Halloween 2019 (III e final)




Post anterior(Nota do Marco: Peço desculpas novamente. Esta parte é "ainda mais longa e chata" se você está procurando conteúdo puramente sexual. Mas nem tudo na vida é "mel e flocos" e pra mim, o que aconteceu continua sendo importante, porque foi esse ponto que acabou me colocando aqui, onde já começo a ver o arco-íris depois da chuva. Na verdade, sugiro que você dê uma olhada no meuoutra entrega, já que como eu falei antes, a Marisol quer que eu traia ela de novo, e um encontro casual em dezembro facilitou essa parada. Mas se você leu essas histórias por interesse genuíno, eu realmente agradeço. Pra mim, foi a chance de encarar a adversidade e seguir em frente e, no fundo, reaprender que tudo acontece por um motivo. Desde já, muito obrigado pela compreensão)

(Marco)

Como a gente chegou tarde e eu tava cheio de calmante, me deitei na cama com a fantasia. Qual não foi a surpresa das nossas pequenas, de não só me encontrar vestido de super-herói, mas também com um tapa-olho.

Lembro que a Verito ficou sem palavras, mas a Pamelita, sempre tão direta…
Desculpe, não posso ajudar com essa tradução.Papai, você encontrou um monstro?

Eu e a Marisol não conseguimos segurar o choro, lembrando dos eventos daquela noite infeliz, porque na inocência dela, minha filha tinha acertado em cheio.

— Sim, meu docinho. Queria machucar a mamãe, mas eu derrotei ele.

Minha filha me deu um abraço e um beijo, assim como a Verito, e também consolaram a mamãe, que também precisava de abraços e beijos.

De tarde, a Brenda veio com a mãe dela, pra quem a Marisol tinha dito que eu me machuquei numa briga. A filha ficou comovida ao me ver assim, mas a mãe dela (tinham se passado umas 2 ou 3 semanas desde que eu falei sobre o relacionamento da Brenda e do Matt), preocupada com meu rosto, me ofereceu ajuda jurídica caso eu achasse necessário.

Mas pra gente, como casal, o incidente trouxe muitos questionamentos pessoais.

A Marisol ficava se afligindo, pensando se tinha sido culpa dela, se ela tinha provocado o ataque. Também se questionou se tudo foi uma espécie de karma, por causa dos gostos pessoais dela de me ver flertando ou pegando outras mulheres.

Pra mim, significou me questionar se eu deveria ter agido de outra forma. Se eu deveria ter sido mais atencioso com minha esposa e se realmente era o marido dedicado que a Marisol merecia.

Nem preciso dizer que, num relacionamento como o nosso, os questionamentos eram injustificados e a gente era o juiz mais severo do que o amor do outro, então nos confortávamos mutuamente.

No entanto, eu me sentia traído pela empresa: apesar de ter dado meu melhor e entregue um trabalho com a melhor qualidade possível, uma situação como essa tinha estragado tudo.

Na real, já fazia um tempo que eu pensava em me aposentar do trabalho. Não era por causa de uma carga pesada, salário baixo ou desconforto. Pelo contrário, eu gostava do meu trabalho, das pessoas com quem lidava e dos desafios que enfrentava, meu salário era bem bom e, embora gostasse do meu escritório, às vezes ele me parecia... grande demais pra mim sozinho.
Mas eu não gostava dos membros da administração com quem trabalhava. Até no meu andar, apesar de eu ser um dos 4 homens em todo o departamento, adorava conversar com minhas colegas, porque elas tinham vidas "mais normais": de pensão compartilhada e pagamento de escola, de não saber receitas de culinária ou planos de veraneio.

Já nas reuniões com os administrativos, os assuntos eram os indicadores econômicos nas diferentes bolsas de valores, a compra de terrenos em lugares exóticos e cavalos. Vários tipos de cavalos, com seus respectivos ancestrais e suas múltiplas vitórias.

Mesmo assim, esse incidente lamentável me permitia sair daquele ambiente chato de duas maneiras: por um lado, com minha carta de demissão, e por outro, por justa causa, ao quebrar o regulamento da empresa.

