Os Chávez-Rojas dominavam cada centímetro de terra em Los Arroyos, um povoado de apenas três mil habitantes encravado num vale fértil onde o rio principal transbordava recursos naturais: madeira de cedro e mogno nas florestas próximas, pedreiras de mármore nas colinas, e uma terra preta que produzia colheitas duas vezes por ano. Mas o verdadeiro tesouro era a água — nascentes que jorravam da montanha e que os Chávez-Rojas tinham engarrafado e vendido para as cidades vizinhas, construindo um império que começou com o avô e que o dom Genaro expandiu com punho de ferro.
Iván tinha mamado esse poder desde o berço. Agora com vinte e três anos, era um homem de costas largas, braços veiudos e um queixo quadrado que parecia esculpido no mesmo mármore que exportavam. Mas a força verdadeira dele não estava nos músculos — estava naquele olhar frio que avaliava as pessoas como se fossem gado, calculando a utilidade e a ameaça de cada uma. No povoado, todo mundo sabia que Iván não esquecia uma ofensa, real ou imaginada. E também sabiam que quando Iván queria alguma coisa, ele tomava.
Tinha sido assim com o time de futebol. Iván tinha fundado cinco anos atrás não por amor ao esporte, mas porque precisava de uma distração e de uma vitrine pro seu poder. Ele era o dono, o técnico, o capitão e a estrela. Vestia a camisa número 10 e se regozijava vendo os rivais tremerem quando ele recebia a bola. A perna esquerda dele era precisa como um bisturi, e quando comemorava um gol levantava o punho e olhava pra arquibancada — onde sempre tinha uma mulher nova disposta a se oferecer.
Porque esse era outro dos passatempos dele: o direito de pernada moderno. Iván tinha se deitado com esposas de vereadores, filhas de comerciantes, namoradas de trabalhadores. Ninguém recusava. Não por desejo, mas por medo. Uma negativa significava perder o emprego, a colheita, o contrato de água, a própria vida naquele povoado que dependia dos Chávez-Rojas. As mulheres iam pra casa dele, pro escritório particular que tinha ao lado dos campos, e saíam depois de horas com o cabelo bagunçado e o olhar vazio. Iván as devolvia às suas vidas como quem devolve um livro emprestado. Mas havia uma mulher que ele nunca poderia tocar: Helena. Sua irmã tinha dezoito anos e era o centro de todas as atenções em Los Arroyos. Alta e esbelta, com uma cabeleira loira com mechas que caía sobre os ombros nus, Helena combinava uma beleza de comercial com uma inocência que era quase ofensiva naquele ambiente de violência escondida. Seus olhos escuros e delineados olhavam o mundo com curiosidade, seus lábios carnudos sempre levemente entreabertos como esperando um beijo, e seu corpo — Deus, seu corpo — era uma provocação constante: seios redondos que se erguiam firmes sob as blusas, quadris que balançavam a cada passo, uma bunda que o jeans apertado marcava sem piedade. De manhã, Helena ajudava na igreja e dava catecismo para as crianças. À tarde, lia romances no jardim. À noite, na intimidade do seu quarto, se olhava no espelho e se perguntava por que seu corpo a traía daquele jeito — por que sentia um calor estranho entre as pernas quando pensava nas mãos de um homem, por que se molhava imaginando alguém a pegando contra a parede, por que se tocava na cama pensando em lábios que a mordessem e línguas que percorressem ela inteira. Era uma contradição ambulante: a santinha de dia, a puta sonhadora de noite. Todos os homens da cidade suspiravam por ela, mas nenhum ousava se aproximar. Quem tentava, acabava demitido, humilhado ou simplesmente sumia. Iván tinha deixado claro que sua irmã era intocável — uma virtude que ele mesmo não praticava, mas exigia para a família. Mais uma posse. Pedrito chegou à cidade como um sopro de ar fresco. Vinte e dois anos, moreno, com um sorriso fácil e uma atrapalhação encantadora. Não era bonito como Iván — era atraente num sentido mais suave, menos ameaçador. Seu pai tinha sido goleiro na terceira divisão e ele Ele tinha herdado os reflexos, mas não a estatura; media apenas um metro e setenta, mas se jogava com coragem debaixo das traves. Iván o contratou por necessidade — o goleiro anterior tinha "sofrido um acidente" com uma tesoura de poda — e Pedrito chegou sem saber a história do povoado, sem conhecer as regras não escritas. A primeira coisa que fez foi alugar um quarto na casa de uma viúva e perguntar onde ficava a praça. A segunda foi esbarrar com Helena.
Foi no quiosque do povoado, uma estrutura octogonal pintada de branco que era o coração social de Los Arroyos. Helena comprava sorvete e o rapaz a olhou como se tivesse visto um anjo. Ela, acostumada a olhares lascivos, sentiu algo diferente naquela admiração, não posse. Ele se aproximou, gaguejou, perguntou as horas. Ela sorriu, e ele se apaixonou naquele exato instante.
— Quer sair comigo? — perguntou Pedrito duas semanas depois, quando já tinham se visto escondidos várias vezes. Helena, com o coração batendo descompassado, disse que sim.
O primeiro beijo foi no quiosque, ao entardecer. Ele a pegou pela cintura, ela se arqueou em direção a ele, e seus lábios se encontraram com a suavidade de quem descobre o paraíso. Helena sentiu seu corpo se acender — os bicos dos peitos endureceram, um calor úmido cresceu entre suas coxas — e soube que era aquele o homem com quem queria se perder.
Mas as línguas do povoado correram mais rápido que seus suspiros. No dia seguinte, Iván já sabia de tudo.
O patriarca dos Chávez-Rojas mandou chamar Pedrito ao escritório privado ao lado das quadras. O rapaz chegou sem saber o que o esperava, com a esperança ainda fresca no peito depois do beijo no quiosque.
— Fecha a porta — ordenou Iván, sem levantar os olhos da escrivaninha.
Pedrito obedeceu, e o som do ferrolho ao correr ecoou no cômodo como um presságio. Iván se levantou então, e o goleiro pôde ver o tamanho real do homem — aquele corpo forjado nos campos de futebol e nas pedreiras de mármore. Pedrito engoliu seco. saliva.
- Ouvi dizer que você tem se encontrado com a minha irmã - disse Iván, se aproximando com passo lento, quase felino - É verdade?
- Seu Chávez, eu...
- Não minta. Eu sei que você beijou ela. No quiosque, ao entardecer. Meus olhos estão em todo lugar.
Pedrito sentiu o suor frio escorrendo pelas costas. Quis recuar, mas a porta estava fechada, e a presença de Iván enchia o quarto como um gás venenoso.
- Seu, eu amo ela - gaguejou - Helena e eu nos amamos, e eu vim pedir sua permissão pra...
- Pra quê? - Iván soltou uma risada seca, sem humor - Pra casar com ela? Pra levar a garota mais gostosa da cidade? Pra manchar o sangue dos Chávez-Rojas com seus genes de porteiro medíocre?
- Seu, eu juro que vou cuidar dela, que...
- Cala a boca.
Iván deu as costas e caminhou até a janela. Lá fora, a noite se fechava sobre Los Arroyos, e as luzes do estádio iluminavam o gramado vazio. Durante um longo momento, o único som era o zumbido de um ventilador enferrujado e a respiração ofegante de Pedrito.
- Sabe o que eu vou fazer com você? - perguntou Iván, se virando devagar - Vou te dar uma lição. Uma surra que vai te deixar dolorido por semanas. Não vou te matar, porque isso seria fácil demais e além disso minha irmã me odiaria. Mas vou te fazer entender que em Los Arroyos as regras quem faz sou eu.
Pedrito quis correr, mas foi tarde demais. Iván o pegou pelo pescoço com uma força brutal e o esmagou contra a parede. Os quadros caíram, o vidro quebrou, e o porteiro sentiu o ar escapando dos pulmões enquanto os punhos do patrão começavam a trabalhar no seu rosto, na sua barriga, nas suas costelas.
Não durou muito - apenas alguns minutos - mas para Pedrito foi uma eternidade. Quando Iván o soltou, o garoto caiu no chão, ofegante, com a cara ensanguentada e o corpo cheio de hematomas. Seu ombro direito, o que usava pra se lançar nas defesas, pendia num ângulo estranho - deslocado por um golpe seco.
- Me escuta bem - disse Iván, ajoelhando-se ao lado dele e sussurrando em seu ouvido — Amanhã mesmo você vaza de Los Arroyos. Vai pro time do Paredón, que fica a duas horas daqui, e joga lá. E nunca mais fala com a minha irmã. Entendeu? — Por quê...? — gemeu Pedrito, com a voz embargada — Por que a gente não pode ser feliz? Iván riu, e dessa vez o riso foi genuíno, cruel, profundo. — Feliz? Em Los Arroyos só eu sou feliz, Pedrito. E o único jeito de você também ser é indo embora e esquecendo a Helena. Se você falar com ela de novo, se olhar pra ela de novo, se pelo menos pensar nela, eu juro pela minha mãe que vou te achar e te despedaçar. Mas não vou te matar — acrescentou, com um sorriso que mostrava os dentes — Vou te deixar vivo, pra você saber que ela nunca vai ser sua. Pedrito foi embora ao amanhecer, com o ombro enfaixado e o coração em pedaços. Não se despediu de Helena — não podia, Iván tinha proibido sob ameaça de morte — mas deixou uma carta debaixo da porta do quarto dela, escrita com a mão trêmula:Helena, meu amor. Vou pra Paredón. Seu irmão me fez entender que não posso ficar aqui, que não mereço estar do seu lado. Mas te prometo que vou jogar bem, vou conseguir um contrato, e vou voltar por você. Não importa quanto tempo passe. Te amo. Pedrito.Helena encontrou a carta ao acordar e leu com o coração na mão. Quis correr atrás dele, mas a mãe a segurou na porta.
— Não vai, filha. Seu irmão tem razão. Esse rapaz não é pra você.
— Como você pode dizer isso, mãe? — Helena sentiu as lágrimas queimando os olhos — Ele me ama. Eu amo ele.
— Amor não serve de nada quando o poder decide o contrário. E nesta casa, o poder é do seu irmão. Aceita o seu destino.
Helena desabou em choro, mas não discutiu. Sabia que a mãe tinha razão — não no fundo, mas na superfície. Iván era dono de tudo em Los Arroyos, e até o amor tinha que se ajoelhar diante dele.
Passaram-se as semanas, e a temporada de futebol começou. Helena, ferida e solitária, encontrou consolo em acompanhar os resultados do quarto, na intimidade do celular. O rádio da vila transmitia os jogos e ela se sentava diante do aparelho, com as pernas cruzadas e o coração na boca, ouvindo cada jogada como se a vida dependesse disso.
Os Chávez-Rojas começaram a temporada como um trator. No estádio de Los Arroyos, o time local atropelou os visitantes por 7 a 1, com cinco gols de Iván. Helena ouviu os gritos da multidão no rádio, o nome do irmão cantado como um hino, e sentiu uma mistura estranha de orgulho e náusea. Foi na página da liga nas redes sociais e viu os vídeos dos gols: o irmão recebendo a bola, cortando, chutando. Uma máquina perfeita.
Ao mesmo tempo, procurou os resultados de Paredón. O time do Pedrito tinha resistido e arrancado o zero numa praça difícil — 0 a 0, com o goleiro local destacado pela sorte. Não era sorte, pensou Helena, era o seu Pedrito, seu goleiro corajoso, aguentando apesar de tudo. Mas os comentários eram impiedosos: "O goleiro falhou em dois cruzamentos, teve sorte que os atacantes estavam descalibrados", "Pedrito teve uma noite de sorte".
Helena defendeu o namorado nos comentários, e recebeu uma resposta de uma conta anônima: "amadureceu pra caralho, puta do Chávez". Ela se sentiu humilhada, mas não deixou de acompanhar os jogos.
Os Chávez-Rojas venceram por 4 a 0, com três gols de Iván e um do atacante reserva. Em Paredón, o time perdeu por 1 a 0 numa partida decidida num pênalti. Pedrito quase pegou, mas a bola escapou por entre os dedos dele.
Helena passou a noite vendo o vídeo do pênalti repetidas vezes. O irmão dela, do quarto ao lado, ouviu o barulho do celular e sorriu por dentro.
Na terceira rodada, os Chávez-Rojas venceram por 2 a 1 contra o time mais forte da região. Iván fez os dois gols: o primeiro, uma falta perfeita; o segundo, uma cabeçada no último minuto. A torcida foi à loucura, e nas redes sociais o nome dele era assunto local.
