1.
Antes de mais nada, vocês precisam saber que nunca fiz cuck no meu marido. E que jamais farei.
Dito isso, preciso deixar claro que também não sou a Madre Teresa. Sou uma mulher jovem, saudável, plena, com desejos e necessidades como qualquer outra. Não sei como funciona com os homens, mas com a gente não tem um padrão; um cara pode te atrair por qualquer coisa: o jeito de falar, a segurança que demonstra, o humor, a inteligência, seja lá o que for. Sim, a aparência também conta; mas não é a aparência que faz a diferença, que te faz duvidar do que você nunca duvidava. É a masculinidade. Que pode estar na voz, no cheiro, num olhar.
Não sei quando começou essa história que vou contar. Com certeza começou naquele dia de futebol no parque, quando Bencina enfiou a mão nos meus peitos pela primeira vez, com meu marido no banheiro. Mas, claro, começou antes, muito antes, com os olhares… Eu diria que começou quando a gente ainda namorava, no mesmo dia em que Mateo me apresentou aos amigos dele.
Não me interpretem mal, eu amava meu namorado, que hoje é meu marido e continuo amando, mas no momento em que ele me apresentou aos "seus garotos", como ele chamava, percebi que eles eram mais homens do que ele. Não, Mateo não é menos homem. Nem viado. Nem metrossexual, sequer. Mateo é um cara comum e normal. Também não é que os amigos dele são uns tarados de filme pornô, eles só têm um plus de masculinidade em cima do meu amorzinho. Bem acima.Com isso não quero dizer que me joguei aos pés deles ou que me insinuei. Não sejam trouxas, uma mulher não faz isso. Também nunca tive nem tenho interesse em fazer meu marido de corno manso. Não preciso disso. Mas quando os amigos do seu namorado são mais na pegada do que ele, mais ousados, mais seguros, mais másculos… a cabeça vai trabalhando devagar e sem parar. Não é algo que você percebe, e acontece ao longo dos anos. Você só cai na real no dia em que está transando com seu marido e seus pensamentos vão para os amigos dele. Ou quando você se arruma pra ir num aniversário que sabe que um deles vai estar, e se veste um pouco mais gostosa, com a desculpa de estar bonita pro seu esposo.
Bencina —assim como o Adrián e o Wate— me pegou de cara desde o dia que o Mateo me apresentou. O beijo no rosto trouxe pra perto o cheiro do aftershave dele, com um toque bem suave de tabaco doce. Não rolou nada, claro, eu não tava afim de nada, muito menos de amigos do meu namorado. Os anos seguintes foram quase a mesma coisa, a gente se via direto e nunca passou do limite. Até que num rolê em grupo, com um pouco de álcool rolando, o Bencina começou a me olhar com outros olhos. Ou, como ele diz, eu vi com outros olhos como ele me olhava, porque ele sempre me olhou com desejo.Seja como for, desde aquele dia comecei a notar ele diferente, toda vez que a gente se juntava em grupo. Comecei a sonhar com ele. Comecei a evocá-lo —às vezes— na minha imaginação, quando transava com o Mateo. Não tinha culpa porque eu não fazia nada de errado. Tudo ficava num plano de fantasia, na minha mente. Calculava que não passaria daquilo, que nem o Bencina perceberia. Até que o Adrián e o Wate também começaram a me olhar diferente. Não era boba, percebia depois de uns anos conhecendo eles que os três amigos do meu namorado queriam me comer. Isso não significava que algum dia iam dar em cima de mim. Preferia que não, desde já. Se avançassem, iam me colocar na situação de merda de ter que decidir se contava pro meu namorado ou não, e não ia ser fácil nem prazeroso dizer que um amigo tinha me cantado.
Em algum momento, já casados há um tempão, comecei a me vestir sempre sexy quando a gente se via com eles. Não só nos aniversários, mas nos jantares em casa ou até uma vez que me levaram pro estádio. Sexy é sexy, não puta. Tenho peitos bons —realmente muito bons— fruto da genética. Sem ser gordinha, tenho carne por todo lado e então os decotes viraram rotina. Às vezes as camisetas não eram decotadas, mas bem justinhas, o que fazia meus peitos explodirem. Uma mulher sabe. Raramente combinava minissaia com decote, também não queria que meu Mateo parecesse um corno manso. Só em saídas e em alguma ocasião especial. E nessas ocasiões, a reação dos amigos do meu marido era certeza. Costumava rolar uma guerra de olhares e sorrisos de canto de boca bem sutil, daquelas que a gente sabe que tão rolando e que os trouxas dos homens nunca têm certeza.