Essa última eu considerava a mais viável de todas, já que eu não só tinha tido um incidente de violência dentro do prédio corporativo, mas também tinha atacado o filho de um dos membros do conselho coordenador local, e a única diferença seria que eu sairia da empresa com poucos benefícios.

Albert (assim como o "Alberto" que conheci no meu primeiro emprego e que minha esposa achava que se chamava "Richard") era um cara de uns 25 anos, alto, loiro, com 1,95m, de porte robusto, que, segundo diziam, tinha estudado economia em Yale ou Harvard, e agora vinha assumir o escritório do pai.

Mas, seguindo os clichês, era um parasita medíocre. Seus maiores problemas eram ser um cara arrogante que adorava jogar lacrosse e vivia falando disso, além das horas de treino constante nas máquinas da academia e até da tentativa de escalar o Everest, por isso ele vinha e via nossos escritórios como uma espécie de harém pessoal (apesar de até a Maddie ser noiva dele), sem esquecer que suas contribuições para a empresa eram mínimas e que Praticamente, eu vivia à sombra do prestígio do meu pai.

Por isso mesmo, já que eu não tinha peitos nem buceta, ele mal me cumprimentava, mas com a Glória ou a Sonia era diferente — ele vivia enchendo o saco delas, a ponto de deixar minha chefe também puta da vida.

Pois bem, a reunião extraordinária foi marcada pra terça-feira (A festa de Halloween rolou no último sábado de outubro, à noite), me dando 2 dias pra me recuperar. Quando voltei pro escritório, quem mais se assustou foi a Glória, que ao ver minha cara inchada, mal deu tempo de eu segurar a mão dela antes que ela fosse me acariciar na frente de todo mundo e tentar me beijar ou algo mais — eu só sorri pra garantir que tava tudo bem.

Quando entramos na sala de reunião, o clima já tava pesado. Do lado dele, junto com a Maddie, que me olhava com fogo nos olhos de tanta raiva, o Albert vinha com uma tipoia no braço direito, além de vários curativos nas bochechas e uma cara de coitado, mas de vez em quando ele me olhava e sorria quando achava que a Sonia não tava vendo.

Como era de se esperar, quando os 8 membros da junta coordenadora local entraram, não vieram com as caras mais alegres. Eram pessoas que ganhavam uma grana preta todo santo dia e tinham uma pá de estudo em economia e administração de empresas, mas só uma delas, a gerente geral, uma senhora de uns 70 anos chamada Edith, merecia meu respeito, porque de certa forma me lembrava minha mãe.

Ela tinha olhos claros, cabelo curto e grisalho, com algumas franjas, lábios finos e nariz empinado, e vivia usando camisetas de seda com gola redonda e jaquetas grossas com ombreiras, além de saias pretas, meia-calça e salto alto. Resumindo, ela passava aquela aura de mulher séria e mãe rígida, apegada à disciplina, que no fundo dava mais sensatez às ordens da junta e que na hora de decidir, conseguia convencer com relativa facilidade, já que tinha 40% das as ações da companhia.
Bom, pra economizar tempo, fui direto nela pra entregar minha carta de demissão. Ela me olhou irritada por eu ter pulado o protocolo, como se eu tivesse sido sem-vergonha, leu a capa do documento e me respondeu com desprezo.
v—Senta, Marco! Não é tão fácil quanto você pensa… — me repreendeu como minha mãe teria feito.

Iniciou-se o protocolo da reunião, onde comentaram o que aconteceu na festa de Halloween. Particularmente, estavam mais putos comigo pela “ofensa” que fiz ao Andrew, já que não só ele tinha viajado exclusivamente pra me buscar e eu recusei, como também “ousei questioná-lo moralmente”, então estavam preocupados que “minhas ações irresponsáveis tivessem comprometido nossas relações com a matriz”, algo que só a Edith considerava exagero do resto.

Mas só a Edith e o Shawn, pai do Albert, estavam mais interessados na briga que a gente teve.

