Siete por siete (148): El favor (Durante)




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Compêndio IDesculpa pela demora pra escrever. Fui escrevendo um pouquinho cada dia e assim consegui aproveitar mais a minha esposa, minhas pequenas e a Lizzie.

Desse jeito não me canso tanto, porque no trabalho a Hannah e eu aproveitamos cada noite que sobra, e ainda mais agora que querem trocar minha caminhonete e eu me opus com toda a força.

Enquanto voávamos, pedi desculpas pra Marisol. Achei que ela tinha criado expectativas de comemorar o Dia dos Namorados (e o aniversário da Hannah) em Perth, e agora esse imprevisto nos obrigava a mudar os planos.

Mas minha esposa não pareceu se importar em viajar mais 4 horas.

“No fim, a gente vai passar junto mesmo, e faz tempo que não vejo sua amiga.” Ela respondeu com aquele tom meloso de sempre.

As pequenas se comportaram durante a viagem. Nossa gordinha arrancou um sorriso da comissária que trouxe a comida, que se apaixonou pelos olhinhos verdes dela e pelo jeito carinhoso dela.

Admito que me preocupo com a sociabilidade exagerada dela, porque diferente da irmã, ela não discrimina estranhos, então tento cuidar dela o máximo possível.

Mas quase chegando no destino, tive que levar ela correndo pro banheiro pra trocar a fralda. A comissária que tinha nos atendido, uma mulher magra, uns 27 anos, pele branca, olhos azuis e cabelo ruivo, me deu um daqueles olhares “de simpatia” que já me acostumei no meu trabalho de pai e que minha esposa adora.

Ela até se ofereceu pra me ajudar a trocar a fralda, mas já tenho bastante experiência nessa área.

“É bom ver pais tão dedicados aos filhos!” ela comentou, assim que saí do lavabo, com um certo flerte. “Adoraria que meu marido fosse assim!”

Não quis perguntar se ela era casada ou não (não tinha aliança…), mas já tava na cara que ela ia me dar o número de telefone.

Marisol e minha garota continuavam dormindo profundamente no assento da janela, e a comissária me escoltou com um sorrisinho largo de volta pro meu lugar.