Aí veio aquele dia do jogo. Mateo, Bencina e os outros caras —mais um monte de outros caras que eu não conhecia— jogavam regularmente um campeonato. Todo sábado de manhã uma partida, num parque municipal. Primeiro ele ia sozinho enquanto eu ficava em casa limpando um pouco e fazendo algumas Compras, mas eu tava entediada, então um dia ele começou a me levar. Hoje acho que, inconscientemente, ele queria ir ver os amigos, porque logo no primeiro dia já fui de decote. Lembrando: tenho uns peitos que não se vê todo dia.
Eu observava eles jogarem, comemorava gols e vitórias e ficava na torcida nas derrotas. Depois, Mateo, Bencina, Adri, Wate e eu ficávamos fazendo um churrasco nas grelhas, e almoçávamos.
Naquele sábado, Wate e Adri tinham ido embora assim que terminamos de comer, e quando meu marido começou a levar as coisas pro tanque comum, Bencina e eu ficamos sozinhos.
— Juli, preciso falar com você.
Ele falou num murmúrio, como se estivesse conspirando. Mateo começou a lavar a louça, uns trinta metros pra lá.
— Sim… — falei com genuína inocência.
— Aqui não, Julieta. Quero falar com você a sós, durante a semana.
Juro que na hora não entendi. Mesmo naquele dia eu ter ido com uma camiseta bem justa e um shortinho jeans bem cavado que destacava a bunda redonda que tenho. É que naquela altura já era tipo um costume me arrumar pra eles.
— Durante a semana? — Me estiquei pra pegar um pedaço de pão e brincar com a casca. No movimento, meus peitos se juntaram e o decote, embora não fosse generoso, deixou ver até a divisão dos peitos— Sim, passa em casa quando qui…
— Não, não, sem o Mateo — ele me cortou olhando na direção do meu marido— Podemos nos ver no centro ou em algum lugar que você quiser?
Só aí eu entendi.
— No centro? Pra quê? Cê tá louco, Bencina?
— Qual é, Juli, já somos adultos…
— Sim, por isso mesmo, porque somos adultos…
— Juli, não sou otário, cê acha que não percebo como você me olha?
Fiquei em silêncio cortando um pedaço por uns segundos. Foi como se só então tivesse caído a ficha de toda a putaria e sedução que eu dedicava a eles. Que eu dedicava. E me senti mal.
— Sou a mulher do seu amigo, Bencina!
— E eu sou o amigo do seu marido… E olha como você vem!
Naquele dia eu tava mais gostosa que o normal. Talvez até sexy demais. E percebi que, no fundo, eu sabia que me vestia assim para eles.
—Só falta você me dizer como tenho que me vestir!
Vi a cara de raiva, de impotência. Ele se sentiu enganado e, sinceramente, não merecia. Ele olhou atrás de mim, procurando ver onde estava o Mateo, que tinha ido até uma lixeira. Naquele momento, uma folhinha de árvore caiu sobre um dos meus peitos.
Foi instantâneo. Repentino. Quase um ato reflexo de vingança infantil.
—Deixa que eu tiro —ele disse, e esticou a mão, tirando a folhinha com a palma aberta, pegando meu peito inteiro por cima da camiseta e me apalpando de um jeito vil, nojento, com a mão cheia de lascívia. Fiquei muda, sem reação. O apalpamento durou uns segundos, enquanto ele me olhava nos olhos, com uma intensidade que acelerou meu coração. Também acelerou o fato de que os dedos dele, naquele momento, quase imperceptivelmente, massagearam meu mamilo.
Ouvi o fechamento da torneira e o jato d'água sendo cortado. E Bencina tirou a mão.
—Você é uma histérica de merda! —me repreendeu num murmúrio—. A gente se conhece há anos, você podia ter me dado mil motivos pra não fazer nada, mas querer me fazer passar por um punheteiro… não dá.
Nesse momento, Mateo chegou. Bencina fez uma piada e levantou sorrindo. Eu não sorria. Pensava que tinha levado uma lição, perdido um amigo, e que teria que inventar uma desculpa pro Mateo pra não voltar mais pros futebolzinhos e churrascos no parque.
2.
