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http://www.poringa.net/posts/relatos/3226022/Victor-el-futuro-medico---8-parte.Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.
http://www.poringa.net/posts/relatos/3226045/Victor-el-futuro-medico---9-parte.html
Aviso:
Tudo o que está aqui relatado faz parte das minhas experiências pessoais ao longo da minha vida. Os nomes dos personagens foram propositalmente trocados para proteger os verdadeiros protagonistas dos acontecimentos. É um relato autobiográfico.Ano de 1978, plena ditadura militar. Eu tinha 19 anos e fazia dois que tinha me formado em Perito Mercantil. Estudava à noite no curso de Educação Física no bairro de Núñez e morava perto da Plaza Italia, a três quadras do Zoológico. Um lugar que, quando criança, pedia aos meus pais pra ir com frequência e que, desde que nos mudamos pra tão perto, já fazia quase seis anos, nunca mais tinha visitado…
Durante o dia, geralmente estudava, treinava pra passar em alguma matéria que tinha dificuldade, ou então não fazia absolutamente nada. De vez em quando, aparecia algum trampo de poucos dias em coisas relacionadas à profissão (acampamentos, animação infantil, colônias de férias, etc.), e só. Assim era minha vida naqueles anos…
Uma tarde do final de setembro, já tinha terminado fazia uns meses a Copa do Mundo de Futebol, entediado de ficar a tarde inteira em casa, avisei minha mãe que ia dar uma volta por lá e que, como não sabia quanto tempo ia demorar, levaria as coisas do curso. Como naquele dia (quarta-feira) era o único com todas as matérias teóricas, não precisava carregar a mochila, só um caderno e uma bolsinha com meus documentos, carteira, chaveiro e alguns materiais escolares. Naqueles anos do final dos anos 70, a gente costumava usar uma bolsinha de couro ou courino (hoje seria “couro ecológico”), porque, por causa da moda da época, as calças jeans geralmente não tinham bolsos…
Saí na rua caminhando em direção à Plaza Italia e, vendo que eram 2 da tarde, achei uma boa ideia visitar o Jardim Zoológico que tanto sentia falta. Assim que passei pelo portão, mil lembranças vieram à mente, e foi então que me aproximei do mapa indicador dos vários lugares e decidi ir especialmente a três deles: o fosso dos leões, o lugar dos elefantes e a jaula das girafas. Eram três lugares que, nas minhas lembranças, me pareciam… Mágicos. Não só pela magnificência daqueles animais, mas também pelo tamanho imponente daquelas construções, que quando eu era criança me pareciam enormes…
Fui até o mais próximo, o fosso dos leões, uma construção enorme de pedra, com um fosso fundo pra eles não chegarem perto dos visitantes e um grande “gramado” pros animais passearem por ali, além de uma espécie de jaula/quarto pros felinos descansarem à noite e se abrigarem de possíveis chuvas. Fiquei um tempão observando os leões, a ponto de que os poucos visitantes que estavam olhando quando cheguei lá já tinham ido embora pra outros lados. Menos um deles, que estava bem na minha frente, do outro lado da construção oval, a uns trinta metros de distância. Troquei um par de olhares com ele e continuei vidrado no que tava fazendo. Quando decidi mudar de lugar e ir pra onde estavam os elefantes, e de quebra parar na jaula dos chimpanzés, levanto a vista e não vejo o companheiro ocasional de alguns minutos atrás. Varro com o olhar tudo ao redor do fosso e vejo que ele estava a não menos de dez metros pra minha direita. Trocamos outro olhar e, sem dar muita bola, fui em direção aos macacos…
A jaula dos chimpanzés era um cercado circular que interligava todas as jaulas que davam pro lado de fora. Em cada uma, não tinha mais que dois ou três animais, uns mais animados que outros. Paro na frente de uma jaula onde um dos chimpanzés se mexia por todo o espaço. Percebo que a pessoa que eu tinha visto no fosso dos leões se posiciona na mesma jaula que eu, a uns dois metros de distância, de novo na minha direita…
