SAM/
—Valeu, Carly — dou um sorriso pra ela.
Ela encosta a cabeça no travesseiro de novo e se perde nos pensamentos. Fico me perguntando o que ela sonhou, já que ficava repetindo meu nome sem parar. Isso me enche de esperança… faz um tempo que percebi que gosto da Carly, me dá vergonha admitir, mas é a verdade. Eu gosto dela, mas não conto porque, se ela não sentir o mesmo, nossa amizade nunca mais vai ser a mesma, talvez a gente nem seja mais amiga…
— Tá me ouvindo, Sam?
— Hã?
— Que horas são? — ela pergunta, virando e se apoiando no lado direito pra me olhar.
— Ah… são cinco da tarde.
— O que você quer fazer enquanto esperamos o jantar?
— Sei lá, o que você quiser.
— Eu só quero dormir de novo, mas não quero que você fique entediada — ela diz, bocejando.
— Melhor dormir, Carly. Você parece muito cansada.
— Não, quero que… que… — é interrompida por outro bocejo.
Eu me aproximei da beira da cama dela e sentei. Comecei a acariciar o cabelo dela, enquanto ela me olhava meio estranha pelo que eu tava fazendo, mas sorriu pra mim.
— Fico feliz que você seja assim comigo. Você sempre guarda todo seu carinho e bondade pra mim… — ela tira minha mão e se senta na cama — Quem dera os outros te vissem como eu te vejo: uma mina linda e gente boa.
Ela me abraça e apoia a cabeça no meu ombro, enquanto eu ficava toda corada. Depois de uns minutos abraçadas, ela me solta e deita de novo.
— Por que você não é assim com todo mundo? — pergunta, puxando minha mão pra eu deitar do lado dela.
— Porque eles não merecem… — deitei do lado dela, meio nervosa.
— Ah, então se você pensa assim…
Ela ficou quieta por uns minutos e depois virou pra me olhar. Ficamos um tempão nos encarando, até que eu falei:
— Carly… — coloquei minha mão na bochecha direita dela; talvez fosse minha imaginação, mas juro que vi ela corar — …Carly… tô com fome…
Ela riu baixinho e disse:
— Você não tem jeito, Sam. Só pensa em comida.
— Eu não penso só em comida, também penso nos Sobremesas — falei, fazendo ela rir — Para de rir, Carlota!
— Não me chama assim! Sabe que odeio quando me chama disso! — exclamou, sentando e pegando um travesseiro pra jogar em mim.
— Carlota, Carlota, Carlota!... Ei, que nojo… você fez penas entrarem na minha boca! — Ela tinha me acertado com o travesseiro que tinha uma costura aberta, e por ela saíram penas que entraram na minha boca.
— Ai, pelo amor, Sam! Uma vez você tentou comer um pobrezinho de um pintinho! Enfiou ele na boca e ele quase morreu sufocado, e em nenhum momento você reclamou das penas que ficaram na sua…! NÃO, SAM! — Ela tinha pegado outro travesseiro e teria estampado ele no meio da minha cara se eu não tivesse abaixado a cabeça.
O travesseiro que ela jogou foi direto na prateleira e bateu, fazendo o pouco que tinha cair no chão.
— Sam, são coisas importantes! — gritou enquanto saía correndo pra pegar as coisas dela — Toma.
Ela me deu uma pedra lisa, um caderno, uma rosa artificial e um colar que me parecia familiar. Eu coloquei tudo na cama dela e comecei a olhar. A pedra tinha algo escrito: “I LOVE YOU”; a rosa era a que o nerd tinha dado pra ela no aniversário; o colar eu tinha dado pra ela e dizia “Amigas pra sempre”; e o caderno, eu não sabia o que tinha dentro. Abri e comecei a ler poemas bregas e melosos que no começo me pareceram nojentos, mas depois de ler alguns, o nojo passou e achei bonitinhos, o que era muito estranho vindo de mim.
— O que é isso? — virei pra ver o que Carly segurava nas mãos — Que porra é uma dúzia de costelinhas dentro do meu travesseiro?
