Não estava passando pelo meu melhor momento. Sabe, sempre ouvi o mesmo comentário. —Você é muito inteligente, merece mais!!! Elogioso, sim... Mas tão cortante ao mesmo tempo, sobre o que sou e o que poderia ser. Sobre o que não consigo, e nunca terei coragem de ser... Não sou a típica garota descolada, nem sequer sou mediana. Estou quase sempre ausente, que nem a Pizarnik. Medrosa, e com uma falta de confiança brutal. Mas já estou assim há anos... Então, me acostumei. Recém-formada, minha mãe insistiu pra eu arrumar um emprego. E ajudar financeiramente com as contas de casa. Por recomendação de uma boa amiga da minha mãe, cheguei a um escritório, da melhor agência de imóveis. Talvez a recomendação tenha valido muito, ou talvez eu me encaixasse no perfil. Mas entrei quase de imediato. O trabalho não era grande coisa, eu tinha me formado em administração de empresas. E minhas tarefas eram de assistente. Meu chefe, o Sr. Vélez, era um velho rabugento que já beirava os 50 anos. No começo, foi educado e um pouco gentil. Mas depois, quando eu não cumpria 100% das exigências dele, ele virava um filho da puta... Era sádico e tinha um humor bem pesado. Eu odiava ele, mas foi o homem que me deu o melhor boquete que já recebi na vida. Era um cara desagradável, 30 anos mais velho que eu, que fez de tudo ao alcance dele pra que eu o detestasse: gritava comigo pra atender o telefone, não respondia aos bons dias, dizia que eu não servia pro cargo e, quando algo dava errado — fosse ou não minha culpa —, me humilhava na frente dos outros. Adorava me fazer parecer uma idiota. Aguentava só porque realmente precisava do emprego. Apesar disso, do mesmo jeito, pelas coisas loucas da vida, acabei transando com ele. Depois de um ano e meio aguentando ele, ele se acalmou. Entrou um novo colega e ele virou a nova vítima. A atitude dele comigo começou a melhorar. Um dia, enquanto eu estava no velório do meu pai, ele apareceu pra dar os pêsames. Mas depois de dizer o quanto sentia pela minha Perda, ele me fez saber o quanto achava atraente uma das minhas amigas, e aí lembrei por que eu detestava tanto ele". "Depois da minha perda familiar, minha vida começou a desandar. Parei de dormir e passava o tempo todo trabalhando igual uma louca. Precisava de uma emoção, um sentimento. Mas me sentia um saco, não era particularmente feia, mas minha atitude depressiva, minha conversa fiada me tornavam uma mulher inviável pra qualquer homem. Não sei como, mas uma noite, chegando em casa, acabei batendo o carro no portão. 'Como você tá linda!!' foi o cumprimento dele quando voltei ao trabalho. Não dei importância. Achei que era um gesto de solidariedade. 'Como você está? Como vai sua família? Precisa de carona?' Ele estava, estranhamente, mais próximo e atento a mim". "Não sei por que, mas contei sobre o acidente. Ele se mostrou compreensivo. Me disse pra me cuidar, que eu precisava ficar tranquila. Daí surgiu nosso primeiro beijo. Naquele dia saímos muito tarde. Quando comecei a arrumar minhas coisas pra ir embora, ele fez o mesmo. Entramos juntos no elevador. Ele me olhou, sorriu e me deu um beijo suave na boca. Assim, ousado, sem dizer uma palavra. Fiquei muito surpresa. Ao chegar no térreo, me despedi com a mão no ar". "Nunca me interessaram homens mais velhos que eu, muito menos casados e com filhos. Mas ele era tão desagradável e carinhoso ao mesmo tempo, que pouco me importou o quanto eu tinha sido certinha até então na minha vida. A partir daí, ele me mandava mensagens, me dava doces e perguntava como iam meus trabalhos. Tudo muito discreto e com cuidado. A maioria dos meus colegas sabia que eu o detestava, então não tinha como suspeitarem de um caso entre nós". "De repente, ele aumentou o tom. 