Decido ver claramente quem era. Um homem de idade indefinida entre os 20 e os 30 anos, rosto de índio com lábios grossos, mestiço, bonitão, cabelo preto azulado bem cortado e penteado com uma risca do lado esquerdo da Cabeça de uma limpeza invejável. Imaginei ele vindo de alguma das províncias do norte (Tucumán, Salta ou Jujuy). Bem vestido. Sapatos pretos tipo mocassim, calça social preta, camisa azul-claro de mangas compridas arregaçadas até a metade do antebraço, aberta nos dois primeiros botões, deixando ver parte de um peito totalmente liso, e um suéter azul sobre os ombros, com as mangas caídas sobre o peito. Carregava uma maleta preta do tipo que os visitadores médicos usam. Ele percebeu que eu estava olhando, mas o olhar dele estava nos macacos. Quando decido olhar para os chimpanzés, percebo que agora é ele quem está me observando. Finjo que não vi, mas sinto o olhar dele percorrendo todo o meu corpo. Eu também calçava sapatos pretos de salto e plataforma (a moda daqueles anos), uma calça jeans cinza-claro com listras verticais pretas, uma camiseta branca de manga curta com gola redonda, um caderno de anotações e minha bolsinha. Meu cabelo, castanho-escuro, bem comprido (o que me causava alguns problemas com a polícia) e penteado todo para trás, o que normalmente me dava uma risca no meio da cabeça…
De repente, o chimpanzé que não parava de se mexer para na nossa frente e começa a se tocar na buceta até ter uma ereção. Nesse momento, trocamos um olhar cúmplice entre nós dois e ele sorriu para mim. O chimpanzé começa a se masturbar furiosamente até que finalmente ejacula com força contra a grade da jaula. Eu senti meu pau duríssimo dentro da calça. Impossível esconder minha ereção, já que a moda da época eram calças justas. Decido sair dali para que os poucos visitantes não notassem o volume na minha calça. Vou me escondendo com o caderno até chegar na jaula dos elefantes…
Ao chegar onde estavam os elefantes, observo que novamente esse homem “misterioso” estava a poucos centímetros de mim. do meu lugar. Acho que se um de nós se mexesse um pouquinho, ia roçar o antebraço no braço do outro. A gente tinha se posicionado bem na frente de um dos dois elefantes que estavam naquele curralzão gigante. Éramos só nós dois, porque o resto dos visitantes tava junto com o outro bicho, uns trinta metros de distância. Pela primeira vez a gente trocou umas palavras e ela me indica...Bichão gostoso...
Sim, embora este seja um exemplar velho… O zoológico já faz vários anos que não traz animais jovens...
- "Claro, você deve ter visitado esse lugar um monte de vezes… Pra mim é a primeira vez…
Pude perceber pelo sotaque dele, e por um certo jeito de usar as palavras, que não era um compatriota como pensei a princípio. Bem na hora que ia perguntar de onde ele era, o elefante começa a mijar enquanto a porra do pauzão dele começa a crescer. Como hipnotizados, viramos a cabeça na direção do bicho. Era impressionante o tamanho daquela pica, mas também era inacreditável a quantidade de litros de mijo que o elefante estava soltando. Ele estava como que possuído, olhando pra aquela porra de rola monstruosa. Me pareceu que até lambia os lábios com a língua ao ver semelhante pedaço de carne…
Comecei a desconfiar se esse cara era viado ou não. Naquela época não existia consciência sobre certas condições sexuais de hoje: gay, lésbica, homossexual, bissexual, hétero, eram palavras que não faziam parte do vocabulário do povo comum. Naquele tempo, se achava que o “normal” era os caras gostarem de mulher e vice-versa. O cara que gostava de homem era “bicha” ou “viado”, e a mulher que gostava de buceta era “sapatão” ou “caminhoneira”. Os homens que comiam os viados não eram considerados gays ou bissexuais, eram simplesmente “homens que comiam bichas”…
Quando o elefante terminou aquela mijada interminável, ele me diz…Que pica linda...! Como eu queria ter uma assim...!
Só dei um sorriso pra ele. Não sabia se ele tava falando que queria ter uma rola grande, porque talvez a dele fosse pequena, ou se preferia um pauzão pra chupar ou pra ser comido. Preferi ficar na dúvida. A partir dali, como se fosse um acordo tácito entre nós dois, ele começou a me seguir e eu agia como se fosse um guia turístico mostrando as maravilhas do lugar. Não trocamos mais uma palavra, mas claramente existia uma certa empatia entre a gente. Andamos quase o terreno todo por umas uma hora e meia. Decidi que era hora de descansar um pouco e, quando chegamos no lago artificial das lontras, reparei, quase por acaso, que atravessando uma pontinha de concreto, bem debaixo de um ombú enorme, tinha um banco de praça velho na sombra. Sugeri…- "Que tal a gente sentar ali e descansar um pouco…?
- "Você teve uma excelente ideia...
