NASCI, MAS NÃO SEI DIREITO COMO, QUANDO OU ONDE, E PORTANTO DEVO PERMITIR QUE O LEITOR ACEITE ESSA MINHA AFIRMAÇÃO E A ACREDITE, SE LHE APROVEITAR. OUTRA COISA TAMBÉM É CERTA: O FATO DO MEU NASCIMENTO NÃO É UM ÁTOMO MENOS VERDADEIRO DO QUE A VERACIDADE DESTAS MEMÓRIAS, E SE O ESTUDANTE INTELIGENTE QUE SE APROFUNDAR NESTAS PÁGINAS PERGUNTAR COMO ACONTECEU QUE, NO DECORRER DA MINHA PASSAGEM PELA VIDA — OU TALVEZ DEVESSE DIZER MEU PULO POR ELA — EU FUI DOTADA DE INTELIGÊNCIA, DONS DE OBSERVAÇÃO E PODERES DE RETENÇÃO DE MEMÓRIA QUE ME PERMITIRAM GUARDAR A LEMBRANÇA DOS MARAVILHOSOS FATOS E DESCOBERTAS QUE VOU RELATAR, SÓ PODEREI RESPONDER QUE EXISTEM INTELIGÊNCIAS INSUSPEITADAS PELO VULGO, E LEIS NATURAIS CUJA EXISTÊNCIA AINDA NÃO PÔDE SER DESCOBERTA PELOS CIENTISTAS MAIS AVANÇADOS DO MUNDO.
OUVI DIZER EM ALGUM LUGAR QUE MEU DESTINO ERA PASSAR A VIDA CHUPANDO SANGUE. DE FORMA ALGUMA SOU O MAIS INSIGNIFICANTE DOS SERES QUE PERTENCEM A ESSA FRATERNIDADE UNIVERSAL, E SE LEVO UMA EXISTÊNCIA PRECÁRIA NOS CORPOS DAQUELES COM QUEM ENTRÔ EM CONTATO, MINHA PRÓPRIA EXPERIÊNCIA DEMONSTRA QUE FAÇO ISSO DE UMA MANEIRA NOTAVELMENTE PECULIAR, JÁ QUE FAÇO UM AVISO DA MINHA OCUPAÇÃO QUE RARAMENTE OFERECEM OUTROS SERES DE OUTROS GRAUS NA MINHA MESMA PROFISSÃO. MAS MINHA CRENÇA É QUE PERSEGUO OBJETIVOS MAIS NOBRES DO QUE O DA SIMPLES SUSTENTAÇÃO DO MEU SER POR MEIO DAS CONTRIBUIÇÕES DOS INC AUTOS.
ME DEI CONTA DESSE DEFEITO ORIGINAL MEU, E COM UMA ALMA QUE ESTÁ MUITO ACIMA DOS VULGARES INSTINTOS DOS SERES DA MINHA RAÇA, FUI ESCALANDO ALTURAS DE PERCEPÇÃO MENTAL E DE ERUDIÇÃO QUE ME COLOCARAM PARA SEMPRE NO PINÁCULO DA GRANDEZA NO MUNDO DOS INSETOS. É O FATO DE TER ALCANÇADO TAL ESCLARECIMENTO MENTAL QUE QUERO EVOCAR AO DESCREVER AS CENAS QUE PRESENCIEI, E NAS QUAIS ATÉ TOMEI PARTE. NÃO VOU PARAR PARA EXPOR POR QUE MEIOS FUI DOTADA DE PODERES HUMANOS DE OBSERVAÇÃO E DE DISCERNIMENTO. Deixem que eles simplesmente percebam, através das minhas divagações, que eu os possuo, e vamos agir de acordo. Assim vocês vão sacar que não sou uma pulga qualquer. Afinal, quando se leva em conta as companhias que estou acostumado a frequentar, a intimidade com que lidei com as maiores personalidades, e o jeito que conheci a maioria delas, o leitor não vai hesitar em concordar comigo que, de verdade, sou o mais foda e notável dos insetos.
Minhas primeiras lembranças me levam a uma época em que eu estava dentro de uma igreja. Tinha música, e se ouviam uns cantos lentos e monótonos que me encheram de surpresa e admiração. Mas desde então aprendi a medir a verdadeira importância dessas influências, e as poses dos devotos eu encaro agora como manifestações externas de um estado emocional interno, geralmente inexistente.
Eu tava focado no meu trampo profissional na perna gordinha e branca de uma mocinha de uns catorze anos, o gosto do sangue dela ainda lembro, assim como o cheiro da... mas tô viajando. Pouco depois de começar calmo e amigável minhas pequenas atenções, a mocinha, junto com o resto da congregação, se levantou e foi embora. Naturalmente, decidi acompanhá-la. Tenho a visão e a audição bem apuradas, e consegui ver como, na hora que ela passava pelo pórtico, um jovem enfiava na mão enluvada da mocinha uma folha dobrada de papel branco. Já tinha percebido o nome Céu Riveros bordado na meia de seda macia que inicialmente me atraiu, e vi que esse nome também aparecia do lado de fora da carta de amor.
Ela tava com a tia, uma senhora alta e imponente, com quem não tava a fim de criar intimidade. Céu Riveros era uma gostosa de apenas catorze anos, com um corpo perfeito. Mesmo assim, sua juventude, seus doces peitinhos em botão já começavam a tomar proporções que agradam ao sexo oposto. Seu rosto mostrava uma candura encantadora; seu hálito era suave como os perfumes da Arábia, e sua pele parecia de veludo. Céu Riveros sabia, claro, quais eram seus encantos, e erguia a cabeça com tanto orgulho e safadeza quanto uma rainha. Não era difícil ver que despertava admiração ao observar os olhares de desejo e luxúria que os jovens, e às vezes até os homens mais velhos, dirigiam a ela. Lá fora do templo, um silêncio geral tomou conta, e todos os rostos se viraram para olhar a linda Céu Riveros — manifestações que falavam melhor que palavras de que ela era a mais admirada por todos os olhos, e a mais desejada pelos corações masculinos. No entanto, sem dar a menor atenção ao que era claramente um evento cotidiano, a moça seguiu com passo decidido para casa, na companhia da tia, e ao chegar em sua morada elegante e impecável, foi direto para o quarto. Não vou dizer que a segui, já que estava com ela, e pude ver como a gentil jovenzinha levantava uma de suas pernas deliciosas para cruzá-la sobre a outra, a fim de desatar as elegantes e minúsculas botas de camurça. Pulei no tapete e comecei a examiná-la. A outra bota veio em seguida, e sem afastar uma da outra suas panturrilhas roliças, Céu Riveros ficou olhando a carta dobrada que eu percebi que o jovem tinha colocado secretamente em suas mãos. Observando tudo de perto, pude ver as curvas das coxas que se abriam para cima até as ligas, bem apertadas, para depois se perderem na escuridão, onde uma e outra se encontravam no ponto em que se uniam com sua bela barriga baixa, quase impedindo a vista de uma fenda fina cor de pêssego, que mal mostrava seus lábios por entre as sombras. De repente, Céu Riveros deixou cair a nota, e como ficou aberta, tomei a liberdade de lê-la também. os incautos. Percebi isso. defeito original meu, e com uma alma que está muito acima dos vulgares instintos dos seres da minha raça, fui escalando alturas de percepção mental e de erudição que me colocaram para sempre no pináculo da grandeza no mundo dos insetos. É o fato de ter alcançado tal esclarecimento mental que quero evocar ao descrever as cenas que presenciei, e nas quais até tomei parte. Não vou parar para expor por que meios fui dotada de poderes humanos de observação e discernimento. Que me seja permitido simplesmente perceberem, através das minhas elucubrações, que os possuo, e vamos em frente.