Paredón empatou em 2 a 2. Pedrito tinha feito um jogo decente, defendendo várias bolas perigosas, mas o time rival conseguiu o empate nos acréscimos. Helena viu os melhores momentos e soube que o namorado tinha feito tudo o que podia. Foi uma partida honrosa.
Depois, os Chávez-Rojas golearam por 3 a 0 sem suar a camisa. Iván levou o jogo na boa, dando assistências pros companheiros, mas fez o terceiro gol com uma jogada individual que deixou três zagueiros no chão.
Paredón perdeu por 1 a 0. O gol saiu no primeiro tempo, um chute de meia distância que Pedrito não conseguiu alcançar. Nas redes sociais, os torcedores do time começaram a criticar ele: "Esse goleiro não presta", "Precisamos de mudança no gol".
Helena defendeu o namorado nos comentários e recebeu mais xingamentos. Mas não ligou. Continuava acreditando nele.
No jogo seguinte, os Chávez-Rojas venceram por 11 a 0. Foi uma goleada histórica, com Iván marcando sete gols e o resto distribuído pelo time. O estádio virou uma festa, e os torcedores cantaram o nome do patriarca por meia hora.
Paredón conseguiu a primeira vitória: 3 a 2, com Pedrito pegando um pênalti aos 80 minutos que salvou o jogo. Helena pulou da cama com um grito de alegria, e a mãe dela, do corredor, a chamou à ordem.
Na rodada seis, os Chávez-Rojas venceram por 4 a 0, com dois gols do Iván e dois do seu atacante estrela. O time era imparável, e a imprensa local já o tratava como favorito ao campeonato.
Paredón empatou em 3 a 3. O jogo foi uma loucura, com o time visitante virando o placar duas vezes. Pedrito tinha feito uma partida irregular: pegou duas bolas claras, mas falhou no terceiro gol. Nas redes, os torcedores não se entendiam: "O goleiro salvou o ponto", "O goleiro nos custou os três".
Helena estava confusa. Queria ver o melhor do namorado, mas a realidade era teimosa: Pedrito era um goleiro mediano, que nos grandes momentos falhava. E o irmão dela era um campeão, um gênio, o que dominava o campo com a canhota mágica. Como conciliar essas duas imagens?
Na noite anterior ao jogo decisivo, Helena estava sentada na beira da cama, olhando pro teto. O quarto estava escuro, iluminado só pela lua que entrava pela janela. O celular vibrou e o nome do Pedrito apareceu na tela.
- Alô? - ela sussurrou, pra não acordar a mãe.
- Helena... - a voz do Pedrito soava quebrada, desesperada - Helena, preciso que você me ajude. Na próxima rodada a gente joga contra os Chávez. Na sua quadra. Com seu irmão, e ele tá imparável... ele vai meter pelo menos 3 gols em mim, com o tanto que ele me odeia, e vão me mandar embora!
- Eu sei, Pedrito. Tenho acompanhado todos os jogos.
- E você viu como eu tô jogando? - ele soltou uma risada amarga - Eu fui um desastre. Não consigo pegar nem um chute de meia distância. O treinador me disse que se a gente perder pro time do seu irmão, ele me corta. E se eu perder, meu sonho de conseguir um contrato e poder viver com você se acaba pra sempre.
- Pedrito, eu...
- Não, me escuta. - a voz dele falhou - Seu irmão é um monstro. Hoje ele treinou com o time e meteu cinco gols no treino. Eu não sei do que ele é feito, mas a gente vai tomar uma goleada. E eu vou perder minha chance de ter uma vida contigo.
Helena sentiu as lágrimas começarem a rolar pelo rosto. Queria dizer que tudo ia ficar bem, mas sabia que não era verdade.
— Por favor — continuou Pedrito, com a voz trêmula — Fala com seu irmão. Pede pra ele não fazer tantos gols. Que nos dê uma chance. Se a gente ganhar, os diretores vão me oferecer um contrato, e eu vou poder te pedir... a gente vai poder ficar junto.
— Pedrito, eu não tenho controle sobre o que o Iván faz...
— Eu sei! Mas você é a única que consegue fazer ele ver a razão. Você é irmã dele. Ele te ama, não ama? Ou pelo menos te respeita? — a voz dele subiu um tom, quase acusatório — Helena, se você não me ajudar, eu perco tudo. O time, o contrato, e o mais importante: você.
O silêncio se arrastou. Helena conseguia ouvir a respiração ofegante do Pedrito do outro lado, e no próprio corpo sentia uma mistura de impotência, raiva e desejo. Queria ajudá-lo, mas sabia que o Iván não ouviria razões. Seu irmão só ouvia o poder.
— Vou tentar — sussurrou, com a voz embargada — Mas não te prometo nada.
— Obrigado, Helena. Eu te amo.
— Eu também te amo.
Desligaram, e Helena ficou olhando o próprio reflexo na tela apagada. O rosto pálido, os olhos vermelhos, os lábios tremendo. Mas tinha algo mais naquela imagem: uma determinação que ela nunca tinha sentido antes.
Levantou da cama, vestiu um roupão de seda que mal cobria as coxas, e caminhou até a porta. Lá fora, o corredor estava escuro, mas no fundo, no escritório do irmão, tinha uma luz acesa.
Bateu na porta com os nós dos dedos.
— Entra — disse a voz grave do Iván.
Helena entrou e se deparou com o irmão sentado atrás da escrivaninha, com as pernas abertas e um copo de uísque na mão. Os olhos dele percorreram o corpo da irmã — o roupão que deixava à mostra o decote, as pernas nuas, os pés descalços — e por um instante, pararam na borda do tecido, onde a curva do quadril se insinuava.
— Que surpresa, irmãzinha — disse, com um sorriso que Helena não soube decifrar- O que te traz ao meu escritório a esta hora?
Helena se aproximou, sentindo o peso do olhar do irmão sobre ela. O quarto cheirava a tabaco e a homem, a couro e a poder. Na parede, as fotos de Iván com seus troféus e com mulheres famosas a olhavam com cumplicidade.
- Iván... - começou, e sua voz saiu mais grave do que pretendia - Preciso falar com você.
- Senta, então.
Helena se sentou na cadeira em frente à escrivaninha, mas o desconforto a fez mexer as pernas, e o roupão se abriu um pouco mais, deixando à mostra a pele branca das suas coxas. Iván desviou o olhar, mas não conseguiu evitar que seus olhos parassem por um segundo naquela carne que nunca deveria ver daquele jeito.
- Do que se trata? - perguntou, com a voz mais rouca que o normal.
- o próximo jogo é contra o Paredón - disse Helena, e sua voz tinha um tom suplicante - Pedrito me ligou. Me contou que se perderem, vão mandar ele embora. E o contrato dele, o sonho dele...
- Ah - Iván deixou o copo sobre a escrivaninha e se recostou - De novo o goleiro.
- Por favor, Iván. Não marca tantos gols nele. Dá uma chance pra ele. Se o Paredón ganhar ou empatar, ele pode continuar no time. A gente pode ficar junto.
Iván riu, uma risada seca e cruel.
- E por que eu deveria ajudar ele? Esse moleque não merece a minha irmã.
- E você o que sabe do que eu mereço? - Helena se levantou de um pulo, e o roupão se abriu por completo, mostrando a borda da calcinha branca dela - Você, que transa com meio mundo? Você, que humilha as mulheres e usa elas como bem entende? Você, que me mantém trancada aqui como se eu fosse uma propriedade?
- Helena!
Iván se levantou, e a cadeira caiu no chão. De repente, ele estava na frente dela, e o cheiro da colônia dele, o hálito com whisky, a presença esmagadora dele, preencheram o espaço entre os dois.
- O que tá acontecendo com você? - perguntou ele, com a voz baixa e perigosa - O que é isso, uma rebelião? Cê acha que porque eu te dei algumas liberdades pode me desafiar?
Helena sentiu o corpo dela responder à proximidade do irmão. O medo se misturou com algo mais — aquele calor estranho entre as pernas, aquela pulsação acelerada que ela não entendia. Quis recuar, mas não conseguiu. Os pés pareciam colados no chão.
— Só quero ser feliz, Iván — sussurrou, e a voz dela era quase um fio — Será que é pedir demais?
— Felicidade não se ganha com um porteiro medíocre — disse ele, e as mãos se ergueram para segurar o rosto dela — Felicidade se ganha com poder. E o poder é meu. Dos Chávez-Rojas. E você é uma Chávez-Rojas, Helena. Isso você não vai esquecer.
— Mas o Pedrito me ama... — a voz dela se quebrou.
— Não, Helena. — Iván a pegou pelo queixo, forçando-a a olhar para ele — Eu te amo. Eu sou o que te protegeu desde criança. Eu sou o que afastei todos os homens que queriam te fazer mal. E sabe de uma coisa? — a voz dele baixou um tom, ficando quase íntima — Aquela carta que ele te deixou, aquelas promessas vazias... não valem nada. Ele não vai voltar.
Helena sentiu o corpo tremer. As mãos do irmão no rosto dela eram firmes, mas não violentas, e o polegar dele, quase sem querer, roçou a borda dos lábios dela. Foi um contato breve, casual, mas que a fez arder por dentro.
— Eu vou jogar como sempre. E você vai estar na arquibancada. E vai ver seu porteiro falhar. Porque esse é o destino dele: falhar. Como todos os que não têm o sangue dos Chávez.
Iván, agora que sabia que Pedrito tinha se comunicado com Helena, naquela mesma noite, depois da conversa no escritório, Iván mandou trazer Pedrito ao campo de treinamento. Não ao escritório privado, mas ao campo principal, iluminado pelos refletores, vazio e silencioso sob a lua.
Pedrito chegou achando que ia ser morto, que aquela seria a sentença final dele. Mas Iván o recebeu com um sorriso que não era de deboche, mas de cálculo.
— Senta — disse Iván, apontando para a grama. Ele mesmo se sentou, como se fossem dois amigos dividindo um momento.
Pedrito obedeceu, tremendo.
— Sei que você falou com a minha irmã — começou Iván, com a voz suave — E sei que pediu pra ela interceder por você. Que me pedisse pra não te escalar tantos gols.
- Senhor, eu...
- Cala a boca. - Iván levantou a mão, e Pedrito emudeceu - Não te trouxe aqui pra te punir. Te trouxe pra fazer uma proposta.
Pedrito piscou, confuso.
- Uma... proposta?
- Sim. - Iván se inclinou na direção dele, e os olhos brilharam com uma luz perigosa - Quero que você ganhe o jogo contra mim.
Pedrito abriu a boca, mas nenhum som saiu.
- O quê... o que o senhor quer dizer?
- Quero que os Chávez-Rojas percam - disse Iván, com um sorriso que era puro veneno - Quero que você os derrote, que o Paredón ganhe de 2 a 1, e que você seja o herói da partida.
Pedrito sentiu o chão se abrir sob seus pés.
- Mas, senhor, o senhor é o melhor jogador da liga, o senhor pode marcar cinco gols num jogo, o senhor...
- Eu sei - Iván o interrompeu - É por isso mesmo que quero perder. Porque quando o invencível Chávez-Rojas cai, quando o patriarca é derrotado por um goleiro medíocre, o mundo treme. Os diretores do Paredón vão te oferecer um contrato decente, as apostas que eu controlo vão me render milhões, e eu, continuarei sendo eu.
Pedrito piscou, incrédulo.
- Mas... por que o senhor faria isso? Por que me ajudar?
- Porque quero que você leve sua mediocridade pra longe daqui. Mas não vou te dar minha irmã. Isso nunca.
Pedrito sentiu a esperança se esvair.
- Então... o que o senhor me oferece?
- Dinheiro - disse Iván, tirando um envelope do paletó - Muito dinheiro. Suficiente pra você comprar uma casa na cidade, pra viver confortável pelo resto da vida. E além disso...
Iván fez uma pausa, e os olhos dele se fixaram na entrada do estádio, onde uma figura feminina se movia entre as sombras.
- Além disso, vou te apresentar alguém.
Uma mulher saiu da escuridão: era jovem, uns vinte anos, com cabelo preto e comprido, olhos verdes e um corpo de tirar o fôlego. Vestia um vestido vermelho que se ajustava às curvas como uma segunda pele, e o sorriso dela era uma promessa de prazer.
- Ela é a Valéria - disse Iván, com um sorriso - É filha do dono da loja de ferragens do povoado. Vinte e um anos, solteira, e com uma vontade de sair daqui que você não faz ideia. Se você ganhar o jogo, ela é sua. É sua.
