Você vem com aquele vestidinho cinza que trouxe há quinze dias... aquele com aquelas coisas pretas.
As "coisas pretas" eram costuras e detalhes cinza topo, e o vestido em questão era uma peça curta de modal cinza claro bem fininho, super justo, que terminava numa saia curtíssima. Em cima não tinha mangas, só duas alcinhas e um decote interessante, que com meus peitos virava escandaloso. Vocês já sabem que eu tenho umas tetas enormes e uma raba de respeito, sou só um pouco cheinha e com formato de violão, então essa peça automaticamente se transformava em algo muito, muito sensual e provocante. O tecido era tão fino que marcava as bordas da fio dental, praticamente como se eu não tivesse nada, e como a fio dental era daquelas bem pequenininhas que se enfiam no meio da bunda, o relevo acabava de expor o quão puta eu era: pra fora pela saia, e pra dentro pela calcinha que se via sem se mostrar. Sair com aquilo na rua era um convite pra todos os homens me olharem e gritarem putaria.
— Não posso sair daqui com isso vestido. O porteiro vai me ver, os vizinhos...
— Sei não, bebê, se vira — Bencina me cortou no telefone.
— Além disso, na volta o Mateo vai me ver, o que eu vou dizer?—Às seis em ponto na estação do Caballito, na plataforma que vai pra Província.Cheguei dez minutos antes e procurei um banheiro pra trocar de roupa e vestir o vestidinho cinza. Antes mesmo de entrar na estação, os caras já me olhavam muito, até um par me disse umas coisas, que eu nem ouvi nem quis entender. Ao entrar, foi a mesma coisa. É que eu tava com uma calça bem justa que me caía superbem e uma camiseta branca com uma frase gigante, "It’s Not Cheating", e uns ícones de chifres de animal em azul petróleo. Era larga, mas mesmo assim o caimento marcava meus peitos. Talvez me olhassem por causa das sandálias, que eram bem bem altas, empinavam minha bunda e deixavam ela no ponto, pronta pra uma mordida.
Pra entrar no banheiro, tive que perguntar na bilheteria velha, e o rapaz que me indicou não parou de olhar pros meus peitos e sorrir pra mim enquanto falava, e tenho certeza que escaneou minha bunda quando virei as costas pra ir me trocar. Às seis em ponto, eu tava pronta, de pé na plataforma, puro peito, bunda e coxa, enfiada num vestidinho tão curto que me fazia parecer uma putinha chique. A plataforma tava cheia de gente. Era o horário de pico da volta do trabalho. Dois milhões de pessoas saindo da cidade mais ou menos na mesma hora. O que o Bencina queria? Com certeza um apalpão no banheiro público, embora eu não adivinhasse se queria com ele ou com algum amigo desconhecido. Ou os dois. Aí eu vi. O Bencina se aproximando com um sorriso de vitória.
— Uffff…! — me aprovou ao chegar. — Que pedaço de putona que o corno do Mateo perde…! — e me deu um beijo.
— Hoje é só com você? — falei com carinha de menina, juntando ombros e braços. Meus peitos viraram dois melões brincando de escapar do decote.
— Não, com mais alguns.
"Alguns" me soou como três ou quatro. Com certeza acabaríamos no banheiro público. Nojento, mas com um certo tesão.
— Tão nos banheiros?
— Não — e os olhos dele ficaram enigmáticos. Na plataforma tinha de tudo: mulheres, crianças, velhos, e homens de todo tipo. Deus, tava cheio de homens! Ouvi uma sirene e vi ao longe o trem chegando. —Vem —ordenou—. Vamos mais pro meio que sobe mais gente.
—A gente vai subir?
Só quem mora em Buenos Aires e pega o trem do oeste na hora do rush sabe o que é isso. Já desde que sai, no terminal Once, não tem mais lugar. O povo não só viaja em pé, nem precisa se segurar nos corrimões porque o vagão inteiro forma um bloco sólido. Uns aproveitam pra passar a mão disfarçado em alguma mulher. Outros, em algum homem. E muitos, mais perto da porta, pra roubar. O louco é que quando o trem chega na primeira estação, em Caballito, ninguém desce, e em compensação sobe muita gente mais. Não sei como eles sobem, porque já no começo não tinha espaço. Mas sobem.
—Não vamos conseguir entrar! —falei quase gritando, por causa do barulho do trem que já tava chegando.
—Ah, vamos sim. Trouxe o celular?
—Na bolsa, com a roupa.
—Me dá.
O jeito de entrar é empurrando. Como os metrôs japoneses, mas sem os gordos contratados. Bencina e outros caras começaram a empurrar. Achei que fossem os desconhecidos que ele trouxe, mas não.
—Fica comigo —disse Bencina. Eu tava do lado, colada nele, e me apertei mais quando mais gente —a maioria caras de todo tipo— se colocou atrás da gente e começou a fazer força. Entramos, mas agora os empurrados éramos nós. Não sei se foi meu vestidinho, não sei se foram minhas curvas, mas de repente uns braços fortes me rodearam a cintura como quem vai fazer um scrum. E empurraram. Não consegui evitar ir pra frente e colar em outro cara, um moreno baixinho de uns cinquenta anos ou mais, com cara de índio. O braço na minha cintura logo virou uma mão aberta nas minhas ancas, e uns segundos depois me empurraram direto passando a mão na minha buceta. Procurei Bencina com o olhar.
—Tão mandando salve pro Mateu, agora mesmo.
Sorri pra ele. Ele sorriu pra mim. A mão que tava no meu rabo não saiu, os empurrões continuavam. E de repente senti outra mão, do outro lado. Nádega. Ela já não me empurrava mais, só se apoiava na minha nádega e aproveitava a esfregação dos empurrões.
—Mais um saludo pro meu marido —falei baixinho pro Bencina.
—Vão te encher de saludos nessa viagem.
A porta fechou e ficamos todos amontoados como sardinhas, apertados, rosto contra rosto, com os braços pra baixo, sem espaço entre os corpos nem pra olhar as horas. Bencina continuava do meu lado, quase me beijando. O velho índio continuava na minha frente, e os olhinhos dele iam das minhas tetas pra cara do Bencina. Devia achar que era meu namorado. Como era baixinho, o rosto dele batia nos meus peitos. Ri por dentro. Podia enlouquecer aquele velho. Com a arrancada forte do trem, a gente se mexeu muito e forte e meus peitos foram de encontro à cara do velho, enchendo ela com meu decote. Senti o calor e o suor do rosto dele nos meus peitos, e me arrepiei.
—Desculpa —falamos um pro outro, e sorri com malícia, tipo pra ele saber que se rolasse outro contato, não ia fazer escândalo.
Atrás de mim, suponho que pela minha passividade —porque nem virei o rosto pra fazer cara feia— as duas mãos começaram a ganhar confiança. Primeiro foi algo bem tímido, como sem querer. As mãos só acompanhavam o balanço do trem, ou seja, a apalpação era bem leve. Depois começaram a se mexer mais que o balanço.
—São teus amigos que tão me apalpando? —perguntei no ouvido do Bencina. Nessa inclinação mínima pra falar com ele, uma das mãos rodeou sorrateiramente minha bunda.
—Não trouxe ninguém —sorriu pra mim.
Isso, em vez de me chocar, me acendeu. Dois desconhecidos de verdade estavam me apalpando com meu vestidinho de puta elegante. Me perguntei se iam se atrever a me tocar por baixo da saia.
—Tão me passando a mão como se eu fosse qualquer uma!
E o Bencina, sempre no ouvido:
—Você tem vinte minutos até Liniers pra ser apalpada como uma puta. Depende de você, Juli. Não vai me decepcionar, vai?
Não ia decepcionar ele, não senhor. Em que momento eu tinha virado a putinha submisa dele? A primeira coisa que fiz, no ato, até mesmo sorrindo para Bencina nos olhos, foi empinar a bunda descaradamente, como pra quem tava apalpando perceber que tinha caminho livre. E olha que perceberam mesmo! Teve um segundo de nada, acho que de surpresa, e logo uma das mãos começou a me apalpar com decisão. Me acariciou de cima a baixo, e pra cima de novo, percorrendo uma das nádegas. Era inacreditável! Era um abuso completo e eu tava voando de tesão. Bencina me apontou com os olhos pro índio cinquentão. Me inclinei um pouco pra frente, e num movimento do trem coloquei os peitos na cara dele, literalmente. Desculpa, falei, mas deixei os seios no rosto dele. O índio disse "tá de boa", e a boca se mexeu na minha pele. Me percorreu uma eletricidade quando ele moveu os lábios. A gente tava tão mas tão apertado que ninguém conseguia ver que o velho tava com a cara nos meus peitos, só Bencina e um moleque de fones de ouvido, do meu outro lado.
Atrás — ou embaixo, dependendo do ângulo — o que vinha passando a mão numa nádega ganhou confiança e já tava apalpando minha bunda inteira com a mão toda, percorrendo minha raba de maneira descarada. A apalpação era tão impune que várias vezes esbarrou na mão do outro cara que ainda me roçava de forma disfarçada usando como desculpa o movimento do trem. Isso animou o tímido, que percebeu que a mulher que eles estavam amassando não ia falar nada, então ficou ousado também. Eu não só deixava eles fazerem, como quando dava empinava a bunda ou me jogava pra trás pra o apoio ser mais forte. O que vin Pudia ter chamado o Mateo de corno, no meio daquela gente que não era ninguém.
