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SPOILER
SPOILER
SPOILER
Se você não leu "Minha prima, Mara: O caminho da tentação", não continue...
Tô deixando o segundo capítulo completo da terceira parte da história. Sempre vai estar sujeito a alguma revisão final, então pode ser que tenha alguma adição depois e correções.
Mas a ideia principal do capítulo já tá lá.
Abraços!!
PS: Não vou postar todos, hein... Só tô fazendo isso porque a espera tá longa pra caralho.
Tô quase chegando nos 40 capítulos. Já falta pouco...
CAPÍTULO II
Foram dias difíceis.
Principalmente os três primeiros.
Não dormia.
Não conseguia comer.
Ficava pensando na Sabrina. Pensando na Mara e em como eu tinha saído da casa dela.
Era uma mistura de tristeza, solidão, culpa.
Sim, culpa.
Apesar do que a Mara tinha feito naquele último dia na casa da Fernanda, eu me sentia um lixo, por ter sido eu quem tomou a decisão de terminar nosso namoro.
Não consigo tirar da cabeça o rostinho triste dela, quando ouviu da minha boca que tudo tinha acabado.
Mas também não parava de repetir na minha mente aquela cena pesada, onde ela passou dos limites com o Franco.
Deixar ele comer ela sem camisinha e, pior ainda, gozar dentro e não falar nada. Por mais que eu tentasse dar um jeito de justificar, não conseguia.
Enfim, era uma situação de merda e eu não sabia como agir.
Tava com medo de pegar no celular.
Ver ligações, mensagens do povo.
"Uuuh, o que rolou?"
"Vocês terminaram?"
"Tá bem?"
Basicamente, deixei tudo no silencioso e, se não fosse pelo trampo, deixava desligado por meses.
A única coisa que eu queria era fechar portas e janelas como num apocalipse zumbi e dormir.
Só dormir.
Tive sorte da minha mãe entender a situação. E claro, meus três irmãos também.
Precisava arrumar uma casa pra mim. Pra morar sozinho.
Mas na hora só queria descansar.
Desde aquela tarde na casa da Mara, a dor no peito era enorme. Crônica. Precisava ficar sozinho.
Lembro que alguns colegas de trabalho reclamavam que eu não respondia rápido as mensagens do WhatsApp.
E era tanta a falta de vontade de abrir o aplicativo, que decidi ligar o PC de mesa pra usar o Messenger e me comunicar por lá.
Fazia séculos que não ligava ele.
Esperei carregar tudo.
Nessa hora, meu cachorro entrou no quarto.
O desgraçado abriu a porta pela maçaneta.
EU: — Ei, o que cê tá fazendo, Alvin! — falei, tentando esboçar um sorriso.
O nome tinha sido dado por um dos meus irmãos.
Sim, por causa do esquilo cantor.
Do mesmo jeito que entrou, veio até mim e encostou o focinho na minha perna.
Como se soubesse que eu tava triste e precisando de carinho.
Muito bonzinho o bicho…
Fiz um carinho nele por um tempo e depois fui trabalhar.
Quem sabe assim eu parava de ficar remoendo tanta coisa.
Acendi a luz, pra não ficar no escuro com o material do trampo.
Me sentia exausto, exausto demais, mas com uns mates dava pra ir levando.
Abri o Facebook pra usar o chat por lá.
Acho que nunca tinha me acontecido isso de ter pavor de pegar o celular.
Muito estranho.
Mas fazer o quê, queria ficar desconectado de tudo e de todos.
Não queria saber de ninguém.
Claro, menos do pessoal do trabalho, né.
Quando abri a página do Face, tomei um susto danado.
A sessão da Mara ainda tava logada.
Sim, dela, daquela vez que ela veio me buscar e eu tava todo dormindo.
Ela ficou mexendo no meu PC até eu acordar.
Lembro que pulou em cima de mim, na cama, quando não viu mais jeito…
O estranho é que aquilo tinha sido meses atrás.
Tava prestes a clicar em “sair” quando vi um chat que me bateu na cabeça igual o frio de um sorvete quando se toma depressa. Era do “Franco López”.
Parecia que ele tinha falado recentemente.
Fiquei olhando pra tela com um baita amargor, mas não era problema meu. Não mais.
Pra ser sincero, não tava a fim de ver nada. Mas, já que eu tava me sentindo bem mal por causa do jeito que a Mara tinha ficado na última vez que estive com ela, que… talvez, se eu visse algo que não me agradasse, a culpa iria embora.
É incrível como o ser humano funciona.
Depois de tudo que eu tinha que presenciar, ainda me sentia mal por ela.
Mas claro, a realidade era que ela tinha sido uma das mulheres mais importantes da minha vida. E isso ia além de como tudo tinha terminado.
Abri o chat.
Não era tão longo e ela não estava na lista de amigos dele.
Voltei ao início e notei que ele tinha falado com ela uma vez e Mara não tinha respondido.
FRA: Oi, como você tá?
Depois, ele escreveu no dia seguinte (no que seria "ontem" pra mim).
FRA: Desculpa te encher o saco, queria saber como você tava.
Aí sim, Mara respondeu.
MAR: Bem, obrigada.
FRA: Você foi embora meio mal no outro dia
FRA: Como é que tá tudo?
MAR: Bem, e você?
FRA: Eu tô bem, tava pensando em você
Era provável e lógico que algo assim acontecesse.
Claramente Mara era especial pra qualquer um e capaz de fazer qualquer um se apaixonar.
MAR: Fran, eu ter brigado com o Jonás não significa que eu queira ficar com outra pessoa.
MAR: Já vou deixar claro desde agora pra você não se confundir
FRA: Tá certo
FRA: Só tô falando o que penso.
MAR: Não quero parecer mal, mas tô sofrendo com o que aconteceu
MAR: Você sabia bem que era só sexo… Brincar um pouco
MAR: Talvez não seja normal o que a gente fez, mas eu sempre soube o que queria
FRA: Entendo… Mas eu gosto muito de você e não quero ficar sem te falar.
MAR: É bonito o que você diz, você é legal e a gente se divertiu… Não vou negar
MAR: Mas o Jonás… Não…
MAR: Ficou por isso mesmo…
FRA: Me passa seu telefone que te add no zap e a gente conversa melhor
MAR: Não leva a mal, mas não precisa disso
FRA: Ok, então não vou mais te ver?
MAR: Não, Fran.
MAR: Me sinto horrível te falando isso… Mas quero ser sincera.
Rígido, continuei lendo.
Mas bom, isso também não queria dizer nada.
Tinham passado só alguns dias do ocorrido.
FRA: Quem sabe um dia hehe
FRA: Mas bom, se um dia quiser conversar, me chama!
FRA: Gosto muito de você!
MAR: Vou levar em conta conta 😊
FRA: Espero que não tenha te incomodado nada do que rolou
MAR: Não, óbvio que não
MAR: Sabe que eu gostei… Mas você sabe
FRA: Ok, se cuida!
FRA: Te mando um beijo
MAR: Valeu, outro!
E não tinha mais nada.
Grande pilantra o magrelo.
Sério que não tinha sentido nada vendo aquilo.
Tipo, não tava nem aí pra interpretar aquelas mensagens que ela respondeu.
Feito um otário, bati na bomba do mate e espalhei erva na mesa.
Quase sujei os pareceres assinados pelo meu chefe.
Deixei tudo como tava e fui pegar algo pra limpar.
Pensava no caminho, talvez em outro momento, a primeira coisa que faria era ir atrás do magrelo e quebrar a cara dele. Encher ele de porrada.
Mas agora era diferente.
Não me importava o que a Mara fazia. Claramente, a única que me interessava agora era a Sabrina.
E cada vez que pensava nela, sentia mais aperto no peito.
Tava morrendo de vontade de vê-la.
Quando voltei pro quarto e limpei a bagunça que tinha feito, notei uma conversa ativa que a Mara tava tendo.
