Acordei no dia seguinte, já de dia, com risadas pré-gravadas de uma série que estava reproduzindo na televisão. Muito provavelmente a temporada da série que comecei a ver ontem à noite tinha terminado, e continuou reproduzindo coisas todas essas horas.
Me espreguicei e procurei meu celular para desligar o barulho. Ao pegá-lo, percebi que estava vibrando, várias mensagens apareciam na tela.
— Em uma hora estou na sua casa, quero você pronta e não quero um "não" como resposta — foi a primeira delas.
— Estou a vinte minutos da sua casa, espero que não esteja respondendo nem olhando as mensagens porque está muito ocupada se arrumando para mim.
E uma terceira final.
— Cinco quadras... Juro que se não abrir, arrebento a porta. — ameaçou a última mensagem.
Quando consegui conectar dois neurônios, lembrei desse número, era da Lorena, uma das minhas primeiras clientes, e das mais violentas/agressivas. Quando tentei me levantar para pelo menos rapidamente ficar apresentável, tocou a campainha. Merda, já chegou e eu nem sequer fui ao banheiro, lavei os dentes, lavei meu cabelo, ou sequer tomei café da manhã.
Debati se respondia imediatamente, ou pelo menos fazia algo para não me apresentar de forma ridícula na frente dela, mas lembrando como ela era exigente, desisti, peguei um casaco leve cor creme que ficava grande em mim, cobrindo até um pouco mais da minha bunda, e fechando rapidamente, desci com as chaves na mão.
Estando no elevador parecia que tinha tomado quatro litros de café, estava extremamente acordada. Muito possivelmente teria sido pela pressa, a ansiedade e não saber o que esperar. Ao chegar na recepção a vi, e a verdade não me surpreendeu o aspecto que ela tinha; botas de couro com uma plataforma larga, calças justas pretas envernizadas, com um cinto de tachas de modo decorativo, uma blusa de cor cinza escura com um decote totalmente obsceno — as auréolas dos dois mamilos apareciam por cima — e uma jaqueta de couro com zíperes decorativos nas laterais. Tinha o cabelo solta, caindo sobre seus ombros.
Me aproximei da porta e pude ver um sorriso "de lado" insolente em seu rosto. Ao dar a segunda volta na chave, a sessão já começava.
— Oi... — eu queria cumprimentá-la, mas fui imediatamente interrompida.
— Fica de quatro, sua vadia do caralho. O que você acha que tá fazendo andando? Acha que é humana? — Ela já dava ordens como só ela sabia fazer.
Eu obedeci e já recebi meu primeiro castigo: um pequeno empurrão com uma de suas botas na minha bunda, que me fez ir para frente. Se não tivesse meus braços sustentando parte do meu peso, teria caído de cara no chão.
Depois, ela agarrou meu cabelo e puxou para trás, me forçando a me curvar para tentar aliviar a dor da má postura. Foi assim que, nessa posição, ela me guiou até o elevador, como uma vadia. Quando estávamos no elevador, ela apoiou um dos pés nas minhas costas e me obrigou a suportar seu peso. Então, senti que ela abria a bolsa que carregava em um dos braços. Segundos depois, senti e vi dois maços de um tamanho considerável caindo na minha frente. Eles tinham aquela faixa típica de segurança com a qual os bancos os entregam.
— Pega eles — ela disse. — Mas nem pense em usar as mãos — advertiu.
Pensei por alguns segundos e não encontrei outra forma de cumprir essa ordem além de usar a boca. Foi assim que, arrastando e juntando-os com o nariz, depois os peguei com os lábios, como se fosse realmente uma vadia segurando um osso de brinquedo.
Um ou dois minutos depois, chegamos ao meu andar e o elevador se abriu. Ela tirou o pé das minhas costas, e eu me adiantei para sair dali, sem parar de engatinhar. Ela me seguia um passo atrás, castigando a cada instante as duas nádegas da minha bunda.
Quando chegamos à porta do meu apartamento, eu fiquei parada. Mantinha as chaves em uma das mãos, mas tinha certeza de que seria uma ofensa levantar e abrir, então mantive essa posição, esperando novas ordens. Elas chegaram rapidamente.
— Solta as Chaves, agora - ela disse com seu tom exigente típico. Eu obedeci, separando a chave que abriria a porta.
- Olhe para mim e abra a boca - foi o que ela pediu depois de abrir a porta completamente.
Eu fiz, e imediatamente recebi um pequeno cuspe dentro da minha boca. A sensação de nojo foi imediata, mas não durou muito, pois assim que aconteceu, ela pediu novamente que eu fechasse a boca e engolisse o que tinha acabado de receber.
Entramos - eu sem parar de engatinhar - e ela deixou o celular na mesa principal. Com muito cuidado, peguei-o e guardei na pequena caixa de vidro - procedimento já comum desde que comecei nisso e estava na minha casa - e guardei o dinheiro em uma gaveta próxima.
Sentada sobre minhas pernas, com as mãos atrás das costas e juntas na altura das minhas nádegas, esperei que minha cliente agisse. Ela se despiu completamente, deixando apenas as botas. Pude ver pelo canto dos olhos seu corpo, sem desviar a cabeça. Voltei a ver seus mamilos perfurados, mas desta vez tinha notado algo novo: agora no topo de sua buceta, havia um pequeno piercing, igual aos previamente mencionados, então formariam uma tríade sexual e sensual. Ela se aproximou de mim e - supus - inclinando-se, beijou meu pescoço, e depois cada ombro, ao mesmo tempo que, após cada beijo, uma pequena mordida seguia.