—O-olá, meu amor —cumprimentei, surpresa.
Tive que passar o braço por cima da cabeça do índio, que continuava enfiado nas minhas tetas. O balanço batia e batia ele contra meus peitos.
—Oi, Ju… o que houve?
—Como assim, o que houve?
—Você me ligou…
—Eu?
O mais filho da puta dos dois de trás começou a passar a mão na pele das minhas coxas. O que começou mais tímido já tava apalpando minha bunda como se eu fosse uma puta dele.
E o corno falava comigo:
—Sim, minha vida, apareceu uma chamada perdida aqui… —Olhei pro Bencina com uma raiva exagerada. De propósito, o safado tinha feito a ligação do meu celular—. Você tá num trem?
Ele percebeu pelo barulho. O que ele não podia perceber era que o amigo dele tinha me colocado naquele vagão pra três estranhos apalparem a mulherzinha dele. De repente, aquela ideia me deixou louca.
—Sim… Sim, amor, vou ver a Pachi.
Bencina fez sinais que eu não entendi. Eu viajava, não sabia o que inventar pro meu marido, mas o Mateo sabia que minha amiga Pachi morava no Oeste. Pra piorar, o índio começou a me dar beijinhos microscópicos a cada balançada, acho que medindo minha reação, e atrás o mais cretino começou a meter a mão por baixo da minha saia e a percorrer a borda da minha calcinha enfiada na bunda. Foi impossível não subir o fogo.
—O que houve? Ela tá bem?
—Sim, sim… Uhhhhh… —O de trás já começava a fazer conchinha com a mão nas minhas nádegas. O contato daquela pele e a sacanagem me fez ofegar—. É que vou ver ela e as meninas… esqueci de te avisar… —não sabia o que dizer, não tava preparada pra aquela ligação. Lembrei que em algum momento eu tinha dito que queria estudar filosofia e letras no ano seguinte—. Combinei com as meninas de me darem uma força… com o vestibular...
Mateo ficou quieto. Faltava meio ano pra época das provas. Mesmo assim, ele acreditou.
O velho índio não parava de se aproveitar de ter o rosto entre minhas tetas e continuava me dando beijinhos. Como eu não falava nada, ele não parava. Mas também não avançava. Bencina pegou na lateral do meu vestidinho e puxou pra baixo, com força. O decote aumentou na hora, e como eu não tava de sutiã, deu pra ver a borda da auréola dos meus mamilos, principalmente do lado do Bencina. O velho arregalou os olhos e procurou o meu olhar, como quem pede permissão. Eu tava conversando com meu amorzinho, não tinha tempo a perder com um velho que tava chupando meus peitos.
— Cê tá bem? Tá meio ofegante.
— Tô bem, meu amor — falei olhando pro velho, que já se animava a beijar a borda dos meus mamilos—. É que tem muita gente… tô muito apertada… — e sorri pro meu abusador.
Além do índio colado na frente e do Bencina do lado, tinha mais alguém do outro lado, e os que passavam a mão em mim por trás — pelo menos um tava grudado atrás, respirando no meu pescoço. Vocês têm que entender que a gente tava tudo no vagão, espremido, sem espaço nenhum. Nunca tinha viajado assim, sabia, claro, que isso acontecia, mas mesmo assim parecia inacreditável. De qualquer jeito, o que mais me surpreendia era a barbaridade da situação. Caras passando a mão em mulheres que não eram deles, desconhecidas, de costas, só autorizados pela oportunidade e pela falta de reação delas. Me perguntei quantas mulheres naquele trem estariam sendo apalpadas com a mesma impunidade que tão me apalpando.
— Tinha me esperado, aí a gente ia junto pra casa das suas amigas. Tô indo pra lá agora.
— Eu sei, meu amor, é que tão me esperando, já tô atrasada… Além disso, preciso que me dêem uma mão o mais rápido possível. Agora mesmo.
Os dois de trás intensificaram o apalpamento, já por baixo da saia, tocando carne com carne, usando minha bunda como se fosse uma coisa feita pro prazer deles. O primeiro tinha a mão aberta pegando nas duas nádegas pelo meio, com o dedo do meio cutucando pra achar um buraco, seja a buceta ou o cu. a tanga dificultava a manobra, mas já estava perto do objetivo. Eu mexia os quadris tentando dar espaço. A segunda mão, a tímida, só podia se esbaldar nas minhas nádegas, com o que a outra deixava. O melhor estava ocupado, então num momento, sempre por baixo da saia do vestidinho, a mão foi percorrendo por baixo pra frente e com ajuda do vai e vem chegou na minha pussy, protegida pela tanga.
—Bom, outro dia você vem e a gente volta junto… mas organiza melhor, às vezes parece que pensa com a bunda em vez da cabeça, hahaha…
—É, outro dia passo pra te buscar… —Vi o Bencina de repente desesperado, fazendo caretas igual um mímico. Ele falou com os lábios: “amanhã”, e eu soltei, pelo susto— Amanhã?
—Tá bom, love, amanhã.
Bencina parecia feliz, e eu desliguei porque o filho da puta de trás tava enfiando o dedo médio no meu buraco da bunda, e achei falta de respeito falar com meu marido com o dedo de um estranho enfiado no meu cu até a segunda falange. Mas logo me arrependi e liguei de volta pro marido.
Com a bunda bombada pelo dedo de sei lá quem, falei pro corno:
—Love, caiu… Uhhh… Só liguei pra dizer que te… ahhhmo…
Mateo ficou super feliz, e não perguntou sobre minha respiração ofegante. Disse que também me amava, bem na hora que o tímido conseguiu entrar pela frente.
Chegamos em Liniers dez minutos depois. Nesse tempo, estupraram meus dois buraquinhos, apalparam meus peitos (um dos de trás, não o velho índio) e se juntaram mais umas mãos, sempre anônimas. Como no trajeto o trem parou em duas estações intermediárias, a multidão se mexeu um pouco, e o tímido em algum momento foi deslocado e substituído por outro filho da puta masturbador e desesperado que me apalpou toda em segundos. Terminei ultrajada por uma quantidade indeterminada de caras, porque além disso, pra descer, eu e o Bencina tivemos que nos mover entre a gente procurando a porta e aí o apalpação é mais impune.
Cheguei em casa bem antes do meu marido, com a calcinha rasgada e um suor e uma mãozada que precisei tirar com um banho. Quando saí e o encontrei na sala, dei uma desculpa besta pra ter voltado pra casa em vez de ir com minhas amigas. Comemos algo, fomos fazer umas compras no bairro, abraçados feito dois apaixonados. Não tinha motivo nenhum, mas me mostrar apaixonada e dele na frente dos outros, e saber que fui apalpada por estranhos um tempinho antes, me esquentou como poucas coisas, e ao chegar em casa quase estuprei meu Mateo.
De novo na estação Caballito. De novo na hora do rush. Bencina tinha me dado instruções precisas: "quando eu te mandar uma mensagem, você liga pro corno e diz que tá se sentindo mal, que precisa que ele passe te buscar na estação. E quando ele chegar, você fala que já melhorou e vocês pegam o trem pra voltar."
Não pensem que ele me deu mais detalhes, só isso, e que eu confiasse nele. Ah, e que sim ou sim fosse de minissaia.
Por sorte tenho um monte de minissaias que não são de puta. Embora no último ano eu só tivesse comprado roupas bem puta (boa parte das quais escondi do meu marido), ainda me sobrava um monte da época em que era uma esposa decente. Bom, continuo sendo porque não faço do Mateo um corno. E nunca vou fazer.Como no dia anterior, entrei na estação e todo mundo me olhou. Dessa vez fui vestida com uma legging muito enfiada no rabo, sinceramente, para o meu estilo, era bem ousada. Já na saída de casa, o porteiro se surpreendeu, não disse nada, mas me pegou com o olhar, e eu me fazendo de sonsa, fingindo que ia pra academia ou algo assim. Não estava acostumada, me sentia radiografada por todos os homens, especialmente pelos do bairro que me conheciam e sempre me viam indo e vindo de mãos dadas com meu marido. Mas não vou mentir pra vocês, em certo ponto isso me excitava de um jeito novo. Na estação, fui ao banheiro público e me troquei. Fiquei com a regatinha curta e sem mangas e troquei a legging pela minissaia exigida. Não tinha espelho naquele banheiro imundo, mas sabia que com meus peitos e minha bunda eu tava matando. Parei na plataforma, esperando feito uma idiota; parecia uma puta, ou uma daquelas mulheres exuberantes que adoram se vestir e se exibir pra chamar a atenção de todo mundo.Recebi a mensagem e liguei pro Mateo. Fiz o teatro de que tava me sentindo mal, que tava indo encontrar ele e minha pressão tinha caído. Mulher sabe mentir, e meu amorzinho saiu desesperado pra me encontrar, na hora. Coitado, me deu uma pontinha de pena mentir assim por ordem de outro homem, como se eu fosse uma cuck de verdade.
Esperei ele sentada num dos bancos, deixando os trens passarem. Cinco caras tentaram me pegar em momentos diferentes. É que eu tava só de coxa de fora e a regatinha leve e decotada fazia meus peitos ficarem enormes (bom, eles já são enormes — obrigada, natureza). O quinto foi um cara de uns 30 anos, olhos claros, muito gostoso, um bombom de cinema. Não consegui evitar dar um sorriso pra ele, e isso deu moral, e eu tive que falar que tava esperando meu marido, e ele não acreditou; e foi um vai e vem, até que num momento eu me firmei e ele disse que só ia embora se eu desse meu número. Falei que não, mas que aceitava o dele.