Uma vez sentados no banco, eu na ponta direita e ele na minha esquerda, começou uma longa conversa pra gente se conhecer. Percebi, assim que apoiei meu caderno no banco, que as escritas talhadas na madeira mostravam que o lugar foi por anos um refúgio de apaixonados. O banco com vista pro lago, estrategicamente colocado do lado do ombú, pra que ele e a ponte evitassem olhares indiscretos. Já fazia um tempão que a gente tinha percorrido o lugar junto, mas não sabíamos nada um do outro. Resolvo tomar a iniciativa…- "Acho que a gente devia se apresentar... Meu nome é Eduardo e tenho 19 anos...
Eu sou o Victor e tenho 24, quase 25 anos... Vou fazer aniversário daqui a um mês, no dia 27 de outubro...
- "Claramente, pelo teu sotaque e os jeitos que tu usa pra falar, dá pra perceber que tu não é argentino... De onde tu é…?
Sou chileno… Natural de Valparaíso…
Você é turista…?
Não… Sou um exilado por causa do Pinochet...
Quer me contar…?
Sim, claro... Minha família era militante do Partido Comunista Chileno, que levou Allende à presidência... Quando teve o golpe militar, foram buscar meus pais, levaram eles pra Santiago e os alojaram no Estádio Nacional, e nunca mais os vi... Um mês depois, fiquei sabendo que no Quartel da Polícia Secreta eles foram torturados até a morte...
Ao ouvir um relato desses e notar como as feições dele se transformavam, falei que se tava fazendo mal falar daquilo, a gente podia mudar de assunto. Mas ele continuou…Fiquei sozinho em Santiago, porque tava estudando na Universidade pra me formar em médico… Lá morava com minha tia Marta, irmã da minha mãe, e com minha prima Susana, filha dela… Quando soubemos da morte dos meus pais, nós três decidimos que era hora de se exilar e viemos primeiro pra cidade de Mendoza e desde junho desse ano tamo aqui em Buenos Aires…
E aí, o que cê tá fazendo aqui…? Quer dizer… Do que cê vive…? Como cê se vira…?
- "Consegui entrar na UBA pra terminar meus estudos de medicina… Me validaram várias matérias que passei em Santiago e outras que cursei e passei na Universidade de Cuyo… Se tudo der certo, daqui a uns anos me formo… E você, o que anda fazendo…?
— "Agora entendi essa maleta que você carrega, é a típica maleta de médico...
- Sim… É que à uma da tarde, saí do plantão do Hospital Fernández… Tô fazendo o estágio… Bom, mas… Fala de você…
Estudo Educação Física de segunda a sexta, das 7 da noite até meia-noite… Vou me formar no fim do ano que vem, se tudo correr como planejado… Por acaso, daqui a mais ou menos uma hora, tenho que pegar o busão pra chegar na faculdade… Mas hoje, como não tenho matérias esportivas, posso chegar mais tarde…
- “Por que…?”
- "Porque às quartas, como não tenho nenhuma matéria de esporte, não preciso chegar mais cedo pra treinar o que for necessário...
Falamos de tudo um pouco. Ela me contou que morava com a tia Marta e a prima Susana numa casinha de três cômodos perto da estação Pacífico do trem San Martín, quase na esquina da Charcas com Humboldt. Eu contei como era minha família (pais e dois irmãos homens, 16 e 10 anos, respectivamente) e onde eu morava (Charcas e Uriarte). Percebemos que morávamos a não mais de 7 quadras um do outro (se não fosse o aterro do trem, seriam 4 quadras). De repente, apareceram perto da gente um casal de maras patagônicas. Ele se assustou um pouco e eu falei…Não se preocupa… São maras da Patagônia… São roedores gigantes… Não vão te fazer nada se você não mexer com elas… Aqui elas vivem soltas e sempre ficam rondando os lagos pra tentar comer a comida que dão pras aves aquáticas… Se a gente fizer de conta que nem liga, elas vão ficar por aqui…
É isso mesmo, as maras ficaram rodando a menos de dois metros da gente. Na cara dura, ele me pergunta…- "Você gosta de homens…?
Não… De onde você tirou essa ideia…?
Pela bolsinha que você carrega... No meu país, só viado usa esse tipo de acessório e em Mendoza não vi ninguém com isso... Desculpa se te ofendi...
