Fazia tempo que eu frequentava a mesma padaria. Um dos meus prazeres estranhos era ir comprar pão. Sempre gostei de entrar em padarias e ver a variedade de formas, cores, aromas, texturas, sabores, cheiros, etc. Além disso, as padarias me passam a sensação estranha de serem lugares à parte do mundo; a gente entra e é como entrar numa câmara protegida do resto do mundo. São lugares geralmente calmos e tranquilos. Sei lá, é a minha impressão.
Na padaria que eu frequentava com mais frequência, uma garota nova começou a trabalhar. Uma moça jovem, eu diria que uns 23 anos. Magra, com aproximadamente 1,62 m de altura. Cintura marcada, quase sempre usava blusas justas que realçavam a barriga, que parecia lisa. Tinha uns peitos, digamos, pequenos e uma bunda também pequena. Mas a garota, pra mim, era bonita. Tinha um "não sei o quê", sabe, todo mundo já passou por isso.
Depois de alguns dias sendo atendido por ela, comecei a notar que ela era safada comigo. Me olhava enquanto eu escolhia meus pães. Me olhava do jeito que gosto de ser olhado. Disfarçadamente, com delicadeza, mas sempre atenta, com um olhar que sai do profissional e fica evidente, mas não é totalmente escancarado. Às vezes eu "pegava" ela me olhando, e ela desviava o olhar ou fingia que estava trabalhando e só. Por que quando a gente pega alguém nos olhando, a pessoa não desvia o olhar antes? Por que sempre tem pelo menos um segundo em que o olhar fica preso, travado, e depois ela desvia rápido pra fingir que foi um deslize? Sei lá, sempre tive curiosidade sobre isso, mas eu gosto. Gosto quando não dá pra disfarçar o interesse. Logo descobri que, além do olhar, ela tinha outras formas de não conseguir disfarçar o interesse.
Além dessa história dos olhares, notei que ela me paquerava porque era toda dengosa comigo. Era óbvio que queria ser legal por algo mais do que só por ser legal.
Mas tinha algo nela que me atraía demais. A voz dela. Sim. A voz dela!. Eu nunca fui muito ligado nessas coisas, mas ela tinha uma voz muito gostosa, muito tranquila, calma, e quando falava comigo, sentia como se tivesse sussurrando coisinhas doces no meu ouvido, mas era perfeitamente audível. Tinha um timbre muito especial, até hoje, quase dois anos depois, posso dizer que nunca encontrei outra voz igual à dela e que com certeza a voz dela está entre as mais lindas que já ouvi na vida. Insisto, me passava uma certa calma, tranquilidade e confiança. Às vezes ela puxava papo além do puramente profissional, mas não tanto a ponto de ser óbvio que ia além.
Não sei se com isso vocês conseguem ter uma ideia de como ela era e por que não demorou pra me parecer especial. É que cada coisa nela colocava ela nessa linha tênue estranha, "entre o além, mas nem tanto". Depois de um tempo, entendi que não ia além porque esperava que eu desse um passo, que eu mostrasse interesse, que eu a empurrasse um pouco. Isso me falava de uma mulher que talvez tivesse sofrido em questões de amor e que, mesmo não estando fechada pro amor e pra relacionamentos, também não se entregava se não tivesse certeza. Apostava no seguro.
Um belo dia, consegui enxergar além.
Era um daqueles dias que - quase - o dia inteiro se vive sob a ameaça de uma possível tempestade. Nublado, vento leve, calor no ar e o povo todo apressado no que eu chamo de "síndrome das formigas". À tarde, aquela sensação de chuva iminente aumentou, se espalhou e ficou cada vez mais óbvia. Daquelas vezes que você sabe que mais cedo ou mais tarde vai chover.
Quando eu fazia minha caminhada vespertina, já pronto pra ir pra casa, mas não sem antes dar minha passadinha na padaria; começou a chuviscar, e cada vez mais denso e mais fechado. Caminhei, comecei a trotar, por fim corri, e mal cheguei na porta da padaria, abri e entrei.
Pra minha surpresa, a padaria estava vazia. E olhando em retrospecto, entendo, porque a tarde inteira com ameaça de chuva, as ruas estavam mais vazias mesmo, e a padaria não escapou disso. Esse feitiço.
— Oi — ela me disse ao me ver entrar.