Então ele me deu e foi embora. E fiquei pensando o que ia fazer da minha vida. Dessa parte da minha vida. Se caras másculos e lindos como aquele me notavam, quanto tempo minha fidelidade ia durar? Na rua tinha caras muito mais interessantes que os amigos que o Bencina trazia, claro que eles não iam se contentar com um apalpão e uma punheta.
Mateo chegou, e não veio sozinho.
— Oi, meu amor — me cumprimentou com um beijo e um pouco de preocupação.
— Oi, Puchi — cumprimentei ele. E olhei surpresa pro Bencina, do lado dele.
— Passei pra dar um oi no escritório bem na hora que você ligou. Tá bem?
Olhei em volta, o gostoso de olhos claros subia no trem me encarando da plataforma.
— Sim, sim… Minha pressão deu uma caída, mas já tô bem, como se nada… Te liguei à toa e não consegui ir te ver.
Mateo sentou comigo e segurou minha mão.
— Isso é o de menos, Ju. Fiquei preocupado quando te ouvi no telefone.
Ai, como eu amava meu Mateo, lindo e sempre ligado em mim. Me sentia um pouco culpada, com ele sentado do meu lado e o amigo dele — o que toda quinta me apalpava com impunidade, me comia a use the word: buceta e se esvaziava o cum nos meus peitos— de pé junto da gente. O Mateo olhou minha roupa, deslocada pra aquele lugar e horário, pelo sexy. Fiz uma careta de falsa desculpa e sussurrei, como se tivesse vergonha:
— Era pra você, love, não sabia que vinha com seu amigo.
Ele me beijou na testa como perdão. Também não podia falar muito, eu conhecia ele e percebi que me devorava com os olhos, coisa que me deixou com tesão.
— Não tem problema…
Apertei no punho livre o papelzinho com o telefone do de olhos claros, que ainda não tinha escondido.
— Pelo menos vamos poder voltar pra casa juntinhos — sorri feito uma menina.
— Quer que a gente volte de táxi, meu love?
— Cê tá louco? Até em casa vai sair uma fortuna, e eu já tô me sentindo super bem, sério.
Matu olhou de novo minha roupa. Eu já tinha interceptado várias vezes o Bencina olhando meu decote.
— É que nessa hora tem muita gente — hesitou meu marido —. E você tá gostosa demais.
— Não tem problema, Mateo — tranquilizou o amigo —. Entre nós dois a gente cobre ela, ninguém vai deixar ela desconfortável.
Será que o Bencina queria me apalpar na frente do meu marido? Se um me protegia na frente e outro atrás, podia meter a mão em mim com impunidade total. Ia ser tipo fazer ele mais corno do que nunca, porque ia ser quase na cara dele.
— Além disso, tem muito mito com essas viagens, meu love, ontem viajei sozinha e ninguém me meteu a mão — menti sem sombra de culpa —. O povo é muito respeitoso.
Ouviu o alarme intermitente da cancela, o trem vinha. Na plataforma já tinha muita gente, quase todos homens que me olhavam com desejo e muito descaramento, considerando que eu tava acompanhada do meu marido óbvio. Levantei com a desculpa de me preparar pra subir. Assim que levantei e alisei a minissaia, percebi que só tinha feito por dois motivos: pro Bencina me ver bem, pra ele gostar e ir saboreando o que ia apalpar, e pra fazer meu Mateo sofrer um pouquinho ao ver meu corpinho, assim vestido e sexy, assim meu e dele, ia Entrar num vagão que tava lotado de caras de toda idade e laia. Fiquei excitada quando a brisa que o trem fez ao entrar na plataforma levantou minha saia e por uma fração de segundo todo mundo viu a tanguinha enterrada entre minhas nádegas. Uma multidão se aglomerou perto das portas. A tensão visível do meu marido me deu uma ternura. Já a expectativa do Bencina me excitou. Parecia um lobo no cio encurralando a presa, olhando pra todo lado, calculando sei lá o quê. Mateo ficou atrás de mim pra me proteger, porque já tavam abrindo a porta e começaram os empurrões. Bencina ficou bem colado na gente. A porta se abriu e de repente começou uma cena parecida com a do dia anterior. Mas com uma diferença. Saídos de não sei onde, de repente do nosso lado apareceram Tutuca e o negro Yoto, os dois sátiros que o Bencina tinha trazido naquela tarde — e em muitas outras — e que me apalpavam, eu batia uma pra eles e eles gozavam nos meus peitos quando queriam. O tumulto ficou pesado. A galera empurrava, quase tudo homem, e em dois segundos já tava dentro, num vagão cheio de caras que olharam pro meu decote, pros meus peitos, pra minha cara de puta, como se eu fosse uma sobremesa. A violência cordial com que entramos não economizou nos amassos furtivos. Não sei quem nem quantos, mas enquanto a gente entrava, senti várias mãos enfiando debaixo da minha minissaia, algumas tentando ficar, outras mais covardes, tocando e saindo fora, todas no meu rabo minúsculo quase pelado e também, embora bem menos, umas mãos corajosas me apalparam os peitos. Procurei o Mateo com o olhar, que ficou na minha frente mas com um estranho no meio. Olhei pro estranho: era o Tutuca, que ficou de frente pra mim e me encarou com um sorriso perverso. Bencina tava do meu lado, e também do lado do Tutuca. Não via o negro Yoto, mas pela apalpação descarada e completa que já naquela hora eu recebia na bunda (e não os começos tímidos do dia anterior), apostava que era o cara tinha atrás.
—Meu amor —disse meu lindo corno manso, mais do que pra me cumprimentar, foi pra avisar o “desconhecido” que tava no meio de um casal e que podia se mandar ou ceder o lugar.
Tutuca dificilmente teria conseguido trocar de lugar mesmo se quisesse, de tão apertado que a gente tava. Olhei por cima do ombro dele pro meu Mateo e passei um braço pelo lado. Juntei minhas mãos com as do meu marido e entrelaçamos elas como namorados. Tutuca, no meio, enfiou uma mão por baixo da barra da saia e passou a mão na minha buceta, por cima da calcinha fio dental. Simples e direto assim como vocês tão lendo.
O trem arrancou.
É impossível explicar o que senti naqueles primeiros instantes. Se com as brincadeiras histéricas na casa da Bencina eu já ficava com tesão e me excitava, ter o cuck —desculpa, o Mateo— ali do lado multiplicou tudo por mil.
A mão do Tutuca na minha entrepernas, mesmo com a calcinha fio dental, me excitou como se fosse uma penetração. Meu coração acelerou, minha pele ficou toda arrepiada e os bicos dos peitos endureceram na hora. Eu tinha os dedos do Mateo entre os meus, e os de um filho da puta sórdido entre minhas pernas. Quando o trem arrancou, o movimento me jogou pra trás. As mãos do preto Yoto agarraram minhas nádegas. Do jeito que eu tô falando: uma mão em cada bunda, uma ainda por cima da saia, a outra, que tinha conseguido enfiar por baixo, na pele, no meio da bunda e no meio da coxa. Ainda bem que a gente tava tão apertado que não dava pra ver nada, porque minha saia curta tava praticamente toda levantada até a cintura. A mão por cima do tecido se moveu, amassou minha bunda inteira e eu me arrepiei toda. Senti a mão percorrer meu corpo, depois não senti mais. Devia estar me procurando por baixo da minissaia. Na frente, Tutuca parou de esfregar minha buceta por cima da calcinha e levou a mão esquerda pros meus peitos, sabendo que o próprio corpo dele tapava a vista do corno, que continuava atrás dele. A gente tava tão junto que eu podia beijar o Tutuca com um balanço um pouco mais forte. Não ia fazer isso, óbvio, eu não ia beijar ninguém. Além disso, Tutuca era muito feio. Diferente do garoto que me deu o telefone dele.
A apalpação descarada não me deixou sonhar mais. Tutuca ficou vidrado nas minhas tetas como se estivéssemos num cinema. Encheu a mão com meu peito direito e apertou e massageou com uma impunidade que me fez olhar pro meu Mateo por cima do ombro dele. É que ele mesmo escondia a violação com o próprio torso. Me perguntei se estava certo deixar meu marido parado como um completo corno na frente de todo o vagão.
Não consegui me responder. Atrás de mim, o negão afastou minha calcinha fio dental pro lado e fez uns movimentos, protegido pelo balanço do trem. Senti uma coisa lá embaixo me empurrando de leve, uma ponta rombuda e emborrachada, tipo um cassetete de polícia. A coisa estava morna e bateu numa nádega e logo se meteu no canal que divide os dois glúteos. Era uma pica! Era o pauzão do negão Yoto, porra!
Minha primeira reação foi me mexer pra frente pra impedir. Quase nem me mexi, não dava. Não queria a pica do negão ali, não num trem, não com meu marido do lado. Não me interpretem mal, não era uma questão moral a essa altura, mas eu realmente não queria fazer de corno o corno, não sem ter consentido, não com aquele negão feio!
Tão evidente deve ter sido minha expressão de nojo que Mateo me olhou nos olhos e perguntou:
— Tá bem, meu amor?