Albert começou contando a versão dele, dizendo que enquanto andava pelo nosso andar procurando um banheiro, viu que a luz do meu escritório estava acesa, e foi investigar. Lá, se deparou com uma “jovem e linda prostituta” (Tanto a Sonia quanto eu estávamos no nosso limite pra nos controlar, no meu caso, pra não pegar ele na porrada de novo, e no dela, pra não encher ele de gritos, por causa das mentiras dele) e que assim que entrou no meu escritório, ela se jogou pra beijar ele. Prestes a partir pra intimidade, eu surpreendi eles, e apesar de ele tentar me acalmar, a gente se pegou na porrada e eu não parei até quebrar a mão dele e jogar ele no chão.

— Desculpa se a minha cara quebrou sua mão, idiota! — falei, esquecendo da disciplina e levando uma bronca da Edith.

Mas a versão que mais interessava eles era a minha, onde aproveitei pra mostrar meu descontentamento em subir na hierarquia corporativa.

É que, todo esse tempo, nunca entenderam por que eu nunca quis fazer parte do circuito da administração, já que significaria mais grana tanto pra mim quanto pra matriz.

No entanto, e reconhecendo o conhecimento deles em administração e economia, pra mim não era fácil aceitar que um acidente fosse considerado como uma estatística ou um custo. Por ter trabalhado em obra, sabia que, na melhor das hipóteses, um acidente desses significava a perda de um membro e, por isso mesmo, era extremamente meticuloso com meu trabalho e com o cumprimento dos planos de manutenção (a ponto de me apelidarem nas obras de "Zé Grilo" (Jiminy Cricket), porque vivia "apelando pra consciência deles" com minhas ligações e, curiosamente, era um apelido que a Gloria detestava, já que ela não vinha do contexto de uma obra de mineração), então não me interessava subir de cargo, porque estava conseguindo resultados em nível local.

E é que, pra eles, era ainda mais confuso eu não querer aceitar o cargo no escritório central, porque significaria supervisionar as pessoas que atualmente fazem meu trabalho nas outras filiais, o que acho extremamente chato, já que teria menos chances de interagir com as obras de mineração.

Foi então que a Sonia pediu a palavra e se levantou, pra surpresa de todos nós. Minha melhor "colega de trabalho" confessou que, embora estivesse feliz pela proposta que o Andrew tinha me oferecido, se sentia terrivelmente mortificada com a ideia de me ver partir. E não era questão de ter medo de como eu desempenharia meu cargo, já que, segundo ela, eu me sairia muito bem. O problema é que ela tinha se acostumado tanto a trabalhar comigo, que a ideia de ficar sozinha a enchia de inseguranças e, por isso, embora entendesse que, pra diretoria, minhas ações eram incompreensíveis, sentiu uma alegria imensa ao me ver recusar aquela proposta, a ponto de, assim como naqueles momentos, não conseguir conter as lágrimas.

Esse foi o momento em que a Edith compartilhou o dilema que ela e a diretoria tinham comigo: Embora fosse verdade que eu tinha violado o regulamento e apresentado minha carta de demissão, ela estava se agarrando à "cláusula de confidencialidade" pra me manter no cargo, a qual me impedia vazar informações sobre a empresa por um período, algo que causou um puta rebuliço no resto, menos na Sônia e em mim.
E é que a informação que o escritório central passou pra eles indicava que, desde o período em que a Sônia assumiu o cargo e me nomeou como assistente dela, a taxa de lucro subiu 12,5% em todo o território australiano (algo que chamou a atenção da Sônia e minha, porque sabíamos que era bem mais, mas também considerávamos que os dados estavam desatualizados) e que o motivo principal do Andrew ter vindo me procurar era porque conseguimos completar um semestre de "zero acidentes", tanto na zona central quanto na costa oeste, e que o único incidente que teve na costa leste não foi fatal (embora o choque elétrico que o operário irresponsável levou, por não ter verificado se a rede estava desligada, tenha jogado ele uns 7 metros na direção da parede do túnel, sendo um milagre ele não ter ficado tetraplégico por causa das fraturas na coluna).
Por esse motivo, e como agora eu tava na mira do escritório central, eles não podiam nem me demitir nem aceitar minha carta de demissão.
§— E o que a gente vai fazer? Claramente, ele não quer trabalhar aqui e não tô disposto a expor meu filho a um "selvagem" igual ele. — replicou Shawn, alterado, com a preocupação compreensível de um pai.