— Costelas? Ah, sim… Eu escondi elas aí pra Spencer não comer tudo; acho que foi no começo do ano…
— Por isso que cheirava a lixo e tava tão dura, tinha uma dúzia de costelinha enfiada lá dentro e elas estavam apodrecendo. O QUE CÊ TÁ FAZENDO COM ISSO?! — Ela largou o travesseiro precioso dela e arrancou o caderno das minhas mãos — Sam, um dia você vai me encher o saco e vou te jogar pela janela. —É, fala o que quiser, Carlota… Vou comer… — Saí do quarto antes que ela me jogasse o travesseiro de novo — Lindos poemas!
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-
*Depois do jantar*
— Vamos dormir logo, tô com sono — Disse a Carls, que tava sentada do meu lado no sofá.
— Mas nessa hora passam os melhores filmes de terror, com assassinato, mutilação, tripa, miolo, zumbi… e acho que também vai ter aquele maluco com a motosserra, adoro isso. As partes do corpo espalhadas pra todo lado, gente degolada, e… — Falei toda animada, imaginando o filme.
— Eu gostava mais de você quando só via programa de culinária — A Carly falou com cara de horror.
— Cala a boca, já vai começar, traz alguma coisa pra comer, Carls.
— Por acaso sou sua empregada? Levanta você, eu vou dormir — Ela fez menção de levantar, mas depois se aconchegou mais perto de mim — Melhor… melhor eu ficar aqui.
Virei pra ver o que tinha assustado a Carly na penumbra da sala, vi que o robô idiota do Spencer tava com os olhos vermelhos acesos e, no escuro, podia assustar qualquer um mais bobo. Não tô dizendo que a Carly é, só que ela é medrosa.
— É só o robô do Spencer, Carly, não seja medrosa.
— Medrosa, eu? Ah, Sam, que coisa você fala… Olha, o filme começou.
Não tinha nem passado 30 minutos de filme e a Carly já tava gritando de medo, e o filme era um dos mais idiotas que eu já vi, daqueles que você vê o ator principal indo pro quarto onde o assassino tá e fala “não entra aí, não entra aí” e o imbecil entra.
— Que porcaria, melhor eu ir dormir — Desliguei a TV e olhei o relógio marcando 1:50.
— O que cê tá fazendo, Sam? Tava quase vendo se ele morria ou não, agora me deixou curiosa — A Carly falou ofendida e ainda assustada.
— Eu te conto o que acontece: O atrapalhado tropeça enquanto o assassino corre atrás dele, se arrasta no chão em vez de levantar e continuar correndo, o assassino alcança ele, tá prestes a decapitá-lo e grita "muajajajaja, você vai morrer" enquanto o cara no chão diz "não me mata, tem piedade" aí do nada aparece outro idiota, se pendura no pescoço dele, alguma coisa cai em cima dos dois e eles morrem, deixando o protagonista vivinho da silva.
—Filmes de terror não... AAHH! —Grita ao ouvir um barulho na cozinha.
Me virei rapidamente e só vi uma faca cair no chão, depois vi uma sombra pegar o talher e se aproximar de nós. Carly e eu nos abraçamos e gritamos desesperadas.
—Querem um pedacinho do meu bolo...? AI! —Grita a sombra quando o controle da TV que eu tinha jogado na cabeça dela cai.
Antes de acender as luzes, pego o abajur de mesa que estava na mesinha.
—Spencer, quase nos mata do susto! —Fala Carly.
—Ai, isso doeu, Sam. Eu só vim dar um pedaço do meu bolo de chocolate —Diz ele levantando a bandeja que tinha caído no chão sujo.
—Uh, bolo, eu quero —Falei levantando a mão que segurava o abajur.
—Mas agora tá todo sujo e... O que vocês tão fazendo acordadas a essa hora? Pensei que fosse mais cedo —Diz Spencer surpreso ao ver as horas —Vão pra cama, agora.
Nós duas subimos as escadas sem falar nada enquanto Spencer largava a faca e ia pro quarto dele. Depois de 5 minutos, desci pra cozinha.
—Finalmente só eu e você, bolo —Me aproximei da bancada onde o bolo estava meio amassado e comecei a comer.
—Sam, espero que não esteja comendo o bolo do Spencer —Disse Carly descendo as escadas —Sam, porca, larga isso!
Eu virei e sorri com o bolo ainda na boca.
—Fecha a boca, me dá nojo.