Mas no sábado seguinte eu voltei. É que no decorrer da semana tudo foi se dissolvendo, e decidi não dar mais importância ao assunto do que ele merecia. Por outro lado, não consegui tirar o Bencina da cabeça. Até sonhei com ele várias vezes. Sem dúvida, foi por causa do apalpamento. Desde que comecei a namorar o Mateo, nenhum outro homem tinha posto a mão em mim. O jeito dele apertar meu peito foi… novidade. Pela lascívia. Pelo impudor. Porque meu Meu marido estava a trinta metros… Me lembrou uns amantes casuais que tive no meu namoro anterior. Uns caras que eu pegava nas baladas enquanto o corno ficava em casa vendo maratona de Lost.
No sábado seguinte, não só fui ver o jogo como — por razões que desconheço — aumentei a aposta. A manhã estava linda, com muito sol. Coloquei um vestidinho bem de verão, leve, de florzinhas pequenas, bem decotado e muito curto. Antes de sair, me olhei no espelho e soube que estava ultra comível. Bom, foi o que o Mateo disse quando me viu. Me beijou, passou a mão por baixo da saia e falou que eu tava meio doida, que o parque tava cheio de caras por causa do campeonato. Fiz a reflexiva, a que não percebeu, e concordei com ele. Mas também fiz carinha de cansada e, como a gente tava com o tempo apertado, convenci ele de que não tinha problema, que com aquele calor todas iam andar assim no parque.
Assisti o jogo na lateral da quadra, como sempre. Não devia sentar no chão, mas depois de um tempo não liguei e sentei. Tive que fazer malabarismo pra saia do vestidinho cobrir minha decência. E não consegui direito. Tinha certeza de que dava pra ver a calcinha branca que não sei por que demorei tanto pra escolher, então coloquei um casaco do Mateu entre minhas pernas pra me cobrir.
No intervalo, os caras se reuniram perto de mim, então quando vieram na minha direção, levantei pra ir com meu maridinho. Pra me levantar, tive que tirar o casaco e escolhi — talvez sem querer — o momento em que Bencina, Wate e Adri vinham de frente.
Tenho certeza de que viram até meu sobrenome. Bencina fez cara de bunda. Já tinha feito cara de bunda quando me viu chegar com aquela roupa. Na hora, ele cravou os olhos no meu decote sem se importar com nada, o que meio que me fez ficar molhada. Que complicadas que a gente é, mulher!
Mais tarde, depois do churrasco, a gente ficou sozinha de novo. Bencina, meu marido e eu. Conversando super de boa, Brincávamos como amigos. Ninguém desconfiaria que uma semana antes o amigo do meu marido tinha apalpado uma das minhas tetas e me chamado de putinha histérica.
Num instante, Mateo foi pro banheiro, que era meio longe. Eu fui pro tanque lavar os pratos e copos. Bencina veio atrás de mim.
— Sua filha da puta! Por que você veio vestida assim?
— Bencina, acho que você tem um problema com mina que se veste bonita.
Tentei falar ofendida, mas acabei sorrindo. Bencina continuou puto.
— Pensou no que eu te falei semana passada?
— Já te falei que isso não vai rolar. Não vou me encontrar com você nem com ninguém pelas costas do meu marido. Eu não faço essas coisas.
— É só pra conversar, nada mais…
— É, claro. Mateo não merece que a gente faça isso com ele.
— Fazer o quê?
— Deixar ele de corno — Não sei por que falei isso. Não que eu tivesse dito algo fora de contexto, mas a escolha da palavra "corno", dita na cara dele (percebo hoje), era pra ver a reação dele—. Cê acha certo fazer ele de corno?
Pela primeira vez no dia, Bencina sorriu pra mim.
— Fica bem em você falar essa palavrinha…
— Que palavrinha…?
— Corno…
— Não seja idiota — falei. Mas a verdade é que assim que pronunciei, já tinha gostado do som. Era estranho, porque essa palavra sempre me pareceu horrível. Talvez porque meu Mateo não era corno nem corria risco de ser, a palavrinha, como dizia Bencina, tinha outra sonoridade.
— Semana passada não te pareceu tão ruim…
Eu lavava os pratos com força. A cada movimento dos braços, minhas tetonas balançavam igual cone de caixa de som. Bencina tava de frente, mas meio de lado. Qualquer peituda conhece essa posição: é a que os caras usam pra dar uma espiada no decote. Senti uma coisa correndo por dentro de mim.
— O que a gente fez semana passada não é chifre — Não tava sacando por que lado ele tava me manipulando, mas tava. E não sei por que eu amoleci, a fraqueza me venceu, e falei—: Então não fiz o Mate de corno.
