos na minha buceta agora vazia, que roçavam no pau dele enfiado no meu cu. Isso me fez soltar um grito de prazer, e ele fez "shhhh" pedindo silêncio. Depois, tirava os dedos e colocava na minha boca para eu chupar. Ele me apertava com força, e cada vez que me empurrava, me fazia soltar um gemido. Isso o excitava mais, e ele dizia para eu gritar enquanto batia forte nas minhas nádegas com o corpo dele. O cara me fazia sentir como uma boneca de prazer que ele manipulava à vontade. Sentia as mãos quentes dele por todo o meu corpo, e em algum momento perdi a noção de tudo, até que de repente comecei a sentir outras mãos estranhas me tocando. Olhei para trás por cima do ombro e vi um rapaz novo, um dos que estavam lá embaixo. que tava passando a mão nas minhas tetas por trás enquanto o outro me tinha penetrada. O que eu podia dizer naquela situação, ainda mais quando o cara falava pro jovem me acariciar a pussy e meter os dedos dentro. O moleque se abaixou um pouco e me apertou pela frente contra o corpo dele enquanto as mãos dele percorriam minha buceta.
Federico, ou seja lá como se chama, perguntou pro jovem se ele sentia com os dedos dentro da minha pussy como o cock dele enchia meu cu. O moleque disse que sim, que a tia era uma gostosa, respondeu. O homem vibrou e me mandou beijar o moleque enquanto ele me observava por cima do meu ombro. O moleque aproximou os lábios e eu recebi o beijo dele. Federico começou a me meter freneticamente, apressando outro orgasmo. Enquanto eu gozava que nem uma besta, o moleque me beijava. Eu gritei alto, mesmo que ecoasse no salão imenso e vazio. O homem tirou a rola e mandou o outro me pegar. Por um instante me senti indecisa, mas não me deram tempo de reagir. O que tinha me levado falava pro dude se colocar atrás de mim e me comer pelo cu enquanto me abraçava pela frente, pedindo pra eu me abaixar um pouco pra receber o moleque. Eu me apertei contra a cintura dele enquanto sentia o buraco da minha raba recebendo a rola do estranho, os trovões e relâmpagos não paravam de iluminar aquela escuridão com suas cores fantasmagóricas. Dava pra ouvir o estalo causado pelo suor quando os corpos se separavam e se uniam de novo. O novo ocupante se mexia bem, mas Federico mandava ele meter com mais força, que eu gostava com força, e me disse pra falar isso. Eu só respondi que sim e o moleque me metia com força, arrancando um orgasmo de mim. Minha cabeça voava e Federico curtia meu prazer enquanto me acariciava com ternura. As contrações uterinas do meu orgasmo fizeram o moleque começar a gozar até despejar toda a porra quente dele nos meus intestinos. Depois ele tirou a rola e exclamou satisfeito que tinha gozado uma boa. Polvão. Federico me segurava com força e perguntava se eu queria mais picas. Eu me sentia mole e não respondia nada. Minhas pernas tremiam e ele me fez deitar no chão. O cara tinha ido embora, mas outro tinha entrado, e eu percebi porque ele vinha se despindo na minha direção. Eu não conseguia vê-lo direito no escuro, mas notei que ele se ajeitava na minha frente. Federico me virou de costas no chão de tacos e levantou minhas pernas bem alto pra receber o novo hóspede dentro da minha buceta.
Enquanto Federico segurava minhas pernas, ele via o cara me comendo e dizia que esse tinha um pauzão, eu não conseguia ver nada por causa da posição, mas sentia bem, embora notasse que o outro cara estava desconfortável porque não conseguia se mexer livremente. Então eu ajeitei minhas pernas nos ombros dele pra ele meter inteiro dentro do meu buraco quente. Eu tenho experiência de fazer isso outras vezes com outros e com meu marido, mas esse cara me usava como se fosse meu dono, e o mais estranho é que eu obedecia em tudo, já motivada naquela altura só por uma necessidade irreprimível de gozar. Os dois caras comemoravam cada vez que arrancavam gemidos de mim. E o cara gozou rapidinho com meus movimentos. Quando ele saiu de mim, Federico mandou ele buscar os outros dois que faltavam. O mano foi embora calado escada abaixo. Federico me abraçava deitados no chão e me segurava contra o peito dele, me dando carícias suaves. Eu disse que eles iam me matar, e ele, sorrindo, falou pra eu não me preocupar, que eu estava em boas mãos. O cara era instável, às vezes meigo, às vezes possessivo, talvez pra me desorientar. Ele me apertou forte enquanto metia de lado na minha buceta de novo, se movendo devagar. Ele sussurrava no meu ouvido que adorava uma mulher gostosa como eu, que queria me ter como puta dele, que eu era uma rabuda e outros elogios do tipo.
Eu me sentia como anestesiada. Quando os outros dois caras subiram, ele fez eles comerem um atrás do outro. comigo e, quando os dois terminaram, ele os dispensou.
