3. Mario.
As segundas-feiras são os dias de internação programada na Residência de idosos onde trabalho. Antes chamavam de asilos, mas esse nome não fazia jus à verdade, porque na real nem todo mundo que pede abrigo nessas instituições é velho.
Mario Ortiz foi um desses casos. Tinha só sessenta e três anos, era um homem jovem e viúvo que, se não fosse o Parkinson, teria feito sucesso entre as nossas residentes.
Infelizmente, Mario chegou na resi bem mal, o que, paradoxalmente, diz bem da família dele. Tinha duas filhas que cuidaram dele até então. Porém, aos poucos, as necessidades dele foram ficando cada vez mais numerosas, complexas e constantes. Já não passavam mais de três horas sem que alguém precisasse fazer algo por ele. O tempo é implacável, e o Parkinson também. A saúde de Mario tinha se deteriorado tanto no último ano que as filhas contrataram uma auxiliar de enfermagem, mas mesmo assim já não conseguiam bancar o cuidado dele dia e noite.
Fazia seis meses que Mario tinha parado de comer. Como já não conseguia mais engolir, colocaram uma PEG, uma sonda de alimentação que ligava direto no estômago dele pela barriga. A comida triturada era administrada diretamente por essa sonda. Mario nunca mais ia provar o gosto de um ensopado de costela, nem de melancia, nem de pão fresquinho.
O senhor Ortiz foi ficando paralisado aos poucos. Já estava de cama há uns dois anos e, por causa da altura dele, precisava de duas pessoas para transferi-lo para a cadeira de rodas adaptada. Ficava lá três horas de manhã e mais três à tarde. Cada vez que o colocavam de volta na cama, faziam isso numa posição diferente para evitar que ele desenvolvesse úlceras e escaras. Pelo mesmo motivo, a pele dos cotovelos, joelhos, tornozelos, calcanhares e sacro dele era verificada todo santo dia.
Por mais difícil que fosse acreditar, Mario seria um dos sortudos. As filhas dele amavam ele de verdade, e com Com toda certeza, iam visitá-lo com frequência. Quem cuida de idoso há tempo sabe como as visitas dos parentes vão ser, só de ver quanto tempo eles demoram pra ir embora no primeiro dia. As filhas do Mario esgotaram o horário de visita. Uma delas não conseguiu segurar as lágrimas. Chamava Cristina.
4. Adolescente.
No dia seguinte, a princesa saiu do quarto umas dez horas. Foi direto pra cozinha, nem dormindo nem acordada. Larguei o que tava fazendo e preparei uma tigela de cereal que ela devorou como se fosse tomar dela. Uma de duas: a vegetariana tava com muita fome ou faltava educação. Talvez as duas.
— Ontem à noite tive que trocar de calcinha por sua causa.
Quase me engasgo com um gole de porra quando ouvi aquilo. Minha intenção era incentivar ela a ler e, pelo visto, a ideia de mandar um conto erótico tinha funcionado. Escolhi, não à toa, uma história foda da ShivaScarlata, uma das minhas favoritas.
— Então, você gosta de ler mesmo — falei com sarcasmo.
A garota parou um segundo de mastigar os flocos de milho com chocolate e inclinou a cabeça, pensativa.
— Gostei do que você mandou — ela precisou.
— Tá bom então — falei — Te proponho um trato. Se você ler um romance que eu escolher, te convido pra comer fora. O que acha?
— Eu escolho o lugar — respondeu na hora.
— Que lugar? — perguntei.
— Depende — respondeu sem piscar — Que livro?
Fiquei olhando pra Lorena, certo de que era filha da mãe dela.
— A última confidência do escritor Hugo Mendoza.
— O quê? — disse com a boca cheia de cereal.
Em vez de repetir aquele título comprido, fui até a estante, peguei o livro em questão e, de volta à cozinha, deixei ele em cima da mesa.
— Oitocentas páginas! — disse incrédula.
— Sim, mais ou menos. Você vai demorar menos do que pensa pra ler, vai ver — tentei animar ela.
Lorena pesou o calhamaço que tinha na mão. Percebeu que tinha se precipitado ao aceitar minha proposta, mas já era tarde pra Recuar.
— Bom, eu ia te chamar pra almoçar num lugar aqui do lado, com uns petiscos de dar água na boca, mas se eu tiver que ler isso, vou pensar em algo melhor.
As horas passavam e a mãe da criatura não dava sinal de vida. Vendo que o meio-dia se aproximava e que a Lorena continuava largada no meu sofá, resolvi ligar pra minha ex pra descobrir o que tava rolando. Antes, saí pro quintal dos fundos — tava puto pra caralho e não queria que a Lorena ouvisse a conversa.
— Dá pra saber quando você vai vir? — falei assim que ela atendeu.
— Ela fez alguma coisa?
— Se fez alguma coisa! — repeti estupefato — Não, tá três horas sem sair do sofá!
— Acredito.
— Belén, você disse que viria buscar sua filha — protestei.
— Não, eu não disse isso — negou minha ex — Eu não expulsei ela, Alberto. Foi ela que foi embora, então... se quer voltar, que volte.
Fiquei chocado. Não esperava que a Belén se livrasse da Lorena daquele jeito. A filha dela tinha dezessete anos, era menor de idade. Foi aí que entendi que a Lorena tinha antecipado a maioridade, que tinha se emancipado de vez.
"Você não vai vir" — pensei em voz alta, arrasado com a devastação que a filha dela causaria na minha vida.
— Alberto, a Lorena não é mais uma criança. Tem que pensar no que faz.
Belén foi inflexível, não ia tolerar o comportamento mimado nem as grosserias da filha. A Lorena fazia o que queria e ainda só abria a boca pra reclamar e desrespeitar. Segundo minha ex, a filha precisava de alguém que a fizesse cair na real, mas ela já tinha perdido a paciência. Resumindo, não ia buscar a filha. Mas, claro, enquanto a Lorena ficasse na minha casa, pagaria um aluguel razoável pelo quarto. E foi assim que, do dia pra noite, minha vida de solteiro hedonista foi destruída por uma adolescente e pela mãe que a pariu.
Voltei pra sala. A Lorena continuava digitando no celular numa velocidade impressionante. Sua Os polegares dela voavam como borboletas pela tela do iPhone. Com certeza tava mantendo várias conversas ao mesmo tempo, mandando comentários e pulando de um chat pra outro na maior velocidade. Era uma pena que com aqueles olhões de tigresa ela ficasse o tempo todo no celular.
Comecei a ter certeza de que a Lorena não voltaria com a mãe dela. Por enquanto, não tinha outra escolha a não ser deixar a garota morar na minha casa por um tempo. Não ia mandar aquela pobre coitada pros serviços sociais, não era tão filho da puta assim. "A gente dá um jeito depois", pensei, calculando quando poderia ir ver a mãe dela pessoalmente.
