Séries de Relatos Publicados (Clique no link)

Capítulo 08.
Justiça Social.
Quando a Oriana explicou pra Siara e pra Erika como ela tinha ido parar nos fundos daquele estúdio fotográfico, ela fez questão de enfatizar que foi tudo uma série de coincidências, tipo pegar o pendrive errado ou dar de cara com a loira na cantina do colégio. Mas também deixou claro que não acreditou nem por um segundo que fosse coincidência terem oferecido aquele trabalho de modelo logo depois que ela falou com a Mariela sobre a preocupação de pagar a bolsa. A Oriana desconfiava que a Mariela tinha entrado em contato com a mulher do colégio pra "recrutar" ela.
Mesmo que isso fosse verdade, a Oriana não queria pensar mal da Mariela, não acreditava que a professora dela tivesse recomendado ela com maldade. Talvez ela achasse que a Oriana era o tipo de garota que toparia modelar, ainda mais se o pagamento fosse bom.
De agora em diante, a Oriana não queria mais depender tanto de coincidências, era hora de botar a mão na massa. Mas antes, precisava se convencer. Por que motivo ela arriscaria tanto pra saber se recrutavam atrizes pornô no instituto? Bom, em parte porque afetava ela, já que tinham oferecido a oportunidade de modelar. Mas tinha algo mais? Porque o mais fácil seria recusar a oferta e ficar na dela, sossegada em casa.
Sim, tinha mais uma coisa: as bolsas.
Eu só tinha uma leve suspeita, dois casos nem servem pra montar uma hipótese sólida; mas com uma hipótese meia-boca também dava pra trabalhar. E se as modelos estivessem ligadas, de algum jeito, com as bolsas do instituto?
Depois de pensar muito nessa ideia, a Oriana bolou a hipótese dela, meio meia-boca, mas promissora: Alguém tinha acesso aos dados das meninas bolsistas do instituto e, quando elas mostravam preocupação em não conseguir devolver o dinheiro, uma pessoa oferecia trampo como "modelo".
Claro, não podiam simplesmente chegar pra mina e falar: "Ei, cê tem interesse em ser atriz pornô?". Não sem se expor demais. Mas a Oriana já tava na vantagem. Ela tinha visto o resultado daquele trampo. Pôde ver, em alta definição, até onde a Mariela foi pra cobrir a grana da bolsa dela.
Oriana, além da curiosidade, tem um forte senso de justiça social. Não é do tipo que vai pra uma manifestação reclamar do preço abusivo da passagem de ônibus; mas o sangue ferve quando vê uma injustiça rolando entre os seus… ou quando desconfia que tem algum esquema sujo.
Uma vez, ela conseguiu provar pro pai dela que um fornecedor de laticínios tava passando a perna nele. O cara vendia, a preço normal, produtos que tavam perto de vencer ou já vencidos. Isso fez com que o mercadinho do pai dela ficasse com fama de vender coisa estragada, e só por ser asiático, o povo já julgava. "Desliga os freezers à noite, igual todo comerciante chinês faz", falavam.
Essas palavras irritaram muito a Oriana. Primeiro porque ela não acreditava que todos os comerciantes chineses fossem iguais, além disso, tinha certeza de que essa história de desligar as geladeiras durante a noite também era feita por muitos comerciantes argentinos; e segundo, porque o pai dela nem é chinês… é japonês. Ela disse pra mais de um vizinho: “Meu pai se chama Hideko Takahashi, nem tem nome chinês”. O povo cagou pra isso, mas a Oriana, não.
Ela seguiu o entregador de laticínios e gravou ele colocando na caminhonete produtos de supermercado marcados com o selo "devolução". Depois, conseguiu pegar o mesmo cara arrebentando esse selo e entregando esses produtos no negócio do pai dela... obviamente aceitando uma boa grana no meio do caminho.
A Oriana apresentou isso pra polícia. O entregador tentou se defender dizendo que "a garota chinesa" gravou ele ilegalmente. Mas a lei ficou do lado da Oriana, porque tudo que ela gravou com o celular dela aconteceu na via pública.
O caso foi parar nos jornais locais e causou um baita rebuliço. A Oriana ficou surpresa ao ver quanta gente pediu desculpas pro pai dela. Parece que entenderam que a Hideko Takahashi foi vítima de um golpe.
Desde aquele dia, Oriana prometeu pra si mesma que não ia ficar de braços cruzados se encontrasse alguma injustiça ou um negócio suspeito que pudesse expor. Ela desconfiava que no colégio tinha várias minas que, assim como o pai dela, precisavam de alguém que confiasse nelas e ajudasse a sair de uma situação foda.
Oriana tinha dois caminhos de investigação: podia descobrir quem era a loira e perguntar se ela também tinha ganhado uma bolsa. Também tinha a opção de aparecer no estúdio fotográfico e ver até onde queriam ir com o modelagem. Se era algo honesto ou um jeito rebuscado de contratar atrizes pornô.
Não queria falar com a loira depois da vergonha que passou na cantina, além disso não tinha como encontrar ela. Talvez o acaso fizesse eles se encontrarem de novo. Oriana ia ficar de olho nos corredores do colégio, caso cruzasse com ela.
Por enquanto, a melhor opção tava nas fotos.
O estúdio fotográfico era pequeno e era tocado por uma só pessoa: um cara jovem, de pele bronzeada e cabelo preto bem cortado e penteado. A Oriana explicou que tava ali porque alguém tinha falado que tavam oferecendo trampo. Quando o funcionário comentou que o serviço era de modelar, ela nem se surpreendeu.
—De que tipo de modelagem a gente tá falando… ehhh, qual é o teu nome?
—Meu nome é Alexis. O trampo é bem simples: a gente te dá um conjunto de roupa, você usa numa sessão de fotos e pronto, te pagamos.
—E onde é que ficam essas fotos?
—Num catálogo online… e se você ficar com vergonha de algum conhecido ver, não esquenta com isso. É um site que vem junto com a compra de certos serviços, não é qualquer um que entra. As chances de alguém que te conhece entrar são mínimas.
—De que tipo de serviços estamos falando?
—Produtos de maquiagem, lingerie… e as mesmas roupas que você vai usar pra modelar.
Tudo fazia sentido. Oriana achou que se tratava de alguma marca de prestígio que vendia produtos por meio de um catálogo VIP a preços inflados. Mas tinha muita gente no mundo que adorava comprar coisas que fossem "difíceis de conseguir".
—E mais uma coisa —disse Alexis—. Quem escolhe a roupa é você. Nunca vamos te fazer modelar com algo que você não goste.
—Muito bem. Quando posso começar? —A convicção veio porque queria investigar mais a fundo essa parada; se fosse só por grana, nunca teria aceitado.
—Hoje mesmo, se quiser. Quando eu fechar o local, daqui a meia hora, a gente pode começar com as primeiras fotos.
—E aí, me pagam no primeiro dia?
—Não exatamente. Essas fotos precisam ser aprovadas pela empresa. Se eles aprovarem, aí sim a gente te paga. Eu só ganho dinheiro se eles aprovarem, então temos que dar o nosso melhor no trabalho, senão não recebemos nada — Alexis disse isso enquanto coçava a cabeça, e Oriana achou o gesto muito fofo. Mesmo o garoto parecendo transbordar confiança por todos os poros, e ela saber que ele era um homem gostoso, havia uma certa vulnerabilidade nele. Oriana simpatizou com ele.
O melhor era esperar, trinta minutos passam rápido. A Oriana tirou os fones de ouvido e começou a escutar rock argentino. Desde pequena, sentia fascinação por bandas como La Renga, Los Piojos ou Divididos. Mas dessa vez, durante a espera, quem fez companhia foi o Attaque 77. O Alexis pegou ela cantando baixinho "La gente que habla sola". A Oriana baixou a cabeça e ficou toda vermelha. Achou muito irônico terem pego ela cantando justamente essa música. Logo ela, que não tem amigo nenhum.
De relance, ela viu a Alexis fazendo sinal pra ela, tirou os fones e escutou o que ele queria dizer, torcendo pra não ter nada a ver com aquela história de cantar sozinha.
—Quer dar uma olhada nos conjuntos que tão disponíveis? Se gostar de algum, pode vestir. Assim a gente ganha tempo.
—Tá bom —disse ela, sem muita convicção.
Alexis fez ela entrar numa salinha nos fundos do local, e apontou pra uma estante com várias caixas.
Cada uma é um conjunto diferente, escolhe o que mais te agradar.
—E se não gostar de nenhum?
—Então não tiramos as fotos, simples assim.
Oriana ficou sozinha olhando praquelas caixas, no topo de cada uma tinha uma foto de um manequim vestindo o conjunto. O primeiro que ela viu era uma fantasia de policial que parecia tirada de uma festa à fantasia bem picante. O segundo era ainda pior, uma fantasia de bruxa que não passava de um conjunto de lingerie e um chapéu pontudo.
―Não, definitivamente não.
Continuou fuçando as caixas e se lamentou, porque se quisesse seguir com a pesquisa, teria que escolher alguma, mas todas pareciam eróticas demais. Tudo parecia perdido até que reparou numa das caixas que estava no canto mais afastado da estante. Era um conjunto simples de escritório: camisa branca, saia preta e salto alto. "Isso sim que eu posso usar", pensou.