Vocês vão perceber que não sou uma pulga vulgar. De fato, quando se levam em conta as companhias que estou acostumada a frequentar, a familiaridade com que lidei com as mais altas personalidades, e a forma como travei conhecimento com a maioria delas, o leitor não hesitará em concordar comigo que, na verdade, sou o mais maravilhoso e eminente dos insetos. Minhas primeiras lembranças me levam a uma época em que me encontrava dentro de uma igreja. Havia música, e se ouviam uns cantos lentos e monótonos que me encheram de surpresa e admiração. Mas desde então aprendi a calibrar a verdadeira importância de tais influências, e as atitudes dos devotos tomo agora como manifestações exteriores de um estado emocional interno, geralmente inexistente. Estava entregue à minha tarefa profissional na gordinha e branca perna de uma mocinha de cerca de catorze anos, o sabor do sangue da qual ainda lembro, assim como o aroma da sua... mas estou divagando. Pouco depois de ter começado tranquila e amistosamente minhas pequenas atenções, a mocinha, assim como o resto da congregação, se levantou e foi embora. Como é natural, decidi acompanhá-la. Tenho bem aguçados os sentidos da visão e da audição, e pude ver como, no momento em que cruzava o pórtico, um jovem deslizava na Entreguei na mão da mocinha uma folha dobrada de papel branco. Já tinha percebido o nome Cielo Riveros bordado na meia de seda macia que me atraiu de início, e pude ver que o mesmo nome aparecia do lado de fora da carta de amor. Ela estava com a tia, uma senhora alta e imponente, com quem não me interessava ter intimidade. Cielo Riveros era uma gostosa de apenas quatorze anos, com um corpo perfeito. Apesar da pouca idade, seus peitinhos doces em botão já começavam a ganhar proporções que agradam ao sexo oposto. O rosto dela mostrava uma candura encantadora; o hálito era suave como perfumes da Arábia, e a pele parecia veludo. Cielo Riveros sabia, claro, quais eram seus encantos, e erguia a cabeça com tanto orgulho e pose quanto uma rainha. Não era difícil ver que despertava admiração ao observar os olhares de desejo e safadeza que os jovens, e às vezes até homens mais velhos, lançavam pra ela. Na frente do templo, fez-se um silêncio geral, e todos os rostos se viraram pra olhar a linda Cielo Riveros — manifestações que falavam melhor que palavras de que ela era a mais admirada por todos os olhos e a mais desejada pelos corações masculinos. Mas, sem dar a menor bola pro que era claramente um evento comum no dia a dia, a mocinha seguiu com passo firme pra casa, na companhia da tia, e ao chegar na sua morada elegante e arrumada, foi direto pro quarto. Não vou dizer que a segui, porque já tava com ela, e pude ver como a gostosa levantava uma das pernas perfeitas pra cruzar sobre a outra e desamarrar as botinhas elegantes e minúsculas de couro. Pulei no tapete e comecei a examiná-la. Veio a outra bota, e sem separar as panturrilhas roliças, Cielo Riveros ficou olhando a carta dobrada que eu notei que o jovem tinha colocado secretamente na mão dela. Observando tudo de perto, pude ver as curvas das coxas que se abriam para cima até as ligas, bem presas, para depois se perderem na escuridão, onde uma e outra se juntavam no ponto em que se encontravam com sua linda barriga baixa, quase impedindo a visão de uma fina fenda cor de pêssego, que mal mostrava seus lábios por entre as sombras. De repente, Cielo Riveros deixou cair o bilhete e, como ele ficou aberto, tomei a liberdade de lê-lo também. "Esta noite, às oito, estarei no lugar de sempre." Eram as únicas palavras escritas no papel, mas pareciam ter um interesse especial para ela, já que ficou na mesma posição por um tempo, pensativa. Minha curiosidade despertou e, desejando saber mais sobre a interessante garota, o que me dava a agradável oportunidade de continuar nessa prazerosa promiscuidade, me apressei em ficar tranquilamente escondida em um lugar recôndito e confortável, embora um pouco úmido, e não saí de lá, para observar o desenrolar dos acontecimentos, até que se aproximasse a hora do encontro. Cielo Riveros se vestiu com atenção meticulosa e se preparou para ir ao jardim que cercava a casa de campo onde morava; fui com ela. Ao chegar ao final de uma longa e sombreada alameda, a moça sentou-se em um banco rústico e esperou a chegada da pessoa com quem tinha que se encontrar. Não passaram mais do que alguns minutos antes que aparecesse o jovem que pela manhã havia se comunicado com minha deliciosa amiguinha. Iniciou-se uma conversa que, se devo julgar pela abstração que faziam de tudo que não dissesse respeito a eles mesmos, tinha um interesse especial para ambos. Anoitecia, e estávamos entre duas luzes. Soprava um ventinho quente e confortável, e o jovem casal permanecia entrelaçado no banco, esquecidos de tudo que não fosse sua felicidade mútua. — Você não sabe o quanto te amo, Cielo Riveros — murmurou o jovem. selando ternamente sua declaração com um beijo depositado nos lábios que ela oferecia. —Sim, eu sei —respondeu ela com ar inocente—. Você não está me dizendo isso toda hora? Vou acabar cansando de ouvir essa música. Céu Riveros mexia inquietamente seus lindos pés, e parecia pensativa. —Quando você vai me explicar e me ensinar todas aquelas coisas divertidas que me falou? —perguntou ela por fim, lançando-lhe um olhar, para depois fixar a vista no chão. —Agora —respondeu o jovem—. Agora, querida Céu Riveros, que estamos a sós e livres de interrupções. Sabe, Céu Riveros? Já não somos mais crianças. Céu Riveros concordou com um movimento de cabeça. —Bem; há coisas que as crianças não sabem, e que os amantes não só devem conhecer, mas também praticar. —Valha-me Deus! —disse ela, muito séria. —Sim —continuou seu companheiro—. Há entre os que se amam coisas secretas que os fazem felizes, e que são a causa da alegria de amar e ser amado. —Meu Deus! —exclamou Céu Riveros—. Como você ficou sentimental, Carlos! Ainda lembro quando você me dizia que sentimentalismo não passava de besteira. —Eu acreditava nisso, até me apaixonar por você —retrucou o jovem. —Bobagem! —respondeu Céu Riveros—. Mas vamos em frente, e me conte o que você me prometeu. —Não posso te dizer se ao mesmo tempo não te ensinar —respondeu Carlos—. Os conhecimentos só se aprendem observando na prática. —Vai, então! Vai em frente e me ensina! —exclamou a moça, em cujo brilhante olhar e bochechas ardentes eu percebia que ela tinha pleno conhecimento do tipo de instrução que pedia. Em sua impaciência havia um não sei quê cativante. O jovem cedeu a esse atrativo e, cobrindo com seu corpo o da donzela Céu Riveros, aproximou seus lábios dos dela e a beijou enlevado. Céu Riveros não ofereceu resistência; pelo contrário, colaborou retribuindo as carícias de seu amado. Enquanto isso, a noite avançava; as árvores desapareciam na escuridão, e estendiam suas Altas copas pra proteger os jovens da luz que se apagava. De repente, Carlos deslizou pro lado dela e fez um movimento leve. Sem resistência da parte de Cielo Riveros, ele passou a mão por baixo das anáguas da garota. Não satisfeito com o prazer que sentiu ao ter as meias de seda dela ao alcance, tentou ir mais pra cima, e seus dedos curiosos entraram em contato com a carne macia e trêmula das coxas da moça. O ritmo da respiração de Cielo Riveros acelerou com esse ataque nada delicado aos encantos dela. Mas ela tava