Arroz com leite (XIII)




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Título seguinteO dia anterior, entreguei meus relatórios pendentes para Sonia e informei sobre os vazios que eu tive que preencher.

- Como está Pamela? - perguntou desinteressadamente, enquanto supervisionava minhas anotações.

- Está bem. Gostou do seu viagem... - respondi, atento às suas observações.

Sonia suspirou intensamente, esticou-se e ajustou os óculos, comentando:

- Você sabe? Eu gostaria de ver como ela mudou.- confessou sorrindo, sem perder a concentração nos meus documentos. Não a vi desde que se casaram e gostaria de ver como está agora...

Não posso dizer precisamente que Sonia e Pamela são amigas, mas o seu pensamento me surpreendeu.

Depois de um minuto de silêncio, pensei nos prós e contras da sua solicitação até que finalmente decidi:

- Por que não vem amanhã almoçar conosco?

Sonia parou a revisão, ajustou os óculos novamente e me olhou:

- Você está brincando?

- Claro que não! Venha amanhã almoçar conosco!

Deu-me uma sonrisa maliciosa...

- Você sabe que isso é uma decisão suicida, verdade? Porque no momento em que eu a ver com Bastián...

- Também estou consciente disso! - respondi, tentando dissimular o meu medo. - Mas já te disse que ela está indecisa... e gostaria que explicasse algumas coisas.

Sonia é uma dessas mulheres sedutoras que desfrutam de enredos e situações complicadas. No entanto, também me conhece e aceitou, mais intrigada pela forma como arregularia esse iminente e inútil desastre do que pelo prazer de ocasioná-lo.

Ducha rápida com água fria e sair para o supermercado. Pediu a Marisol que arrumasse as pequenas e a Pamela, o favor de preparar um guacamole, enquanto eu comprava pão e hot-dogs.

No caminho até o elevador, encontrei Brenda saindo do seu apartamento.

Geralmente, sempre coincidimos os sábados, pois enquanto Marisol se banha, arruma e cuida um pouco das pequenas, eu desço ao supermercado para comprar... algumas verduras e frutas frescas, para preparar o almoço e Brenda sai visitar seu namorado, para voltar perto das 9 da noite em sua casa.

Honestamente, penso que é uma senhora adorável: tem 17 anos, pele branca, cabelo loiro, longo e medianamente encaracolado, olhos celestes, claros como o mar, altura de 1,67 m, seios médios, cintura bonita, traseiro redondo, com uma personalidade moderada, cortês e vontade de ouro.

Foi nossa babá part-time por quase um ano e até aquele dia, me olhava com respeito de um senhor e com uma linda sorrisa sincera.

No entanto, essa tarde, após saudá-la, notei que ela avançava titubeante comigo em direção ao elevador. E certamente, guardou suas distâncias quando estávamos sozinhos no cubículo.

- O que está acontecendo?- perguntei, notando-a tão tensa, encontraste sua personalidade jovial e otimista.

B Ah, não! Nada!- respondeu impulsiva e nervosa, confirmado minha suspeita.

- Você está bem?

B Sim, estou bem... - deu um longo suspiro e perguntou, me olhando com dificuldade.- Como você está?

Foi então que caí em conta. Não vou negar que nosso apartamento seja luxuoso, cálido e elegante. Mas o problema é que a isolamento entre departamentos deixa muito a desejar.

O som, desde a primeira noite que dormimos juntos com Marisol, foi um verdadeiro problema para Sarah e sua filha Brenda, nossas vizinhas, pois meu rouxinol se excitou muito aquela primeira noite e gemia quase sem parar, ao poder ver as luzes da cidade através do enorme vitral de nosso dormitório, enquanto fazíamos o amor.

No dia seguinte, tive os reclamos da mãe e embora tenhamos baixado os decibéis (e Sarah não protesta mais), há ocasiões onde nos deixamos levar pelo prazer.

No entanto, a noite anterior havia passado algo completamente distinto, visto que o tom de Pamela é muito mais ronco e marcado que o de Marisol, então não encontrava maneira possível de justificarme ante ela.

- ¿Nos escuchasteu?- perguntei, lamentando perder o respeito de uma menina tão decente.

B Escutar quem? O quê?- consultou, bastante corada, confirmado minhas suspeitas e tratando de enganhar-me da mesma maneira que fez sua mãe dois dias atrás...