Depois de discutir 10 minutos pra eu largar o bolo e outros 10 quando Spencer veio se juntar à discussão de que eu não podia comer meu amado bolo, fiquei brigando com eles tentando arrancar a bandeja de bolo das minhas mãos e perdemos mais 20 minutos. Quando finalmente cedi e parei de comer, já eram 2:58 e Spencer mandou a gente pro quarto de novo.
—Pelo amor de Deus, Sam, tudo por comer um bolo sujo" — disse Carly sonolenta, se jogando na cama dela.
—Me arruma um espaço, Carls — falei, ignorando a última parte.
Carly se virou pra direita e eu me enfiei entre os lençóis. Ela dormiu em dois minutos, mas eu me remexia na cama, toda desconfortável.
—Porra, não consigo dormir.
Levantei e comecei a andar de um lado pro outro no quarto até decidir que era melhor dar um rolê noturno pra ver se pegava no sono. Desci as escadas sem fazer barulho e, antes de sair do apartamento, peguei emprestado 30 dólares que achei na calça do Spencer.
—Mamãe precisa de um verde no bolso — falei, saindo e fechando a porta em silêncio — Vamos nos divertir um pouco com o carro da Pam.
Fui até o estacionamento onde minha mãe costumava deixar o carro e, como imaginei, as chaves estavam lá dentro. Nem lembro o que usei pra abrir a porta do veículo, acho que foi um clipe ou algo assim. O fato é que já tava dirigindo a lata-velha pelas ruas vazias de Seattle.
—Vamos ver o quanto esse bebê corre — acelerei ao máximo e quase bati num contêiner, mas desviei na experiência — Cê é foda, lata-velha. Agora vamos pros meus queridos amiguinhos.
Cheguei num bar e estacionei na esquina. Tranquei bem as portas pra ninguém entrar e fui em direção à entrada do bar.
—E aí? Suponho que vendem cigarro aqui — perguntei pro gordo que tava no balcão.
—Claro, guria, cê não vê que tenho as caixas na prateleira da parede? Mas cê não é muito nova pra fumar? — ele perguntou, me olhando da cabeça aos pés.
—Quem te perguntou, idiota? Só me dá um maço e me empresta um isqueiro — falei na grosseria.
—É 8,75 — ele me deu o maço e o isqueiro.
—Tá aqui — paguei o valor certo e fui pro carro.
Me apoiei no veículo e acendi um cigarro enquanto via alguns dos meus colegas passando.
—Sam Puckett? Não sabia que cê vinha aqui — disse meu ex-namorado, que nem lembro mais o nome... acho que era Brian.
—Por que caralhos eu te contaria? Já cresci. com teus amigões—Não tava a fim de falar com ninguém agora.
—Me dá um?—Perguntou apontando pro cigarro.
—Não, são meus, compra os teus—Falei soprando fumaça na cara dela.
—Ah, qual é, loirinha—Chegou perto me encurralando contra o carro.
—Sai fora ou eu te capo—Falei puxando um canivete sem ela ver.
—Tô há um tempão sem pegar ninguém. Quer que eu te arrombe, gostosa?—O bafo dela cheirava a cerveja.
—Me solta, filho da puta—Enfiei o cigarro aceso no olho dela.
—Ai! Me machucou o olho, sua puta—Chegou perto e tentou me bater, mas eu desviei.
Me abaixando pra desviar de outro golpe, dei uma volta e enfiei o canivete na panturrilha dela, isso fez ela cair. Eu só entrei no carro, liguei e pisei no acelerador, sabia que os amigões dela iam vir buscar ela e iam encarar comigo. Não tinha medo deles, posso brigar contra os 5 gorilas deles, mas não ia sair sem levar uns tapas e não queria que a Carly nem o Spencer perguntassem no dia seguinte. Deixei o carro da minha mãe onde tinha achado e fui correndo pra casa da Carls.
—Tô com fome, vou terminar o bolo—Falei entrando no apartamento.
—Quem é você?! Tô com uma arma e não tenho medo de usar!—Gritou alguém no escuro.
—Sou eu, Spencer—Falei acendendo a luz—Ia se proteger com um aspirador? Foi isso que usou da última vez que entrei aqui, não tem nada melhor não?