Sentimentos familiares eram os que meu corpo começava a receber, da última vez que estive com essa mulher, e de seus castigos exemplares para comigo. O efeito do "café mental" não parava, e sentia cada poro e pelo do meu corpo inteiro. Agora ela agarrou uma das minhas mãos, e com sua mão livre, a apoiou no centro das minhas costas, empurrando meu braço o mais para trás que podia, esticando-o, e gerando dor crescente em mim. Por alguns minutos tentei manter os sinais de dor para mim, mas vendo que esse castigo não parecia ter fim, em um momento de fraqueza deixei escapar um gemido, misturado não sei por que, com um suspiro.
- Sentiu saudade, sua putinha? - me perguntou com um tom de alegria na voz, sem parar de esticar meu braço.
- Sim, minha dona - eu disse, lembrando que chamá-la assim tinha agradado a ela.
- Muito bem, gosto disso, que não me minta e não esconda coisas de mim - ela falou, ao mesmo tempo que soltava meu braço, para trocá-lo pelo até então não castigado. Sentir meu braço cair ao lado do meu corpo foi doloroso, parecia que ele tinha ficado três horas sob o sol, com uma ardência forte e um formigamento geral. Ela continuou esticando meu braço, e agora se somavam uns dedos intrusos - que senti frios, imaginei que ela os tinha lambido antes - invadindo minha bunda sem qualquer cerimônia. Entravam, saíam, esfregavam dentro de mim e masturbavam meu ânus. Por um momento, ela soltou meu braço, e como não fui avisada, caí de cabeça no chão, batendo levemente, mas teria sido pior se meu rosto não tivesse terminado no tapete. Com isso e agora com as duas mãos livres, ela usava uma para continuar metendo os dedos à vontade na minha bunda, e a outra para esticar e abrir o local.
Desde que minha sexualidade floresceu na adolescência, sempre tive uma fraqueza pela atividade "pela via alternativa". Ficar na posição de "cachorrinha", sendo "espetada" repetidas vezes por um membro grande e rígido, sempre me agradou mais do que o sexo "convencional".
Isso continuou por vários minutos. A área sendo castigada devia estar bem vermelha, pelo menos era essa a sensação que minha mente captava, assim como sentia o prazer imensurável, ou a pressão dos meus dedos, que tinham agarrado o tapete e o apertavam para tentar aliviar a dor misturada com o prazer. Agora, além dos dedos dela, ocasionalmente eu podia sentir o que imediatamente presumi, e rapidamente confirmei, ser sua língua, passando de baixo - começando pela parte inferior do meu... buceta - para cima, passando pelo fim da minha bunda e tudo que havia no meio.
Meu prazer excedia qualquer termo quantificável, já não me importava se gemer era falta de respeito, meu corpo se recusava a ter controle e além de gemidos fortes agora meu corpo começava a tremer. De um momento para outro ela me fez deitar no chão, deitando-se com seu peso em cima de mim, agora a tinha me masturbando profusamente, de forma desesperada, enquanto mantinha uma mordida precisa no meu pescoço. Ela me mostrava que não eram necessárias tantas palavras para ter, transmitir e provocar prazer, "menos é mais" como diria a famosa frase.
- Sabe o que é "cum-denial", idiota? - me perguntou, sem parar de me masturbar.
- Não, ama... Explique-me - implorei, no meio de gritos e gemidos.
Dito isso, ela se separou de mim, e sentou no sofá, eu fiquei perplexa, e quente no lugar. Pude escutar como se vestia, e eu sentia a urgente necessidade de ter um orgasmo e descarregar toda essa tensão e prazer sexual que meu corpo continha. Quando escutei que terminava de calçar os sapatos, levantei a cabeça olhando para onde ela estava, para ser imediatamente "recebida" por uma puxada de cabelo da parte dela, empurrando minha cabeça e olhar para cima, e para seus olhos.
- Abre, agora - voltou seu tom autoritário, exigente.
- Por que a senhora fez isso, ama? - perguntei visivelmente frustrada, um pouco irritada, e tremendo pela ainda não descarregada necessidade de prazer que nascia do meu interior.
- Acha que preciso dar razões a você? E mais importante, acha que merece? - me disse sem hesitar.
Com isso abandonei minha intenção de que me desse uma explicação. me levantei - o que realmente me custou, já que minhas pernas não respondiam às ordens que minha mente lhes dava - e peguei as chaves em cima da mesa, vi que o celular já não estava, então ela o teria pegado quando estava se vestindo, abri a porta e sem se despedir ela foi, descendo as escadas.
Eu imediatamente Fechei a porta e, sem dar um fôlego, encostei-me contra ela, abrindo minhas pernas o máximo que pude, mantendo-me em pé e comecei a me masturbar furiosamente. Parecia que estava punindo meu corpo por não agir como deveria ou algo assim, mas era a única forma que minha mente formulou para cumprir seu objetivo de descarregar tanto prazer contido, e negado de sair antes. Não durou mais que 3 minutos, antes de gozar em quantidades copiosas, misturando gritos, gemidos e o som úmido da entrada e saída dos meus dedos na minha buceta encharcada.
Rapidamente, depois de terminar de gozar tudo o que mantinha em meu corpo, minhas pernas voltaram a falhar, mas agora mais pronunciadamente e porque muita energia e força se foram no orgasmo. De um momento para outro, deixei-me cair em uma poça dos meus próprios fluidos. Tinha o cabelo sobre o rosto e, entre minha respiração ofegante, o soprava para fora, tirando-o momentaneamente do rosto. Pude sentir minhas pulsações ficando proeminentes e contínuas, ao mesmo tempo que também pude vê-las através do afundar e inflar do meu peito. Minhas pernas ainda tinham alguns espasmos nervosos, e eu estava muito cansada.
Hoje conheci o termo "cum-denial" e no mesmo dia fiz uma promessa comigo mesma e com o mundo, de não fazer ninguém passar por tal martírio. Entendi que seria inútil levantar-me e tentar seguir com meu dia; para mim já havia terminado, mesmo sendo de manhã, quase meio-dia. Deitei-me sobre a poça ainda fresca que havia feito, peguei uma almofada do sofá e tentei adormecer.