— Cê achou mesmo que ela viria?
Não me incomodou tanto o desprezo da Lorena quanto saber o quão idiota eu tinha sido. Mesmo assim, me surpreendeu a indiferença da garota ao saber que a mãe não viria buscá-la.
Era preciso equilibrar o jogo o mais rápido possível. Senão, aquela intrusa ia se achar nos meus domínios. Por sorte, sábado é dia de limpeza, uma oportunidade perfeita pra filha da Belém entender que a hospedagem na minha casa não era tudo incluído.
— Sábado é dia de limpar — anunciei da porta.
A Lorena me olhou, tentando ver se eu tava falando sério. Quando me viu com o pano numa mão e o spray de banheiro na outra, sacou que não era blefe.
— O que cê prefere, limpar o banheiro ou tirar o pó da casa inteira? — perguntei.
— Um pó — ela respondeu, de sacanagem.
Joguei o pano na cara dela e deixei o spray pra madeira em cima da mesa da sala.
— O resto tá no quartinho da máquina de lavar. Lá fora, no pátio.
O único banheiro da minha casa e eu éramos velhos amigos. Joguei na pia as poucas coisas que tenho em cima do mármore pra limpar a superfície e o espelho de boa. Depois passei um pano no pó que junta na parte de cima do móvel, limpei os vasos e deixei o box meio cagado o melhor que pude. Varri e passei pano no chão, e pronto.
Quando saí do banheiro, Ouvi a filha da Belém cantarolando na sala. Larguei os equipamentos de limpeza no chão e me mandei sorrateiramente até a porta. A garota estava de fones de ouvido, tirando o pó no ritmo de uma música que só ela escutava. Ela acompanhava os movimentos do pano com gritos em inglês e onomatopeias que imitavam riffs de guitarra potentes. Tinha trocado o pijama da Hello Kitty por uma blusa de alcinha e um minishort.
Aos dezessete anos, o corpo da Lorena já tava uma obra-prima, nunca melhor dito. A menina robusta que eu lembrava tinha dado lugar a uma adolescente com curvas femininas evidentes. Ela não tinha um quilo a mais, mas tinha herdado a largura do quadril da mãe. Aqueles pulinhos faziam os peitos firmes dela balançarem, botando as alcinhas da blusa à prova. Pelo jeito que os peitos dela balançavam à vontade, a garota tava sem sutiã de novo.
Lorena se mexia com estilo. Me chamou a atenção, porque dançava com uma graça e um desembaraço que eu nunca tinha visto na mãe dela. Soltinha, rebolava aquele rabão como uma gogó no palco de uma balada. No jeito dela de dançar, tinha muita energia e vontade de se divertir, mas também provocação e safadeza.
Infelizmente, a garota parou de repente e a magia se foi. Ao descobrir que eu tava de olho, Lorena ficou me encarando com a cara torta, mais curiosa do que surpresa. Dois segundos depois, ela riu e começou a rebolar a bunda pra mim com umas reboladas insinuantes. Lorena parecia adorar a situação. A filha da Belém tinha uma bunda gostosa, daquelas que pedem um tapa bem dado. O estilo dela de fazer twerk não tinha nada a invejar daqueles vídeos que circulam no WhatsApp. Se a rebolada dela já tinha me deixado besta, a bunda dela conseguiu me hipnotizar de vez.
Aquela performance tava sem a música que só ela ouvia pelos fones. Mesmo assim, os movimentos provocantes... Os movimentos da garota eram igualmente eficazes, e a tensão na minha virilha era prova disso. Lorena rebolava a bunda no ar como uma dançarina experiente, sensual demais para seus dezessete anos. Minha ereção incipiente e desconfortável me aconselhou a sair dali. Não foi fácil, o rebolado de Lorena era hipnótico. Os movimentos da filha de Belén transformaram meus pensamentos em pecado, se não em crime. Tive que reunir toda minha força de vontade para tapar os olhos e me virar. Uma vez a salvo na cozinha, reconheci que aquela adolescente acabara de detonar uma moralidade que eu achava à prova de balas.
Aliás, ainda não me apresentei. Meu pai quis me chamar de Alberto em memória de um irmão dele que morreu de leucemia quando criança. Para quem ainda não me conhece, digo que não faz muito tempo que completei trinta anos e moro no sul da Espanha. Sou bem alto, meço um metro e oitenta. Minha pele é tão morena que já teve quem perguntasse se tenho sangue cigano. Pode ser que sim, quem sabe, mas o fato é que sou viciado em esporte e ar livre. Sempre gostei de me vestir bem, não sou daqueles que vestem qualquer coisa que pegam. Na verdade, gasto uma boa grana com roupas, e foram as próprias vendedoras da minha loja preferida que me ensinaram o que combina e o que não combina. Uma ex disse que meus olhos parecem com os do Richard Gere, mas eu uso uma barba curta que aparo a cada três ou quatro dias. Por último, e mesmo correndo o risco de ser vulgar, direi que tenho entre as pernas mais do que a maioria das mulheres aguenta na boca. No entanto, de que adianta ter uma boa ferramenta se você não sabe usá-la.
No domingo à tarde, Lorena e eu começamos a negociar, a estabelecer cláusulas para nossa convivência. Eu não estava disposto a ter uma ocupante na minha casa se tocando o dia inteiro. Regras, todas as coisas devem seguir uma ordem, um padrão, um código, senão vira caos, um caos exasperante e destrutivo. Chegamos facilmente a acordaram sobre regras de ordem, limpeza, barulho e comida. Custou um pouco mais acertar horários de entrada e saída, e as negociações emperraram de vez quando chegaram na parte da educação. Lorena não tava a fim de terminar o ensino médio. Mas, quando eu dei a opção entre ir pra aula ou voltar pra mãe dela, a garota não teve dúvidas.
Na segunda-feira, a rotina começou e tudo foi se normalizando. Eu acordava cedo pra ir trabalhar, esperançoso de que ela fosse pro colégio. Depois do almoço, Lorena vagabundeava até a hora de ir pra aula de inglês e, de lá, pra academia. Mesmo me preocupando, eu resistia em fiscalizar a educação da filha da Belén. Mas ia ter que esclarecer o assunto com a mãe dela.
A garota só voltava na hora do jantar. Depois, a gente conversava um pouco enquanto um dos dois lavava a louça. Eu tentava fazer com que ela contasse o que tava preocupando, o que queria, o que uma amiga tinha feito, o que tinha rolado no colégio, etc. Sinceramente, eu agradecia por ter companhia de novo. Mas, em alguns dias, a filha da Belén se trancava no quarto na hora, pra estudar ou fazer lição de casa, ou pelo menos era o que se supunha.