Foi desnecessário esse último pedaço. Frase. Foi desnecessário falar cuck. Foi como retomar o mesmo caminho que eu já tinha fechado. Bencina percebeu. Ele se aproximou um quarto de passo pra ficar colado e passou a mão direita no meu peito esquerdo, enfiando pelo decote.
— O que cê tá fazendo, Bencina? Para de encher o saco! — reclamei, mas como tava com as mãos ocupadas com um prato e uma esponja cheia de espuma, não consegui me livrar dele.
— Fica tranquila, Julieta. Daqui eu vejo quando o cuck chegar.
Só aí caiu a ficha que ele tinha se posicionado do meu lado direito pra observar a volta do Mateo. Com essa distância, ele jamais notaria que tava me apalpando. O filho da puta nem precisaria tirar a mão rápido, podia continuar me bolinando enquanto meu marido ainda tivesse caminhando um bom tempo até nós.
— Não chama ele de cuck…
Parei de lavar sem perceber. A mão dele foi entrando devagar pelo decote e começou a acariciar meu peito, pele e sutiã. Bencina sorriu e cutucou um pouco mais. Encheu a mão com meu peito e apertou de leve. Senti um formigamento feroz, intenso e repentino, e me molhei como não fazia há muitos anos. Mateo devia estar a cinquenta metros com o pau na mão mijando, e o amigo dele agora tava me procurando por baixo do sutiã. Fiquei encharcada.
— Que peitos lindos que cê tem, Juli…! — ele ofegou.
— A gente não tá fazendo ele de cuck…
Ele continuava massageando uma teta, já tinha enfiado meia mão por baixo do sutiã e procurava meu mamilo, que tava durinho que nem borracha. Achou na hora.
— Ahhhhhhhhh…! — não consegui segurar.
— Mmm… — ele gemeu, com aquele ronronar tão masculino que ele tem.
Ele brincou com a ponta do mamilo com uma delicadeza inesperada, como se estivesse enrolando um cigarro.
— A gente não tá fazendo ele de cuck… — repeti, como se fosse uma reza.
— Que gostoso quando cê fala isso…! — e continuava me apalpando.
— O quê? — falei, me fazendo de sonsa, mais molhada que minhas mãos segurando o prato e a espuma, e já fechando meus olhinhos.
— A palavrinha…
— Cuck… — fiz a vontade dele. Acho que era a mão safada dele que me fazia falar essas coisas.
— De novo, Vamo lá… Dudé. Me senti uma idiota. Manipulada de um jeito barato e entregando meu corpo inteiro pra essa manipulação.
— Cuck… cuck…
— Quem?
— Não seja filho da puta… — murmurei num suspiro de tesão.
— Quem, Juli?
— Meu marido… meu marido é um cuck… Mateo… Mateo é um cuck… — E me toquei —. Que não é um cuck, quis dizer!
— Ó, olha só! — ele disse de repente —. Você chamou e ele vem vindo pra cá…
Falou sem mover um músculo, sem tirar a mão na hora. Deu uma última massagem no meu peito esquerdo excitado e, quando passou pelo mamilo, pegou com dois dedos e apertou mais forte, me dando um choque que veio lá da entreperna. Me molhei de novo na hora e soltei um gemido, igual quando eu traía meu ex-namorado.
— Ahhhhhh…! Filho da puuutaaa…
Só aí ele tirou a mão e recuou o quarto de passo que nos separava. Voltei a esfregar os pratos com um tremor nos dedos, que odiei.
— Sábado que vem vem sem sutiã — ele sussurrou. Mateo já tava perto.
— Não! — respondi, rangendo os dentes.
— Vou chupar suas tetas até você gozar.
— Não, não vamos fazer mais nada. Não vou voltar nunca mais.
— Vem sem sutiã — insistiu, e começou a falar da cirurgia do pai dele, como se a gente tivesse falando daquilo.
Mateo chegou e me beijou no ombro. Me arrepiei, e tenho certeza que ele achou que foi por causa dele. Me pegou pela cintura — eu ainda tava esfregando — e se grudou por trás, a cabeça dele no meu ombro.
— Ah, você tá contando sobre seu pai?
Percebi que, daquela posição, meu marido tava espiando meus peitos pelo decote, coisa que ele fazia direto. Pobre Mateo, espiando os peitos da mulher dele enquanto o amigo, ali do lado, pouco antes, tinha apalpado eles pele com pele até espremer um dos mamilos.Bencina continuou falando do pai dela, Mateo me beijou o ombro de novo e foi como se nada tivesse acontecido. Só que tinha uma gota escorrendo pela minha coxa por dentro.
