Noites em Green City - Capítulo Final

Evelyn se aproximava da cama apertando o cabo da faca com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. Subindo na cama, ela levantou a mão e, quando ia dar o golpe, um latido de Baxter, o boxer do Elias, a assustou. Elias acordou sobressaltado com o latido e mal teve tempo de se desviar da trajetória da faca. Ela raspou no ombro dele, fazendo um pequeno corte.

- Ah! Mas o quê...?! - gritou Elias de dor e susto.

Evelyn levantou a faca de novo pra dar outro golpe. Elias deu um empurrão na barriga dela com os dois pés pra se afastar. Evelyn caiu pra trás, no chão, soltando um grunhido com o impacto. Os dois se levantaram quase ao mesmo tempo. Ela tentou esfaquear ele na barriga, mas Elias segurou o pulso dela a tempo.

Evelyn jogou a faca no chão e, agarrando Elias com as duas mãos, levantou ele no ar e o arremessou contra a parede. O baque deixou ele sem fôlego e tonto. Com a visão embaçada, ele viu ela pegar a faca de novo e se aproximar.

Baxter pulou nela, mordendo o antebraço da mão que segurava a faca. Evelyn gritou surpresa de dor enquanto lutava com o cachorro pra ele soltar. Elias se levantou do chão, ainda recuperando o fôlego e tentando focar a visão. Ele se jogou em cima de Evelyn e a derrubou no chão com uma chave de braço, ainda com Baxter preso no braço dela.

Elias tateou o chão enquanto imobilizava ela e a mão dele encontrou a calça jeans que ele tinha vestido naquela noite. Pegou o cinto e, juntando as duas mãos de Evelyn, amarrou nos pulsos dela.

- Baxter, solta.

O boxer soltou o braço obedientemente, mas ficou perto de Evelyn, ainda mostrando os dentes e rosnando. Elias foi ao banheiro e pegou um pequeno kit de primeiros socorros. Derramou um bom jato de álcool no corte do ombro e colocou um gaze tampando o ferimento.

- Qual é a porra do teu problema? Por que tu fez isso?

Elias se agachou ao lado dela. Ela pegou no braço dele, observando o ferimento que Baxter tinha causado. Começou a limpar a ferida com um algodão embebido em álcool enquanto olhava preocupada para ele. Um mar de sensações percorria o corpo de Evelyn. A dor aguda do ferimento, um sentimento de vulnerabilidade diante daquele homem, uma sensação de vergonha pelo que tinha feito. Nada disso ela tinha sentido antes. Finalmente, Evelyn tinha certeza, aquele homem era um nephilim que não fazia ideia do que era nem da guerra que se travava na terra entre o céu e o inferno.

- Eu, sinto muito.

Elias olhou nos olhos dela e acreditou. Custava acreditar, aquela garota o tinha abandonado e agora tinha tentado matá-lo, mas viu sinceridade nos olhos dela e talvez algo mais. Continuou limpando o ferimento e desinfetando. Por sorte, a mordida de Baxter não tinha causado muitos danos no braço e o ferimento era bem superficial.

- Eu estava assustada. Não via outra saída, mas estava errada.
- Assustada com o quê?
- Não importa, você não ia acreditar de qualquer jeito. Me deixa ir e eu juro que você nunca mais vai me ver.
- Outro dia você me deixou na mão, agora me ataca e diz que é porque está assustada. Com o quê? O que te assusta?
- Eu estava assustada com você. Com o que você é.

Elias terminou de enfaixar o braço dele e se recostou, sentando no chão na frente dela e apoiando as costas na cama.

- Com o que eu sou?
- Sim. Você é um nephilim e eu sou uma súcubo. Nossas raças são inimigas.
- Você tem razão, não acredito em você. - disse Elias passando a mão no rosto. - Nephilim, súcubos, essas coisas não existem. Porra, se praticamente ninguém mais acredita em Deus.
- Posso provar.
- O quê...?

Elias ficou no meio da frase quando Evelyn começou a mudar. Lentamente, as unhas dela foram crescendo até se transformarem em garras. Dava para ver algo se movendo debaixo dos lábios dela. Os olhos dela passaram do verde esmeralda para um tom avermelhado escuro. Entre o cabelo dela surgiram dois chifres que se enrolavam sobre si mesmos. mesmo. Evelyn se remexeu no lugar, ficando sentada quase de lado, e uma pequena buceta cor de carne apareceu diante dos olhos de Elias. Essa buceta ia até a metade da coxa de Evelyn.