—Esse não é o mesmo aspirador, é o novo aspirador XY300 que aspira tudo e…
—Vou comer.
/CARLY
—Por que tanto barulho?—Falei sonolenta.
Acordei ouvindo algo quebrar com estardalhaço na sala. Me sentei na cama e vi que tava sozinha, então achei que era a Sam que tinha feito aquele barulho. Desci as escadas até a sala iluminada pelas lâmpadas.
—Sam?
—Não fui eu—Falou se afastando da porcelana quebrada no chão—O prato caiu sozinho.
—Não importa, Sam. Só não faz mais barulho, quero dormir. Por que você também não dorme?
—Não tô com sono, mas E daí?"
Joga o prato no lixo e sobe pro meu quarto. Quando deitamos, abracei a Sam como se fosse um ursinho e senti cheiro de cigarro na roupa dela. Soltei ela e ia dar uma bronca, mas ela me parou.
—Não me dá bronca, já sou quase de maior, igual a você, e posso fumar.
—Ainda faltam 2 anos pra você fazer 18, Sam. Você pode ficar doente.
—E daí?
—Pode morrer de câncer no pulmão ou algo assim. Ia me fazer sofrer muito se morresse por causa de cigarro ou droga…
—Eu não me drogo. Quem te disse isso? Foi aquele idiota do Freddie? — Ela quase gritou enquanto se sentava na cama.
—Foi só um exemplo, Sam. Não me diga que você realmente se droga — falei, segurando as mãos dela.
—Não, Carly. Só queria um motivo pra dar uma surra no Freddie — garantiu Sam, pouco convincente.
—Me promete que não vai mais fumar nem se drogar. Não quero que você fique doente ou que te levem pra reformatório por te pegarem usando drogas.
—Carly, é difícil parar com isso — ela declarou.
—Eu vou te ajudar. Por favor, me promete.
—Tá bom, Carly. Prometo não fumar… nem me drogar — acrescentou Sam ao ver minha cara. —Vamos dormir, não quero mais falar disso, tira meu apetite.
—Não acredito que a gente tá falando disso enquanto você só pensa em comida.
Continua...
—Valeu, Carly — dou um sorriso pra ela.
Ela encosta a cabeça no travesseiro de novo e se perde nos pensamentos. Fico me perguntando o que ela sonhou, já que ficava repetindo meu nome sem parar. Isso me enche de esperança… faz um tempo que percebi que gosto da Carly, me dá vergonha admitir, mas é a verdade. Eu gosto dela, mas não conto porque, se ela não sentir o mesmo, nossa amizade nunca mais vai ser a mesma, talvez a gente nem seja mais amiga…
— Tá me ouvindo, Sam?
— Hã?
— Que horas são? — ela pergunta, virando e se apoiando no lado direito pra me olhar.
— Ah… são cinco da tarde.
— O que você quer fazer enquanto esperamos o jantar?
— Sei lá, o que você quiser.
— Eu só quero dormir de novo, mas não quero que você fique entediada — ela diz, bocejando.
— Melhor dormir, Carly. Você parece muito cansada.
— Não, quero que… que… — é interrompida por outro bocejo.
Eu me aproximei da beira da cama dela e sentei. Comecei a acariciar o cabelo dela, enquanto ela me olhava meio estranha pelo que eu tava fazendo, mas sorriu pra mim.
— Fico feliz que você seja assim comigo. Você sempre guarda todo seu carinho e bondade pra mim… — ela tira minha mão e se senta na cama — Quem dera os outros te vissem como eu te vejo: uma mina linda e gente boa.
Ela me abraça e apoia a cabeça no meu ombro, enquanto eu ficava toda corada. Depois de uns minutos abraçadas, ela me solta e deita de novo.
— Por que você não é assim com todo mundo? — pergunta, puxando minha mão pra eu deitar do lado dela.
— Porque eles não merecem… — deitei do lado dela, meio nervosa.
— Ah, então se você pensa assim…
Ela ficou quieta por uns minutos e depois virou pra me olhar. Ficamos um tempão nos encarando, até que eu falei:
— Carly… — coloquei minha mão na bochecha direita dela; talvez fosse minha imaginação, mas juro que vi ela corar — …Carly… tô com fome…
Ela riu baixinho e disse:
— Você não tem jeito, Sam. Só pensa em comida.