longe de resistir; sem dúvida, tava gostando da brincadeira excitante. — Toca — murmurou —. Te deixo. Carlos não precisou de mais convite. Na real, já tava indo em frente, e sacando na hora o alcance da permissão, enfiou os dedos mais pra dentro. A garota complacente abriu as coxas quando ele fez isso, e na mesma hora a mão dele alcançou os lábios rosados e delicados da bucetinha linda dela. Durante os dez minutos seguintes, o casal ficou de boca colada, esquecido de tudo. Só a respiração deles mostrava a intensidade das sensações que tomavam conta naquela embriaguez de safadeza. Carlos sentiu um negócio delicado que ficava durinho sob os dedos ágeis dele, e que se destacava de um jeito que ele não conhecia. Naquela hora, Cielo Riveros fechou os olhos, jogou a cabeça pra trás e tremeu levemente, enquanto o corpo dela ficava leve e mole, e a cabeça procurava apoio no braço do amado. — Ah, Carlos! — murmurou —. O que cê tá fazendo comigo? Que sensações gostosas cê me dá! O garoto não ficou parado, mas já tendo explorado tudo que a posição forçada permitia, ele se levantou e, entendendo que precisava saciar a paixão que tinha despertado com os toques, pediu pra companheira deixar ele levar a mão dela até um negócio querido, que ele garantiu que podia dar muito mais prazer do que o que ela já tinha sentido. Os dedos dele já tinham dado a deixa. Sem nenhuma hesitação, Cielo Riveros agarrou um novo e delicioso objeto e, seja pela curiosidade que fingia ter, seja porque realmente estava sendo levada por desejos recém-nascidos, não conseguiu se negar a trazer da sombra para a luz o objeto ereto do amigo. Aqueles dos meus leitores que já se encontraram numa situação parecida vão entender rapidinho o calor que ela colocou ao empunhar a nova aquisição, e o olhar de boas-vindas com que recebeu a primeira aparição dele em público. Era a primeira vez que Cielo Riveros via um membro masculino no auge do poder, e mesmo que não fosse, o que eu podia ver confortavelmente era de um tamanho foda. O que mais a incentivava a se aprofundar nos conhecimentos era a brancura do tronco e a cabeça vermelha, de onde a pele macia se retraía quando ela apertava. Carlos também estava todo derretido. Os olhos dele brilhavam e a mão continuava percorrendo o tesouro juvenil do qual tinha tomado posse. Enquanto isso, as brincadeiras da mãozinha sobre o membro jovem com o qual ela tinha entrado em contato já tinham produzido os efeitos que costumam ser vistos em situações parecidas em qualquer organismo saudável e vigoroso, como o do caso que estamos vendo. Arrebatado pela pressão suave da mão, pelos apertos doces e deliciosos, e pela inexperiência com que a garotinha puxava para trás as dobras que cobriam a fruta exuberante, pra revelar a cabeça vermelha acesa de desejo, com seu furinho minúsculo esperando a chance de soltar a oferenda viscosa, o jovem estava louco de tesão, e Cielo Riveros era presa de sensações novas e raras que a arrastavam pra um turbilhão de excitação apaixonada que a fazia ansiar por um alívio ainda desconhecido. Com os olhos lindos semi-cerrados, os lábios úmidos entreabertos, a pele quente e ardente por causa dos impulsos desconhecidos que tinham tomado conta dela, era a vítima perfeita pra Quem quer que tivesse, naquele momento, a oportunidade, e quisesse conquistar seus favores e arrancar sua delicada rosa juvenil. No entanto, apesar da juventude dela, Carlos não era cego a ponto de deixar escapar uma oportunidade tão brilhante. Além disso, sua paixão, agora no auge, o incitava a seguir em frente, ignorando os conselhos de prudência que, de outra forma, teria ouvido. Encontrou palpitante e bem molhado o centro que se agitava sob seus dedos; contemplou a linda garota estendida, num convite ao esporte do amor, observou seus suspiros profundos, que faziam subir e descer seus seios, e as fortes emoções sensuais que davam vida às formas radiantes de sua jovem companheira. As pernas macias e torneadas da garota estavam expostas aos olhares apaixonados do rapaz. Enquanto erguia cuidadosamente suas roupas íntimas, Carlos descobria os encantos secretos de sua adorável parceira, até que seus olhos em chamas pousaram nos membros roliços que terminavam nas ancas brancas e no ventre palpitante. Seu olhar ardente então se fixou no centro mesmo da atração, na fenda rosada escondida ao pé de um monte de Vênus túrgido, mal sombreado pelo mais suave dos pelos. As cócegas que ele havia administrado, e as carícias dispensadas ao objeto cobiçado, haviam provocado o fluxo de umidade que costuma suceder à excitação, e Cielo Riveros oferecia uma fenda que parecia um pêssego, bem regado pelo melhor e mais doce lubrificante que a natureza pode oferecer. Carlos captou sua oportunidade e, afastando suavemente a mão com que ela lhe segurava o pau, lançou-se furiosamente sobre a figura reclinada dela. Apertou com o braço esquerdo sua cintura fina; abraçou as bochechas da garota com seu hálito quente, e seus lábios apertaram os dela num beijo longo, apaixonado e urgente. Depois de liberar a mão esquerda, tentou juntar os corpos o máximo possível naquelas partes que desempenham o papel ativo no prazer sensual, esforçando-se ansiosamente pra completar a união. Cielo Riveros sentiu pela primeira vez na vida o contato mágico do órgão masculino com os lábios da sua bucetinha rosada. Assim que percebeu o contato ardente com a cabeça dura do pau de Carlos, ela tremeu perceptivelmente e, se antecipando aos prazeres dos atos venéreos, deixou escapar uma amostra abundante da sua natureza sensível. Memórias de Uma Pulga Carlos estava enfeitiçado, e se esforçava pra buscar a máxima perfeição na consumação do ato. Mas a natureza, que tanto tinha influenciado no desenvolvimento das paixões sexuais de Cielo Riveros, tinha disposto que algo precisava ser realizado antes que um broto tão precoce fosse cortado tão facilmente. Ela era muito jovem, imatura — até no sentido dessas visitas mensais que marcam o início da puberdade — e suas partes, embora cheias de perfeições e frescor, estavam pouco preparadas pra receber membros masculinos, mesmo os tão moderados quanto aquele que, com sua cabeça redonda e intrusa, lutava naquele momento pra encontrar alojamento nelas. Em vão Carlos se esforçava, pressionando com seu pau excitado pra dentro das partes delicadas da adorável garotinha. As dobras rosadas do buraquinho estreito resistiam a todas as tentativas de penetração na gruta mística. Em vão também a linda Cielo Riveros, naqueles momentos inflamada por uma excitação que beirava a fúria, e meio enlouquecida pelo efeito do cócegas que já tinha sentido, secundava por todos os meios os esforços audaciosos do seu jovem amante. A membrana era forte e resistia bravamente. Por fim, num esforço desesperado pra alcançar o objetivo proposto, o jovem recuou por um momento, pra depois se lançar com toda a força pra frente, conseguindo assim abrir caminho perfurando a obstrução, e avançar a cabeça e parte do seu pau endurecido na buceta da garota que jazia debaixo dele. Cielo Riveros deixou soltar um pequeno gemido ao sentir forçada a porta que levava aos seus segredos encantos, mas a delícia do contato lhe deu forças para aguentar a dor com a esperança do alívio que parecia estar prestes a chegar. Já disseram que ce n’est que le premier coup qui coute, mas cabe argumentar que também é perfeitamente