Nunca fechei a sessão dela e um chat com a Fernanda abriu.
Se eu mexesse em algo, ela ia perceber.
Então deixei tudo como estava.
Mas era impossível não querer ler, já que tudo me envolvia…
A conversa já tinha começado e eu não queria mexer no chat pra ela notar, mas dizia o seguinte:
MAR: É, a parada do banheiro foi pesada…
FER: Muito?
MAR: Sim, por trás… Foda. Juro que apaguei naquele momento… Quero morrer.
FER: Não sei o que te dizer… Pelo menos na hora, você gostou?
MAR: Não tô a fim de falar sobre isso… Lembro e fico mal
FER: Mas você precisa desabafar…
MAR: Sei lá…
FER: Me conta… Desabafa
MAR: Você quer saber detalhes, safada
FER: Haha não. Mas pelo menos você esquece um pouco do que rolou… Além disso, o Jonás te ama, dá uns dias que passa, vai ver…
MAR: Acho que não…
FER: Como foi? Faz o que eu digo…
MAR: Bom… Sabe
EU: Então você gostou, né?
MAR: Sim, óbvio…
FER: gostoso… Não me imagino hehe
MAR: Talvez com o tempo eu consiga te contar... O que eu senti, agora não tô em condições de dizer...
FER: Não, mina... 😳 O que ele deve ter sentido, haha
MAR: Deus... Acho que num ponto, foi melhor o Jonas ter ido embora...
FER: Por quê?
MAR: Porque ficou doendo bastante, depois... Ardendo...
FER: Ufff... Imagina como ficou minha buceta... Com toda aquela carne dentro...
MAR: Bom, chega... Não me faz falar...
FER: E é, depois eu te interrompi...
MAR: Sim...
FER: Desculpa ter interrompido aquela chupadinha gostosa de cu contra a parede que você tava levando... Mas tinha que te avisar.
Essa gatinha nunca para de se masturbar?
É inacreditável...
MAR: Sim, eu sei.
FER: Gostei de como você tava, haha
MAR: Ah é?
FER: Sim... com a cara colada nos azulejos... Esperei um pouco e depois entrei.
MAR: Deus... Eu sei que pra você tudo isso é normal, mas não sei se quero continuar falando, pelo menos por agora não...
FER: Desculpa, cê tem razão... Tá entendido.
MAR: Mas é... A merda já tá feita...
FER: Haha todo mundo faz merda...
MAR: Sim, mas eu passei dos limites, idiota... Transei com ele sem camisinha, gozou dentro, na boca também... Quando foi que fiz algo assim? Não tenho desculpa...
FER: 😳
MAR: É o que eu tô te dizendo...
FER: Cê tava fervendo... Não tem culpa
MAR: Tenho sim, haha.
MAR: Passei da conta e fui atrás de mais... É a verdade
FER: Mas se você sentia, qual era o sentido de se segurar??
MAR: Respeito... Isso...
FER: Bom... sei lá. O Brian também gozou dentro de mim, haha
MAR: Além disso, eu devia ter falado pro Jonas que a gente ia transar sem camisinha naquele fim de semana...
FER: Eu sei, mas a ideia era ele ver assim e parecer natural... Só que aconteceu a parada da Sabri que bagunçou tudo...
MAR: Sim
FER: Mas você não me contou... Então cê deu um beijo nele?
MAR: Sim... Não me faz lembrar, te falei...
FER: Como assim, gata?
MAR: Pouco antes de você entrar... A gente ainda tava no chão...
FER: Mmmm cê tava com a pica dentro? Haha
MAR: Deus... Cê acha que o Jonas não fala mais comigo, né? Já faz dias que nada…
FER: Acho que é o impacto…
FER: Sabe… Mas como foi?
MAR: Só porque te conheço… Mas você é foda. A gente tinha terminado e eu fiquei meio largada em cima dele e ele disse que tava morrendo de vontade de me beijar e tal… Eu falei que não umas vezes, mas ele insistiu e, bom, muito pior não podia ser.
FER: Que gostosa… língua?
MAR: Kkk
FER: Sério????
MAR: Me senti estranha fazendo isso… Se eu soubesse o que viria depois…
FER: Estranha?
MAR: Uhum. Foi a primeira vez que beijei outro cara que não fosse o Jonas…
FER: Isso não é nada… Se você não se sentiu estranha dando tanta mamada nele kkk
MAR: Sei lá… Pode ser
MAR: Mas senti diferente…
FER: Mas em que sentido?
MAR: Como se eu tivesse traindo o Jonas… Sei que é difícil de entender…
FER: Mmm não. Tá de boa…
FER: E agora, qual é a onda?
MAR: Nada… Ele tá na casa dele e eu na minha. A gente não se fala 😔 Tô morrendo de vontade de ligar pra ele…
FER: Deixa ele uns dias… E com a Sabri?
MAR: Não. Também não…
FER: Ahhh…
MAR: Você tem que deletar aquele grupo do Facebook, Fer…
FER: Que merda…
FER: Era bom kkk
MAR: Eu vou sair, mas pelo menos apaga as fotos e vídeos onde eu apareço.
FER: Ok, fica tranquila… Se quiser, vem comigo pegar o celular na loja, hoje já tão me entregando e de quebra você sai um pouco
MAR: Não tô muito a fim de sair…
Fazia um tempão que eu não via aquele grupo.
Lembro que em alguma ocasião, Mara, pra me provocar, falava dele.
Claro, antes daquele último fim de semana.
Ficava me perguntando quantas coisas tinham.
Dupliquei a aba e procurei o grupo.
O mais certo era que depois disso, eu não me sentiria mais culpado por terminar com Mara e me apaixonar pela amiga dela.
Achei na hora.
Tava ali, num cantinho.
Muito visível.
Se alguém, sem querer, entrasse no face dela, tava na mão.
As imagens anteriores já eram chocantes.
As minhas peladas, chupando pau, transando.
Que loucura…
Como pude usar meu relacionamento com Mara pra isso…
Todo mundo diz que com o diário do… Segunda-feira, é sempre fácil falar.
Mas isso tinha me destruído. Eu me sentia completamente quebrado por dentro.
O terrível eram os rostos.
Alegres, perversos.
Como se o que a gente tava fazendo fosse algo normal, do dia a dia.
Tinha fotos que não eram explícitas, mas falavam mais do que qualquer outra coisa.
E davam muito mais tesão do que uma foto vulgar de transa.
Por exemplo, uma em que a Mara, semi-nua, tava entrando no banheiro com o Franco.
Não tinha nada explícito na imagem.
Mas o fato de estarem indo pra lá. Pra fazer o proibido. Isso era o sexual.
Qualquer um ia pensar: “O que vão fazer?”, “Vai mamar ele, com certeza…”
Além disso, a cara de satisfação no rosto dela. Aquele sorriso diabólico de saber que você tá fazendo e curtindo algo sem escrúpulos.
Com certeza, depois daquela foto, ela tinha chupado ele igual uma louca na privacidade daquele banheiro.
Deus… Não acredito que tô falando dela desse jeito…
Mas… Foda-se tudo…
É curioso se você parar pra pensar um segundo.
Por que agora eu me sentia assim?
Como se fosse alguém totalmente diferente?
Claramente, eu tava passando por momentos de grande confusão.
De vida acelerada, rápida. De decisões muito mal pensadas.
Acho que em nenhum momento eu tive a chance de relaxar completamente e pensar direito nas coisas.
Eu não ia ver tudo.
Não tava com vontade.
Achei que talvez me ajudasse a esquecer, mas não tava afim de continuar vendo. Só mais raiva e ódio.
E olha que tinha material que eu não tinha visto.
Tipo um vídeo em que a Fernanda tava enfiando um desodorante enrolado numa camisinha, enquanto o Brian metia o pau na boca dela.
Assim de absurdo que era tudo… Inacreditável, eu diria…
Ela tava sentada no sofá, recostada, pelada.