Não… Não me ofendeu… Aqui, por causa dessa moda de calça sem bolso, a maioria de nós usa elas…
As maras, que sem se afastar muito não ficavam paradas, começam a trepar freneticamente na nossa frente. O macho monta na mulher e nos oferecem um close da foda. Nós dois ficamos vidrados no que víamos e ficamos em silêncio observando a cópula até o fim. Meu pau endureceu de novo dentro da minha calça justa e, sentado com as pernas esticadas, dava pra ver todo o volume e o contorno exagerado do meu pau. Percebi que o Victor, bem na disfarçada, tava se masturbando pelo bolso da calça, enquanto o olhar dele alternava entre as maras trepando e meu pau que aparecia. As maras terminaram o serviço e um silêncio constrangedor tomou conta. Ele continuava se masturbando e começou, descaradamente, a olhar pro meu pau, que lutava pra ser solto. De propósito, começo a passar a mão por cima da calça e falo…Você gosta de homens, hein... Não é...?
Sim… Sempre gostei deles… Mas comecei a me soltar mais quando deixei meus pais em Valparaíso e fui estudar em Santiago… Minha tia e minha prima sabem que sou viado… Elas perceberam na hora quando comecei a morar com elas… Elas me incentivaram a assumir minha condição de viado…
- “Puta merda...”
- "Não… Viado…
- "E pra você... Qual é a diferença...? Porque pra mim são sinônimos...
- "Não tem nada a ver com linguística… Tem a ver com sentimentos e situações… Eu gosto de homens, e me sinto viado… Mas minha bunda ainda é virgem… Quando deixar de ser, vou deixar me chamarem de puta…
Eu continuei esfregando minha pica e ele não parava de olhar o que eu tava fazendo. Convido ele…- "Você quer tocar ela...? Tá com vontade...?
Só se você não estiver namorando...
Não tô entendendo o que cê tá me dizendo... O que significa namorar...?
No Chile, 'pololear' é ficar namorando... Cê tem namorada...?
- "Agora não... Terminei com a que eu tava, bem antes da Copa...
Então ela se aproximou mais de onde eu estava sentado, tirou minha mão que estava sobre meu pau e foi a dela que ocupou aquele lugar. Começou a me punhetar bem devagar e meu pau foi ficando cada vez mais louco. Eu sentia ele pulsando dentro da minha cueca. Lembrei da minha experiência no metrô uns anos atrás e ele ficou duro como uma pedra. Ele percebeu a dureza e me ordenou…- "Tira ela... Quero sentir o calor dela e as pulsações...
— "Cê tá louco…? Podem nos ver…! Os milicos desse país caçam os viados e bichas…
- "Adoraria poder chupar ela pra você...
- "Você está fazendo isso...
Sim… Mas quero sentir ela com a palma da minha mão, não através do pano da sua calça…
Tá na hora de eu ir embora... Vamo indo pra saída e vê se a gente consegue fazer alguma coisa nos banheiros públicos...
Caminhamos até a saída da Plaza Italia e avistamos os banheiros lá longe. Eu me escondia com meu caderno porque tava com uma ereção do caralho. Chegamos. O lugar pra mijar era contra uma parede com água escorrendo por ela. Verificamos entre nós dois que estávamos sozinhos e então eu tiro da prisão minha pica, que dura como estava, apontava pro teto. Imediatamente o Víctor pega ela com a mão direita e começa a me fazer uma punheta linda, sem pressa mas sem parar. Com a mão esquerda, ele abaixa o zíper, tira a pica dele (que também tava dura) e começa a se bater. O Víctor com duas picas, uma em cada mão, começou a acelerar o ritmo das duas punhetas. Ele gozou primeiro e eu uns segundos depois. A água levou nosso leite. Sem soltar minha pica em nenhum momento, o Víctor guardou a dele e decidiu se abaixar e beber a última gota que escorria da minha pica. Ele dá um beijo carinhoso na cabeça e me ajuda a guardar ela dentro da calça…
Assim que saímos, ele me disse que ia pra casa dele, então decidi acompanhá-lo em parte do caminho, já que o ônibus da linha 29 dava pra pegar tanto na Plaza Italia quanto no Pacífico. No trajeto, trocamos os números de telefone (de rede, não existia celular) e eu propus nos encontrarmos de novo no dia seguinte. Aí fiquei sabendo que só podia ser segunda, quarta e sexta, porque eram os dias em que ele fazia plantão no Hospital Fernández de manhã e tinha as tardes livres. Terça e quinta ele passava o dia inteiro na Faculdade de Medicina. Quando chegou na Av. Santa Fe e Av. Bullrich, nos separamos. Tentei dar um beijo na bochecha (costume entre os homens que começou nos anos da ditadura), mas o Víctor recusou e me ofereceu a mão. Apertamos as mãos e nos despedimos até depois de amanhã, sexta-feira…Continua em “Victor, o futuro médico - 2ª parte”