- É assim que sou de verdade. - disse Evelyn, e ao falar, Elias pôde ver como seus dentes tinham se transformado em presas pontiagudas.
- Como isso é possível?
- Nada é impossível. Grande parte do que esses idiotas de batina falam é verdade. Nem tudo, claro, mas bastante. Anjos e demônios estamos em guerra desde nossa criação, desde que aquele filho da puta puniu Lúcifer por dar a vocês a capacidade de distinguir o bem do mal.
- Então, Deus existe?
- Sim, mas não é tão amável e bondoso como te contaram. Nem tão onipotente. E quanto mais a humanidade decai, menos seguidores ele tem e mais fraco fica. Por isso, no final, minha raça vencerá.
- E isso não seria ruim? Fogos, castigos, dor?
- De jeito nenhum, essa é a propaganda que venderam pra vocês. No inferno há liberdade, liberdade de verdade.
- E por que você está aqui então e não lá?

Evelyn sorriu por um instante ao ouvir a pergunta. Não era mal formulada e era uma dúvida mais que razoável.

- Porque a essência vital de uma pessoa viva é muito melhor do que o que eu poderia conseguir lá. Além disso, para nossa raça, as sensações são mais intensas aqui. Por que você acha que você existe, senão?
- Como?
- Você é um nephilim, nas suas veias corre o sangue dos anjos. Esses hipócritas nos chamam de malvados e lascivos quando eles mesmos caem na tentação de foder com humanos. Me diz, você conheceu sua mãe?
- Não, fui criado pelo meu pai. Ele sempre dizia que minha mãe estava no céu e que era um anjo. Sempre pensei que ela estava morta e que era um jeito de falar.
- Agora você sabe a verdade.
- O que você quer dizer com a essência vital de uma pessoa?
- Os súcubos nos alimentamos da essência vital de uma pessoa quando estamos fodendo.
- E isso mata ela?
- Sim. - disse ela, baixando o olhar.
- Então, — Como é que vocês não são os vilões se ficam matando gente?
— Porque não é culpa nossa. É a maldição que nos foi dada, não podemos lutar contra isso.
— Mas você mesma disse que prefere ficar aqui porque a essência que tira de uma pessoa viva é melhor. Vocês têm escolha e preferem matar gente. — disse Elias, levantando a voz e se levantando do chão.
— Você já sentiu fome? Fome de verdade, daquela que você não tem energia pra nada, sente o cheiro da comida de longe, fica tonto, não consegue se concentrar em nada. E aí alguém te dá um pedaço de pão, só um pedaço. Você devora na hora e aquilo só serve pra te lembrar o quanto você está faminto. É assim que é se alimentar no inferno pra gente, então não, não temos muita escolha.

Elias olhou pra ela de novo e a viu pequena, frágil, com lágrimas nos olhos. Não restava nada daquela mulher esbelta e gostosa que tinha sido antes. Algo dentro dele sentiu pena dela. Pegou o lençol da cama e Evelyn se encolheu ainda mais quando ele se aproximou, mas ele só a cobriu com o lençol. Elias vestiu uma cueca e sentou na cama.

— Como é que eu não tô morto?
— Por ser um nephilim, sua essência é diferente.
— Diferente como?
— Você tem mais, e de melhor qualidade. Depois de te foder, eu parei de sentir aquela necessidade por um tempo.

Naquele momento, um barulho na porta chamou a atenção dos dois. A porta se abriu com um estrondo e um homem negro, muito alto, entrou. Assim que os viu, sem dizer uma palavra, foi na direção deles. Evelyn deu um gritinho e se levantou, se afastando dele até que a parede a impediu de recuar.

— Que porra você tá fazendo? — perguntou Elias, se levantando da cama e se colocando na frente dele.