Sempre gostei de aproveitar aquele momento de paz depois do jantar pra desligar e relaxar. Com o tempo, esse costume virou uma necessidade. Ler alguma coisa, ouvir música enquanto escrevia, qualquer coisa que me deixasse escapar das coisas do trabalho e dos problemas urgentes de estar vivo. Mas, quando Lorena tomava conta do sofá, eu não ficava puto. Pelo contrário, me sentia sortudo por ter uma mina tão jovem e gostosa pra admirar. Eu colocava o notebook na mesa da sala e sentava pra escrever enquanto os olhos dela mergulhavam no celular. Então, troquei parte do meu território tranquilo pelo mundo turbulento de uma adolescente dezessete anos mais nova que eu.
Lorena sabia exibir a sua bucetinha lisinha encantos. Igual que muitas garotas da idade dela, quando Lorena saía na rua, costumava usar leggings esportivos, shorts curtíssimos e jeans apertados. Na real, ela usava qualquer peça cuja costura se moldasse ao sulco da bunda dela e anunciasse aos quatro ventos que tava de fio dental. Também usava muito uma saia xadrez que um dia distante devia ter feito parte do uniforme escolar, mas cuja barra agora mal batia na metade das coxas. Quanto à parte de cima, a filha da Belém adorava moletons. Sempre usava eles com o zíper no meio, como se o tamanho dos peitos impedisse de subir mais. Claro, por baixo desses moletons, Lorena costumava usar blusas e tops com decotes variados, todos infalíveis.
Por sorte, eu já não era um vinteão insaciável. Fazia tempo que preferia qualidade à quantidade, as casadas às solteiras, as generosas às bonitas. Mas não vamos nos enganar, nem a filha da Belém era uma santa, nem eu era de pedra. Logo percebi que não conseguia evitar um começo de ereção toda vez que a gostosa colocava os pés na mesinha da sala, toda vez que exibia aquelas peras com certificado de origem.
Lorena andava apertada e exuberante até o fim da tarde. Aí, quando já não pensava em sair, vestia um pijama de algodão inocente pra ficar confortável. Era um conjunto rosa e branco combinando com o desenho grandão da Hello Kitty na parte de cima. Era infantil demais em contraste com a voluptuosidade do corpo dela.
Lorena tomava banho assim que chegava em casa. Por mais aromatizante e desodorante que borrifassem, na academia que ela frequentava tinha uma mistura insalubre de cheiros, suores e perfumes que poluía o ar do lugar. Dezenas, talvez centenas de mulheres suadas trocavam de roupa todo dia naquele vestiário.
Numa dessas tardes, Lorena me chamou aos berros do banheiro. Tinha esquecido de pegar uma calcinha limpa. e ela me pediu por favor que le levasse. Tive que ir até o quarto dela, lá estava a cômoda que ela tinha ocupado com toda a roupa dela, a mesma onde antes eu tirava a roupa que não usava mais. Ao entrar, me deparei com toda a roupa dela espalhada em cima da cama. No chão, encostados num canto, as meias e uma calcinha fio-dental preta. Fiquei olhando fixamente pra ela, feito uma coruja espiando um ratinho no meio do mato. Embora aquela calcinha fio-dental gritasse pra eu pegar e analisar com todos os cinco sentidos, eu não fiz isso. Abri a gaveta que a garota tinha dito, peguei umas calcinhas e saí de lá como quem viu o capeta.
— Lorena — chamei.
Quando a garota abriu a porta do banheiro, meu instinto me pregou uma peça. Eu tinha acabado de gastar toda minha força de vontade pra evitar pegar a calcinha fio-dental dela do chão e, no menor dos instantes em que Lorena pegava a calcinha dela, contemplei o corpo dela refletido no espelho do banheiro. Lorena se abaixando e colocando os pés na calcinha, aquele quadro ficaria gravado na minha retina pra sempre.
A pele dos ombros dela salpicada de gotinhas de água brilhava como um halo celestial. Lorena tinha menos peito do que eu imaginava. A silhueta dela se acentuava ao descer pros quadris. Ali, os movimentos graciosos dela ao vestir a calcinha revelaram um púbis triangular e escuro como um abismo.
5. Finalistas, os que estão no fim.
Pra Cristina, ter que internar o pai dela num asilo tinha sido uns dias de angústia e centenas de lágrimas. O pai dela a tinha guiado na vida, empurrado concurso após concurso até que ela conseguiu o cargo de professora. Como ia abandonar aquele que sempre esteve atento a ela? Como ia deixar num asilo quem a tinha ajudado a se levantar depois de cada tropeço, quem a tinha ajudado a alcançar os objetivos dela, abrir caminho na vida e não depender de ninguém?
No entanto, no fim Cristina teve que aceitar que era o melhor. Não só o melhor pro pai dela, que estaria num Mãos de profissionais atentos às suas necessidades dia e noite, mas também o melhor para ela, sua irmã Milagros e suas respectivas famílias.
As filhas, genros e netos de Mario tinham sofrido com ele a deterioração progressiva da sua mobilidade, a atrofia implacável do seu corpo nos últimos seis anos.
No dia em que Cristina me viu levantar o pai dela depois da sesta, começou a ver aquele panorama sombrio se dissipar.
— Mario! Vai pra cima, que na cama a prima de risco sobe um décimo!
Sorri diante do gesto atônito da filha dele.
— É que na segunda as colegas me disseram que a gente tinha um banqueiro, e eu pensei: “Porra, Mario Conde! Vamos ficar ricas!” — falei num tom debochado que tirou Seu Mario do torpor.
A risada atrapalhada, mas sincera, de Seu Mario fez os olhos da filha dele brilharem de alegria.
Continuei soltando besteiras enquanto Cristina me ajudava a lavar o rosto do pai e a passar o iogurte diluído pela sonda PEG. Depois, colocamos ele juntos na cadeira de rodas e pedi pra elegante senhora se podia levar o pai dela pro jardim enquanto eu continuava colocando ordem no resto dos meus velhinhos.
Cruzei com a Montse e notei que ela tinha soltado mais um botão da blusa. Minha colega é, sem dúvida, uma mulher ousada e sabe que tem as melhores tetas da residência. Lambi os lábios pensando que muito em breve a gente ia se encontrar de novo no turno da noite.
Mario tinha sido o último dos três finalistas que eu tinha selecionado pra uma morte digna. Nessa lista curta também estava Dona Eusébia, uma velhinha de olhar sempre suplicante que já contava com noventa e seis longos invernos. Caquética e atrofiada em posição fetal como estava, se ela pegasse na sua blusa, não tinha jeito de abrir o punho dela.
A terceira e última das minhas candidatas era Dona Hortência. Pelo que me contaram, aquela velha tinha sido uma arpia avarenta e briguenta a vida inteira. Como costuma acontecer, a demência que ela tinha trouxe à tona a essência da alma dela. Dona Hortênsia era um perigo pro resto dos velhinhos. Batia, arranhava, xingava e empurrava todo mundo, tinha que ficar de olho. Enquanto os relaxantes em grande quantidade conseguiam mantê-la mansa, Hortênsia ficava à vontade, indo e vindo agarrada no corrimão. Mas era comum encontrar a cadeira de rodas dela amarrada no fim do corredor se ela tivesse feito alguma das dela.