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Aviso:
Tudo o que está aqui relatado faz parte das minhas experiências pessoais ao longo da minha vida. Os nomes dos personagens foram propositalmente trocados para proteger os verdadeiros protagonistas dos acontecimentos. É um relato autobiográfico.Ano de 1978, plena ditadura militar. Eu tinha 19 anos e fazia dois que tinha me formado em Perito Mercantil. Estudava à noite no curso de Educação Física no bairro de Núñez e morava perto da Plaza Italia, a três quadras do Zoológico. Um lugar que, quando criança, pedia aos meus pais pra ir com frequência e que, desde que nos mudamos pra tão perto, já fazia quase seis anos, nunca mais tinha visitado…
Durante o dia, geralmente estudava, treinava pra passar em alguma matéria que tinha dificuldade, ou então não fazia absolutamente nada. De vez em quando, aparecia algum trampo de poucos dias em coisas relacionadas à profissão (acampamentos, animação infantil, colônias de férias, etc.), e só. Assim era minha vida naqueles anos…
Uma tarde do final de setembro, já tinha terminado fazia uns meses a Copa do Mundo de Futebol, entediado de ficar a tarde inteira em casa, avisei minha mãe que ia dar uma volta por lá e que, como não sabia quanto tempo ia demorar, levaria as coisas do curso. Como naquele dia (quarta-feira) era o único com todas as matérias teóricas, não precisava carregar a mochila, só um caderno e uma bolsinha com meus documentos, carteira, chaveiro e alguns materiais escolares. Naqueles anos do final dos anos 70, a gente costumava usar uma bolsinha de couro ou courino (hoje seria “couro ecológico”), porque, por causa da moda da época, as calças jeans geralmente não tinham bolsos…
Saí na rua caminhando em direção à Plaza Italia e, vendo que eram 2 da tarde, achei uma boa ideia visitar o Jardim Zoológico que tanto sentia falta. Assim que passei pelo portão, mil lembranças vieram à mente, e foi então que me aproximei do mapa indicador dos vários lugares e decidi ir especialmente a três deles: o fosso dos leões, o lugar dos elefantes e a jaula das girafas. Eram três lugares que, nas minhas lembranças, me pareciam… Mágicos. Não só pela magnificência daqueles animais, mas também pelo tamanho imponente daquelas construções, que quando eu era criança me pareciam enormes…
Fui até o mais próximo, o fosso dos leões, uma construção enorme de pedra, com um fosso fundo pra eles não chegarem perto dos visitantes e um grande “gramado” pros animais passearem por ali, além de uma espécie de jaula/quarto pros felinos descansarem à noite e se abrigarem de possíveis chuvas. Fiquei um tempão observando os leões, a ponto de que os poucos visitantes que estavam olhando quando cheguei lá já tinham ido embora pra outros lados. Menos um deles, que estava bem na minha frente, do outro lado da construção oval, a uns trinta metros de distância. Troquei um par de olhares com ele e continuei vidrado no que tava fazendo. Quando decidi mudar de lugar e ir pra onde estavam os elefantes, e de quebra parar na jaula dos chimpanzés, levanto a vista e não vejo o companheiro ocasional de alguns minutos atrás. Varro com o olhar tudo ao redor do fosso e vejo que ele estava a não menos de dez metros pra minha direita. Trocamos outro olhar e, sem dar muita bola, fui em direção aos macacos…
A jaula dos chimpanzés era um cercado circular que interligava todas as jaulas que davam pro lado de fora. Em cada uma, não tinha mais que dois ou três animais, uns mais animados que outros. Paro na frente de uma jaula onde um dos chimpanzés se mexia por todo o espaço. Percebo que a pessoa que eu tinha visto no fosso dos leões se posiciona na mesma jaula que eu, a uns dois metros de distância, de novo na minha direita…
