Esta história é fictícia, e nunca aconteceu.
Março de 2000. Alejandro Rebecchi é um cara bem nerd. Sim, nerd. Nerd de livros. Terminou o quinto ano com uma média de 9,33 e o início do CBC estava a poucos passos de chegar. Era o último mês de férias, incomum, já que ele estava acostumado a começar as aulas em março, mas tinha que se adaptar ao novo, que para ele era a melhor coisa que ia acontecer na vida. Todo dia ele desejava que fosse abril para devorar dezenas, centenas, o que fosse de livros. Amava o conhecimento, o pensamento, a ciência, a matemática, o saber o fazia feliz. Uma tarde, perto do outono, ele saiu de casa de bicicleta para dar uma volta pelo bairro. A mãe sempre avisava para ele tomar muito cuidado se fosse para o lado da Arias, olhar para os dois lados porque o trem podia esmagá-lo, mas que podia atravessar a linha. Ela falava isso porque ele morava em Castelar Norte e às vezes, para se exibir, ia pela Rivadavia, que é uma bagunça. Cada dia era a mesma coisa: ele combatia o tédio assim, indo de um lado para o outro, acelerando a velocidade quando não via ninguém, especialmente nas áreas desertas de população. Faltando duas quadras para voltar, depois de ficar um par de horas fora, uma senhora pede para ele parar. É uma mulher mais velha, com um casaco branco cobrindo um avental. Carrega sacolas nas duas mãos e parece que não dá conta de tudo. Ele a acompanha com a bicicleta e, claro, leva duas sacolas nas mãos. Chegam a uma casa lindíssima na rua Sarmiento. A senhora se chama Edelma Guerra e é uma empregada doméstica do lugar. Ela agradece ao garoto por ser educado com ela e o convida para entrar e tomar um copo d'água. Ele aceita e eles entram. O luxo da casa o deixou perplexo, mas ele não pôde observar tudo, já que é só um visitante. Antes de ir embora, Edelma pergunta se ele não gostaria de fazer tarefas de jardinagem, que não seria de graça. O pagamento por cada dia seria de $20 (20 dólares daquela época). umas 200 ou 300 pila de hoje). Quando ouviu o valor, falou “sim” sem nenhuma objeção, sem nem consultar os pais. O primeiro dia vai ser no sábado daquela semana. Sábado, dia 11, meio-dia. Depois de almoçar, Alejandro vai até o casarão e toca a campainha. Já sabiam que ele ia ajudar. Ele desce da bicicleta e vai até o fundo. Lá encontra Edelma, que estava estendendo a roupa. Cumprimenta ela educadamente, e ela entrega uma lista das tarefas que ele vai ter que fazer daí em diante. A lista incluía transplantar umas plantas que não tinham sido colocadas nos lugares certos, podar a grama, limpar a piscina (gigante) e cortar um pouco de mato, porque num dia só não ia dar tempo. Umas 7 da noite ele já tinha terminado quase tudo. Ia deixar o resto pra quarta-feira que vem. Tava meio confuso com o horário. Ainda não tinha se acostumado que tinha 60 minutos a menos por causa do horário de inverno, e isso fez ele dormir mal nos primeiros dois dias depois da mudança. Edelma viu ele cansado e ofereceu uma bebida gelada. Mandou ele entrar, que precisava falar de uma coisa importante com ele. Edelma: — Olha, querido, hoje vai ter uma noite super importante aqui. Alejandro: — Noite de quê? Edelma: — Hoje a gente vai comemorar o aniversário da nossa patroa. Não vou te falar quantos anos. Nem tenta calcular ou perguntar. (ameaça ele com o punho, estilo Os Simpsons) Alejandro: — Não faço essas coisas, Edelma. Fica tranquila. Sou educado. (fala assustado) Edelma: — Me desculpa, querido. É que aqui são muito rígidos com os modos… (fala isso porque tem medo dos patrões) Bom… Hoje à noite é o aniversário da patroa, e vai ter comida, e um baita forrobodó. (relaxada) Alejandro: — E vai vir muita gente? Edelma: — Umas 50 pessoas, parentes, próximos, só. Eu e Hugo vamos ficar pra atender os convidados, e olha, isso não me agrada nem um pouco, cara. Preferia estar de bobeira, coçando o saco. Mãos na minha casa, mas tenho que trampar. É assim.
Você tem sorte de fazer esses bicos.
Alejandro: — Acho… Mas meus pais me bancam. A gente não tem grana, se vira como dá.
Edelma: — Nem me fala… Por isso, há 10 anos aceitei esse trampo. Como agradecimento por nos ajudar hoje, queríamos saber se você não pode vir hoje à noite depois da meia-noite dar um oi pra ela. Afinal, é ela quem te paga.
Alejandro: — Bom, tá bem… (sem vontade)
Edelma: — Sei que não quer, mas são cinco minutos. Você vem, come alguma coisa, troca umas palavras com ela e vai embora. Vou falar pro Hugo passar te buscar na caminhonete. Fechou?
Alejandro: — OK, falo pros meus pais que vou dormir na casa de um amigo, o que é verdade, e pronto. Então, a gente se vê.
Edelma: — Sim, claro. Até mais.