Pedrito olhou para Valeria e sentiu o coração dar um salto. A garota era linda — não como Helena, não com aquela beleza angelical e proibida — mas tinha algo que o atraía: um olhar safado, uns lábios carnudos, um corpo que prometia noites de luxúria. E além disso, era jovem, solteira, e estava disposta a ir embora com ele.
— E... e a Helena? — perguntou Pedrito, com a voz trêmula.
— Helena é minha irmã — disse Iván, com um sorriso cruel — E eu decido quem fica com ela. E essa pessoa não vai ser você.
Pedrito sentiu uma mistura de alívio e desejo. Alívio porque não teria que enfrentar Iván, porque não teria que arriscar a vida por um amor impossível. Desejo porque Valeria era tudo o que ele sempre quis: uma mulher gostosa, disponível, e com a promessa de uma vida melhor.
— Aceito — disse Pedrito, sem hesitar — Aceito seu trato.
Iván sorriu, e os olhos dele brilharam com uma luz triunfante.
— Bem. Então escuta bem o plano...
No dia seguinte, Pedrito ligou para Helena. A voz dele soava estranha, distante, mas também carregada de uma determinação que Helena nunca tinha ouvido antes.
— Helena, tenho uma solução.
— Que solução? — perguntou ela, com a voz arrasada pelo choro.
— Se seu irmão não aceitar recuar, vamos ter que jogar sujo. Vamos ter que machucar ele.
— Machucar ele? — Helena sentiu um nó no estômago — Como?
— Me escuta, Helena. Isso é importante. — a voz de Pedrito baixou até virar um sussurro — Seu irmão é o melhor jogador da liga porque tem força, resistência, poder. Mas tem um jeito de enfraquecer ele. Você sabe o que acontece quando um homem goza muito?
Helena sentiu o sangue subir para as bochechas.
— O... o que você quer dizer?
— Quero dizer que se a gente conseguir fazer seu irmão gozar várias vezes antes do jogo, ele vai ficar fraco. Exausto. Sem forças. E quando eu estiver debaixo da trave, ele não vai conseguir fazer os gols. que sempre marca. Ele vai perder. E nós vamos ganhar.
Helena ficou em silêncio, processando as palavras de Pedrito.
— Mas... como é que eu vou fazer isso?
— Você tem que entrar no quarto dele — disse Pedrito, com voz firme — Todas as noites, antes do jogo. Você tem que masturbar ele com a mão. Fazer ele gozar. Uma, duas, três vezes. Até ele ficar tão exausto que não consiga nem levantar a perna pra chutar.
Helena sentiu o mundo parar.
— Masturbar ele? — sussurrou — Pedrito, isso é... isso é meu irmão...
— Que importa se é seu irmão? — a voz de Pedrito ficou urgente — É o único jeito da gente ficar junto. Se você não fizer, ele vai ganhar, e eu vou perder meu contrato, e nunca vou poder te pedir em casamento. E além disso... — a voz dele falhou — Além disso, seu irmão tem transado com todas as mulheres da vila. Você acha que ele tem escrúpulo? Você acha que ele para diante de alguma coisa? Se você não fizer, ele vai continuar abusando do poder dele, e a gente nunca vai ser feliz.
Helena sentiu as lágrimas escorrendo pelas bochechas.
— Mas eu não sei como... não sei se consigo...
— Você consegue — disse Pedrito, com voz suave mas firme — Porque você me ama. Porque você quer ficar comigo. Não é?
— É — sussurrou Helena — Eu te amo.
— Então faz. Por nós. Pelo nosso futuro.
O silêncio se arrastou. Helena podia ouvir o próprio coração batendo nos ouvidos.
— Tá bom — disse, com voz trêmula — Eu vou fazer. Por você, Pedrito. Por nós.
Naquela noite, já passava da meia-noite quando Helena saiu do quarto dela. O corredor estava escuro, e o único som era o zumbido do ar-condicionado na casa dos Chávez-Rojas. Ela andou descalça até a porta do irmão, com o roupão de seda roçando nas coxas, e bateu de leve.
Não houve resposta.
Helena abriu a porta e entrou. O quarto do Iván era grande, com uma cama de casal e cortinas de veludo. O irmão dela estava deitado de barriga pra cima, coberto só com um lençol fino que deixava ver a silhueta do corpo. O torso nu, os braços musculosos, respiração profunda e regular. Helena parou na beira da cama e sentiu as pernas tremendo. A mão dela, estendida em direção à borda do lençol, hesitou. Ela podia ouvir o próprio coração batendo nos ouvidos, e um calor estranho se espalhava do ventre dela até as coxas.É por causa do Pedrinho., sentou.É por nós.Com as mãos trêmulas, ela baixou o lençol, revelando o torso nu do irmão. Seus olhos percorreram aquele corpo poderoso — os peitorais firmes, o abdômen definido, os pelos que desciam do umbigo até a borda da cueca. O cheiro do irmão — de homem, de colônia, de suor do campo — a envolveu como uma névoa.
Helena sentou na beira da cama e, com um movimento rápido, baixou a cueca de Iván. Seu olhar encontrou o pau do irmão: uma rola poderosa, grossa, que descansava sobre as coxas, ainda mole mas já imponente. As bolas, grandes e pesadas, pendiam por baixo, cobertas por pelos escuros.
Helena sentiu a boca secar. Aquilo era muito maior do que ela tinha imaginado, muito mais real. Sua mão se estendeu, e seus dedos roçaram a cabeça — quente, macia, pulsante. Um arrepio percorreu seu braço e se espalhou até o peito, até os mamilos, que endureceram sob o roupão.
— É pelo Pedrito — sussurrou de novo, e seus dedos se fecharam ao redor do tronco.
Ela começou a mover a mão para cima e para baixo, sentindo a carne do irmão endurecer sob seu toque, como crescia, como se enchia de sangue. Era uma sensação estranha, proibida, que a fazia arder por dentro. O arrepio nas coxas se transformava em um calor úmido, e ela sentiu a calcinha encharcar.
Iván, embora fingisse dormir, estava totalmente consciente. Sentia a mão da irmã ao redor do pau, sentindo-o endurecer, crescer até atingir o tamanho máximo. Na mente dele, um sorriso se formava. Ele tinha subornado o Pedrito, sim, mas não para o garoto ganhar. Tinha subornado o Pedrito para que a irmã, pela primeira vez, o tocasse, o sentisse, o desejasse.
Helena, enquanto isso, se deixava levar pelo momento. Seus dedos se moviam cada vez mais rápido, amassando as bolas do irmão com a outra mão, sentindo como se moviam sob seu toque. O arrepio nas coxas se intensificava, e um gemido quase inaudível escapou dos seus lábios.
— Vai, Iván. —sussurrou, sem perceber que estava falando— Termina. Termina por mim.
O corpo de Iván se tensionou, e Helena sentiu o membro do irmão se contrair na mão dela. Um jato de porra quente jorrou da glande, respingando nos dedos, no pulso, no avental. Helena ficou olhando, fascinada, enquanto o líquido viscoso e branco escorria pela pele dela.É enorme., pensou.Ter que aguentar uma coisa dessas dentro...Mas também pensou em outra coisa: em como adorava aquele poder, em como a excitava ver o irmão, tão forte, tão dominante, entregue à sua mão.
Limpou os dedos no lençol, levantou-se e saiu do quarto às escondidas, achando que o plano tinha sido um sucesso.
No dia seguinte, Helena ligou para Pedrito do jardim, com o telefone colado no ouvido.
— Eu fiz — sussurrou, com a voz ainda trêmula — Eu masturbei ele. Ele gozou.
— Bem — disse Pedrito, e a voz dele soou estranha, quase fria — Agora vamos ter que partir para a próxima etapa.
— O quê?
— Hoje você vai ter que usar a boca.
Helena sentiu o mundo parar.
— A... a minha boca?
— Sim. — a voz de Pedrito era firme, mas também tinha um tom urgente — Masturbação não é suficiente. Precisamos enfraquecê-lo mais. Se você chupar a pica dele, se enfiar a pica inteira na boca, ele vai ficar muito mais exausto. Vai gozar mais. E quando chegar o jogo, ele vai estar tão fraco que não vai conseguir nem ficar de pé.
Helena sentiu o sangue subir para as bochechas.
— Mas Pedrito, isso é... isso é demais...
— Demais? — a voz de Pedrito se elevou — Você acha que eu não sacrificaria qualquer coisa por você? Acha que eu não enfiaria a pica de quem fosse na minha boca para poder ficar ao seu lado? Helena, se você não fizer isso, vamos perder tudo. Seu irmão vai nos destruir.
Helena fechou os olhos. As lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto.
— Eu vou fazer — sussurrou — Vou fazer por você. Por nós.
Dessa vez, Helena não hesitou. Entrou no quarto do irmão com a determinação de quem sabe o que tem que fazer, mas também com o medo de quem está prestes a cruzar uma linha que não vai poder apagar.
Iván estava na mesma posição, de barriga para cima, com o lençol mal cobrindo ele. Helena se aproximou e, com as mãos trêmulas, baixou a cueca do irmão. O olhar dela encontrou de novo aquela pica poderosa, já meio dura, como se soubesse que ia ser usada.
Helena respirou fundo e se inclinou. Os lábios dela roçaram a cabeça da pica — quente, macia, pulsante — e ela sentiu Um formigamento que percorreu todo o seu corpo. Ela abriu a boca e o pegou inteiro, sentindo a carne do irmão preencher sua boca, chegando até o fundo da garganta. Começou a se mover, pra cima e pra baixo, chupando com desespero, com luxúria, com um desejo que ela não sabia que tinha. Sua língua percorreu o tronco, se enroscou no freio, deslizou pela glande. Suas mãos, enquanto isso, amassavam as bolas do irmão, sentindo como se moviam sob seu toque. Iván, fingindo dormir, sentia cada movimento da boca da irmã. Sentia sua língua, seus lábios, seus dentes. Sentia como ela o chupava com uma mistura de inocência e desejo que o enlouquecia. Na mente dele, sorria. Sabia que, depois daquela noite, Helena nunca mais poderia olhá-lo do mesmo jeito. Helena, enquanto isso, se deixava levar pelo momento. Já não pensava no Pedrito, não pensava no jogo, não pensava em nada. Só sentia a pica do irmão na boca, o sabor, o calor, o poder. E sabia que, acontecesse o que acontecesse, não havia mais volta. O corpo de Iván se tensionou, e Helena sentiu o gozo começar a jorrar na boca dela. Ela engoliu, sentindo o líquido viscoso deslizar pela garganta, e continuou chupando até o pau do irmão amolecer. Então, em vez de se afastar, ficou mais um momento. Seus lábios beijaram a glande, sua língua acariciou o tronco, e suas mãos percorreram o torso nu de Iván, sentindo os músculos, os pelos, o calor da pele. Iván, na glória do seu sono fingido, soube que tinha vencido. Helena ligou para Pedrito do jardim, escondida entre os arbustos de jasmim. — Fiz de novo — sussurrou, com a voz ainda rouca — Chupei a pica dele até ele gozar, e ele gozou duas vezes. — Bem — disse Pedrito, e a voz dele soava distante, quase mecânica — Mas não é suficiente. Agora preciso que você sente nela. Helena sentiu o mundo parar. — O quê? Sentar... onde? — Na sua buceta, Helena — disse Pedrito, com uma crueza que a fez estremecer — Você tem que sentar em cima ele e meter o pau dele dentro de você. É o único jeito de enfraquecer ele de vez. Se você fizer isso, ele vai ficar tão exausto que não vai conseguir nem correr no jogo.
- Mas isso é impossível! - exclamou Helena, sentindo as lágrimas começarem a brotar - Isso é... é demais. Ele é meu irmão!
- E daí? - a voz de Pedrito ficou cortante - Você acha que eu ligo? Acha que eu não faria o mesmo por você? Helena, se você não fizer isso, a gente perde tudo. Seu irmão vai vencer, eu vou perder meu contrato, e a gente nunca vai poder ficar junto. É isso que você quer?
Helena soluçou, com o telefone colado no ouvido.
- Não... não quero isso...
- Então faz. Por nós. Pelo nosso futuro.
Helena desligou, com o coração em pedaços. Mas em algum lugar bem fundo do seu ser, uma voz sussurrava algo diferente:E se você quiser? E se você desejou isso desde a primeira noite?Naquele dia, Helena ouviu Ivan reclamando com a mãe dele.
— Não sei o que tá acontecendo comigo — dizia Ivan, esfregando a nuca — Tô fraco. Cansado. Como se tivesse corrido uma maratona.
Helena sentiu o coração dar um pulo.O plano está funcionando., pensou.Pedrito tinha razão. As gozadas estão deixando ele fraco.- Talvez você precise descansar, filho - disse a mãe, com sua voz sempre submissa - O jogo é importante, mas sua saúde também.