— Boa tarde, oi — respondi, ofegante pela corrida que fui obrigado a dar.
— Finalmente tá chovendo, né? — falou enquanto tirava a jaqueta e colocava no encosto da cadeira atrás do balcão e do caixa. O balcão era mais um refrigerador onde ficavam os bolinhos e algumas guloseimas de sobremesa.
— É, finalmente.
— Tava precisando mesmo, aqui tava um calor... que Deus! — disse ela, e quando mencionou isso, percebi que era verdade, sentia um calor danado na padaria. Mais do que o normal.
— Parece mais um calor de que Deus! — imitando a entonação dela — do Diabo!. Ao falar isso, nos olhamos — algo se conectou — e rimos.
Peguei a bandeja para pegar o pão e as pinças. Comecei a andar pelo lugar, a dar uma volta entre as prateleiras, olhando e imaginando os sabores. Lá fora começou a chover torrencialmente. Pelo pequeno espaço entre a porta e o chão, a água começou a entrar. Então a moça colocou um pano de chão para não escorrer tanto pra dentro.
Quando selecionei as três peças de pão, fui até ela para pagar, como de costume. Ela, de pé atrás do balcão, começou a colocar os pães no balcão. Caí na real de que ela estava linda:
Com a blusa branca de alças, com um decote que deixava ver levemente como os peitos se chocavam com a pressão natural dos braços em movimento, a calça de lycra preta que numa perna tinha uma mancha branca, que com certeza era resto de algum pão que tinha esfregado sem querer, mas aquela mancha fazia as pernas dela parecerem mais definidas, era como se a mancha quebrasse a monotonia do preto. E foi quando levantei o olhar que percebi que ela não estava usando sutiã, porque os bicos estavam bem durinhos. Dava pra ver a forma pontuda se desenhando através da blusa, pareciam bem tesos. Apetitosas, essa é outra daquelas coisas que fazem uma mulher não conseguir fingir interesse. Fiquei hipnotizado com aquela imagem. Era um erotismo surreal.
De repente, senti que ela sorriu e desviei rapidamente o olhar para ela — ela tinha me pego no flagra. Não soube bem o que fazer e só sorri feito um idiota. Ela me olhava e se mexeu levemente numa reboladinha natural, inocente, mas extremamente sensual. Os peitinhos dela balançaram de leve — sem parecer que foi de propósito — e eu não consegui me segurar; por instinto, meus olhos caíram de novo nos biquinhos dela. Foi tudo tão rápido, mas ao mesmo tempo tão lento.
— São vinte e dois pesos — ela disse, quebrando de novo o silêncio constrangedor que tinha se formado entre a gente. Mas a voz dela foi como o arpejo perfeito de uma harfa num concerto celestial.
Comecei a procurar as moedas no bolso, não conseguia achar. Então notei, por cima do balcão, que ela se esticou para me ver, ou pelo menos foi o que senti. Virei para olhar ela, e ela mordia levemente o lábio inferior com os dentes, sem segurar um sorriso safado e sensual. No olhar dela, sei lá, tinha um brilho. Algo diferente. De repente, senti algo se mexer no meu peito e descer até o estômago; os pelinhos dos meus ovos se arrepiaram e comecei a ficar de pau duro. Encontrei as moedas e entreguei na mão dela. Senti, num roçar, a maciez das mãos dela. Me arrepiei por dentro.
Ela procurava o troco com toda naturalidade, e eu não conseguia desviar o olhar dos olhos dela. Ela me parecia linda demais. Enquanto estava debruçada sobre o caixa, me lançou um olhar e sorriu. Agora eu disfarcei e desviei o olhar depois daquele segundo traidor.
— Mmm, não tenho troco certo, moço — ela disse.
— É, sem problema... assim tá bom — falei, pegando a sacola de pão.
— Vai sair nessa chuvarada?
— É, então...
— Se quiser esperar, não tem problema — ela falou, e enquanto dizia isso, puxava a calça pra cima segurando o elástico da parte traseira com as duas mãos, jogando os peitos pra frente, deixando completamente à mostra a dureza dos bicos.
- Ah sim, sim...
- Mas apesar desse calor do CARALHO! como você me disse. Mas a gente aguenta, né? - ela me disse sorrindo, levantando as sobrancelhas e arregalando os olhos enquanto mordia o lábio inferior de novo. Eu só pensei "Que sorte!" e não conseguia tirar os olhos dela, do corpo dela. Logo ia começar a rolar uma cena sensual na minha mente...