possível que quelquejois il cauto trops, como o leitor pode inferir comigo no caso presente. No entanto, e por mais estranho que pareça, nenhum dos nossos amantes tinha a menor ideia disso, pois entregues por inteiro às deliciosas sensações que os haviam dominado, uniam seus esforços para realizar movimentos ardentes que ambos sentiam que os levariam a um êxtase. O corpo inteiro de Cielo Riveros tremia de impaciência delirante, e de seus lábios vermelhos escapavam curtas exclamações que denunciavam o prazer supremo; ela estava entregue de corpo e alma às delícias da foda. Suas contrações musculares na arma que naquele momento já a tinha enfiada, o abraço firme com que segurava o corpo contorcido do garoto, a estreiteza delicada da bainha molhada, ajustada como uma luva, tudo isso excitava os sentidos de Carlos até a loucura. Ele enterrou seu instrumento até a raiz no corpo dela, até que os dois globos que abasteciam de masculinidade o campeão alcançaram contato com as bundas firmes dela. Não conseguiu avançar mais, e se entregou de vez a colher a safra de seus esforços. Mas Cielo Riveros, insaciável em sua paixão, assim que viu realizada a união completa que desejava, entregando-se à ânsia de prazer que o membro rígido e quente lhe proporcionava, estava excitada demais para se interessar ou se preocupar com o que pudesse acontecer depois. Possuída por espasmos loucos de luxúria, se apertava contra o objeto de seu prazer e, acolhendo-se nos braços de seu amado, com gemidos abafados de intensa emação extática e gritinhos de surpresa e deleite, deixou escapar uma Enxurrada copiosa que, buscando saída, inundou os testículos de Carlos. Assim que o jovem pôde comprovar o prazer que proporcionava à linda Cielo Riveros, e notou o fluxo que tão abundantemente derramara sobre ele, foi tomado também por um acesso de fúria lasciva. Um torrente raivoso de desejo pareceu inundar-lhe as veias. Seu instrumento estava totalmente enterrado nas entranhas dela. Inclinando-se para trás, extraiu o membro ardente quase até a cabeça e o enterrou de novo. Sentiu um formigamento crispante, enlouquecedor. Apertou o abraço que o mantinha unido à sua jovem amante, e no mesmo instante em que outro grito de prazer arrebatado escapava do peito palpitante dela, sentiu seu próprio arfar sobre o seio de Cielo Riveros, enquanto derramava no interior de sua agradecida boceta um verdadeiro torrente de vigor juvenil. Um gemido abafado de luxúria satisfeita escapou dos lábios entreabertos de Cielo Riveros, ao sentir em seu interior o derramamento de fluido seminal. Ao mesmo tempo, o frenesi lascivo da ejaculação arrancou de Carlos um grito penetrante e apaixonado, enquanto ele ficava estirado com os olhos virados, como o ato final do drama sensual. O grito foi o sinal para uma interrupção tão repentina quanto inesperada. Entre os galhos dos arbustos próximos, surgiu a figura sinistra de um homem que se colocou de pé diante dos jovens amantes. O horror gelou o sangue de ambos. Carlos, escapulindo do que fora seu refúgio lúbrico e quente, e com um esforço para se manter em pé, recuou diante da aparição, como quem foge de uma serpente assustadora. Por sua vez, a gentil Cielo Riveros, assim que notou a presença do intruso, cobriu o rosto com as mãos, encolhendo-se no banco que fora testemunha muda de seu gozo, e incapaz de emitir qualquer som por causa do medo, dispôs-se a esperar a tempestade que sem dúvida iria se desatar, para enfrentá-la com toda a presença de espírito de que era capaz. Não se prolongou muito sua incerteza. Avançando rapidamente em direção ao casal culpado, o recém-chegado agarrou o rapaz pelo braço, enquanto, com um olhar duro e autoritário, ordenava que ele arrumasse suas roupas. — Rapaz imprudente! — murmurou entre os dentes. — O que você fez? Até que extremos sua paixão louca e selvagem te levou? Como enfrentará a ira do seu pai ofendido? Como acalmará seu justo ressentimento quando eu, no cumprimento do meu dever moral, contar a ele o dano causado pela mão do seu único filho? Quando terminou de falar, ainda segurando Carlos pelo pulso, a luz da lua revelou a figura de um homem de aproximadamente quarenta e cinco anos, baixo, gordo e bastante corpulento. Seu rosto, francamente bonito, ficava ainda mais atraente por causa de um par de olhos brilhantes que, negros como o azeviche, lançavam ao redor olhares severos de ressentimento apaixonado. Vestia hábitos clericais, cujo aspecto sombrio e limpeza destacavam ainda mais suas notáveis proporções musculares e sua fisionomia surpreendente. Carlos estava completamente confuso e se sentiu egoísta e infinitamente aliviado quando o intruso feroz se virou para sua jovem companheira de prazeres libidinosos. — Quanto a você, infeliz garota, só posso expressar meu máximo horror e minha justa indignação. Esquecendo os preceitos de nossa santa madre igreja, sem se importar com a honra, você permitiu que esse rapaz perverso e presunçoso provasse o fruto proibido. O que te resta agora? Escarnecida por seus amigos e expulsa da casa do seu tio, terá que se associar às bestas do campo e, como Nabucodonosor, será evitada pelos seus para evitar a contaminação, e terá que implorar pelos caminhos do Senhor um mísero sustento. Ah, filha do pecado, criatura entregue à luxúria e a Satã! Eu te digo que... O estranho tinha ido longe demais em sua admoestação à infeliz garota, que Céu Riveros, abandonando sua atitude Encolhida e se levantando, misturou lágrimas e súplicas pedindo perdão para ela e para seu jovem amante. —Não diga mais nada —continuou, por fim, o feroz sacerdote—. Não diga mais nada. Confissões não valem, e humilhações só jogam mais merda na sua ofensa. Minha mente não consegue definir qual é minha obrigação nessa porcaria de situação, mas se eu obedecesse ao que minhas inclinações mandam agora, iria direto pros seus responsáveis naturais contar na hora as putarias que descobri por acaso. —Pelo amor de Deus! Tenha piedade de mim! —suplicou Cielo Riveros, cujas lágrimas escorriam por umas bochechas que há pouco brilhavam de prazer. —Perdoa a gente, padre! Perdoa nós dois! A gente faz tudo que estiver ao nosso alcance como penitência. Vamos mandar rezar seis missas e muitos pai-nossos pagos por nós. Vamos fazer sem dúvida a peregrinação ao túmulo de São Engulfo, que o senhor falou outro dia. Tô disposto a qualquer sacrifício se o senhor perdoar minha querida Cielo Riveros. O sacerdote impôs silêncio com um gesto. Depois tomou a palavra, às vezes num tom piedoso que contrastava com suas maneiras decididas e seu natural duro. —Chega! —disse—. Preciso de tempo. Preciso invocar a ajuda da Virgem bendita, que não conhece o pecado, mas que, sem sentir o prazer carnal da trepada dos mortais, trouxe ao mundo o menino Jesus no estábulo de Belém. Vem me ver amanhã na sacristia, Cielo Riveros. Lá, no lugar adequado, vou te revelar qual é a vontade divina sobre o seu pecado. Quanto a você, jovem impetuoso, reservo todo julgamento e toda ação até o dia seguinte, em que te espero na mesma hora. Milhares de agradecimentos saíram das gargantas dos dois penitentes quando o padre avisou que já tinham que ir. A noite já tinha caído faz tempo, e o sereno tava subindo. —Enquanto isso, boa noite, e que a paz esteja com vocês. O segredo de vocês tá seguro comigo até a gente se ver de novo —disse o padre. antes de desaparecer.