Dava pra ver que ele tava preocupado com alguma possível apalpação, sem dúvida, e gostei desse gesto doce. Mas o que eu ia dizer, que estavam querendo me comer? Fiz sinal que sim, enquanto sentia a pica do Yoto tentando achar meu buraquinho. A pica tinha entrado na fenda, na altura da bunda. Pra uma penetração rápida, precisava descer um pouco, e o aperto e as posições não ajudavam. Senti o negão descer os dedos até minha buceta e lá de novo afastar a calcinha fio dental. Fiquei completamente vulnerável e a ponta da pica do negão começou a descer pela fenda. Na minha vida me senti mais nervosa. Tinha a sensação de que o vagão inteiro tava nos vendo, o que era Impossível, eu sei, e que meu marido ia perceber e me largar, sem mais.
Minha única opção era acabar com aquilo o mais rápido possível. Me inclinei pra frente como se fosse falar com meu marido e empinei a bunda, facilitando o serviço pro negão. A pica desceu de uma vez e logo encontrou pista. Como ele vinha empurrando com força, foi só questão de achar o buraco, e a pica se acomodou e perfurou fácil.
— Meu amor, melhor a gente descer na próximaahhhh…
A pica enorme do negão, que minhas mãos e peitos já conheciam tão bem, perfurou minha inocência e se enterrou forte e fundo.
— Juli, você tá se sentindo bem?
Eu queria descer do trem, não podia ficar fazendo aquilo com meu marido. Mesmo que fosse tão gostoso… a pica do negão era várias vezes maior que a do Mateo, e fazia tantos anos que eu não provava algo realmente grande…
— Você tá vermelha… Deve ter subido a pressão de novo.
Não podia dizer que tava vermelha de vergonha de estar dando tanto corno no meio de cem pessoas. A pica do negão se enterrou mais. Filho da puta, a cada balançada ele enfiava mais um pedaço de pica pra dentro.
— Devo estar empanturrada… — falei.
— Empanturrada?
Yoto segurou minha cintura com uma mão e com a outra uma das nádegas. E empurrou. Dessa vez meteu até o talo.
— Aaahhhhhhh…!!!
— Meu amor!
— Te falei que tava mal, Puchi…
Yoto tirou boa parte da pica, dava pra sentir a carne dele roçando meu interior, cada um dos vinte e poucos centímetros que ele tinha… aí meteu de novo. Bencina — filho da puta — falou pela primeira vez.
— Você se sente meio cheia? Sabe aquela sensação de estar cheia mesmo sem ter comido?
Olhei pro amigo do corno, digo, do meu marido, com uma raiva mortal.
Yoto começou a bombar devagar e suavemente por causa do aperto. A cena era surreal. Eu tava dando de pé e ninguém no vagão inteiro percebia. Imagino que talvez só quem estivesse do lado dele. A bombada acompanhava o movimento do trem, que agora que pegava velocidade, ficava acelerava.
—Não sei o tempo todo —e procurei meu marido nos olhos dele—. Mas me sinto cheia agora.
—Agora…? —o maldito Bencina.
—Sim, agora meus… mo… uhhhhh…
—Tá tranquila, love —meu Mateo—, em Liniers a gente desce.
No meio tinha mais duas estações, mas aquele trem pulava elas e só pegava gente bem antes de entrar na província.
O negão continuou me bombando. Filho da puta, sabia que eu nunca teria dado meu consentimento. Tutuca, na frente, continuava passando a mão esquerda nos meus peitos, pra Mateo não ver. Tinha enfiado por baixo da camiseta e do sutiã, e se deliciava com meu mamilo grosso e borrachudo. A situação toda era bizarra pra caralho, e o corno do Mateo —bom, tem que falar, tava fazendo papel de corno!— não via nada. Não julguem ele, a multidão era tanta que vocês também não teriam percebido. Ficamos todos calados uns minutos, com o negão agarrado na minha cintura e me bombando a pica disfarçadamente. Num momento, ele chegou perto do meu ouvido e murmurou, feito um animal ferido de morte.
—Vou despejar a porra dentro de você, pedaço de putaaaahhh…
Me deu nojo e ao mesmo tempo me excitou. Eu tava segurando a mão do corno, os dedos entrelaçados como dois apaixonados, quando o negão começou a despejar toda a porra dele dentro de mim. Senti o orgasmo dele chegando. Ele cravou os dedos nas minhas nádegas, ouvi o gemido dele por cima do barulho do trem, e a aceleração bestial da bombada. Finalmente senti a pica mais dura do que nunca e o jato de um líquido morno e grosso direto pro meu interior. Apertei a mão do Mateo, que me olhou surpreso.
—Já tá chegando… —ele disse, se referindo ao trem.
Bencina, do lado, sorria como um vilão, Tutuca torcia meu mamilo e o negão continuava se esvaziando dentro de mim como se eu fosse a puta dele.
—Sim, tá chegando… tá chegando agora… Ohhhh…
—Não, ainda falta —disse o corno.
E Yoto, no meu ouvido:
—Sim, ainda falta um pouquinho… —e continuou me bombando e jorrando porra, mais dois ou três jatos, até se saciar. até deixar as últimas gotinhas dentro de mim.
Não vou mentir. Apesar do abuso, apesar do nojo, eu tava mais gostosa do que nunca. Ia ter virado pra ser comida pelo Tutuca, se não fosse meu marido desconfiar. O negão esperou uns segundos e tirou o pauzão com relutância, como se nunca quisesse tirar. Senti me esvaziar, senti a calcinha fio dental se enfiar desajeitada entre meus lábios. Senti o leite escorrer e percorrer a parte de dentro das minhas coxas como uma fileira de formigas.
Já chegando em Liniers, consegui me virar como quem vai descer e oferecer a bunda pro Tutuca, que me apalpou e abusou como se fosse um presidiário, enfiando primeiro um dedo na minha buceta enlechada e depois entrando no cu e deixando ele lá, me comendo o rabo com o dedo do meio. Com o Mateo atrás dele. Desde que me virei até o povo começar a se mexer pra achar posição de saída, passou mais ou menos um minuto, tempo que o Tutuca ficou bombando meu cu, tirando e enterrando de novo o dedo do meio inteiro. Fiquei de frente pro Yoto, que tava sorrindo. Peguei na pica dele como se a gente tivesse sozinho, com tanta cara de pau que me esquentei ainda mais, especialmente porque o corno continuava parado atrás do Tutuca, que continuava serrando meu buraquinho com o dedo.
Descemos em Liniers, no meio de uma multidão de homens que aproveitaram pra me apalpar, bem na cara do corno.
Corno que nunca soube de nada.
* * *
Juli (e o corno de peitos) — Epílogo
11.
Minha história já terminou, é a que contei. Só quero acrescentar, porque é justo que vocês saibam, que desde aquela tarde nada foi mais o mesmo.
Quanto às viagens de trem que vieram depois, e que foram muitas, acho que daria pra escrever um livrinho. Bencina voltou a me levar, sozinha, sem meu marido. Fazia isso uma ou duas vezes por mês, e era sempre parecido: eu acabava apalpada por um número indeterminado de desconhecidos, que se atreviam mais ou menos dependendo da minha roupa e das atitudes deles. Quando eu usava saias bem curtinhas, a coisa podia ficar pesada, brusca. Minha passividade diante dos amassos os deixava corajosos, e se os que me metiam a mão eram mais de três, o bagulho ficava violento — eles brigavam entre si — e eu temia acabar machucada. As calças justas permitiam amassos agradáveis, mas superficiais. Acabamos percebendo que o melhor era ir com um shortinho curto, de algodão ou algum tecido fino. Assim, os amassos eram vis e lascivos, excitantes como se eu estivesse de calcinha, mas me protegendo de qualquer selvageria.
Ao mesmo tempo, Yoto e Tutuca passaram a me comer toda quinta na casa da Bencina. De início, fingi estar ofendida, reclamando do abuso não consentido que o negro tinha feito comigo no trem. Mas não enganava ninguém, estava ali, sozinha e com eles, naquele apartamento, de saia curta, botinhas e uma regata justa que destacava meus peitos como dois troféus. Acabei sendo comida minutos depois, com Bencina dirigindo o show. Tutuca me bombava pela buceta, Yoto me fazia chupar a rola dele, e Bencina filmava; e depois de um tempo, trocavam de posição.
Não queria comer com mais caras. Já três era chifre suficiente pro pobre do Mateo, que não merecia isso, mas Bencina de vez em quando trazia caras novos e, embora eu sempre recusasse, os novatos também acabavam me usando e me enchendo de porra. Num momento, Bencina me propôs trazer o Adrián e o Wate, os amigos do Mateo que inicialmente me apalpavam os peitos aos costas; mas eu disse não e fiquei firme de verdade: não tava a fim de que os amigos do meu marido me vissem como a corna do grupo. Mateo não é (se ninguém sabe, ele não é).
Infelizmente dois anos depois, por outros motivos e em outras circunstâncias, acabei comendo também esses dois, primeiro o Wate e depois o Adrián. E depois mais alguns outros amigos do meu marido. Mas cada um de um lado, sem que um soubesse do outro. E fiz eles prometerem que se quisessem continuar me comendo, era melhor não contar pra nenhum dos outros. Até hoje ninguém sabe que eu dou pra cinco, além do Bencina e dos caras que ele traz toda quinta. Todo mundo acha que eu só como cada um deles separado. Prefiro assim porque sinto que desse jeito faço meu Mateo menos corno. Porque ele é um amor de marido e com certeza vai ser um amor de pai, e não merece isso.Muito menos merece agora que tá tão feliz com a minha gravidez. Mesmo ele não sabendo que é do Benzina.