— Já achei uma coisa — avisei pra Alexis. — Onde posso me vestir?
—Do lado da estante tem uma cortina, atrás dela fica o trocador. Lá você vai achar uma caixa com maquiagem, caso queira se pintar. Não exagera, você não precisa.
Esse comentário fez Oriana sorrir. Ela imaginou que essa história de se maquiar sozinha era só para a sessão de testes, o mais lógico era que tivessem alguma maquiadora pra cuidar das sessões profissionais.
Oriana passou uma base, um pouco de blush e pintou os lábios de um vermelho intenso mas bonito, que contrastava bem com a palidez da pele dela. Se sentiu uma idiota se pintando daquele jeito, porque normalmente ela não gosta de usar maquiagem; mas se as fotos não ficassem boas, não iam chamar ela de novo.
Quando vestiu o conjunto, descobriu que não era tão discreto quanto imaginava. A camisa ficou muito apertada, as tetonas dela ameaçavam estourar os botões a qualquer momento, e a saia colou tanto no corpo que mal dava pra se mexer sem medo de rasgar. As meias de nylon estavam de boa, mas os sapatos eram altos demais, ela não tava acostumada a usar.
Ela saiu do vestiário e lá estava Alexis, arrumando o tripé da câmera.
—Já tá tudo pronto? — ele perguntou.
—Acho que… —disse ela, envergonhada por estar vestida daquele jeito na frente de um estranho, mas Alexis nem olhou duas vezes pra ela.
—Coloca esses óculos, não são de verdade, mas vão dar um toque maneiro nas fotos.
Oriana aceitou aqueles óculos de meia armação, se olhou no espelho e teve que admitir que ficaram muito bons nela, deram um ar intelectual e gostoso. “Gostosa? Eu? Sim, claro…”
Apesar da beleza física dela, a Oriana nunca se enxergou como uma gostosa. A mãe dela tinha se encarregado de ensinar que uma mulher não devia ser orgulhosa nem narcisista.
A sessão de fotos foi muito mais fácil do que ela imaginou. Ela posou para o Alexis, e o cara olhou pra ela como se fosse um manequim. Ela seguiu as instruções dele e, por um momento, esqueceu como aquela roupa ficava no seu corpo voluptuoso… até que, ao se abaixar, alguns botões da camisa se soltaram. No meio, apareceram os peitos apertados da Oriana.
—Ai, não! Que horror! — exclamou, enquanto se cobria com as mãos.
Deu vontade de sair correndo e se trancar no quarto dela.
—Fica tranquila, não tem problema —disse o Alexis—. Comparando com outras fotos, isso ainda é algo bem discreto. Se não te incomodar, eu queria tirar umas fotos suas assim.
—É necessário?
—Não, mas aumentariam as chances de a gente receber… e de você ser contratada de novo.
―Mmm… tá bom.
A ideia não agradava ela, mas sabia que tinha que estar disposta a fazer sacrifícios se quisesse chegar ao fundo da questão.
Ela posou com os braços cruzados debaixo dos peitos e deixou as gêmeas aparecerem um pouco no centro. Não dava pra ver muito, mas pra ela parecia obsceno.
—Foi uma sessão satisfatória —anunciou Alexis—. Tô certo de que vão te pagar. E é bem provável que te chamem de novo, embora… talvez da próxima vez você tenha que usar algum conjunto de lingerie. Não esquece que essa é uma marca que vende, principalmente, lingerie. Você toparia fazer isso?
—Não sei. Vou pensar.
Depois de terminar com essas fotos, ela voltou pro vestiário e vestiu a roupa. Passou o número de telefone dela pro Alexis pra ele entrar em contato e saiu de lá mais rápida que o vento.
Se chamassem ela pra modelar de novo, tentaria fazer mais perguntas. Dessa vez ficou atordoada demais pra pensar direito.
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Durante várias semanas, pra Oriana foi pura rotina assistir às aulas particulares da Mariela. Ela já não via mais assim. Ficar perto da professora dela gerava um emaranhado de emoções contraditórias que ela não sabia como processar. A culpa (por ter invadido a privacidade dela) era a que mais incomodava.
—Tá bem, Oriana? —Perguntou Mariela—. Tô te achando meio tensa.
―Sim, sim… tô bem.
―Tem certeza? Emm… não quer ficar um pouco mais à vontade? Lembra que pra mim não tem problema. Não é dia pra usar tanto agasalho.
Nisso ela tinha razão, a Oriana tinha vestido um moletom preto e uma camiseta de manga comprida. Talvez estivesse bom pra quando ela fosse voltar pra casa, mas naquele exato momento, dentro da casa da Mariela, devia fazer uns vinte e cinco graus.
―Bom, sim… pode ser.
Oriana tirou o moletom junto com a blusa de manga comprida, fez de propósito, não porque fosse uma pervertida, mas porque esperava que isso servisse como um gatilho pra puxar conversa com a professora. Mariela arregalou os olhos feito pires ao ver que Oriana estava só com um sutiã simples de algodão branco, e nada mais.
—Espero que não te importe que… — começou a dizer Oriana.
Ela não terminou a frase porque naquele instante Mariela tirou a blusa. Ela estava usando um sutiã de renda preta que deixava os bicos da buceta meio à mostra.
—Que me incomode o quê?
Oriana soltou uma risadinha. Nunca tinha se sentido tão à vontade na frente de outra pessoa, nem mesmo com o namorado Fernando.
—Mariela, posso te fazer uma pergunta pessoal?
Sim, claro" — a professora olhou para ela com um sorriso simpático.
— Já fez algum trabalho como modelo? — Não queria dar tempo pra Mariela tirar conclusões erradas, por isso completou —. É que me ofereceram um trampo como modelo, fui na primeira sessão, mas não sei se vou continuar com isso. Me deixa meio desconfortável, principalmente porque pediram pra da próxima vez eu modelar só de calcinha e sutiã.
—Ahã… —Mariela não parecia surpresa que tivessem oferecido aquele trabalho pra Oriana—. E o que exatamente tá te preocupando? Cê tem medo do que seus pais vão achar?
—Não, não é isso. Na agência me garantiram que é muito improvável que algum conhecido meu veja essas fotos. O que me preocupa é que nunca gostei da ideia de me aproveitar do meu próprio corpo. Quando tenho uma prova, nem uso decote, porque não quero que o professor ache que tô tentando seduzir ele. Eu quero que o pessoal me valorize pelo meu esforço, ou pela minha inteligência… não pelas minhas tetas.
―Ah, já entendi ―o sorriso de Mariela se alargou―. Você me lembra muito eu mesma. Na primeira vez que modelei, tive exatamente as mesmas dúvidas que você. E acho que com isso já respondo sua pergunta: sim, fui contratada como modelo e também tive que posar de lingerie.
—E como você fez?
—Bom, eu precisava do dinheiro… precisava mesmo. Isso me ajudou a engolir a vergonha.
—Mas… você se divertiu?
—Não, nunca falei isso.
—Não tô entendendo…
—Vamo ver, como é que eu te explico? —Pensou por uns segundos e depois falou—. Vem, vamos pro meu quarto. Lá tem um espelho, vai me ajudar pra tu entender o que eu quero dizer.
O quarto da Mariela era pequeno e simples. Tudo era branco com detalhes em rosa, como se, ao se mudar, ela tivesse realizado a fantasia de ter um quarto que parecesse saído de um conto de fadas. A Oriana ficou surpresa ao se deparar com algo assim, não parecia o quarto de uma mulher adulta, e ela nem imaginava que Mariela amasse tanto o rosa. Mas também não fazia ideia de que Mariela era atriz pornô…
O que mais estranhou foi o espelhozão na parede, bem do lado esquerdo da cama, do mesmo lado que a porta de entrada do quarto. Era enorme, ocupava quase a parede inteira.
—Vem, fica aqui —disse Mariela. As duas mulheres se colocaram entre a cama e o espelho—. O que você vê? —Perguntou Mariela, apontando para o reflexo.
―Pra nós…
Sim, mas o que você vê em nós?
―Hum… que a gente tá com pouca roupa.
—Aja… e você acha que alguém poderia ficar excitado ao nos ver com pouca roupa?
Oriana admirou o reflexo dela e o da professora, era verdade que as duas tinham peitões enormes e chamativos.
—Muita gente curte peitão —começou Oriana, tímida—. Então… acho que sim.
—E se alguém ficar excitado olhando suas tetas, isso te faria mais burra? Tiraria seu valor como pessoa?
―Hmm… não… claro que não.
Mariela arrancou a calça de uma vez, ficando só com uma micro fio dental que sumia entre as nádegas. Ela girou e mostrou a raba no espelho.
—E aí, o que cê acha disso? Cê acha que alguém ficaria excitado se visse minha bunda?
—Tenho certeza que sim.
—Tá bom —Mariela virou de novo de frente—. Isso foi o que eu aprendi quando comecei a modelar. Por mais que eu queira ser dedicada nos estudos e que o pessoal me valorize pela minha inteligência… isso não tira o corpo que eu tenho. Em vez de ter vergonha do meu próprio corpo, comecei a me sentir uma privilegiada. Quando me pediram pra posar usando lingerie bem pequena, que deixava pouco pra imaginação, me convenci de que essas fotos iam dar prazer pra outras pessoas.