Quando ficamos sozinhos, ele me perguntou se eu tinha gostado, eu disse que sim. Então ele me disse pra pegar o velho também, se referindo ao funcionário da estação, porque me contou que o trato era que ele emprestava o salão se deixasse ele também me pegar. Me disse que ele tinha se comportado bem com o gesto dele, porque arriscava o emprego, e que era justo eu dar uma divertida nele. Falou que o coitado não devia meter com frequência e que eu o chamasse pela janela pra subir. Perguntei o nome e ele disse Rafael. Quando me levantei e atravessei o salão nua, sentia minhas perninhas no ar. Olhei pela janela e vi que ainda tinham dois dos caras com ele. Quando ele ouviu o nome dele da janela, veio apressado. Os caras ficaram pra substituí-lo até ele se liberar. Eu voltei pro Federico, que tinha se revelado um perfeito pervertido que curtia a situação, e eu era a ferramenta dele. O outro homem entrou no salão e se aproximou de nós. Federico me mandou ficar de pé pra o cara me olhar. A pouca luz mostrava meu corpo ainda pulsante, e meu dono momentâneo perguntava pro outro se ele gostava da gostosa que ia comer. O homem só sorriu enquanto olhava Federico me acariciar. Ele mandou o cara tocar meus peitos, e eu sentia um certo tremor nas mãos dele quando acariciava meu corpo ainda suado. Eu levei minha mão até a braguilha dele, e o pau dele eu senti bem duro. O homem, apressado, baixou a calça. Federico me segurou por trás e me levou até o homem que se aproximava. Ele procurava meu buraco feito louco, e Federico levantou bem alto minha perna direita pra recebê-lo. Enquanto ele metia, fazia sons de prazer com a boca, eu acariciava a cabeça dele suavemente e observava como ele gozava com meu corpo. Quando ele começou a se apressar, apertei ele contra meu peito pra ele se descarregar bem. Ele fazia movimentos esporádicos enquanto derramava o esperma quente dele, que começava a escorrer pela minha perna esquerda quando eu tava tirando, satisfeita. Me atraía no Federico que ainda não tinha gozado comigo nenhuma vez e ele falou pro Rafael ficar um pouco pra ver como ele me comia de quatro.
Eu já me sentia uma puta que topava qualquer coisa com esses caras e me entreguei de novo pra transar na frente de outro homem. Já tinha me adaptado às exigências do cara que me pegou naquela noite e foi uma foda longa que me fez ter um orgasmo demorado que explodiu forte dentro de mim. Não sentia só nos meus buracos, mas percorria meu corpo inteiro como uma vibração elétrica de muito prazer que terminou num gemido suave meu. Depois de gozar, os dois homens desceram conversando. Ele falou pra eu esperar e fiquei sozinha naquela imensidão escura enquanto os relâmpagos continuavam iluminando o céu de forma entrecortada, quase dantesca. Depois Federico voltou e me levou pro andar de baixo pra eu tomar banho no banheiro dos funcionários porque tinha chuveiro. Enquanto me molhava com a água morna, sentia a calma voltando. A tontura foi passando e fiquei um tempão debaixo da água. Quando me enxugava, notei minha buceta inchada e vermelha, com uma leve ardência. Depois me vesti e me arrumei de novo.
Quando saí do banheiro, Federico tava me esperando. Quando cheguei perto dele, esbocei um sorriso pra mostrar que não tinha treta da minha parte com o que tinha rolado. Subimos na caminhonete, já não tava chovendo e tinha refrescado um pouco. Quando saímos do posto, acenei pro funcionário que ficava sozinho. Enquanto descíamos pro centro, eu ia terminando de secar meu cabelo no vento da janela da caminhonete enquanto cantarolava uma música melódica que tocava no som do veículo. Federico dirigia em silêncio. Ele tinha me perguntado onde eu queria que me deixasse e eu falei onde ele tinha me encontrado. Quando chegamos nas esquinas da Igualdade com São Martinho, nos despedimos. e me disse que outra noite passaria pra me buscar por aí. Quando a caminhonete de onde eu tinha descido partiu, na esquina estavam paradas duas travestis que me olharam sem dizer nada. Eu tirei o xale da minha bolsa porque tinha esfriado um pouco e me parei de novo na porta do corredor escuro. Como toda tempestade de verão, já tinha passado como tinha chegado e a rua tinha secado pelo calor que ainda restava no cimento.
Enquanto pensava em voltar pra casa, parou um carro com um homem grande dentro que me convidou pra sair quando me aproximei da janela, mas eu disse que já ia dormir e ficamos pra outro dia. Eu fiquei um tempão parada no corredor escuro pra terminar meu cigarro e depois me asomei na rua, as travestis na esquina onde tinha luz me olharam e perguntaram se eu queria um táxi, eu disse que sim e uma delas falou pra eu ir até a meia quadra que tinha um táxi parado. Agradeci e caminhei até o táxi. Perguntei se tava livre e ele disse que sim, então entrei no carro. O taxista começou a comentar que o temporal tinha sido forte e até tinha derrubado árvores, eu concordava sem escutar enquanto pensava que, conforme a gente se afastava do lugar, os duendes da noite iam se evaporando. Eram os gênios noturnos que tinham se juntado no corredor escuro pra me convocar a me entregar a eles no seu ritual obscuro de sexo, do qual eu tinha sido a convidada especial daquela noite com a oferenda do meu corpo. Eram esses entes escuros que vagam pelas noites escondidos nos lugares mais sórdidos que me fizeram saber que eles continuariam ali esperando quando eu quisesse voltar a encontrá-los de novo, porque tinham me escolhido pra carregar a marca de pertencimento deles. O círculo tinha se fechado. O pacto tinha sido celebrado num altar escuro de sexo oculto e proibido que só eles e eu conhecíamos.
Mais tarde, quando já estava na minha casa mergulhada na água morna da banheira, Senti uma paz interna que me invadia profundamente, como num sonho. Os gênios já não estavam na minha mente, só a música suave do som na calma da minha casa.