As "coisas pretas" eram costuras e detalhes cinza topo, e o vestido em questão era uma peça curta de modal cinza claro bem fininho, super justo, que terminava numa saia curtíssima. Em cima não tinha mangas, só duas alcinhas e um decote interessante, que com meus peitos virava escandaloso. Vocês já sabem que eu tenho umas tetas enormes e uma raba de respeito, sou só um pouco cheinha e com formato de violão, então essa peça automaticamente se transformava em algo muito, muito sensual e provocante. O tecido era tão fino que marcava as bordas da fio dental, praticamente como se eu não tivesse nada, e como a fio dental era daquelas bem pequenininhas que se enfiam no meio da bunda, o relevo acabava de expor o quão puta eu era: pra fora pela saia, e pra dentro pela calcinha que se via sem se mostrar. Sair com aquilo na rua era um convite pra todos os homens me olharem e gritarem putaria.
— Não posso sair daqui com isso vestido. O porteiro vai me ver, os vizinhos...
— Sei não, bebê, se vira — Bencina me cortou no telefone.
— Além disso, na volta o Mateo vai me ver, o que eu vou dizer?—Às seis em ponto na estação do Caballito, na plataforma que vai pra Província.Cheguei dez minutos antes e procurei um banheiro pra trocar de roupa e vestir o vestidinho cinza. Antes mesmo de entrar na estação, os caras já me olhavam muito, até um par me disse umas coisas, que eu nem ouvi nem quis entender. Ao entrar, foi a mesma coisa. É que eu tava com uma calça bem justa que me caía superbem e uma camiseta branca com uma frase gigante, "It’s Not Cheating", e uns ícones de chifres de animal em azul petróleo. Era larga, mas mesmo assim o caimento marcava meus peitos. Talvez me olhassem por causa das sandálias, que eram bem bem altas, empinavam minha bunda e deixavam ela no ponto, pronta pra uma mordida.
Pra entrar no banheiro, tive que perguntar na bilheteria velha, e o rapaz que me indicou não parou de olhar pros meus peitos e sorrir pra mim enquanto falava, e tenho certeza que escaneou minha bunda quando virei as costas pra ir me trocar. Às seis em ponto, eu tava pronta, de pé na plataforma, puro peito, bunda e coxa, enfiada num vestidinho tão curto que me fazia parecer uma putinha chique. A plataforma tava cheia de gente. Era o horário de pico da volta do trabalho. Dois milhões de pessoas saindo da cidade mais ou menos na mesma hora. O que o Bencina queria? Com certeza um apalpão no banheiro público, embora eu não adivinhasse se queria com ele ou com algum amigo desconhecido. Ou os dois. Aí eu vi. O Bencina se aproximando com um sorriso de vitória.
— Uffff…! — me aprovou ao chegar. — Que pedaço de putona que o corno do Mateo perde…! — e me deu um beijo.
— Hoje é só com você? — falei com carinha de menina, juntando ombros e braços. Meus peitos viraram dois melões brincando de escapar do decote.
— Não, com mais alguns.
"Alguns" me soou como três ou quatro. Com certeza acabaríamos no banheiro público. Nojento, mas com um certo tesão.
— Tão nos banheiros?
— Não — e os olhos dele ficaram enigmáticos. Na plataforma tinha de tudo: mulheres, crianças, velhos, e homens de todo tipo. Deus, tava cheio de homens! Ouvi uma sirene e vi ao longe o trem chegando. —Vem —ordenou—. Vamos mais pro meio que sobe mais gente.
—A gente vai subir?
Só quem mora em Buenos Aires e pega o trem do oeste na hora do rush sabe o que é isso. Já desde que sai, no terminal Once, não tem mais lugar. O povo não só viaja em pé, nem precisa se segurar nos corrimões porque o vagão inteiro forma um bloco sólido. Uns aproveitam pra passar a mão disfarçado em alguma mulher. Outros, em algum homem. E muitos, mais perto da porta, pra roubar. O louco é que quando o trem chega na primeira estação, em Caballito, ninguém desce, e em compensação sobe muita gente mais. Não sei como eles sobem, porque já no começo não tinha espaço. Mas sobem.
—Não vamos conseguir entrar! —falei quase gritando, por causa do barulho do trem que já tava chegando.
—Ah, vamos sim. Trouxe o celular?
—Na bolsa, com a roupa.
—Me dá.
O jeito de entrar é empurrando. Como os metrôs japoneses, mas sem os gordos contratados. Bencina e outros caras começaram a empurrar. Achei que fossem os desconhecidos que ele trouxe, mas não.
—Fica comigo —disse Bencina. Eu tava do lado, colada nele, e me apertei mais quando mais gente —a maioria caras de todo tipo— se colocou atrás da gente e começou a fazer força. Entramos, mas agora os empurrados éramos nós. Não sei se foi meu vestidinho, não sei se foram minhas curvas, mas de repente uns braços fortes me rodearam a cintura como quem vai fazer um scrum. E empurraram. Não consegui evitar ir pra frente e colar em outro cara, um moreno baixinho de uns cinquenta anos ou mais, com cara de índio. O braço na minha cintura logo virou uma mão aberta nas minhas ancas, e uns segundos depois me empurraram direto passando a mão na minha buceta. Procurei Bencina com o olhar.
—Tão mandando salve pro Mateu, agora mesmo.
Sorri pra ele. Ele sorriu pra mim. A mão que tava no meu rabo não saiu, os empurrões continuavam. E de repente senti outra mão, do outro lado. Nádega. Ela já não me empurrava mais, só se apoiava na minha nádega e aproveitava a esfregação dos empurrões.
—Mais um saludo pro meu marido —falei baixinho pro Bencina.
—Vão te encher de saludos nessa viagem.
A porta fechou e ficamos todos amontoados como sardinhas, apertados, rosto contra rosto, com os braços pra baixo, sem espaço entre os corpos nem pra olhar as horas. Bencina continuava do meu lado, quase me beijando. O velho índio continuava na minha frente, e os olhinhos dele iam das minhas tetas pra cara do Bencina. Devia achar que era meu namorado. Como era baixinho, o rosto dele batia nos meus peitos. Ri por dentro. Podia enlouquecer aquele velho. Com a arrancada forte do trem, a gente se mexeu muito e forte e meus peitos foram de encontro à cara do velho, enchendo ela com meu decote. Senti o calor e o suor do rosto dele nos meus peitos, e me arrepiei.
—Desculpa —falamos um pro outro, e sorri com malícia, tipo pra ele saber que se rolasse outro contato, não ia fazer escândalo.
Atrás de mim, suponho que pela minha passividade —porque nem virei o rosto pra fazer cara feia— as duas mãos começaram a ganhar confiança. Primeiro foi algo bem tímido, como sem querer. As mãos só acompanhavam o balanço do trem, ou seja, a apalpação era bem leve. Depois começaram a se mexer mais que o balanço.
—São teus amigos que tão me apalpando? —perguntei no ouvido do Bencina. Nessa inclinação mínima pra falar com ele, uma das mãos rodeou sorrateiramente minha bunda.
—Não trouxe ninguém —sorriu pra mim.
Isso, em vez de me chocar, me acendeu. Dois desconhecidos de verdade estavam me apalpando com meu vestidinho de puta elegante. Me perguntei se iam se atrever a me tocar por baixo da saia.
—Tão me passando a mão como se eu fosse qualquer uma!
E o Bencina, sempre no ouvido:
—Você tem vinte minutos até Liniers pra ser apalpada como uma puta. Depende de você, Juli. Não vai me decepcionar, vai?
Não ia decepcionar ele, não senhor. Em que momento eu tinha virado a putinha submisa dele? A primeira coisa que fiz, no ato, até mesmo sorrindo para Bencina nos olhos, foi empinar a bunda descaradamente, como pra quem tava apalpando perceber que tinha caminho livre. E olha que perceberam mesmo! Teve um segundo de nada, acho que de surpresa, e logo uma das mãos começou a me apalpar com decisão. Me acariciou de cima a baixo, e pra cima de novo, percorrendo uma das nádegas. Era inacreditável! Era um abuso completo e eu tava voando de tesão. Bencina me apontou com os olhos pro índio cinquentão. Me inclinei um pouco pra frente, e num movimento do trem coloquei os peitos na cara dele, literalmente. Desculpa, falei, mas deixei os seios no rosto dele. O índio disse "tá de boa", e a boca se mexeu na minha pele. Me percorreu uma eletricidade quando ele moveu os lábios. A gente tava tão mas tão apertado que ninguém conseguia ver que o velho tava com a cara nos meus peitos, só Bencina e um moleque de fones de ouvido, do meu outro lado.
Atrás — ou embaixo, dependendo do ângulo — o que vinha passando a mão numa nádega ganhou confiança e já tava apalpando minha bunda inteira com a mão toda, percorrendo minha raba de maneira descarada. A apalpação era tão impune que várias vezes esbarrou na mão do outro cara que ainda me roçava de forma disfarçada usando como desculpa o movimento do trem. Isso animou o tímido, que percebeu que a mulher que eles estavam amassando não ia falar nada, então ficou ousado também. Eu não só deixava eles fazerem, como quando dava empinava a bunda ou me jogava pra trás pra o apoio ser mais forte. O que vin Pudia ter chamado o Mateo de corno, no meio daquela gente que não era ninguém.