Talvez quem filmava era o Martín.
Sério, nunca consegui entender essa perversão extrema que ele tinha. Achei que entendia, mas não era assim…
Um desodorante?
Provavelmente foi da noite em que eu fui embora.
Depois tinha outra em que a Gabi tava transando com Martín.
Ele estava deitado no sofá e ela montava nele.
Uma voz feminina que eu não conhecia estava gravando.
“Mmm, como é que tá?” ela dizia.
Gabi, pulando como se estivesse possuída, não respondia.
Depois, a câmera focava em outro lugar e estavam Franco e Brian comendo Fernanda.
Porra.
Foi depois disso?
Nem o que rolou comigo e com a Mara segurou eles.
Fernanda estava de quatro e recebia a pica do Franco na buceta e a do Brian na boca.
Tudo sem proteção, como tinham planejado.
A câmera se aproximava.
Dava pra ver toda aquela carne entrando na buceta dela.
E se ouviam uns beijos.
Provavelmente ela tava chupando ele enquanto gravava a pica.
Essa garota devia ser a Natália. A que chamaram quando a Sabrina desertou.
FER: Sem camisinha é mais gostoso, né, Fran? kkk
Brian ria.
Era um combo de depravação nojenta.
Eu parei.
Na real, até achei graça.
Tanta promiscuidade...
E eu tinha sido parte daquilo.
O que passou pela minha cabeça pra participar de uma parada dessas?
Fechei tudo e desloguei a conta da Mara.
Não queria saber mais nada dela e, além disso, não tinha porra nenhuma de motivo pra ter acesso às coisas e conversas dela.
Em seguida, fiz o que não queria fazer.
Peguei meu celular e abri o WhatsApp.
Procurei o chat da Sabrina.
No geral, a gente nunca tinha falado muito por esse aplicativo.
Pelo Instagram sim.
Ao ver que não estava bloqueado, me deu uma certa paz.
Mas precisava falar com ela.
Tava morrendo de vontade de ficar com ela.
Mesmo tendo dado minha palavra de que não escreveria de novo, eu fiz.
No fim das contas, a gente tem que seguir em frente quando ama alguém de verdade.
E por Deus, eu amava.
Pensei em mil frases pra dizer.
Fiquei nervoso.
E já sentia aqueles palpites no peito que, a essa altura, pareciam facadas.
Que horrível era se sentir assim...
Depois de pensar e repensar, escrevi o que veio na hora.
“Oi, como você tá?
Sei que prometi não te escrever, mas não consigo
Tô com saudade e não paro de pensar em você”
Enviar...
O mais provável era que ela não me contestou.
Ela tinha sido bem clara.
Mas, lógico, eu não ia desistir sem lutar. Nos últimos meses, a única pessoa que tinha me mostrado carinho era ela.
Deixei o celular na mesa e continuei trabalhando.
Mentiria se dissesse que não olhava pra tela a cada 10 segundos pra ver se ela respondia.
Me fez lembrar das primeiras mensagens que trocava com garotas na adolescência. Quando a ansiedade é maior do que qualquer outro sentimento que se possa sentir.
Foi assim que passou grande parte da tarde, mas a luz da tela nunca acendeu.
Peguei o celular pra ver se pelo menos ela tinha lido.
As minas, no geral, sempre tão com o celular na mão. Nós, homens, somos os mais desligados.
E sim.
Ela tinha lido há horas, mas não respondeu.
Um baita baque que senti. Uma sensação de solidão voraz que chegou pra tomar conta de mim.
Era de se esperar que acontecesse, mas viver aquilo, claramente era dez vezes pior.
Acho que só me restava me contentar que ela soubesse, pelo menos, o que eu sentia por ela.
Nunca tinha me sentido tão mal.
Terminei o trabalho e me joguei na cama.
Tava destruído.
Todo o meu mundo, que eu achava estável e que ia de vento em popa, tinha desabado.
Queria ficar trancado ali e nunca mais sair.
Sei que não soa nada saudável, mas era o que eu tava sentindo.
Não queria lidar com ninguém.
É incrível pensar que uns dias se passaram como uma tempestade de inverno.
Parecia que cada volta ao redor do sol tinha 50 horas, em vez de 24.
Muito lento...
Me isolei como um eremita e me recusei a ter contato com qualquer outra pessoa.
O impulso pra sair da cama era só levado adiante pelas rotinas do trabalho. Mas só isso...
E numa dessas manhãs, alguém me acordou de repente.
Quase levantei pra encher de porrada quem fez isso.
Era meu amigo Maty.
MAT: Ei, mano! Calma aí. — Disse surpreso.
EU: O que cê tá fazendo, cara? Quase te quebro a cabeça.
Tinha pulado muito mal. Ele me tirou do inferno onde eu tava refugiado. MAT: Lembra que você ainda tem amigos…
Eu não dei muita bola pra eles. Nisso ele tinha razão.
Pra ninguém…
EU: Sim… tudo bem. – Respondi sentando na cama. A cabeça tava explodindo.
MAT: Hoje tem jogo… você vem, né?
EU: Não, não tô a fim de jogar agora… Sério
MAT: Você precisa sair…
Eu tava me espreguiçando um pouco.
EU: Não tô com vontade, mano… Não tô com vontade. – Falei na boa.
MAT: Já fazem duas semanas…
Só duas?
Pareceram séculos…
EU: Cê acha muito?
MAT: E pelo menos… – Ele parou.
Não curti a cara que ele fez.
EU: O que você ia dizer?
MAT: Nada, otário… vamos comer uns patis, quer? Vamo na churrasqueira do Beto.
EU: Fala o que você ia dizer.
Ele me olhou estranho.
Como se soubesse de algo e não tivesse coragem de contar.
MAT: Na… besteira… Não me dá bola.
EU: Não saio daqui até você me falar o que tá rolando… Te conheço…
Fiquei com o travesseiro entre as pernas, observando a cara misteriosa dele.
MAT: Bom, melhor você saber por mim…
EU: O quê?
Ele tinha ficado pálido.
Prendeu toda minha atenção.
MAT: Ontem teve uma festa na casa do Javier, a gente te chamou mas você nem respondeu…
EU: Que Javier?
MAT: O irmão do Gonzalo, aquele que jogava bola com o chuteira desamarrada, lembra?…
EU: Ah, sim… O mais velho, o que tem?
Era irmão de um cara conhecido nosso do colégio, que estudava de manhã.
Esse cara era mais velho que a gente uns 3 ou 4 anos.
MAT: Ainda bem que você não foi…
EU: Por quê? – Perguntei estranhado.
MAT: A Mara foi… – Ele falou meio nervoso.
Mara?
EU: E daí?
MAT: Só tô te contando porque você é meu amigo…
EU: Fala logo, porra… Não tô mais com ela, o que aconteceu? Não vem com besteira. – Respondi meio alterado.
MAT: Esse cara comeu ela, lá na festa, junto com outro… – Exclamou me olhando com pavor.
Fiquei parado.
Acho que não entendi o que ele disse na hora.
EU: O quê?
MAT: Sim, mano… E ainda todo mundo viu. Ela deu pro Javier e pra um amigo dele.
Como?
Mesmo não sendo mais problema meu, meu pelo arrepiou.
Ela fazer isso, de forma exposta, era algo novo.
EU: Sério?
MAT: Sim… E ainda entraram no quarto, tiraram fotos e filmaram ela…
EU: Tá me zoando?
MAT: Pior, mano, tava mó bebado… Tá em todos os grupos de zap…
Outra pontada se fez sentir no meio do meu peito.
Uma fria, gelada.
Não conseguia acreditar.
MAT: Chegou pra mim, mas não compartilhei nada e cortei uns caras… Mas a maioria do pessoal do colégio já viu.
Não podia ser verdade.
Como?
Por quê?
EU: Cê tem o vídeo aí? – Falei
MAT: Tenho, mas não vou te mostrar.