Decido ver claramente quem era. Um homem de idade indefinida entre os 20 e os 30 anos, rosto de índio com lábios grossos, mestiço, bonitão, cabelo preto azulado bem cortado e penteado com uma risca do lado esquerdo da Cabeça de uma limpeza invejável. Imaginei ele vindo de alguma das províncias do norte (Tucumán, Salta ou Jujuy). Bem vestido. Sapatos pretos tipo mocassim, calça social preta, camisa azul-claro de mangas compridas arregaçadas até a metade do antebraço, aberta nos dois primeiros botões, deixando ver parte de um peito totalmente liso, e um suéter azul sobre os ombros, com as mangas caídas sobre o peito. Carregava uma maleta preta do tipo que os visitadores médicos usam. Ele percebeu que eu estava olhando, mas o olhar dele estava nos macacos. Quando decido olhar para os chimpanzés, percebo que agora é ele quem está me observando. Finjo que não vi, mas sinto o olhar dele percorrendo todo o meu corpo. Eu também calçava sapatos pretos de salto e plataforma (a moda daqueles anos), uma calça jeans cinza-claro com listras verticais pretas, uma camiseta branca de manga curta com gola redonda, um caderno de anotações e minha bolsinha. Meu cabelo, castanho-escuro, bem comprido (o que me causava alguns problemas com a polícia) e penteado todo para trás, o que normalmente me dava uma risca no meio da cabeça…
De repente, o chimpanzé que não parava de se mexer para na nossa frente e começa a se tocar na buceta até ter uma ereção. Nesse momento, trocamos um olhar cúmplice entre nós dois e ele sorriu para mim. O chimpanzé começa a se masturbar furiosamente até que finalmente ejacula com força contra a grade da jaula. Eu senti meu pau duríssimo dentro da calça. Impossível esconder minha ereção, já que a moda da época eram calças justas. Decido sair dali para que os poucos visitantes não notassem o volume na minha calça. Vou me escondendo com o caderno até chegar na jaula dos elefantes…
Ao chegar onde estavam os elefantes, observo que novamente esse homem “misterioso” estava a poucos centímetros de mim. do meu lugar. Acho que se um de nós se mexesse um pouquinho, ia roçar o antebraço no braço do outro. A gente tinha se posicionado bem na frente de um dos dois elefantes que estavam naquele curralzão gigante. Éramos só nós dois, porque o resto dos visitantes tava junto com o outro bicho, uns trinta metros de distância. Pela primeira vez a gente trocou umas palavras e ela me indica...Bichão gostoso...
Sim, embora este seja um exemplar velho… O zoológico já faz vários anos que não traz animais jovens...
- "Claro, você deve ter visitado esse lugar um monte de vezes… Pra mim é a primeira vez…
Pude perceber pelo sotaque dele, e por um certo jeito de usar as palavras, que não era um compatriota como pensei a princípio. Bem na hora que ia perguntar de onde ele era, o elefante começa a mijar enquanto a porra do pauzão dele começa a crescer. Como hipnotizados, viramos a cabeça na direção do bicho. Era impressionante o tamanho daquela pica, mas também era inacreditável a quantidade de litros de mijo que o elefante estava soltando. Ele estava como que possuído, olhando pra aquela porra de rola monstruosa. Me pareceu que até lambia os lábios com a língua ao ver semelhante pedaço de carne…
Comecei a desconfiar se esse cara era viado ou não. Naquela época não existia consciência sobre certas condições sexuais de hoje: gay, lésbica, homossexual, bissexual, hétero, eram palavras que não faziam parte do vocabulário do povo comum. Naquele tempo, se achava que o “normal” era os caras gostarem de mulher e vice-versa. O cara que gostava de homem era “bicha” ou “viado”, e a mulher que gostava de buceta era “sapatão” ou “caminhoneira”. Os homens que comiam os viados não eram considerados gays ou bissexuais, eram simplesmente “homens que comiam bichas”…
Quando o elefante terminou aquela mijada interminável, ele me diz…Que pica linda...! Como eu queria ter uma assim...!
Só dei um sorriso pra ele. Não sabia se ele tava falando que queria ter uma rola grande, porque talvez a dele fosse pequena, ou se preferia um pauzão pra chupar ou pra ser comido. Preferi ficar na dúvida. A partir dali, como se fosse um acordo tácito entre nós dois, ele começou a me seguir e eu agia como se fosse um guia turístico mostrando as maravilhas do lugar. Não trocamos mais uma palavra, mas claramente existia uma certa empatia entre a gente. Andamos quase o terreno todo por umas uma hora e meia. Decidi que era hora de descansar um pouco e, quando chegamos no lago artificial das lontras, reparei, quase por acaso, que atravessando uma pontinha de concreto, bem debaixo de um ombú enorme, tinha um banco de praça velho na sombra. Sugeri…- "Que tal a gente sentar ali e descansar um pouco…?
- "Você teve uma excelente ideia...