—O-olá, meu amor —cumprimentei, surpresa.
Tive que passar o braço por cima da cabeça do índio, que continuava enfiado nas minhas tetas. O balanço batia e batia ele contra meus peitos.
—Oi, Ju… o que houve?
—Como assim, o que houve?
—Você me ligou…
—Eu?
O mais filho da puta dos dois de trás começou a passar a mão na pele das minhas coxas. O que começou mais tímido já tava apalpando minha bunda como se eu fosse uma puta dele.
E o corno falava comigo:
—Sim, minha vida, apareceu uma chamada perdida aqui… —Olhei pro Bencina com uma raiva exagerada. De propósito, o safado tinha feito a ligação do meu celular—. Você tá num trem?
Ele percebeu pelo barulho. O que ele não podia perceber era que o amigo dele tinha me colocado naquele vagão pra três estranhos apalparem a mulherzinha dele. De repente, aquela ideia me deixou louca.
—Sim… Sim, amor, vou ver a Pachi.
Bencina fez sinais que eu não entendi. Eu viajava, não sabia o que inventar pro meu marido, mas o Mateo sabia que minha amiga Pachi morava no Oeste. Pra piorar, o índio começou a me dar beijinhos microscópicos a cada balançada, acho que medindo minha reação, e atrás o mais cretino começou a meter a mão por baixo da minha saia e a percorrer a borda da minha calcinha enfiada na bunda. Foi impossível não subir o fogo.
—O que houve? Ela tá bem?
—Sim, sim… Uhhhhh… —O de trás já começava a fazer conchinha com a mão nas minhas nádegas. O contato daquela pele e a sacanagem me fez ofegar—. É que vou ver ela e as meninas… esqueci de te avisar… —não sabia o que dizer, não tava preparada pra aquela ligação. Lembrei que em algum momento eu tinha dito que queria estudar filosofia e letras no ano seguinte—. Combinei com as meninas de me darem uma força… com o vestibular...
Mateo ficou quieto. Faltava meio ano pra época das provas. Mesmo assim, ele acreditou.
O velho índio não parava de se aproveitar de ter o rosto entre minhas tetas e continuava me dando beijinhos. Como eu não falava nada, ele não parava. Mas também não avançava. Bencina pegou na lateral do meu vestidinho e puxou pra baixo, com força. O decote aumentou na hora, e como eu não tava de sutiã, deu pra ver a borda da auréola dos meus mamilos, principalmente do lado do Bencina. O velho arregalou os olhos e procurou o meu olhar, como quem pede permissão. Eu tava conversando com meu amorzinho, não tinha tempo a perder com um velho que tava chupando meus peitos.
— Cê tá bem? Tá meio ofegante.
— Tô bem, meu amor — falei olhando pro velho, que já se animava a beijar a borda dos meus mamilos—. É que tem muita gente… tô muito apertada… — e sorri pro meu abusador.
Além do índio colado na frente e do Bencina do lado, tinha mais alguém do outro lado, e os que passavam a mão em mim por trás — pelo menos um tava grudado atrás, respirando no meu pescoço. Vocês têm que entender que a gente tava tudo no vagão, espremido, sem espaço nenhum. Nunca tinha viajado assim, sabia, claro, que isso acontecia, mas mesmo assim parecia inacreditável. De qualquer jeito, o que mais me surpreendia era a barbaridade da situação. Caras passando a mão em mulheres que não eram deles, desconhecidas, de costas, só autorizados pela oportunidade e pela falta de reação delas. Me perguntei quantas mulheres naquele trem estariam sendo apalpadas com a mesma impunidade que tão me apalpando.
— Tinha me esperado, aí a gente ia junto pra casa das suas amigas. Tô indo pra lá agora.
— Eu sei, meu amor, é que tão me esperando, já tô atrasada… Além disso, preciso que me dêem uma mão o mais rápido possível. Agora mesmo.
Os dois de trás intensificaram o apalpamento, já por baixo da saia, tocando carne com carne, usando minha bunda como se fosse uma coisa feita pro prazer deles. O primeiro tinha a mão aberta pegando nas duas nádegas pelo meio, com o dedo do meio cutucando pra achar um buraco, seja a buceta ou o cu. a tanga dificultava a manobra, mas já estava perto do objetivo. Eu mexia os quadris tentando dar espaço. A segunda mão, a tímida, só podia se esbaldar nas minhas nádegas, com o que a outra deixava. O melhor estava ocupado, então num momento, sempre por baixo da saia do vestidinho, a mão foi percorrendo por baixo pra frente e com ajuda do vai e vem chegou na minha pussy, protegida pela tanga.
—Bom, outro dia você vem e a gente volta junto… mas organiza melhor, às vezes parece que pensa com a bunda em vez da cabeça, hahaha…
—É, outro dia passo pra te buscar… —Vi o Bencina de repente desesperado, fazendo caretas igual um mímico. Ele falou com os lábios: “amanhã”, e eu soltei, pelo susto— Amanhã?
—Tá bom, love, amanhã.
Bencina parecia feliz, e eu desliguei porque o filho da puta de trás tava enfiando o dedo médio no meu buraco da bunda, e achei falta de respeito falar com meu marido com o dedo de um estranho enfiado no meu cu até a segunda falange. Mas logo me arrependi e liguei de volta pro marido.
Com a bunda bombada pelo dedo de sei lá quem, falei pro corno:
—Love, caiu… Uhhh… Só liguei pra dizer que te… ahhhmo…
Mateo ficou super feliz, e não perguntou sobre minha respiração ofegante. Disse que também me amava, bem na hora que o tímido conseguiu entrar pela frente.
Chegamos em Liniers dez minutos depois. Nesse tempo, estupraram meus dois buraquinhos, apalparam meus peitos (um dos de trás, não o velho índio) e se juntaram mais umas mãos, sempre anônimas. Como no trajeto o trem parou em duas estações intermediárias, a multidão se mexeu um pouco, e o tímido em algum momento foi deslocado e substituído por outro filho da puta masturbador e desesperado que me apalpou toda em segundos. Terminei ultrajada por uma quantidade indeterminada de caras, porque além disso, pra descer, eu e o Bencina tivemos que nos mover entre a gente procurando a porta e aí o apalpação é mais impune.
Cheguei em casa bem antes do meu marido, com a calcinha rasgada e um suor e uma mãozada que precisei tirar com um banho. Quando saí e o encontrei na sala, dei uma desculpa besta pra ter voltado pra casa em vez de ir com minhas amigas. Comemos algo, fomos fazer umas compras no bairro, abraçados feito dois apaixonados. Não tinha motivo nenhum, mas me mostrar apaixonada e dele na frente dos outros, e saber que fui apalpada por estranhos um tempinho antes, me esquentou como poucas coisas, e ao chegar em casa quase estuprei meu Mateo.
Melhor que a Bencina bolasse algo rápido, porque no dia seguinte ia buscar o corno no trampo dele.
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Não pensem que ele me deu mais detalhes, só isso, e que eu confiasse nele. Ah, e que sim ou sim fosse de minissaia.
Por sorte tenho um monte de minissaias que não são de puta. Embora no último ano eu só tivesse comprado roupas bem puta (boa parte das quais escondi do meu marido), ainda me sobrava um monte da época em que era uma esposa decente. Bom, continuo sendo porque não faço do Mateo um corno. E nunca vou fazer.Como no dia anterior, entrei na estação e todo mundo me olhou. Dessa vez fui vestida com uma legging muito enfiada no rabo, sinceramente, para o meu estilo, era bem ousada. Já na saída de casa, o porteiro se surpreendeu, não disse nada, mas me pegou com o olhar, e eu me fazendo de sonsa, fingindo que ia pra academia ou algo assim. Não estava acostumada, me sentia radiografada por todos os homens, especialmente pelos do bairro que me conheciam e sempre me viam indo e vindo de mãos dadas com meu marido. Mas não vou mentir pra vocês, em certo ponto isso me excitava de um jeito novo. Na estação, fui ao banheiro público e me troquei. Fiquei com a regatinha curta e sem mangas e troquei a legging pela minissaia exigida. Não tinha espelho naquele banheiro imundo, mas sabia que com meus peitos e minha bunda eu tava matando. Parei na plataforma, esperando feito uma idiota; parecia uma puta, ou uma daquelas mulheres exuberantes que adoram se vestir e se exibir pra chamar a atenção de todo mundo.Recebi a mensagem e liguei pro Mateo. Fiz o teatro de que tava me sentindo mal, que tava indo encontrar ele e minha pressão tinha caído. Mulher sabe mentir, e meu amorzinho saiu desesperado pra me encontrar, na hora. Coitado, me deu uma pontinha de pena mentir assim por ordem de outro homem, como se eu fosse uma cuck de verdade.
Esperei ele sentada num dos bancos, deixando os trens passarem. Cinco caras tentaram me pegar em momentos diferentes. É que eu tava só de coxa de fora e a regatinha leve e decotada fazia meus peitos ficarem enormes (bom, eles já são enormes — obrigada, natureza). O quinto foi um cara de uns 30 anos, olhos claros, muito gostoso, um bombom de cinema. Não consegui evitar dar um sorriso pra ele, e isso deu moral, e eu tive que falar que tava esperando meu marido, e ele não acreditou; e foi um vai e vem, até que num momento eu me firmei e ele disse que só ia embora se eu desse meu número. Falei que não, mas que aceitava o dele.