EU: Mostra, mano… Já terminei com ela…
MAT: Não sei se é uma boa…
EU: Por quê? É tão pesado assim?
MAT: Sei lá… Fala você, já foi… Cê é meu amigo, primeiro…
Ele pegou o celular e procurou o vídeo.
Sério, não entendia como ela fazia uma parada dessas.
Olha, também não devia me surpreender tanto… né?
Mas era estranho ela fazer isso com outras pessoas e na frente de todo mundo conhecido… E tão rápido…
MAT: Fica claro que não queria te mostrar.
Me entregou o telefone com o vídeo rodando.
Dava pra ver que entravam num quarto e na cama tavam comendo uma mina.
Ela tava de quatro, pelada.
Dava pra ouvir música alta e gente gritando.
“Eeeeaaaaa”
Esse Javier, tava metendo forte por trás, enquanto ela, que tava entre as pernas de outro, chupava a rola dele.
Quando chegaram perto e a luz ajudou, deu pra ver perfeitamente quem era.
Era a Mara, sem dúvida.
Fiquei paralisado.
Não sabia o que dizer.
O que ela tava fazendo aquilo?
A câmera se aproximava do cara que tava recebendo o boquete.
A Mara, visivelmente bebada, enfiava a rola na boca sem jeito.
Inacreditável.
Quem filmava perguntou:
VOZ: Tá gostoso esse boquete, Lauti?
LAU: Oohh… Olha a carinha dela e me diz… aaaa…
MAR: Aaiii… – Falou com os olhos fechados.
Algo tinha doído nela.
Não entendia como tinha chegado naquilo.
Não fazia sentido pra mim.
VOZ: Siiim… forte, forte! Kkk… Que gostosa que ela é, mano… – Dizia uma voz com tesão de provar ela.
JAV: Umas vontade de provar esse bum... kkkk
LAU: Manda, manda! Kkk
Ficava filmando aquele tal de Lauti.
Dava pra ver como ele tava curtindo uma chupada de pau de uma mina de outro planeta.
Ele puxava ela pelo cabelo e forçava pra baixo, descendo a cabeça dela, na bruta.
Talvez ele tivesse excitado por tudo que rolou, mas isso me fodia do mesmo jeito.
Era a Mara. Tinha sido a mulher da minha vida.
Não tinha como não me foder.
JAV: Filma a carinha dela, a carinha!
VOZ: Vamos, gostosa... Mostra como tão te comendo...
Dava pra ouvir os "ploc ploc" da trepada que tavam dando nela.
Que porra era tudo aquilo?
Comecei a sentir uma pressão no peito. Uma dor feia.
MAT: Eu te falei pra não olhar... — Meu amigo disse, meio preocupado.
Focam no rosto dela.
LAU: Ela tá com vergonha kkk
VOZ: Kkk cê acha? Com essa cara de puta que ela tem... — Tavam se cagando de rir.
Me fez mal ver aquilo.
Minha respiração acelerou de novo.
JAV: Vai no bum... Ooooo... Aaaaaaa. — Gritou com força.
MAR: Aaaaaaa... Nãooo... Seu idiota! — A Mara falou, indo pra frente e gritando de dor.
Ele tinha metido no cu dela.
Fiquei em choque.
Arregalei os olhos.
JAV: Vai kkk! Já entrou...
VOZ: Toma!
A Mara era segurada pelos caras, visivelmente dolorida.
Não entendia como aquilo tinha acontecido.
LAU: Depois quero eu lá, hein!
MAR: Não, chega... Já deu! Aaaa... — Exclamava uma Mara indefesa, que continuava sendo zuada.
VOZ: Deus... Que puta gostosa...
Dava pra ver como tavam comendo ela com força pelo rabo.
Não tavam nem aí pra nada.
A cara do cara dizia tudo.
JAV: Vou arrebentar ela, hein kkk Ummm! — Fez apertando os dentes.
Entrei numa espécie de apagão.
Tudo ficou branco de repente, como se eu perdesse a noção de tempo e espaço.
Que merda eu tava fazendo ali?
No que eu tava pensando?
Minha garganta fechou e meu estômago embrulhou.
De repente, tudo escuro.
Abri os olhos de novo.
Tava na minha cama, suado e com a respiração acelerada.
Hã?
Que que houve? — Falei comigo mesmo.
Tinha sido um pesadelo.
Tudo Empapado tava e tava custando pra caralho recuperar o fôlego.
Me aliviou saber que foi um sonho.
Apesar da minha raiva, não queria que nada de ruim acontecesse com ela.
Ainda por cima, toda vez que lembrava dela, via aquele rostinho triste.
Acho que devia mandar uma mensagem pra ela, pelo menos pra saber como ela tava depois de tantos dias.
Olhei as horas e eram 23.
Nem sei a que horas tinha ido dormir, acho que de tarde. Não lembrava.
Senti que tinha que escrever pra ela.
Normalmente, quando eu pensava em algo, era por algum motivo.
Se ela não respondesse, por raiva ou outra coisa, já era problema dela.
Mas depois de todo o tempo que a gente passou junto, era o mínimo que eu podia fazer.
Peguei o celular e procurei o chat dela pra escrever.
"Oi, como cê tá?" simplesmente mandei.
Levantei pra tirar toda a roupa molhada.
Tava mais a fim de tomar um banho do que qualquer outra coisa.
Vi que a luz da tela acendeu.
Será que era ela?
"Bem, e você?"
Era.
Devia estar online pra me responder assim, tão rápido.
Na real, nem prestei atenção.
EU: Queria saber como você tava, só isso... Não quero te incomodar. - Mandei
MAR: Bem, bem. Valeu por perguntar
Ela tava escrevendo seco e era lógico.
Não tava nem aí, mas era estranho.
Quase nunca a gente tinha esse tipo de conversa.
EU: Bom, melhor assim!
EU: Boa noite, fica bem!
É isso que dá agir por impulso.
Na real, além disso, não me vinha nada na cabeça pra perguntar.
MAR: Valeu
Ela só respondeu isso.
Agora pensando bem, pra escrever tão pouco, nem devia ter feito isso.
Talvez até tenha incomodado ela.
Mas fazer o quê, também não é como se eu tivesse morrendo de vontade de escrever.
Só tava meio preocupado e impressionado com aquele mal-estar que vinha me pegando e aquele sonho horrível.
Ela disse "bem" e pronto, não tinha mais nada a fazer.
Passei a mão no rosto.
Já sentia o pelo que tinha crescido no queixo.
Nem vontade de passar a máquina eu tinha.
Com o celular, entrei no face.
Queria saber alguma novidade da Sabrina.
Mesmo não tendo ela como Amiga, ela não tinha me bloqueado.
Só apareciam umas fotos antigas.
Isso, com certeza, era por causa da privacidade da conta dela.
Que raiva!
Doía pra caralho ela não me responder.
Era verdade tudo o que eu falava pra ela.
Até que ponto a amizade dela com a Mara era inaceitável?
Eu sentia falta dela. Pra um cacete.
E me matava não saber nada sobre ela.
Definitivamente, eu tava num poço sem fundo, caindo sem parar.
Sempre soube que as coisas iam acabar assim, tão mal. Sempre.
Era só questão de tempo até nossas vontades quebrarem.
E, de fato, aconteceu.
Não perdi só a mulher gostosa com quem eu pensava em casar, mas também aquela que mostrou tudo o que sentia por mim.
O exemplo claro de quem, por causa dos excessos, perde tudo.
SPOILER
SPOILER
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Se você não leu "Minha prima, Mara: O caminho da tentação", não continue...
Tô deixando o segundo capítulo completo da terceira parte da história. Sempre vai estar sujeito a alguma revisão final, então pode ser que tenha alguma adição depois e correções.
Mas a ideia principal do capítulo já tá lá.
Abraços!!
PS: Não vou postar todos, hein... Só tô fazendo isso porque a espera tá longa pra caralho.