- Não posso descansar - respondeu Ivan, com um suspiro - Tenho que treinar. Tenho que vencer.
Helena, do outro lado da mesa, sentiu uma mistura de culpa e satisfação. Seu plano estava funcionando. E se funcionasse, Pedrinho ganharia o jogo, conseguiria seu contrato, e ela poderia fugir de Los Arroyos com ele.
Mas também sentiu algo mais: uma pontada de desejo ao ver seu irmão tão vulnerável, tão humano, tão perto.
Naquela noite, Helena entrou no quarto de Ivan com o coração batendo a mil. Vestia o mesmo roupão de seda, mas por baixo não levava nada. Tinha decidido que, se fosse fazer, faria direito.
Ivan estava deitado de costas, como sempre, com o lençol mal cobrindo-o. Helena se aproximou, puxou o lençol e se deparou com a pica do irmão, já meio dura, como se soubesse que seria usada.
Helena se inclinou e começou a chupar, com o mesmo desespero da noite anterior. Sua língua percorreu a haste, sua boca sugou a cabeça, suas mãos amassaram as bolas. Mas em sua mente, uma única ideia ecoava:Tenho que enfiar. Tenho que fazer isso.Quando a pica do Iván ficou dura e ereta, Helena parou. Levantou-se, tirou o roupão e ficou nua na frente do irmão. Os peitos redondos se erguiam firmes, os mamilos endurecidos de desejo, e entre as coxas, um calor úmido a encharcava.
Ela se posicionou por cima dele, com as pernas abertas de cada lado do torso. A buceta, molhada e pulsante, roçou na cabeça da pica do irmão, e ela sentiu um formigamento que percorreu o corpo inteiro.
– É pelo Pedrito – sussurrou, com a voz trêmula – É por nós.
Ela pegou a pica do irmão com uma mão e a guiou até a entrada. Sentiu a cabeça pressionando contra os lábios úmidos, e um gemido escapou dos seus lábios.
– Vai – sussurrou – Vai, entra...
Mas não conseguia. Por mais que tentasse, a cabeça escorregava, se perdia entre as dobras, mas não entrava. Helena sentiu as lágrimas começarem a rolar pelo rosto. Era grande demais, grosso demais, e ela era virgem demais, inexperiente demais.
– Não consigo – soluçou – Não consigo...
Iván, que tinha fingido estar dormindo, sentiu o desespero da irmã. Tinha planejado tudo para chegar naquele momento, e não ia deixar escapar. Abriu os olhos só um pouco, com um olhar sonolento, e mexeu o quadril para cima.
A cabeça da pica pressionou contra a entrada de Helena, e ela ficou parada, com o corpo tenso.
– Ganhamos... – murmurou Iván, com voz sonolenta – Vamos ser campeões... gostosa...
Helena achou que ele estava sonhando, que estava falando com alguma mulher da vila no sonho. Mas então, sentiu as mãos do irmão nos quadris dela. Uma mão segurou firme, e a outra guiou a pica até a entrada da buceta.
– Não... – sussurrou Helena, mas era tarde demais.
Iván empurrou para cima, e a vara começou a penetrá-la. Helena sentiu a carne do irmão abrindo caminho dentro dela, esticando, preenchendo. A dor foi intensa, aguda, e um grito escapou dos lábios dela.
– Ahhhhhhhhhhh! Auuughhhhhhh.
Iván, com um movimento rápido, se incorporou e a beijou com paixão, afogando seu grito. Sua língua se enroscou na dela, enquanto seu pau continuava penetrando-a, rompendo o hímen, reivindicando-a por completo. Helena sentiu as lágrimas rolarem por suas bochechas, misturando-se com o suor e a saliva. A dor era imensa, mas também havia algo mais: uma sensação de plenitude, de pertencimento, de ter chegado a um lugar que sempre fora seu. Iván rompeu o beijo e a olhou nos olhos. Seus olhos, antes frios e calculistas, agora brilhavam com uma luz de posse.
-Obrigado pelo presente, irmãzinha -sussurrou, com um sorriso vitorioso- Você foi uma visita muito generosa.
-Não é o que você pensa -soluçou Helena, com a voz quebrada- Isso é... isso é pelo Pedrinho...
Iván soltou uma risada baixa e profunda, enquanto seu pau se enterrava por completo dentro dela.
-Não é o que eu penso? -perguntou, com a voz carregada de ironia- Olha pra você, Helena. Sozinha você veio pro meu quarto. Sozinha você tirou a roupa. Sozinha você sentou em cima de mim. E agora, aqui está, com meu pau dentro de você.
Helena sentiu o calor invadi-la. A dor começava a sumir, substituída por uma sensação de plenitude que ela nunca tinha experimentado.
-Você é minha -disse Iván, com a voz firme- Sempre foi. E agora, finalmente, você sabe.
Ele começou a se mover dentro dela, com movimentos lentos e profundos que a faziam gemer. Helena, no começo, tentou segurar os sons, mas logo se deixou levar pelo prazer. Seus quadris se moviam no ritmo dos do irmão, e suas mãos se agarravam aos ombros dele enquanto ele a fodia.
Iván a colocou de quatro, e a penetrou por trás, com estocadas profundas que a faziam gritar. Colocou-a de lado, levantando uma perna dela, e a fodeu com uma intensidade que a deixou sem fôlego. Colocou-a de barriga pra cima, e a olhou nos olhos enquanto a preenchia por completo.
-Fala meu nome -exigiu Iván, com a voz rouca.
-Iván! -gritou Helena, com o corpo se arqueando- Iván!
-Fala que você é minha.
-Eu sou sua! -soluçou Helena, com lágrimas de prazer rolando pelas bochechas dela - Eu sou toda sua!
Iván sentiu o orgasmo se aproximando, e com uma última estocada, gozou dentro dela, enchendo a barriga dela com o esperma dele. Helena sentiu o calor líquido inundando ela, e o próprio orgasmo dela a sacudiu, fazendo ela tremer.
Quando terminaram, Iván beijou ela com paixão, e Helena sentiu que não havia mais volta.
- Não vai embora - disse Iván, quando ela tentou se levantar - Essa é a sua cama de agora em diante.
- Mas... minha mãe...
- Sua mãe não vai falar nada - disse Iván, com um sorriso - Ela já ouviu tudo. E sabe que não pode fazer nada.
Helena sentiu o mundo desmoronar. A mãe dela sabia. E não tinha feito nada.
Iván puxou ela para perto dele e comeu ela de novo, devagar, com ternura, como se quisesse gravar no corpo dela a certeza de que ela pertencia a ele. Naquela noite, dormiram abraçados.
A mãe de Helena esperava eles no café da manhã. Iván desceu com o braço em volta dos ombros da irmã, e beijou ela na boca na frente da mãe. A mulher, com o olhar baixo, não disse nada.
- Serve o café - ordenou Iván à empregada - Traz proteína. Ovos, presunto, queijo. A Helena precisa de forças.
Helena, com as bochechas queimando, não conseguiu olhar pra mãe. Sabia que a mulher tinha ouvido tudo, que sabia o que tinha acontecido, e que não ia fazer nada.
Iván se despediu com outro beijo na boca, como quem se sabe dono da própria propriedade.
- Te vejo essa noite, meu amor - disse, com um sorriso triunfante.
Quando ele foi embora, Helena tentou ligar pro Pedrito, mas o telefone tocou e tocou sem resposta. Tentou várias vezes, mas nada. Pedrito não atendia.
Naquela noite, Iván levou ela pro quarto dele e fez amor com ela de novo. Mas dessa vez, Helena não resistiu. Dessa vez, o corpo dela respondeu ao do irmão com uma entrega total, com uma paixão que ela não sabia que tinha.
- Tá vendo? - sussurrou Iván, enquanto comia ela devagar - Isso é o que você sempre quis. Isso é o que você sempre precisou.
Helena, com os olhos fechados e o corpo se arqueando, assentiu em silêncio.
Chegou o dia do jogo. Iván, antes de ir ao estádio, beijou Helena na testa e sussurrou:
-Quero que você esteja presente com meu filho no estádio.
Helena piscou, confusa.
-Que filho? -perguntou, sem entender.
Iván sorriu e acariciou a barriga dela.
-Aqui você o carrega, meu amor. Aqui você o tem guardadinho.
Helena sentiu o mundo parar. Grávida? Do irmão dela?
-Não pode ser -sussurrou- Só se passaram alguns dias...
-Não importa -disse Iván, com um sorriso- Eu sei. E logo você também vai saber.
Helena, atordoada, se vestiu e foi ao estádio. Sentou-se no camarote principal, ao lado da mãe, e viu o jogo começar.
Pedrito, debaixo das traves do Paredón, olhava o campo com desespero. Não tinha recebido o dinheiro prometido, não tinha visto Valéria, e não sabia o que estava acontecendo.
Iván, no centro do campo, levantou o punho para a multidão, e o público enlouqueceu. E então, começou o massacre.
20 a 0. Foi a maior goleada da história da liga. Iván marcou doze gols, e o resto foi dos companheiros. Pedrito, humilhado, se ajoelhou no gramado e chorou como um menino.
Depois do jogo, ele procurou Iván nos vestiários.
-O que aconteceu? -gritou- Você me prometeu que eu ia ganhar!
Iván riu, uma risada fria e cruel.
-Você realmente achou que ia levar tudo, imbecil? -disse, se aproximando- Achou que eu ia te dar dinheiro, uma mulher, e a chance de fugir? Você é mais burro do que eu pensava.
Pedrito abriu a boca para protestar, mas Iván levantou a mão e dois seguranças apareceram.
-Tirem ele da cidade -ordenou- Como lixo. Sem dinheiro. Sem a filha do ferreiro. Sem nada.
Pedrito foi arrastado para fora do estádio, e o último que o viu foi Helena, do camarote, enquanto a cidade a parabenizava pelo triunfo do irmão.
Helena, do camarote, recebeu os parabéns de toda a cidade. As pessoas se aproximavam dela, apertavam sua mão, abraçavam-na, e diziam:
-Que orgulho ter os Chávez-Rojas no povinho!
- Teu irmão é um campeão!
- Que família tão poderosa!
Helena sorria mecanicamente, mas por dentro, tudo era um turbilhão de emoções. Ela tinha visto Pedrito ser arrastado, e tinha sentido, pela primeira vez, que todo o plano tinha sido uma mentira.
Iván a procurou depois da celebração e a beijou nos lábios, na frente de todo o povoado. Ninguém disse nada. Ninguém ousou. Os Chávez-Rojas eram donos de Los Arroyos, e ninguém ia questionar o que eles faziam.
- Adoro que você traga meu filho com você - sussurrou Iván no ouvido dela.
Nove meses depois, nasceu Iván Jr. Foi um parto rápido e sem complicações, atendido pela melhor parteira do povoado. O menino, com os olhos escuros do pai e o cabelo loiro da mãe, foi o herdeiro dos Chávez-Rojas.
Helena e Iván foram casados pelo padre do povoado, numa cerimônia íntima onde ninguém fez objeções. Todos sabiam que Iván era dono do povoado, e que ninguém podia se opor à vontade dele.
Iván Jr. cresceu forte e saudável, com o olhar desafiador do pai e a beleza angelical da mãe. Helena, desde o dia do nascimento dele, soube que a vida dela já não lhe pertencia. Era a esposa do irmão, a mãe do filho dele, e a dona da casa grande.
As noites na mansão dos Chávez-Rojas eram longas e úmidas. Iván, depois dos jogos e das reuniões de negócios, voltava pra casa com cheiro de grama e de vitória, e reclamava sua irmã-esposa como quem reclama um copo d'água. Helena, com o corpo já acostumado ao seu dono, se entregava sem resistência, com uma paixão que surpreendia até ela mesma.
As noites se repetiam, uma atrás da outra, com a mesma intensidade, a mesma paixão, a mesma entrega. E Helena, que antes tinha sonhado em fugir de Los Arroyos com um goleiro mediano, agora só conseguia imaginar a vida dela nos braços do irmão, na cama dele, no poder dele.
- Você é meu troféu - dizia Iván, enquanto beijava o pescoço dela, enquanto as mãos dele percorriam suas curvas - A joia da minha coroa. A mulher a mais gostosa da cidade, e só minha.
Helena, com o corpo ainda tremendo do orgasmo, sorria fraco.
- Só sua - sussurrava - Sempre sua.
E na cama dos Chávez-Rojas, entre lençóis de seda e sombras de veludo, o poder e o desejo se fundiam num corpo só, numa carne só, num pecado só que nenhum confessor poderia absolver.