Então ele me deu e foi embora. E fiquei pensando o que ia fazer da minha vida. Dessa parte da minha vida. Se caras másculos e lindos como aquele me notavam, quanto tempo minha fidelidade ia durar? Na rua tinha caras muito mais interessantes que os amigos que o Bencina trazia, claro que eles não iam se contentar com um apalpão e uma punheta.
Mateo chegou, e não veio sozinho.
— Oi, meu amor — me cumprimentou com um beijo e um pouco de preocupação.
— Oi, Puchi — cumprimentei ele. E olhei surpresa pro Bencina, do lado dele.
— Passei pra dar um oi no escritório bem na hora que você ligou. Tá bem?
Olhei em volta, o gostoso de olhos claros subia no trem me encarando da plataforma.
— Sim, sim… Minha pressão deu uma caída, mas já tô bem, como se nada… Te liguei à toa e não consegui ir te ver.
Mateo sentou comigo e segurou minha mão.
— Isso é o de menos, Ju. Fiquei preocupado quando te ouvi no telefone.
Ai, como eu amava meu Mateo, lindo e sempre ligado em mim. Me sentia um pouco culpada, com ele sentado do meu lado e o amigo dele — o que toda quinta me apalpava com impunidade, me comia a use the word: buceta e se esvaziava o cum nos meus peitos— de pé junto da gente. O Mateo olhou minha roupa, deslocada pra aquele lugar e horário, pelo sexy. Fiz uma careta de falsa desculpa e sussurrei, como se tivesse vergonha:
— Era pra você, love, não sabia que vinha com seu amigo.
Ele me beijou na testa como perdão. Também não podia falar muito, eu conhecia ele e percebi que me devorava com os olhos, coisa que me deixou com tesão.
— Não tem problema…
Apertei no punho livre o papelzinho com o telefone do de olhos claros, que ainda não tinha escondido.
— Pelo menos vamos poder voltar pra casa juntinhos — sorri feito uma menina.
— Quer que a gente volte de táxi, meu love?
— Cê tá louco? Até em casa vai sair uma fortuna, e eu já tô me sentindo super bem, sério.
Matu olhou de novo minha roupa. Eu já tinha interceptado várias vezes o Bencina olhando meu decote.
— É que nessa hora tem muita gente — hesitou meu marido —. E você tá gostosa demais.
— Não tem problema, Mateo — tranquilizou o amigo —. Entre nós dois a gente cobre ela, ninguém vai deixar ela desconfortável.
Será que o Bencina queria me apalpar na frente do meu marido? Se um me protegia na frente e outro atrás, podia meter a mão em mim com impunidade total. Ia ser tipo fazer ele mais corno do que nunca, porque ia ser quase na cara dele.
— Além disso, tem muito mito com essas viagens, meu love, ontem viajei sozinha e ninguém me meteu a mão — menti sem sombra de culpa —. O povo é muito respeitoso.
Ouviu o alarme intermitente da cancela, o trem vinha. Na plataforma já tinha muita gente, quase todos homens que me olhavam com desejo e muito descaramento, considerando que eu tava acompanhada do meu marido óbvio. Levantei com a desculpa de me preparar pra subir. Assim que levantei e alisei a minissaia, percebi que só tinha feito por dois motivos: pro Bencina me ver bem, pra ele gostar e ir saboreando o que ia apalpar, e pra fazer meu Mateo sofrer um pouquinho ao ver meu corpinho, assim vestido e sexy, assim meu e dele, ia Entrar num vagão que tava lotado de caras de toda idade e laia. Fiquei excitada quando a brisa que o trem fez ao entrar na plataforma levantou minha saia e por uma fração de segundo todo mundo viu a tanguinha enterrada entre minhas nádegas. Uma multidão se aglomerou perto das portas. A tensão visível do meu marido me deu uma ternura. Já a expectativa do Bencina me excitou. Parecia um lobo no cio encurralando a presa, olhando pra todo lado, calculando sei lá o quê. Mateo ficou atrás de mim pra me proteger, porque já tavam abrindo a porta e começaram os empurrões. Bencina ficou bem colado na gente. A porta se abriu e de repente começou uma cena parecida com a do dia anterior. Mas com uma diferença. Saídos de não sei onde, de repente do nosso lado apareceram Tutuca e o negro Yoto, os dois sátiros que o Bencina tinha trazido naquela tarde — e em muitas outras — e que me apalpavam, eu batia uma pra eles e eles gozavam nos meus peitos quando queriam. O tumulto ficou pesado. A galera empurrava, quase tudo homem, e em dois segundos já tava dentro, num vagão cheio de caras que olharam pro meu decote, pros meus peitos, pra minha cara de puta, como se eu fosse uma sobremesa. A violência cordial com que entramos não economizou nos amassos furtivos. Não sei quem nem quantos, mas enquanto a gente entrava, senti várias mãos enfiando debaixo da minha minissaia, algumas tentando ficar, outras mais covardes, tocando e saindo fora, todas no meu rabo minúsculo quase pelado e também, embora bem menos, umas mãos corajosas me apalparam os peitos. Procurei o Mateo com o olhar, que ficou na minha frente mas com um estranho no meio. Olhei pro estranho: era o Tutuca, que ficou de frente pra mim e me encarou com um sorriso perverso. Bencina tava do meu lado, e também do lado do Tutuca. Não via o negro Yoto, mas pela apalpação descarada e completa que já naquela hora eu recebia na bunda (e não os começos tímidos do dia anterior), apostava que era o cara tinha atrás.
—Meu amor —disse meu lindo corno manso, mais do que pra me cumprimentar, foi pra avisar o “desconhecido” que tava no meio de um casal e que podia se mandar ou ceder o lugar.
Tutuca dificilmente teria conseguido trocar de lugar mesmo se quisesse, de tão apertado que a gente tava. Olhei por cima do ombro dele pro meu Mateo e passei um braço pelo lado. Juntei minhas mãos com as do meu marido e entrelaçamos elas como namorados. Tutuca, no meio, enfiou uma mão por baixo da barra da saia e passou a mão na minha buceta, por cima da calcinha fio dental. Simples e direto assim como vocês tão lendo.
O trem arrancou.
É impossível explicar o que senti naqueles primeiros instantes. Se com as brincadeiras histéricas na casa da Bencina eu já ficava com tesão e me excitava, ter o cuck —desculpa, o Mateo— ali do lado multiplicou tudo por mil.
A mão do Tutuca na minha entrepernas, mesmo com a calcinha fio dental, me excitou como se fosse uma penetração. Meu coração acelerou, minha pele ficou toda arrepiada e os bicos dos peitos endureceram na hora. Eu tinha os dedos do Mateo entre os meus, e os de um filho da puta sórdido entre minhas pernas. Quando o trem arrancou, o movimento me jogou pra trás. As mãos do preto Yoto agarraram minhas nádegas. Do jeito que eu tô falando: uma mão em cada bunda, uma ainda por cima da saia, a outra, que tinha conseguido enfiar por baixo, na pele, no meio da bunda e no meio da coxa. Ainda bem que a gente tava tão apertado que não dava pra ver nada, porque minha saia curta tava praticamente toda levantada até a cintura. A mão por cima do tecido se moveu, amassou minha bunda inteira e eu me arrepiei toda. Senti a mão percorrer meu corpo, depois não senti mais. Devia estar me procurando por baixo da minissaia. Na frente, Tutuca parou de esfregar minha buceta por cima da calcinha e levou a mão esquerda pros meus peitos, sabendo que o próprio corpo dele tapava a vista do corno, que continuava atrás dele. A gente tava tão junto que eu podia beijar o Tutuca com um balanço um pouco mais forte. Não ia fazer isso, óbvio, eu não ia beijar ninguém. Além disso, Tutuca era muito feio. Diferente do garoto que me deu o telefone dele.
A apalpação descarada não me deixou sonhar mais. Tutuca ficou vidrado nas minhas tetas como se estivéssemos num cinema. Encheu a mão com meu peito direito e apertou e massageou com uma impunidade que me fez olhar pro meu Mateo por cima do ombro dele. É que ele mesmo escondia a violação com o próprio torso. Me perguntei se estava certo deixar meu marido parado como um completo corno na frente de todo o vagão.
Não consegui me responder. Atrás de mim, o negão afastou minha calcinha fio dental pro lado e fez uns movimentos, protegido pelo balanço do trem. Senti uma coisa lá embaixo me empurrando de leve, uma ponta rombuda e emborrachada, tipo um cassetete de polícia. A coisa estava morna e bateu numa nádega e logo se meteu no canal que divide os dois glúteos. Era uma pica! Era o pauzão do negão Yoto, porra!
Minha primeira reação foi me mexer pra frente pra impedir. Quase nem me mexi, não dava. Não queria a pica do negão ali, não num trem, não com meu marido do lado. Não me interpretem mal, não era uma questão moral a essa altura, mas eu realmente não queria fazer de corno o corno, não sem ter consentido, não com aquele negão feio!
Tão evidente deve ter sido minha expressão de nojo que Mateo me olhou nos olhos e perguntou:
— Tá bem, meu amor?