OUVI DIZER EM ALGUM LUGAR QUE MEU DESTINO ERA PASSAR A VIDA CHUPANDO SANGUE. DE FORMA ALGUMA SOU O MAIS INSIGNIFICANTE DOS SERES QUE PERTENCEM A ESSA FRATERNIDADE UNIVERSAL, E SE LEVO UMA EXISTÊNCIA PRECÁRIA NOS CORPOS DAQUELES COM QUEM ENTRÔ EM CONTATO, MINHA PRÓPRIA EXPERIÊNCIA DEMONSTRA QUE FAÇO ISSO DE UMA MANEIRA NOTAVELMENTE PECULIAR, JÁ QUE FAÇO UM AVISO DA MINHA OCUPAÇÃO QUE RARAMENTE OFERECEM OUTROS SERES DE OUTROS GRAUS NA MINHA MESMA PROFISSÃO. MAS MINHA CRENÇA É QUE PERSEGUO OBJETIVOS MAIS NOBRES DO QUE O DA SIMPLES SUSTENTAÇÃO DO MEU SER POR MEIO DAS CONTRIBUIÇÕES DOS INC AUTOS.
ME DEI CONTA DESSE DEFEITO ORIGINAL MEU, E COM UMA ALMA QUE ESTÁ MUITO ACIMA DOS VULGARES INSTINTOS DOS SERES DA MINHA RAÇA, FUI ESCALANDO ALTURAS DE PERCEPÇÃO MENTAL E DE ERUDIÇÃO QUE ME COLOCARAM PARA SEMPRE NO PINÁCULO DA GRANDEZA NO MUNDO DOS INSETOS. É O FATO DE TER ALCANÇADO TAL ESCLARECIMENTO MENTAL QUE QUERO EVOCAR AO DESCREVER AS CENAS QUE PRESENCIEI, E NAS QUAIS ATÉ TOMEI PARTE. NÃO VOU PARAR PARA EXPOR POR QUE MEIOS FUI DOTADA DE PODERES HUMANOS DE OBSERVAÇÃO E DE DISCERNIMENTO. Deixem que eles simplesmente percebam, através das minhas divagações, que eu os possuo, e vamos agir de acordo. Assim vocês vão sacar que não sou uma pulga qualquer. Afinal, quando se leva em conta as companhias que estou acostumado a frequentar, a intimidade com que lidei com as maiores personalidades, e o jeito que conheci a maioria delas, o leitor não vai hesitar em concordar comigo que, de verdade, sou o mais foda e notável dos insetos.
Minhas primeiras lembranças me levam a uma época em que eu estava dentro de uma igreja. Tinha música, e se ouviam uns cantos lentos e monótonos que me encheram de surpresa e admiração. Mas desde então aprendi a medir a verdadeira importância dessas influências, e as poses dos devotos eu encaro agora como manifestações externas de um estado emocional interno, geralmente inexistente.
Eu tava focado no meu trampo profissional na perna gordinha e branca de uma mocinha de uns catorze anos, o gosto do sangue dela ainda lembro, assim como o cheiro da... mas tô viajando. Pouco depois de começar calmo e amigável minhas pequenas atenções, a mocinha, junto com o resto da congregação, se levantou e foi embora. Naturalmente, decidi acompanhá-la. Tenho a visão e a audição bem apuradas, e consegui ver como, na hora que ela passava pelo pórtico, um jovem enfiava na mão enluvada da mocinha uma folha dobrada de papel branco. Já tinha percebido o nome Céu Riveros bordado na meia de seda macia que inicialmente me atraiu, e vi que esse nome também aparecia do lado de fora da carta de amor.
Ela tava com a tia, uma senhora alta e imponente, com quem não tava a fim de criar intimidade. Céu Riveros era uma gostosa de apenas catorze anos, com um corpo perfeito. Mesmo assim, sua juventude, seus doces peitinhos em botão já começavam a tomar proporções que agradam ao sexo oposto. Seu rosto mostrava uma candura encantadora; seu hálito era suave como os perfumes da Arábia, e sua pele parecia de veludo. Céu Riveros sabia, claro, quais eram seus encantos, e erguia a cabeça com tanto orgulho e safadeza quanto uma rainha. Não era difícil ver que despertava admiração ao observar os olhares de desejo e luxúria que os jovens, e às vezes até os homens mais velhos, dirigiam a ela. Lá fora do templo, um silêncio geral tomou conta, e todos os rostos se viraram para olhar a linda Céu Riveros — manifestações que falavam melhor que palavras de que ela era a mais admirada por todos os olhos, e a mais desejada pelos corações masculinos. No entanto, sem dar a menor atenção ao que era claramente um evento cotidiano, a moça seguiu com passo decidido para casa, na companhia da tia, e ao chegar em sua morada elegante e impecável, foi direto para o quarto. Não vou dizer que a segui, já que estava com ela, e pude ver como a gentil jovenzinha levantava uma de suas pernas deliciosas para cruzá-la sobre a outra, a fim de desatar as elegantes e minúsculas botas de camurça. Pulei no tapete e comecei a examiná-la. A outra bota veio em seguida, e sem afastar uma da outra suas panturrilhas roliças, Céu Riveros ficou olhando a carta dobrada que eu percebi que o jovem tinha colocado secretamente em suas mãos. Observando tudo de perto, pude ver as curvas das coxas que se abriam para cima até as ligas, bem apertadas, para depois se perderem na escuridão, onde uma e outra se encontravam no ponto em que se uniam com sua bela barriga baixa, quase impedindo a vista de uma fenda fina cor de pêssego, que mal mostrava seus lábios por entre as sombras. De repente, Céu Riveros deixou cair a nota, e como ficou aberta, tomei a liberdade de lê-la também. os incautos. Percebi isso. defeito original meu, e com uma alma que está muito acima dos vulgares instintos dos seres da minha raça, fui escalando alturas de percepção mental e de erudição que me colocaram para sempre no pináculo da grandeza no mundo dos insetos. É o fato de ter alcançado tal esclarecimento mental que quero evocar ao descrever as cenas que presenciei, e nas quais até tomei parte. Não vou parar para expor por que meios fui dotada de poderes humanos de observação e discernimento. Que me seja permitido simplesmente perceberem, através das minhas elucubrações, que os possuo, e vamos em frente.