A gente se olhou em silêncio uns três segundos, lá fora chovia, dentro também... ou sei lá que porra tava rolando. Senti que a gente se aproximava, um do outro. Mais do que fisicamente, foi como se as almas se aproximassem, não sei o que ela via em mim nem o que eu via nela.
- Você gosta? - ela me disse num sussurro com aquela voz delicada. De repente não entendi do que ela tava falando, ela me tirou do devaneio com a pergunta, mas depois percebi que ela tava falando dos peitos dela, porque ela me pegou olhando pra eles direto.
- Ah... bem.
- Você gosta? - ela disse jogando os peitos pra fora, marcando os bicos.
- Ah sim... com certeza. Falei. Não sabia o que mais dizer.
- Mas apesar do calor... eles tão assim - ela disse enquanto olhava pros próprios bicos com um sorriso safado.
- Pois que sorte - eu falei. Já tava de pau duro só de estar assim com ela.
Ela tocou de leve e com muita suavidade o bico esquerdo com um dedo, apertando como se quisesse afundar.
- Não gosto que eles fiquem assim - disse - por isso uso o casaco, mas com esse calor...
- Mas tá de boa, não tem problema.
- Não gosto... não gosto que qualquer um veja eles assim, é desconfortável.
- Mmm então sei lá - eu falei desviando o olhar - desculpa se te deixei desconfortável... falei corando e me preparando pra sair correndo dessa situação tão constrangedora.
- Mas a boa notícia é que agora só tem eu e você. Sozinhos. Ela disse enquanto pegava o peito direito e acariciava devagar.
- Ah... mas, você não Desconfortável.
.
Não.
Ela tocou o outro mamilo igual fez antes, me olhando de um jeito brincalhão.
— Quer tocar? — disse ela, me convidando com toda a expressão dela; toca. Eu aproximei minha mão timidamente por cima do balcão. Ela riu. — Tonto, assim não; vem pra cá atrás.
Eu deixei meu pão no balcão e fui até ela. Ela colocou as duas mãos na cintura, tirou os peitos pra fora e mordeu o lábio, e me disse num sussurro aveludado: toca eles, acaricia...
Eu coloquei suavemente meu dedo indicador no mamilo direito, depois com a palma da outra mão acariciei devagar o outro seio. Eram firmes, pequenos mas firmes, dava pra sentir a dureza total dos mamilos, parecia que iam estourar. Ela abaixou a alça direita e, pra minha surpresa, tirou o peito pra fora. Me deixou olhar o mamilo e o seio inteiro, lindamente. Quando vi eles assim, passei a língua nos lábios e mordisquei o lábio enquanto me aproximava devagar e peguei com os dedos indicador e polegar aquele mamilo e apertei de leve, e depois girei como se fosse o botão de um rádio. Olhei nos olhos dela, ela me encarava intensamente e sorria, dava pra ver que tava gostando. Aproximei minha boca do mamilo e toquei com a língua; ela só suspirou, puxando o ar — sshhh — eu virei pra olhar ela e tinha uma expressão de prazer no rosto todo. Lambi o mamilo de baixo pra cima com a língua inteira, deixando ele molhado, dava pra sentir a dureza do mamilo e um gosto salgado — de suor e calor — além de um leve gostinho do tecido da blusa. Olhei pra ela extasiado.
Alguém empurrou a porta da rua, mas travou no esfregão que tava atrapalhando. Ela se jogou pra trás rapidamente, enquanto enfiava o peito de volta e subia a alça, tudo numa sequência de movimentos rápidos. Eu fiz o mesmo e saí do balcão também rápido, mas na surdina.
Era o patrão dela com uma bandeja de pão. Lá fora, a tempestade tinha diminuído, dando lugar a uma garoa, e a gente nem tinha percebido; estávamos tão imersos na nossa própria tempestade que não notamos.
— Tava esperando Na caminhonete, mas não conseguia descer... até que ela tirou a roupa.
Eu não disse nada, só me despedi dela educadamente. Ela, que tinha o patrão quase do lado mas não nos via, me deu uma piscada e mandou um beijo.