Antes de mais nada, vocês precisam saber que nunca fiz cuck no meu marido. E que jamais farei.
Dito isso, preciso deixar claro que também não sou a Madre Teresa. Sou uma mulher jovem, saudável, plena, com desejos e necessidades como qualquer outra. Não sei como funciona com os homens, mas com a gente não tem um padrão; um cara pode te atrair por qualquer coisa: o jeito de falar, a segurança que demonstra, o humor, a inteligência, seja lá o que for. Sim, a aparência também conta; mas não é a aparência que faz a diferença, que te faz duvidar do que você nunca duvidava. É a masculinidade. Que pode estar na voz, no cheiro, num olhar.
Não sei quando começou essa história que vou contar. Com certeza começou naquele dia de futebol no parque, quando Bencina enfiou a mão nos meus peitos pela primeira vez, com meu marido no banheiro. Mas, claro, começou antes, muito antes, com os olhares… Eu diria que começou quando a gente ainda namorava, no mesmo dia em que Mateo me apresentou aos amigos dele.
Não me interpretem mal, eu amava meu namorado, que hoje é meu marido e continuo amando, mas no momento em que ele me apresentou aos "seus garotos", como ele chamava, percebi que eles eram mais homens do que ele. Não, Mateo não é menos homem. Nem viado. Nem metrossexual, sequer. Mateo é um cara comum e normal. Também não é que os amigos dele são uns tarados de filme pornô, eles só têm um plus de masculinidade em cima do meu amorzinho. Bem acima.Com isso não quero dizer que me joguei aos pés deles ou que me insinuei. Não sejam trouxas, uma mulher não faz isso. Também nunca tive nem tenho interesse em fazer meu marido de corno manso. Não preciso disso. Mas quando os amigos do seu namorado são mais na pegada do que ele, mais ousados, mais seguros, mais másculos… a cabeça vai trabalhando devagar e sem parar. Não é algo que você percebe, e acontece ao longo dos anos. Você só cai na real no dia em que está transando com seu marido e seus pensamentos vão para os amigos dele. Ou quando você se arruma pra ir num aniversário que sabe que um deles vai estar, e se veste um pouco mais gostosa, com a desculpa de estar bonita pro seu esposo.
Bencina —assim como o Adrián e o Wate— me pegou de cara desde o dia que o Mateo me apresentou. O beijo no rosto trouxe pra perto o cheiro do aftershave dele, com um toque bem suave de tabaco doce. Não rolou nada, claro, eu não tava afim de nada, muito menos de amigos do meu namorado. Os anos seguintes foram quase a mesma coisa, a gente se via direto e nunca passou do limite. Até que num rolê em grupo, com um pouco de álcool rolando, o Bencina começou a me olhar com outros olhos. Ou, como ele diz, eu vi com outros olhos como ele me olhava, porque ele sempre me olhou com desejo.Seja como for, desde aquele dia comecei a notar ele diferente, toda vez que a gente se juntava em grupo. Comecei a sonhar com ele. Comecei a evocá-lo —às vezes— na minha imaginação, quando transava com o Mateo. Não tinha culpa porque eu não fazia nada de errado. Tudo ficava num plano de fantasia, na minha mente. Calculava que não passaria daquilo, que nem o Bencina perceberia. Até que o Adrián e o Wate também começaram a me olhar diferente. Não era boba, percebia depois de uns anos conhecendo eles que os três amigos do meu namorado queriam me comer. Isso não significava que algum dia iam dar em cima de mim. Preferia que não, desde já. Se avançassem, iam me colocar na situação de merda de ter que decidir se contava pro meu namorado ou não, e não ia ser fácil nem prazeroso dizer que um amigo tinha me cantado.
Em algum momento, já casados há um tempão, comecei a me vestir sempre sexy quando a gente se via com eles. Não só nos aniversários, mas nos jantares em casa ou até uma vez que me levaram pro estádio. Sexy é sexy, não puta. Tenho peitos bons —realmente muito bons— fruto da genética. Sem ser gordinha, tenho carne por todo lado e então os decotes viraram rotina. Às vezes as camisetas não eram decotadas, mas bem justinhas, o que fazia meus peitos explodirem. Uma mulher sabe. Raramente combinava minissaia com decote, também não queria que meu Mateo parecesse um corno manso. Só em saídas e em alguma ocasião especial. E nessas ocasiões, a reação dos amigos do meu marido era certeza. Costumava rolar uma guerra de olhares e sorrisos de canto de boca bem sutil, daquelas que a gente sabe que tão rolando e que os trouxas dos homens nunca têm certeza.