— Eu não penso só em comida, também penso nos Sobremesas — falei, fazendo ela rir — Para de rir, Carlota!
— Não me chama assim! Sabe que odeio quando me chama disso! — exclamou, sentando e pegando um travesseiro pra jogar em mim.
— Carlota, Carlota, Carlota!... Ei, que nojo… você fez penas entrarem na minha boca! — Ela tinha me acertado com o travesseiro que tinha uma costura aberta, e por ela saíram penas que entraram na minha boca.
— Ai, pelo amor, Sam! Uma vez você tentou comer um pobrezinho de um pintinho! Enfiou ele na boca e ele quase morreu sufocado, e em nenhum momento você reclamou das penas que ficaram na sua…! NÃO, SAM! — Ela tinha pegado outro travesseiro e teria estampado ele no meio da minha cara se eu não tivesse abaixado a cabeça.
O travesseiro que ela jogou foi direto na prateleira e bateu, fazendo o pouco que tinha cair no chão.
— Sam, são coisas importantes! — gritou enquanto saía correndo pra pegar as coisas dela — Toma.
Ela me deu uma pedra lisa, um caderno, uma rosa artificial e um colar que me parecia familiar. Eu coloquei tudo na cama dela e comecei a olhar. A pedra tinha algo escrito: “I LOVE YOU”; a rosa era a que o nerd tinha dado pra ela no aniversário; o colar eu tinha dado pra ela e dizia “Amigas pra sempre”; e o caderno, eu não sabia o que tinha dentro. Abri e comecei a ler poemas bregas e melosos que no começo me pareceram nojentos, mas depois de ler alguns, o nojo passou e achei bonitinhos, o que era muito estranho vindo de mim.
— O que é isso? — virei pra ver o que Carly segurava nas mãos — Que porra é uma dúzia de costelinhas dentro do meu travesseiro?
— Costelas? Ah, sim… Eu escondi elas aí pra Spencer não comer tudo; acho que foi no começo do ano…
— Por isso que cheirava a lixo e tava tão dura, tinha uma dúzia de costelinha enfiada lá dentro e elas estavam apodrecendo. O QUE CÊ TÁ FAZENDO COM ISSO?! — Ela largou o travesseiro precioso dela e arrancou o caderno das minhas mãos — Sam, um dia você vai me encher o saco e vou te jogar pela janela. —É, fala o que quiser, Carlota… Vou comer… — Saí do quarto antes que ela me jogasse o travesseiro de novo — Lindos poemas!
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-
*Depois do jantar*
— Vamos dormir logo, tô com sono — Disse a Carls, que tava sentada do meu lado no sofá.
— Mas nessa hora passam os melhores filmes de terror, com assassinato, mutilação, tripa, miolo, zumbi… e acho que também vai ter aquele maluco com a motosserra, adoro isso. As partes do corpo espalhadas pra todo lado, gente degolada, e… — Falei toda animada, imaginando o filme.
— Eu gostava mais de você quando só via programa de culinária — A Carly falou com cara de horror.
— Cala a boca, já vai começar, traz alguma coisa pra comer, Carls.
— Por acaso sou sua empregada? Levanta você, eu vou dormir — Ela fez menção de levantar, mas depois se aconchegou mais perto de mim — Melhor… melhor eu ficar aqui.
Virei pra ver o que tinha assustado a Carly na penumbra da sala, vi que o robô idiota do Spencer tava com os olhos vermelhos acesos e, no escuro, podia assustar qualquer um mais bobo. Não tô dizendo que a Carly é, só que ela é medrosa.
— É só o robô do Spencer, Carly, não seja medrosa.
— Medrosa, eu? Ah, Sam, que coisa você fala… Olha, o filme começou.
Não tinha nem passado 30 minutos de filme e a Carly já tava gritando de medo, e o filme era um dos mais idiotas que eu já vi, daqueles que você vê o ator principal indo pro quarto onde o assassino tá e fala “não entra aí, não entra aí” e o imbecil entra.
— Que porcaria, melhor eu ir dormir — Desliguei a TV e olhei o relógio marcando 1:50.