Uma vez sentados no banco, eu na ponta direita e ele na minha esquerda, começou uma longa conversa pra gente se conhecer. Percebi, assim que apoiei meu caderno no banco, que as escritas talhadas na madeira mostravam que o lugar foi por anos um refúgio de apaixonados. O banco com vista pro lago, estrategicamente colocado do lado do ombú, pra que ele e a ponte evitassem olhares indiscretos. Já fazia um tempão que a gente tinha percorrido o lugar junto, mas não sabíamos nada um do outro. Resolvo tomar a iniciativa…- "Acho que a gente devia se apresentar... Meu nome é Eduardo e tenho 19 anos...
Eu sou o Victor e tenho 24, quase 25 anos... Vou fazer aniversário daqui a um mês, no dia 27 de outubro...
- "Claramente, pelo teu sotaque e os jeitos que tu usa pra falar, dá pra perceber que tu não é argentino... De onde tu é…?
Sou chileno… Natural de Valparaíso…
Você é turista…?
Não… Sou um exilado por causa do Pinochet...
Quer me contar…?
Sim, claro... Minha família era militante do Partido Comunista Chileno, que levou Allende à presidência... Quando teve o golpe militar, foram buscar meus pais, levaram eles pra Santiago e os alojaram no Estádio Nacional, e nunca mais os vi... Um mês depois, fiquei sabendo que no Quartel da Polícia Secreta eles foram torturados até a morte...
Ao ouvir um relato desses e notar como as feições dele se transformavam, falei que se tava fazendo mal falar daquilo, a gente podia mudar de assunto. Mas ele continuou…Fiquei sozinho em Santiago, porque tava estudando na Universidade pra me formar em médico… Lá morava com minha tia Marta, irmã da minha mãe, e com minha prima Susana, filha dela… Quando soubemos da morte dos meus pais, nós três decidimos que era hora de se exilar e viemos primeiro pra cidade de Mendoza e desde junho desse ano tamo aqui em Buenos Aires…
E aí, o que cê tá fazendo aqui…? Quer dizer… Do que cê vive…? Como cê se vira…?
- "Consegui entrar na UBA pra terminar meus estudos de medicina… Me validaram várias matérias que passei em Santiago e outras que cursei e passei na Universidade de Cuyo… Se tudo der certo, daqui a uns anos me formo… E você, o que anda fazendo…?
— "Agora entendi essa maleta que você carrega, é a típica maleta de médico...
- Sim… É que à uma da tarde, saí do plantão do Hospital Fernández… Tô fazendo o estágio… Bom, mas… Fala de você…
Estudo Educação Física de segunda a sexta, das 7 da noite até meia-noite… Vou me formar no fim do ano que vem, se tudo correr como planejado… Por acaso, daqui a mais ou menos uma hora, tenho que pegar o busão pra chegar na faculdade… Mas hoje, como não tenho matérias esportivas, posso chegar mais tarde…
- “Por que…?”
- "Porque às quartas, como não tenho nenhuma matéria de esporte, não preciso chegar mais cedo pra treinar o que for necessário...
Falamos de tudo um pouco. Ela me contou que morava com a tia Marta e a prima Susana numa casinha de três cômodos perto da estação Pacífico do trem San Martín, quase na esquina da Charcas com Humboldt. Eu contei como era minha família (pais e dois irmãos homens, 16 e 10 anos, respectivamente) e onde eu morava (Charcas e Uriarte). Percebemos que morávamos a não mais de 7 quadras um do outro (se não fosse o aterro do trem, seriam 4 quadras). De repente, apareceram perto da gente um casal de maras patagônicas. Ele se assustou um pouco e eu falei…Não se preocupa… São maras da Patagônia… São roedores gigantes… Não vão te fazer nada se você não mexer com elas… Aqui elas vivem soltas e sempre ficam rondando os lagos pra tentar comer a comida que dão pras aves aquáticas… Se a gente fizer de conta que nem liga, elas vão ficar por aqui…
É isso mesmo, as maras ficaram rodando a menos de dois metros da gente. Na cara dura, ele me pergunta…- "Você gosta de homens…?
Não… De onde você tirou essa ideia…?
Pela bolsinha que você carrega... No meu país, só viado usa esse tipo de acessório e em Mendoza não vi ninguém com isso... Desculpa se te ofendi...