Uns dias depois, ela saiu da padaria e nunca mais a vi. Desde então, não parei de ir lá na esperança de vê-la de novo... embora a cada dia que passa sinto que ela se afasta mais e mais, tanto que já até duvido que isso tenha realmente acontecido.
J.R. 2016
Na padaria que eu frequentava com mais frequência, uma garota nova começou a trabalhar. Uma moça jovem, eu diria que uns 23 anos. Magra, com aproximadamente 1,62 m de altura. Cintura marcada, quase sempre usava blusas justas que realçavam a barriga, que parecia lisa. Tinha uns peitos, digamos, pequenos e uma bunda também pequena. Mas a garota, pra mim, era bonita. Tinha um "não sei o quê", sabe, todo mundo já passou por isso.
Depois de alguns dias sendo atendido por ela, comecei a notar que ela era safada comigo. Me olhava enquanto eu escolhia meus pães. Me olhava do jeito que gosto de ser olhado. Disfarçadamente, com delicadeza, mas sempre atenta, com um olhar que sai do profissional e fica evidente, mas não é totalmente escancarado. Às vezes eu "pegava" ela me olhando, e ela desviava o olhar ou fingia que estava trabalhando e só. Por que quando a gente pega alguém nos olhando, a pessoa não desvia o olhar antes? Por que sempre tem pelo menos um segundo em que o olhar fica preso, travado, e depois ela desvia rápido pra fingir que foi um deslize? Sei lá, sempre tive curiosidade sobre isso, mas eu gosto. Gosto quando não dá pra disfarçar o interesse. Logo descobri que, além do olhar, ela tinha outras formas de não conseguir disfarçar o interesse.
Além dessa história dos olhares, notei que ela me paquerava porque era toda dengosa comigo. Era óbvio que queria ser legal por algo mais do que só por ser legal.
Mas tinha algo nela que me atraía demais. A voz dela. Sim. A voz dela!. Eu nunca fui muito ligado nessas coisas, mas ela tinha uma voz muito gostosa, muito tranquila, calma, e quando falava comigo, sentia como se tivesse sussurrando coisinhas doces no meu ouvido, mas era perfeitamente audível. Tinha um timbre muito especial, até hoje, quase dois anos depois, posso dizer que nunca encontrei outra voz igual à dela e que com certeza a voz dela está entre as mais lindas que já ouvi na vida. Insisto, me passava uma certa calma, tranquilidade e confiança. Às vezes ela puxava papo além do puramente profissional, mas não tanto a ponto de ser óbvio que ia além.
Não sei se com isso vocês conseguem ter uma ideia de como ela era e por que não demorou pra me parecer especial. É que cada coisa nela colocava ela nessa linha tênue estranha, "entre o além, mas nem tanto". Depois de um tempo, entendi que não ia além porque esperava que eu desse um passo, que eu mostrasse interesse, que eu a empurrasse um pouco. Isso me falava de uma mulher que talvez tivesse sofrido em questões de amor e que, mesmo não estando fechada pro amor e pra relacionamentos, também não se entregava se não tivesse certeza. Apostava no seguro.
Um belo dia, consegui enxergar além.
Era um daqueles dias que - quase - o dia inteiro se vive sob a ameaça de uma possível tempestade. Nublado, vento leve, calor no ar e o povo todo apressado no que eu chamo de "síndrome das formigas". À tarde, aquela sensação de chuva iminente aumentou, se espalhou e ficou cada vez mais óbvia. Daquelas vezes que você sabe que mais cedo ou mais tarde vai chover.
Quando eu fazia minha caminhada vespertina, já pronto pra ir pra casa, mas não sem antes dar minha passadinha na padaria; começou a chuviscar, e cada vez mais denso e mais fechado. Caminhei, comecei a trotar, por fim corri, e mal cheguei na porta da padaria, abri e entrei.
Pra minha surpresa, a padaria estava vazia. E olhando em retrospecto, entendo, porque a tarde inteira com ameaça de chuva, as ruas estavam mais vazias mesmo, e a padaria não escapou disso. Esse feitiço.
— Oi — ela me disse ao me ver entrar.
— Boa tarde, oi — respondi, ofegante pela corrida que fui obrigado a dar.
— Finalmente tá chovendo, né? — falou enquanto tirava a jaqueta e colocava no encosto da cadeira atrás do balcão e do caixa. O balcão era mais um refrigerador onde ficavam os bolinhos e algumas guloseimas de sobremesa.