Outra sexta à noite, 4 de fevereiro deste ano, a gente tinha ido jantar com meu marido no Il Gatto, na Avenida Colón. Quando saímos do estacionamento de carro, o Edu foi devagar em direção à zona quente e demos umas voltas pelas ruas. Passeávamos sem falar, só ouvindo a música do carro. Como de costume, ele pegou pela Igualdade e virou quando chegou na San Martín, e eu olhei quando passamos na frente do corredor escuro. Não tinha ninguém. Lembrei que tempo atrás tinha visto uma silhueta feminina parada no corredor escuro, mas depois não vi mais nas passadas seguintes. Eu percebi naquela passada que a luz fraca do fundo estava acesa. Entendi como um sinal pra mim, sabia que elas estavam lá e que me esperavam até que eu decidisse de novo. Me aconcheguei no corpo protetor do meu marido e beijei ele docemente. Enquanto a gente se afastava do lugar em direção à nossa casa, consegui entender por que ninguém parava de noite naquele corredor. Era o meu lugar.
Na próxima, conto se voltei ao lugar de novo, mas isso vai ser outra história que só vou revelar se vocês acreditarem que a noite guarda mistérios inconfessáveis que a gente nunca vai entender.
Quando saíamos pra passear alguma noite com o Edu, meu marido, e voltávamos pra casa de carro depois de um rolê normal, já de madrugada, eu pedia pra ele me levar pra dar uma volta pela zona quente, como era chamada, e ele, entendendo meu pedido, seguia devagar em direção à zona vermelha ou zona quente da cidade de Córdoba, que, como toda cidade grande, tem nas suas periferias centrais. Da nossa bolha automotiva, observávamos os visitantes noturnos que desfilavam pela rua, todos aqueles seres que de dia não se veem. As putas e travestis que se oferecem pros clientes ocasionais, os que vão pros boliches não santos da área, os maridos safados buscando sexo casual, os marginais que vagam silenciosos.
Observar essa vida noturna me extasiava e, enquanto rodávamos de carro, eu não perdia nenhum detalhe do que rolava naquelas ruas pouco movimentadas. Eu sentia por dentro que esses passeios me excitavam muito forte sexualmente, e meu marido percebia isso, satisfazendo meus caprichos quando estacionava um pouco pra eu observar os transeuntes com mais calma. Eu dizia pra ele que me atraía um corredor escuro que fica na rua San Martín, número 500, onde às vezes se notava alguma silhueta feminina que se refugiava dos olhares indiscretos e só aparecia quando alguma luz de carro a iluminava. Era um lugar perfeito de pegação escura e sórdida, testemunha silenciosa de transas sexuais momentâneas. Eu fantasiava que aquele era um lugar que me atraía e contava pro meu marido, cúmplice dos meus desejos, enquanto ele ria compreensivamente ao compartilhar. meus segredos.
Às vezes, quando eu me desocupava na Receita por algum trâmite de imposto que fazia, lembrava que o beco ficava na esquina da rua Rivera Indarte, onde fica o prédio principal da Receita. Às vezes, picada por uma curiosidade mórbida, já passei de dia pelo beco pra dar uma olhada bem. Ele é estreito e comprido, tem uma porta no fundo que vive fechada e uma escada de ferro que leva a algum lugar, no meio do beco. Não consegui reparar em mais detalhes nas minhas passadas rápidas porque de dia é um corre-corre danado de gente trabalhando e circulando. Embora com a luz do sol não tenha a magia da noite, eu pensava que de dia os duendes dele tão dormindo e só vão acordando quando a noite chega.
No verão passado, precisamente na sexta-feira, 19 de janeiro de 2024, a gente teve uma briga com meu marido bem antes de uma viagem de trabalho dele, por uma besteira minha. Quando ele foi embora, chorei desconsolada, arrependida da nossa discussão, e pensei como tinha sido tão otária. Ele tinha ido bem puto pela minha falta de noção, algo que não é comum em mim, e eu entendia, porque não costumo reagir assim. Mas como ele ia ficar fora o fim de semana inteiro, já que só voltaria na segunda, eu me sentia amargurada. Naquela mesma sexta, minha amiga Gladis veio me visitar à tarde e, como em toda conversa de mulher essas coisas se contam, eu desabafei sobre a briga com meu marido. Ela disse pra eu não me preocupar, deixar a tristeza de lado, que ia passar, e que eu tentasse sair e me divertir um pouco pra mudar de energia. A gente se olhou cúmplices pela sugestão dela, porque eu entendi a mensagem safada, mas falei que não tinha ninguém pra sair. Ela disse pra eu não ser boba, que não ia me fazer mal sair e conhecer alguém, e se desse pra dar uma boa trepada, tava tudo bem, afinal seria só um touch and go. Eu falei que ela tinha razão, que a ideia não era ruim, e minha amiga me fez prometer que naquela noite eu iria dançar pra qualquer lugar, já que ela tinha que sair com o namorado, senão teria me feito companhia pra sairmos juntas pra nos divertir.
Me dava graça o conselho dela, porque a Gladis geralmente não fala dessas coisas comigo. Como prometi que naquela noite ia meter o pé na jaca do jeito que ela me aconselhou, a gente riu pra caralho e abriu uma garrafa de champanhe pra brindar como duas boas amigas. Depois de um tempo, as bolhas já tinham subido um pouco na cabeça e a gente ria às gargalhadas das nossas besteiras. Lá pelas oito, a Gladis se despediu de mim porque tinha que voltar pra casa pra se arrumar e sair com o namorado naquela noite. Quando a gente se deu um beijo na porta de casa, prometemos que eu ia cumprir o pacto de amigas, e ela foi embora. Quando fiquei sozinha, me joguei esparramada no sofá pra ver TV um pouco, mas não conseguia me concentrar no programa. Como se fosse uma compulsão, a ideia da aventura casual ficava rodando na minha cabeça. Coloquei uma música animada no som e fiquei dançando sozinha um tempo, tomando um uísque pra me animar. Depois, fiquei relaxada no sofá enquanto a mistura de bebidas fazia efeito.