6. Lolita.
Desde que o telefone tinha deixado de servir pra falar com os outros, eu procurava usar o mínimo possível. Eu era assim, primitivo, e por isso uma das regras que me impunha era não olhar pra ele depois do jantar. Foi o que expliquei pra Lorena. Queria que ela soubesse o quanto era chato ficar na frente de uma zumbi que não tirava os olhos da tela, resmungando e teclando sem parar. Eu não queria impor minhas regras, e até falei pra menina que ela podia ir pro quarto dela também.
Num show de força de vontade, a filha da Belén largou o celular na mesa e aí o milagre aconteceu, começamos a conversar. Os dezessete anos de diferença entre a gente não foram obstáculo pra bater um papo sobre vício em celular, globalização, o 15M, mudança climática ou a importância de tirar a carteira de motorista.
Entre brincadeiras e risadas, percebi que a Lorena gostava de conversar, se gabando de uma sensatez que não era comum pra alguém da idade dela. Na real, ela já tinha mostrado coragem ao largar a segurança da casa da família. No começo, eu tinha achado que a emancipação precoce da Lorena era por pura incompatibilidade de gênio com a mãe, mas, conversando com a menina, entendi que o que a levou a se virar sozinha foi a vontade de ser uma pessoa independente. Não quis ser chato, então deixei pra depois a ideia de tentar fazer ela assumir também a responsabilidade com os estudos.
Os assuntos foram se sucedendo um atrás do outro, até que começamos a contar todo tipo de história que tinha acontecido. Durante as férias, no trampo, fazendo compras, na bebedeira… Tava exatamente contando como perdi as chave do carro por causa daquele gin-tônica fatídico quando, aproveitando uma pausa, a Lorena me perguntou na lata quanto tempo eu tava sem comer uma mulher.Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.Aquela pergunta me deixou tão desconcertado que me vi obrigado a ir dormir para não responder.
Fazia um mês que eu não sentia o gosto da pele feminina. Foi no começo do mês de abril.
— É novo? — perguntei apontando pro pingente que minha colega Montse usava no decote vertiginoso.
— Sim, ganhei de aniversário — respondeu ela, se referindo ao Carlos, o marido dela.
Montse me olhava de um jeito safado enquanto brincava com os dedos na pequena estrela de ouro que enfeitava a parte de cima dos peitos dela. Podia ser uma mulher madura, mas o corpo dela ainda conservava quase todo o esplendor. Além disso, Montse era uma mulher inteligente que sabia tirar proveito daqueles encantos enormes.
Carlos, por outro lado, era um cara gordo e tranquilo cujos passeios matinais sempre terminavam no bar. Além de ser mais velho que ela, o marido a superava em mais de quarenta quilos. Carlos tinha trabalhado como gerente numa agência de publicidade, mas tinha aceitado a aposentadoria parcial que lhe ofereceram e, aos sessenta anos, o marido de Montse vivia na moleza, sem preocupação nenhuma.
Minha colega ficava com o tesão nas alturas descrevendo os chifres do marido. Segundo ela, cresciam grossos e curvos das duas têmporas e se erguiam sobre a cabeça dele com um porte idêntico ao do meu pau. Montse jurava que era só imaginar a galhada do marido que ela gozava quando transava com ele.
Naqueles encontros furtivos a gente só tinha meia hora, então as preliminares eram só uns beijos e mordidas enquanto a gente se despia na pressa.
Montse era tão única no sexo quanto em tudo o mais. Na primeira vez que a gente trepou, meu revólver disparou acidentalmente entre os lábios dela. Foi um desastre, o esperma não só inundou a boca dela como também respingou no cabelo e em todo o lado direito do rosto. Eu me desculpei todo envergonhado, mas ela sorriu e não deu a menor importância. Montse confessou o quanto adorava ter na a boca, a ereção de um homem atraente e reconheceu que adorava chupar um pau gostoso tanto quanto transar. A Montse se divertia em levá-los ao limite com lambidas, chupadas e mil joguinhos a mais. Consequentemente, mesmo que o sabor não agradasse, minha colega de trabalho tinha se acostumado com os homens gozando, seja na boca dela, seja no rosto e nos peitões dela.
Para aquela mulher, o pau de um homem sempre foi algo pra botar na boca. Desde que seu corpo voluptuoso amadureceu e se abriu ao desejo sexual, Montse se masturbava fantasiando com ter o pau de um homem adulto entre os lábios. Ela ainda estava no Ensino Médio quando estreou com o cacete do seu jovem e gato professor de matemática. Aquele foi, no entanto, um péssimo começo. Na sua ingenuidade pueril, Montse não imaginava que o sêmen sairia com tanta força nem em tanta quantidade e, como aquele bruto não a deixou se afastar quando ela começou a engasgar, ela acabou vomitando o sanduíche de mortadela que a mãe tinha preparado naquela manhã.Desde aquele dia, um monte de pica já tinha passado entre os lábios dela. Também me encurralou na boca dela na última vez que a gente se pegou, mas dessa vez consegui me desvencilhar antes que a Montse me deixasse sem força de vontade. Me deitei de barriga pra cima na maca e, fazendo questão de mostrar uma agilidade e ousadia que não são normais pra uma mulher da idade dela, minha parceira se agachou em cima de mim. A Montse pegou meu pau pra deixar ele em pé e se enfiou nele até o estômago.
Como minha parceira tinha feito laqueadura, não precisava usar camisinha, então eu sentia cada detalhe do meu pau entrando e saindo da buceta dela. Da minha posição privilegiada, dava pra ver os peitões dela balançando no ritmo das idas e vindas e, entre os peitos, a estrelinha de ouro que o marido deu de aniversário.
Me sentei pra poder chupar os bicos dos peitos dela, primeiro um e depois o outro. Essa carícia delicada fez ela gemer. Eu adorava o jeito que ela mexia a cintura, mas senti a vontade de possuir ela. Agarrei ela pelas nádegas e, levantando ela no ar, comecei a fazer ela subir e descer no meu pau.Montse abriu os olhos espantada.Mesmo que ela começou a delirar que nem uma louca, eu continuei enfiando nela sadicamente na minha vara. Ela tava montada em cima de mim, mas era eu quem movia o corpo dela pra cima e pra baixo. No final, a Montse apertou as coxas com o começo de um orgasmo histérico.Deixei ela cair sobre meu pau pra se contorcer de prazer e, bem na hora, eu entrei em erupção. Comecei a jorrar meu magma quente dentro do útero daquela mulher casada. Me afastei um pouco e contemplei com orgulho o espetáculo indecente. Era tanta porra que uma parte começou a vazar da buceta entupida dela.