―Isso me dá muita vergonha.
—Entendo, não tô dizendo que essa mudança vai rolar da noite pro dia. Comigo levou várias sessões. Mas se quiser, a gente pode fazer um exercício rapidinho pra te ajudar a sofrer menos. Não é porque eu quero que você vire modelo de lingerie erótica, isso é escolha sua. É porque desde que te conheci, percebi que você tem vergonha do próprio corpo… e me dói pra caralho ver uma mina tão gostosa como você se sentindo mal com o próprio corpo. É uma parada que não consigo tolerar.
—Tá tão na cara assim?
—E durante esses meses você não fez nada além de esconder seus peitos, e quase morreu de vergonha no dia em que te vi usando decote pela primeira vez. Você devia usar mais decotes, fica uma gostosa.
—Você também não usa.
—Não uso eles enquanto dou aula, porque seria desconfortável pra outra pessoa… mas como cê vai ver, hoje não me importei de tirar tudo, porque você tirou primeiro.
—Acho que não vou ter coragem de tirar a calça na sua frente.
—Se você não consegue fazer na minha frente, então muito menos vai fazer na frente de uma câmera.
—Tem razão, sou uma burra…
—Não, bobinha não, tímida. A timidez tem seu charme, não pense que não. Mas você tem um corpo muito gostoso, Oriana. Se te contrataram pra ser modelo é porque não te falta nada pra isso. Só precisa de uma pequena mudança de atitude.
E como é que se consegue isso em menos de uma semana? Porque já me marcaram a próxima sessão de fotos, e não sei como vou dar conta.
—A segunda e a terceira sessão de fotos foram as mais difíceis pra mim… porque foi aí que comecei a posar usando lingerie bem erótica. E eu pensava: “Como é que vou fazer pra meu corpo não ficar obsceno com essa roupa?”. Depois descobri que o segredo era fazer exatamente o contrário, tinha que abraçar meu lado mais erótico e curtir. Graças a isso, comecei a me sentir livre — Mariela se posicionou atrás de Oriana, que sentiu o parzão de peitos se apoiando contra suas costas. Os dedos da professora acariciaram o elástico da calça de Oriana —. Se olha no espelho e pensa que tá junto de alguém que você quer excitar. Não importa quem seja, nem precisa ser uma pessoa real, basta imaginar o conceito dessa pessoa. Cê acha que consegue bagunçar os hormônios dela?
—Não.
―Por que não?
—Porque me dá muita vergonha ficar pelada na frente dos outros… sinto que vão rir de mim. Isso acontece até quando tô com meu namorado.
—Talvez seja porque você ainda não tem muita confiança nele… nem confia em si mesma. Mas te garanto uma coisa, Oriana, se eu te visse de lingerie, com certeza ficaria excitada — essas palavras soaram como um sussurro no ouvido de Oriana. O coração dela parou. Será que Mariela estava confessando sua inclinação lésbica? —. E isso aconteceria com qualquer um — a professora acrescentou —. Porque você tem um corpo de matar. Seria capaz de excitar homens e mulheres por igual. — Enquanto falava, foi abaixando a calça dela lentamente —. Não se assuste, você tem uma lingerie muito bonita, mas não deixa de ser algo bem parecido com um biquíni. Pense que está numa piscina, com amigos… você já usou biquíni numa situação assim?
—Não.
—Nunca? E o que você faz quando vai pra praia com seus amigos? Fica vestida?
—É que… não tenho amigos.
Mariela ficou encarando o próprio reflexo no espelho e a própria Oriana. Não conseguia acreditar que uma garota tão gente boa, gostosa e divertida não tivesse amigos.
―O mais próximo de um amigo ―continuou dizendo Oriana― é meu namorado Fernando… e meu irmão, Kaito. Embora ultimamente a gente não converse tanto como antes. Ele tá na dele… ele tem amigos de verdade.
—Bom, a gente pode ser amiga —disse Mariela, apoiando o queixo no ombro de Oriana.
O corpo inteiro da Oriana vibrou e ela sentiu uma onda quentinha percorrendo o corpo dela. Era uma sensação estranha que ela nunca tinha experimentado antes… a sensação de cair nas graças de alguém… de ter uma amiga.
—Sério?
—Claro que sim. Que entre a gente exista uma relação de aluna-professora não significa que a gente não possa ser amiga. Embora seja meio estranho eu estar te cobrando…
—Na real quem te paga é a minha mãe — apressou-se a dizer Oriana —. Eu só cuido de te entregar a grana.
―Bom, acho que isso torna tudo um pouco menos estranho. E já que somos amigas… quer continuar com essa demonstração? Só diz sim se confiar em mim, porque te garanto que a conversa vai ficar bem mais íntima.
Oriana queria que a conversa ficasse mais íntima, e não porque assim pudesse arrancar informações da Mariela, mas porque era algo que ela desejava há anos: ter uma amiga com quem pudesse falar de assuntos bem picantes.
—Sim, confio em você. Vamos em frente —respondeu, com o coração acelerado.
Mariela terminou de tirar a calça dele e depois sentou no meio da cama.
Vem, senta na minha frente" — ele indicou. Oriana fez o que ele pedia. Desse jeito, as costas dela ficaram apoiadas nos peitos de Mariela. "Não para de se olhar no espelho" — ele falou como se estivessem numa sessão de terapia de relaxamento. "Respira fundo e foca na sua própria imagem" — deu uns segundos pra ela se acostumar. "Agora me diz: o que você vê?
―Para mim mesma…
—Se você tivesse que falar pra alguém qual é a parte mais gostosa do seu corpo, o que você responderia?
—A coisa mais gostosa? Sei lá… não me vem nada à cabeça. Não faço ideia do que poderia agradar aquela pessoa.
—Isso não importa, aqui o que vale é o que você gosta. Vamos ver… hmm… por exemplo, seus olhos?
—Não… meus olhos não. São muito… puxados. Muito asiáticos.
—Acho que é isso que os torna tão peculiares.
—E também faz com que as pessoas te discriminem mais, por ser diferente.
―Mmm… pode ser, não vivi sua vida. Não sei como é a vida de uma garota asiática tentando se integrar na Argentina.
—Não é fácil. Já te falei que não tenho amigos?
—Sim, sim… não se preocupa com isso. Agora você tem eu aqui — apoiou o queixo no ombro dela, e Oriana gostou do gesto, fez ela se sentir à vontade —. Quero que seja bem sincera consigo mesma, deixa a modéstia de lado. Se tivesse que ser… sei lá, narcisista por um segundo. O que você mais gosta em você? O que te dá mais orgulho no seu corpo?
―Hmm… esse…
—Vamos, Ori. Sem medo. Ninguém vai te julgar por admitir que teu corpo é gostoso. Olha essa mina no espelho. O que você mais gosta nela?
—As tetas —respondeu Oriana, e na hora ficou vermelha.
―É isso aí… é um bom exemplo. Você tem uns peitos lindos ―as mãos de Mariela se posicionaram bem debaixo dos seios―. Você devia ter muito orgulho deles. Muitas mulheres morrem de vontade de ter uns peitos assim. Sei disso porque pude ver os olhares de inveja de muitas mulheres quando olhavam pros meus peitos… e os seus são ainda maiores que os meus. Quando você fica pelada na frente do espelho, você olha pros seus peitos?
―Hmm… não curto ficar pelada e me olhar no espelho.
—Você devia fazer, é uma prática muito boa pra perder a inibição, pra se amigar com o próprio corpo. Agora imagina uma coisa… quando você estiver posando na frente da câmera, vão te pedir pra usar calcinha e sutiã…
—Ahã…
—Mas acho que não vão pedir pra você tirar ela.
—Espero que não —Oriana não tinha certeza se pediriam isso ou não.
—Fica tranquila, não vão te pedir nada que você não queira fazer. Na minha frente você se animou a usar roupa íntima, até te vejo bem de boa.
—É verdade —Oriana não quis dizer que essa tranquilidade era porque ela estava se divertindo com a Mariela e que esse era o tipo de amizade que ela estava procurando.
—E se você se soltar um pouquinho mais aqui… não acha que vai ser mais fácil ficar de calcinha e sutiã?
— Tá me pedindo pra ficar pelada?
—Não, por enquanto… já basta você tirar o corpete.
—Você realmente acha que isso vai dar certo?
―Talvez… antes eu tinha muita vergonha de me despir na frente dos outros, mas quando tirei as fotos, pensei que mais de uma vez já tinha ficado pelada na frente de uma amiga e que não me importei muito. A ideia é que, quando fizer a sessão de fotos, você se lembre desse momento e diga: “Não me importei tanto de tirar o sutiã na frente da Mariela, menos ainda vou me importar de me verem de calcinha”.
Essa frase fez a Oriana rir.
—Faz muito sentido. Tá bom, me animo… mas só se for você fazendo.
—Não tenho problema nenhum com isso, tenho muita prática em tirar sutiãs.
Oriana tava pensando se ele tava se referindo aos dela ou aos das outras mulheres quando, como num passe de mágica, o corpete dela se soltou. Na hora, Mariela mexeu os dedos com habilidade e terminou de tirar. Os melões enormes da Oriana apareceram no reflexo do espelho. Os bicos dela eram pálidos, quase tanto quanto o resto das tetas, mas estavam bem durinhos.