Perto das dez da noite, entrei numa banheira de imersão pra passar o torpor, e depois me enrolei numa toalha pra ver como estava a rua pela janela. Tava um calor do caralho e muita umidade, tudo parecia meio pegajoso, e fui pro guarda-roupa escolher a roupa que ia vestir. Procurei algo bem fresquinho pra usar e, sem pensar muito, separei um vestidinho de tecido elastano fininho, verde maçã fluorescente, com alças finas e bem decotado, com um drapeado na frente que o deixava ideal pra ir pra uma balada dançar. Quando vesti e me olhei no espelho do guarda-roupa pra ver como ficava o vestidinho que quase nunca usei, notei que ele estava bem justo e apertado no meu corpo, mas ficava excelente pro meu gosto, apesar de ser tão chamativo. Optei por combinar com um par de sandálias de Plataformas transparentes de acrílico que apertavam meu pé só com duas tirinhas pretas cruzadas no peito do pé. Me perfumei com “Oscar de la Renta”, chique pra caralho, embora caro por ser importado, e passei uma maquiagem bem leve por causa do calor infernal e da umidade. Pintei as pálpebras de tom escuro pra destacar meus olhos verdes, bem delineados nos contornos, mas não passei batom nos lábios. Quando fiquei pronta, sentei num banquinho alto de pernas cruzadas na frente do espelho grande da sala e fiquei me olhando enquanto terminava o drink.
Só o abajur de uma mesinha estava aceso e, enquanto me observava no espelho, levei um susto com o gongo do relógio de parede marcando meia-noite. O barulho metálico do relógio soou como uma ordem, e senti que aquilo despertou em mim um comando, percebi no meu estômago que deu uma leve revirada, senti um frio na barriga e me toquei que a noite me chamava pra ela.
Tava sozinha e sabia que o que rolasse naquela noite ficaria só no meu segredo. Peguei um xale leve de linha preta, tecido em redes grandes, pra cobrir um pouco meu decote na hora de sair de casa. Ajeitei o cabelo por último no espelho e curti meu visual. No olhar final, notei que o vestidinho tava bem curto e marcava demais a raba, mas não dava mais tempo de procurar outra roupa. Então peguei uma bolsa de alças longas e saí de casa. Fui rápido até a esquina pra pegar um táxi. Ainda bem que veio um rapidinho, e quando entrei, o taxista perguntou pra onde levar. Falei resoluta um endereço e chegamos em não mais de dez minutos. Paguei o senhor e desci do carro. Tava bem na esquina da Igualdade com a San Martín, no centro de Córdoba, bem na zona boêmia, embora ainda cedo, porque quase não tinha movimento. A rua naquele trecho tava escura e o ar tava bem pesado. Virei na San Martín, rebolando sem muito me esforçando pela altura dos meus saltos e, quando atravessei a rua na perpendicular em direção ao corredor das minhas fantasias, passou um carro com dois caras que gritaram "gostosa" e não sei mais o quê.
Quando subi na calçada, primeiro parei na escuridão do corredor, mas não sabia o que fazer ali. Senti que minha sorte estava lançada, que tinha queimado as pontes e não havia volta. Já estava ali posicionada, não mais como observadora, mas como atriz principal da minha aventura. Imaginava o que podia acontecer comigo vestida daquele jeito, sozinha naquela escuridão e na zona quente, mas não tinha medo, me sentia tranquila porque ninguém ia me obrigar a nada que eu não quisesse. No entanto, estava um pouco nervosa pela solidão momentânea e pela novidade da situação. Pensava na minha amiga Gladis, que nem imaginaria que eu estava naquele momento na zona de prostituição como uma das tantas que esperam algum cara abordar, nem eu mesma entendia, mas algo forte me impulsionava por dentro e me fazia sentir excitada. Era uma sensação estranha que me invadia e, ao contrário do que sou normalmente, vi as luzes de um carro que me iluminou ao virar na esquina. Olhei para o ocupante, que não consegui distinguir bem, mas o carro seguiu como se nada fosse. Olhei para dentro do corredor, que estava muito escuro às minhas costas, e algo me levou a explorá-lo. Enquanto caminhava tentando não fazer barulho, sentia uma mistura de medo e excitação, minha barriga se contorcia voluptuosamente diante daquele jogo perigoso. Pensei em voltar e ir embora dali, mas, se decidisse ir, antes queria chegar até o fundo do corredor. Dizia para mim mesma que era uma louca até chegar na porta que sempre estava fechada.
Só havia uma luz fraca acesa de um lado, que mal iluminava quando observei aquela porta velha e descascada.
Tudo estava em silêncio ali, exceto pelo escapamento de algum carro que passasse na rua. Aproveitando a luzinha que iluminava fracamente, examinei minha carteira, procurando minha bolsinha de maquiagem e me olhando como dava no espelhinho de mão, passei um batom bem vermelho iridescente nos lábios, um pouco de blush nas bochechas e pronto. Já tava pronta. O corredor tava silencioso e quando cheguei na metade, já bem escuro, parei pra sentir a paz daquele silêncio e encostei as costas na parede, levantando a cabeça pro céu, olhei pras estrelas que mal dava pra ver, apagadas pelas luzes da cidade naquela noite quente de verão. Falei pra mim mesma que tinha que ir pra porta que dava na rua, porque se alguém entrasse ou saísse daquela porta fechada, eu não teria explicação pra dar da minha presença ali. Meio nervosa, fui andando em direção à rua, tentando abafar um pouco o barulho dos meus saltos altos e guardei o xale na minha bolsa.