O homem deu uma olhada rápida nele, antes de voltar a encarar Evelyn. Ignorando-o completamente, continuou atravessando o quarto em direção a ela. Elias se adiantou e mandou um soco direto na cara dele. O O golpe foi forte e a munheca do Elias doeu, mas o homem nem se mexeu.
Ele segurou o braço que o tinha golpeado. Elias gritou de dor com a força do aperto. O homem levou a mão até a cabeça de Elias, agarrando-a e colocando a palma na testa dele. Uma luz branca surgiu da mão, cegando Elias por um instante, e depois, nada. Nada aconteceu. Elias sentiu a força com que segurava seu braço diminuir e abriu os olhos. Viu dúvida e surpresa na cara do homem.

Naquele momento, Baxter, que estava latindo, se jogou no homem, mordendo o braço que segurava Elias. Ele soltou, recuou e pegou o cachorro pelo pescoço pra tentar tirá-lo de cima. Evelyn saiu do choque e, correndo pro lado de Elias, pegou a mão dele e puxou pra fora do apartamento.

- Vamo, agora. Corre!

Eles saíram correndo pelo corredor e foram pros elevadores. Por sorte, não tinha ninguém que pudesse ter visto ele, de cueca, e ela, completamente pelada. Quando chegaram no elevador, o eco do corredor trouxe o som de um choramingo triste do Baxter. Elias se virou e viu Baxter saindo correndo do apartamento em direção a eles, poucos segundos depois, pela mesma porta saiu o homem negro.

Elias se apressou pra apertar o botão do estacionamento, enquanto mantinha a porta aberta pro Baxter entrar. O homem correu na direção deles, mas, assim que Baxter entrou no elevador, Elias deixou a porta fechar, bem na cara do homem.

Chegaram no estacionamento e foram pro carro do Elias. Por sorte, ele tinha uma bolsa com umas roupas no porta-malas. Sempre deixava lá pra qualquer emergência que precisasse de roupa. Vestiu uma camiseta e uma jeans e emprestou pra Evelyn a cueca e a jaqueta. Infelizmente não tinha mais nada, mas isso já dava pra cobrir ela um pouco.

- Vamo embora, temos que sair daqui. Daqui. - apressou-o Evelyn
- Sim, entra no carro.

Saíram do prédio e, embora não tenham visto mais vestígios do homem negro, Evelyn continuava inquieta.

- Você o conhecia? Parecia que ia atrás de você.
- Não, especificamente ele eu não conhecia, mas era um anjo.
- Um anjo? Não deveria ter asas e ser dos bonzinhos? - disse ela segurando o antebraço onde ele a tinha agarrado e apertado.
- Eles também podem se passar por humanos. E, com certeza, teria te ignorado se você não tivesse batido nele.
- Aquela coisa branca que ele fez...?
- Tentou te banir. Não te afetou por você ser um nephilim. Se fosse humano, teria morrido na hora. Em mim, teria queimado a alma.
- Merda. O que a gente faz agora? Acha que ele ainda está por aí?
- Com certeza, deve ter pedido reforços e não vão parar de vigiar sua casa. Sei onde podemos ir. Vira aqui.

Evelyn continuou guiando ele pela cidade até chegarem ao bairro Eliseu. Elias não se sentia confortável em estar naquelas horas da noite naquele bairro. Engolindo seco, foi seguindo as instruções de Evelyn até chegarem na porta de uma balada que se chamava X.

Estacionaram perto e, em vez de irem para a entrada principal, Evelyn entrou num beco. Chegaram a uma porta com uma placa que dizia: "Só funcionários." e Evelyn bateu duas vezes. Um homem alto, completamente vestido de preto e muito musculoso, abriu a porta.

- Sim? O que você quer? - perguntou com uma voz grave.
- Preciso falar com o chefe.

O homem olhou para os dois de cima a baixo e apontou com a cabeça para Elias.

- Vem comigo. É um nephilim.
- Hummm. Ele não vai gostar.

O homem se afastou da porta deixando eles passarem. Bem abafado pelas paredes, chegava até eles o som da música eletrônica da balada. Evelyn conhecia o lugar e rapidamente entrou por uma porta, e Elias se apressou para segui-la.

Atravessaram um corredor de onde saíam muitas portas. Elias olhou por uma que estava aberta e viu uma Sala vazia com um grande aparelho metálico em forma de X, tão grande quanto uma pessoa e com umas correias penduradas nele. Começou a se perguntar o que seria quando o som de um chicote e um grito ecoou no corredor.