Porque Los Arroyos pertencia ao Iván.
E Helena, com a barriga cheia da semente dele e a alma envenenada pelo amor dele, era a prova viva de que os Chávez-Rojas sempre venciam.
Sempre.FIM
Iván tinha mamado esse poder desde o berço. Agora com vinte e três anos, era um homem de costas largas, braços veiudos e um queixo quadrado que parecia esculpido no mesmo mármore que exportavam. Mas a força verdadeira dele não estava nos músculos — estava naquele olhar frio que avaliava as pessoas como se fossem gado, calculando a utilidade e a ameaça de cada uma. No povoado, todo mundo sabia que Iván não esquecia uma ofensa, real ou imaginada. E também sabiam que quando Iván queria alguma coisa, ele tomava.
Tinha sido assim com o time de futebol. Iván tinha fundado cinco anos atrás não por amor ao esporte, mas porque precisava de uma distração e de uma vitrine pro seu poder. Ele era o dono, o técnico, o capitão e a estrela. Vestia a camisa número 10 e se regozijava vendo os rivais tremerem quando ele recebia a bola. A perna esquerda dele era precisa como um bisturi, e quando comemorava um gol levantava o punho e olhava pra arquibancada — onde sempre tinha uma mulher nova disposta a se oferecer.
Porque esse era outro dos passatempos dele: o direito de pernada moderno. Iván tinha se deitado com esposas de vereadores, filhas de comerciantes, namoradas de trabalhadores. Ninguém recusava. Não por desejo, mas por medo. Uma negativa significava perder o emprego, a colheita, o contrato de água, a própria vida naquele povoado que dependia dos Chávez-Rojas. As mulheres iam pra casa dele, pro escritório particular que tinha ao lado dos campos, e saíam depois de horas com o cabelo bagunçado e o olhar vazio. Iván as devolvia às suas vidas como quem devolve um livro emprestado. Mas havia uma mulher que ele nunca poderia tocar: Helena. Sua irmã tinha dezoito anos e era o centro de todas as atenções em Los Arroyos. Alta e esbelta, com uma cabeleira loira com mechas que caía sobre os ombros nus, Helena combinava uma beleza de comercial com uma inocência que era quase ofensiva naquele ambiente de violência escondida. Seus olhos escuros e delineados olhavam o mundo com curiosidade, seus lábios carnudos sempre levemente entreabertos como esperando um beijo, e seu corpo — Deus, seu corpo — era uma provocação constante: seios redondos que se erguiam firmes sob as blusas, quadris que balançavam a cada passo, uma bunda que o jeans apertado marcava sem piedade. De manhã, Helena ajudava na igreja e dava catecismo para as crianças. À tarde, lia romances no jardim. À noite, na intimidade do seu quarto, se olhava no espelho e se perguntava por que seu corpo a traía daquele jeito — por que sentia um calor estranho entre as pernas quando pensava nas mãos de um homem, por que se molhava imaginando alguém a pegando contra a parede, por que se tocava na cama pensando em lábios que a mordessem e línguas que percorressem ela inteira. Era uma contradição ambulante: a santinha de dia, a puta sonhadora de noite. Todos os homens da cidade suspiravam por ela, mas nenhum ousava se aproximar. Quem tentava, acabava demitido, humilhado ou simplesmente sumia. Iván tinha deixado claro que sua irmã era intocável — uma virtude que ele mesmo não praticava, mas exigia para a família. Mais uma posse. Pedrito chegou à cidade como um sopro de ar fresco. Vinte e dois anos, moreno, com um sorriso fácil e uma atrapalhação encantadora. Não era bonito como Iván — era atraente num sentido mais suave, menos ameaçador. Seu pai tinha sido goleiro na terceira divisão e ele Ele tinha herdado os reflexos, mas não a estatura; media apenas um metro e setenta, mas se jogava com coragem debaixo das traves. Iván o contratou por necessidade — o goleiro anterior tinha "sofrido um acidente" com uma tesoura de poda — e Pedrito chegou sem saber a história do povoado, sem conhecer as regras não escritas. A primeira coisa que fez foi alugar um quarto na casa de uma viúva e perguntar onde ficava a praça. A segunda foi esbarrar com Helena.
Foi no quiosque do povoado, uma estrutura octogonal pintada de branco que era o coração social de Los Arroyos. Helena comprava sorvete e o rapaz a olhou como se tivesse visto um anjo. Ela, acostumada a olhares lascivos, sentiu algo diferente naquela admiração, não posse. Ele se aproximou, gaguejou, perguntou as horas. Ela sorriu, e ele se apaixonou naquele exato instante.
— Quer sair comigo? — perguntou Pedrito duas semanas depois, quando já tinham se visto escondidos várias vezes. Helena, com o coração batendo descompassado, disse que sim.
O primeiro beijo foi no quiosque, ao entardecer. Ele a pegou pela cintura, ela se arqueou em direção a ele, e seus lábios se encontraram com a suavidade de quem descobre o paraíso. Helena sentiu seu corpo se acender — os bicos dos peitos endureceram, um calor úmido cresceu entre suas coxas — e soube que era aquele o homem com quem queria se perder.
Mas as línguas do povoado correram mais rápido que seus suspiros. No dia seguinte, Iván já sabia de tudo.
O patriarca dos Chávez-Rojas mandou chamar Pedrito ao escritório privado ao lado das quadras. O rapaz chegou sem saber o que o esperava, com a esperança ainda fresca no peito depois do beijo no quiosque.
— Fecha a porta — ordenou Iván, sem levantar os olhos da escrivaninha.
Pedrito obedeceu, e o som do ferrolho ao correr ecoou no cômodo como um presságio. Iván se levantou então, e o goleiro pôde ver o tamanho real do homem — aquele corpo forjado nos campos de futebol e nas pedreiras de mármore. Pedrito engoliu seco. saliva.
- Ouvi dizer que você tem se encontrado com a minha irmã - disse Iván, se aproximando com passo lento, quase felino - É verdade?
- Seu Chávez, eu...
- Não minta. Eu sei que você beijou ela. No quiosque, ao entardecer. Meus olhos estão em todo lugar.
Pedrito sentiu o suor frio escorrendo pelas costas. Quis recuar, mas a porta estava fechada, e a presença de Iván enchia o quarto como um gás venenoso.
- Seu, eu amo ela - gaguejou - Helena e eu nos amamos, e eu vim pedir sua permissão pra...
- Pra quê? - Iván soltou uma risada seca, sem humor - Pra casar com ela? Pra levar a garota mais gostosa da cidade? Pra manchar o sangue dos Chávez-Rojas com seus genes de porteiro medíocre?
- Seu, eu juro que vou cuidar dela, que...
- Cala a boca.
Iván deu as costas e caminhou até a janela. Lá fora, a noite se fechava sobre Los Arroyos, e as luzes do estádio iluminavam o gramado vazio. Durante um longo momento, o único som era o zumbido de um ventilador enferrujado e a respiração ofegante de Pedrito.
- Sabe o que eu vou fazer com você? - perguntou Iván, se virando devagar - Vou te dar uma lição. Uma surra que vai te deixar dolorido por semanas. Não vou te matar, porque isso seria fácil demais e além disso minha irmã me odiaria. Mas vou te fazer entender que em Los Arroyos as regras quem faz sou eu.
Pedrito quis correr, mas foi tarde demais. Iván o pegou pelo pescoço com uma força brutal e o esmagou contra a parede. Os quadros caíram, o vidro quebrou, e o porteiro sentiu o ar escapando dos pulmões enquanto os punhos do patrão começavam a trabalhar no seu rosto, na sua barriga, nas suas costelas.
Não durou muito - apenas alguns minutos - mas para Pedrito foi uma eternidade. Quando Iván o soltou, o garoto caiu no chão, ofegante, com a cara ensanguentada e o corpo cheio de hematomas. Seu ombro direito, o que usava pra se lançar nas defesas, pendia num ângulo estranho - deslocado por um golpe seco.
- Me escuta bem - disse Iván, ajoelhando-se ao lado dele e sussurrando em seu ouvido — Amanhã mesmo você vaza de Los Arroyos. Vai pro time do Paredón, que fica a duas horas daqui, e joga lá. E nunca mais fala com a minha irmã. Entendeu? — Por quê...? — gemeu Pedrito, com a voz embargada — Por que a gente não pode ser feliz? Iván riu, e dessa vez o riso foi genuíno, cruel, profundo. — Feliz? Em Los Arroyos só eu sou feliz, Pedrito. E o único jeito de você também ser é indo embora e esquecendo a Helena. Se você falar com ela de novo, se olhar pra ela de novo, se pelo menos pensar nela, eu juro pela minha mãe que vou te achar e te despedaçar. Mas não vou te matar — acrescentou, com um sorriso que mostrava os dentes — Vou te deixar vivo, pra você saber que ela nunca vai ser sua. Pedrito foi embora ao amanhecer, com o ombro enfaixado e o coração em pedaços. Não se despediu de Helena — não podia, Iván tinha proibido sob ameaça de morte — mas deixou uma carta debaixo da porta do quarto dela, escrita com a mão trêmula:Helena, meu amor. Vou pra Paredón. Seu irmão me fez entender que não posso ficar aqui, que não mereço estar do seu lado. Mas te prometo que vou jogar bem, vou conseguir um contrato, e vou voltar por você. Não importa quanto tempo passe. Te amo. Pedrito.Helena encontrou a carta ao acordar e leu com o coração na mão. Quis correr atrás dele, mas a mãe a segurou na porta.
— Não vai, filha. Seu irmão tem razão. Esse rapaz não é pra você.
— Como você pode dizer isso, mãe? — Helena sentiu as lágrimas queimando os olhos — Ele me ama. Eu amo ele.
— Amor não serve de nada quando o poder decide o contrário. E nesta casa, o poder é do seu irmão. Aceita o seu destino.
Helena desabou em choro, mas não discutiu. Sabia que a mãe tinha razão — não no fundo, mas na superfície. Iván era dono de tudo em Los Arroyos, e até o amor tinha que se ajoelhar diante dele.
Passaram-se as semanas, e a temporada de futebol começou. Helena, ferida e solitária, encontrou consolo em acompanhar os resultados do quarto, na intimidade do celular. O rádio da vila transmitia os jogos e ela se sentava diante do aparelho, com as pernas cruzadas e o coração na boca, ouvindo cada jogada como se a vida dependesse disso.
Os Chávez-Rojas começaram a temporada como um trator. No estádio de Los Arroyos, o time local atropelou os visitantes por 7 a 1, com cinco gols de Iván. Helena ouviu os gritos da multidão no rádio, o nome do irmão cantado como um hino, e sentiu uma mistura estranha de orgulho e náusea. Foi na página da liga nas redes sociais e viu os vídeos dos gols: o irmão recebendo a bola, cortando, chutando. Uma máquina perfeita.
Ao mesmo tempo, procurou os resultados de Paredón. O time do Pedrito tinha resistido e arrancado o zero numa praça difícil — 0 a 0, com o goleiro local destacado pela sorte. Não era sorte, pensou Helena, era o seu Pedrito, seu goleiro corajoso, aguentando apesar de tudo. Mas os comentários eram impiedosos: "O goleiro falhou em dois cruzamentos, teve sorte que os atacantes estavam descalibrados", "Pedrito teve uma noite de sorte".
Helena defendeu o namorado nos comentários, e recebeu uma resposta de uma conta anônima: "amadureceu pra caralho, puta do Chávez". Ela se sentiu humilhada, mas não deixou de acompanhar os jogos.
Os Chávez-Rojas venceram por 4 a 0, com três gols de Iván e um do atacante reserva. Em Paredón, o time perdeu por 1 a 0 numa partida decidida num pênalti. Pedrito quase pegou, mas a bola escapou por entre os dedos dele.
Helena passou a noite vendo o vídeo do pênalti repetidas vezes. O irmão dela, do quarto ao lado, ouviu o barulho do celular e sorriu por dentro.
Na terceira rodada, os Chávez-Rojas venceram por 2 a 1 contra o time mais forte da região. Iván fez os dois gols: o primeiro, uma falta perfeita; o segundo, uma cabeçada no último minuto. A torcida foi à loucura, e nas redes sociais o nome dele era assunto local.
Paredón empatou em 2 a 2. Pedrito tinha feito um jogo decente, defendendo várias bolas perigosas, mas o time rival conseguiu o empate nos acréscimos. Helena viu os melhores momentos e soube que o namorado tinha feito tudo o que podia. Foi uma partida honrosa.