Quando cheguei na rua, me senti mais segura parada na porta do corredor, como se tivesse esperando alguém, e me sentia segura apesar de tudo, o que me deixou mais calma. Uma árvore grande e frondosa que tava na calçada fazia mais sombra no lugar. Pensei em ficar mais um pouco e voltar pra casa, mas descartei a ideia porque me sentia ligada. O mistério da minha presença ali parada me excitava e seduzia, como se me deixasse sem vontade de ir embora. Pensava que ainda era cedo e não sabia quanto tempo mais ia ficar parada ali quando os carros e o pessoal da noite começassem a passar. Sentia meus sentidos ficarem mais aguçados e meu coração batia forte de excitação, e sentia a pele úmida, nem uma folha da árvore se mexia. Fiquei olhando uma luz no meio do quarteirão da Rua Igualdade, onde dava pra ver o único movimento num motel de casais que funciona ali, quando vi que apareceu um homem que virou andando pela calçada onde eu tava parada. Ao me ver sozinha e no escuro, ele parou na minha frente pra me olhar de perto e perguntou o que eu tava fazendo ali. Falei que tava esperando uma pessoa que ia me buscar. Entendendo, ele se aproximou um pouco mais e perguntou meu nome, eu respondi Graciela, do que me arrependi depois porque, embora seja meu segundo nome, é o verdadeiro, e lembrei de manter meu anonimato. Nisso, um carro virou da Rua Igualdade e nos iluminou com seus faróis potentes por apenas alguns segundos. O homem me mostrou que eu agradava ele quando elogiou como eu estava vestida e, para quebrar o gelo, me ofereceu um cigarro, que aceitei porque estava com vontade de fumar. Ele disse, enquanto acendia meu cigarro com toda educação, e perguntou se eu era nova, porque nunca tinha me visto por ali. Eu concordei, e ele, muito respeitoso, disse que quando passasse de novo mais tarde, se me encontrasse, me convidaria para tomar algo. Eu falei que beleza, sem problemas, e o homem seguiu andando.
Quando observei ele se afastando, não senti vergonha nenhuma de ter tido aquela conversa rápida com o estranho. Talvez pelo clima casual e clandestino do lugar, mas estava tudo bem até então. A verdade é que estava com vontade de fumar, e o calor infernal me pedia uma bebida gelada urgente. De repente, não sei de onde surgiu, apareceu uma caminhonete escura daquelas novas, que apagou os faróis quando parou na minha frente. Dentro dava pra ver uma silhueta masculina e o vermelho da brasa de um cigarro aceso. Ele piscou os faróis pra mim, e eu só olhei, apoiada na porta do corredor. O homem desceu e se aproximou. De novo a mesma pergunta do anterior e minha mesma resposta, mas ele acrescentou se eu estava esperando o cara com quem tinha falado antes. Respondi que sim, que ele tinha dito que voltaria. O cara perguntou meu nome, e dessa vez saiu automático “Gisella”, sem nem pensar. Ele disse que se chamava Federico e que eu estava muito gostosa pra ficar tão sozinha, e me convidou pra tomar algo gelado em outro lugar. A verdade é que não fiz muito charme, porque a sede estava apertando. Quando me acomodei ao lado dele ao subir na caminhonete, meu vestidinho subiu, mostrando generosamente minha pernas pro desconhecido que me olhava com muita simpatia. Era um cara atraente, de meia-idade, que foi me contando que sempre passava por aquele lugar, mas que nunca tinha me visto antes. Eu respondi brincando que, como era tão escuro, talvez ele não tivesse me visto. Ele riu e não insistiu no assunto. Enquanto isso, a gente tinha chegado no Parque Sarmiento e, a uma quadra do monumento ao Dante, tem um bar muito bonito e fresco, mas por causa do calor pesado que fazia naquela noite, o bar tava lotado de gente. Federico estacionou a caminhonete debaixo das árvores na rua secundária, do lado da Avenida, e me disse que a gente ia tomar algo dentro do veículo porque não tinha lugar no bar. Ele desceu e voltou com dois copos de trago longo com fernet com coca e muito gelo. A gente ficou conversando na caminhonete um tempão sobre coisas sem importância e repetiu o trago mais duas vezes. A gente já tava na confiança, e eu tinha tirado os sapatos pra ficar mais confortável. Enquanto eu ria cada vez mais alto das piadas dele, percebi que tava ficando bêbada com a bebida. Num momento, falei pra ele, e ele respondeu que tava tudo bem, que a gente tava ali pra se divertir, e era verdade. Era só isso. O cara se mostrava muito seguro de si, e isso me atraía nele.
Me senti muito relaxada, e ainda mais quando ele reclinou meu banco, mas comecei a sentir que tudo tava girando enquanto sentia as mãos dele explorando meu corpo. Ele dizia que adorava minha bunda e meus peitos, eu ia às gargalhadas, mas tava consciente apesar da tontura. Me sentia excitada com os carinhos e falei que já era hora de voltar porque iam me buscar. Ele aceitou, e a gente voltou de novo pra esquina da Igualdade com San Martín. Federico perguntou se tinha problema em me acompanhar até que viessem me buscar, e eu disse que não. A gente ficou ouvindo música enquanto eu observava que a fauna noturna já tava a todo vapor na área, e os carros desfilavam procurando diversão. Eu me deixava levar pelos carinhos. do tipo, mas sem tentar me beijar, e às vezes eu virava a cabeça olhando pro corredor escuro de onde o homem tinha me levantado e a luz fraca no fundo que mal dava pra ver da rua enquanto sentia ele enfiar as mãos em todo lugar. Eu não entendia o que tinha acionado o gatilho na minha mente pra eu estar assim naquele momento com aquele homem naquele lugar. De repente, levantou um vento forte de terra e Federico me disse pra gente sair dali porque vinha tempestade. Sem eu responder, ele ligou a caminhonete e saímos da área. Quando cruzamos a ponte Sarmiento, eu não sabia pra onde a gente ia e nem perguntei. Só coloquei a cabeça pra fora da janela pra sentir o vento forte no rosto. O cara pegou uma rua lateral que dava na Avenida Patria. Quando chegamos lá, já caíam umas gotonas grossas de chuva.