“Qualquer coisa que precisar, é só me avisar.” Vou ficar sozinha no meu posto de guarda." Ela apontou, sorrindo, assim que voltei ao meu assento.
Mas quando saímos, até a Marisol percebeu que o "Obrigada por voar!" que a comissária me deu na entrada era mais animado que o resto.
Fizemos check-in num hotel não muito luxuoso, largamos parte da bagagem e nos estiramos na cama, exaustos.
Lá pelas 8 da noite, horário local (7 pra gente, segundo o celular da Marisol com o horário de Adelaide), resolvemos sair pra dar uma volta e deixar as pequenas se refrescarem.
À noite, aproveitei pra ligar pra nossa casa e avisar a Lizzie sobre a mudança de planos.
Não esperava que ela atendesse, já que era sábado à noite e ela tava sozinha, mas depois de três toques, ouvi a voz doce dela.
Perguntei se tinha planos de sair, insistindo pela enésima vez pra ela conhecer outro cara, na véspera do Dia dos Namorados.
"Por que eu precisaria de um namorado, se já tenho você?" ela perguntou, toda safada.
Não consegui responder, e ela avisou que ia dormir na nossa cama pra não se sentir tão sozinha.
Finalmente, lá pelas 10, liguei pra Sonia pra avisar que tínhamos chegado na cidade. Mais uma vez, ela se desculpou pelo transtorno e se ofereceu pra reembolsar a passagem e a estadia.
"Ei, por você eu faço qualquer coisa!" respondi animado, fazendo ela se atrapalhar nas palavras.
Ela avisou que passaria no nosso hotel às 11 da manhã, e assim fez.
Me deixou de boca aberta: um carro alemão, cinza, conversível e muito luxuoso nos esperava, e de dentro, minha antiga colega de trabalho me acenava.
Senti um aperto no peito por vê-la, com minha esposa do lado: ela usava um vestido rosado, inteiro, com uma fileira interminável de botões descendo do ombro esquerdo até um pouco acima da cintura, e a saia ficava uns dois dedos acima dos joelhos.
Ela tinha cortado o cabelo e feito permanente, mas o rosto continuava o mesmo. A mesma de antes, com lábios vermelhos chamativos e um olhar soberbo, que transmitia uma aura dominante.
Abraçou Marisol com carinho e, quando me cumprimentou, me deu um beijo longo na bochecha. Minhas narinas se encheram de várias essências, mas meu corpo começou a reagir ao reconhecer o leve aroma do corpo dela.
E, finalmente, se agachou para cumprimentar as pequenas, que Marisol apresentava alegremente.
A saia dela, como era de se esperar, subiu mais, expondo aquela coxa tonificada perfeita e aquela bunda redonda que parecia muito mais firme da última vez que vi.
E é que, se Marisol tem aquele charme de uma menina inocente, que não tem consciência do quão sensual é o corpo dela, Sonia é o completo oposto.
É meio difícil de explicar, mas, apesar de Marisol ser mais voluptuosa que Sonia, a confiança que ela demonstra a faz parecer uma tigresa na cama.
Por isso, quis sentar atrás, com as pequenas, e deixar minha esposa ir no banco do carona.
Mas Marisol insistiu que eu sentasse com minha antiga amiga, que ria discretamente do meu medo.
Enquanto viajávamos, não conseguia controlar meus olhos, que olhavam como ela levantava a saia ao passar as marchas e lembrava da maciez da pele de Sonia, quando a gente transava no carro, então tentei olhar pela janela a maior parte do caminho.
"Me desculpa, Marisol, por estragar seu Dia dos Namorados!"
"Ah, fica tranquila!" respondeu meu rouxinol. "Ele estava preocupado com você e você é uma amiga muito boa, então não esquenta."
Ela me olhou preocupada, como se eu tivesse colocado ela numa enrascada. Aproveitando o sinal vermelho, peguei a mão direita dela e a acalmei.
"E qual é o seu favor?" perguntei, apontando que o sinal tinha mudado.
"Ahh! Isso!" respondeu, voltando à realidade. "Não quero te contar agora."
"Por quê?"
"Olha... é uma decisão administrativa." Explicou, com um tom que não ouvia há mais de 3 anos. "Não quero te dar detalhes, pra você não pular pra conclusões cedo.”
Foi como se nunca tivéssemos nos separado do escritório. A Sônia sabia que eu me obcecava fácil quando um problema aparecia, então tentava me acalmar, assim como eu sabia da memória fotográfica dela na hora de ler.
Chegamos num complexo de prédios e foi lá que a Sônia me deu a má notícia: pra nos realocarmos em Melbourne, teríamos que mudar pra um apartamento, porque o valor residencial é tão alto que comprar uma casa é praticamente inviável.
Pegamos o elevador até o 3º andar e, mais uma vez, a Sônia brincava com as minhas pequenas. Eu não conseguia controlar meus olhos, que lambiam o contorno do corpo dela, enquanto a Marisol me olhava de canto, muito divertida.
O apartamento de solteira delas é enorme, com mármore e piso de carpete branco, e uma janela de vidros polarizados que mantém tudo iluminado a maior parte do dia.
Mas se a Sônia já tinha levantado meu astral, a Elena tava de dar água na boca.