Aí veio aquele dia do jogo. Mateo, Bencina e os outros caras —mais um monte de outros caras que eu não conhecia— jogavam regularmente um campeonato. Todo sábado de manhã uma partida, num parque municipal. Primeiro ele ia sozinho enquanto eu ficava em casa limpando um pouco e fazendo algumas Compras, mas eu tava entediada, então um dia ele começou a me levar. Hoje acho que, inconscientemente, ele queria ir ver os amigos, porque logo no primeiro dia já fui de decote. Lembrando: tenho uns peitos que não se vê todo dia.
Eu observava eles jogarem, comemorava gols e vitórias e ficava na torcida nas derrotas. Depois, Mateo, Bencina, Adri, Wate e eu ficávamos fazendo um churrasco nas grelhas, e almoçávamos.
Naquele sábado, Wate e Adri tinham ido embora assim que terminamos de comer, e quando meu marido começou a levar as coisas pro tanque comum, Bencina e eu ficamos sozinhos.
— Juli, preciso falar com você.
Ele falou num murmúrio, como se estivesse conspirando. Mateo começou a lavar a louça, uns trinta metros pra lá.
— Sim… — falei com genuína inocência.
— Aqui não, Julieta. Quero falar com você a sós, durante a semana.
Juro que na hora não entendi. Mesmo naquele dia eu ter ido com uma camiseta bem justa e um shortinho jeans bem cavado que destacava a bunda redonda que tenho. É que naquela altura já era tipo um costume me arrumar pra eles.
— Durante a semana? — Me estiquei pra pegar um pedaço de pão e brincar com a casca. No movimento, meus peitos se juntaram e o decote, embora não fosse generoso, deixou ver até a divisão dos peitos— Sim, passa em casa quando qui…
— Não, não, sem o Mateo — ele me cortou olhando na direção do meu marido— Podemos nos ver no centro ou em algum lugar que você quiser?
Só aí eu entendi.
— No centro? Pra quê? Cê tá louco, Bencina?
— Qual é, Juli, já somos adultos…
— Sim, por isso mesmo, porque somos adultos…
— Juli, não sou otário, cê acha que não percebo como você me olha?
Fiquei em silêncio cortando um pedaço por uns segundos. Foi como se só então tivesse caído a ficha de toda a putaria e sedução que eu dedicava a eles. Que eu dedicava. E me senti mal.
— Sou a mulher do seu amigo, Bencina!
— E eu sou o amigo do seu marido… E olha como você vem!
Naquele dia eu tava mais gostosa que o normal. Talvez até sexy demais. E percebi que, no fundo, eu sabia que me vestia assim para eles.
—Só falta você me dizer como tenho que me vestir!
Vi a cara de raiva, de impotência. Ele se sentiu enganado e, sinceramente, não merecia. Ele olhou atrás de mim, procurando ver onde estava o Mateo, que tinha ido até uma lixeira. Naquele momento, uma folhinha de árvore caiu sobre um dos meus peitos.
Foi instantâneo. Repentino. Quase um ato reflexo de vingança infantil.
—Deixa que eu tiro —ele disse, e esticou a mão, tirando a folhinha com a palma aberta, pegando meu peito inteiro por cima da camiseta e me apalpando de um jeito vil, nojento, com a mão cheia de lascívia. Fiquei muda, sem reação. O apalpamento durou uns segundos, enquanto ele me olhava nos olhos, com uma intensidade que acelerou meu coração. Também acelerou o fato de que os dedos dele, naquele momento, quase imperceptivelmente, massagearam meu mamilo.
Ouvi o fechamento da torneira e o jato d'água sendo cortado. E Bencina tirou a mão.
—Você é uma histérica de merda! —me repreendeu num murmúrio—. A gente se conhece há anos, você podia ter me dado mil motivos pra não fazer nada, mas querer me fazer passar por um punheteiro… não dá.
Nesse momento, Mateo chegou. Bencina fez uma piada e levantou sorrindo. Eu não sorria. Pensava que tinha levado uma lição, perdido um amigo, e que teria que inventar uma desculpa pro Mateo pra não voltar mais pros futebolzinhos e churrascos no parque.
2.