Tô quase chegando nos 40 capítulos. Já falta pouco...
CAPÍTULO II
Foram dias difíceis.
Principalmente os três primeiros.
Não dormia.
Não conseguia comer.
Ficava pensando na Sabrina. Pensando na Mara e em como eu tinha saído da casa dela.
Era uma mistura de tristeza, solidão, culpa.
Sim, culpa.
Apesar do que a Mara tinha feito naquele último dia na casa da Fernanda, eu me sentia um lixo, por ter sido eu quem tomou a decisão de terminar nosso namoro.
Não consigo tirar da cabeça o rostinho triste dela, quando ouviu da minha boca que tudo tinha acabado.
Mas também não parava de repetir na minha mente aquela cena pesada, onde ela passou dos limites com o Franco.
Deixar ele comer ela sem camisinha e, pior ainda, gozar dentro e não falar nada. Por mais que eu tentasse dar um jeito de justificar, não conseguia.
Enfim, era uma situação de merda e eu não sabia como agir.
Tava com medo de pegar no celular.
Ver ligações, mensagens do povo.
"Uuuh, o que rolou?"
"Vocês terminaram?"
"Tá bem?"
Basicamente, deixei tudo no silencioso e, se não fosse pelo trampo, deixava desligado por meses.
A única coisa que eu queria era fechar portas e janelas como num apocalipse zumbi e dormir.
Só dormir.
Tive sorte da minha mãe entender a situação. E claro, meus três irmãos também.
Precisava arrumar uma casa pra mim. Pra morar sozinho.
Mas na hora só queria descansar.
Desde aquela tarde na casa da Mara, a dor no peito era enorme. Crônica. Precisava ficar sozinho.
Lembro que alguns colegas de trabalho reclamavam que eu não respondia rápido as mensagens do WhatsApp.
E era tanta a falta de vontade de abrir o aplicativo, que decidi ligar o PC de mesa pra usar o Messenger e me comunicar por lá.
Fazia séculos que não ligava ele.
Esperei carregar tudo.
Nessa hora, meu cachorro entrou no quarto.
O desgraçado abriu a porta pela maçaneta.
EU: — Ei, o que cê tá fazendo, Alvin! — falei, tentando esboçar um sorriso.
O nome tinha sido dado por um dos meus irmãos.
Sim, por causa do esquilo cantor.
Do mesmo jeito que entrou, veio até mim e encostou o focinho na minha perna.
Como se soubesse que eu tava triste e precisando de carinho.
Muito bonzinho o bicho…
Fiz um carinho nele por um tempo e depois fui trabalhar.
Quem sabe assim eu parava de ficar remoendo tanta coisa.
Acendi a luz, pra não ficar no escuro com o material do trampo.
Me sentia exausto, exausto demais, mas com uns mates dava pra ir levando.
Abri o Facebook pra usar o chat por lá.
Acho que nunca tinha me acontecido isso de ter pavor de pegar o celular.
Muito estranho.
Mas fazer o quê, queria ficar desconectado de tudo e de todos.
Não queria saber de ninguém.
Claro, menos do pessoal do trabalho, né.
Quando abri a página do Face, tomei um susto danado.
A sessão da Mara ainda tava logada.
Sim, dela, daquela vez que ela veio me buscar e eu tava todo dormindo.
Ela ficou mexendo no meu PC até eu acordar.
Lembro que pulou em cima de mim, na cama, quando não viu mais jeito…
O estranho é que aquilo tinha sido meses atrás.
Tava prestes a clicar em “sair” quando vi um chat que me bateu na cabeça igual o frio de um sorvete quando se toma depressa. Era do “Franco López”.
Parecia que ele tinha falado recentemente.
Fiquei olhando pra tela com um baita amargor, mas não era problema meu. Não mais.
Pra ser sincero, não tava a fim de ver nada. Mas, já que eu tava me sentindo bem mal por causa do jeito que a Mara tinha ficado na última vez que estive com ela, que… talvez, se eu visse algo que não me agradasse, a culpa iria embora.
É incrível como o ser humano funciona.
Depois de tudo que eu tinha que presenciar, ainda me sentia mal por ela.
Mas claro, a realidade era que ela tinha sido uma das mulheres mais importantes da minha vida. E isso ia além de como tudo tinha terminado.
Abri o chat.
Não era tão longo e ela não estava na lista de amigos dele.
Voltei ao início e notei que ele tinha falado com ela uma vez e Mara não tinha respondido.
FRA: Oi, como você tá?
Depois, ele escreveu no dia seguinte (no que seria "ontem" pra mim).
FRA: Desculpa te encher o saco, queria saber como você tava.
Aí sim, Mara respondeu.
MAR: Bem, obrigada.
FRA: Você foi embora meio mal no outro dia
FRA: Como é que tá tudo?
MAR: Bem, e você?
FRA: Eu tô bem, tava pensando em você
Era provável e lógico que algo assim acontecesse.
Claramente Mara era especial pra qualquer um e capaz de fazer qualquer um se apaixonar.
MAR: Fran, eu ter brigado com o Jonás não significa que eu queira ficar com outra pessoa.
MAR: Já vou deixar claro desde agora pra você não se confundir
FRA: Tá certo
FRA: Só tô falando o que penso.
MAR: Não quero parecer mal, mas tô sofrendo com o que aconteceu
MAR: Você sabia bem que era só sexo… Brincar um pouco
MAR: Talvez não seja normal o que a gente fez, mas eu sempre soube o que queria
FRA: Entendo… Mas eu gosto muito de você e não quero ficar sem te falar.
MAR: É bonito o que você diz, você é legal e a gente se divertiu… Não vou negar
MAR: Mas o Jonás… Não…
MAR: Ficou por isso mesmo…
FRA: Me passa seu telefone que te add no zap e a gente conversa melhor
MAR: Não leva a mal, mas não precisa disso
FRA: Ok, então não vou mais te ver?
MAR: Não, Fran.
MAR: Me sinto horrível te falando isso… Mas quero ser sincera.
Rígido, continuei lendo.
Mas bom, isso também não queria dizer nada.
Tinham passado só alguns dias do ocorrido.
FRA: Quem sabe um dia hehe
FRA: Mas bom, se um dia quiser conversar, me chama!
FRA: Gosto muito de você!
MAR: Vou levar em conta conta 😊
FRA: Espero que não tenha te incomodado nada do que rolou
MAR: Não, óbvio que não
MAR: Sabe que eu gostei… Mas você sabe
FRA: Ok, se cuida!
FRA: Te mando um beijo
MAR: Valeu, outro!
E não tinha mais nada.
Grande pilantra o magrelo.
Sério que não tinha sentido nada vendo aquilo.
Tipo, não tava nem aí pra interpretar aquelas mensagens que ela respondeu.
Feito um otário, bati na bomba do mate e espalhei erva na mesa.
Quase sujei os pareceres assinados pelo meu chefe.
Deixei tudo como tava e fui pegar algo pra limpar.
Pensava no caminho, talvez em outro momento, a primeira coisa que faria era ir atrás do magrelo e quebrar a cara dele. Encher ele de porrada.
Mas agora era diferente.
Não me importava o que a Mara fazia. Claramente, a única que me interessava agora era a Sabrina.
E cada vez que pensava nela, sentia mais aperto no peito.
Tava morrendo de vontade de vê-la.
Quando voltei pro quarto e limpei a bagunça que tinha feito, notei uma conversa ativa que a Mara tava tendo.
Nunca fechei a sessão dela e um chat com a Fernanda abriu.
Se eu mexesse em algo, ela ia perceber.
Então deixei tudo como estava.
Mas era impossível não querer ler, já que tudo me envolvia…
A conversa já tinha começado e eu não queria mexer no chat pra ela notar, mas dizia o seguinte:
MAR: É, a parada do banheiro foi pesada…
FER: Muito?