— O que cê tá fazendo, Sam? Tava quase vendo se ele morria ou não, agora me deixou curiosa — A Carly falou ofendida e ainda assustada.
— Eu te conto o que acontece: O atrapalhado tropeça enquanto o assassino corre atrás dele, se arrasta no chão em vez de levantar e continuar correndo, o assassino alcança ele, tá prestes a decapitá-lo e grita "muajajajaja, você vai morrer" enquanto o cara no chão diz "não me mata, tem piedade" aí do nada aparece outro idiota, se pendura no pescoço dele, alguma coisa cai em cima dos dois e eles morrem, deixando o protagonista vivinho da silva.
—Filmes de terror não... AAHH! —Grita ao ouvir um barulho na cozinha.
Me virei rapidamente e só vi uma faca cair no chão, depois vi uma sombra pegar o talher e se aproximar de nós. Carly e eu nos abraçamos e gritamos desesperadas.
—Querem um pedacinho do meu bolo...? AI! —Grita a sombra quando o controle da TV que eu tinha jogado na cabeça dela cai.
Antes de acender as luzes, pego o abajur de mesa que estava na mesinha.
—Spencer, quase nos mata do susto! —Fala Carly.
—Ai, isso doeu, Sam. Eu só vim dar um pedaço do meu bolo de chocolate —Diz ele levantando a bandeja que tinha caído no chão sujo.
—Uh, bolo, eu quero —Falei levantando a mão que segurava o abajur.
—Mas agora tá todo sujo e... O que vocês tão fazendo acordadas a essa hora? Pensei que fosse mais cedo —Diz Spencer surpreso ao ver as horas —Vão pra cama, agora.
Nós duas subimos as escadas sem falar nada enquanto Spencer largava a faca e ia pro quarto dele. Depois de 5 minutos, desci pra cozinha.
—Finalmente só eu e você, bolo —Me aproximei da bancada onde o bolo estava meio amassado e comecei a comer.
—Sam, espero que não esteja comendo o bolo do Spencer —Disse Carly descendo as escadas —Sam, porca, larga isso!
Eu virei e sorri com o bolo ainda na boca.
—Fecha a boca, me dá nojo.
Depois de discutir 10 minutos pra eu largar o bolo e outros 10 quando Spencer veio se juntar à discussão de que eu não podia comer meu amado bolo, fiquei brigando com eles tentando arrancar a bandeja de bolo das minhas mãos e perdemos mais 20 minutos. Quando finalmente cedi e parei de comer, já eram 2:58 e Spencer mandou a gente pro quarto de novo.
—Pelo amor de Deus, Sam, tudo por comer um bolo sujo" — disse Carly sonolenta, se jogando na cama dela.
—Me arruma um espaço, Carls — falei, ignorando a última parte.
Carly se virou pra direita e eu me enfiei entre os lençóis. Ela dormiu em dois minutos, mas eu me remexia na cama, toda desconfortável.
—Porra, não consigo dormir.
Levantei e comecei a andar de um lado pro outro no quarto até decidir que era melhor dar um rolê noturno pra ver se pegava no sono. Desci as escadas sem fazer barulho e, antes de sair do apartamento, peguei emprestado 30 dólares que achei na calça do Spencer.
—Mamãe precisa de um verde no bolso — falei, saindo e fechando a porta em silêncio — Vamos nos divertir um pouco com o carro da Pam.
Fui até o estacionamento onde minha mãe costumava deixar o carro e, como imaginei, as chaves estavam lá dentro. Nem lembro o que usei pra abrir a porta do veículo, acho que foi um clipe ou algo assim. O fato é que já tava dirigindo a lata-velha pelas ruas vazias de Seattle.
—Vamos ver o quanto esse bebê corre — acelerei ao máximo e quase bati num contêiner, mas desviei na experiência — Cê é foda, lata-velha. Agora vamos pros meus queridos amiguinhos.
Cheguei num bar e estacionei na esquina. Tranquei bem as portas pra ninguém entrar e fui em direção à entrada do bar.
—E aí? Suponho que vendem cigarro aqui — perguntei pro gordo que tava no balcão.
—Claro, guria, cê não vê que tenho as caixas na prateleira da parede? Mas cê não é muito nova pra fumar? — ele perguntou, me olhando da cabeça aos pés.