'Você precisa de uma massagem, tem que se acalmar. Gostaria que nos conhecêssemos melhor?', perguntou uma vez. Não hesitei em dar minha resposta: 'não tinha nada melhor pra fazer, então falei que sim'. Ele me marcou às sete da manhã na Eixo 8, ao sul da Cidade do México, e ele passou por mim pra me levar pro hotel. O carro dele era luxuoso, a roupa impecável e o sorriso, bem branco, algo que até então eu não tinha reparado. Ele tava de camisa e calça social, óculos e um relógio chamativo. O hotel era elegante e cheirava muito bem. A cama, enorme e macia. Ele me sentou na cama e começou a acariciar minhas pernas, meus peitos, meu cabelo. Me disse pra relaxar. Tirou minha camiseta aos poucos. Aquela calma e paciência me excitou pra caralho. Os beijos dele eram molhados. Me deitou e abaixou minha calça devagar. Eu mal conseguia respirar. Tava muito nervosa. Naquela época, não costumava depilar a buceta, só aparar um pouco os pelos. Não parava de pensar na surpresa que ele ia ter. Quando me viu, sorriu. Passou o dedo indicador de leve entre os lábios e as coxas. Brincou com minha calcinha, puxando pra cima e pra baixo. O tecido roçava gostoso pra caramba. Enfiou o dedo do meio e depois colocou na minha boca pra eu chupar. Nunca tinha provado o meu próprio gosto. Era realmente bom. O cheiro era agridoce, mas sem ser desagradável. Depois de toda essa rota sexual, meu chefe "lambeu e mordeu minha barriga, e foi descendo devagarinho. Nessa altura, já tava molhada o suficiente pra aguentar a penetração sem problemas. Mas não, ele só colou a boca na minha buceta. Chupou um pouco com a ponta da língua. Primeiro o clitóris, depois os arredores. Que explosão interna do caralho. Meus gemidos incentivavam ele. Ele apertava minha bunda e minhas pernas, o que tivesse ao alcance. Não parava de chupar nem de me olhar. Comecei a ficar muito molhada. Pedi pra ele parar porque tava quase gozando. 'É isso que eu quero', ele respondeu. Meus fluidos se misturavam com a baba dele. Tava encharcada e ofegante. Meu corpo ardia, a pele, a buceta, a língua dele. Devagar, bem devagar, devagar, bem devagar; além de umas mordidas. Quando menos esperava, gozei na boca dele, nos lençóis. Minhas pernas tremeram, meus dedos ficaram dormentes, soltei uma risadinha. O melhor sexo oral que já tive. A gente terminava e cada um ia pro seu lado, claro". Daí em diante, "a gente transava pesado, com vontade, com uma certa violência. Quando ele me tirou a virgindade, se sentiu um macho alfa! Ele foi me dominando aos poucos pra satisfazer os instintos dele, com o tempo foi além e o sexo com ele virou sessões intensas de depravação. Meus bicos dos peitos ficavam roxos e levemente rachados. A gente se via umas três a quatro vezes por mês, mas ele já não passava mais pra me buscar. A gente só escolhia um lugar e se encontrava lá". Às vezes eu chupava ele no estacionamento, no carro dele, quando não tinha ninguém. Nunca transamos lá, eu achava perigoso demais. Até hoje não sei como ele fazia quando chegava em casa, na calça dele quase sempre ficavam resquícios de sêmen. 'Você me dá juventude', ele costumava dizer. "Comigo ele fazia tudo que não conseguia fazer com a esposa. Parece clichê, mas foi assim. Ele me comia por onde tinha vontade. Eu me deixava e isso excitava ele pra caralho. Também mandava fotos nua ou vídeos onde aparecia me masturbando. Ele me pediu pra me vestir de enfermeira e eu fiz". "A mulher dele era extremamente ciumenta. Acho que conhecia o marido. Ligava o tempo todo e, sempre que podia, dava uma passada pra nos visitar. Nunca prestou atenção em mim. Era uma mulher que se vestia muito bem e era bem elegante: colares chamativos, saltos altíssimos, roupa no tamanho certo. Eu era uma vintenha de jeans, tênis e camiseta. Me escondia atrás dos meus óculos e do meu cabelo liso". Bem como acontece nessas aventuras e encontros passageiros. Um dia ele chegou com a notícia de que ela estava grávida. Ele propôs continuar, mas eu recusei. Simplesmente me deu preguiça. Já tinha feito o papel que me cabia, o de me divertir sem sentir um pingo de culpa. Eu tinha escolhido ele porque representava tudo que me irritava. Por que eu fazia isso? Acho que é o que acontece quando você se sente tão podre por dentro. Quando você perde um grande amor — no meu caso padre, você já não pode receber outro grande amor. E ele não era necessariamente um reflexo do amor. Foi assim que decidi mudar o rumo da minha vida: esses três meses de sexo casual e despreocupado me afastaram da realidade que eu estava vivendo: uma perda. Minha falta de amor próprio e o profundo nojo que eu sentia da minha vida. Quando acabou, me senti pronta pra ser objetiva, ou pelo menos pra começar a ser. Fui no psiquiatra, contei que estava muito triste e incompleta, ele me receitou um antidepressivo e um ansiolítico. Depois pedi demissão do trabalho. Não me deram aumento nem me promoveram. Nunca corri atrás disso... Mas como eu me diverti durante esses três meses.
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