MAR: Sim, por trás… Foda. Juro que apaguei naquele momento… Quero morrer.
FER: Não sei o que te dizer… Pelo menos na hora, você gostou?
MAR: Não tô a fim de falar sobre isso… Lembro e fico mal
FER: Mas você precisa desabafar…
MAR: Sei lá…
FER: Me conta… Desabafa
MAR: Você quer saber detalhes, safada
FER: Haha não. Mas pelo menos você esquece um pouco do que rolou… Além disso, o Jonás te ama, dá uns dias que passa, vai ver…
MAR: Acho que não…
FER: Como foi? Faz o que eu digo…
MAR: Bom… Sabe
EU: Então você gostou, né?
MAR: Sim, óbvio…
FER: gostoso… Não me imagino hehe
MAR: Talvez com o tempo eu consiga te contar... O que eu senti, agora não tô em condições de dizer...
FER: Não, mina... 😳 O que ele deve ter sentido, haha
MAR: Deus... Acho que num ponto, foi melhor o Jonas ter ido embora...
FER: Por quê?
MAR: Porque ficou doendo bastante, depois... Ardendo...
FER: Ufff... Imagina como ficou minha buceta... Com toda aquela carne dentro...
MAR: Bom, chega... Não me faz falar...
FER: E é, depois eu te interrompi...
MAR: Sim...
FER: Desculpa ter interrompido aquela chupadinha gostosa de cu contra a parede que você tava levando... Mas tinha que te avisar.
Essa gatinha nunca para de se masturbar?
É inacreditável...
MAR: Sim, eu sei.
FER: Gostei de como você tava, haha
MAR: Ah é?
FER: Sim... com a cara colada nos azulejos... Esperei um pouco e depois entrei.
MAR: Deus... Eu sei que pra você tudo isso é normal, mas não sei se quero continuar falando, pelo menos por agora não...
FER: Desculpa, cê tem razão... Tá entendido.
MAR: Mas é... A merda já tá feita...
FER: Haha todo mundo faz merda...
MAR: Sim, mas eu passei dos limites, idiota... Transei com ele sem camisinha, gozou dentro, na boca também... Quando foi que fiz algo assim? Não tenho desculpa...
FER: 😳
MAR: É o que eu tô te dizendo...
FER: Cê tava fervendo... Não tem culpa
MAR: Tenho sim, haha.
MAR: Passei da conta e fui atrás de mais... É a verdade
FER: Mas se você sentia, qual era o sentido de se segurar??
MAR: Respeito... Isso...
FER: Bom... sei lá. O Brian também gozou dentro de mim, haha
MAR: Além disso, eu devia ter falado pro Jonas que a gente ia transar sem camisinha naquele fim de semana...
FER: Eu sei, mas a ideia era ele ver assim e parecer natural... Só que aconteceu a parada da Sabri que bagunçou tudo...
MAR: Sim
FER: Mas você não me contou... Então cê deu um beijo nele?
MAR: Sim... Não me faz lembrar, te falei...
FER: Como assim, gata?
MAR: Pouco antes de você entrar... A gente ainda tava no chão...
FER: Mmmm cê tava com a pica dentro? Haha
MAR: Deus... Cê acha que o Jonas não fala mais comigo, né? Já faz dias que nada…
FER: Acho que é o impacto…
FER: Sabe… Mas como foi?
MAR: Só porque te conheço… Mas você é foda. A gente tinha terminado e eu fiquei meio largada em cima dele e ele disse que tava morrendo de vontade de me beijar e tal… Eu falei que não umas vezes, mas ele insistiu e, bom, muito pior não podia ser.
FER: Que gostosa… língua?
MAR: Kkk
FER: Sério????
MAR: Me senti estranha fazendo isso… Se eu soubesse o que viria depois…
FER: Estranha?
MAR: Uhum. Foi a primeira vez que beijei outro cara que não fosse o Jonas…
FER: Isso não é nada… Se você não se sentiu estranha dando tanta mamada nele kkk
MAR: Sei lá… Pode ser
MAR: Mas senti diferente…
FER: Mas em que sentido?
MAR: Como se eu tivesse traindo o Jonas… Sei que é difícil de entender…
FER: Mmm não. Tá de boa…
FER: E agora, qual é a onda?
MAR: Nada… Ele tá na casa dele e eu na minha. A gente não se fala 😔 Tô morrendo de vontade de ligar pra ele…
FER: Deixa ele uns dias… E com a Sabri?
MAR: Não. Também não…
FER: Ahhh…
MAR: Você tem que deletar aquele grupo do Facebook, Fer…
FER: Que merda…
FER: Era bom kkk
MAR: Eu vou sair, mas pelo menos apaga as fotos e vídeos onde eu apareço.
FER: Ok, fica tranquila… Se quiser, vem comigo pegar o celular na loja, hoje já tão me entregando e de quebra você sai um pouco
MAR: Não tô muito a fim de sair…
Fazia um tempão que eu não via aquele grupo.
Lembro que em alguma ocasião, Mara, pra me provocar, falava dele.
Claro, antes daquele último fim de semana.
Ficava me perguntando quantas coisas tinham.
Dupliquei a aba e procurei o grupo.
O mais certo era que depois disso, eu não me sentiria mais culpado por terminar com Mara e me apaixonar pela amiga dela.
Achei na hora.
Tava ali, num cantinho.
Muito visível.
Se alguém, sem querer, entrasse no face dela, tava na mão.
As imagens anteriores já eram chocantes.
As minhas peladas, chupando pau, transando.
Que loucura…
Como pude usar meu relacionamento com Mara pra isso…
Todo mundo diz que com o diário do… Segunda-feira, é sempre fácil falar.
Mas isso tinha me destruído. Eu me sentia completamente quebrado por dentro.
O terrível eram os rostos.
Alegres, perversos.
Como se o que a gente tava fazendo fosse algo normal, do dia a dia.
Tinha fotos que não eram explícitas, mas falavam mais do que qualquer outra coisa.
E davam muito mais tesão do que uma foto vulgar de transa.
Por exemplo, uma em que a Mara, semi-nua, tava entrando no banheiro com o Franco.
Não tinha nada explícito na imagem.
Mas o fato de estarem indo pra lá. Pra fazer o proibido. Isso era o sexual.
Qualquer um ia pensar: “O que vão fazer?”, “Vai mamar ele, com certeza…”
Além disso, a cara de satisfação no rosto dela. Aquele sorriso diabólico de saber que você tá fazendo e curtindo algo sem escrúpulos.
Com certeza, depois daquela foto, ela tinha chupado ele igual uma louca na privacidade daquele banheiro.
Deus… Não acredito que tô falando dela desse jeito…
Mas… Foda-se tudo…
É curioso se você parar pra pensar um segundo.
Por que agora eu me sentia assim?
Como se fosse alguém totalmente diferente?
Claramente, eu tava passando por momentos de grande confusão.
De vida acelerada, rápida. De decisões muito mal pensadas.
Acho que em nenhum momento eu tive a chance de relaxar completamente e pensar direito nas coisas.
Eu não ia ver tudo.
Não tava com vontade.
Achei que talvez me ajudasse a esquecer, mas não tava afim de continuar vendo. Só mais raiva e ódio.
E olha que tinha material que eu não tinha visto.
Tipo um vídeo em que a Fernanda tava enfiando um desodorante enrolado numa camisinha, enquanto o Brian metia o pau na boca dela.
Assim de absurdo que era tudo… Inacreditável, eu diria…
Ela tava sentada no sofá, recostada, pelada.
Talvez quem filmava era o Martín.
Sério, nunca consegui entender essa perversão extrema que ele tinha. Achei que entendia, mas não era assim…
Um desodorante?
Provavelmente foi da noite em que eu fui embora.
Depois tinha outra em que a Gabi tava transando com Martín.
Ele estava deitado no sofá e ela montava nele.
Uma voz feminina que eu não conhecia estava gravando.