- Vamos, não se distrai. - apressou-o Evelyn.

Por uma porta entreaberta, pôde ver uma mulher presa num cepo, com o corpo num ângulo de noventa graus, enquanto outra mulher atrás batia na bunda dela com um chicote. De outras portas, saíam sons abafados de gemidos, gritos e pancadas.

Pelo corredor, cruzaram com um homem e uma mulher que iam na direção oposta. A mulher usava uma coleira de couro vermelho com uma corrente que terminava nas mãos do homem. Elias teve o impulso de querer pará-los, mas ao olhar nos olhos da mulher, parou. Neles só havia luxúria e satisfação.

O corredor fazia algumas curvas, não era completamente reto e, numa dessas curvas, entraram por outro trecho de corredor que tinha uma placa de proibido. Aqui o corredor já não tinha portas nas laterais, só uma no final. Evelyn a atravessou sem nem parar para bater. Do outro lado da porta, havia uma sala aconchegante, uns sofás e uma mesinha de lado, um balcão vazio do outro e um monte de bebidas atrás. A sala estava completamente vazia.

- Tá bem, espera aqui, vou falar com alguém que pode nos ajudar.
- Não demora. - disse ele, segurando a mão dela para pará-la.
- Não se preocupa, aqui você tá seguro. Mas se vier alguém, tenta passar despercebido.

Evelyn deu um beijo nele, forçando-o a abrir a boca com a língua.

- Serve o que quiser.

Evelyn desapareceu pela porta que havia do outro lado da sala. Elias não tava com vontade de beber nada, então simplesmente sentou num dos sofás. Pegou o celular e olhou a hora. Cinco da manhã. Na cabeça dele, os lembretes dessa noite rodavam. Como o mundo dele e tudo que conhecia podia virar de cabeça pra baixo em menos de uma noite. Hora. O som de uma porta o assustou. Não era a porta pela qual Evelyn tinha saído, mas sim a pela qual tinham entrado na sala.

Uma mulher entrou por ela. Alta, um pouco mais alta que Elías, com uma longa cabeleira loira que chegava até as coxas. Usava umas botas pretas de salto agulha que subiam um pouco acima dos joelhos. A mulher foi atrás do balcão e pegou uma das garrafas. Ao se virar, o coração de Elías deu um pequeno salto e ele quase engasgou com a própria saliva. A mulher usava apenas um espartilho que deixava completamente à mostra os peitos dela. Não eram exageradamente grandes, mas o efeito do espartilho fazia com que se levantassem e se apertassem um contra o outro, formando um decote tão apertado que poderia segurar uma folha de papel.

- Oi. Você é novo por aqui? - perguntou enquanto despejava um longo jato da garrafa que tinha pegado em uma coqueteleira.
- Hãã. Sim.

A mulher pegou outras garrafas, despejando também parte do conteúdo na coqueteleira. Quando terminou, começou a agitá-la, fazendo os peitos balançarem no ritmo. Elías ficou vidrado olhando os padrões hipnotizantes que os pequenos mamilos rosados formavam.

- Quer um pouco? - perguntou com um tom divertido, como se achasse graça da situação.
- Não. Obrigado. - respondeu Elías saindo do seu torpor.

Despejando o conteúdo da coqueteleira em um copo com gelo, a mulher saiu de trás do balcão e foi em direção a ele. Naquele momento, Elías percebeu que não eram só os peitos que estavam de fora. Por baixo do espartilho, ela não usava nada. Tinha uma bucetinha pequena, onde dava para ver tanto os lábios maiores quanto os menores e o capuz do clitóris, e sobre ele havia uma pequena trilha de pelo loiro. A mulher sentou no sofá ao lado dele, sem nem tentar cruzar as pernas para poupar Elías daquela vista maravilhosa.

- Mmmm. Você é o brinquedo novo da Evelyn, não é? - disse após inspirar profundamente. — O quê? — perguntou Elias, ainda atordoado com as visões.
— Você está com o cheiro dela. Eu sou a Fanny, aliás. — disse ela, dando um longo gole no copo.
— Prazer em te conhecer.
— Duvido nada, você não tirou os olhos de mim desde que entrei.
— Hum, é. Desculpa.