Vocês vão perceber que não sou uma pulga vulgar. De fato, quando se levam em conta as companhias que estou acostumada a frequentar, a familiaridade com que lidei com as mais altas personalidades, e a forma como travei conhecimento com a maioria delas, o leitor não hesitará em concordar comigo que, na verdade, sou o mais maravilhoso e eminente dos insetos. Minhas primeiras lembranças me levam a uma época em que me encontrava dentro de uma igreja. Havia música, e se ouviam uns cantos lentos e monótonos que me encheram de surpresa e admiração. Mas desde então aprendi a calibrar a verdadeira importância de tais influências, e as atitudes dos devotos tomo agora como manifestações exteriores de um estado emocional interno, geralmente inexistente. Estava entregue à minha tarefa profissional na gordinha e branca perna de uma mocinha de cerca de catorze anos, o sabor do sangue da qual ainda lembro, assim como o aroma da sua... mas estou divagando. Pouco depois de ter começado tranquila e amistosamente minhas pequenas atenções, a mocinha, assim como o resto da congregação, se levantou e foi embora. Como é natural, decidi acompanhá-la. Tenho bem aguçados os sentidos da visão e da audição, e pude ver como, no momento em que cruzava o pórtico, um jovem deslizava na Entreguei na mão da mocinha uma folha dobrada de papel branco. Já tinha percebido o nome Cielo Riveros bordado na meia de seda macia que me atraiu de início, e pude ver que o mesmo nome aparecia do lado de fora da carta de amor. Ela estava com a tia, uma senhora alta e imponente, com quem não me interessava ter intimidade. Cielo Riveros era uma gostosa de apenas quatorze anos, com um corpo perfeito. Apesar da pouca idade, seus peitinhos doces em botão já começavam a ganhar proporções que agradam ao sexo oposto. O rosto dela mostrava uma candura encantadora; o hálito era suave como perfumes da Arábia, e a pele parecia veludo. Cielo Riveros sabia, claro, quais eram seus encantos, e erguia a cabeça com tanto orgulho e pose quanto uma rainha. Não era difícil ver que despertava admiração ao observar os olhares de desejo e safadeza que os jovens, e às vezes até homens mais velhos, lançavam pra ela. Na frente do templo, fez-se um silêncio geral, e todos os rostos se viraram pra olhar a linda Cielo Riveros — manifestações que falavam melhor que palavras de que ela era a mais admirada por todos os olhos e a mais desejada pelos corações masculinos. Mas, sem dar a menor bola pro que era claramente um evento comum no dia a dia, a mocinha seguiu com passo firme pra casa, na companhia da tia, e ao chegar na sua morada elegante e arrumada, foi direto pro quarto. Não vou dizer que a segui, porque já tava com ela, e pude ver como a gostosa levantava uma das pernas perfeitas pra cruzar sobre a outra e desamarrar as botinhas elegantes e minúsculas de couro. Pulei no tapete e comecei a examiná-la. Veio a outra bota, e sem separar as panturrilhas roliças, Cielo Riveros ficou olhando a carta dobrada que eu notei que o jovem tinha colocado secretamente na mão dela. Observando tudo de perto, pude ver as curvas das coxas que se abriam para cima até as ligas, bem presas, para depois se perderem na escuridão, onde uma e outra se juntavam no ponto em que se encontravam com sua linda barriga baixa, quase impedindo a visão de uma fina fenda cor de pêssego, que mal mostrava seus lábios por entre as sombras. De repente, Cielo Riveros deixou cair o bilhete e, como ele ficou aberto, tomei a liberdade de lê-lo também. "Esta noite, às oito, estarei no lugar de sempre." Eram as únicas palavras escritas no papel, mas pareciam ter um interesse especial para ela, já que ficou na mesma posição por um tempo, pensativa. Minha curiosidade despertou e, desejando saber mais sobre a interessante garota, o que me dava a agradável oportunidade de continuar nessa prazerosa promiscuidade, me apressei em ficar tranquilamente escondida em um lugar recôndito e confortável, embora um pouco úmido, e não saí de lá, para observar o desenrolar dos acontecimentos, até que se aproximasse a hora do encontro. Cielo Riveros se vestiu com atenção meticulosa e se preparou para ir ao jardim que cercava a casa de campo onde morava; fui com ela. Ao chegar ao final de uma longa e sombreada alameda, a moça sentou-se em um banco rústico e esperou a chegada da pessoa com quem tinha que se encontrar. Não passaram mais do que alguns minutos antes que aparecesse o jovem que pela manhã havia se comunicado com minha deliciosa amiguinha. Iniciou-se uma conversa que, se devo julgar pela abstração que faziam de tudo que não dissesse respeito a eles mesmos, tinha um interesse especial para ambos. Anoitecia, e estávamos entre duas luzes. Soprava um ventinho quente e confortável, e o jovem casal permanecia entrelaçado no banco, esquecidos de tudo que não fosse sua felicidade mútua. — Você não sabe o quanto te amo, Cielo Riveros — murmurou o jovem. selando ternamente sua declaração com um beijo depositado nos lábios que ela oferecia. —Sim, eu sei —respondeu ela com ar inocente—. Você não está me dizendo isso toda hora? Vou acabar cansando de ouvir essa música. Céu Riveros mexia inquietamente seus lindos pés, e parecia pensativa. —Quando você vai me explicar e me ensinar todas aquelas coisas divertidas que me falou? —perguntou ela por fim, lançando-lhe um olhar, para depois fixar a vista no chão. —Agora —respondeu o jovem—. Agora, querida Céu Riveros, que estamos a sós e livres de interrupções. Sabe, Céu Riveros? Já não somos mais crianças. Céu Riveros concordou com um movimento de cabeça. —Bem; há coisas que as crianças não sabem, e que os amantes não só devem conhecer, mas também praticar. —Valha-me Deus! —disse ela, muito séria. —Sim —continuou seu companheiro—. Há entre os que se amam coisas secretas que os fazem felizes, e que são a causa da alegria de amar e ser amado. —Meu Deus! —exclamou Céu Riveros—. Como você ficou sentimental, Carlos! Ainda lembro quando você me dizia que sentimentalismo não passava de besteira. —Eu acreditava nisso, até me apaixonar por você —retrucou o jovem. —Bobagem! —respondeu Céu Riveros—. Mas vamos em frente, e me conte o que você me prometeu. —Não posso te dizer se ao mesmo tempo não te ensinar —respondeu Carlos—. Os conhecimentos só se aprendem observando na prática. —Vai, então! Vai em frente e me ensina! —exclamou a moça, em cujo brilhante olhar e bochechas ardentes eu percebia que ela tinha pleno conhecimento do tipo de instrução que pedia. Em sua impaciência havia um não sei quê cativante. O jovem cedeu a esse atrativo e, cobrindo com seu corpo o da donzela Céu Riveros, aproximou seus lábios dos dela e a beijou enlevado. Céu Riveros não ofereceu resistência; pelo contrário, colaborou retribuindo as carícias de seu amado. Enquanto isso, a noite avançava; as árvores desapareciam na escuridão, e estendiam suas Altas copas pra proteger os jovens da luz que se apagava. De repente, Carlos deslizou pro lado dela e fez um movimento leve. Sem resistência da parte de Cielo Riveros, ele passou a mão por baixo das anáguas da garota. Não satisfeito com o prazer que sentiu ao ter as meias de seda dela ao alcance, tentou ir mais pra cima, e seus dedos curiosos entraram em contato com a carne macia e trêmula das coxas da moça. O ritmo da respiração de Cielo Riveros acelerou com esse ataque nada delicado aos encantos dela. Mas ela tava longe de resistir; sem