CONTINUA…
As segundas-feiras são os dias de internação programada na Residência de idosos onde trabalho. Antes chamavam de asilos, mas esse nome não fazia jus à verdade, porque na real nem todo mundo que pede abrigo nessas instituições é velho.
Mario Ortiz foi um desses casos. Tinha só sessenta e três anos, era um homem jovem e viúvo que, se não fosse o Parkinson, teria feito sucesso entre as nossas residentes.
Infelizmente, Mario chegou na resi bem mal, o que, paradoxalmente, diz bem da família dele. Tinha duas filhas que cuidaram dele até então. Porém, aos poucos, as necessidades dele foram ficando cada vez mais numerosas, complexas e constantes. Já não passavam mais de três horas sem que alguém precisasse fazer algo por ele. O tempo é implacável, e o Parkinson também. A saúde de Mario tinha se deteriorado tanto no último ano que as filhas contrataram uma auxiliar de enfermagem, mas mesmo assim já não conseguiam bancar o cuidado dele dia e noite.
Fazia seis meses que Mario tinha parado de comer. Como já não conseguia mais engolir, colocaram uma PEG, uma sonda de alimentação que ligava direto no estômago dele pela barriga. A comida triturada era administrada diretamente por essa sonda. Mario nunca mais ia provar o gosto de um ensopado de costela, nem de melancia, nem de pão fresquinho.
O senhor Ortiz foi ficando paralisado aos poucos. Já estava de cama há uns dois anos e, por causa da altura dele, precisava de duas pessoas para transferi-lo para a cadeira de rodas adaptada. Ficava lá três horas de manhã e mais três à tarde. Cada vez que o colocavam de volta na cama, faziam isso numa posição diferente para evitar que ele desenvolvesse úlceras e escaras. Pelo mesmo motivo, a pele dos cotovelos, joelhos, tornozelos, calcanhares e sacro dele era verificada todo santo dia.
Por mais difícil que fosse acreditar, Mario seria um dos sortudos. As filhas dele amavam ele de verdade, e com Com toda certeza, iam visitá-lo com frequência. Quem cuida de idoso há tempo sabe como as visitas dos parentes vão ser, só de ver quanto tempo eles demoram pra ir embora no primeiro dia. As filhas do Mario esgotaram o horário de visita. Uma delas não conseguiu segurar as lágrimas. Chamava Cristina.
4. Adolescente.
No dia seguinte, a princesa saiu do quarto umas dez horas. Foi direto pra cozinha, nem dormindo nem acordada. Larguei o que tava fazendo e preparei uma tigela de cereal que ela devorou como se fosse tomar dela. Uma de duas: a vegetariana tava com muita fome ou faltava educação. Talvez as duas.
— Ontem à noite tive que trocar de calcinha por sua causa.
Quase me engasgo com um gole de porra quando ouvi aquilo. Minha intenção era incentivar ela a ler e, pelo visto, a ideia de mandar um conto erótico tinha funcionado. Escolhi, não à toa, uma história foda da ShivaScarlata, uma das minhas favoritas.
— Então, você gosta de ler mesmo — falei com sarcasmo.
A garota parou um segundo de mastigar os flocos de milho com chocolate e inclinou a cabeça, pensativa.
— Gostei do que você mandou — ela precisou.
— Tá bom então — falei — Te proponho um trato. Se você ler um romance que eu escolher, te convido pra comer fora. O que acha?
— Eu escolho o lugar — respondeu na hora.
— Que lugar? — perguntei.
— Depende — respondeu sem piscar — Que livro?
Fiquei olhando pra Lorena, certo de que era filha da mãe dela.
— A última confidência do escritor Hugo Mendoza.
— O quê? — disse com a boca cheia de cereal.
Em vez de repetir aquele título comprido, fui até a estante, peguei o livro em questão e, de volta à cozinha, deixei ele em cima da mesa.
— Oitocentas páginas! — disse incrédula.
— Sim, mais ou menos. Você vai demorar menos do que pensa pra ler, vai ver — tentei animar ela.
Lorena pesou o calhamaço que tinha na mão. Percebeu que tinha se precipitado ao aceitar minha proposta, mas já era tarde pra Recuar.
— Bom, eu ia te chamar pra almoçar num lugar aqui do lado, com uns petiscos de dar água na boca, mas se eu tiver que ler isso, vou pensar em algo melhor.
As horas passavam e a mãe da criatura não dava sinal de vida. Vendo que o meio-dia se aproximava e que a Lorena continuava largada no meu sofá, resolvi ligar pra minha ex pra descobrir o que tava rolando. Antes, saí pro quintal dos fundos — tava puto pra caralho e não queria que a Lorena ouvisse a conversa.
— Dá pra saber quando você vai vir? — falei assim que ela atendeu.
— Ela fez alguma coisa?
— Se fez alguma coisa! — repeti estupefato — Não, tá três horas sem sair do sofá!
— Acredito.
— Belén, você disse que viria buscar sua filha — protestei.
— Não, eu não disse isso — negou minha ex — Eu não expulsei ela, Alberto. Foi ela que foi embora, então... se quer voltar, que volte.
Fiquei chocado. Não esperava que a Belén se livrasse da Lorena daquele jeito. A filha dela tinha dezessete anos, era menor de idade. Foi aí que entendi que a Lorena tinha antecipado a maioridade, que tinha se emancipado de vez.
"Você não vai vir" — pensei em voz alta, arrasado com a devastação que a filha dela causaria na minha vida.
— Alberto, a Lorena não é mais uma criança. Tem que pensar no que faz.
Belén foi inflexível, não ia tolerar o comportamento mimado nem as grosserias da filha. A Lorena fazia o que queria e ainda só abria a boca pra reclamar e desrespeitar. Segundo minha ex, a filha precisava de alguém que a fizesse cair na real, mas ela já tinha perdido a paciência. Resumindo, não ia buscar a filha. Mas, claro, enquanto a Lorena ficasse na minha casa, pagaria um aluguel razoável pelo quarto. E foi assim que, do dia pra noite, minha vida de solteiro hedonista foi destruída por uma adolescente e pela mãe que a pariu.
Voltei pra sala. A Lorena continuava digitando no celular numa velocidade impressionante. Sua Os polegares dela voavam como borboletas pela tela do iPhone. Com certeza tava mantendo várias conversas ao mesmo tempo, mandando comentários e pulando de um chat pra outro na maior velocidade. Era uma pena que com aqueles olhões de tigresa ela ficasse o tempo todo no celular.
Comecei a ter certeza de que a Lorena não voltaria com a mãe dela. Por enquanto, não tinha outra escolha a não ser deixar a garota morar na minha casa por um tempo. Não ia mandar aquela pobre coitada pros serviços sociais, não era tão filho da puta assim. "A gente dá um jeito depois", pensei, calculando quando poderia ir ver a mãe dela pessoalmente.