Mas no sábado seguinte eu voltei. É que no decorrer da semana tudo foi se dissolvendo, e decidi não dar mais importância ao assunto do que ele merecia. Por outro lado, não consegui tirar o Bencina da cabeça. Até sonhei com ele várias vezes. Sem dúvida, foi por causa do apalpamento. Desde que comecei a namorar o Mateo, nenhum outro homem tinha posto a mão em mim. O jeito dele apertar meu peito foi… novidade. Pela lascívia. Pelo impudor. Porque meu Meu marido estava a trinta metros… Me lembrou uns amantes casuais que tive no meu namoro anterior. Uns caras que eu pegava nas baladas enquanto o corno ficava em casa vendo maratona de Lost.
No sábado seguinte, não só fui ver o jogo como — por razões que desconheço — aumentei a aposta. A manhã estava linda, com muito sol. Coloquei um vestidinho bem de verão, leve, de florzinhas pequenas, bem decotado e muito curto. Antes de sair, me olhei no espelho e soube que estava ultra comível. Bom, foi o que o Mateo disse quando me viu. Me beijou, passou a mão por baixo da saia e falou que eu tava meio doida, que o parque tava cheio de caras por causa do campeonato. Fiz a reflexiva, a que não percebeu, e concordei com ele. Mas também fiz carinha de cansada e, como a gente tava com o tempo apertado, convenci ele de que não tinha problema, que com aquele calor todas iam andar assim no parque.
Assisti o jogo na lateral da quadra, como sempre. Não devia sentar no chão, mas depois de um tempo não liguei e sentei. Tive que fazer malabarismo pra saia do vestidinho cobrir minha decência. E não consegui direito. Tinha certeza de que dava pra ver a calcinha branca que não sei por que demorei tanto pra escolher, então coloquei um casaco do Mateu entre minhas pernas pra me cobrir.
No intervalo, os caras se reuniram perto de mim, então quando vieram na minha direção, levantei pra ir com meu maridinho. Pra me levantar, tive que tirar o casaco e escolhi — talvez sem querer — o momento em que Bencina, Wate e Adri vinham de frente.
Tenho certeza de que viram até meu sobrenome. Bencina fez cara de bunda. Já tinha feito cara de bunda quando me viu chegar com aquela roupa. Na hora, ele cravou os olhos no meu decote sem se importar com nada, o que meio que me fez ficar molhada. Que complicadas que a gente é, mulher!
Mais tarde, depois do churrasco, a gente ficou sozinha de novo. Bencina, meu marido e eu. Conversando super de boa, Brincávamos como amigos. Ninguém desconfiaria que uma semana antes o amigo do meu marido tinha apalpado uma das minhas tetas e me chamado de putinha histérica.
Num instante, Mateo foi pro banheiro, que era meio longe. Eu fui pro tanque lavar os pratos e copos. Bencina veio atrás de mim.
— Sua filha da puta! Por que você veio vestida assim?
— Bencina, acho que você tem um problema com mina que se veste bonita.
Tentei falar ofendida, mas acabei sorrindo. Bencina continuou puto.
— Pensou no que eu te falei semana passada?
— Já te falei que isso não vai rolar. Não vou me encontrar com você nem com ninguém pelas costas do meu marido. Eu não faço essas coisas.
— É só pra conversar, nada mais…
— É, claro. Mateo não merece que a gente faça isso com ele.
— Fazer o quê?
— Deixar ele de corno — Não sei por que falei isso. Não que eu tivesse dito algo fora de contexto, mas a escolha da palavra "corno", dita na cara dele (percebo hoje), era pra ver a reação dele—. Cê acha certo fazer ele de corno?
Pela primeira vez no dia, Bencina sorriu pra mim.
— Fica bem em você falar essa palavrinha…
— Que palavrinha…?
— Corno…
— Não seja idiota — falei. Mas a verdade é que assim que pronunciei, já tinha gostado do som. Era estranho, porque essa palavra sempre me pareceu horrível. Talvez porque meu Mateo não era corno nem corria risco de ser, a palavrinha, como dizia Bencina, tinha outra sonoridade.
— Semana passada não te pareceu tão ruim…
Eu lavava os pratos com força. A cada movimento dos braços, minhas tetonas balançavam igual cone de caixa de som. Bencina tava de frente, mas meio de lado. Qualquer peituda conhece essa posição: é a que os caras usam pra dar uma espiada no decote. Senti uma coisa correndo por dentro de mim.
— O que a gente fez semana passada não é chifre — Não tava sacando por que lado ele tava me manipulando, mas tava. E não sei por que eu amoleci, a fraqueza me venceu, e falei—: Então não fiz o Mate de corno.
Foi desnecessário esse último pedaço. Frase. Foi desnecessário falar cuck. Foi como retomar o mesmo caminho que eu já tinha fechado. Bencina percebeu. Ele se aproximou um quarto de passo pra ficar colado e passou a mão direita no meu peito esquerdo, enfiando pelo decote.