“Mmm, como é que tá?” ela dizia.
Gabi, pulando como se estivesse possuída, não respondia.
Depois, a câmera focava em outro lugar e estavam Franco e Brian comendo Fernanda.
Porra.
Foi depois disso?
Nem o que rolou comigo e com a Mara segurou eles.
Fernanda estava de quatro e recebia a pica do Franco na buceta e a do Brian na boca.
Tudo sem proteção, como tinham planejado.
A câmera se aproximava.
Dava pra ver toda aquela carne entrando na buceta dela.
E se ouviam uns beijos.
Provavelmente ela tava chupando ele enquanto gravava a pica.
Essa garota devia ser a Natália. A que chamaram quando a Sabrina desertou.
FER: Sem camisinha é mais gostoso, né, Fran? kkk
Brian ria.
Era um combo de depravação nojenta.
Eu parei.
Na real, até achei graça.
Tanta promiscuidade...
E eu tinha sido parte daquilo.
O que passou pela minha cabeça pra participar de uma parada dessas?
Fechei tudo e desloguei a conta da Mara.
Não queria saber mais nada dela e, além disso, não tinha porra nenhuma de motivo pra ter acesso às coisas e conversas dela.
Em seguida, fiz o que não queria fazer.
Peguei meu celular e abri o WhatsApp.
Procurei o chat da Sabrina.
No geral, a gente nunca tinha falado muito por esse aplicativo.
Pelo Instagram sim.
Ao ver que não estava bloqueado, me deu uma certa paz.
Mas precisava falar com ela.
Tava morrendo de vontade de ficar com ela.
Mesmo tendo dado minha palavra de que não escreveria de novo, eu fiz.
No fim das contas, a gente tem que seguir em frente quando ama alguém de verdade.
E por Deus, eu amava.
Pensei em mil frases pra dizer.
Fiquei nervoso.
E já sentia aqueles palpites no peito que, a essa altura, pareciam facadas.
Que horrível era se sentir assim...
Depois de pensar e repensar, escrevi o que veio na hora.
“Oi, como você tá?
Sei que prometi não te escrever, mas não consigo
Tô com saudade e não paro de pensar em você”
Enviar...
O mais provável era que ela não me contestou.
Ela tinha sido bem clara.
Mas, lógico, eu não ia desistir sem lutar. Nos últimos meses, a única pessoa que tinha me mostrado carinho era ela.
Deixei o celular na mesa e continuei trabalhando.
Mentiria se dissesse que não olhava pra tela a cada 10 segundos pra ver se ela respondia.
Me fez lembrar das primeiras mensagens que trocava com garotas na adolescência. Quando a ansiedade é maior do que qualquer outro sentimento que se possa sentir.
Foi assim que passou grande parte da tarde, mas a luz da tela nunca acendeu.
Peguei o celular pra ver se pelo menos ela tinha lido.
As minas, no geral, sempre tão com o celular na mão. Nós, homens, somos os mais desligados.
E sim.
Ela tinha lido há horas, mas não respondeu.
Um baita baque que senti. Uma sensação de solidão voraz que chegou pra tomar conta de mim.
Era de se esperar que acontecesse, mas viver aquilo, claramente era dez vezes pior.
Acho que só me restava me contentar que ela soubesse, pelo menos, o que eu sentia por ela.
Nunca tinha me sentido tão mal.
Terminei o trabalho e me joguei na cama.
Tava destruído.
Todo o meu mundo, que eu achava estável e que ia de vento em popa, tinha desabado.
Queria ficar trancado ali e nunca mais sair.
Sei que não soa nada saudável, mas era o que eu tava sentindo.
Não queria lidar com ninguém.
É incrível pensar que uns dias se passaram como uma tempestade de inverno.
Parecia que cada volta ao redor do sol tinha 50 horas, em vez de 24.
Muito lento...
Me isolei como um eremita e me recusei a ter contato com qualquer outra pessoa.
O impulso pra sair da cama era só levado adiante pelas rotinas do trabalho. Mas só isso...
E numa dessas manhãs, alguém me acordou de repente.
Quase levantei pra encher de porrada quem fez isso.
Era meu amigo Maty.
MAT: Ei, mano! Calma aí. — Disse surpreso.
EU: O que cê tá fazendo, cara? Quase te quebro a cabeça.
Tinha pulado muito mal. Ele me tirou do inferno onde eu tava refugiado. MAT: Lembra que você ainda tem amigos…
Eu não dei muita bola pra eles. Nisso ele tinha razão.
Pra ninguém…
EU: Sim… tudo bem. – Respondi sentando na cama. A cabeça tava explodindo.
MAT: Hoje tem jogo… você vem, né?
EU: Não, não tô a fim de jogar agora… Sério
MAT: Você precisa sair…
Eu tava me espreguiçando um pouco.
EU: Não tô com vontade, mano… Não tô com vontade. – Falei na boa.
MAT: Já fazem duas semanas…
Só duas?
Pareceram séculos…
EU: Cê acha muito?
MAT: E pelo menos… – Ele parou.
Não curti a cara que ele fez.
EU: O que você ia dizer?
MAT: Nada, otário… vamos comer uns patis, quer? Vamo na churrasqueira do Beto.
EU: Fala o que você ia dizer.
Ele me olhou estranho.
Como se soubesse de algo e não tivesse coragem de contar.
MAT: Na… besteira… Não me dá bola.
EU: Não saio daqui até você me falar o que tá rolando… Te conheço…
Fiquei com o travesseiro entre as pernas, observando a cara misteriosa dele.
MAT: Bom, melhor você saber por mim…
EU: O quê?
Ele tinha ficado pálido.
Prendeu toda minha atenção.
MAT: Ontem teve uma festa na casa do Javier, a gente te chamou mas você nem respondeu…
EU: Que Javier?
MAT: O irmão do Gonzalo, aquele que jogava bola com o chuteira desamarrada, lembra?…
EU: Ah, sim… O mais velho, o que tem?
Era irmão de um cara conhecido nosso do colégio, que estudava de manhã.
Esse cara era mais velho que a gente uns 3 ou 4 anos.
MAT: Ainda bem que você não foi…
EU: Por quê? – Perguntei estranhado.
MAT: A Mara foi… – Ele falou meio nervoso.
Mara?
EU: E daí?
MAT: Só tô te contando porque você é meu amigo…
EU: Fala logo, porra… Não tô mais com ela, o que aconteceu? Não vem com besteira. – Respondi meio alterado.
MAT: Esse cara comeu ela, lá na festa, junto com outro… – Exclamou me olhando com pavor.
Fiquei parado.
Acho que não entendi o que ele disse na hora.
EU: O quê?
MAT: Sim, mano… E ainda todo mundo viu. Ela deu pro Javier e pra um amigo dele.
Como?
Mesmo não sendo mais problema meu, meu pelo arrepiou.
Ela fazer isso, de forma exposta, era algo novo.
EU: Sério?
MAT: Sim… E ainda entraram no quarto, tiraram fotos e filmaram ela…
EU: Tá me zoando?
MAT: Pior, mano, tava mó bebado… Tá em todos os grupos de zap…
Outra pontada se fez sentir no meio do meu peito.
Uma fria, gelada.
Não conseguia acreditar.
MAT: Chegou pra mim, mas não compartilhei nada e cortei uns caras… Mas a maioria do pessoal do colégio já viu.
Não podia ser verdade.
Como?
Por quê?
EU: Cê tem o vídeo aí? – Falei
MAT: Tenho, mas não vou te mostrar.
EU: Mostra, mano… Já terminei com ela…
MAT: Não sei se é uma boa…
EU: Por quê? É tão pesado assim?
MAT: Sei lá… Fala você, já foi… Cê é meu amigo, primeiro…
Ele pegou o celular e procurou o vídeo.
Sério, não entendia como ela fazia uma parada dessas.
Olha, também não devia me surpreender tanto… né?