—Você tem uns peitos lindos, eu disse e mantenho.
Oriana tentou entender como passou de uma conversa normal com sua professora particular para estar de peitos de fora na frente dela. O que será que a mãe dela pensaria se soubesse o que ela estava fazendo naquele momento?
Bom, eu tinha problemas mais sérios com que me preocupar, tipo os pais dela descobrirem as sessões de fotos eróticas. Isso sim que seria um baita problema.
—Gosto dos seus bicos —disse Mariela, as mãos dela subiram devagar por aqueles peitos nus e os dedos se fecharam como pinças sobre os bicos, mas sem apertar demais.
—Valeu…
Oriana virou levemente o rosto, e lá estava Mariela, apoiada no queixo dela. Mariela olhou pra ela e uma vontade irresistível tomou conta. Oriana beijou ela.
Foi um beijo rápido, de uns lábios que se tocam com suavidade e timidez.
Na hora, Oriana se assustou e tentou se afastar da professora.
―Ai, desculpa… não sei por que fiz isso! ―Exclamou, enquanto se apressava a colocar o sutiã de novo―. Foi sem querer. Queria te dar um beijo na bochecha, por me ajudar com isso e… deu errado.
Mariela soltou uma risadinha.
—Não se preocupa, Ori, foi só um acidentezinho, não tem problema.
—Pra mim é diferente… se minha mãe descobrir que beijei uma mulher, ela me mata.
—Acho que não é tudo isso, foi só um roçar, e você mesmo disse: tava tentando me dar um beijo na bochecha.
―Sim sim… mas… hum… acho que já deu. Ficou claro o que tenho que fazer na próxima sessão de fotos. Depois te conto como foi, tá?
—Tá bom, e fica tranquila, não fica quebrando a cabeça à toa.
—Sim, nem vou pensar naquele beijo…
—Não tava falando do beijo, e sim da roupa que você vai usar na sessão de fotos.
—Ah, sim… isso. Também não vou dar muita importância. Vou fazer e pronto.
—Além disso, lembra que vão te pagar.
—Sim, isso vai me fazer bem.
Oriana se vestiu e saiu de lá na maior velocidade. Se sentiu mal por se despedir da Mariela de forma tão drástica e sem nem agradecer, mas tava nervosa demais. Ela tinha beijado ela… mesmo que sem querer… e se a Mariela pensasse que ela tinha intenções lésbicas? Porque ela sabia muito bem que a Mariela tinha. Já tinha visto ela chupar pussy em mais de um vídeo.
Decidiu que teria tempo pra se martirizar com isso mais tarde. Agora, a única coisa que importava era passar pela sessão de fotos e arrancar mais informações da Alexis.
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Graças à conversa íntima com a Mariela, a Oriana conseguiu se desligar durante a sessão de fotos. Usou um conjunto de lingerie que não era tão erótico quanto tinha imaginado. Esqueceu completamente do Alexis e todas as poses obscenas, como ficar de quatro ou abrir as pernas, fez tudo pensando na Mariela. Não porque quisesse excitar a professora, mas para mostrar que tinha aprendido bem a lição. A Oriana quase se sentiu à vontade com o próprio corpo, a vergonha só veio em momentos-chave, tipo quando o Alexis aproximou muito a câmera da buceta dela. Ali, a Oriana sacou que na foto ia aparecer clarinho a divisão da vagina dela. Mas quando pensou que a Mariela ia se orgulhar daquela foto, o medo passou.
—A sessão ficou maravilhosa — disse Alexis, com um sorrisão —. Aqui está a grana pelas fotos da vez passada. Não é muita, porque foi só um teste, mas tenho certeza de que pelas fotos novas vão te pagar o dobro ou o triplo.
—É bom saber disso — Oriana aceitou a prata com empolgação. Mesmo que o trabalho não fosse o que ela preferia, era a primeira vez que ganhava dinheiro com o esforço do próprio trampo, sem que os pais pagassem por ela. — Me falaram que tem um trabalho de modelo que paga ainda mais — Oriana precisou ensaiar essas palavras várias vezes na frente do espelho, não porque fossem complicadas, mas porque tinha medo de não ter coragem de dizê-las… porque depois de falar, tudo ficaria mais obscuro.
—Pode ser… —disse Alexis, enquanto guardava a câmera—. Cê acha que vai dar conta desse trampo? Olha que a roupa que você usou hoje é comportada perto do que pedem naquele… outro trampo. Mas é verdade que pagam bem mais.
—Sim, tenho interesse —esse era o momento que mais medo lhe causava. O que Alexis pediria em troca? Faria ela participar de algum tipo de casting pornô? Pediria que tirasse fotos nua?—. O que eu tenho que fazer?
—Por enquanto, nada. Com as fotos que você tirou hoje já pode ir pra uma primeira entrevista.
—Ah, beleza —disse ele, sorrindo, e isso a tranquilizou pra caralho. Ela não precisava se envolver tanto, só queria juntar informação. — E onde é a entrevista?
—Num estúdio maior que este, deixa eu anotar o endereço pra você. Te sugiro não ir de cara, porque antes precisa editar e apresentar essas fotos, pra galera daquele estúdio dar uma olhada.
—Muito bem. Valeu.
Oriana saiu de lá praticamente pulando de alegria. Tinha conseguido um baita avanço. Com esse endereço, ela poderia descobrir quem estava por trás de toda essa merda e talvez, quando chegasse a hora, simplesmente botasse eles contra a parede sobre o assunto das bolsas e do instituto.
Quando a Oriana contou tudo isso pra Erika e pra Siara, não mencionou a conversa tão íntima que teve com a Mariela, nem falou que teve que posar usando um conjunto de lingerie. Só disse que tirou umas fotos, essas minas não precisavam de tantos detalhes.
O que a Oriana mais gostou foi que a Érika e a Siara ouviram a história toda com o maior interesse, interrompendo só em momentos específicos pra esclarecer algum detalhe.
—Então tu suspeita que alguém do instituto se aproveita das minas bolsistas? —Perguntou Siara, bem séria.
—Sim, não sei exatamente como esse sistema funciona, mas suspeito que mais de uma garota bolsista acabou virando atriz pornô.
Isso amplia bastante o panorama de investigação", disse Erika. "Não se trata mais só da Dalma.
—Quem é Dalma? —Perguntou Oriana.
—A garota do colégio que supostamente tem um vídeo pornô com três caras — disse a Erika —. Com certeza você ouviu falar dela. Quer mais um pouco de chá verde? Eu adoro como eles fazem aqui.
—Não, obrigada, já tô bem —por educação, Oriana não disse que preferia estar num lugar menos “japonês” que um Café-Manga e que o chá verde ela podia tomar todo dia em casa. De qualquer forma, tava se divertindo pra caramba com essas minas—. Não sabia nada sobre o rolê da Dalma.
—Que estranho, todo mundo no colégio tá comentando isso com os amigos —disse Siara. Oriana ficou magoada com esse comentário, não queria contar que não tinha amigos, nem dentro nem fora do colégio. Ninguém tinha ido contar a fofoca pra ela—. Enfim, o que você precisa saber é que a gente tá investigando esse caso. A gente tem um clube no colégio que resolve mistérios envolvendo alunos ou professores. Esse é o nosso primeiro trabalho… e já ficou muito mais sinistro do que eu imaginava.
—Sim, super sinistro —completou Erika—. Se descobrir que a Dalma também foi contratada pra ser atriz pornô… que puta merda vai dar. Embora… isso não encaixa na teoria das garotas bolsistas. A Dalma tem uma situação financeira boa.
—Talvez seja só coincidência o negócio das bolsas —disse Oriana—. Mas não dá pra descartar nenhuma possibilidade.
—Gosto do jeito que essa mina fala —disse Siara, com um sorrisão, algo que não era típico dela.
—Posso fazer uma pergunta pra vocês? —Disse Oriana, com timidez.
—Sim, claro —incentivou Erika.
—Tem lugar pra mais uma nesse clube de pesquisa?
Erika e Siara se olharam surpresas, e em poucos segundos, as duas sorriram.
―Claro! ―Respondeu Erika―. Na verdade, estamos meio curtas de pessoal. Cairia como uma luva ter mais alguém no clube. Se quiser, amanhã mesmo a gente faz a inscrição oficial. Com isso, a chata do centro de estudantes vai parar de encher o saco por um tempo.
—Que chata, hein?
—Sofia Levitz, a loira mala do centro de estudantes —respondeu Siara—. Ela exige pelo menos quatro pessoas dentro do clube pra não fecharem a parada. Você seria essa quarta pessoa.
Sério? Com o quão interessante o clube parece, pensei que já tivessem todas as vagas preenchidas.
—Parece que não tem tanta gente interessada em resolver mistérios —disse Erika—. Mas todo mundo adora uma fofoca. Se a gente tivesse aberto um Clube das Fofoqueiras, já teria umas mil pessoas inscritas.
Oriana achou que essas duas minas eram muito legais e que, com um pouco de esforço, dava pra fazer amizade com elas. Por um momento, ela esqueceu dos vídeos pornô e de toda a treta que envolvia esse rolê. Tava felizona de poder participar de um clube com outras pessoas e que, desde o primeiro momento, já a consideravam um membro essencial. Tava doida pra oficializar a inscrição.