Umas seis quadras adiante, a caminhonete entrou num posto de gasolina bem grande que fica abaixo do nível da avenida. Ele estacionou no fundo do posto e desceu pra me trazer uma coca gelada, mas sem álcool, falei, porque eu tava me sentindo bem tonta. Eu olhava ele da caminhonete indo em direção a um escritório do lado onde tava o frentista e uma geladeira imensa, com uns cinco ou seis caras jovens bebendo e zoando entre eles. Dava pra ver que eram do bairro, e Federico ficou conversando um tempo com eles, dando gargalhadas. Depois, o funcionário entregou uma garrafa de refrigerante e dois copos pra ele, que voltou pro veículo. Eu tomei só um gole, e o cara começou, dessa vez, a me acariciar mais fundo. A avenida tava alagada e tinha começado a cair granizo junto com a chuva forte. Ele me perguntou se eu queria transar dentro da caminhonete, já que não dava pra sair e ir pra um lugar mais tranquilo, mas eu falei que ali era desconfortável, além de que os caras percebiam porque não tiravam o olho da caminhonete e ficavam zoando entre eles. O cara me disse que ia ver como Fiz isso na hora e fui de novo até o funcionário da estação, eles conversaram um pouco e ele voltou pra me dizer que estava tudo resolvido. Me falou que em cima da estação tinha um salão vazio e que o funcionário emprestava a chave pra gente ir pra lá. Eu ri divertida com a oferta dele e percebi que naquela altura qualquer um podia me levar até um banheiro apertado sem insistir muito.
Quando desci da caminhonete, tropecei nos meus saltos, sentia o vestido grudado no corpo e Federico segurou minha mão pra me ajudar a subir uma escada larga até o andar de cima. Eu tentava em vão puxar o vestido pra baixo, porque achava que os caras estavam olhando pra minha bunda, e era verdade, porque os manos soltaram um assobio de aprovação e riram. Meu acompanhante casual abriu com a chave uma porta de vidro grande que dava pra um salão vazio e escuro, todo cercado por janelões sem cortina. Meus saltos ecoavam forte lá dentro enquanto ele me levava pela mão até uma janela grande que abriu pra entrar um vento. Quando senti aquele ar fresco maravilhoso me invadir, respirei fundo enquanto sentia o cara tirando meu vestido. O ar fresco da janela tomou conta do meu corpo quente e me apoiei no parapeito. O cara me agarrou por trás com os braços fortes enquanto as mãos dele acariciavam meus peitos. Senti o peito quente dele, com a camisa entreaberta, encostado nas minhas costas, que grudavam na minha pele, e ele sussurrou no meu ouvido que tinha uma pica gostosa e quente pra mim. Eu respirei pesado e fechei os olhos, totalmente entregue. Senti, como num sonho, o homem se livrando nervosamente da calça. Os dedos dele acariciavam minha buceta por trás e ele encostava a pica dura feito um pau. Depois, com os dedos, ele puxou minha calcinha fio dental apressado pra achar a entrada do meu buraquinho. Eu tava molhada quando senti ele abrir os lábios da minha buceta com o membro dele e soltei um suspiro. O cara me disse que eu Fiquei quietinha e assim que a cabeça do pau dele entrou um pouco em mim, ele enfiou com força até o fundo. Eu tremi um pouco e comecei a receber as estocadas violentas dele, que batiam no meu útero. Não sei o que aconteceu, mas veio um orgasmo instantâneo. Foi um clarão reluzente, como os relâmpagos que iluminavam o salão vazio. Meus gemidos ecoavam naquela imensidão enquanto o cara me dizia para gozar como uma gostosa, que eu era uma puta que procurava paus e coisas do tipo, enquanto me arrombava com força. Isso parecia excitar ele ainda mais, porque ele metia com mais violência.
Eu me sentia presa num vértice estranho que me queimava e não oferecia resistência, só me deixava levar pro fundo de um abismo escuro que brilhava como os relâmpagos e a chuva que caía torrencialmente.
Em um momento, senti que o pau dele saiu de dentro de mim, e ele me ajeitou de novo para recebê-lo. Abri mais as pernas, mas senti que ele estava apoiando mais pra cima, procurando a entrada da minha bunda. Ele molhou com alguma coisa, porque começou a empurrar no meu cu, que foi se dilatando enquanto ele ia metendo até sentir ele inteiro dentro de mim. Fazer por trás, dava pra ver que fazia ele gozar mais, principalmente quando ele enfiava os dedos na minha buceta agora vazia, que roçavam no pau dele enfiado no meu cu. Isso me fez soltar um grito de prazer, e ele fez "shhhh" pedindo silêncio. Depois, tirava os dedos e colocava na minha boca para eu chupar. Ele me apertava com força, e cada vez que me empurrava, me fazia soltar um gemido. Isso o excitava mais, e ele dizia para eu gritar enquanto batia forte nas minhas nádegas com o corpo dele. O cara me fazia sentir como uma boneca de prazer que ele manipulava à vontade. Sentia as mãos quentes dele por todo o meu corpo, e em algum momento perdi a noção de tudo, até que de repente comecei a sentir outras mãos estranhas me tocando. Olhei para trás por cima do ombro e vi um rapaz novo, um dos que estavam lá embaixo. que tava passando a mão nas minhas tetas por trás enquanto o outro me tinha penetrada. O que eu podia dizer naquela situação, ainda mais quando o cara falava pro jovem me acariciar a pussy e meter os dedos dentro. O moleque se abaixou um pouco e me apertou pela frente contra o corpo dele enquanto as mãos dele percorriam minha buceta.