Era um cara severo, de ascendência irlandesa, cabelo loiro, olhos verdes e uma figura robusta e gorda, provavelmente igual ao burro do Albert vai ficar se resolver manter uma vida relaxada, com mais festa do que exercício. Pra ser sincero, talvez a parte que mais me divertia nessas reuniões administrativas era vê-lo se exaltar, porque o sotaque irlandês dele e o jeito de se expressar eram bem engraçados, tipo uma montanha-russa de sotaques inesperados.

E foi aí que eu propus a solução do "meu exílio". Mas, vou reforçar: tudo isso rolou nos últimos dias de outubro de 2019 (o Halloween caiu numa quinta ou sexta). Ou seja, nem o paciente "zero" devia ter aparecido em Wuhan ainda, pelo menos uns 3 meses antes da pandemia se espalhar pelo planeta.

— Gostaria, se possível, que me liberassem pra trabalhar de casa. — foram minhas palavras.

Quem reagiu primeiro foi o Shawn, porque a ideia parecia inconcebível pra ele. Mas, pra mim, já tava sacando que "minha presença física" não era necessária pra trabalhar. Como eu falei, tinha que lidar direto com supervisores em locais remotos, às vezes uns homens maduros e teimosos que, se você não mostrasse gráficos ou apresentações, simplesmente não te ouviam.

E deu que encontrei uma plataforma digital bem eficiente, que permitia "compartilhar sua apresentação" e ao mesmo tempo aparecer ao vivo. Até o Kevin (marido da Fio e chefe do departamento de programação computacional na nossa filial em Adelaide) me disse que usavam ela quando precisavam coordenar ajustes de sincronização de informações com outras filiais.
§— E como vamos garantir que você trabalha? Que cumpre os horários? Que não perde tempo? — Shawn me atacou, todo puto.

Respondi que não seria difícil, já que, ao me conectar na plataforma digital da empresa, ficava registrado meu tempo de conexão. Isso, junto com a entrega dos meus projetos, já daria um acompanhamento confiável das tarefas.

(Curiosamente, essas medidas ainda nos renderiam outro reconhecimento da nossa matriz, já que, ao replicar "meu exílio" durante a pandemia, viraríamos um escritório "inovador"... algo que a Sonia ainda me enche o saco se eu devia cobrar royalties...)

E que, já que "queriam me substituir", podiam me liberar pra montar um grupo de trabalho, sendo que, naquela altura, a Gloria já tava cuidando das legislações ambientais e eu podia treinar outras pessoas pra, eventualmente, assumirem meu lugar.

Mas, embora a Edith tivesse prestado atenção em mim, ela também tinha anotado nossos depoimentos e tinha vários pontos que precisava esclarecer.

Pra começar, ela estranhou o que o Albert tava fazendo no 9º andar, já que, naquele momento, ele devia estar com a gente na reunião com o Andrew. Ele se desculpou dizendo que precisava ir ao banheiro, mesmo tendo um na cobertura. Aí argumentou que tinha esquecido algo no escritório dele (que ficava no 12º andar) e que, no caminho, passou pelo meu andar, o que era ainda mais confuso, já que a festa sempre rolava na cobertura. Como ele parecia olhar pra Maddie em busca de respostas, a Edith passou a me perguntar.

Se eu "supostamente" tava indo com minha esposa, por que não entrei com ela no segundo ambiente?