Não… Não me ofendeu… Aqui, por causa dessa moda de calça sem bolso, a maioria de nós usa elas…
As maras, que sem se afastar muito não ficavam paradas, começam a trepar freneticamente na nossa frente. O macho monta na mulher e nos oferecem um close da foda. Nós dois ficamos vidrados no que víamos e ficamos em silêncio observando a cópula até o fim. Meu pau endureceu de novo dentro da minha calça justa e, sentado com as pernas esticadas, dava pra ver todo o volume e o contorno exagerado do meu pau. Percebi que o Victor, bem na disfarçada, tava se masturbando pelo bolso da calça, enquanto o olhar dele alternava entre as maras trepando e meu pau que aparecia. As maras terminaram o serviço e um silêncio constrangedor tomou conta. Ele continuava se masturbando e começou, descaradamente, a olhar pro meu pau, que lutava pra ser solto. De propósito, começo a passar a mão por cima da calça e falo…Você gosta de homens, hein... Não é...?
Sim… Sempre gostei deles… Mas comecei a me soltar mais quando deixei meus pais em Valparaíso e fui estudar em Santiago… Minha tia e minha prima sabem que sou viado… Elas perceberam na hora quando comecei a morar com elas… Elas me incentivaram a assumir minha condição de viado…
- “Puta merda...”
- "Não… Viado…
- "E pra você... Qual é a diferença...? Porque pra mim são sinônimos...
- "Não tem nada a ver com linguística… Tem a ver com sentimentos e situações… Eu gosto de homens, e me sinto viado… Mas minha bunda ainda é virgem… Quando deixar de ser, vou deixar me chamarem de puta…
Eu continuei esfregando minha pica e ele não parava de olhar o que eu tava fazendo. Convido ele…- "Você quer tocar ela...? Tá com vontade...?
Só se você não estiver namorando...
Não tô entendendo o que cê tá me dizendo... O que significa namorar...?
No Chile, 'pololear' é ficar namorando... Cê tem namorada...?
- "Agora não... Terminei com a que eu tava, bem antes da Copa...
Então ela se aproximou mais de onde eu estava sentado, tirou minha mão que estava sobre meu pau e foi a dela que ocupou aquele lugar. Começou a me punhetar bem devagar e meu pau foi ficando cada vez mais louco. Eu sentia ele pulsando dentro da minha cueca. Lembrei da minha experiência no metrô uns anos atrás e ele ficou duro como uma pedra. Ele percebeu a dureza e me ordenou…- "Tira ela... Quero sentir o calor dela e as pulsações...
— "Cê tá louco…? Podem nos ver…! Os milicos desse país caçam os viados e bichas…
- "Adoraria poder chupar ela pra você...
- "Você está fazendo isso...
Sim… Mas quero sentir ela com a palma da minha mão, não através do pano da sua calça…
Tá na hora de eu ir embora... Vamo indo pra saída e vê se a gente consegue fazer alguma coisa nos banheiros públicos...
Caminhamos até a saída da Plaza Italia e avistamos os banheiros lá longe. Eu me escondia com meu caderno porque tava com uma ereção do caralho. Chegamos. O lugar pra mijar era contra uma parede com água escorrendo por ela. Verificamos entre nós dois que estávamos sozinhos e então eu tiro da prisão minha pica, que dura como estava, apontava pro teto. Imediatamente o Víctor pega ela com a mão direita e começa a me fazer uma punheta linda, sem pressa mas sem parar. Com a mão esquerda, ele abaixa o zíper, tira a pica dele (que também tava dura) e começa a se bater. O Víctor com duas picas, uma em cada mão, começou a acelerar o ritmo das duas punhetas. Ele gozou primeiro e eu uns segundos depois. A água levou nosso leite. Sem soltar minha pica em nenhum momento, o Víctor guardou a dele e decidiu se abaixar e beber a última gota que escorria da minha pica. Ele dá um beijo carinhoso na cabeça e me ajuda a guardar ela dentro da calça…
Assim que saímos, ele me disse que ia pra casa dele, então decidi acompanhá-lo em parte do caminho, já que o ônibus da linha 29 dava pra pegar tanto na Plaza Italia quanto no Pacífico. No trajeto, trocamos os números de telefone (de rede, não existia celular) e eu propus nos encontrarmos de novo no dia seguinte. Aí fiquei sabendo que só podia ser segunda, quarta e sexta, porque eram os dias em que ele fazia plantão no Hospital Fernández de manhã e tinha as tardes livres. Terça e quinta ele passava o dia inteiro na Faculdade de Medicina. Quando chegou na Av. Santa Fe e Av. Bullrich, nos separamos. Tentei dar um beijo na bochecha (costume entre os homens que começou nos anos da ditadura), mas o Víctor recusou e me ofereceu a mão. Apertamos as mãos e nos despedimos até depois de amanhã, sexta-feira…Continua em “Victor, o futuro médico - 2ª parte”
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