Capítulo 08.
Justiça Social.
Quando a Oriana explicou pra Siara e pra Erika como ela tinha ido parar nos fundos daquele estúdio fotográfico, ela fez questão de enfatizar que foi tudo uma série de coincidências, tipo pegar o pendrive errado ou dar de cara com a loira na cantina do colégio. Mas também deixou claro que não acreditou nem por um segundo que fosse coincidência terem oferecido aquele trabalho de modelo logo depois que ela falou com a Mariela sobre a preocupação de pagar a bolsa. A Oriana desconfiava que a Mariela tinha entrado em contato com a mulher do colégio pra "recrutar" ela.
Mesmo que isso fosse verdade, a Oriana não queria pensar mal da Mariela, não acreditava que a professora dela tivesse recomendado ela com maldade. Talvez ela achasse que a Oriana era o tipo de garota que toparia modelar, ainda mais se o pagamento fosse bom.
De agora em diante, a Oriana não queria mais depender tanto de coincidências, era hora de botar a mão na massa. Mas antes, precisava se convencer. Por que motivo ela arriscaria tanto pra saber se recrutavam atrizes pornô no instituto? Bom, em parte porque afetava ela, já que tinham oferecido a oportunidade de modelar. Mas tinha algo mais? Porque o mais fácil seria recusar a oferta e ficar na dela, sossegada em casa.
Sim, tinha mais uma coisa: as bolsas.
Eu só tinha uma leve suspeita, dois casos nem servem pra montar uma hipótese sólida; mas com uma hipótese meia-boca também dava pra trabalhar. E se as modelos estivessem ligadas, de algum jeito, com as bolsas do instituto?
Depois de pensar muito nessa ideia, a Oriana bolou a hipótese dela, meio meia-boca, mas promissora: Alguém tinha acesso aos dados das meninas bolsistas do instituto e, quando elas mostravam preocupação em não conseguir devolver o dinheiro, uma pessoa oferecia trampo como "modelo".
Claro, não podiam simplesmente chegar pra mina e falar: "Ei, cê tem interesse em ser atriz pornô?". Não sem se expor demais. Mas a Oriana já tava na vantagem. Ela tinha visto o resultado daquele trampo. Pôde ver, em alta definição, até onde a Mariela foi pra cobrir a grana da bolsa dela.
Oriana, além da curiosidade, tem um forte senso de justiça social. Não é do tipo que vai pra uma manifestação reclamar do preço abusivo da passagem de ônibus; mas o sangue ferve quando vê uma injustiça rolando entre os seus… ou quando desconfia que tem algum esquema sujo.
Uma vez, ela conseguiu provar pro pai dela que um fornecedor de laticínios tava passando a perna nele. O cara vendia, a preço normal, produtos que tavam perto de vencer ou já vencidos. Isso fez com que o mercadinho do pai dela ficasse com fama de vender coisa estragada, e só por ser asiático, o povo já julgava. "Desliga os freezers à noite, igual todo comerciante chinês faz", falavam.
Essas palavras irritaram muito a Oriana. Primeiro porque ela não acreditava que todos os comerciantes chineses fossem iguais, além disso, tinha certeza de que essa história de desligar as geladeiras durante a noite também era feita por muitos comerciantes argentinos; e segundo, porque o pai dela nem é chinês… é japonês. Ela disse pra mais de um vizinho: “Meu pai se chama Hideko Takahashi, nem tem nome chinês”. O povo cagou pra isso, mas a Oriana, não.
Ela seguiu o entregador de laticínios e gravou ele colocando na caminhonete produtos de supermercado marcados com o selo "devolução". Depois, conseguiu pegar o mesmo cara arrebentando esse selo e entregando esses produtos no negócio do pai dela... obviamente aceitando uma boa grana no meio do caminho.
A Oriana apresentou isso pra polícia. O entregador tentou se defender dizendo que "a garota chinesa" gravou ele ilegalmente. Mas a lei ficou do lado da Oriana, porque tudo que ela gravou com o celular dela aconteceu na via pública.
O caso foi parar nos jornais locais e causou um baita rebuliço. A Oriana ficou surpresa ao ver quanta gente pediu desculpas pro pai dela. Parece que entenderam que a Hideko Takahashi foi vítima de um golpe.
Desde aquele dia, Oriana prometeu pra si mesma que não ia ficar de braços cruzados se encontrasse alguma injustiça ou um negócio suspeito que pudesse expor. Ela desconfiava que no colégio tinha várias minas que, assim como o pai dela, precisavam de alguém que confiasse nelas e ajudasse a sair de uma situação foda.
Oriana tinha dois caminhos de investigação: podia descobrir quem era a loira e perguntar se ela também tinha ganhado uma bolsa. Também tinha a opção de aparecer no estúdio fotográfico e ver até onde queriam ir com o modelagem. Se era algo honesto ou um jeito rebuscado de contratar atrizes pornô.
Não queria falar com a loira depois da vergonha que passou na cantina, além disso não tinha como encontrar ela. Talvez o acaso fizesse eles se encontrarem de novo. Oriana ia ficar de olho nos corredores do colégio, caso cruzasse com ela.
Por enquanto, a melhor opção tava nas fotos.
O estúdio fotográfico era pequeno e era tocado por uma só pessoa: um cara jovem, de pele bronzeada e cabelo preto bem cortado e penteado. A Oriana explicou que tava ali porque alguém tinha falado que tavam oferecendo trampo. Quando o funcionário comentou que o serviço era de modelar, ela nem se surpreendeu.
—De que tipo de modelagem a gente tá falando… ehhh, qual é o teu nome?
—Meu nome é Alexis. O trampo é bem simples: a gente te dá um conjunto de roupa, você usa numa sessão de fotos e pronto, te pagamos.
—E onde é que ficam essas fotos?
—Num catálogo online… e se você ficar com vergonha de algum conhecido ver, não esquenta com isso. É um site que vem junto com a compra de certos serviços, não é qualquer um que entra. As chances de alguém que te conhece entrar são mínimas.
—De que tipo de serviços estamos falando?
—Produtos de maquiagem, lingerie… e as mesmas roupas que você vai usar pra modelar.
Tudo fazia sentido. Oriana achou que se tratava de alguma marca de prestígio que vendia produtos por meio de um catálogo VIP a preços inflados. Mas tinha muita gente no mundo que adorava comprar coisas que fossem "difíceis de conseguir".
—E mais uma coisa —disse Alexis—. Quem escolhe a roupa é você. Nunca vamos te fazer modelar com algo que você não goste.
—Muito bem. Quando posso começar? —A convicção veio porque queria investigar mais a fundo essa parada; se fosse só por grana, nunca teria aceitado.
—Hoje mesmo, se quiser. Quando eu fechar o local, daqui a meia hora, a gente pode começar com as primeiras fotos.
—E aí, me pagam no primeiro dia?
—Não exatamente. Essas fotos precisam ser aprovadas pela empresa. Se eles aprovarem, aí sim a gente te paga. Eu só ganho dinheiro se eles aprovarem, então temos que dar o nosso melhor no trabalho, senão não recebemos nada — Alexis disse isso enquanto coçava a cabeça, e Oriana achou o gesto muito fofo. Mesmo o garoto parecendo transbordar confiança por todos os poros, e ela saber que ele era um homem gostoso, havia uma certa vulnerabilidade nele. Oriana simpatizou com ele.
O melhor era esperar, trinta minutos passam rápido. A Oriana tirou os fones de ouvido e começou a escutar rock argentino. Desde pequena, sentia fascinação por bandas como La Renga, Los Piojos ou Divididos. Mas dessa vez, durante a espera, quem fez companhia foi o Attaque 77. O Alexis pegou ela cantando baixinho "La gente que habla sola". A Oriana baixou a cabeça e ficou toda vermelha. Achou muito irônico terem pego ela cantando justamente essa música. Logo ela, que não tem amigo nenhum.
De relance, ela viu a Alexis fazendo sinal pra ela, tirou os fones e escutou o que ele queria dizer, torcendo pra não ter nada a ver com aquela história de cantar sozinha.
—Quer dar uma olhada nos conjuntos que tão disponíveis? Se gostar de algum, pode vestir. Assim a gente ganha tempo.
—Tá bom —disse ela, sem muita convicção.
Alexis fez ela entrar numa salinha nos fundos do local, e apontou pra uma estante com várias caixas.
Cada uma é um conjunto diferente, escolhe o que mais te agradar.
—E se não gostar de nenhum?
—Então não tiramos as fotos, simples assim.
Oriana ficou sozinha olhando praquelas caixas, no topo de cada uma tinha uma foto de um manequim vestindo o conjunto. O primeiro que ela viu era uma fantasia de policial que parecia tirada de uma festa à fantasia bem picante. O segundo era ainda pior, uma fantasia de bruxa que não passava de um conjunto de lingerie e um chapéu pontudo.
―Não, definitivamente não.
Continuou fuçando as caixas e se lamentou, porque se quisesse seguir com a pesquisa, teria que escolher alguma, mas todas pareciam eróticas demais. Tudo parecia perdido até que reparou numa das caixas que estava no canto mais afastado da estante. Era um conjunto simples de escritório: camisa branca, saia preta e salto alto. "Isso sim que eu posso usar", pensou.