Dessa vez, ela tinha pintado o cabelo de loiro dourado e curto, com cachos que davam um ar de esposa americana dos anos 50; uns bermudões curtos e apertados, que marcavam umas coxas tão carnudas quanto as da Marisol, e um top esportivo de lycra que parecia armazenar melões de verdade, prestes a estourar.
Ela cumprimentou a Marisol com carinho, mas o beijo que me deu foi mais distante e rápido que o da Sônia.
Nos ofereceram uma bandeja com petiscos e começamos a conversar, enquanto as pequenas andavam de um lado pro outro, sorrindo safadinhas pras “tias” que davam pedacinhos de queijo pra elas.
Duvido que a Sônia e a Elena sejam realmente lésbicas. Mas a Elena ama profundamente a Sônia e, embora também sinta algo por mim, dava pra perceber que minha presença incomodava ela, já que a Sônia parecia não dar muita atenção a ela.
Notei que algo estranho rolava entre a Sônia e a Elena. De vez em quando, a Elena olhava muito séria pra minha companheira e ela tentava desviar, fugindo do olhar.
Mas assim que terminamos os sanduíches e elas recolhiam as bandejas, pra nos servir sorvete, Marisol e eu preparávamos as mamadeiras pras pequenas tirarem a soneca, vi como Elena cutucava Sonia uma vez e outra, dando coragem pra ela fazer alguma coisa.
Não comentei nada e depois que entregaram os potes de sobremesa e elas sentaram de novo, Sonia tomou a palavra.
“Gurizada… tem uma coisa que quero dizer pra vocês…” falou Sonia, com dificuldade.
Olhou pra Elena, que balançou a cabeça de leve, pedindo pra ela continuar, e o olhar da minha antiga amiga se fixou de novo nos meus olhos.
“Marco… você me conhece. Quando a gente trabalhava junto, eu contava tudo sobre mim pra você… e agora… quero pedir um favor.”
Marisol ficou intrigada, a ponto de largar o sorvete na mesa.
“Fala logo!” insistiu Marisol, bem preocupada.
Sonia olhou de novo pra Elena, que parecia estar forçando ela a falar.
“Tá bom!” disse pra gente, desviando o olhar de Elena e pegando as mãos do meu rouxinol. “Olha, Mari!... eu sei que a gente nunca foi muito próxima… mas sei que como mulher, você vai me entender… o que acontece, Marisol… é que vou fazer 34 anos… e o que eu queria te pedir, por favor, era…”
“Sim?” perguntou Marisol, vendo que minha colega se embolava nas palavras.
Elena insistia balançando a cabeça, pra ela ter coragem.
“Queria te pedir… se você me emprestava seu marido uma noite… pra ele me deixar grávida.”
Isso nos deixou sem palavras e eu fiquei petrificado.
O choque da minha esposa, no entanto, durou pouco.
“Claro!” respondeu Marisol com um tom animado e dando um abraço bem apertado nela. “Quando você quer? Quer ele hoje à noite?”
“Não… olha…” Ela conseguiu responder, aliviada que minha esposa não tinha ficado brava.
E aí, ela me viu.
Senti que minhas forças acabavam. Mesmo que minha esposa estivesse mais do que disposta, eu precisava saber os motivos.
Elena me olhou irritada.
“Quê? Vai me dizer que não quer?”
Mas Sonia pediu calma. Até Marisol tinha ficado brava comigo.
“Me desculpa Por ser tão repentino!" Exclamou Sônia, preocupada com minha atitude. "Mas já está passando da hora."
Sônia sempre foi muito organizada. Depois de sair da faculdade, planejava trabalhar e viajar até os 30 anos, pra curtir a vida. Depois, entraria num plano de campanha pra casar e, aos 35, queria ter um filho.
Quando perguntei por que ela tinha traçado um plano desses, ela me explicou que, diferente dos homens, as mulheres podem ter filhos com segurança até os 40 anos e que, se ela embarcasse num relacionamento, levaria 2 ou 3 anos pra conhecer de verdade o parceiro.
"Mas... e a inseminação artificial? E você e a Elena?" perguntei, vendo que a Elena aceitava, mas ao mesmo tempo ficava incomodada com o favor que estavam me pedindo.
Sônia parecia mais desanimada.
"A gente pensou... mas é muito caro." Depois, pegou a mão da Elena. "Pedi permissão pra ela e a Elena também quer. É que eu quero ser mãe também, Marco! (começou a chorar tristemente) A Mari me conta das suas pequenas e eu quero sentir vida crescendo dentro de mim, Marco, entende?"
"Mas eu, Sônia?" perguntei, bem complicado.
"Eu sei e sinto muito! Mas não vamos pedir pensão, se você não quiser... muito menos que você reconheça, se não desejar. Mas te peço esse favor... (rios de lágrimas escorriam dos olhos dela) como amiga, Marco, como sua amiga mais próxima. Você pode me ajudar?"
Não conseguia resistir. A Sônia já tinha me ajudado muitas vezes.
E depois de um breve silêncio, enquanto todas elas me olhavam, a única coisa que consegui dizer foi...
"Me deixa pensar?
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2 comentários - Siete por siete (148): El favor (Durante)

Wow que favor! Me dejo sin palabras igual que a ti!
¡Gracias y también te pido disculpas por atrasarme tanto! No quería dejarlo en 2 partes, habiéndolo dejado "en suspenso" 2 veces ya, por lo que me alargué un poco más. Saludos y que estés bien.