No começo não soube quando acordei, o que sabia era que pelo menos o sol ainda estava dando calor. Levantei-me com um arrepio de nojo e um pouco grudenta. Fui até o banheiro lavar o rosto, o cabelo e passei minhas mãos molhadas um pouco sobre o corpo, tentando não molhar tudo no processo.
Uma vez limpa, decidi que seria uma boa ideia lavar o chão. Era de madeira, e apesar de que provavelmente uma grande proporção teria Secado ou sido absorvido pelo meu corpo, não seria ruim passar um pouco de cera. Procurei num pequeno quarto de limpeza que eu tinha montado os elementos para fazer a tarefa, e depois voltei para a "cena do crime". Coloquei um pouco de música e, depois de uns quinze ou vinte minutos, o chão estava impecável. Como forma de celebrar a tarefa terminada, e de me dar os parabéns, servi-me num copo um pouco do meu uísque e fui tomá-lo no sofá, nua, apoiando as costas no encosto, e as pernas esticadas com os pés apoiados na mesinha de centro.
Pensar na vida de prazeres e semiluxo que eu tinha, com muito pouca responsabilidade, me dava muita felicidade. Quem sabe o que estaria estudando agora, onde estaria trabalhando para me sustentar, me submetendo a um chefe ou chefe insuportável e detestável.
Eu tinha a pequena agenda com os números da minha clientela perto de mim. Abri-a e pude ver o primeiro nome, que minha amiga havia anotado antes de entregá-la para mim. O nome era do misterioso Mariano, aquela pessoa que ela me disse que, se eu tivesse algum problema, ele deveria ser a quem eu chamasse imediatamente. Até agora nunca tinha tido razões para chamá-lo, mas mesmo assim tive vontade de conhecê-lo, então peguei meu celular e marquei o número anotado.
— Alô, Mariano? — perguntei quando parecia que ele atendeu.
— Oi, Sofia. Está tudo bem? Em cinco minutos posso estar na sua casa — houve duas coisas que me surpreenderam e levemente assustaram: uma, que ele soubesse meu nome, ou reconhecesse minha voz sem eu ter falado nem um minuto. E a segunda, foi que houvesse a possibilidade de ele cumprir essa "promessa".
— Não, para, não é necessário, está tudo bem — disse rapidamente para esvair qualquer ideia de que seus "serviços" — fossem quais fossem — fossem necessários naquele momento.
— Ah, não tem problema, me diz o que você precisa então — ele perguntou. Tinha uma voz doce, agradável e parecia "convincente".
— Olha... faz um longo desde que comecei a trabalhar, e que a Laura me deu seu telefone, mas nunca te vi, não sei quem você é, nem sei realmente o que faz e por que ela me recomendou te ligar caso tivesse algum problema - disse todas as minhas dúvidas e incertezas que tinha sobre ela de uma vez só.
-Como te falei, posso estar em poucos minutos na sua casa e podemos conversar e nos conhecer tomando um café, o que acha? - me ofereceu de novo, mas dessa vez com uma motivação claramente diferente.
-Bom, tá, te espero - aceitei e desliguei a ligação.
Rapidamente caí na real de que não estava vestida para receber visitas. Já que não seria um cliente, ao ir até meu quarto, pensei e escolhi algo tranquilo. Ia ficar descalça, peguei um conjunto de lingerie de algodão branco magnólia, um short cor creme junto com um cinto marrom cedro com uma fivela prateada. Depois escolhi uma regata branca, e por cima uma camisa de jeans larga, arregaçando as mangas até os cotovelos. Terminei de me vestir e fui ao banheiro, para ver em que situação estava meu cabelo, por sorte nada grave que um pouco de água não pudesse resolver.
Ao terminar ajeitando tudo, tocou a campainha da minha casa, fui rápido até o interfone e pude confirmar, depois de perguntar, que era o Mariano, e ele realmente cumpriu com a palavra. Vi que não estava sozinho, estava acompanhado de outros dois homens. Esses últimos, usavam uma roupa bem parecida, o que pude discernir como sapatos pretos, assim como uma calça e um colete social da mesma cor. Por baixo usavam uma gravata vermelha e por fim uma camisa azul de manga longa. O Mariano, por sua vez, usava uns sapatos marrons, sem cadarço, do estilo que chamam de "penny loafers", uma calça cinza chumbo, e uma camisa preta de manga curta, e para finalizar a roupa, um paletó preto também. Pude ver que ele tinha pelo menos dois botões da camisa na parte de cima abertos, e deixavam ver uma série de correntes decorativas que se apoiavam em seu peito.
Quando apertei o botão para ativar a porta e deixá-lo passar, ele gentilmente me pediu que descesse pessoalmente, disse que tinha suas razões, as quais depois me explicaria e eu entenderia. Pegando as chaves, assim fiz e, depois de esperar alguns momentos o elevador, desci e cheguei até o térreo. Ao me aproximar da porta, pude entender como uma imagem através de uma tela pode mentir. Aquele que eu adivinhei que era Mariano – e segundos depois confirmaria – devia medir o mesmo que eu, ou talvez alguns centímetros a mais, e os outros dois homens que o acompanhavam não tinham menos de dois metros. Nenhum dos três tinha um físico de exposição, mas sim muito evidentemente cuidado e trabalhado.
– Olá, tudo bem? Pensei que você vinha sozinho – disse, cumprimentando-o e depois demonstrando minha surpresa.
– Tudo ótimo, e você? – retribuiu o cumprimento com um beijo na bochecha – olha, se quando você me precisar, eu estiver sozinho, você vai ter ainda mais problemas. Eu sou a cara visível, mas eles vêm sempre comigo – explicou.