— É, finalmente.
— Tava precisando mesmo, aqui tava um calor... que Deus! — disse ela, e quando mencionou isso, percebi que era verdade, sentia um calor danado na padaria. Mais do que o normal.
— Parece mais um calor de que Deus! — imitando a entonação dela — do Diabo!. Ao falar isso, nos olhamos — algo se conectou — e rimos.
Peguei a bandeja para pegar o pão e as pinças. Comecei a andar pelo lugar, a dar uma volta entre as prateleiras, olhando e imaginando os sabores. Lá fora começou a chover torrencialmente. Pelo pequeno espaço entre a porta e o chão, a água começou a entrar. Então a moça colocou um pano de chão para não escorrer tanto pra dentro.
Quando selecionei as três peças de pão, fui até ela para pagar, como de costume. Ela, de pé atrás do balcão, começou a colocar os pães no balcão. Caí na real de que ela estava linda:
Com a blusa branca de alças, com um decote que deixava ver levemente como os peitos se chocavam com a pressão natural dos braços em movimento, a calça de lycra preta que numa perna tinha uma mancha branca, que com certeza era resto de algum pão que tinha esfregado sem querer, mas aquela mancha fazia as pernas dela parecerem mais definidas, era como se a mancha quebrasse a monotonia do preto. E foi quando levantei o olhar que percebi que ela não estava usando sutiã, porque os bicos estavam bem durinhos. Dava pra ver a forma pontuda se desenhando através da blusa, pareciam bem tesos. Apetitosas, essa é outra daquelas coisas que fazem uma mulher não conseguir fingir interesse. Fiquei hipnotizado com aquela imagem. Era um erotismo surreal.
De repente, senti que ela sorriu e desviei rapidamente o olhar para ela — ela tinha me pego no flagra. Não soube bem o que fazer e só sorri feito um idiota. Ela me olhava e se mexeu levemente numa reboladinha natural, inocente, mas extremamente sensual. Os peitinhos dela balançaram de leve — sem parecer que foi de propósito — e eu não consegui me segurar; por instinto, meus olhos caíram de novo nos biquinhos dela. Foi tudo tão rápido, mas ao mesmo tempo tão lento.
— São vinte e dois pesos — ela disse, quebrando de novo o silêncio constrangedor que tinha se formado entre a gente. Mas a voz dela foi como o arpejo perfeito de uma harfa num concerto celestial.
Comecei a procurar as moedas no bolso, não conseguia achar. Então notei, por cima do balcão, que ela se esticou para me ver, ou pelo menos foi o que senti. Virei para olhar ela, e ela mordia levemente o lábio inferior com os dentes, sem segurar um sorriso safado e sensual. No olhar dela, sei lá, tinha um brilho. Algo diferente. De repente, senti algo se mexer no meu peito e descer até o estômago; os pelinhos dos meus ovos se arrepiaram e comecei a ficar de pau duro. Encontrei as moedas e entreguei na mão dela. Senti, num roçar, a maciez das mãos dela. Me arrepiei por dentro.
Ela procurava o troco com toda naturalidade, e eu não conseguia desviar o olhar dos olhos dela. Ela me parecia linda demais. Enquanto estava debruçada sobre o caixa, me lançou um olhar e sorriu. Agora eu disfarcei e desviei o olhar depois daquele segundo traidor.
— Mmm, não tenho troco certo, moço — ela disse.
— É, sem problema... assim tá bom — falei, pegando a sacola de pão.
— Vai sair nessa chuvarada?
— É, então...
— Se quiser esperar, não tem problema — ela falou, e enquanto dizia isso, puxava a calça pra cima segurando o elástico da parte traseira com as duas mãos, jogando os peitos pra frente, deixando completamente à mostra a dureza dos bicos.
- Ah sim, sim...
- Mas apesar desse calor do CARALHO! como você me disse. Mas a gente aguenta, né? - ela me disse sorrindo, levantando as sobrancelhas e arregalando os olhos enquanto mordia o lábio inferior de novo. Eu só pensei "Que sorte!" e não conseguia tirar os olhos dela, do corpo dela. Logo ia começar a rolar uma cena sensual na minha mente...
A gente se olhou em silêncio uns três segundos, lá fora chovia, dentro também... ou sei lá que porra tava rolando. Senti que a gente se aproximava, um do outro. Mais do que fisicamente, foi como se as almas se aproximassem, não sei o que ela via em mim nem o que eu via nela.