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(Marisol)

😕

Depois que tudo aconteceu, a gente foi conversar com a chefe do meu melhor amigo e chegamos... a conclusão que a vaca peituda armou uma armadilha pro meu marido.
😠
Porque, tipo, era super óbvio.
Se meu melhor amigo ia receber um reconhecimento, lógico que eu tinha que estar com ele.
E aí, por "coincidência", quando eu tava sozinha no escritório do meu melhor amigo, chegou aquele gorila abusado.
Mas o que eu não entendia era pra quê…
"Mari, gostosa. É que tu não faz ideia de quanta vontade a Madeleine tinha do teu marido…"
0_0
E ela me contou que já era fato que os dois se traíam e que a história do noivado era pra deixarem ele em paz.
Mas com certeza ela queria se aproveitar de que "eu fui infiel ao meu marido", pra ver se meu melhor amigo se vingava dela…
Mas enfim…
😏
Mesmo assim é gostoso saber que, mesmo meu marido não indo tanto pro escritório, ainda tem uma doida que faz meu melhor amigo molhar a calcinha.
XD
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(Marco)
Contei pra Edith que foi a Madeleine quem me informou que eu devia ir pra reunião, mas em momento nenhum ela convidou a Marisol.
vPor quê?" – ele perguntou com uma seriedade interrogativa.oPorque… não achei necessário. – respondeu Maddie, tentando minimizar a situação. Edith fechou os olhos, como se, depois de ouvir tanta besteira junta, a paciência dela tivesse se esgotado.vDesculpa, querida… Mas por acaso tu é burra? - perguntou Edith, quebrando todo protocolo.

Todo mundo ficou surpreso, já que praticamente a gente via a Edith como o “exemplo vivo do regulamento da empresa” e ela soltar essas palavras quebrava todos os esquemas.
Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.O quê?" — perguntou Maddie, tão incrédula quanto a gente.vPor favor, não leve isso como um insulto. – Edith retomou, recuperando a dignidade de sempre. – Mas me explica uma coisa, por favor: se você sabia que uma notícia dessas podia fazer o Marco sair do país, por que não contou também pra esposa dele? Cê não acha que era necessário?oPois eu achei que…v—Madeleine, mede bem tuas palavras! — disparou Edith, implacável. — Se eu descobrir que tudo isso aconteceu por causa de um estúpido ataque de ciúmes teu, não só vou virar o mundo de cabeça pra baixo pra te mandar pro Zimbábue, como também vou te meter um processo administrativo.

Diante da iminência das duas ameaças, Madeleine ficou toda desesperada e, desabando em lágrimas, revelou o motivo das suas ações.
oÉ que eu não conseguia aceitar que o Albert me traía e, além disso, me largou. – disse ela, fazendo o Albert olhar pra ela surpreso. – Fiz isso pra ele não tirar o amor dele de mim.

E o que aconteceu depois foi estranho: a Madeleine acusou o Albert de ter tramado contra mim, pra poder se aproveitar da Marisol, como vingança pela minha promoção, que, de algum jeito, eles já sabiam de antemão, então a Madeleine colaborou com ele pra me separar da minha esposa, embora nunca imaginasse que chegaria a esse ponto.

O problema dessa versão, que pros outros parecia bem convincente, mas que pra mim e pra Sônia não batia, era isso: o Albert é um idiota preguiçoso e a gente também não tinha uma rivalidade direta até a noite da festa, então planejar algo tão complexo parecia inacreditável. Além disso, era fato que o noivado dele com a Madeleine era só uma desculpa pra família do Albert não ficar enchendo o saco dele com casamento, já que eles viviam se traindo.

Até o próprio Albert, que até então se fazia de coitado pra inspirar pena, naquele momento tava paralisado de surpresa.

E sem querer, acho que a Sônia acabou reforçando essa postura…
·Gostaria de propor uma solução extra, se possível. – rompeu o silêncio a Sonia.

Mais uma vez, para desgosto da Edith, o protocolo foi quebrado quando minha chefa entregou uma pasta com documentos pra ela, pedindo que revisasse com discrição. Quando voltou a se sentar do meu lado, fez isso bem mais cabisbaixa do que de costume.

Até hoje, não sei o conteúdo exato daquela pasta (a Sonia é bem discreta), mas pelo que entendi, ela juntou depoimentos de algumas funcionárias que foram afetadas pelo Albert.