Deixando de lado as introduções, convidei-o a passar, para depois irmos juntos ao elevador. Fui seguida pelos três homens até chegar ao dito lugar. Lá, Mariano indicou a um de seus acompanhantes que ficasse no hall de entrada, enquanto um sim subiu junto conosco.
Eu entendia cada vez menos, mas, o que eu sabia? Nesse mundo, mesmo já tendo passado um longo tempo, eu ainda era "virgem" para muitos padrões. Quando finalmente chegamos ao meu andar, e tendo passado primeiro – graças à cavalheirice dos dois homens que me acompanhavam – os conduzi até meu apartamento, e uma vez lá, abri a porta. Me surpreendi que agora Mariano indicava ao segundo homem que tinha vindo com ele que ficasse atrás da porta esperando. E acabamos ficando só nós dois dentro do meu lugar.
– Como você toma o café? – perguntei, já o preparando para que pudéssemos nos sentar e conversar.
– Preto, sem açúcar. muito obrigada - ele me indicou e agradeceu muito gentilmente - Posso dar uma olhada no lugar? Prometo não tocar em nada, nem deixar nada fora do lugar - agora ele me perguntava e depois sorria ao fazer a última piada.
- Sim, claro, sem problema, eu agora levo as coisas pra mesa.
Foi assim que ele saiu da minha vista, e pelo que ouvia, enquanto fazia o café, ele percorria meu apartamento, com o som típico dos saltos de madeira dos sapatos dele ecoando a cada passo.
Minutos depois, terminei de fazer o café, e tirei de uma pequena bolsa uma bandeja com massas finas, que na verdade não me lembro de quando eram, nem de onde as tinha conseguido. Levei tudo até a mesa e apresentei. No momento em que ia chamá-lo, Mariano apareceu para sentar ao meu lado.
- Quão assustadinha você é? - me perguntou sem nenhum tipo de contexto.
- Um pouco... Por quê? - perguntei, cautelosa com suas intenções com essa pergunta.
Imediatamente depois de ouvir essa resposta minha, tomando um gole do seu café, ele abriu o paletó, puxando-o para o lado, e me deu a visão perfeita de uma coldre que carregava debaixo de um braço, na lateral do corpo, e uma pistola de cor prateada, imaginei que era cromada, dentro dela.
- E isso? - ele já tinha captado minha atenção e gerado uma pequena sensação de medo em mim.
- Não se preocupe, você não tem por que temer - ele me disse no momento em que fechava novamente a peça de roupa - isso é uma ferramenta de trabalho, se você se meter em alguma situação complicada que mereça uma chamada minha, é bem possível que as palavras não resolvam o assunto. Mas não é para usar, a menos que a situação realmente exija, senão como valor de intimidação.
- E pode crer... O valor de intimidação você já enfiou em mim... - disse sinceramente.
- De verdade, não é a intenção, só queria te mostrar com o que trabalho e sob que "condições" - ele me disse com um sorriso no rosto, imaginei que tentava me acalmar - Meus dois acompanhantes também carregam isso, mas É só por segurança, se as coisas saírem do controle. Raramente precisamos realmente usar.
- A situação pode ficar tão pesada que precisam de três? - perguntei honestamente, "curiosa".
- Às vezes nem com três dá conta, e nesses casos a gente chama a polícia. Sim, as coisas podem ficar muito pesadas, só de te dizer "tráfico de pessoas" já deve dar uma ideia.
Minha tranquilidade ainda não tinha voltado completamente, mantendo-se afastada a uma boa distância.
- Por que você me pediu para descer pessoalmente para te abrir? Eu tenho interfone...
- Coloca-se na seguinte situação, e Deus queira que você nunca chegue realmente a isso: você está com um cliente(a), por um motivo A ou B, a situação fica fora de controle, você está com medo, e antes que piore você me liga, eu venho em questão de poucos minutos e chego, arrombando a porta, com o que você acabou de ver, muito provavelmente entrando com um dos meus homens também, na mesma posição, a gente briga com a outra pessoa, e depois de "nos livrarmos" dela vamos te buscar. Você está em estado de choque, talvez te drogaram com alguma coisa, talvez você não esteja totalmente consciente ou sei lá. Como você acha que reagiria vendo dois homens muito altos, com armas, se aproximando de você, depois disso? Acha que você vai aceitar tudo, entender tudo e deixar ser cuidada e resgatada? Sei que toda essa situação parece muito hollywoodiana, que não é necessária, mas o que é melhor: prevenir ou remediar?
- Entendo um pouco do que você está dizendo... Mas ainda assim não responde minha pergunta - falei sincera, era isso que achava que tinha acontecido.
- Se você nos visse agora, de pé, os três juntos, podia reconhecer nossos rostos, nosso físico, e ficar um pouco mais à vontade. Num estado geral de choque, a mente busca freneticamente por lugares, coisas, rostos, vozes ou qualquer coisa que possa reconhecer, e assim encontrar um equilíbrio para começar a voltar à realidade. Foi tudo um exercício para que isso tivesse efeito.
Depois de entender que tudo era para o meu bem, e de ter deixado passar alguns... Minutos depois de ver o que ele escondia sob as roupas, Mariano, finalmente encontrei minha paz. Terminamos o café falando de coisas mundanas, sem muita relevância. Agradeci que ele tivesse vindo, pela conversa, e o despedi entre risadas, dizendo que esperava não precisar vê-lo nunca mais - risadas que ele retribuiu. Vi ele ir embora junto com seu homem, que tinha ficado parado lá fora. Limpei a mesa e fui lavar tudo o que tinha sido usado, que era pouco. O sol lançava seus últimos raios sobre a cidade, e a noite começava. Achei que o melhor seria conversar com minha vizinha, depois de descobrir essas coisas novas sobre Mariano, no que ele trabalhava e como costumava fazer seu serviço.