— Cê achou mesmo que ela viria?
Não me incomodou tanto o desprezo da Lorena quanto saber o quão idiota eu tinha sido. Mesmo assim, me surpreendeu a indiferença da garota ao saber que a mãe não viria buscá-la.
Era preciso equilibrar o jogo o mais rápido possível. Senão, aquela intrusa ia se achar nos meus domínios. Por sorte, sábado é dia de limpeza, uma oportunidade perfeita pra filha da Belém entender que a hospedagem na minha casa não era tudo incluído.
— Sábado é dia de limpar — anunciei da porta.
A Lorena me olhou, tentando ver se eu tava falando sério. Quando me viu com o pano numa mão e o spray de banheiro na outra, sacou que não era blefe.
— O que cê prefere, limpar o banheiro ou tirar o pó da casa inteira? — perguntei.
— Um pó — ela respondeu, de sacanagem.
Joguei o pano na cara dela e deixei o spray pra madeira em cima da mesa da sala.
— O resto tá no quartinho da máquina de lavar. Lá fora, no pátio.
O único banheiro da minha casa e eu éramos velhos amigos. Joguei na pia as poucas coisas que tenho em cima do mármore pra limpar a superfície e o espelho de boa. Depois passei um pano no pó que junta na parte de cima do móvel, limpei os vasos e deixei o box meio cagado o melhor que pude. Varri e passei pano no chão, e pronto.
Quando saí do banheiro, Ouvi a filha da Belém cantarolando na sala. Larguei os equipamentos de limpeza no chão e me mandei sorrateiramente até a porta. A garota estava de fones de ouvido, tirando o pó no ritmo de uma música que só ela escutava. Ela acompanhava os movimentos do pano com gritos em inglês e onomatopeias que imitavam riffs de guitarra potentes. Tinha trocado o pijama da Hello Kitty por uma blusa de alcinha e um minishort.
Aos dezessete anos, o corpo da Lorena já tava uma obra-prima, nunca melhor dito. A menina robusta que eu lembrava tinha dado lugar a uma adolescente com curvas femininas evidentes. Ela não tinha um quilo a mais, mas tinha herdado a largura do quadril da mãe. Aqueles pulinhos faziam os peitos firmes dela balançarem, botando as alcinhas da blusa à prova. Pelo jeito que os peitos dela balançavam à vontade, a garota tava sem sutiã de novo.
Lorena se mexia com estilo. Me chamou a atenção, porque dançava com uma graça e um desembaraço que eu nunca tinha visto na mãe dela. Soltinha, rebolava aquele rabão como uma gogó no palco de uma balada. No jeito dela de dançar, tinha muita energia e vontade de se divertir, mas também provocação e safadeza.
Infelizmente, a garota parou de repente e a magia se foi. Ao descobrir que eu tava de olho, Lorena ficou me encarando com a cara torta, mais curiosa do que surpresa. Dois segundos depois, ela riu e começou a rebolar a bunda pra mim com umas reboladas insinuantes. Lorena parecia adorar a situação. A filha da Belém tinha uma bunda gostosa, daquelas que pedem um tapa bem dado. O estilo dela de fazer twerk não tinha nada a invejar daqueles vídeos que circulam no WhatsApp. Se a rebolada dela já tinha me deixado besta, a bunda dela conseguiu me hipnotizar de vez.
Aquela performance tava sem a música que só ela ouvia pelos fones. Mesmo assim, os movimentos provocantes... Os movimentos da garota eram igualmente eficazes, e a tensão na minha virilha era prova disso. Lorena rebolava a bunda no ar como uma dançarina experiente, sensual demais para seus dezessete anos. Minha ereção incipiente e desconfortável me aconselhou a sair dali. Não foi fácil, o rebolado de Lorena era hipnótico. Os movimentos da filha de Belén transformaram meus pensamentos em pecado, se não em crime. Tive que reunir toda minha força de vontade para tapar os olhos e me virar. Uma vez a salvo na cozinha, reconheci que aquela adolescente acabara de detonar uma moralidade que eu achava à prova de balas.
Aliás, ainda não me apresentei. Meu pai quis me chamar de Alberto em memória de um irmão dele que morreu de leucemia quando criança. Para quem ainda não me conhece, digo que não faz muito tempo que completei trinta anos e moro no sul da Espanha. Sou bem alto, meço um metro e oitenta. Minha pele é tão morena que já teve quem perguntasse se tenho sangue cigano. Pode ser que sim, quem sabe, mas o fato é que sou viciado em esporte e ar livre. Sempre gostei de me vestir bem, não sou daqueles que vestem qualquer coisa que pegam. Na verdade, gasto uma boa grana com roupas, e foram as próprias vendedoras da minha loja preferida que me ensinaram o que combina e o que não combina. Uma ex disse que meus olhos parecem com os do Richard Gere, mas eu uso uma barba curta que aparo a cada três ou quatro dias. Por último, e mesmo correndo o risco de ser vulgar, direi que tenho entre as pernas mais do que a maioria das mulheres aguenta na boca. No entanto, de que adianta ter uma boa ferramenta se você não sabe usá-la.
No domingo à tarde, Lorena e eu começamos a negociar, a estabelecer cláusulas para nossa convivência. Eu não estava disposto a ter uma ocupante na minha casa se tocando o dia inteiro. Regras, todas as coisas devem seguir uma ordem, um padrão, um código, senão vira caos, um caos exasperante e destrutivo. Chegamos facilmente a acordaram sobre regras de ordem, limpeza, barulho e comida. Custou um pouco mais acertar horários de entrada e saída, e as negociações emperraram de vez quando chegaram na parte da educação. Lorena não tava a fim de terminar o ensino médio. Mas, quando eu dei a opção entre ir pra aula ou voltar pra mãe dela, a garota não teve dúvidas.
Na segunda-feira, a rotina começou e tudo foi se normalizando. Eu acordava cedo pra ir trabalhar, esperançoso de que ela fosse pro colégio. Depois do almoço, Lorena vagabundeava até a hora de ir pra aula de inglês e, de lá, pra academia. Mesmo me preocupando, eu resistia em fiscalizar a educação da filha da Belén. Mas ia ter que esclarecer o assunto com a mãe dela.
A garota só voltava na hora do jantar. Depois, a gente conversava um pouco enquanto um dos dois lavava a louça. Eu tentava fazer com que ela contasse o que tava preocupando, o que queria, o que uma amiga tinha feito, o que tinha rolado no colégio, etc. Sinceramente, eu agradecia por ter companhia de novo. Mas, em alguns dias, a filha da Belén se trancava no quarto na hora, pra estudar ou fazer lição de casa, ou pelo menos era o que se supunha.