- Você gosta? - ela me disse num sussurro com aquela voz delicada. De repente não entendi do que ela tava falando, ela me tirou do devaneio com a pergunta, mas depois percebi que ela tava falando dos peitos dela, porque ela me pegou olhando pra eles direto.
- Ah... bem.
- Você gosta? - ela disse jogando os peitos pra fora, marcando os bicos.
- Ah sim... com certeza. Falei. Não sabia o que mais dizer.
- Mas apesar do calor... eles tão assim - ela disse enquanto olhava pros próprios bicos com um sorriso safado.
- Pois que sorte - eu falei. Já tava de pau duro só de estar assim com ela.
Ela tocou de leve e com muita suavidade o bico esquerdo com um dedo, apertando como se quisesse afundar.
- Não gosto que eles fiquem assim - disse - por isso uso o casaco, mas com esse calor...
- Mas tá de boa, não tem problema.
- Não gosto... não gosto que qualquer um veja eles assim, é desconfortável.
- Mmm então sei lá - eu falei desviando o olhar - desculpa se te deixei desconfortável... falei corando e me preparando pra sair correndo dessa situação tão constrangedora.
- Mas a boa notícia é que agora só tem eu e você. Sozinhos. Ela disse enquanto pegava o peito direito e acariciava devagar.
- Ah... mas, você não Desconfortável.
.
Não.
Ela tocou o outro mamilo igual fez antes, me olhando de um jeito brincalhão.
— Quer tocar? — disse ela, me convidando com toda a expressão dela; toca. Eu aproximei minha mão timidamente por cima do balcão. Ela riu. — Tonto, assim não; vem pra cá atrás.
Eu deixei meu pão no balcão e fui até ela. Ela colocou as duas mãos na cintura, tirou os peitos pra fora e mordeu o lábio, e me disse num sussurro aveludado: toca eles, acaricia...
Eu coloquei suavemente meu dedo indicador no mamilo direito, depois com a palma da outra mão acariciei devagar o outro seio. Eram firmes, pequenos mas firmes, dava pra sentir a dureza total dos mamilos, parecia que iam estourar. Ela abaixou a alça direita e, pra minha surpresa, tirou o peito pra fora. Me deixou olhar o mamilo e o seio inteiro, lindamente. Quando vi eles assim, passei a língua nos lábios e mordisquei o lábio enquanto me aproximava devagar e peguei com os dedos indicador e polegar aquele mamilo e apertei de leve, e depois girei como se fosse o botão de um rádio. Olhei nos olhos dela, ela me encarava intensamente e sorria, dava pra ver que tava gostando. Aproximei minha boca do mamilo e toquei com a língua; ela só suspirou, puxando o ar — sshhh — eu virei pra olhar ela e tinha uma expressão de prazer no rosto todo. Lambi o mamilo de baixo pra cima com a língua inteira, deixando ele molhado, dava pra sentir a dureza do mamilo e um gosto salgado — de suor e calor — além de um leve gostinho do tecido da blusa. Olhei pra ela extasiado.
Alguém empurrou a porta da rua, mas travou no esfregão que tava atrapalhando. Ela se jogou pra trás rapidamente, enquanto enfiava o peito de volta e subia a alça, tudo numa sequência de movimentos rápidos. Eu fiz o mesmo e saí do balcão também rápido, mas na surdina.
Era o patrão dela com uma bandeja de pão. Lá fora, a tempestade tinha diminuído, dando lugar a uma garoa, e a gente nem tinha percebido; estávamos tão imersos na nossa própria tempestade que não notamos.
— Tava esperando Na caminhonete, mas não conseguia descer... até que ela tirou a roupa.
Eu não disse nada, só me despedi dela educadamente. Ela, que tinha o patrão quase do lado mas não nos via, me deu uma piscada e mandou um beijo.
Uns dias depois, ela saiu da padaria e nunca mais a vi. Desde então, não parei de ir lá na esperança de vê-la de novo... embora a cada dia que passa sinto que ela se afasta mais e mais, tanto que já até duvido que isso tenha realmente acontecido.
J.R. 2016
4 comentários - Pezão e buceta
Saludos
Como siempre tus relatos son muy buenos llenos de erotismo y sensualidad.
Saludos