Me espreguicei e procurei meu celular para desligar o barulho. Ao pegá-lo, percebi que estava vibrando, várias mensagens apareciam na tela.
— Em uma hora estou na sua casa, quero você pronta e não quero um "não" como resposta — foi a primeira delas.
— Estou a vinte minutos da sua casa, espero que não esteja respondendo nem olhando as mensagens porque está muito ocupada se arrumando para mim.
E uma terceira final.
— Cinco quadras... Juro que se não abrir, arrebento a porta. — ameaçou a última mensagem.
Quando consegui conectar dois neurônios, lembrei desse número, era da Lorena, uma das minhas primeiras clientes, e das mais violentas/agressivas. Quando tentei me levantar para pelo menos rapidamente ficar apresentável, tocou a campainha. Merda, já chegou e eu nem sequer fui ao banheiro, lavei os dentes, lavei meu cabelo, ou sequer tomei café da manhã.
Debati se respondia imediatamente, ou pelo menos fazia algo para não me apresentar de forma ridícula na frente dela, mas lembrando como ela era exigente, desisti, peguei um casaco leve cor creme que ficava grande em mim, cobrindo até um pouco mais da minha bunda, e fechando rapidamente, desci com as chaves na mão.
Estando no elevador parecia que tinha tomado quatro litros de café, estava extremamente acordada. Muito possivelmente teria sido pela pressa, a ansiedade e não saber o que esperar. Ao chegar na recepção a vi, e a verdade não me surpreendeu o aspecto que ela tinha; botas de couro com uma plataforma larga, calças justas pretas envernizadas, com um cinto de tachas de modo decorativo, uma blusa de cor cinza escura com um decote totalmente obsceno — as auréolas dos dois mamilos apareciam por cima — e uma jaqueta de couro com zíperes decorativos nas laterais. Tinha o cabelo solta, caindo sobre seus ombros.
Me aproximei da porta e pude ver um sorriso "de lado" insolente em seu rosto. Ao dar a segunda volta na chave, a sessão já começava.
— Oi... — eu queria cumprimentá-la, mas fui imediatamente interrompida.
— Fica de quatro, sua vadia do caralho. O que você acha que tá fazendo andando? Acha que é humana? — Ela já dava ordens como só ela sabia fazer.
Eu obedeci e já recebi meu primeiro castigo: um pequeno empurrão com uma de suas botas na minha bunda, que me fez ir para frente. Se não tivesse meus braços sustentando parte do meu peso, teria caído de cara no chão.
Depois, ela agarrou meu cabelo e puxou para trás, me forçando a me curvar para tentar aliviar a dor da má postura. Foi assim que, nessa posição, ela me guiou até o elevador, como uma vadia. Quando estávamos no elevador, ela apoiou um dos pés nas minhas costas e me obrigou a suportar seu peso. Então, senti que ela abria a bolsa que carregava em um dos braços. Segundos depois, senti e vi dois maços de um tamanho considerável caindo na minha frente. Eles tinham aquela faixa típica de segurança com a qual os bancos os entregam.
— Pega eles — ela disse. — Mas nem pense em usar as mãos — advertiu.
Pensei por alguns segundos e não encontrei outra forma de cumprir essa ordem além de usar a boca. Foi assim que, arrastando e juntando-os com o nariz, depois os peguei com os lábios, como se fosse realmente uma vadia segurando um osso de brinquedo.
Um ou dois minutos depois, chegamos ao meu andar e o elevador se abriu. Ela tirou o pé das minhas costas, e eu me adiantei para sair dali, sem parar de engatinhar. Ela me seguia um passo atrás, castigando a cada instante as duas nádegas da minha bunda.
Quando chegamos à porta do meu apartamento, eu fiquei parada. Mantinha as chaves em uma das mãos, mas tinha certeza de que seria uma ofensa levantar e abrir, então mantive essa posição, esperando novas ordens. Elas chegaram rapidamente.
— Solta as Chaves, agora - ela disse com seu tom exigente típico. Eu obedeci, separando a chave que abriria a porta.
- Olhe para mim e abra a boca - foi o que ela pediu depois de abrir a porta completamente.
Eu fiz, e imediatamente recebi um pequeno cuspe dentro da minha boca. A sensação de nojo foi imediata, mas não durou muito, pois assim que aconteceu, ela pediu novamente que eu fechasse a boca e engolisse o que tinha acabado de receber.
Entramos - eu sem parar de engatinhar - e ela deixou o celular na mesa principal. Com muito cuidado, peguei-o e guardei na pequena caixa de vidro - procedimento já comum desde que comecei nisso e estava na minha casa - e guardei o dinheiro em uma gaveta próxima.
Sentada sobre minhas pernas, com as mãos atrás das costas e juntas na altura das minhas nádegas, esperei que minha cliente agisse. Ela se despiu completamente, deixando apenas as botas. Pude ver pelo canto dos olhos seu corpo, sem desviar a cabeça. Voltei a ver seus mamilos perfurados, mas desta vez tinha notado algo novo: agora no topo de sua buceta, havia um pequeno piercing, igual aos previamente mencionados, então formariam uma tríade sexual e sensual. Ela se aproximou de mim e - supus - inclinando-se, beijou meu pescoço, e depois cada ombro, ao mesmo tempo que, após cada beijo, uma pequena mordida seguia.
Sentimentos familiares eram os que meu corpo começava a receber, da última vez que estive com essa mulher, e de seus castigos exemplares para comigo. O efeito do "café mental" não parava, e sentia cada poro e pelo do meu corpo inteiro. Agora ela agarrou uma das minhas mãos, e com sua mão livre, a apoiou no centro das minhas costas, empurrando meu braço o mais para trás que podia, esticando-o, e gerando dor crescente em mim. Por alguns minutos tentei manter os sinais de dor para mim, mas vendo que esse castigo não parecia ter fim, em um momento de fraqueza deixei escapar um gemido, misturado não sei por que, com um suspiro.