— Já achei uma coisa — avisei pra Alexis. — Onde posso me vestir?
—Do lado da estante tem uma cortina, atrás dela fica o trocador. Lá você vai achar uma caixa com maquiagem, caso queira se pintar. Não exagera, você não precisa.
Esse comentário fez Oriana sorrir. Ela imaginou que essa história de se maquiar sozinha era só para a sessão de testes, o mais lógico era que tivessem alguma maquiadora pra cuidar das sessões profissionais.
Oriana passou uma base, um pouco de blush e pintou os lábios de um vermelho intenso mas bonito, que contrastava bem com a palidez da pele dela. Se sentiu uma idiota se pintando daquele jeito, porque normalmente ela não gosta de usar maquiagem; mas se as fotos não ficassem boas, não iam chamar ela de novo.
Quando vestiu o conjunto, descobriu que não era tão discreto quanto imaginava. A camisa ficou muito apertada, as tetonas dela ameaçavam estourar os botões a qualquer momento, e a saia colou tanto no corpo que mal dava pra se mexer sem medo de rasgar. As meias de nylon estavam de boa, mas os sapatos eram altos demais, ela não tava acostumada a usar.
Ela saiu do vestiário e lá estava Alexis, arrumando o tripé da câmera.
—Já tá tudo pronto? — ele perguntou.
—Acho que… —disse ela, envergonhada por estar vestida daquele jeito na frente de um estranho, mas Alexis nem olhou duas vezes pra ela.
—Coloca esses óculos, não são de verdade, mas vão dar um toque maneiro nas fotos.
Oriana aceitou aqueles óculos de meia armação, se olhou no espelho e teve que admitir que ficaram muito bons nela, deram um ar intelectual e gostoso. “Gostosa? Eu? Sim, claro…”
Apesar da beleza física dela, a Oriana nunca se enxergou como uma gostosa. A mãe dela tinha se encarregado de ensinar que uma mulher não devia ser orgulhosa nem narcisista.
A sessão de fotos foi muito mais fácil do que ela imaginou. Ela posou para o Alexis, e o cara olhou pra ela como se fosse um manequim. Ela seguiu as instruções dele e, por um momento, esqueceu como aquela roupa ficava no seu corpo voluptuoso… até que, ao se abaixar, alguns botões da camisa se soltaram. No meio, apareceram os peitos apertados da Oriana.
—Ai, não! Que horror! — exclamou, enquanto se cobria com as mãos.
Deu vontade de sair correndo e se trancar no quarto dela.
—Fica tranquila, não tem problema —disse o Alexis—. Comparando com outras fotos, isso ainda é algo bem discreto. Se não te incomodar, eu queria tirar umas fotos suas assim.
—É necessário?
—Não, mas aumentariam as chances de a gente receber… e de você ser contratada de novo.
―Mmm… tá bom.
A ideia não agradava ela, mas sabia que tinha que estar disposta a fazer sacrifícios se quisesse chegar ao fundo da questão.
Ela posou com os braços cruzados debaixo dos peitos e deixou as gêmeas aparecerem um pouco no centro. Não dava pra ver muito, mas pra ela parecia obsceno.
—Foi uma sessão satisfatória —anunciou Alexis—. Tô certo de que vão te pagar. E é bem provável que te chamem de novo, embora… talvez da próxima vez você tenha que usar algum conjunto de lingerie. Não esquece que essa é uma marca que vende, principalmente, lingerie. Você toparia fazer isso?
—Não sei. Vou pensar.
Depois de terminar com essas fotos, ela voltou pro vestiário e vestiu a roupa. Passou o número de telefone dela pro Alexis pra ele entrar em contato e saiu de lá mais rápida que o vento.
Se chamassem ela pra modelar de novo, tentaria fazer mais perguntas. Dessa vez ficou atordoada demais pra pensar direito.
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Durante várias semanas, pra Oriana foi pura rotina assistir às aulas particulares da Mariela. Ela já não via mais assim. Ficar perto da professora dela gerava um emaranhado de emoções contraditórias que ela não sabia como processar. A culpa (por ter invadido a privacidade dela) era a que mais incomodava.
—Tá bem, Oriana? —Perguntou Mariela—. Tô te achando meio tensa.
―Sim, sim… tô bem.
―Tem certeza? Emm… não quer ficar um pouco mais à vontade? Lembra que pra mim não tem problema. Não é dia pra usar tanto agasalho.
Nisso ela tinha razão, a Oriana tinha vestido um moletom preto e uma camiseta de manga comprida. Talvez estivesse bom pra quando ela fosse voltar pra casa, mas naquele exato momento, dentro da casa da Mariela, devia fazer uns vinte e cinco graus.
―Bom, sim… pode ser.
Oriana tirou o moletom junto com a blusa de manga comprida, fez de propósito, não porque fosse uma pervertida, mas porque esperava que isso servisse como um gatilho pra puxar conversa com a professora. Mariela arregalou os olhos feito pires ao ver que Oriana estava só com um sutiã simples de algodão branco, e nada mais.
—Espero que não te importe que… — começou a dizer Oriana.
Ela não terminou a frase porque naquele instante Mariela tirou a blusa. Ela estava usando um sutiã de renda preta que deixava os bicos da buceta meio à mostra.
—Que me incomode o quê?
Oriana soltou uma risadinha. Nunca tinha se sentido tão à vontade na frente de outra pessoa, nem mesmo com o namorado Fernando.
—Mariela, posso te fazer uma pergunta pessoal?
Sim, claro" — a professora olhou para ela com um sorriso simpático.
— Já fez algum trabalho como modelo? — Não queria dar tempo pra Mariela tirar conclusões erradas, por isso completou —. É que me ofereceram um trampo como modelo, fui na primeira sessão, mas não sei se vou continuar com isso. Me deixa meio desconfortável, principalmente porque pediram pra da próxima vez eu modelar só de calcinha e sutiã.
—Ahã… —Mariela não parecia surpresa que tivessem oferecido aquele trabalho pra Oriana—. E o que exatamente tá te preocupando? Cê tem medo do que seus pais vão achar?
—Não, não é isso. Na agência me garantiram que é muito improvável que algum conhecido meu veja essas fotos. O que me preocupa é que nunca gostei da ideia de me aproveitar do meu próprio corpo. Quando tenho uma prova, nem uso decote, porque não quero que o professor ache que tô tentando seduzir ele. Eu quero que o pessoal me valorize pelo meu esforço, ou pela minha inteligência… não pelas minhas tetas.
―Ah, já entendi ―o sorriso de Mariela se alargou―. Você me lembra muito eu mesma. Na primeira vez que modelei, tive exatamente as mesmas dúvidas que você. E acho que com isso já respondo sua pergunta: sim, fui contratada como modelo e também tive que posar de lingerie.
—E como você fez?
—Bom, eu precisava do dinheiro… precisava mesmo. Isso me ajudou a engolir a vergonha.
—Mas… você se divertiu?
—Não, nunca falei isso.
—Não tô entendendo…
—Vamo ver, como é que eu te explico? —Pensou por uns segundos e depois falou—. Vem, vamos pro meu quarto. Lá tem um espelho, vai me ajudar pra tu entender o que eu quero dizer.
O quarto da Mariela era pequeno e simples. Tudo era branco com detalhes em rosa, como se, ao se mudar, ela tivesse realizado a fantasia de ter um quarto que parecesse saído de um conto de fadas. A Oriana ficou surpresa ao se deparar com algo assim, não parecia o quarto de uma mulher adulta, e ela nem imaginava que Mariela amasse tanto o rosa. Mas também não fazia ideia de que Mariela era atriz pornô…
O que mais estranhou foi o espelhozão na parede, bem do lado esquerdo da cama, do mesmo lado que a porta de entrada do quarto. Era enorme, ocupava quase a parede inteira.
—Vem, fica aqui —disse Mariela. As duas mulheres se colocaram entre a cama e o espelho—. O que você vê? —Perguntou Mariela, apontando para o reflexo.
―Pra nós…
Sim, mas o que você vê em nós?
―Hum… que a gente tá com pouca roupa.
—Aja… e você acha que alguém poderia ficar excitado ao nos ver com pouca roupa?
Oriana admirou o reflexo dela e o da professora, era verdade que as duas tinham peitões enormes e chamativos.
—Muita gente curte peitão —começou Oriana, tímida—. Então… acho que sim.
—E se alguém ficar excitado olhando suas tetas, isso te faria mais burra? Tiraria seu valor como pessoa?
―Hmm… não… claro que não.
Mariela arrancou a calça de uma vez, ficando só com uma micro fio dental que sumia entre as nádegas. Ela girou e mostrou a raba no espelho.
—E aí, o que cê acha disso? Cê acha que alguém ficaria excitado se visse minha bunda?
—Tenho certeza que sim.
—Tá bom —Mariela virou de novo de frente—. Isso foi o que eu aprendi quando comecei a modelar. Por mais que eu queira ser dedicada nos estudos e que o pessoal me valorize pela minha inteligência… isso não tira o corpo que eu tenho. Em vez de ter vergonha do meu próprio corpo, comecei a me sentir uma privilegiada. Quando me pediram pra posar usando lingerie bem pequena, que deixava pouco pra imaginação, me convenci de que essas fotos iam dar prazer pra outras pessoas.