Mas era estranho ela fazer isso com outras pessoas e na frente de todo mundo conhecido… E tão rápido…
MAT: Fica claro que não queria te mostrar.
Me entregou o telefone com o vídeo rodando.
Dava pra ver que entravam num quarto e na cama tavam comendo uma mina.
Ela tava de quatro, pelada.
Dava pra ouvir música alta e gente gritando.
“Eeeeaaaaa”
Esse Javier, tava metendo forte por trás, enquanto ela, que tava entre as pernas de outro, chupava a rola dele.
Quando chegaram perto e a luz ajudou, deu pra ver perfeitamente quem era.
Era a Mara, sem dúvida.
Fiquei paralisado.
Não sabia o que dizer.
O que ela tava fazendo aquilo?
A câmera se aproximava do cara que tava recebendo o boquete.
A Mara, visivelmente bebada, enfiava a rola na boca sem jeito.
Inacreditável.
Quem filmava perguntou:
VOZ: Tá gostoso esse boquete, Lauti?
LAU: Oohh… Olha a carinha dela e me diz… aaaa…
MAR: Aaiii… – Falou com os olhos fechados.
Algo tinha doído nela.
Não entendia como tinha chegado naquilo.
Não fazia sentido pra mim.
VOZ: Siiim… forte, forte! Kkk… Que gostosa que ela é, mano… – Dizia uma voz com tesão de provar ela.
JAV: Umas vontade de provar esse bum... kkkk
LAU: Manda, manda! Kkk
Ficava filmando aquele tal de Lauti.
Dava pra ver como ele tava curtindo uma chupada de pau de uma mina de outro planeta.
Ele puxava ela pelo cabelo e forçava pra baixo, descendo a cabeça dela, na bruta.
Talvez ele tivesse excitado por tudo que rolou, mas isso me fodia do mesmo jeito.
Era a Mara. Tinha sido a mulher da minha vida.
Não tinha como não me foder.
JAV: Filma a carinha dela, a carinha!
VOZ: Vamos, gostosa... Mostra como tão te comendo...
Dava pra ouvir os "ploc ploc" da trepada que tavam dando nela.
Que porra era tudo aquilo?
Comecei a sentir uma pressão no peito. Uma dor feia.
MAT: Eu te falei pra não olhar... — Meu amigo disse, meio preocupado.
Focam no rosto dela.
LAU: Ela tá com vergonha kkk
VOZ: Kkk cê acha? Com essa cara de puta que ela tem... — Tavam se cagando de rir.
Me fez mal ver aquilo.
Minha respiração acelerou de novo.
JAV: Vai no bum... Ooooo... Aaaaaaa. — Gritou com força.
MAR: Aaaaaaa... Nãooo... Seu idiota! — A Mara falou, indo pra frente e gritando de dor.
Ele tinha metido no cu dela.
Fiquei em choque.
Arregalei os olhos.
JAV: Vai kkk! Já entrou...
VOZ: Toma!
A Mara era segurada pelos caras, visivelmente dolorida.
Não entendia como aquilo tinha acontecido.
LAU: Depois quero eu lá, hein!
MAR: Não, chega... Já deu! Aaaa... — Exclamava uma Mara indefesa, que continuava sendo zuada.
VOZ: Deus... Que puta gostosa...
Dava pra ver como tavam comendo ela com força pelo rabo.
Não tavam nem aí pra nada.
A cara do cara dizia tudo.
JAV: Vou arrebentar ela, hein kkk Ummm! — Fez apertando os dentes.
Entrei numa espécie de apagão.
Tudo ficou branco de repente, como se eu perdesse a noção de tempo e espaço.
Que merda eu tava fazendo ali?
No que eu tava pensando?
Minha garganta fechou e meu estômago embrulhou.
De repente, tudo escuro.
Abri os olhos de novo.
Tava na minha cama, suado e com a respiração acelerada.
Hã?
Que que houve? — Falei comigo mesmo.
Tinha sido um pesadelo.
Tudo Empapado tava e tava custando pra caralho recuperar o fôlego.
Me aliviou saber que foi um sonho.
Apesar da minha raiva, não queria que nada de ruim acontecesse com ela.
Ainda por cima, toda vez que lembrava dela, via aquele rostinho triste.
Acho que devia mandar uma mensagem pra ela, pelo menos pra saber como ela tava depois de tantos dias.
Olhei as horas e eram 23.
Nem sei a que horas tinha ido dormir, acho que de tarde. Não lembrava.
Senti que tinha que escrever pra ela.
Normalmente, quando eu pensava em algo, era por algum motivo.
Se ela não respondesse, por raiva ou outra coisa, já era problema dela.
Mas depois de todo o tempo que a gente passou junto, era o mínimo que eu podia fazer.
Peguei o celular e procurei o chat dela pra escrever.
"Oi, como cê tá?" simplesmente mandei.
Levantei pra tirar toda a roupa molhada.
Tava mais a fim de tomar um banho do que qualquer outra coisa.
Vi que a luz da tela acendeu.
Será que era ela?
"Bem, e você?"
Era.
Devia estar online pra me responder assim, tão rápido.
Na real, nem prestei atenção.
EU: Queria saber como você tava, só isso... Não quero te incomodar. - Mandei
MAR: Bem, bem. Valeu por perguntar
Ela tava escrevendo seco e era lógico.
Não tava nem aí, mas era estranho.
Quase nunca a gente tinha esse tipo de conversa.
EU: Bom, melhor assim!
EU: Boa noite, fica bem!
É isso que dá agir por impulso.
Na real, além disso, não me vinha nada na cabeça pra perguntar.
MAR: Valeu
Ela só respondeu isso.
Agora pensando bem, pra escrever tão pouco, nem devia ter feito isso.
Talvez até tenha incomodado ela.
Mas fazer o quê, também não é como se eu tivesse morrendo de vontade de escrever.
Só tava meio preocupado e impressionado com aquele mal-estar que vinha me pegando e aquele sonho horrível.
Ela disse "bem" e pronto, não tinha mais nada a fazer.
Passei a mão no rosto.
Já sentia o pelo que tinha crescido no queixo.
Nem vontade de passar a máquina eu tinha.
Com o celular, entrei no face.
Queria saber alguma novidade da Sabrina.
Mesmo não tendo ela como Amiga, ela não tinha me bloqueado.
Só apareciam umas fotos antigas.
Isso, com certeza, era por causa da privacidade da conta dela.
Que raiva!
Doía pra caralho ela não me responder.
Era verdade tudo o que eu falava pra ela.
Até que ponto a amizade dela com a Mara era inaceitável?
Eu sentia falta dela. Pra um cacete.
E me matava não saber nada sobre ela.
Definitivamente, eu tava num poço sem fundo, caindo sem parar.
Sempre soube que as coisas iam acabar assim, tão mal. Sempre.
Era só questão de tempo até nossas vontades quebrarem.
E, de fato, aconteceu.
Não perdi só a mulher gostosa com quem eu pensava em casar, mas também aquela que mostrou tudo o que sentia por mim.
O exemplo claro de quem, por causa dos excessos, perde tudo.
20 comentários - Capítulo 2: Minha prima, Mara 3
manda mas seguido por tu web que entro a ver cada tanto si hay algo nuevo.
Igual, me perdí algo: esta "Parte3" empieza con Jon y Sabri garchando en la casa de ella, y cuando él ve los mensajes, todo el mundo lo buscaba y le preguntaba dónde andaba....es que la fiesta teminó mal? Cuál es el capítulo anterior al primero de esta parte 3?. Gracias, y van 10!!!
(Y sin saber que mas pudieron haber hablado ellas 2, ya que Hiphop no quizó mostrar mas esa conversacion, por ahora, para no dar mas pistas sobre los sucesos futuros que ocurriran en la historia).
mirá que tengo un conocido que esta por recibirse de abogado, te vamo'hace' una denuncia por daños y perjuicios ajenos 😅🤣🤣🤣