— O que cê tá fazendo, Bencina? Para de encher o saco! — reclamei, mas como tava com as mãos ocupadas com um prato e uma esponja cheia de espuma, não consegui me livrar dele.
— Fica tranquila, Julieta. Daqui eu vejo quando o cuck chegar.
Só aí caiu a ficha que ele tinha se posicionado do meu lado direito pra observar a volta do Mateo. Com essa distância, ele jamais notaria que tava me apalpando. O filho da puta nem precisaria tirar a mão rápido, podia continuar me bolinando enquanto meu marido ainda tivesse caminhando um bom tempo até nós.
— Não chama ele de cuck…
Parei de lavar sem perceber. A mão dele foi entrando devagar pelo decote e começou a acariciar meu peito, pele e sutiã. Bencina sorriu e cutucou um pouco mais. Encheu a mão com meu peito e apertou de leve. Senti um formigamento feroz, intenso e repentino, e me molhei como não fazia há muitos anos. Mateo devia estar a cinquenta metros com o pau na mão mijando, e o amigo dele agora tava me procurando por baixo do sutiã. Fiquei encharcada.
— Que peitos lindos que cê tem, Juli…! — ele ofegou.
— A gente não tá fazendo ele de cuck…
Ele continuava massageando uma teta, já tinha enfiado meia mão por baixo do sutiã e procurava meu mamilo, que tava durinho que nem borracha. Achou na hora.
— Ahhhhhhhhh…! — não consegui segurar.
— Mmm… — ele gemeu, com aquele ronronar tão masculino que ele tem.
Ele brincou com a ponta do mamilo com uma delicadeza inesperada, como se estivesse enrolando um cigarro.
— A gente não tá fazendo ele de cuck… — repeti, como se fosse uma reza.
— Que gostoso quando cê fala isso…! — e continuava me apalpando.
— O quê? — falei, me fazendo de sonsa, mais molhada que minhas mãos segurando o prato e a espuma, e já fechando meus olhinhos.
— A palavrinha…
— Cuck… — fiz a vontade dele. Acho que era a mão safada dele que me fazia falar essas coisas.
— De novo, Vamo lá… Dudé. Me senti uma idiota. Manipulada de um jeito barato e entregando meu corpo inteiro pra essa manipulação.
— Cuck… cuck…
— Quem?
— Não seja filho da puta… — murmurei num suspiro de tesão.
— Quem, Juli?
— Meu marido… meu marido é um cuck… Mateo… Mateo é um cuck… — E me toquei —. Que não é um cuck, quis dizer!
— Ó, olha só! — ele disse de repente —. Você chamou e ele vem vindo pra cá…
Falou sem mover um músculo, sem tirar a mão na hora. Deu uma última massagem no meu peito esquerdo excitado e, quando passou pelo mamilo, pegou com dois dedos e apertou mais forte, me dando um choque que veio lá da entreperna. Me molhei de novo na hora e soltei um gemido, igual quando eu traía meu ex-namorado.
— Ahhhhhh…! Filho da puuutaaa…
Só aí ele tirou a mão e recuou o quarto de passo que nos separava. Voltei a esfregar os pratos com um tremor nos dedos, que odiei.
— Sábado que vem vem sem sutiã — ele sussurrou. Mateo já tava perto.
— Não! — respondi, rangendo os dentes.
— Vou chupar suas tetas até você gozar.
— Não, não vamos fazer mais nada. Não vou voltar nunca mais.
— Vem sem sutiã — insistiu, e começou a falar da cirurgia do pai dele, como se a gente tivesse falando daquilo.
Mateo chegou e me beijou no ombro. Me arrepiei, e tenho certeza que ele achou que foi por causa dele. Me pegou pela cintura — eu ainda tava esfregando — e se grudou por trás, a cabeça dele no meu ombro.
— Ah, você tá contando sobre seu pai?
Percebi que, daquela posição, meu marido tava espiando meus peitos pelo decote, coisa que ele fazia direto. Pobre Mateo, espiando os peitos da mulher dele enquanto o amigo, ali do lado, pouco antes, tinha apalpado eles pele com pele até espremer um dos mamilos.Bencina continuou falando do pai dela, Mateo me beijou o ombro de novo e foi como se nada tivesse acontecido. Só que tinha uma gota escorrendo pela minha coxa por dentro.
4 comentários - juli y el cornudo de las tetas 1