- Sentiu saudade, sua putinha? - me perguntou com um tom de alegria na voz, sem parar de esticar meu braço.
- Sim, minha dona - eu disse, lembrando que chamá-la assim tinha agradado a ela.
- Muito bem, gosto disso, que não me minta e não esconda coisas de mim - ela falou, ao mesmo tempo que soltava meu braço, para trocá-lo pelo até então não castigado. Sentir meu braço cair ao lado do meu corpo foi doloroso, parecia que ele tinha ficado três horas sob o sol, com uma ardência forte e um formigamento geral. Ela continuou esticando meu braço, e agora se somavam uns dedos intrusos - que senti frios, imaginei que ela os tinha lambido antes - invadindo minha bunda sem qualquer cerimônia. Entravam, saíam, esfregavam dentro de mim e masturbavam meu ânus. Por um momento, ela soltou meu braço, e como não fui avisada, caí de cabeça no chão, batendo levemente, mas teria sido pior se meu rosto não tivesse terminado no tapete. Com isso e agora com as duas mãos livres, ela usava uma para continuar metendo os dedos à vontade na minha bunda, e a outra para esticar e abrir o local.
Desde que minha sexualidade floresceu na adolescência, sempre tive uma fraqueza pela atividade "pela via alternativa". Ficar na posição de "cachorrinha", sendo "espetada" repetidas vezes por um membro grande e rígido, sempre me agradou mais do que o sexo "convencional".
Isso continuou por vários minutos. A área sendo castigada devia estar bem vermelha, pelo menos era essa a sensação que minha mente captava, assim como sentia o prazer imensurável, ou a pressão dos meus dedos, que tinham agarrado o tapete e o apertavam para tentar aliviar a dor misturada com o prazer. Agora, além dos dedos dela, ocasionalmente eu podia sentir o que imediatamente presumi, e rapidamente confirmei, ser sua língua, passando de baixo - começando pela parte inferior do meu... buceta - para cima, passando pelo fim da minha bunda e tudo que havia no meio.
Meu prazer excedia qualquer termo quantificável, já não me importava se gemer era falta de respeito, meu corpo se recusava a ter controle e além de gemidos fortes agora meu corpo começava a tremer. De um momento para outro ela me fez deitar no chão, deitando-se com seu peso em cima de mim, agora a tinha me masturbando profusamente, de forma desesperada, enquanto mantinha uma mordida precisa no meu pescoço. Ela me mostrava que não eram necessárias tantas palavras para ter, transmitir e provocar prazer, "menos é mais" como diria a famosa frase.
- Sabe o que é "cum-denial", idiota? - me perguntou, sem parar de me masturbar.
- Não, ama... Explique-me - implorei, no meio de gritos e gemidos.
Dito isso, ela se separou de mim, e sentou no sofá, eu fiquei perplexa, e quente no lugar. Pude escutar como se vestia, e eu sentia a urgente necessidade de ter um orgasmo e descarregar toda essa tensão e prazer sexual que meu corpo continha. Quando escutei que terminava de calçar os sapatos, levantei a cabeça olhando para onde ela estava, para ser imediatamente "recebida" por uma puxada de cabelo da parte dela, empurrando minha cabeça e olhar para cima, e para seus olhos.
- Abre, agora - voltou seu tom autoritário, exigente.
- Por que a senhora fez isso, ama? - perguntei visivelmente frustrada, um pouco irritada, e tremendo pela ainda não descarregada necessidade de prazer que nascia do meu interior.
- Acha que preciso dar razões a você? E mais importante, acha que merece? - me disse sem hesitar.
Com isso abandonei minha intenção de que me desse uma explicação. me levantei - o que realmente me custou, já que minhas pernas não respondiam às ordens que minha mente lhes dava - e peguei as chaves em cima da mesa, vi que o celular já não estava, então ela o teria pegado quando estava se vestindo, abri a porta e sem se despedir ela foi, descendo as escadas.
Eu imediatamente Fechei a porta e, sem dar um fôlego, encostei-me contra ela, abrindo minhas pernas o máximo que pude, mantendo-me em pé e comecei a me masturbar furiosamente. Parecia que estava punindo meu corpo por não agir como deveria ou algo assim, mas era a única forma que minha mente formulou para cumprir seu objetivo de descarregar tanto prazer contido, e negado de sair antes. Não durou mais que 3 minutos, antes de gozar em quantidades copiosas, misturando gritos, gemidos e o som úmido da entrada e saída dos meus dedos na minha buceta encharcada.
Rapidamente, depois de terminar de gozar tudo o que mantinha em meu corpo, minhas pernas voltaram a falhar, mas agora mais pronunciadamente e porque muita energia e força se foram no orgasmo. De um momento para outro, deixei-me cair em uma poça dos meus próprios fluidos. Tinha o cabelo sobre o rosto e, entre minha respiração ofegante, o soprava para fora, tirando-o momentaneamente do rosto. Pude sentir minhas pulsações ficando proeminentes e contínuas, ao mesmo tempo que também pude vê-las através do afundar e inflar do meu peito. Minhas pernas ainda tinham alguns espasmos nervosos, e eu estava muito cansada.
Hoje conheci o termo "cum-denial" e no mesmo dia fiz uma promessa comigo mesma e com o mundo, de não fazer ninguém passar por tal martírio. Entendi que seria inútil levantar-me e tentar seguir com meu dia; para mim já havia terminado, mesmo sendo de manhã, quase meio-dia. Deitei-me sobre a poça ainda fresca que havia feito, peguei uma almofada do sofá e tentei adormecer.