Federico, ou seja lá como se chama, perguntou pro jovem se ele sentia com os dedos dentro da minha pussy como o cock dele enchia meu cu. O moleque disse que sim, que a tia era uma gostosa, respondeu. O homem vibrou e me mandou beijar o moleque enquanto ele me observava por cima do meu ombro. O moleque aproximou os lábios e eu recebi o beijo dele. Federico começou a me meter freneticamente, apressando outro orgasmo. Enquanto eu gozava que nem uma besta, o moleque me beijava. Eu gritei alto, mesmo que ecoasse no salão imenso e vazio. O homem tirou a rola e mandou o outro me pegar. Por um instante me senti indecisa, mas não me deram tempo de reagir. O que tinha me levado falava pro dude se colocar atrás de mim e me comer pelo cu enquanto me abraçava pela frente, pedindo pra eu me abaixar um pouco pra receber o moleque. Eu me apertei contra a cintura dele enquanto sentia o buraco da minha raba recebendo a rola do estranho, os trovões e relâmpagos não paravam de iluminar aquela escuridão com suas cores fantasmagóricas. Dava pra ouvir o estalo causado pelo suor quando os corpos se separavam e se uniam de novo. O novo ocupante se mexia bem, mas Federico mandava ele meter com mais força, que eu gostava com força, e me disse pra falar isso. Eu só respondi que sim e o moleque me metia com força, arrancando um orgasmo de mim. Minha cabeça voava e Federico curtia meu prazer enquanto me acariciava com ternura. As contrações uterinas do meu orgasmo fizeram o moleque começar a gozar até despejar toda a porra quente dele nos meus intestinos. Depois ele tirou a rola e exclamou satisfeito que tinha gozado uma boa. Polvão. Federico me segurava com força e perguntava se eu queria mais picas. Eu me sentia mole e não respondia nada. Minhas pernas tremiam e ele me fez deitar no chão. O cara tinha ido embora, mas outro tinha entrado, e eu percebi porque ele vinha se despindo na minha direção. Eu não conseguia vê-lo direito no escuro, mas notei que ele se ajeitava na minha frente. Federico me virou de costas no chão de tacos e levantou minhas pernas bem alto pra receber o novo hóspede dentro da minha buceta.
Enquanto Federico segurava minhas pernas, ele via o cara me comendo e dizia que esse tinha um pauzão, eu não conseguia ver nada por causa da posição, mas sentia bem, embora notasse que o outro cara estava desconfortável porque não conseguia se mexer livremente. Então eu ajeitei minhas pernas nos ombros dele pra ele meter inteiro dentro do meu buraco quente. Eu tenho experiência de fazer isso outras vezes com outros e com meu marido, mas esse cara me usava como se fosse meu dono, e o mais estranho é que eu obedecia em tudo, já motivada naquela altura só por uma necessidade irreprimível de gozar. Os dois caras comemoravam cada vez que arrancavam gemidos de mim. E o cara gozou rapidinho com meus movimentos. Quando ele saiu de mim, Federico mandou ele buscar os outros dois que faltavam. O mano foi embora calado escada abaixo. Federico me abraçava deitados no chão e me segurava contra o peito dele, me dando carícias suaves. Eu disse que eles iam me matar, e ele, sorrindo, falou pra eu não me preocupar, que eu estava em boas mãos. O cara era instável, às vezes meigo, às vezes possessivo, talvez pra me desorientar. Ele me apertou forte enquanto metia de lado na minha buceta de novo, se movendo devagar. Ele sussurrava no meu ouvido que adorava uma mulher gostosa como eu, que queria me ter como puta dele, que eu era uma rabuda e outros elogios do tipo.
Eu me sentia como anestesiada. Quando os outros dois caras subiram, ele fez eles comerem um atrás do outro. comigo e, quando os dois terminaram, ele os dispensou.
Quando ficamos sozinhos, ele me perguntou se eu tinha gostado, eu disse que sim. Então ele me disse pra pegar o velho também, se referindo ao funcionário da estação, porque me contou que o trato era que ele emprestava o salão se deixasse ele também me pegar. Me disse que ele tinha se comportado bem com o gesto dele, porque arriscava o emprego, e que era justo eu dar uma divertida nele. Falou que o coitado não devia meter com frequência e que eu o chamasse pela janela pra subir. Perguntei o nome e ele disse Rafael. Quando me levantei e atravessei o salão nua, sentia minhas perninhas no ar. Olhei pela janela e vi que ainda tinham dois dos caras com ele. Quando ele ouviu o nome dele da janela, veio apressado. Os caras ficaram pra substituí-lo até ele se liberar. Eu voltei pro Federico, que tinha se revelado um perfeito pervertido que curtia a situação, e eu era a ferramenta dele. O outro homem entrou no salão e se aproximou de nós. Federico me mandou ficar de pé pra o cara me olhar. A pouca luz mostrava meu corpo ainda pulsante, e meu dono momentâneo perguntava pro outro se ele gostava da gostosa que ia comer. O homem só sorriu enquanto olhava Federico me acariciar. Ele mandou o cara tocar meus peitos, e eu sentia um certo tremor nas mãos dele quando acariciava meu corpo ainda suado. Eu levei minha mão até a braguilha dele, e o pau dele eu senti bem duro. O homem, apressado, baixou a calça. Federico me segurou por trás e me levou até o homem que se aproximava. Ele procurava meu buraco feito louco, e Federico levantou bem alto minha perna direita pra recebê-lo. Enquanto ele metia, fazia sons de prazer com a boca, eu acariciava a cabeça dele suavemente e observava como ele gozava com meu corpo. Quando ele começou a se apressar, apertei ele contra meu peito pra ele se descarregar bem. Ele fazia movimentos esporádicos enquanto derramava o esperma quente dele, que começava a escorrer pela minha perna esquerda quando eu tava tirando, satisfeita. Me atraía no Federico que ainda não tinha gozado comigo nenhuma vez e ele falou pro Rafael ficar um pouco pra ver como ele me comia de quatro.