Apreté o botão do freio do elevador, mais motivado pela tensão do que essa doce menina poderia pensar de mim, do que tentar algo com ela. Ainda assim, isso a sobresaltou, ao ponto que inconscientemente, levou as mãos aos peitos, com intenção de protegê-los.

- Desculpe-me!- pedi-lhe, honestamente arrependido.- Não foi minha intenção...

A pobre menininha parecia mais alborotada ainda...

B Mas... mas... Por quê?- perguntou, forçando pela primeira vez a sonrisa nervosa com que nos encontraríamos no futuro.

- É... um arranjo que tenho com minha esposa...- confessei com vergonha.- A prima dela veio de visita... e nós...

B É... é... sua prima?- perguntou, mesmo mais corada ainda.

- Sim, mas ela volta amanhã para nosso país.- respondi-lhe, mais amargo, sabendo que essa menina não me veria da mesma maneira nunca mais.- Trataremos de ser mais discretos e realmente, sinto se te molestei!

B Molestarme?... é dizer... eu não ouvi nada.

Quando o elevador chegou ao lobby, saiu praticamente correndo e a partir de então, vez que lhe peço pessoalmente que cuide das pequenas para sair com minha mulher, me sonríe daquela forma nervosa e forçada, motivo pelo qual Marisol me molesta constantemente com que eu lhe atrai.

Ao regressar das compras, encontrei-me com minhas princesas, jogando no living com suas bonecas, enquanto Marisol se duchava e vestia. Entrei na cozinha e para minha surpresa, encontrei Pamela falando ao telefone, usando uns apertados short de mezclillas e um tank-top negro, expunha sua cintura morena e ombligo cativador, junto com seu imponente traseiro e seus peitos lascivos.

* Não, caro... que estive no da Mari todos esses dias... Como vós estado tu? Você tem muito trabalho? - eu ouvi dizer em voz doce.

Rapidamente, Pamela ruborizou ao me ver. Sorriu e se movimentou nervosa da cozinha, dando-me espaço livre para cozinhar as linguiças e aquecer o pão, apesar de nos darmos olhares furtivos, não foi um dos momentos onde você coloca os cornos na sua parceira, enquanto lhe fala ao telefone.

No entanto, gradualmente, a conversa carinhosa começou a se tornar mais violenta...

* Não, Juan! Não é verdade que eu estive no lugar de Mari! O que não entende?... Caramba!... Juan, isso não é minha prima, caralho!... Ostias, Juan! Ostias, Juan!... Não seja besta!... Maldito gilipollas!

Pamela cortou, batendo violentamente o telefone contra a mesa e então me olhou com muito pesar.

* Esse gilipollas! - começou a falar, tentando conter a Amazona espanhola que reside nela. - Ele pensou que Mari e eu havíamos saído para uma noite de diversão... e que eu havia fodido com outros caras na disco...

Não pude evitar sorrir um pouco, pois apesar de não ter saído a dançar, sim havia fodido comigo, embora ela parecesse não dar importância.

- Não o culpo, Pamela. - eu disse, abrindo a bolsa de linguiças e começando a cozinhar-as na panela.- Eu te avisei desde o primeiro dia.

Pamela ruborizou com um pouco de fúria...

* Mas caralho, Marco, eu não sou mais essa garota!

E podia vê-lo em seus olhos: suas lindas azeitonas emitiam uma forte e sincera convicção, da mesma maneira que minha esposa (embora com olhos esmeralda) expressa quando eles acham que ela está mentindo.

- Eu sei, Pamela, e eu entendo! - respondi, apoiando minha mão em seu ombro.- Mas também me coloco no seu lugar e sei que nem sempre é fácil para ele.

* De que caralho você fala?

Coloquei os pães ao redor da panela, de maneira que se tostaran sem queimar, o que ajudou a manter um pouco do suspense e sua atenção.

Uma vez seguro de que a cozinha não precisava mais cuidados, pedi que nos sentássemos em dois pisos. Pamela, chega um ponto... quando você se apaixona por alguém mais jovem do que você... que sente medo...

Sua expressão mudou para surpresa.

- Não se trata de desconfiança da pessoa que amas, porque a conheces e sabes como é ela... mas te aterra pensar que possa encontrar-se com alguém mais jovem, mais persistente e no fundo, mais atraente do que você.