—Quem te perguntou, idiota? Só me dá um maço e me empresta um isqueiro — falei na grosseria.
—É 8,75 — ele me deu o maço e o isqueiro.
—Tá aqui — paguei o valor certo e fui pro carro.
Me apoiei no veículo e acendi um cigarro enquanto via alguns dos meus colegas passando.
—Sam Puckett? Não sabia que cê vinha aqui — disse meu ex-namorado, que nem lembro mais o nome... acho que era Brian.
—Por que caralhos eu te contaria? Já cresci. com teus amigões—Não tava a fim de falar com ninguém agora.
—Me dá um?—Perguntou apontando pro cigarro.
—Não, são meus, compra os teus—Falei soprando fumaça na cara dela.
—Ah, qual é, loirinha—Chegou perto me encurralando contra o carro.
—Sai fora ou eu te capo—Falei puxando um canivete sem ela ver.
—Tô há um tempão sem pegar ninguém. Quer que eu te arrombe, gostosa?—O bafo dela cheirava a cerveja.
—Me solta, filho da puta—Enfiei o cigarro aceso no olho dela.
—Ai! Me machucou o olho, sua puta—Chegou perto e tentou me bater, mas eu desviei.
Me abaixando pra desviar de outro golpe, dei uma volta e enfiei o canivete na panturrilha dela, isso fez ela cair. Eu só entrei no carro, liguei e pisei no acelerador, sabia que os amigões dela iam vir buscar ela e iam encarar comigo. Não tinha medo deles, posso brigar contra os 5 gorilas deles, mas não ia sair sem levar uns tapas e não queria que a Carly nem o Spencer perguntassem no dia seguinte. Deixei o carro da minha mãe onde tinha achado e fui correndo pra casa da Carls.
—Tô com fome, vou terminar o bolo—Falei entrando no apartamento.
—Quem é você?! Tô com uma arma e não tenho medo de usar!—Gritou alguém no escuro.
—Sou eu, Spencer—Falei acendendo a luz—Ia se proteger com um aspirador? Foi isso que usou da última vez que entrei aqui, não tem nada melhor não?
—Esse não é o mesmo aspirador, é o novo aspirador XY300 que aspira tudo e…
—Vou comer.
/CARLY
—Por que tanto barulho?—Falei sonolenta.
Acordei ouvindo algo quebrar com estardalhaço na sala. Me sentei na cama e vi que tava sozinha, então achei que era a Sam que tinha feito aquele barulho. Desci as escadas até a sala iluminada pelas lâmpadas.
—Sam?
—Não fui eu—Falou se afastando da porcelana quebrada no chão—O prato caiu sozinho.
—Não importa, Sam. Só não faz mais barulho, quero dormir. Por que você também não dorme?
—Não tô com sono, mas E daí?"
Joga o prato no lixo e sobe pro meu quarto. Quando deitamos, abracei a Sam como se fosse um ursinho e senti cheiro de cigarro na roupa dela. Soltei ela e ia dar uma bronca, mas ela me parou.
—Não me dá bronca, já sou quase de maior, igual a você, e posso fumar.
—Ainda faltam 2 anos pra você fazer 18, Sam. Você pode ficar doente.
—E daí?
—Pode morrer de câncer no pulmão ou algo assim. Ia me fazer sofrer muito se morresse por causa de cigarro ou droga…
—Eu não me drogo. Quem te disse isso? Foi aquele idiota do Freddie? — Ela quase gritou enquanto se sentava na cama.
—Foi só um exemplo, Sam. Não me diga que você realmente se droga — falei, segurando as mãos dela.
—Não, Carly. Só queria um motivo pra dar uma surra no Freddie — garantiu Sam, pouco convincente.
—Me promete que não vai mais fumar nem se drogar. Não quero que você fique doente ou que te levem pra reformatório por te pegarem usando drogas.
—Carly, é difícil parar com isso — ela declarou.
—Eu vou te ajudar. Por favor, me promete.
—Tá bom, Carly. Prometo não fumar… nem me drogar — acrescentou Sam ao ver minha cara. —Vamos dormir, não quero mais falar disso, tira meu apetite.
—Não acredito que a gente tá falando disso enquanto você só pensa em comida.
Continua...
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