―Isso me dá muita vergonha.
—Entendo, não tô dizendo que essa mudança vai rolar da noite pro dia. Comigo levou várias sessões. Mas se quiser, a gente pode fazer um exercício rapidinho pra te ajudar a sofrer menos. Não é porque eu quero que você vire modelo de lingerie erótica, isso é escolha sua. É porque desde que te conheci, percebi que você tem vergonha do próprio corpo… e me dói pra caralho ver uma mina tão gostosa como você se sentindo mal com o próprio corpo. É uma parada que não consigo tolerar.
—Tá tão na cara assim?
—E durante esses meses você não fez nada além de esconder seus peitos, e quase morreu de vergonha no dia em que te vi usando decote pela primeira vez. Você devia usar mais decotes, fica uma gostosa.
—Você também não usa.
—Não uso eles enquanto dou aula, porque seria desconfortável pra outra pessoa… mas como cê vai ver, hoje não me importei de tirar tudo, porque você tirou primeiro.
—Acho que não vou ter coragem de tirar a calça na sua frente.
—Se você não consegue fazer na minha frente, então muito menos vai fazer na frente de uma câmera.
—Tem razão, sou uma burra…
—Não, bobinha não, tímida. A timidez tem seu charme, não pense que não. Mas você tem um corpo muito gostoso, Oriana. Se te contrataram pra ser modelo é porque não te falta nada pra isso. Só precisa de uma pequena mudança de atitude.
E como é que se consegue isso em menos de uma semana? Porque já me marcaram a próxima sessão de fotos, e não sei como vou dar conta.
—A segunda e a terceira sessão de fotos foram as mais difíceis pra mim… porque foi aí que comecei a posar usando lingerie bem erótica. E eu pensava: “Como é que vou fazer pra meu corpo não ficar obsceno com essa roupa?”. Depois descobri que o segredo era fazer exatamente o contrário, tinha que abraçar meu lado mais erótico e curtir. Graças a isso, comecei a me sentir livre — Mariela se posicionou atrás de Oriana, que sentiu o parzão de peitos se apoiando contra suas costas. Os dedos da professora acariciaram o elástico da calça de Oriana —. Se olha no espelho e pensa que tá junto de alguém que você quer excitar. Não importa quem seja, nem precisa ser uma pessoa real, basta imaginar o conceito dessa pessoa. Cê acha que consegue bagunçar os hormônios dela?
—Não.
―Por que não?
—Porque me dá muita vergonha ficar pelada na frente dos outros… sinto que vão rir de mim. Isso acontece até quando tô com meu namorado.
—Talvez seja porque você ainda não tem muita confiança nele… nem confia em si mesma. Mas te garanto uma coisa, Oriana, se eu te visse de lingerie, com certeza ficaria excitada — essas palavras soaram como um sussurro no ouvido de Oriana. O coração dela parou. Será que Mariela estava confessando sua inclinação lésbica? —. E isso aconteceria com qualquer um — a professora acrescentou —. Porque você tem um corpo de matar. Seria capaz de excitar homens e mulheres por igual. — Enquanto falava, foi abaixando a calça dela lentamente —. Não se assuste, você tem uma lingerie muito bonita, mas não deixa de ser algo bem parecido com um biquíni. Pense que está numa piscina, com amigos… você já usou biquíni numa situação assim?
—Não.
—Nunca? E o que você faz quando vai pra praia com seus amigos? Fica vestida?
—É que… não tenho amigos.
Mariela ficou encarando o próprio reflexo no espelho e a própria Oriana. Não conseguia acreditar que uma garota tão gente boa, gostosa e divertida não tivesse amigos.
―O mais próximo de um amigo ―continuou dizendo Oriana― é meu namorado Fernando… e meu irmão, Kaito. Embora ultimamente a gente não converse tanto como antes. Ele tá na dele… ele tem amigos de verdade.
—Bom, a gente pode ser amiga —disse Mariela, apoiando o queixo no ombro de Oriana.
O corpo inteiro da Oriana vibrou e ela sentiu uma onda quentinha percorrendo o corpo dela. Era uma sensação estranha que ela nunca tinha experimentado antes… a sensação de cair nas graças de alguém… de ter uma amiga.
—Sério?
—Claro que sim. Que entre a gente exista uma relação de aluna-professora não significa que a gente não possa ser amiga. Embora seja meio estranho eu estar te cobrando…
—Na real quem te paga é a minha mãe — apressou-se a dizer Oriana —. Eu só cuido de te entregar a grana.
―Bom, acho que isso torna tudo um pouco menos estranho. E já que somos amigas… quer continuar com essa demonstração? Só diz sim se confiar em mim, porque te garanto que a conversa vai ficar bem mais íntima.
Oriana queria que a conversa ficasse mais íntima, e não porque assim pudesse arrancar informações da Mariela, mas porque era algo que ela desejava há anos: ter uma amiga com quem pudesse falar de assuntos bem picantes.
—Sim, confio em você. Vamos em frente —respondeu, com o coração acelerado.
Mariela terminou de tirar a calça dele e depois sentou no meio da cama.
Vem, senta na minha frente" — ele indicou. Oriana fez o que ele pedia. Desse jeito, as costas dela ficaram apoiadas nos peitos de Mariela. "Não para de se olhar no espelho" — ele falou como se estivessem numa sessão de terapia de relaxamento. "Respira fundo e foca na sua própria imagem" — deu uns segundos pra ela se acostumar. "Agora me diz: o que você vê?
―Para mim mesma…
—Se você tivesse que falar pra alguém qual é a parte mais gostosa do seu corpo, o que você responderia?
—A coisa mais gostosa? Sei lá… não me vem nada à cabeça. Não faço ideia do que poderia agradar aquela pessoa.
—Isso não importa, aqui o que vale é o que você gosta. Vamos ver… hmm… por exemplo, seus olhos?
—Não… meus olhos não. São muito… puxados. Muito asiáticos.
—Acho que é isso que os torna tão peculiares.
—E também faz com que as pessoas te discriminem mais, por ser diferente.
―Mmm… pode ser, não vivi sua vida. Não sei como é a vida de uma garota asiática tentando se integrar na Argentina.
—Não é fácil. Já te falei que não tenho amigos?
—Sim, sim… não se preocupa com isso. Agora você tem eu aqui — apoiou o queixo no ombro dela, e Oriana gostou do gesto, fez ela se sentir à vontade —. Quero que seja bem sincera consigo mesma, deixa a modéstia de lado. Se tivesse que ser… sei lá, narcisista por um segundo. O que você mais gosta em você? O que te dá mais orgulho no seu corpo?
―Hmm… esse…
—Vamos, Ori. Sem medo. Ninguém vai te julgar por admitir que teu corpo é gostoso. Olha essa mina no espelho. O que você mais gosta nela?
—As tetas —respondeu Oriana, e na hora ficou vermelha.
―É isso aí… é um bom exemplo. Você tem uns peitos lindos ―as mãos de Mariela se posicionaram bem debaixo dos seios―. Você devia ter muito orgulho deles. Muitas mulheres morrem de vontade de ter uns peitos assim. Sei disso porque pude ver os olhares de inveja de muitas mulheres quando olhavam pros meus peitos… e os seus são ainda maiores que os meus. Quando você fica pelada na frente do espelho, você olha pros seus peitos?
―Hmm… não curto ficar pelada e me olhar no espelho.
—Você devia fazer, é uma prática muito boa pra perder a inibição, pra se amigar com o próprio corpo. Agora imagina uma coisa… quando você estiver posando na frente da câmera, vão te pedir pra usar calcinha e sutiã…
—Ahã…
—Mas acho que não vão pedir pra você tirar ela.
—Espero que não —Oriana não tinha certeza se pediriam isso ou não.
—Fica tranquila, não vão te pedir nada que você não queira fazer. Na minha frente você se animou a usar roupa íntima, até te vejo bem de boa.
—É verdade —Oriana não quis dizer que essa tranquilidade era porque ela estava se divertindo com a Mariela e que esse era o tipo de amizade que ela estava procurando.
—E se você se soltar um pouquinho mais aqui… não acha que vai ser mais fácil ficar de calcinha e sutiã?
— Tá me pedindo pra ficar pelada?
—Não, por enquanto… já basta você tirar o corpete.
—Você realmente acha que isso vai dar certo?
―Talvez… antes eu tinha muita vergonha de me despir na frente dos outros, mas quando tirei as fotos, pensei que mais de uma vez já tinha ficado pelada na frente de uma amiga e que não me importei muito. A ideia é que, quando fizer a sessão de fotos, você se lembre desse momento e diga: “Não me importei tanto de tirar o sutiã na frente da Mariela, menos ainda vou me importar de me verem de calcinha”.
Essa frase fez a Oriana rir.
—Faz muito sentido. Tá bom, me animo… mas só se for você fazendo.
—Não tenho problema nenhum com isso, tenho muita prática em tirar sutiãs.
Oriana tava pensando se ele tava se referindo aos dela ou aos das outras mulheres quando, como num passe de mágica, o corpete dela se soltou. Na hora, Mariela mexeu os dedos com habilidade e terminou de tirar. Os melões enormes da Oriana apareceram no reflexo do espelho. Os bicos dela eram pálidos, quase tanto quanto o resto das tetas, mas estavam bem durinhos.