Elias desviou o olhar, corado com as palavras de Fanny. Uma risadinha leve fez ele olhar de novo.

— Não precisa se desculpar, querido. Se eu não quisesse chamar atenção, usaria mais roupa.

Fanny se levantou e foi sentar do lado dele. Apoiou um braço no ombro dele, deixando o peso da teta cair sobre o braço de Elias. Com a outra mão, virou o rosto dele na direção dela, deixando os lábios a meros centímetros de distância.

— Me diz uma coisa. A Evelyn te deixou aqui sozinho?
— É, ela entrou um instante...
— Shhh... — cortou Fanny, colocando um dedo nos lábios dele. — Eu podia te fazer companhia.

Fanny se aproximou o pouco que os separava, juntando os lábios num beijo leve que foi ganhando intensidade. Ela soltou a língua, lambendo os lábios de Elias. Ele já desconfiava que ela era outra súcubo, igual a Evelyn, mas as suspeitas se confirmaram quando sentiu aquele torpor leve que tinha sentido quando beijou Evelyn.

Fanny colocou a mão na coxa dele e foi subindo até chegar no volume. Agarrou a rola dele por cima da calça. O fato de ele não estar de cueca ajudou pra caralho a ela crescer rápido. Ela praticamente tava batendo uma punheta por cima da roupa quando se separaram do beijo. Elias segurou ela pelos ombros e afastou ela um pouco, mas com firmeza.

— Para, Fanny.

No rosto dela, se desenhou surpresa e incredulidade. Sem dúvida, ela achava que ele era só um humano e que a essa altura já devia ter caído no encanto dela. Antes que ela conseguisse reagir, a porta por onde Evelyn tinha saído se abriu e ela entrou na sala. Parou, olhando fixamente pra cena. Desculpa, Fanny. Mas hoje não.
- Que buceta, Evelyn. Sabe pelo menos o que é?
- Sei, e por isso temos que ir. Vamos, Elias, levanta.

Elias se levantou rápido, tentando esconder a ereção pra não ficar tão visível, em vão. Deixando uma atordoada Fanny ainda sentada no sofá, Evelyn e Elias saíram de volta pro corredor comprido.

- Eu... Desculpa... - começou Elias a se desculpar.
- O quê?
- Ela se jogou em cima de mim e...
- Ahh, não se preocupa com isso. Ela e eu já dividimos muitos e muitas outras noites. E se não fosse pelas circunstâncias de hoje, talvez até estivéssemos dividindo um desses quartos nós três, mas agora a gente tá com pressa.

Elias não sabia bem o que dizer, então optou por não falar nada e seguiu ela pra fora do prédio. Ao sair, foram até o carro dele, onde Baxter esperava tranquilo no banco de trás. Ligaram o carro de novo e Evelyn voltou a guiá-lo pelo labirinto de ruas.

- Beleza. E agora? - perguntou Elias.
- Agora vamos pegar umas coisas na minha casa e, depois, vazar da cidade.
- Peraí? Como assim vazar da cidade?
- Aqui já não tamos seguros. Se me encontraram na sua casa, é porque já tão na minha cola.
- Mas eu não tenho nada a ver com a guerra de vocês.
- Tirando o fato de que você defendeu uma súcubo de um anjo, se você voltar pra sua casa, vão querer te interrogar. Isso no mínimo. E acredita em mim, você não ia querer passar por um desses interrogatórios. Além disso, já devem estar te procurando pela cidade toda.
- Mas... Toda a minha vida tá aqui.
- Vira aqui. - ela disse quando chegaram num cruzamento. - Deixou alguma coisa essencial em casa?
- O computador. - disse Elias depois de revisar mentalmente as poucas coisas que tinha na vida. - Tenho todo o meu trabalho nele.
- Não tem backup em algum servidor?
- Nem tudo, mas tenho. Dá pra me virar com isso.
- Perfeito, porque não vamos poder voltar na sua casa.
- E pra onde a gente vai? Quando? Noite, meus amigos do Covil vão criar uma distração pra gente. Vou pegar umas coisas e vamos pra cidade de Los Angeles.
- Pra cidade de...? – começou a perguntar, com a língua já embolando.
- Pra Los Angeles, a cidade. Apesar do nome, não é dominada por eles. Lá estaremos seguros. Entra nessa garagem.