No começo não soube quando acordei, o que sabia era que pelo menos o sol ainda estava dando calor. Levantei-me com um arrepio de nojo e um pouco grudenta. Fui até o banheiro lavar o rosto, o cabelo e passei minhas mãos molhadas um pouco sobre o corpo, tentando não molhar tudo no processo.
Uma vez limpa, decidi que seria uma boa ideia lavar o chão. Era de madeira, e apesar de que provavelmente uma grande proporção teria Secado ou sido absorvido pelo meu corpo, não seria ruim passar um pouco de cera. Procurei num pequeno quarto de limpeza que eu tinha montado os elementos para fazer a tarefa, e depois voltei para a "cena do crime". Coloquei um pouco de música e, depois de uns quinze ou vinte minutos, o chão estava impecável. Como forma de celebrar a tarefa terminada, e de me dar os parabéns, servi-me num copo um pouco do meu uísque e fui tomá-lo no sofá, nua, apoiando as costas no encosto, e as pernas esticadas com os pés apoiados na mesinha de centro.
Pensar na vida de prazeres e semiluxo que eu tinha, com muito pouca responsabilidade, me dava muita felicidade. Quem sabe o que estaria estudando agora, onde estaria trabalhando para me sustentar, me submetendo a um chefe ou chefe insuportável e detestável.
Eu tinha a pequena agenda com os números da minha clientela perto de mim. Abri-a e pude ver o primeiro nome, que minha amiga havia anotado antes de entregá-la para mim. O nome era do misterioso Mariano, aquela pessoa que ela me disse que, se eu tivesse algum problema, ele deveria ser a quem eu chamasse imediatamente. Até agora nunca tinha tido razões para chamá-lo, mas mesmo assim tive vontade de conhecê-lo, então peguei meu celular e marquei o número anotado.
— Alô, Mariano? — perguntei quando parecia que ele atendeu.
— Oi, Sofia. Está tudo bem? Em cinco minutos posso estar na sua casa — houve duas coisas que me surpreenderam e levemente assustaram: uma, que ele soubesse meu nome, ou reconhecesse minha voz sem eu ter falado nem um minuto. E a segunda, foi que houvesse a possibilidade de ele cumprir essa "promessa".
— Não, para, não é necessário, está tudo bem — disse rapidamente para esvair qualquer ideia de que seus "serviços" — fossem quais fossem — fossem necessários naquele momento.
— Ah, não tem problema, me diz o que você precisa então — ele perguntou. Tinha uma voz doce, agradável e parecia "convincente".
— Olha... faz um longo desde que comecei a trabalhar, e que a Laura me deu seu telefone, mas nunca te vi, não sei quem você é, nem sei realmente o que faz e por que ela me recomendou te ligar caso tivesse algum problema - disse todas as minhas dúvidas e incertezas que tinha sobre ela de uma vez só.
-Como te falei, posso estar em poucos minutos na sua casa e podemos conversar e nos conhecer tomando um café, o que acha? - me ofereceu de novo, mas dessa vez com uma motivação claramente diferente.
-Bom, tá, te espero - aceitei e desliguei a ligação.
Rapidamente caí na real de que não estava vestida para receber visitas. Já que não seria um cliente, ao ir até meu quarto, pensei e escolhi algo tranquilo. Ia ficar descalça, peguei um conjunto de lingerie de algodão branco magnólia, um short cor creme junto com um cinto marrom cedro com uma fivela prateada. Depois escolhi uma regata branca, e por cima uma camisa de jeans larga, arregaçando as mangas até os cotovelos. Terminei de me vestir e fui ao banheiro, para ver em que situação estava meu cabelo, por sorte nada grave que um pouco de água não pudesse resolver.
Ao terminar ajeitando tudo, tocou a campainha da minha casa, fui rápido até o interfone e pude confirmar, depois de perguntar, que era o Mariano, e ele realmente cumpriu com a palavra. Vi que não estava sozinho, estava acompanhado de outros dois homens. Esses últimos, usavam uma roupa bem parecida, o que pude discernir como sapatos pretos, assim como uma calça e um colete social da mesma cor. Por baixo usavam uma gravata vermelha e por fim uma camisa azul de manga longa. O Mariano, por sua vez, usava uns sapatos marrons, sem cadarço, do estilo que chamam de "penny loafers", uma calça cinza chumbo, e uma camisa preta de manga curta, e para finalizar a roupa, um paletó preto também. Pude ver que ele tinha pelo menos dois botões da camisa na parte de cima abertos, e deixavam ver uma série de correntes decorativas que se apoiavam em seu peito.
Quando apertei o botão para ativar a porta e deixá-lo passar, ele gentilmente me pediu que descesse pessoalmente, disse que tinha suas razões, as quais depois me explicaria e eu entenderia. Pegando as chaves, assim fiz e, depois de esperar alguns momentos o elevador, desci e cheguei até o térreo. Ao me aproximar da porta, pude entender como uma imagem através de uma tela pode mentir. Aquele que eu adivinhei que era Mariano – e segundos depois confirmaria – devia medir o mesmo que eu, ou talvez alguns centímetros a mais, e os outros dois homens que o acompanhavam não tinham menos de dois metros. Nenhum dos três tinha um físico de exposição, mas sim muito evidentemente cuidado e trabalhado.
– Olá, tudo bem? Pensei que você vinha sozinho – disse, cumprimentando-o e depois demonstrando minha surpresa.
– Tudo ótimo, e você? – retribuiu o cumprimento com um beijo na bochecha – olha, se quando você me precisar, eu estiver sozinho, você vai ter ainda mais problemas. Eu sou a cara visível, mas eles vêm sempre comigo – explicou.