Sempre gostei de aproveitar aquele momento de paz depois do jantar pra desligar e relaxar. Com o tempo, esse costume virou uma necessidade. Ler alguma coisa, ouvir música enquanto escrevia, qualquer coisa que me deixasse escapar das coisas do trabalho e dos problemas urgentes de estar vivo. Mas, quando Lorena tomava conta do sofá, eu não ficava puto. Pelo contrário, me sentia sortudo por ter uma mina tão jovem e gostosa pra admirar. Eu colocava o notebook na mesa da sala e sentava pra escrever enquanto os olhos dela mergulhavam no celular. Então, troquei parte do meu território tranquilo pelo mundo turbulento de uma adolescente dezessete anos mais nova que eu.
Lorena sabia exibir a sua bucetinha lisinha encantos. Igual que muitas garotas da idade dela, quando Lorena saía na rua, costumava usar leggings esportivos, shorts curtíssimos e jeans apertados. Na real, ela usava qualquer peça cuja costura se moldasse ao sulco da bunda dela e anunciasse aos quatro ventos que tava de fio dental. Também usava muito uma saia xadrez que um dia distante devia ter feito parte do uniforme escolar, mas cuja barra agora mal batia na metade das coxas. Quanto à parte de cima, a filha da Belém adorava moletons. Sempre usava eles com o zíper no meio, como se o tamanho dos peitos impedisse de subir mais. Claro, por baixo desses moletons, Lorena costumava usar blusas e tops com decotes variados, todos infalíveis.
Por sorte, eu já não era um vinteão insaciável. Fazia tempo que preferia qualidade à quantidade, as casadas às solteiras, as generosas às bonitas. Mas não vamos nos enganar, nem a filha da Belém era uma santa, nem eu era de pedra. Logo percebi que não conseguia evitar um começo de ereção toda vez que a gostosa colocava os pés na mesinha da sala, toda vez que exibia aquelas peras com certificado de origem.
Lorena andava apertada e exuberante até o fim da tarde. Aí, quando já não pensava em sair, vestia um pijama de algodão inocente pra ficar confortável. Era um conjunto rosa e branco combinando com o desenho grandão da Hello Kitty na parte de cima. Era infantil demais em contraste com a voluptuosidade do corpo dela.
Lorena tomava banho assim que chegava em casa. Por mais aromatizante e desodorante que borrifassem, na academia que ela frequentava tinha uma mistura insalubre de cheiros, suores e perfumes que poluía o ar do lugar. Dezenas, talvez centenas de mulheres suadas trocavam de roupa todo dia naquele vestiário.
Numa dessas tardes, Lorena me chamou aos berros do banheiro. Tinha esquecido de pegar uma calcinha limpa. e ela me pediu por favor que le levasse. Tive que ir até o quarto dela, lá estava a cômoda que ela tinha ocupado com toda a roupa dela, a mesma onde antes eu tirava a roupa que não usava mais. Ao entrar, me deparei com toda a roupa dela espalhada em cima da cama. No chão, encostados num canto, as meias e uma calcinha fio-dental preta. Fiquei olhando fixamente pra ela, feito uma coruja espiando um ratinho no meio do mato. Embora aquela calcinha fio-dental gritasse pra eu pegar e analisar com todos os cinco sentidos, eu não fiz isso. Abri a gaveta que a garota tinha dito, peguei umas calcinhas e saí de lá como quem viu o capeta.
— Lorena — chamei.
Quando a garota abriu a porta do banheiro, meu instinto me pregou uma peça. Eu tinha acabado de gastar toda minha força de vontade pra evitar pegar a calcinha fio-dental dela do chão e, no menor dos instantes em que Lorena pegava a calcinha dela, contemplei o corpo dela refletido no espelho do banheiro. Lorena se abaixando e colocando os pés na calcinha, aquele quadro ficaria gravado na minha retina pra sempre.
A pele dos ombros dela salpicada de gotinhas de água brilhava como um halo celestial. Lorena tinha menos peito do que eu imaginava. A silhueta dela se acentuava ao descer pros quadris. Ali, os movimentos graciosos dela ao vestir a calcinha revelaram um púbis triangular e escuro como um abismo.
5. Finalistas, os que estão no fim.
Pra Cristina, ter que internar o pai dela num asilo tinha sido uns dias de angústia e centenas de lágrimas. O pai dela a tinha guiado na vida, empurrado concurso após concurso até que ela conseguiu o cargo de professora. Como ia abandonar aquele que sempre esteve atento a ela? Como ia deixar num asilo quem a tinha ajudado a se levantar depois de cada tropeço, quem a tinha ajudado a alcançar os objetivos dela, abrir caminho na vida e não depender de ninguém?
No entanto, no fim Cristina teve que aceitar que era o melhor. Não só o melhor pro pai dela, que estaria num Mãos de profissionais atentos às suas necessidades dia e noite, mas também o melhor para ela, sua irmã Milagros e suas respectivas famílias.
As filhas, genros e netos de Mario tinham sofrido com ele a deterioração progressiva da sua mobilidade, a atrofia implacável do seu corpo nos últimos seis anos.
No dia em que Cristina me viu levantar o pai dela depois da sesta, começou a ver aquele panorama sombrio se dissipar.
— Mario! Vai pra cima, que na cama a prima de risco sobe um décimo!
Sorri diante do gesto atônito da filha dele.
— É que na segunda as colegas me disseram que a gente tinha um banqueiro, e eu pensei: “Porra, Mario Conde! Vamos ficar ricas!” — falei num tom debochado que tirou Seu Mario do torpor.
A risada atrapalhada, mas sincera, de Seu Mario fez os olhos da filha dele brilharem de alegria.
Continuei soltando besteiras enquanto Cristina me ajudava a lavar o rosto do pai e a passar o iogurte diluído pela sonda PEG. Depois, colocamos ele juntos na cadeira de rodas e pedi pra elegante senhora se podia levar o pai dela pro jardim enquanto eu continuava colocando ordem no resto dos meus velhinhos.
Cruzei com a Montse e notei que ela tinha soltado mais um botão da blusa. Minha colega é, sem dúvida, uma mulher ousada e sabe que tem as melhores tetas da residência. Lambi os lábios pensando que muito em breve a gente ia se encontrar de novo no turno da noite.
Mario tinha sido o último dos três finalistas que eu tinha selecionado pra uma morte digna. Nessa lista curta também estava Dona Eusébia, uma velhinha de olhar sempre suplicante que já contava com noventa e seis longos invernos. Caquética e atrofiada em posição fetal como estava, se ela pegasse na sua blusa, não tinha jeito de abrir o punho dela.
A terceira e última das minhas candidatas era Dona Hortência. Pelo que me contaram, aquela velha tinha sido uma arpia avarenta e briguenta a vida inteira. Como costuma acontecer, a demência que ela tinha trouxe à tona a essência da alma dela. Dona Hortênsia era um perigo pro resto dos velhinhos. Batia, arranhava, xingava e empurrava todo mundo, tinha que ficar de olho. Enquanto os relaxantes em grande quantidade conseguiam mantê-la mansa, Hortênsia ficava à vontade, indo e vindo agarrada no corrimão. Mas era comum encontrar a cadeira de rodas dela amarrada no fim do corredor se ela tivesse feito alguma das dela.