Dava pra ver que ele tava preocupado com alguma possível apalpação, sem dúvida, e gostei desse gesto doce. Mas o que eu ia dizer, que estavam querendo me comer? Fiz sinal que sim, enquanto sentia a pica do Yoto tentando achar meu buraquinho. A pica tinha entrado na fenda, na altura da bunda. Pra uma penetração rápida, precisava descer um pouco, e o aperto e as posições não ajudavam. Senti o negão descer os dedos até minha buceta e lá de novo afastar a calcinha fio dental. Fiquei completamente vulnerável e a ponta da pica do negão começou a descer pela fenda. Na minha vida me senti mais nervosa. Tinha a sensação de que o vagão inteiro tava nos vendo, o que era Impossível, eu sei, e que meu marido ia perceber e me largar, sem mais.
Minha única opção era acabar com aquilo o mais rápido possível. Me inclinei pra frente como se fosse falar com meu marido e empinei a bunda, facilitando o serviço pro negão. A pica desceu de uma vez e logo encontrou pista. Como ele vinha empurrando com força, foi só questão de achar o buraco, e a pica se acomodou e perfurou fácil.
— Meu amor, melhor a gente descer na próximaahhhh…
A pica enorme do negão, que minhas mãos e peitos já conheciam tão bem, perfurou minha inocência e se enterrou forte e fundo.
— Juli, você tá se sentindo bem?
Eu queria descer do trem, não podia ficar fazendo aquilo com meu marido. Mesmo que fosse tão gostoso… a pica do negão era várias vezes maior que a do Mateo, e fazia tantos anos que eu não provava algo realmente grande…
— Você tá vermelha… Deve ter subido a pressão de novo.
Não podia dizer que tava vermelha de vergonha de estar dando tanto corno no meio de cem pessoas. A pica do negão se enterrou mais. Filho da puta, a cada balançada ele enfiava mais um pedaço de pica pra dentro.
— Devo estar empanturrada… — falei.
— Empanturrada?
Yoto segurou minha cintura com uma mão e com a outra uma das nádegas. E empurrou. Dessa vez meteu até o talo.
— Aaahhhhhhh…!!!
— Meu amor!
— Te falei que tava mal, Puchi…
Yoto tirou boa parte da pica, dava pra sentir a carne dele roçando meu interior, cada um dos vinte e poucos centímetros que ele tinha… aí meteu de novo. Bencina — filho da puta — falou pela primeira vez.
— Você se sente meio cheia? Sabe aquela sensação de estar cheia mesmo sem ter comido?
Olhei pro amigo do corno, digo, do meu marido, com uma raiva mortal.
Yoto começou a bombar devagar e suavemente por causa do aperto. A cena era surreal. Eu tava dando de pé e ninguém no vagão inteiro percebia. Imagino que talvez só quem estivesse do lado dele. A bombada acompanhava o movimento do trem, que agora que pegava velocidade, ficava acelerava.
—Não sei o tempo todo —e procurei meu marido nos olhos dele—. Mas me sinto cheia agora.
—Agora…? —o maldito Bencina.
—Sim, agora meus… mo… uhhhhh…
—Tá tranquila, love —meu Mateo—, em Liniers a gente desce.
No meio tinha mais duas estações, mas aquele trem pulava elas e só pegava gente bem antes de entrar na província.
O negão continuou me bombando. Filho da puta, sabia que eu nunca teria dado meu consentimento. Tutuca, na frente, continuava passando a mão esquerda nos meus peitos, pra Mateo não ver. Tinha enfiado por baixo da camiseta e do sutiã, e se deliciava com meu mamilo grosso e borrachudo. A situação toda era bizarra pra caralho, e o corno do Mateo —bom, tem que falar, tava fazendo papel de corno!— não via nada. Não julguem ele, a multidão era tanta que vocês também não teriam percebido. Ficamos todos calados uns minutos, com o negão agarrado na minha cintura e me bombando a pica disfarçadamente. Num momento, ele chegou perto do meu ouvido e murmurou, feito um animal ferido de morte.
—Vou despejar a porra dentro de você, pedaço de putaaaahhh…
Me deu nojo e ao mesmo tempo me excitou. Eu tava segurando a mão do corno, os dedos entrelaçados como dois apaixonados, quando o negão começou a despejar toda a porra dele dentro de mim. Senti o orgasmo dele chegando. Ele cravou os dedos nas minhas nádegas, ouvi o gemido dele por cima do barulho do trem, e a aceleração bestial da bombada. Finalmente senti a pica mais dura do que nunca e o jato de um líquido morno e grosso direto pro meu interior. Apertei a mão do Mateo, que me olhou surpreso.
—Já tá chegando… —ele disse, se referindo ao trem.
Bencina, do lado, sorria como um vilão, Tutuca torcia meu mamilo e o negão continuava se esvaziando dentro de mim como se eu fosse a puta dele.
—Sim, tá chegando… tá chegando agora… Ohhhh…
—Não, ainda falta —disse o corno.
E Yoto, no meu ouvido:
—Sim, ainda falta um pouquinho… —e continuou me bombando e jorrando porra, mais dois ou três jatos, até se saciar. até deixar as últimas gotinhas dentro de mim.
Não vou mentir. Apesar do abuso, apesar do nojo, eu tava mais gostosa do que nunca. Ia ter virado pra ser comida pelo Tutuca, se não fosse meu marido desconfiar. O negão esperou uns segundos e tirou o pauzão com relutância, como se nunca quisesse tirar. Senti me esvaziar, senti a calcinha fio dental se enfiar desajeitada entre meus lábios. Senti o leite escorrer e percorrer a parte de dentro das minhas coxas como uma fileira de formigas.
Já chegando em Liniers, consegui me virar como quem vai descer e oferecer a bunda pro Tutuca, que me apalpou e abusou como se fosse um presidiário, enfiando primeiro um dedo na minha buceta enlechada e depois entrando no cu e deixando ele lá, me comendo o rabo com o dedo do meio. Com o Mateo atrás dele. Desde que me virei até o povo começar a se mexer pra achar posição de saída, passou mais ou menos um minuto, tempo que o Tutuca ficou bombando meu cu, tirando e enterrando de novo o dedo do meio inteiro. Fiquei de frente pro Yoto, que tava sorrindo. Peguei na pica dele como se a gente tivesse sozinho, com tanta cara de pau que me esquentei ainda mais, especialmente porque o corno continuava parado atrás do Tutuca, que continuava serrando meu buraquinho com o dedo.
Descemos em Liniers, no meio de uma multidão de homens que aproveitaram pra me apalpar, bem na cara do corno.
Corno que nunca soube de nada.
* * *
Juli (e o corno de peitos) — Epílogo
11.
Minha história já terminou, é a que contei. Só quero acrescentar, porque é justo que vocês saibam, que desde aquela tarde nada foi mais o mesmo.
Quanto às viagens de trem que vieram depois, e que foram muitas, acho que daria pra escrever um livrinho. Bencina voltou a me levar, sozinha, sem meu marido. Fazia isso uma ou duas vezes por mês, e era sempre parecido: eu acabava apalpada por um número indeterminado de desconhecidos, que se atreviam mais ou menos dependendo da minha roupa e das atitudes deles. Quando eu usava saias bem curtinhas, a coisa podia ficar pesada, brusca. Minha passividade diante dos amassos os deixava corajosos, e se os que me metiam a mão eram mais de três, o bagulho ficava violento — eles brigavam entre si — e eu temia acabar machucada. As calças justas permitiam amassos agradáveis, mas superficiais. Acabamos percebendo que o melhor era ir com um shortinho curto, de algodão ou algum tecido fino. Assim, os amassos eram vis e lascivos, excitantes como se eu estivesse de calcinha, mas me protegendo de qualquer selvageria.
Ao mesmo tempo, Yoto e Tutuca passaram a me comer toda quinta na casa da Bencina. De início, fingi estar ofendida, reclamando do abuso não consentido que o negro tinha feito comigo no trem. Mas não enganava ninguém, estava ali, sozinha e com eles, naquele apartamento, de saia curta, botinhas e uma regata justa que destacava meus peitos como dois troféus. Acabei sendo comida minutos depois, com Bencina dirigindo o show. Tutuca me bombava pela buceta, Yoto me fazia chupar a rola dele, e Bencina filmava; e depois de um tempo, trocavam de posição.
Não queria comer com mais caras. Já três era chifre suficiente pro pobre do Mateo, que não merecia isso, mas Bencina de vez em quando trazia caras novos e, embora eu sempre recusasse, os novatos também acabavam me usando e me enchendo de porra. Num momento, Bencina me propôs trazer o Adrián e o Wate, os amigos do Mateo que inicialmente me apalpavam os peitos aos costas; mas eu disse não e fiquei firme de verdade: não tava a fim de que os amigos do meu marido me vissem como a corna do grupo. Mateo não é (se ninguém sabe, ele não é).
Infelizmente dois anos depois, por outros motivos e em outras circunstâncias, acabei comendo também esses dois, primeiro o Wate e depois o Adrián. E depois mais alguns outros amigos do meu marido. Mas cada um de um lado, sem que um soubesse do outro. E fiz eles prometerem que se quisessem continuar me comendo, era melhor não contar pra nenhum dos outros. Até hoje ninguém sabe que eu dou pra cinco, além do Bencina e dos caras que ele traz toda quinta. Todo mundo acha que eu só como cada um deles separado. Prefiro assim porque sinto que desse jeito faço meu Mateo menos corno. Porque ele é um amor de marido e com certeza vai ser um amor de pai, e não merece isso.Muito menos merece agora que tá tão feliz com a minha gravidez. Mesmo ele não sabendo que é do Benzina.
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