Deixando de lado as introduções, convidei-o a passar, para depois irmos juntos ao elevador. Fui seguida pelos três homens até chegar ao dito lugar. Lá, Mariano indicou a um de seus acompanhantes que ficasse no hall de entrada, enquanto um sim subiu junto conosco.
Eu entendia cada vez menos, mas, o que eu sabia? Nesse mundo, mesmo já tendo passado um longo tempo, eu ainda era "virgem" para muitos padrões. Quando finalmente chegamos ao meu andar, e tendo passado primeiro – graças à cavalheirice dos dois homens que me acompanhavam – os conduzi até meu apartamento, e uma vez lá, abri a porta. Me surpreendi que agora Mariano indicava ao segundo homem que tinha vindo com ele que ficasse atrás da porta esperando. E acabamos ficando só nós dois dentro do meu lugar.
– Como você toma o café? – perguntei, já o preparando para que pudéssemos nos sentar e conversar.
– Preto, sem açúcar. muito obrigada - ele me indicou e agradeceu muito gentilmente - Posso dar uma olhada no lugar? Prometo não tocar em nada, nem deixar nada fora do lugar - agora ele me perguntava e depois sorria ao fazer a última piada.
- Sim, claro, sem problema, eu agora levo as coisas pra mesa.
Foi assim que ele saiu da minha vista, e pelo que ouvia, enquanto fazia o café, ele percorria meu apartamento, com o som típico dos saltos de madeira dos sapatos dele ecoando a cada passo.
Minutos depois, terminei de fazer o café, e tirei de uma pequena bolsa uma bandeja com massas finas, que na verdade não me lembro de quando eram, nem de onde as tinha conseguido. Levei tudo até a mesa e apresentei. No momento em que ia chamá-lo, Mariano apareceu para sentar ao meu lado.
- Quão assustadinha você é? - me perguntou sem nenhum tipo de contexto.
- Um pouco... Por quê? - perguntei, cautelosa com suas intenções com essa pergunta.
Imediatamente depois de ouvir essa resposta minha, tomando um gole do seu café, ele abriu o paletó, puxando-o para o lado, e me deu a visão perfeita de uma coldre que carregava debaixo de um braço, na lateral do corpo, e uma pistola de cor prateada, imaginei que era cromada, dentro dela.
- E isso? - ele já tinha captado minha atenção e gerado uma pequena sensação de medo em mim.
- Não se preocupe, você não tem por que temer - ele me disse no momento em que fechava novamente a peça de roupa - isso é uma ferramenta de trabalho, se você se meter em alguma situação complicada que mereça uma chamada minha, é bem possível que as palavras não resolvam o assunto. Mas não é para usar, a menos que a situação realmente exija, senão como valor de intimidação.
- E pode crer... O valor de intimidação você já enfiou em mim... - disse sinceramente.
- De verdade, não é a intenção, só queria te mostrar com o que trabalho e sob que "condições" - ele me disse com um sorriso no rosto, imaginei que tentava me acalmar - Meus dois acompanhantes também carregam isso, mas É só por segurança, se as coisas saírem do controle. Raramente precisamos realmente usar.
- A situação pode ficar tão pesada que precisam de três? - perguntei honestamente, "curiosa".
- Às vezes nem com três dá conta, e nesses casos a gente chama a polícia. Sim, as coisas podem ficar muito pesadas, só de te dizer "tráfico de pessoas" já deve dar uma ideia.
Minha tranquilidade ainda não tinha voltado completamente, mantendo-se afastada a uma boa distância.
- Por que você me pediu para descer pessoalmente para te abrir? Eu tenho interfone...
- Coloca-se na seguinte situação, e Deus queira que você nunca chegue realmente a isso: você está com um cliente(a), por um motivo A ou B, a situação fica fora de controle, você está com medo, e antes que piore você me liga, eu venho em questão de poucos minutos e chego, arrombando a porta, com o que você acabou de ver, muito provavelmente entrando com um dos meus homens também, na mesma posição, a gente briga com a outra pessoa, e depois de "nos livrarmos" dela vamos te buscar. Você está em estado de choque, talvez te drogaram com alguma coisa, talvez você não esteja totalmente consciente ou sei lá. Como você acha que reagiria vendo dois homens muito altos, com armas, se aproximando de você, depois disso? Acha que você vai aceitar tudo, entender tudo e deixar ser cuidada e resgatada? Sei que toda essa situação parece muito hollywoodiana, que não é necessária, mas o que é melhor: prevenir ou remediar?
- Entendo um pouco do que você está dizendo... Mas ainda assim não responde minha pergunta - falei sincera, era isso que achava que tinha acontecido.
- Se você nos visse agora, de pé, os três juntos, podia reconhecer nossos rostos, nosso físico, e ficar um pouco mais à vontade. Num estado geral de choque, a mente busca freneticamente por lugares, coisas, rostos, vozes ou qualquer coisa que possa reconhecer, e assim encontrar um equilíbrio para começar a voltar à realidade. Foi tudo um exercício para que isso tivesse efeito.
Depois de entender que tudo era para o meu bem, e de ter deixado passar alguns... Minutos depois de ver o que ele escondia sob as roupas, Mariano, finalmente encontrei minha paz. Terminamos o café falando de coisas mundanas, sem muita relevância. Agradeci que ele tivesse vindo, pela conversa, e o despedi entre risadas, dizendo que esperava não precisar vê-lo nunca mais - risadas que ele retribuiu. Vi ele ir embora junto com seu homem, que tinha ficado parado lá fora. Limpei a mesa e fui lavar tudo o que tinha sido usado, que era pouco. O sol lançava seus últimos raios sobre a cidade, e a noite começava. Achei que o melhor seria conversar com minha vizinha, depois de descobrir essas coisas novas sobre Mariano, no que ele trabalhava e como costumava fazer seu serviço.
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