Uma porta de garagem se abriu num prédio na frente deles. Elias meteu o carro pra dentro, estacionando ao lado de um esportivo vermelho que estava lá. Evelyn desceu rápido e foi direto pra porta de saída da garagem.
- Me espera aqui, volto num minuto.
- Beleza.

Um gemido do Baxter chamou a atenção dele quando ela saiu. Acariciando a cabeça do cachorro, Elias tentava colocar os pensamentos em ordem. O que ele tinha vivido naquela noite parecia loucura e ainda custava a acreditar. Se não tivesse visto com os próprios olhos...

Surpreendentemente, Evelyn demorou pouco e logo apareceu com uma mala. Elias desceu pra abrir o porta-malas e ajudar a carregar as coisas, mas Evelyn abriu com o controle o esportivo ao lado dele.
- Vamos trocar de carro. O teu pode já ser conhecido.

Isso fazia algum sentido, então Elias não quis discutir e se apressou pra tirar todas as coisas do carro. Já no esportivo da Evelyn, saíram da garagem e seguiram a toda pressa pros arredores da cidade. Seja lá o que os demônios do X fizeram de distração, deve ter funcionado, porque não encontraram problema nenhum no caminho.

A casa onde moravam em Los Angeles não era muito diferente do apartamento onde Elias vivia antes. Tinha um único quarto grande, separado por uns biombos de madeira que eles tinham tirado assim que chegaram. Agora tinham uma sala grande num canto do quarto, uma cozinha pequena noutro e uma cama no terceiro. O canto vazio usavam só como uma pequena entrada. O único cômodo separado por uma porta era o banheiro. casa ecoavam os gemidos da Evelyn. Não era difícil, já que a casa era aberta, quase sem paredes pra conter o som da carne batendo uma na outra. Em cima da cama, a Evelyn tava de quatro enquanto o Elias puxava o cabelo dela, forçando ela a olhar pra cima, e metia com uma velocidade do caralho. Pelas pernas da Evelyn escorria um rio de fluidos, uma mistura dos dela com o líquido pré-gozo dele.

- Assim, assim! Bate forte! Mais! Mais! Mais!

O Elias empurrou a cabeça dela contra o colchão, fazendo o peito da Evelyn deitar e a bunda ficar toda levantada. Ele se agachou em cima dela e meteu de novo de uma vez só. Tirou devagar e se deixou cair de novo, usando a gravidade pra deixar a penetração mais forte e pesada.

Um jato de fluidos saiu quase a pressão da buceta da Evelyn, molhando as bolas do Elias e a cama, que já tava encharcada. O Elias segurou ela pela bochecha, enfiando dois dedos na boca dela. Ela lambeu eles como se fosse uma rola invadindo ela.

- Vou gozar, puta.
- Não. Mais um pouco. Me dá mais. - ela falava entre murmúrios, ainda com os dedos na boca.

O Elias aumentou ainda mais o ritmo e, com um gemido gutural, se deixou cair pela última vez. A cabeça da rola dele se encravou no colo do útero dela e começou a soltar todo o sêmen que as bolas dele tinham acumulado. A Evelyn sentiu aquele calor inundando ela e gozou de novo entre espasmos, fazendo as pernas dela falharem e ela ficar deitada na cama com o Elias em cima.

Quando as cãibras do orgasmo passaram, o Elias se levantou. A Evelyn ainda tava deitada, com os olhos virados, língua pra fora fazendo uma poça de baba nos lençóis e um fiozinho de sêmen escorrendo entre os lábios da buceta dela.

O Elias olhou a hora no celular, ainda faltavam trinta minutos pra Evelyn ter que ir trabalhar e ele sabia que ela ainda não tava satisfeita. Pegando ela pelo tornozelo, virou ela de lado. virando ela de barriga pra cima. Os olhos dela, que estavam vidrados, começaram a voltar ao normal e ela olhou pra ele com um sorriso que já deixou a piroca dele dura na hora.