Depois, os Chávez-Rojas golearam por 3 a 0 sem suar a camisa. Iván levou o jogo na boa, dando assistências pros companheiros, mas fez o terceiro gol com uma jogada individual que deixou três zagueiros no chão.
Paredón perdeu por 1 a 0. O gol saiu no primeiro tempo, um chute de meia distância que Pedrito não conseguiu alcançar. Nas redes sociais, os torcedores do time começaram a criticar ele: "Esse goleiro não presta", "Precisamos de mudança no gol".
Helena defendeu o namorado nos comentários e recebeu mais xingamentos. Mas não ligou. Continuava acreditando nele.
No jogo seguinte, os Chávez-Rojas venceram por 11 a 0. Foi uma goleada histórica, com Iván marcando sete gols e o resto distribuído pelo time. O estádio virou uma festa, e os torcedores cantaram o nome do patriarca por meia hora.
Paredón conseguiu a primeira vitória: 3 a 2, com Pedrito pegando um pênalti aos 80 minutos que salvou o jogo. Helena pulou da cama com um grito de alegria, e a mãe dela, do corredor, a chamou à ordem.
Na rodada seis, os Chávez-Rojas venceram por 4 a 0, com dois gols do Iván e dois do seu atacante estrela. O time era imparável, e a imprensa local já o tratava como favorito ao campeonato.
Paredón empatou em 3 a 3. O jogo foi uma loucura, com o time visitante virando o placar duas vezes. Pedrito tinha feito uma partida irregular: pegou duas bolas claras, mas falhou no terceiro gol. Nas redes, os torcedores não se entendiam: "O goleiro salvou o ponto", "O goleiro nos custou os três".
Helena estava confusa. Queria ver o melhor do namorado, mas a realidade era teimosa: Pedrito era um goleiro mediano, que nos grandes momentos falhava. E o irmão dela era um campeão, um gênio, o que dominava o campo com a canhota mágica. Como conciliar essas duas imagens?
Na noite anterior ao jogo decisivo, Helena estava sentada na beira da cama, olhando pro teto. O quarto estava escuro, iluminado só pela lua que entrava pela janela. O celular vibrou e o nome do Pedrito apareceu na tela.
- Alô? - ela sussurrou, pra não acordar a mãe.
- Helena... - a voz do Pedrito soava quebrada, desesperada - Helena, preciso que você me ajude. Na próxima rodada a gente joga contra os Chávez. Na sua quadra. Com seu irmão, e ele tá imparável... ele vai meter pelo menos 3 gols em mim, com o tanto que ele me odeia, e vão me mandar embora!
- Eu sei, Pedrito. Tenho acompanhado todos os jogos.
- E você viu como eu tô jogando? - ele soltou uma risada amarga - Eu fui um desastre. Não consigo pegar nem um chute de meia distância. O treinador me disse que se a gente perder pro time do seu irmão, ele me corta. E se eu perder, meu sonho de conseguir um contrato e poder viver com você se acaba pra sempre.
- Pedrito, eu...
- Não, me escuta. - a voz dele falhou - Seu irmão é um monstro. Hoje ele treinou com o time e meteu cinco gols no treino. Eu não sei do que ele é feito, mas a gente vai tomar uma goleada. E eu vou perder minha chance de ter uma vida contigo.
Helena sentiu as lágrimas começarem a rolar pelo rosto. Queria dizer que tudo ia ficar bem, mas sabia que não era verdade.
— Por favor — continuou Pedrito, com a voz trêmula — Fala com seu irmão. Pede pra ele não fazer tantos gols. Que nos dê uma chance. Se a gente ganhar, os diretores vão me oferecer um contrato, e eu vou poder te pedir... a gente vai poder ficar junto.
— Pedrito, eu não tenho controle sobre o que o Iván faz...
— Eu sei! Mas você é a única que consegue fazer ele ver a razão. Você é irmã dele. Ele te ama, não ama? Ou pelo menos te respeita? — a voz dele subiu um tom, quase acusatório — Helena, se você não me ajudar, eu perco tudo. O time, o contrato, e o mais importante: você.
O silêncio se arrastou. Helena conseguia ouvir a respiração ofegante do Pedrito do outro lado, e no próprio corpo sentia uma mistura de impotência, raiva e desejo. Queria ajudá-lo, mas sabia que o Iván não ouviria razões. Seu irmão só ouvia o poder.
— Vou tentar — sussurrou, com a voz embargada — Mas não te prometo nada.
— Obrigado, Helena. Eu te amo.
— Eu também te amo.
Desligaram, e Helena ficou olhando o próprio reflexo na tela apagada. O rosto pálido, os olhos vermelhos, os lábios tremendo. Mas tinha algo mais naquela imagem: uma determinação que ela nunca tinha sentido antes.
Levantou da cama, vestiu um roupão de seda que mal cobria as coxas, e caminhou até a porta. Lá fora, o corredor estava escuro, mas no fundo, no escritório do irmão, tinha uma luz acesa.
Bateu na porta com os nós dos dedos.
— Entra — disse a voz grave do Iván.
Helena entrou e se deparou com o irmão sentado atrás da escrivaninha, com as pernas abertas e um copo de uísque na mão. Os olhos dele percorreram o corpo da irmã — o roupão que deixava à mostra o decote, as pernas nuas, os pés descalços — e por um instante, pararam na borda do tecido, onde a curva do quadril se insinuava.
— Que surpresa, irmãzinha — disse, com um sorriso que Helena não soube decifrar- O que te traz ao meu escritório a esta hora?
Helena se aproximou, sentindo o peso do olhar do irmão sobre ela. O quarto cheirava a tabaco e a homem, a couro e a poder. Na parede, as fotos de Iván com seus troféus e com mulheres famosas a olhavam com cumplicidade.
- Iván... - começou, e sua voz saiu mais grave do que pretendia - Preciso falar com você.
- Senta, então.
Helena se sentou na cadeira em frente à escrivaninha, mas o desconforto a fez mexer as pernas, e o roupão se abriu um pouco mais, deixando à mostra a pele branca das suas coxas. Iván desviou o olhar, mas não conseguiu evitar que seus olhos parassem por um segundo naquela carne que nunca deveria ver daquele jeito.
- Do que se trata? - perguntou, com a voz mais rouca que o normal.
- o próximo jogo é contra o Paredón - disse Helena, e sua voz tinha um tom suplicante - Pedrito me ligou. Me contou que se perderem, vão mandar ele embora. E o contrato dele, o sonho dele...
- Ah - Iván deixou o copo sobre a escrivaninha e se recostou - De novo o goleiro.
- Por favor, Iván. Não marca tantos gols nele. Dá uma chance pra ele. Se o Paredón ganhar ou empatar, ele pode continuar no time. A gente pode ficar junto.
Iván riu, uma risada seca e cruel.
- E por que eu deveria ajudar ele? Esse moleque não merece a minha irmã.
- E você o que sabe do que eu mereço? - Helena se levantou de um pulo, e o roupão se abriu por completo, mostrando a borda da calcinha branca dela - Você, que transa com meio mundo? Você, que humilha as mulheres e usa elas como bem entende? Você, que me mantém trancada aqui como se eu fosse uma propriedade?
- Helena!
Iván se levantou, e a cadeira caiu no chão. De repente, ele estava na frente dela, e o cheiro da colônia dele, o hálito com whisky, a presença esmagadora dele, preencheram o espaço entre os dois.
- O que tá acontecendo com você? - perguntou ele, com a voz baixa e perigosa - O que é isso, uma rebelião? Cê acha que porque eu te dei algumas liberdades pode me desafiar?
Helena sentiu o corpo dela responder à proximidade do irmão. O medo se misturou com algo mais — aquele calor estranho entre as pernas, aquela pulsação acelerada que ela não entendia. Quis recuar, mas não conseguiu. Os pés pareciam colados no chão.
— Só quero ser feliz, Iván — sussurrou, e a voz dela era quase um fio — Será que é pedir demais?
— Felicidade não se ganha com um porteiro medíocre — disse ele, e as mãos se ergueram para segurar o rosto dela — Felicidade se ganha com poder. E o poder é meu. Dos Chávez-Rojas. E você é uma Chávez-Rojas, Helena. Isso você não vai esquecer.
— Mas o Pedrito me ama... — a voz dela se quebrou.
— Não, Helena. — Iván a pegou pelo queixo, forçando-a a olhar para ele — Eu te amo. Eu sou o que te protegeu desde criança. Eu sou o que afastei todos os homens que queriam te fazer mal. E sabe de uma coisa? — a voz dele baixou um tom, ficando quase íntima — Aquela carta que ele te deixou, aquelas promessas vazias... não valem nada. Ele não vai voltar.
Helena sentiu o corpo tremer. As mãos do irmão no rosto dela eram firmes, mas não violentas, e o polegar dele, quase sem querer, roçou a borda dos lábios dela. Foi um contato breve, casual, mas que a fez arder por dentro.
— Eu vou jogar como sempre. E você vai estar na arquibancada. E vai ver seu porteiro falhar. Porque esse é o destino dele: falhar. Como todos os que não têm o sangue dos Chávez.
Iván, agora que sabia que Pedrito tinha se comunicado com Helena, naquela mesma noite, depois da conversa no escritório, Iván mandou trazer Pedrito ao campo de treinamento. Não ao escritório privado, mas ao campo principal, iluminado pelos refletores, vazio e silencioso sob a lua.
Pedrito chegou achando que ia ser morto, que aquela seria a sentença final dele. Mas Iván o recebeu com um sorriso que não era de deboche, mas de cálculo.
— Senta — disse Iván, apontando para a grama. Ele mesmo se sentou, como se fossem dois amigos dividindo um momento.
Pedrito obedeceu, tremendo.
— Sei que você falou com a minha irmã — começou Iván, com a voz suave — E sei que pediu pra ela interceder por você. Que me pedisse pra não te escalar tantos gols.
- Senhor, eu...
- Cala a boca. - Iván levantou a mão, e Pedrito emudeceu - Não te trouxe aqui pra te punir. Te trouxe pra fazer uma proposta.
Pedrito piscou, confuso.
- Uma... proposta?
- Sim. - Iván se inclinou na direção dele, e os olhos brilharam com uma luz perigosa - Quero que você ganhe o jogo contra mim.
Pedrito abriu a boca, mas nenhum som saiu.
- O quê... o que o senhor quer dizer?
- Quero que os Chávez-Rojas percam - disse Iván, com um sorriso que era puro veneno - Quero que você os derrote, que o Paredón ganhe de 2 a 1, e que você seja o herói da partida.
Pedrito sentiu o chão se abrir sob seus pés.
- Mas, senhor, o senhor é o melhor jogador da liga, o senhor pode marcar cinco gols num jogo, o senhor...
- Eu sei - Iván o interrompeu - É por isso mesmo que quero perder. Porque quando o invencível Chávez-Rojas cai, quando o patriarca é derrotado por um goleiro medíocre, o mundo treme. Os diretores do Paredón vão te oferecer um contrato decente, as apostas que eu controlo vão me render milhões, e eu, continuarei sendo eu.
Pedrito piscou, incrédulo.
- Mas... por que o senhor faria isso? Por que me ajudar?
- Porque quero que você leve sua mediocridade pra longe daqui. Mas não vou te dar minha irmã. Isso nunca.
Pedrito sentiu a esperança se esvair.
- Então... o que o senhor me oferece?
- Dinheiro - disse Iván, tirando um envelope do paletó - Muito dinheiro. Suficiente pra você comprar uma casa na cidade, pra viver confortável pelo resto da vida. E além disso...
Iván fez uma pausa, e os olhos dele se fixaram na entrada do estádio, onde uma figura feminina se movia entre as sombras.
- Além disso, vou te apresentar alguém.
Uma mulher saiu da escuridão: era jovem, uns vinte anos, com cabelo preto e comprido, olhos verdes e um corpo de tirar o fôlego. Vestia um vestido vermelho que se ajustava às curvas como uma segunda pele, e o sorriso dela era uma promessa de prazer.
- Ela é a Valéria - disse Iván, com um sorriso - É filha do dono da loja de ferragens do povoado. Vinte e um anos, solteira, e com uma vontade de sair daqui que você não faz ideia. Se você ganhar o jogo, ela é sua. É sua.
Pedrito olhou para Valeria e sentiu o coração dar um salto. A garota era linda — não como Helena, não com aquela beleza angelical e proibida — mas tinha algo que o atraía: um olhar safado, uns lábios carnudos, um corpo que prometia noites de luxúria. E além disso, era jovem, solteira, e estava disposta a ir embora com ele.
— E... e a Helena? — perguntou Pedrito, com a voz trêmula.
