Sem calcinha no escritório Cap.3

Sem calcinha no escritório Cap.3



(modelo da foto Isis Love)
Tchauzinho do trampoEntrando com passos bem lentos e olhando pra elas, eu não sabia pra quem olhar, só queria ir embora e pronto, acabar com meu dia de pesadelo. Dei o último passo pra parar a uma distância considerável daquele par de deusas e soltei um sorriso mais falso que minha vontade de estar ali. Minha boca secou tão rápido, mas eu tinha que cumprimentar e ouvir as ladainhas delas antes de me mandarem.

— Pois então aqui estou, Doutora Laura, oi Angie — cumprimentei toda nervosa.

A primeira a falar foi minha chefe Angélica:
— Oi Angie, como foi seu dia? — perguntou num tom tão natural. — Suponho que não teve muito o que fazer hoje — enquanto dizia isso, olhava pras próprias unhas e depois virou pra Laura com um sorrisinho. Não podia mentir pra ela, ela sabe um pouco das minhas atividades pelos relatórios que entrego. Então o que eu diria? Que terminei tão cedo que deu tempo de meter uns dedos no meu local de trabalho? E de quebra, o trágico destino da minha calcinha favorita nas mãos da mulher gostosa que estava sentada atrás da mesa, apoiada nos cotovelos, me olhando dos pés à cabeça, saboreando o momento. Tomei ar e antes de articular a primeira palavra, ela me interrompeu.

— Já sei que quase não fez nada — ela virou pra olhar de novo pra Laura, enquanto eu acenava com a cabeça e rezava: "pelo amor de Deus, que isso acabe logo!". Nesse momento, ouvi a voz de Laura como um trovão antes da tempestade.

— Conversei com a Laura sobre você — disse Laura, tirando os óculos e massageando a ponte do nariz. Pensei: "porra, por que essas pausas?". Já queria que me dissessem logo o que fiz de errado. Respirei fundo e, quando ia confessar meu crime pra acabar logo com esse julgamento, Laura falou de novo, engasgando minhas palavras na boca.

— Sobre sua capacidade, seu desempenho, sua energia, sua grande contribuição criativa, seu rendimento. Resumindo, sua forma de trabalhar tem sido excelente. Em seis meses, você aprendeu bastante e já supera vários colegas do seu departamento. E comigo, tirando a primeira vez, não tive... problemas com seus informes e relatórios, pelo contrário, você me poupa um tempo — ficou em silêncio de novo e olhou para Angélica como quem passa o bastão para ela continuar. Não acreditava no que tinha ouvido de Laura, sério que ela tinha percebido meu trabalho, mesmo não sendo do departamento dela, mas minha mente voltou pra minha calcinha, o motivo de estar aqui na frente das duas. Minha alma ia me abandonando aos poucos, não sabia quem ia me dar o golpe final.

— Tomamos uma decisão, baseada no seu desempenho. Há algumas semanas a gente conversou sobre isso, e hoje decidimos que você não vai mais trabalhar comigo — disse Angélica num tom sorridente. Não vai mais trabalhar comigo. Ouvi algo se quebrar dentro de mim, meus olhos se encheram d'água, não conseguia acreditar que havia um sorriso naquele rosto lindo. Pensei que ela gostava de mim, sei que tinham que me mandar embora, mas estavam sendo tão cruéis. Fiz um esforço pra minhas lágrimas não caírem, ia me virar pra sair quando Angélica falou de novo.

— No começo eu não queria fazer isso, tomar essa decisão é difícil porque eu te amo muito, Abi bebê (sim, era assim que Angie me chamava às vezes), mas pensando bem, é pro seu bem e sei que você pode crescer muito mais. A partir de segunda-feira, você vai se juntar à equipe da Laura, vai ser a chefe do departamento, vai ter muito trabalho e tomar decisões no próximo projeto. Você vai ter duas semanas pra se adaptar ao seu novo departamento, a Laura vai cuidar de você, ela vai te treinar. O que você acha, Abi? Aceita o desafio?