dúvida, tava gostando da brincadeira excitante. — Toca — murmurou —. Te deixo. Carlos não precisou de mais convite. Na real, já tava indo em frente, e sacando na hora o alcance da permissão, enfiou os dedos mais pra dentro. A garota complacente abriu as coxas quando ele fez isso, e na mesma hora a mão dele alcançou os lábios rosados e delicados da bucetinha linda dela. Durante os dez minutos seguintes, o casal ficou de boca colada, esquecido de tudo. Só a respiração deles mostrava a intensidade das sensações que tomavam conta naquela embriaguez de safadeza. Carlos sentiu um negócio delicado que ficava durinho sob os dedos ágeis dele, e que se destacava de um jeito que ele não conhecia. Naquela hora, Cielo Riveros fechou os olhos, jogou a cabeça pra trás e tremeu levemente, enquanto o corpo dela ficava leve e mole, e a cabeça procurava apoio no braço do amado. — Ah, Carlos! — murmurou —. O que cê tá fazendo comigo? Que sensações gostosas cê me dá! O garoto não ficou parado, mas já tendo explorado tudo que a posição forçada permitia, ele se levantou e, entendendo que precisava saciar a paixão que tinha despertado com os toques, pediu pra companheira deixar ele levar a mão dela até um negócio querido, que ele garantiu que podia dar muito mais prazer do que o que ela já tinha sentido. Os dedos dele já tinham dado a deixa. Sem nenhuma hesitação, Cielo Riveros agarrou um novo e delicioso objeto e, seja pela curiosidade que fingia ter, seja porque realmente estava sendo levada por desejos recém-nascidos, não conseguiu se negar a trazer da sombra para a luz o objeto ereto do amigo. Aqueles dos meus leitores que já se encontraram numa situação parecida vão entender rapidinho o calor que ela colocou ao empunhar a nova aquisição, e o olhar de boas-vindas com que recebeu a primeira aparição dele em público. Era a primeira vez que Cielo Riveros via um membro masculino no auge do poder, e mesmo que não fosse, o que eu podia ver confortavelmente era de um tamanho foda. O que mais a incentivava a se aprofundar nos conhecimentos era a brancura do tronco e a cabeça vermelha, de onde a pele macia se retraía quando ela apertava. Carlos também estava todo derretido. Os olhos dele brilhavam e a mão continuava percorrendo o tesouro juvenil do qual tinha tomado posse. Enquanto isso, as brincadeiras da mãozinha sobre o membro jovem com o qual ela tinha entrado em contato já tinham produzido os efeitos que costumam ser vistos em situações parecidas em qualquer organismo saudável e vigoroso, como o do caso que estamos vendo. Arrebatado pela pressão suave da mão, pelos apertos doces e deliciosos, e pela inexperiência com que a garotinha puxava para trás as dobras que cobriam a fruta exuberante, pra revelar a cabeça vermelha acesa de desejo, com seu furinho minúsculo esperando a chance de soltar a oferenda viscosa, o jovem estava louco de tesão, e Cielo Riveros era presa de sensações novas e raras que a arrastavam pra um turbilhão de excitação apaixonada que a fazia ansiar por um alívio ainda desconhecido. Com os olhos lindos semi-cerrados, os lábios úmidos entreabertos, a pele quente e ardente por causa dos impulsos desconhecidos que tinham tomado conta dela, era a vítima perfeita pra Quem quer que tivesse, naquele momento, a oportunidade, e quisesse conquistar seus favores e arrancar sua delicada rosa juvenil. No entanto, apesar da juventude dela, Carlos não era cego a ponto de deixar escapar uma oportunidade tão brilhante. Além disso, sua paixão, agora no auge, o incitava a seguir em frente, ignorando os conselhos de prudência que, de outra forma, teria ouvido. Encontrou palpitante e bem molhado o centro que se agitava sob seus dedos; contemplou a linda garota estendida, num convite ao esporte do amor, observou seus suspiros profundos, que faziam subir e descer seus seios, e as fortes emoções sensuais que davam vida às formas radiantes de sua jovem companheira. As pernas macias e torneadas da garota estavam expostas aos olhares apaixonados do rapaz. Enquanto erguia cuidadosamente suas roupas íntimas, Carlos descobria os encantos secretos de sua adorável parceira, até que seus olhos em chamas pousaram nos membros roliços que terminavam nas ancas brancas e no ventre palpitante. Seu olhar ardente então se fixou no centro mesmo da atração, na fenda rosada escondida ao pé de um monte de Vênus túrgido, mal sombreado pelo mais suave dos pelos. As cócegas que ele havia administrado, e as carícias dispensadas ao objeto cobiçado, haviam provocado o fluxo de umidade que costuma suceder à excitação, e Cielo Riveros oferecia uma fenda que parecia um pêssego, bem regado pelo melhor e mais doce lubrificante que a natureza pode oferecer. Carlos captou sua oportunidade e, afastando suavemente a mão com que ela lhe segurava o pau, lançou-se furiosamente sobre a figura reclinada dela. Apertou com o braço esquerdo sua cintura fina; abraçou as bochechas da garota com seu hálito quente, e seus lábios apertaram os dela num beijo longo, apaixonado e urgente. Depois de liberar a mão esquerda, tentou juntar os corpos o máximo possível naquelas partes que desempenham o papel ativo no prazer sensual, esforçando-se ansiosamente pra completar a união. Cielo Riveros sentiu pela primeira vez na vida o contato mágico do órgão masculino com os lábios da sua bucetinha rosada. Assim que percebeu o contato ardente com a cabeça dura do pau de Carlos, ela tremeu perceptivelmente e, se antecipando aos prazeres dos atos venéreos, deixou escapar uma amostra abundante da sua natureza sensível. Memórias de Uma Pulga Carlos estava enfeitiçado, e se esforçava pra buscar a máxima perfeição na consumação do ato. Mas a natureza, que tanto tinha influenciado no desenvolvimento das paixões sexuais de Cielo Riveros, tinha disposto que algo precisava ser realizado antes que um broto tão precoce fosse cortado tão facilmente. Ela era muito jovem, imatura — até no sentido dessas visitas mensais que marcam o início da puberdade — e suas partes, embora cheias de perfeições e frescor, estavam pouco preparadas pra receber membros masculinos, mesmo os tão moderados quanto aquele que, com sua cabeça redonda e intrusa, lutava naquele momento pra encontrar alojamento nelas. Em vão Carlos se esforçava, pressionando com seu pau excitado pra dentro das partes delicadas da adorável garotinha. As dobras rosadas do buraquinho estreito resistiam a todas as tentativas de penetração na gruta mística. Em vão também a linda Cielo Riveros, naqueles momentos inflamada por uma excitação que beirava a fúria, e meio enlouquecida pelo efeito do cócegas que já tinha sentido, secundava por todos os meios os esforços audaciosos do seu jovem amante. A membrana era forte e resistia bravamente. Por fim, num esforço desesperado pra alcançar o objetivo proposto, o jovem recuou por um momento, pra depois se lançar com toda a força pra frente, conseguindo assim abrir caminho perfurando a obstrução, e avançar a cabeça e parte do seu pau endurecido na buceta da garota que jazia debaixo dele. Cielo Riveros deixou soltar um pequeno gemido ao sentir forçada a porta que levava aos seus segredos encantos, mas a delícia do contato lhe deu forças para aguentar a dor com a esperança do alívio que parecia estar prestes a chegar. Já disseram que ce n’est que le premier coup qui coute, mas cabe argumentar que também é perfeitamente possível que quelquejois il