— Helena é minha irmã — disse Iván, com um sorriso cruel — E eu decido quem fica com ela. E essa pessoa não vai ser você.
Pedrito sentiu uma mistura de alívio e desejo. Alívio porque não teria que enfrentar Iván, porque não teria que arriscar a vida por um amor impossível. Desejo porque Valeria era tudo o que ele sempre quis: uma mulher gostosa, disponível, e com a promessa de uma vida melhor.
— Aceito — disse Pedrito, sem hesitar — Aceito seu trato.
Iván sorriu, e os olhos dele brilharam com uma luz triunfante.
— Bem. Então escuta bem o plano...
No dia seguinte, Pedrito ligou para Helena. A voz dele soava estranha, distante, mas também carregada de uma determinação que Helena nunca tinha ouvido antes.
— Helena, tenho uma solução.
— Que solução? — perguntou ela, com a voz arrasada pelo choro.
— Se seu irmão não aceitar recuar, vamos ter que jogar sujo. Vamos ter que machucar ele.
— Machucar ele? — Helena sentiu um nó no estômago — Como?
— Me escuta, Helena. Isso é importante. — a voz de Pedrito baixou até virar um sussurro — Seu irmão é o melhor jogador da liga porque tem força, resistência, poder. Mas tem um jeito de enfraquecer ele. Você sabe o que acontece quando um homem goza muito?
Helena sentiu o sangue subir para as bochechas.
— O... o que você quer dizer?
— Quero dizer que se a gente conseguir fazer seu irmão gozar várias vezes antes do jogo, ele vai ficar fraco. Exausto. Sem forças. E quando eu estiver debaixo da trave, ele não vai conseguir fazer os gols. que sempre marca. Ele vai perder. E nós vamos ganhar.
Helena ficou em silêncio, processando as palavras de Pedrito.
— Mas... como é que eu vou fazer isso?
— Você tem que entrar no quarto dele — disse Pedrito, com voz firme — Todas as noites, antes do jogo. Você tem que masturbar ele com a mão. Fazer ele gozar. Uma, duas, três vezes. Até ele ficar tão exausto que não consiga nem levantar a perna pra chutar.
Helena sentiu o mundo parar.
— Masturbar ele? — sussurrou — Pedrito, isso é... isso é meu irmão...
— Que importa se é seu irmão? — a voz de Pedrito ficou urgente — É o único jeito da gente ficar junto. Se você não fizer, ele vai ganhar, e eu vou perder meu contrato, e nunca vou poder te pedir em casamento. E além disso... — a voz dele falhou — Além disso, seu irmão tem transado com todas as mulheres da vila. Você acha que ele tem escrúpulo? Você acha que ele para diante de alguma coisa? Se você não fizer, ele vai continuar abusando do poder dele, e a gente nunca vai ser feliz.
Helena sentiu as lágrimas escorrendo pelas bochechas.
— Mas eu não sei como... não sei se consigo...
— Você consegue — disse Pedrito, com voz suave mas firme — Porque você me ama. Porque você quer ficar comigo. Não é?
— É — sussurrou Helena — Eu te amo.
— Então faz. Por nós. Pelo nosso futuro.
O silêncio se arrastou. Helena podia ouvir o próprio coração batendo nos ouvidos.
— Tá bom — disse, com voz trêmula — Eu vou fazer. Por você, Pedrito. Por nós.
Naquela noite, já passava da meia-noite quando Helena saiu do quarto dela. O corredor estava escuro, e o único som era o zumbido do ar-condicionado na casa dos Chávez-Rojas. Ela andou descalça até a porta do irmão, com o roupão de seda roçando nas coxas, e bateu de leve.
Não houve resposta.
Helena abriu a porta e entrou. O quarto do Iván era grande, com uma cama de casal e cortinas de veludo. O irmão dela estava deitado de barriga pra cima, coberto só com um lençol fino que deixava ver a silhueta do corpo. O torso nu, os braços musculosos, respiração profunda e regular. Helena parou na beira da cama e sentiu as pernas tremendo. A mão dela, estendida em direção à borda do lençol, hesitou. Ela podia ouvir o próprio coração batendo nos ouvidos, e um calor estranho se espalhava do ventre dela até as coxas.É por causa do Pedrinho., sentou.É por nós.Com as mãos trêmulas, ela baixou o lençol, revelando o torso nu do irmão. Seus olhos percorreram aquele corpo poderoso — os peitorais firmes, o abdômen definido, os pelos que desciam do umbigo até a borda da cueca. O cheiro do irmão — de homem, de colônia, de suor do campo — a envolveu como uma névoa.
Helena sentou na beira da cama e, com um movimento rápido, baixou a cueca de Iván. Seu olhar encontrou o pau do irmão: uma rola poderosa, grossa, que descansava sobre as coxas, ainda mole mas já imponente. As bolas, grandes e pesadas, pendiam por baixo, cobertas por pelos escuros.
Helena sentiu a boca secar. Aquilo era muito maior do que ela tinha imaginado, muito mais real. Sua mão se estendeu, e seus dedos roçaram a cabeça — quente, macia, pulsante. Um arrepio percorreu seu braço e se espalhou até o peito, até os mamilos, que endureceram sob o roupão.
— É pelo Pedrito — sussurrou de novo, e seus dedos se fecharam ao redor do tronco.
Ela começou a mover a mão para cima e para baixo, sentindo a carne do irmão endurecer sob seu toque, como crescia, como se enchia de sangue. Era uma sensação estranha, proibida, que a fazia arder por dentro. O arrepio nas coxas se transformava em um calor úmido, e ela sentiu a calcinha encharcar.
Iván, embora fingisse dormir, estava totalmente consciente. Sentia a mão da irmã ao redor do pau, sentindo-o endurecer, crescer até atingir o tamanho máximo. Na mente dele, um sorriso se formava. Ele tinha subornado o Pedrito, sim, mas não para o garoto ganhar. Tinha subornado o Pedrito para que a irmã, pela primeira vez, o tocasse, o sentisse, o desejasse.
Helena, enquanto isso, se deixava levar pelo momento. Seus dedos se moviam cada vez mais rápido, amassando as bolas do irmão com a outra mão, sentindo como se moviam sob seu toque. O arrepio nas coxas se intensificava, e um gemido quase inaudível escapou dos seus lábios.
— Vai, Iván. —sussurrou, sem perceber que estava falando— Termina. Termina por mim.
O corpo de Iván se tensionou, e Helena sentiu o membro do irmão se contrair na mão dela. Um jato de porra quente jorrou da glande, respingando nos dedos, no pulso, no avental. Helena ficou olhando, fascinada, enquanto o líquido viscoso e branco escorria pela pele dela.É enorme., pensou.Ter que aguentar uma coisa dessas dentro...Mas também pensou em outra coisa: em como adorava aquele poder, em como a excitava ver o irmão, tão forte, tão dominante, entregue à sua mão.
Limpou os dedos no lençol, levantou-se e saiu do quarto às escondidas, achando que o plano tinha sido um sucesso.
No dia seguinte, Helena ligou para Pedrito do jardim, com o telefone colado no ouvido.
— Eu fiz — sussurrou, com a voz ainda trêmula — Eu masturbei ele. Ele gozou.
— Bem — disse Pedrito, e a voz dele soou estranha, quase fria — Agora vamos ter que partir para a próxima etapa.
— O quê?
— Hoje você vai ter que usar a boca.
Helena sentiu o mundo parar.
— A... a minha boca?
— Sim. — a voz de Pedrito era firme, mas também tinha um tom urgente — Masturbação não é suficiente. Precisamos enfraquecê-lo mais. Se você chupar a pica dele, se enfiar a pica inteira na boca, ele vai ficar muito mais exausto. Vai gozar mais. E quando chegar o jogo, ele vai estar tão fraco que não vai conseguir nem ficar de pé.
Helena sentiu o sangue subir para as bochechas.
— Mas Pedrito, isso é... isso é demais...
— Demais? — a voz de Pedrito se elevou — Você acha que eu não sacrificaria qualquer coisa por você? Acha que eu não enfiaria a pica de quem fosse na minha boca para poder ficar ao seu lado? Helena, se você não fizer isso, vamos perder tudo. Seu irmão vai nos destruir.
Helena fechou os olhos. As lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto.
— Eu vou fazer — sussurrou — Vou fazer por você. Por nós.
Dessa vez, Helena não hesitou. Entrou no quarto do irmão com a determinação de quem sabe o que tem que fazer, mas também com o medo de quem está prestes a cruzar uma linha que não vai poder apagar.
Iván estava na mesma posição, de barriga para cima, com o lençol mal cobrindo ele. Helena se aproximou e, com as mãos trêmulas, baixou a cueca do irmão. O olhar dela encontrou de novo aquela pica poderosa, já meio dura, como se soubesse que ia ser usada.
Helena respirou fundo e se inclinou. Os lábios dela roçaram a cabeça da pica — quente, macia, pulsante — e ela sentiu Um formigamento que percorreu todo o seu corpo. Ela abriu a boca e o pegou inteiro, sentindo a carne do irmão preencher sua boca, chegando até o fundo da garganta. Começou a se mover, pra cima e pra baixo, chupando com desespero, com luxúria, com um desejo que ela não sabia que tinha. Sua língua percorreu o tronco, se enroscou no freio, deslizou pela glande. Suas mãos, enquanto isso, amassavam as bolas do irmão, sentindo como se moviam sob seu toque. Iván, fingindo dormir, sentia cada movimento da boca da irmã. Sentia sua língua, seus lábios, seus dentes. Sentia como ela o chupava com uma mistura de inocência e desejo que o enlouquecia. Na mente dele, sorria. Sabia que, depois daquela noite, Helena nunca mais poderia olhá-lo do mesmo jeito. Helena, enquanto isso, se deixava levar pelo momento. Já não pensava no Pedrito, não pensava no jogo, não pensava em nada. Só sentia a pica do irmão na boca, o sabor, o calor, o poder. E sabia que, acontecesse o que acontecesse, não havia mais volta. O corpo de Iván se tensionou, e Helena sentiu o gozo começar a jorrar na boca dela. Ela engoliu, sentindo o líquido viscoso deslizar pela garganta, e continuou chupando até o pau do irmão amolecer. Então, em vez de se afastar, ficou mais um momento. Seus lábios beijaram a glande, sua língua acariciou o tronco, e suas mãos percorreram o torso nu de Iván, sentindo os músculos, os pelos, o calor da pele. Iván, na glória do seu sono fingido, soube que tinha vencido. Helena ligou para Pedrito do jardim, escondida entre os arbustos de jasmim. — Fiz de novo — sussurrou, com a voz ainda rouca — Chupei a pica dele até ele gozar, e ele gozou duas vezes. — Bem — disse Pedrito, e a voz dele soava distante, quase mecânica — Mas não é suficiente. Agora preciso que você sente nela. Helena sentiu o mundo parar. — O quê? Sentar... onde? — Na sua buceta, Helena — disse Pedrito, com uma crueza que a fez estremecer — Você tem que sentar em cima ele e meter o pau dele dentro de você. É o único jeito de enfraquecer ele de vez. Se você fizer isso, ele vai ficar tão exausto que não vai conseguir nem correr no jogo.
- Mas isso é impossível! - exclamou Helena, sentindo as lágrimas começarem a brotar - Isso é... é demais. Ele é meu irmão!
- E daí? - a voz de Pedrito ficou cortante - Você acha que eu ligo? Acha que eu não faria o mesmo por você? Helena, se você não fizer isso, a gente perde tudo. Seu irmão vai vencer, eu vou perder meu contrato, e a gente nunca vai poder ficar junto. É isso que você quer?
Helena soluçou, com o telefone colado no ouvido.
- Não... não quero isso...
- Então faz. Por nós. Pelo nosso futuro.
Helena desligou, com o coração em pedaços. Mas em algum lugar bem fundo do seu ser, uma voz sussurrava algo diferente:E se você quiser? E se você desejou isso desde a primeira noite?Naquele dia, Helena ouviu Ivan reclamando com a mãe dele.
— Não sei o que tá acontecendo comigo — dizia Ivan, esfregando a nuca — Tô fraco. Cansado. Como se tivesse corrido uma maratona.
Helena sentiu o coração dar um pulo.O plano está funcionando., pensou.Pedrito tinha razão. As gozadas estão deixando ele fraco.- Talvez você precise descansar, filho - disse a mãe, com sua voz sempre submissa - O jogo é importante, mas sua saúde também.
- Não posso descansar - respondeu Ivan, com um suspiro - Tenho que treinar. Tenho que vencer.