* Mas caraios, Marco! Que eu não sou mais essa garota!- exigiu novamente Pamela.- Eu Juan conheço e saímos por meses, puta!

- Sim, Pamela, eu sei! Mas isso não tira que tu continues sendo bonita...

Uma vez mais, linhas tão trilhadas e que tantas vezes se dedicaram, a Pamela causavam um maior impacto, porque se lhe dizia eu.

* Mas Marco... Que eu não saio mais a dançar, caraios!

- Mas você é linda, é sexy e está em um lugar completamente diferente... e a Juan deve dar o mesmo medo que me dava a mim quando trabalhava na cutie.

Ese comentário dispersou o feitiço sobre Pamela, ao se dar conta que eu me referia à minha experiência com Marisol.

* Mas pussy, Marco! Que a Juan... eu sou fiel!

Lhe era difícil manter sua cara de póquer, me olhando nos olhos...

- Eu sei!

* Quero dizer... tio... se fosses você meu noivo...eu... seria fiel.- fez esforço para dizer.

- Eu sei e te creo!- respondi, revendo os pães que não se queimassem.- Mas ainda assim, me preocuparia com outros, Pamela... Já sabes!... eu não saio muito a dançar e beber não é o meu estilo...

* Mas ostias, tio, que essas coisas já não lastimam!- pediu, exigindo minha atenção completa.- É só estudar e estar com Juan, nada mais!

- E eu sei, Pamela! Crê que de verdade eu sei!- respondi, a ela olhando de forma sincera.- Mas também sei que essa vida tinha um atrativo para ti... e também teria medo de que recuasses.

* Mas ostias, Juan!- disse sem querer e logo se retractou.- Marco, que já não faço essas coisas!… e se me pedires que viva contigo... pois, eu...

- Isso pensas tu agora, Pamela. Mas se eu te houvesse conhecido antes... Que a Marisol, faz muito tempo que não estaria ao seu lado.

* Claro que não, puta! - assinalou exaltada e morena.- Se você se tivesse casado comigo, eu…

Tocquei o nariz, para quebrar sua concentração.

- Se eu te houvesse conhecido antes de Marisol, seria um corno e eterno enamorado.- interrompi, fazendo que seu olhar se dilatasse.- Pamela, sou metódico e aborrido. É difícil mudar e meus horários são repetitivos. Você é linda e jovem e, em pouco tempo, você se aborreceria de mim e buscaria outros…

* Não, não!- exclamou novamente, sem perceber sua confusão.- Ostias, eu te amo, tio! Eu te amo!

E começou a chorar. A abracei e acariciei entre meus braços.

-Pamela, eu sei! Mas penses isso, pelas coisas que vivemos juntos. Se fosses a Pamela de antes, a que conheci no início, não me considerarias… até mesmo naquela época, eu não te simpatizava… e eu aceitaria qualquer coisa, para ter você ao meu lado… se estivesse com outros, o que poderia fazer eu, se era apenas mais um do monte?

Pamela abraçou-me com mais força, ao escutar isso.

* Por isso... te casaste com Mari?- perguntou entre soluços.

- Não!- respondi, sorrindo mais satisfeito da melhor decisão de minha vida.- O que sinto por sua prima é maior do que isso… e agora, me dou conta que também te amo, mas a Marisol, não posso deixar.

Então, Pamela me olhou mais aflita e secou um pouco as lágrimas que corriam por suas preciosas faces morenas.

Tampouco a culpo por me deixar sozinho na cozinha.

Depois de tudo, é difícil escapar de si mesmo, como era antes.
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4 comentários - Arroz com leite (XIII)

Genial!!!!!!
¡Muchas gracias! ¡Hacía mucho tiempo que no sabía de usted! ¿Ha estado bien? Le puedo asegurar que le echaba de menos, porque los pensamientos que usted escribía, realmente dejaban qué pensar. Me encantaría volver a leer sus musas inspiracionales y realmente, me siento un poco impotente para no poder motivarle a que las comparta. Aun así, le aseguro que sigo manteniendo mucha dmiración por usted y nuevamente, me mantengo pendiente a sus posts. Una vez más, gracias por comentar.
nuevamente atrapado en los relatos... jajaja.. +10 porque siempre nos brindas excelente material