cauto trops, como o leitor pode inferir comigo no caso presente. No entanto, e por mais estranho que pareça, nenhum dos nossos amantes tinha a menor ideia disso, pois entregues por inteiro às deliciosas sensações que os haviam dominado, uniam seus esforços para realizar movimentos ardentes que ambos sentiam que os levariam a um êxtase. O corpo inteiro de Cielo Riveros tremia de impaciência delirante, e de seus lábios vermelhos escapavam curtas exclamações que denunciavam o prazer supremo; ela estava entregue de corpo e alma às delícias da foda. Suas contrações musculares na arma que naquele momento já a tinha enfiada, o abraço firme com que segurava o corpo contorcido do garoto, a estreiteza delicada da bainha molhada, ajustada como uma luva, tudo isso excitava os sentidos de Carlos até a loucura. Ele enterrou seu instrumento até a raiz no corpo dela, até que os dois globos que abasteciam de masculinidade o campeão alcançaram contato com as bundas firmes dela. Não conseguiu avançar mais, e se entregou de vez a colher a safra de seus esforços. Mas Cielo Riveros, insaciável em sua paixão, assim que viu realizada a união completa que desejava, entregando-se à ânsia de prazer que o membro rígido e quente lhe proporcionava, estava excitada demais para se interessar ou se preocupar com o que pudesse acontecer depois. Possuída por espasmos loucos de luxúria, se apertava contra o objeto de seu prazer e, acolhendo-se nos braços de seu amado, com gemidos abafados de intensa emação extática e gritinhos de surpresa e deleite, deixou escapar uma Enxurrada copiosa que, buscando saída, inundou os testículos de Carlos. Assim que o jovem pôde comprovar o prazer que proporcionava à linda Cielo Riveros, e notou o fluxo que tão abundantemente derramara sobre ele, foi tomado também por um acesso de fúria lasciva. Um torrente raivoso de desejo pareceu inundar-lhe as veias. Seu instrumento estava totalmente enterrado nas entranhas dela. Inclinando-se para trás, extraiu o membro ardente quase até a cabeça e o enterrou de novo. Sentiu um formigamento crispante, enlouquecedor. Apertou o abraço que o mantinha unido à sua jovem amante, e no mesmo instante em que outro grito de prazer arrebatado escapava do peito palpitante dela, sentiu seu próprio arfar sobre o seio de Cielo Riveros, enquanto derramava no interior de sua agradecida boceta um verdadeiro torrente de vigor juvenil. Um gemido abafado de luxúria satisfeita escapou dos lábios entreabertos de Cielo Riveros, ao sentir em seu interior o derramamento de fluido seminal. Ao mesmo tempo, o frenesi lascivo da ejaculação arrancou de Carlos um grito penetrante e apaixonado, enquanto ele ficava estirado com os olhos virados, como o ato final do drama sensual. O grito foi o sinal para uma interrupção tão repentina quanto inesperada. Entre os galhos dos arbustos próximos, surgiu a figura sinistra de um homem que se colocou de pé diante dos jovens amantes. O horror gelou o sangue de ambos. Carlos, escapulindo do que fora seu refúgio lúbrico e quente, e com um esforço para se manter em pé, recuou diante da aparição, como quem foge de uma serpente assustadora. Por sua vez, a gentil Cielo Riveros, assim que notou a presença do intruso, cobriu o rosto com as mãos, encolhendo-se no banco que fora testemunha muda de seu gozo, e incapaz de emitir qualquer som por causa do medo, dispôs-se a esperar a tempestade que sem dúvida iria se desatar, para enfrentá-la com toda a presença de espírito de que era capaz. Não se prolongou muito sua incerteza. Avançando rapidamente em direção ao casal culpado, o recém-chegado agarrou o rapaz pelo braço, enquanto, com um olhar duro e autoritário, ordenava que ele arrumasse suas roupas. — Rapaz imprudente! — murmurou entre os dentes. — O que você fez? Até que extremos sua paixão louca e selvagem te levou? Como enfrentará a ira do seu pai ofendido? Como acalmará seu justo ressentimento quando eu, no cumprimento do meu dever moral, contar a ele o dano causado pela mão do seu único filho? Quando terminou de falar, ainda segurando Carlos pelo pulso, a luz da lua revelou a figura de um homem de aproximadamente quarenta e cinco anos, baixo, gordo e bastante corpulento. Seu rosto, francamente bonito, ficava ainda mais atraente por causa de um par de olhos brilhantes que, negros como o azeviche, lançavam ao redor olhares severos de ressentimento apaixonado. Vestia hábitos clericais, cujo aspecto sombrio e limpeza destacavam ainda mais suas notáveis proporções musculares e sua fisionomia surpreendente. Carlos estava completamente confuso e se sentiu egoísta e infinitamente aliviado quando o intruso feroz se virou para sua jovem companheira de prazeres libidinosos. — Quanto a você, infeliz garota, só posso expressar meu máximo horror e minha justa indignação. Esquecendo os preceitos de nossa santa madre igreja, sem se importar com a honra, você permitiu que esse rapaz perverso e presunçoso provasse o fruto proibido. O que te resta agora? Escarnecida por seus amigos e expulsa da casa do seu tio, terá que se associar às bestas do campo e, como Nabucodonosor, será evitada pelos seus para evitar a contaminação, e terá que implorar pelos caminhos do Senhor um mísero sustento. Ah, filha do pecado, criatura entregue à luxúria e a Satã! Eu te digo que... O estranho tinha ido longe demais em sua admoestação à infeliz garota, que Céu Riveros, abandonando sua atitude Encolhida e se levantando, misturou lágrimas e súplicas pedindo perdão para ela e para seu jovem amante. —Não diga mais nada —continuou, por fim, o feroz sacerdote—. Não diga mais nada. Confissões não valem, e humilhações só jogam mais merda na sua ofensa. Minha mente não consegue definir qual é minha obrigação nessa porcaria de situação, mas se eu obedecesse ao que minhas inclinações mandam agora, iria direto pros seus responsáveis naturais contar na hora as putarias que descobri por acaso. —Pelo amor de Deus! Tenha piedade de mim! —suplicou Cielo Riveros, cujas lágrimas escorriam por umas bochechas que há pouco brilhavam de prazer. —Perdoa a gente, padre! Perdoa nós dois! A gente faz tudo que estiver ao nosso alcance como penitência. Vamos mandar rezar seis missas e muitos pai-nossos pagos por nós. Vamos fazer sem dúvida a peregrinação ao túmulo de São Engulfo, que o senhor falou outro dia. Tô disposto a qualquer sacrifício se o senhor perdoar minha querida Cielo Riveros. O sacerdote impôs silêncio com um gesto. Depois tomou a palavra, às vezes num tom piedoso que contrastava com suas maneiras decididas e seu natural duro. —Chega! —disse—. Preciso de tempo. Preciso invocar a ajuda da Virgem bendita, que não conhece o pecado, mas que, sem sentir o prazer carnal da trepada dos mortais, trouxe ao mundo o menino Jesus no estábulo de Belém. Vem me ver amanhã na sacristia, Cielo Riveros. Lá, no lugar adequado, vou te revelar qual é a vontade divina sobre o seu pecado. Quanto a você, jovem impetuoso, reservo todo julgamento e toda ação até o dia seguinte, em que te espero na mesma hora. Milhares de agradecimentos saíram das gargantas dos dois penitentes quando o padre avisou que já tinham que ir. A noite já tinha caído faz tempo, e o sereno tava subindo. —Enquanto isso, boa noite, e que a paz esteja com vocês. O segredo de vocês tá seguro comigo até a gente se ver de novo —disse o padre. antes de desaparecer.
0 comentários - Céu Rio - Minhas Memórias Sexuais 1