—Você tem uns peitos lindos, eu disse e mantenho.
Oriana tentou entender como passou de uma conversa normal com sua professora particular para estar de peitos de fora na frente dela. O que será que a mãe dela pensaria se soubesse o que ela estava fazendo naquele momento?
Bom, eu tinha problemas mais sérios com que me preocupar, tipo os pais dela descobrirem as sessões de fotos eróticas. Isso sim que seria um baita problema.
—Gosto dos seus bicos —disse Mariela, as mãos dela subiram devagar por aqueles peitos nus e os dedos se fecharam como pinças sobre os bicos, mas sem apertar demais.
—Valeu…
Oriana virou levemente o rosto, e lá estava Mariela, apoiada no queixo dela. Mariela olhou pra ela e uma vontade irresistível tomou conta. Oriana beijou ela.
Foi um beijo rápido, de uns lábios que se tocam com suavidade e timidez.
Na hora, Oriana se assustou e tentou se afastar da professora.
―Ai, desculpa… não sei por que fiz isso! ―Exclamou, enquanto se apressava a colocar o sutiã de novo―. Foi sem querer. Queria te dar um beijo na bochecha, por me ajudar com isso e… deu errado.
Mariela soltou uma risadinha.
—Não se preocupa, Ori, foi só um acidentezinho, não tem problema.
—Pra mim é diferente… se minha mãe descobrir que beijei uma mulher, ela me mata.
—Acho que não é tudo isso, foi só um roçar, e você mesmo disse: tava tentando me dar um beijo na bochecha.
―Sim sim… mas… hum… acho que já deu. Ficou claro o que tenho que fazer na próxima sessão de fotos. Depois te conto como foi, tá?
—Tá bom, e fica tranquila, não fica quebrando a cabeça à toa.
—Sim, nem vou pensar naquele beijo…
—Não tava falando do beijo, e sim da roupa que você vai usar na sessão de fotos.
—Ah, sim… isso. Também não vou dar muita importância. Vou fazer e pronto.
—Além disso, lembra que vão te pagar.
—Sim, isso vai me fazer bem.
Oriana se vestiu e saiu de lá na maior velocidade. Se sentiu mal por se despedir da Mariela de forma tão drástica e sem nem agradecer, mas tava nervosa demais. Ela tinha beijado ela… mesmo que sem querer… e se a Mariela pensasse que ela tinha intenções lésbicas? Porque ela sabia muito bem que a Mariela tinha. Já tinha visto ela chupar pussy em mais de um vídeo.
Decidiu que teria tempo pra se martirizar com isso mais tarde. Agora, a única coisa que importava era passar pela sessão de fotos e arrancar mais informações da Alexis.
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Graças à conversa íntima com a Mariela, a Oriana conseguiu se desligar durante a sessão de fotos. Usou um conjunto de lingerie que não era tão erótico quanto tinha imaginado. Esqueceu completamente do Alexis e todas as poses obscenas, como ficar de quatro ou abrir as pernas, fez tudo pensando na Mariela. Não porque quisesse excitar a professora, mas para mostrar que tinha aprendido bem a lição. A Oriana quase se sentiu à vontade com o próprio corpo, a vergonha só veio em momentos-chave, tipo quando o Alexis aproximou muito a câmera da buceta dela. Ali, a Oriana sacou que na foto ia aparecer clarinho a divisão da vagina dela. Mas quando pensou que a Mariela ia se orgulhar daquela foto, o medo passou.
—A sessão ficou maravilhosa — disse Alexis, com um sorrisão —. Aqui está a grana pelas fotos da vez passada. Não é muita, porque foi só um teste, mas tenho certeza de que pelas fotos novas vão te pagar o dobro ou o triplo.
—É bom saber disso — Oriana aceitou a prata com empolgação. Mesmo que o trabalho não fosse o que ela preferia, era a primeira vez que ganhava dinheiro com o esforço do próprio trampo, sem que os pais pagassem por ela. — Me falaram que tem um trabalho de modelo que paga ainda mais — Oriana precisou ensaiar essas palavras várias vezes na frente do espelho, não porque fossem complicadas, mas porque tinha medo de não ter coragem de dizê-las… porque depois de falar, tudo ficaria mais obscuro.
—Pode ser… —disse Alexis, enquanto guardava a câmera—. Cê acha que vai dar conta desse trampo? Olha que a roupa que você usou hoje é comportada perto do que pedem naquele… outro trampo. Mas é verdade que pagam bem mais.
—Sim, tenho interesse —esse era o momento que mais medo lhe causava. O que Alexis pediria em troca? Faria ela participar de algum tipo de casting pornô? Pediria que tirasse fotos nua?—. O que eu tenho que fazer?
—Por enquanto, nada. Com as fotos que você tirou hoje já pode ir pra uma primeira entrevista.
—Ah, beleza —disse ele, sorrindo, e isso a tranquilizou pra caralho. Ela não precisava se envolver tanto, só queria juntar informação. — E onde é a entrevista?
—Num estúdio maior que este, deixa eu anotar o endereço pra você. Te sugiro não ir de cara, porque antes precisa editar e apresentar essas fotos, pra galera daquele estúdio dar uma olhada.
—Muito bem. Valeu.
Oriana saiu de lá praticamente pulando de alegria. Tinha conseguido um baita avanço. Com esse endereço, ela poderia descobrir quem estava por trás de toda essa merda e talvez, quando chegasse a hora, simplesmente botasse eles contra a parede sobre o assunto das bolsas e do instituto.
Quando a Oriana contou tudo isso pra Erika e pra Siara, não mencionou a conversa tão íntima que teve com a Mariela, nem falou que teve que posar usando um conjunto de lingerie. Só disse que tirou umas fotos, essas minas não precisavam de tantos detalhes.
O que a Oriana mais gostou foi que a Érika e a Siara ouviram a história toda com o maior interesse, interrompendo só em momentos específicos pra esclarecer algum detalhe.
—Então tu suspeita que alguém do instituto se aproveita das minas bolsistas? —Perguntou Siara, bem séria.
—Sim, não sei exatamente como esse sistema funciona, mas suspeito que mais de uma garota bolsista acabou virando atriz pornô.
Isso amplia bastante o panorama de investigação", disse Erika. "Não se trata mais só da Dalma.
—Quem é Dalma? —Perguntou Oriana.
—A garota do colégio que supostamente tem um vídeo pornô com três caras — disse a Erika —. Com certeza você ouviu falar dela. Quer mais um pouco de chá verde? Eu adoro como eles fazem aqui.
—Não, obrigada, já tô bem —por educação, Oriana não disse que preferia estar num lugar menos “japonês” que um Café-Manga e que o chá verde ela podia tomar todo dia em casa. De qualquer forma, tava se divertindo pra caramba com essas minas—. Não sabia nada sobre o rolê da Dalma.
—Que estranho, todo mundo no colégio tá comentando isso com os amigos —disse Siara. Oriana ficou magoada com esse comentário, não queria contar que não tinha amigos, nem dentro nem fora do colégio. Ninguém tinha ido contar a fofoca pra ela—. Enfim, o que você precisa saber é que a gente tá investigando esse caso. A gente tem um clube no colégio que resolve mistérios envolvendo alunos ou professores. Esse é o nosso primeiro trabalho… e já ficou muito mais sinistro do que eu imaginava.
—Sim, super sinistro —completou Erika—. Se descobrir que a Dalma também foi contratada pra ser atriz pornô… que puta merda vai dar. Embora… isso não encaixa na teoria das garotas bolsistas. A Dalma tem uma situação financeira boa.
—Talvez seja só coincidência o negócio das bolsas —disse Oriana—. Mas não dá pra descartar nenhuma possibilidade.
—Gosto do jeito que essa mina fala —disse Siara, com um sorrisão, algo que não era típico dela.
—Posso fazer uma pergunta pra vocês? —Disse Oriana, com timidez.
—Sim, claro —incentivou Erika.
—Tem lugar pra mais uma nesse clube de pesquisa?
Erika e Siara se olharam surpresas, e em poucos segundos, as duas sorriram.
―Claro! ―Respondeu Erika―. Na verdade, estamos meio curtas de pessoal. Cairia como uma luva ter mais alguém no clube. Se quiser, amanhã mesmo a gente faz a inscrição oficial. Com isso, a chata do centro de estudantes vai parar de encher o saco por um tempo.
—Que chata, hein?
—Sofia Levitz, a loira mala do centro de estudantes —respondeu Siara—. Ela exige pelo menos quatro pessoas dentro do clube pra não fecharem a parada. Você seria essa quarta pessoa.
Sério? Com o quão interessante o clube parece, pensei que já tivessem todas as vagas preenchidas.
—Parece que não tem tanta gente interessada em resolver mistérios —disse Erika—. Mas todo mundo adora uma fofoca. Se a gente tivesse aberto um Clube das Fofoqueiras, já teria umas mil pessoas inscritas.
Oriana achou que essas duas minas eram muito legais e que, com um pouco de esforço, dava pra fazer amizade com elas. Por um momento, ela esqueceu dos vídeos pornô e de toda a treta que envolvia esse rolê. Tava felizona de poder participar de um clube com outras pessoas e que, desde o primeiro momento, já a consideravam um membro essencial. Tava doida pra oficializar a inscrição.
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