Levantando as pernas dela pelos tornozelos, Elias se ajoelhou bem atrás dela. Evelyn segurou as próprias pernas pelos joelhos, puxando elas mais pra perto do corpo, deixando os peitos apertados entre as coxas. Elias abriu a buceta dela com os dois polegares, fazendo uma cachoeira de porra escorrer de dentro dela. Passou a cabeça da piroca ao longo da buceta dela, espalhando a porra toda. Segurou ela ali por um momento pra alinhar com a entrada e, com um empurrão seco da cintura, enfiou tudo de uma vez. Os olhos de Evelyn viraram de novo, com a cabeça jogada pra trás.

Elias começou a bombar forte mas devagar, besta de olhar pros peitões de Evelyn balançando pra frente e pra trás no ritmo das estocadas da cintura dele. Depois de um tempo fodendo ela assim, ele se deitou por cima dela, colocando as mãos nas pernas dela e chegando até a boca dela. As línguas se encontraram no ar, trocando lambidas e saliva. Elias esticou as pernas, sem tirar a piroca de dentro dela, e usando a estrutura da cama como apoio, começou a fazer flexões em cima dela. Ele se levantava, quase tirando a piroca toda, e depois se deixava cair de novo, dando uma penetração bem forte que batia no fundo da buceta dela. Ficaram nessa até que Evelyn envolveu a cintura dele com as pernas, limitando o movimento dele, e abraçou ele com os dois braços enquanto as unhas compridas traçavam linhas vermelhas nas costas dele. Sentir as paredes da buceta dela apertando a piroca dele, como se quisesse espremer, fez Elias gozar de novo dentro dela.

— Porra. Cada vez você fode melhor. — disse Evelyn soltando o aperto devagar.
— E cada vez me afeta menos você se alimentar de mim.
— Perfeito, porque quando eu voltar vou querer um copinho de porra antes de dormir.

Com um Um beijo leve, Evelyn se levantou da cama e foi pro banheiro se limpar um pouco. Elias ficou deitado por um tempo, pensando em como a vida dele tinha mudado nessas duas semanas. Depois da viagem pra Los Angeles, os demônios de X tinham dado um apê seguro pra eles, onde ele estava agora, e ele não tinha tido mais nenhum encontro com nenhum anjo. Evelyn ainda mantinha contato com os demônios de X, mas não tinha dado muitos detalhes sobre isso.

No dia seguinte que chegaram em Los Angeles, Elias ligou pro Bobby pra dizer que tinha saído da cidade e avisar pra ele não passar na casa dele. Não contou nada sobre demônios ou anjos e queria manter ele fora de tudo isso. Na semana seguinte, atualizou ele sobre a mudança pra Los Angeles, deu a desculpa de que tinha encontrado a Evelyn e se mudado pra cá por causa dela. Que, no fim das contas, também não estavam tão longe e podiam se ver de vez em quando. Não gostava de mentir pra ele, principalmente pro melhor amigo, mas, bem, falando estritamente, também não era uma mentira completa.

Era verdade que ele tinha encontrado ela e que tinha se mudado por causa dela. Não à toa, agora moravam juntos e transavam mais que um casal de adolescentes cheios de hormônio. Embora isso também não fosse tanto por amor, mas pelo acordo que tinham feito pra ela se alimentar dele e não precisar matar mais ninguém. A primeira semana foi difícil pro Elias, a perda de tanta essência vital fez ele ficar pra baixo, como se não tivesse ânimo e estivesse deprimido o dia todo. Mas agora, ele aguentava cada vez melhor e os hábitos alimentares da Evelyn afetavam menos ele, embora o apetite sexual dela não tivesse diminuído nem um pouco.

Evelyn saiu do banheiro toda arrumada e se despediu do Elias com um beijo leve. Pouco depois de chegarem aqui, ela tinha arrumado um trabalho como cantora num bar onde um grupo de músicos tocava ao vivo e também deixavam o palco aberto pra galera se apresentar. Indo em direção à porta, Evelyn parou um instante pra fazer um carinho na cabeça de Baxter. Cada dia ela se apegava mais àquele cachorro.

Elias se levantou da cama quando Evelyn saiu e abriu o notebook, se preparando pra trabalhar um pouco mais no novo aplicativo que tava desenvolvendo antes do jantar. Ele não sabia o que o futuro lhe reservava dali em diante, mas tava satisfeito com o que tinha conseguido ali.

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