Eu já me sentia uma puta que topava qualquer coisa com esses caras e me entreguei de novo pra transar na frente de outro homem. Já tinha me adaptado às exigências do cara que me pegou naquela noite e foi uma foda longa que me fez ter um orgasmo demorado que explodiu forte dentro de mim. Não sentia só nos meus buracos, mas percorria meu corpo inteiro como uma vibração elétrica de muito prazer que terminou num gemido suave meu. Depois de gozar, os dois homens desceram conversando. Ele falou pra eu esperar e fiquei sozinha naquela imensidão escura enquanto os relâmpagos continuavam iluminando o céu de forma entrecortada, quase dantesca. Depois Federico voltou e me levou pro andar de baixo pra eu tomar banho no banheiro dos funcionários porque tinha chuveiro. Enquanto me molhava com a água morna, sentia a calma voltando. A tontura foi passando e fiquei um tempão debaixo da água. Quando me enxugava, notei minha buceta inchada e vermelha, com uma leve ardência. Depois me vesti e me arrumei de novo.
Quando saí do banheiro, Federico tava me esperando. Quando cheguei perto dele, esbocei um sorriso pra mostrar que não tinha treta da minha parte com o que tinha rolado. Subimos na caminhonete, já não tava chovendo e tinha refrescado um pouco. Quando saímos do posto, acenei pro funcionário que ficava sozinho. Enquanto descíamos pro centro, eu ia terminando de secar meu cabelo no vento da janela da caminhonete enquanto cantarolava uma música melódica que tocava no som do veículo. Federico dirigia em silêncio. Ele tinha me perguntado onde eu queria que me deixasse e eu falei onde ele tinha me encontrado. Quando chegamos nas esquinas da Igualdade com São Martinho, nos despedimos. e me disse que outra noite passaria pra me buscar por aí. Quando a caminhonete de onde eu tinha descido partiu, na esquina estavam paradas duas travestis que me olharam sem dizer nada. Eu tirei o xale da minha bolsa porque tinha esfriado um pouco e me parei de novo na porta do corredor escuro. Como toda tempestade de verão, já tinha passado como tinha chegado e a rua tinha secado pelo calor que ainda restava no cimento.
Enquanto pensava em voltar pra casa, parou um carro com um homem grande dentro que me convidou pra sair quando me aproximei da janela, mas eu disse que já ia dormir e ficamos pra outro dia. Eu fiquei um tempão parada no corredor escuro pra terminar meu cigarro e depois me asomei na rua, as travestis na esquina onde tinha luz me olharam e perguntaram se eu queria um táxi, eu disse que sim e uma delas falou pra eu ir até a meia quadra que tinha um táxi parado. Agradeci e caminhei até o táxi. Perguntei se tava livre e ele disse que sim, então entrei no carro. O taxista começou a comentar que o temporal tinha sido forte e até tinha derrubado árvores, eu concordava sem escutar enquanto pensava que, conforme a gente se afastava do lugar, os duendes da noite iam se evaporando. Eram os gênios noturnos que tinham se juntado no corredor escuro pra me convocar a me entregar a eles no seu ritual obscuro de sexo, do qual eu tinha sido a convidada especial daquela noite com a oferenda do meu corpo. Eram esses entes escuros que vagam pelas noites escondidos nos lugares mais sórdidos que me fizeram saber que eles continuariam ali esperando quando eu quisesse voltar a encontrá-los de novo, porque tinham me escolhido pra carregar a marca de pertencimento deles. O círculo tinha se fechado. O pacto tinha sido celebrado num altar escuro de sexo oculto e proibido que só eles e eu conhecíamos.
Mais tarde, quando já estava na minha casa mergulhada na água morna da banheira, Senti uma paz interna que me invadia profundamente, como num sonho. Os gênios já não estavam na minha mente, só a música suave do som na calma da minha casa.
Outra sexta à noite, 4 de fevereiro deste ano, a gente tinha ido jantar com meu marido no Il Gatto, na Avenida Colón. Quando saímos do estacionamento de carro, o Edu foi devagar em direção à zona quente e demos umas voltas pelas ruas. Passeávamos sem falar, só ouvindo a música do carro. Como de costume, ele pegou pela Igualdade e virou quando chegou na San Martín, e eu olhei quando passamos na frente do corredor escuro. Não tinha ninguém. Lembrei que tempo atrás tinha visto uma silhueta feminina parada no corredor escuro, mas depois não vi mais nas passadas seguintes. Eu percebi naquela passada que a luz fraca do fundo estava acesa. Entendi como um sinal pra mim, sabia que elas estavam lá e que me esperavam até que eu decidisse de novo. Me aconcheguei no corpo protetor do meu marido e beijei ele docemente. Enquanto a gente se afastava do lugar em direção à nossa casa, consegui entender por que ninguém parava de noite naquele corredor. Era o meu lugar.
Na próxima, conto se voltei ao lugar de novo, mas isso vai ser outra história que só vou revelar se vocês acreditarem que a noite guarda mistérios inconfessáveis que a gente nunca vai entender.
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