Ser segunda sin darme cuenta…(by Mari)

Que histórias boas… sempre entro no Poringa, mas ontem bateu uma vontade de ler… não publique meus dados.. de todos os meus escritos, te deixo um que me marcou…
Minhas memórias eu deixo escritas num caderno, com senha... ali tenho toda minha vida, adoro escrever... como toda noite, vejo essa página e, como qualquer ser vivo com necessidades, leio, me excito, ativo meu vigor e durmo tranquila...
Um pouco sobre mim: moro sozinha, meus filhos já são grandes, mas tenho a sorte de morar a poucas quadras deles… vejo eles sempre, assim como meus netos. Minha vida depois que me aposentei mudou completamente… não sei o que é ficar em casa, não sei o que é ter tempo pra mim… com 58 anos e aposentada, pude conhecer Córdoba… Buenos Aires… Jujuy, tudo com um tour de aposentados… imaginem minha vida com essas coisinhas simples que contei.
Esse último ano foi o que mais aproveitei até agora… porque comecei a curtir minha vida… minha solitude. Curtir a natureza, minhas plantas, meus bichos. Meus netos… minhas comidas… comecei a aproveitar ficar na cama… é outra fase da vida.
Isso que eu vou escrever aconteceu comigo até uns 3 anos atrás… já nos meus últimos anos de ativa no trabalho… como comentei, hoje estou APOSENTADA. Pensando dia após dia (não tem um dia que eu não consiga deixar de pensar no que vivi), curtindo e enlouquecendo meu corpo com essas lembranças. O que vivi é algo que não consigo esquecer, mas ao mesmo tempo não gostaria de repetir… por quê? Não sei, talvez um toque de arrependimento, ou sei lá, vergonha.
Desde nova comecei a trabalhar num hotel, um hotel grande e tradicional em Buenos Aires… comecei como toda mina nova cheia de necessidades… me matava de trabalhar, claro, nos primeiros dias não pagavam hora extra, mas pagavam com comida… lembro que levava todas as sobras que os hóspedes deixavam pra minha família.
Anos trabalhei sozinha até que o hotel começou a crescer e ter mais gente. Nosso trabalho era limpeza dos quartos, hall, refeitório, pátio. De tudo. Com o tempo, as atividades mudaram e, logicamente, como toda empresa grande, colocaram um supervisor. No começo, não gostei, mas depois, ao receber um tratamento bom dessa pessoa, comecei a gostar que reparassem no meu trabalho… mais ainda, me fazia sentir bem.
Com o tempo, comecei a ver ele como um homem. Não sei por quê, mas ele me tratava bem e valorizava o que eu fazia… não me importei de ter na minha vida privada um parceiro (não quero tocar nesse assunto, acho que meu parceiro sempre foi um idiota)… sabia que, ao começar essa relação e ao sentir atração por ele, ele seria meu de algum jeito. Com o tempo, viramos amantes… mas não amantes qualquer um… com ele aprendi coisas que eu não sabia… Ele despertou em mim o que eu nunca pensei que existisse, foi meu mestre, eu estava totalmente entregue.estancaSem saber nada, nada mesmo sobre sexo… como pode que, com mais de 46 anos (época e idade em que o conheci), eu não conhecia um motel…!!!!! Foi ele quem me apresentou os motéis… jacuzzi, espelhos, sirizinhos, brinquedos. Foi ele quem me depilou — eu nunca tinha nem cortado um pelo sequer. Ele me explicou o porquê e foi ele quem depilou minha buceta. Até hoje lembro da suavidade dele… da ternura… e dos meus orgasmos enquanto ele fazia isso. Foi ele quem me ensinou a sentir… a não ter vergonha. Vou dar um exemplo…
Com meu parceiro, quando "ele" tava a fim, a gente transava, mas sempre cobertos… com meu amante comecei a viver de outro jeito… a me sentir uma puta… a entender que me ver pelada num espelho com alguém que te come é uma coisa maravilhosa. Aprendi a ouvir os barulhos da lubrificação, a não ter vergonha de escutá-los e a curtir cada um… a sentir os cheiros do sexo… a experimentar coisas novas, usar lingerie… sandálias, meias… ele me ensinou a sentir o sexo oral, a aproveitar cada parte… foi tipo ele me ensinou porque eu era muito bruta na hora de fazer… como eu não sabia, ele me ensinou… me ensinou a falar palavras que eu sentia e não tinha coragem de dizer… com o tempo, a gente começou a transar em todo lugar… em cada quarto vazio do hotel… a curtir a vida… como todo momento lindo, chega um limite.
Nem percebi que me apaixonei por completo… mas, sem perceber, não fui correspondida. Tava tão cega que não vi que era a segunda… quando comecei a tentar “montar” algo, como sempre, como todo homem que tem família — a gente já sabe qual é a resposta… (ele só queria “aquilo”). No começo doeu, e foi como se algo tivesse se fechado dentro de mim… Lembro que na semana antes de eu me aposentar, ele me procurava (tava com uma cara ruim, mas acho que era por causa da situação)… me procurava pra gente voltar a fazer o de sempre, mas EU sentia uma vergonha GIGANTESCA e não queria nada, nem conversar sobre isso, não queria nada… sentia uma vergonha dentro de mim que não consigo descrever… Nunca pensei que pediria a Deus pra “acelerar” minha aposentadoria — precisava ir embora por vergonha ou sei lá por quê, mas não quero saber de nada… Acho que é por ter me apressado em acreditar que isso seria sempre assim… montar uma família… uma vida juntos…
Como eu disse no começo... hoje, já aposentada... não vi mais NINGUÉM, nem minhas colegas, nem meu amante cruel, não quero saber de nada... Aproveito tudo, a vida, minha família, não quero falar do meu trabalho anterior... não me interessa quem está, quem entrou, quem ficou... só tenho uma lembrança triste.

1 comentários - Ser segunda sin darme cuenta…(by Mari)

Ojalá puedas sanar tal erida, y seguir disfrutando de la vida