Fiquei totalmente muda. Quêêê, não tinha que esvaziar meu escritório e sair da empresa? Pisquei duas vezes e minhas lágrimas cristalinas não aguentaram e rolaram. Não tava entendendo, tava difícil processar o que Angélica acabava de dizer, meu anjo, minha deusa, e acho que minha ex-chefe a partir de segunda. Olhei pra Angélica e depois pra Laura, tipo, eu não tinha falado da minha calcinha, estavam me dando uma promoção que nem pensei em conseguir no tempo que tava na empresa. Só pensava em fazer a minha parte, mas ninguém tava falando da minha calcinha, parada na frente de duas deusas e sem calcinha, uma delas tava com ela na mão, se é que já não tinha se livrado dela, não soube o que dizer.

— Mas não chora, bebê, tudo é fruto do teu esforço, vai me fazer chorar também — disse Angélica.
— Como ouviu, Abigail, vai trabalhar pra mim, esse cargo não foi dado a mais ninguém, porque conheço eles, não se entregam totalmente à empresa, só gostam de puxar saco, transar se for preciso pra subir, mas você não é assim — disse Laura, e era verdade, eu não era assim, só enfio os dedos e deixo minha calcinha por aí, pensei, ainda sem acreditar.
— Não sei o que dizer — queria falar outra coisa, mas continuei em choque.
— Agora, esse cargo vai te exigir, eu vou te exigir 200%, sábados e, se precisar, domingos a gente vem trabalhar, não vai ter hora pra sair, no próximo projeto a diretoria nos deu a confiança deles, bem contra a vontade do diretor, que queria passar o projeto pro sobrinho dele, mas eu apostei minha demissão com a diretoria de que os dois departamentos, sem ajuda dos outros, iam dar conta — Laura tinha colocado os óculos, não sei se ela ficava mais gostosa com ou sem eles.
— Foi arriscado, o diretor sempre despreza as mulheres, mas a diretoria não, então a gente tem a chance de mostrar que a gente consegue, pra isso precisa fazer uns ajustes, nesses ajustes você entra, também pedi um outro cara pra ocupar seu lugar, então, o que me diz? — Angélica me olhava com os olhos brilhando de empolgação.
— Agradeço muito isso, me deixaram sem palavras, não sei o que dizer, gosto de trabalhar aqui, gosto de dar o melhor de mim, amo meu trabalho e sei que vou fazer de tudo por esse novo projeto, é um baita desafio, e de novo agradeço por terem pensado em mim — falei toda nervosa.
— Sua sala vai ser a que fica do lado da minha, foi reformada recentemente, a moça da limpeza vai trazer suas coisas, se quiser vir amanhã pra arrumar do seu jeito, fique à vontade. — O escritório ao lado é enorme — pensei em voz alta.
— Bom, já que está tudo esclarecido, te desejo um ótimo fim de semana, descanse bastante porque segunda-feira você vai ter que acompanhar meu ritmo, e se não der conta, vai embora, e eu contrato alguém que aguente o trabalho, porque você não vai voltar pro seu cargo. Acho que é só isso, vou ficar pra resolver mais algumas coisas, aquele café fica pra outro dia, Angie, me desculpa.
— Não se preocupa, Laura, fica pra outro dia, já que a gente pode chamar a Abi também. Bom, eu vou indo, vamos Abi, deixa ela trabalhar — nos despedimos, ela me pegou pelo braço, viramos de costas e saímos do escritório dela, não sem antes perceber como o olhar dela grudou na minha bunda. Ela sabia que eu não tava de calcinha, porque não mencionou? Por que me olhava daquele jeito? Ainda tinha coisas pra esclarecer. Por enquanto, minha alma voltou do limbo, eu tinha uma nova chance, mesmo que a parada das minhas calcinhas e a Laura continuasse muito estranha. Será que ela ia me chamar atenção depois? Ou como seria o jeito de lidar com o problema?...Se você chegou até aqui, valeu por me ler, é meu terceiro conto (de muitos), talvez seja meio passivo, mas acredita, vai de menos pra mais. Se curtiu e quiser comentar algo, fica à vontade, vou ler tudo, seus comentários vão me ajudar a melhorar!Me segue pra ficar sabendo quando eu postar a terceira parte!https://twitter.com/elsix_06
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