6. Lolita.
Desde que o telefone tinha deixado de servir pra falar com os outros, eu procurava usar o mínimo possível. Eu era assim, primitivo, e por isso uma das regras que me impunha era não olhar pra ele depois do jantar. Foi o que expliquei pra Lorena. Queria que ela soubesse o quanto era chato ficar na frente de uma zumbi que não tirava os olhos da tela, resmungando e teclando sem parar. Eu não queria impor minhas regras, e até falei pra menina que ela podia ir pro quarto dela também.
Num show de força de vontade, a filha da Belén largou o celular na mesa e aí o milagre aconteceu, começamos a conversar. Os dezessete anos de diferença entre a gente não foram obstáculo pra bater um papo sobre vício em celular, globalização, o 15M, mudança climática ou a importância de tirar a carteira de motorista.
Entre brincadeiras e risadas, percebi que a Lorena gostava de conversar, se gabando de uma sensatez que não era comum pra alguém da idade dela. Na real, ela já tinha mostrado coragem ao largar a segurança da casa da família. No começo, eu tinha achado que a emancipação precoce da Lorena era por pura incompatibilidade de gênio com a mãe, mas, conversando com a menina, entendi que o que a levou a se virar sozinha foi a vontade de ser uma pessoa independente. Não quis ser chato, então deixei pra depois a ideia de tentar fazer ela assumir também a responsabilidade com os estudos.
Os assuntos foram se sucedendo um atrás do outro, até que começamos a contar todo tipo de história que tinha acontecido. Durante as férias, no trampo, fazendo compras, na bebedeira… Tava exatamente contando como perdi as chave do carro por causa daquele gin-tônica fatídico quando, aproveitando uma pausa, a Lorena me perguntou na lata quanto tempo eu tava sem comer uma mulher.Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.Aquela pergunta me deixou tão desconcertado que me vi obrigado a ir dormir para não responder.
Fazia um mês que eu não sentia o gosto da pele feminina. Foi no começo do mês de abril.
— É novo? — perguntei apontando pro pingente que minha colega Montse usava no decote vertiginoso.
— Sim, ganhei de aniversário — respondeu ela, se referindo ao Carlos, o marido dela.
Montse me olhava de um jeito safado enquanto brincava com os dedos na pequena estrela de ouro que enfeitava a parte de cima dos peitos dela. Podia ser uma mulher madura, mas o corpo dela ainda conservava quase todo o esplendor. Além disso, Montse era uma mulher inteligente que sabia tirar proveito daqueles encantos enormes.
Carlos, por outro lado, era um cara gordo e tranquilo cujos passeios matinais sempre terminavam no bar. Além de ser mais velho que ela, o marido a superava em mais de quarenta quilos. Carlos tinha trabalhado como gerente numa agência de publicidade, mas tinha aceitado a aposentadoria parcial que lhe ofereceram e, aos sessenta anos, o marido de Montse vivia na moleza, sem preocupação nenhuma.
Minha colega ficava com o tesão nas alturas descrevendo os chifres do marido. Segundo ela, cresciam grossos e curvos das duas têmporas e se erguiam sobre a cabeça dele com um porte idêntico ao do meu pau. Montse jurava que era só imaginar a galhada do marido que ela gozava quando transava com ele.
Naqueles encontros furtivos a gente só tinha meia hora, então as preliminares eram só uns beijos e mordidas enquanto a gente se despia na pressa.
Montse era tão única no sexo quanto em tudo o mais. Na primeira vez que a gente trepou, meu revólver disparou acidentalmente entre os lábios dela. Foi um desastre, o esperma não só inundou a boca dela como também respingou no cabelo e em todo o lado direito do rosto. Eu me desculpei todo envergonhado, mas ela sorriu e não deu a menor importância. Montse confessou o quanto adorava ter na a boca, a ereção de um homem atraente e reconheceu que adorava chupar um pau gostoso tanto quanto transar. A Montse se divertia em levá-los ao limite com lambidas, chupadas e mil joguinhos a mais. Consequentemente, mesmo que o sabor não agradasse, minha colega de trabalho tinha se acostumado com os homens gozando, seja na boca dela, seja no rosto e nos peitões dela.
Para aquela mulher, o pau de um homem sempre foi algo pra botar na boca. Desde que seu corpo voluptuoso amadureceu e se abriu ao desejo sexual, Montse se masturbava fantasiando com ter o pau de um homem adulto entre os lábios. Ela ainda estava no Ensino Médio quando estreou com o cacete do seu jovem e gato professor de matemática. Aquele foi, no entanto, um péssimo começo. Na sua ingenuidade pueril, Montse não imaginava que o sêmen sairia com tanta força nem em tanta quantidade e, como aquele bruto não a deixou se afastar quando ela começou a engasgar, ela acabou vomitando o sanduíche de mortadela que a mãe tinha preparado naquela manhã.Desde aquele dia, um monte de pica já tinha passado entre os lábios dela. Também me encurralou na boca dela na última vez que a gente se pegou, mas dessa vez consegui me desvencilhar antes que a Montse me deixasse sem força de vontade. Me deitei de barriga pra cima na maca e, fazendo questão de mostrar uma agilidade e ousadia que não são normais pra uma mulher da idade dela, minha parceira se agachou em cima de mim. A Montse pegou meu pau pra deixar ele em pé e se enfiou nele até o estômago.
Como minha parceira tinha feito laqueadura, não precisava usar camisinha, então eu sentia cada detalhe do meu pau entrando e saindo da buceta dela. Da minha posição privilegiada, dava pra ver os peitões dela balançando no ritmo das idas e vindas e, entre os peitos, a estrelinha de ouro que o marido deu de aniversário.
Me sentei pra poder chupar os bicos dos peitos dela, primeiro um e depois o outro. Essa carícia delicada fez ela gemer. Eu adorava o jeito que ela mexia a cintura, mas senti a vontade de possuir ela. Agarrei ela pelas nádegas e, levantando ela no ar, comecei a fazer ela subir e descer no meu pau.Montse abriu os olhos espantada.Mesmo que ela começou a delirar que nem uma louca, eu continuei enfiando nela sadicamente na minha vara. Ela tava montada em cima de mim, mas era eu quem movia o corpo dela pra cima e pra baixo. No final, a Montse apertou as coxas com o começo de um orgasmo histérico.Deixei ela cair sobre meu pau pra se contorcer de prazer e, bem na hora, eu entrei em erupção. Comecei a jorrar meu magma quente dentro do útero daquela mulher casada. Me afastei um pouco e contemplei com orgulho o espetáculo indecente. Era tanta porra que uma parte começou a vazar da buceta entupida dela.
CONTINUA…
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