Helena, do outro lado da mesa, sentiu uma mistura de culpa e satisfação. Seu plano estava funcionando. E se funcionasse, Pedrinho ganharia o jogo, conseguiria seu contrato, e ela poderia fugir de Los Arroyos com ele.
Mas também sentiu algo mais: uma pontada de desejo ao ver seu irmão tão vulnerável, tão humano, tão perto.
Naquela noite, Helena entrou no quarto de Ivan com o coração batendo a mil. Vestia o mesmo roupão de seda, mas por baixo não levava nada. Tinha decidido que, se fosse fazer, faria direito.
Ivan estava deitado de costas, como sempre, com o lençol mal cobrindo-o. Helena se aproximou, puxou o lençol e se deparou com a pica do irmão, já meio dura, como se soubesse que seria usada.
Helena se inclinou e começou a chupar, com o mesmo desespero da noite anterior. Sua língua percorreu a haste, sua boca sugou a cabeça, suas mãos amassaram as bolas. Mas em sua mente, uma única ideia ecoava:Tenho que enfiar. Tenho que fazer isso.Quando a pica do Iván ficou dura e ereta, Helena parou. Levantou-se, tirou o roupão e ficou nua na frente do irmão. Os peitos redondos se erguiam firmes, os mamilos endurecidos de desejo, e entre as coxas, um calor úmido a encharcava.
Ela se posicionou por cima dele, com as pernas abertas de cada lado do torso. A buceta, molhada e pulsante, roçou na cabeça da pica do irmão, e ela sentiu um formigamento que percorreu o corpo inteiro.
– É pelo Pedrito – sussurrou, com a voz trêmula – É por nós.
Ela pegou a pica do irmão com uma mão e a guiou até a entrada. Sentiu a cabeça pressionando contra os lábios úmidos, e um gemido escapou dos seus lábios.
– Vai – sussurrou – Vai, entra...
Mas não conseguia. Por mais que tentasse, a cabeça escorregava, se perdia entre as dobras, mas não entrava. Helena sentiu as lágrimas começarem a rolar pelo rosto. Era grande demais, grosso demais, e ela era virgem demais, inexperiente demais.
– Não consigo – soluçou – Não consigo...
Iván, que tinha fingido estar dormindo, sentiu o desespero da irmã. Tinha planejado tudo para chegar naquele momento, e não ia deixar escapar. Abriu os olhos só um pouco, com um olhar sonolento, e mexeu o quadril para cima.
A cabeça da pica pressionou contra a entrada de Helena, e ela ficou parada, com o corpo tenso.
– Ganhamos... – murmurou Iván, com voz sonolenta – Vamos ser campeões... gostosa...
Helena achou que ele estava sonhando, que estava falando com alguma mulher da vila no sonho. Mas então, sentiu as mãos do irmão nos quadris dela. Uma mão segurou firme, e a outra guiou a pica até a entrada da buceta.
– Não... – sussurrou Helena, mas era tarde demais.
Iván empurrou para cima, e a vara começou a penetrá-la. Helena sentiu a carne do irmão abrindo caminho dentro dela, esticando, preenchendo. A dor foi intensa, aguda, e um grito escapou dos lábios dela.
– Ahhhhhhhhhhh! Auuughhhhhhh.
Iván, com um movimento rápido, se incorporou e a beijou com paixão, afogando seu grito. Sua língua se enroscou na dela, enquanto seu pau continuava penetrando-a, rompendo o hímen, reivindicando-a por completo. Helena sentiu as lágrimas rolarem por suas bochechas, misturando-se com o suor e a saliva. A dor era imensa, mas também havia algo mais: uma sensação de plenitude, de pertencimento, de ter chegado a um lugar que sempre fora seu. Iván rompeu o beijo e a olhou nos olhos. Seus olhos, antes frios e calculistas, agora brilhavam com uma luz de posse.
-Obrigado pelo presente, irmãzinha -sussurrou, com um sorriso vitorioso- Você foi uma visita muito generosa.
-Não é o que você pensa -soluçou Helena, com a voz quebrada- Isso é... isso é pelo Pedrinho...
Iván soltou uma risada baixa e profunda, enquanto seu pau se enterrava por completo dentro dela.
-Não é o que eu penso? -perguntou, com a voz carregada de ironia- Olha pra você, Helena. Sozinha você veio pro meu quarto. Sozinha você tirou a roupa. Sozinha você sentou em cima de mim. E agora, aqui está, com meu pau dentro de você.
Helena sentiu o calor invadi-la. A dor começava a sumir, substituída por uma sensação de plenitude que ela nunca tinha experimentado.
-Você é minha -disse Iván, com a voz firme- Sempre foi. E agora, finalmente, você sabe.
Ele começou a se mover dentro dela, com movimentos lentos e profundos que a faziam gemer. Helena, no começo, tentou segurar os sons, mas logo se deixou levar pelo prazer. Seus quadris se moviam no ritmo dos do irmão, e suas mãos se agarravam aos ombros dele enquanto ele a fodia.
Iván a colocou de quatro, e a penetrou por trás, com estocadas profundas que a faziam gritar. Colocou-a de lado, levantando uma perna dela, e a fodeu com uma intensidade que a deixou sem fôlego. Colocou-a de barriga pra cima, e a olhou nos olhos enquanto a preenchia por completo.
-Fala meu nome -exigiu Iván, com a voz rouca.
-Iván! -gritou Helena, com o corpo se arqueando- Iván!
-Fala que você é minha.
-Eu sou sua! -soluçou Helena, com lágrimas de prazer rolando pelas bochechas dela - Eu sou toda sua!
Iván sentiu o orgasmo se aproximando, e com uma última estocada, gozou dentro dela, enchendo a barriga dela com o esperma dele. Helena sentiu o calor líquido inundando ela, e o próprio orgasmo dela a sacudiu, fazendo ela tremer.
Quando terminaram, Iván beijou ela com paixão, e Helena sentiu que não havia mais volta.
- Não vai embora - disse Iván, quando ela tentou se levantar - Essa é a sua cama de agora em diante.
- Mas... minha mãe...
- Sua mãe não vai falar nada - disse Iván, com um sorriso - Ela já ouviu tudo. E sabe que não pode fazer nada.
Helena sentiu o mundo desmoronar. A mãe dela sabia. E não tinha feito nada.
Iván puxou ela para perto dele e comeu ela de novo, devagar, com ternura, como se quisesse gravar no corpo dela a certeza de que ela pertencia a ele. Naquela noite, dormiram abraçados.
A mãe de Helena esperava eles no café da manhã. Iván desceu com o braço em volta dos ombros da irmã, e beijou ela na boca na frente da mãe. A mulher, com o olhar baixo, não disse nada.
- Serve o café - ordenou Iván à empregada - Traz proteína. Ovos, presunto, queijo. A Helena precisa de forças.
Helena, com as bochechas queimando, não conseguiu olhar pra mãe. Sabia que a mulher tinha ouvido tudo, que sabia o que tinha acontecido, e que não ia fazer nada.
Iván se despediu com outro beijo na boca, como quem se sabe dono da própria propriedade.
- Te vejo essa noite, meu amor - disse, com um sorriso triunfante.
Quando ele foi embora, Helena tentou ligar pro Pedrito, mas o telefone tocou e tocou sem resposta. Tentou várias vezes, mas nada. Pedrito não atendia.
Naquela noite, Iván levou ela pro quarto dele e fez amor com ela de novo. Mas dessa vez, Helena não resistiu. Dessa vez, o corpo dela respondeu ao do irmão com uma entrega total, com uma paixão que ela não sabia que tinha.
- Tá vendo? - sussurrou Iván, enquanto comia ela devagar - Isso é o que você sempre quis. Isso é o que você sempre precisou.
Helena, com os olhos fechados e o corpo se arqueando, assentiu em silêncio.
Chegou o dia do jogo. Iván, antes de ir ao estádio, beijou Helena na testa e sussurrou:
-Quero que você esteja presente com meu filho no estádio.
Helena piscou, confusa.
-Que filho? -perguntou, sem entender.
Iván sorriu e acariciou a barriga dela.
-Aqui você o carrega, meu amor. Aqui você o tem guardadinho.
Helena sentiu o mundo parar. Grávida? Do irmão dela?
-Não pode ser -sussurrou- Só se passaram alguns dias...
-Não importa -disse Iván, com um sorriso- Eu sei. E logo você também vai saber.
Helena, atordoada, se vestiu e foi ao estádio. Sentou-se no camarote principal, ao lado da mãe, e viu o jogo começar.
Pedrito, debaixo das traves do Paredón, olhava o campo com desespero. Não tinha recebido o dinheiro prometido, não tinha visto Valéria, e não sabia o que estava acontecendo.
Iván, no centro do campo, levantou o punho para a multidão, e o público enlouqueceu. E então, começou o massacre.
20 a 0. Foi a maior goleada da história da liga. Iván marcou doze gols, e o resto foi dos companheiros. Pedrito, humilhado, se ajoelhou no gramado e chorou como um menino.
Depois do jogo, ele procurou Iván nos vestiários.
-O que aconteceu? -gritou- Você me prometeu que eu ia ganhar!
Iván riu, uma risada fria e cruel.
-Você realmente achou que ia levar tudo, imbecil? -disse, se aproximando- Achou que eu ia te dar dinheiro, uma mulher, e a chance de fugir? Você é mais burro do que eu pensava.
Pedrito abriu a boca para protestar, mas Iván levantou a mão e dois seguranças apareceram.
-Tirem ele da cidade -ordenou- Como lixo. Sem dinheiro. Sem a filha do ferreiro. Sem nada.
Pedrito foi arrastado para fora do estádio, e o último que o viu foi Helena, do camarote, enquanto a cidade a parabenizava pelo triunfo do irmão.
Helena, do camarote, recebeu os parabéns de toda a cidade. As pessoas se aproximavam dela, apertavam sua mão, abraçavam-na, e diziam:
-Que orgulho ter os Chávez-Rojas no povinho!
- Teu irmão é um campeão!
- Que família tão poderosa!
Helena sorria mecanicamente, mas por dentro, tudo era um turbilhão de emoções. Ela tinha visto Pedrito ser arrastado, e tinha sentido, pela primeira vez, que todo o plano tinha sido uma mentira.
Iván a procurou depois da celebração e a beijou nos lábios, na frente de todo o povoado. Ninguém disse nada. Ninguém ousou. Os Chávez-Rojas eram donos de Los Arroyos, e ninguém ia questionar o que eles faziam.
- Adoro que você traga meu filho com você - sussurrou Iván no ouvido dela.
Nove meses depois, nasceu Iván Jr. Foi um parto rápido e sem complicações, atendido pela melhor parteira do povoado. O menino, com os olhos escuros do pai e o cabelo loiro da mãe, foi o herdeiro dos Chávez-Rojas.
Helena e Iván foram casados pelo padre do povoado, numa cerimônia íntima onde ninguém fez objeções. Todos sabiam que Iván era dono do povoado, e que ninguém podia se opor à vontade dele.
Iván Jr. cresceu forte e saudável, com o olhar desafiador do pai e a beleza angelical da mãe. Helena, desde o dia do nascimento dele, soube que a vida dela já não lhe pertencia. Era a esposa do irmão, a mãe do filho dele, e a dona da casa grande.
As noites na mansão dos Chávez-Rojas eram longas e úmidas. Iván, depois dos jogos e das reuniões de negócios, voltava pra casa com cheiro de grama e de vitória, e reclamava sua irmã-esposa como quem reclama um copo d'água. Helena, com o corpo já acostumado ao seu dono, se entregava sem resistência, com uma paixão que surpreendia até ela mesma.
As noites se repetiam, uma atrás da outra, com a mesma intensidade, a mesma paixão, a mesma entrega. E Helena, que antes tinha sonhado em fugir de Los Arroyos com um goleiro mediano, agora só conseguia imaginar a vida dela nos braços do irmão, na cama dele, no poder dele.
- Você é meu troféu - dizia Iván, enquanto beijava o pescoço dela, enquanto as mãos dele percorriam suas curvas - A joia da minha coroa. A mulher a mais gostosa da cidade, e só minha.
Helena, com o corpo ainda tremendo do orgasmo, sorria fraco.
- Só sua - sussurrava - Sempre sua.
E na cama dos Chávez-Rojas, entre lençóis de seda e sombras de veludo, o poder e o desejo se fundiam num corpo só, numa carne só, num pecado só que nenhum confessor poderia absolver.
Porque Los Arroyos pertencia ao Iván.
E Helena, com a barriga cheia da semente dele e a alma envenenada pelo amor dele, era a prova viva de que os Chávez-Rojas sempre venciam.
Sempre.FIM
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