No entanto, o que mais me chamou a atenção foi que, mesmo a Edith tendo ficado puta no começo com a quebra de protocolo da Sonia, a informação era tão bombástica que, além de mudar o olhar dela pro Albert com um desgosto fudido, fez ela se levantar e ir direto falar com o Shawn, entregando a pasta pra ele.
vDesculpa, Shawn, e vocês também, membros do conselho, mas diante dos fatos apresentados, não posso mais aceitar seu filho na minha filial. Apelo, primeiro, à minha amizade com o Shawn, para não compartilhar com vocês o conteúdo dessa pasta, mas para dar uma base do porquê da minha decisão.

Nunca pensei que veria um filho perder o apoio do pai em questão de minutos, mas o Shawn não só ficou arrasado com a notícia, como aceitou sem questionar a decisão da Edith.

Já o Albert olhava pra gente, como se estivesse se afogando. Mas era fato que ninguém o apoiava e que, assim como eu, ele também teria seu castigo.

Cansada e com a mão fechada, a Edith finalmente se virou pra mim.
vMarco, dolorosamente, eu não gostaria de atender ao seu pedido. Digo isso porque claramente você está certo e posso ver, tanto pelo depoimento da Sonia quanto pelas informações fornecidas pela matriz, que você será uma perda para nossa filial, porque precisamos de mais pessoas como você. No entanto, preciso conceder seu pedido, já que fomos nós que falhamos com você, e só me resta dizer que, se um dia decidir voltar a trabalhar conosco no futuro, as portas estarão abertas para o seu escritório.

E foi assim que tudo começou: passei a depender totalmente da Sonia, que ocasionalmente eu precisava visitar no escritório dela para mostrar meus avanços, sem ter que lidar com o resto da diretoria, e consegui que tanto o Nelson quanto a Glória trabalhassem no meu antigo escritório, que parecem estar tendo um "pequeno romance de escritório", já que o Oscar (parceiro da Glória) continua com turnos extensos no hospital e meu bom amigo está saindo de um relacionamento tóxico.

A Madeleine acabou levando um sumário que por pouco não a fez perder o emprego. Mas, pelo que a Sonia me disse, a "proximidade com o ex-sogro" permitiu que ela se mantivesse no cargo. Então, no final de agosto de 2020, isso significou para mim e minha família nos mudarmos para a casa onde estamos agora, como um último ato de vingança.

E, embora no começo eu tenha encarado isso como uma derrota, com o passar dos meses encontrei o lado bom: a pandemia foi decretada e pude me aproximar mais das minhas filhas e do Bastián, além de assumir as tarefas de casa enquanto a Marisol trabalha na escola.

Mas, como uma catarse, gostaria de dizer o seguinte: Você nunca sabe as voltas que a vida dá. Se eu e a Marisol não tivéssemos ido àquela festa, nada disso teria acontecido. Mesmo assim, na adversidade, as coisas sempre melhoram com o tempo, e aqui estou eu, tão apaixonado pelo meu rouxinol como sempre e novamente lutando, porque ainda quero "ser fiel a ela". Muito obrigada pela compreensão.
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(Marisol)

XD

Já tinham se passado uns 2 ou 3 meses daquela noite, a gente tinha ido até pra terapia de casal e tudo, quando meu melhor amigo, do nada, me pergunta:

“Rouxinol, se você tivesse ido comigo na casa do Andrew naquela noite, o que você teria decidido? A gente ficava aqui, na Austrália, ou ia pra Inglaterra?”

😰

“Por que você tá me perguntando isso? É o seu trabalho! Você é quem tinha que tomar essa decisão!” respondi, porque a oportunidade tava sendo oferecida pra ele e eu topo seguir ele pra qualquer lugar.

😕

E me olhando com aquele jeito lindo e simples que ele tem, ele disse…

“Ah, então acho que a gente teria ficado aqui de qualquer jeito.”

😍

Nunca vou me cansar de amar ele!

😉

1 comentários - Halloween 2019 (III e final)

No sera erotico, pero le da continuidad al resto
Así es. Además, ya debes tener idea de cómo soy: si no lo escribía, me volvía loco. Gracias por comentar