Ela acompanha ele até a porta. Fecha o portão depois de se despedir e ver que ele já tá a 100 metros dali. Às 10 da noite, ele vai pra casa do Fermín ver um filme do Schwarzenegger (de comédia, não o Exterminador) na TV. Quando faltava pouco pra acabar, eles estavam brigando pela pipoca, e ouviram buzinaços lá fora. Era o tal do Hugo, o motorista da "senhora" e mordomo amigo da Edelma. Um cara gente boa pra caralho, simpático, mas que tinha que se fazer de playboy quando tava trampando. Começam a conversar sem se conhecer, mas a boa vibe do homem fez o Alejandro ganhar mais confiança.
Hugo: — E aí? Tem namorada? (quebra o gelo)
Alejandro: — Não.
Hugo: — Mas deve ter tido.
Alejandro: — Não.
Hugo: — Tá me zoando? (não tá tirando)
Alejandro: — Tô falando sério. (responde, e aí um breve silêncio)
Hugo: — A Edelma te convenceu a vir, e isso é importante. Queremos dar um presente pra patroazinha e gostaríamos que você ajudasse.
Alejandro: — Por que eu? Nem sei quem é…
Hugo: — Você vai conhecer. Falamos pra você vir porque agora é tipo um funcionário novo.
Alejandro: — Tá bem. Desço ou não? (quando já (chegam à mansão)
Hugo: — Desce só quando a gente entrar. Aqui é perigoso a essa hora.
Hugo abre o portão e o adolescente fica dentro do veículo. Não tava com tanto medo. Vê gente saindo de dentro, andando. Eram os convidados da festa indo embora. O homem acena pra eles e espera até todo mundo sair pra fechar. Já tava puto de ter que esperar. Finalmente sobe e deixa a caminhonete no fundo. Leva o moleque pra dentro pra encontrar com a Edelma.
Edelma: — Você veio! Que bom… Bom, Hugo, tá na hora.
Hugo: — Hora de quê?
Edelma: — De contar a verdade, seu bobo… (ri, mas tenta disfarçar)
Hugo: — Ah, sim, a verdade. Hehehehe… (distraído)
Edelma: — Ale… (silêncio, enquanto os dois olham pra ele) O presente que a gente vai dar pra patroa… é você.
Alejandro: — Como assim sou eu? Tão me zoando? Não sou mercadoria, sou uma pessoa com sentimentos. (fala desesperado)
Edelma: — Me escuta. Se a gente não der pra dona o que ela pediu, ela manda a gente embora. E não esquece que a gente já tá velho pra arrumar trampo. Ainda mais nessa crise.
Alejandro: — Tá bom, então… (decepcionado) O que eu tenho que fazer?
Hugo: — Vem comigo que eu te explico.
O motorista e o garoto vão em silêncio até um banheiro luxuoso, majestoso de tanto luxo, mas que pra origem de classe média dele era desnecessário.
Alejandro: — O que eu tenho que fazer?
Hugo: — Primeiro, cê tem que tomar banho. Aqui. Cê toma banho, passa desodorante e perfume.
Alejandro: — É só isso?
Hugo: — Não é só isso. Cê não pode se vestir. Tem que ficar pelado.
Alejandro: — Por quê?
Hugo: — Ordem da patroa. Além disso, se ela descobrir que foi você quem fez a jardinagem hoje, te manda embora sem pagar, e manda eu e a Edelma também.
Ah, quase esqueci. Quando cê tiver pronto, eu trago a caixa pra você entrar. Cê vai ficar lá 10 minutos, e tem buracos pra você respirar.
Alejandro: — E o que ela vai fazer comigo?
Hugo: — Cê sabe o que ela vai fazer, só te peço que… aproveite, porque vai ser uma vez só.
Alejandro: — Tá bom. (triste, mas pelo que precisa fazer)
Hugo: — Vou buscar a caixa. Te espero aqui, pra te ajudar. Fechou?
Alejandro: — Fechou. (continua triste)
Hugo vai e volta em 10 minutos, e pega o Alejandro se penteando e se perfumando, peladão. Nenhum dos dois se incomoda porque são homens, e mesmo sem se conhecerem, não vão ver nada que já não tenham visto. Quando termina, ele olha o tamanho da caixa e se coloca dentro como mandaram: de bruços. Enquanto a Edelma distrai a mulher, o Hugo leva a caixa até o quarto, que nesse lugar também era enorme e excêntrico, cheio de espelhos no teto e um espelhão na frente da cama. Ele não podia falar a não ser que a mulher autorizasse, o senhor deixou bem claro. Pediu pra ele respirar normal, que a Edelma já ia chamar ele.
Ele não parava de imaginar pra quem seria entregue como pacote. Bem quando continuava sonhando acordado, ouve a voz da Edelma. Tenta enxergar pelos buracos da caixa. Consegue ver as pernas das duas, e sente que tão se aproximando da caixa. Do susto, fica imóvel, no personagem que tinha que interpretar.
Edelma: — Bom, senhora, aqui está seu presente de aniversário.
Lucía: — Muito obrigada, mas, cê sabe o que é?
Edelma: — Sei, sim. Mas a senhora é quem deve abrir. Por isso vou deixar a senhora sozinha.
Lucía: — Tá bom. Pode ir indo. Até amanhã. (fala sem maltratar ela)
A senhora, que na verdade chamavam assim por respeito, é bem novinha. E não tava de casal, nem casada. A Lucía herdou a propriedade dos pais, que têm um negócio de lanchas no Tigre, e ela tava ajudando eles. Tinham feito muita grana. Agora, na frente do presente, ela faz que tá surpresa. Já tinha uma ideia do que iam dar pra ela.
Ela vai até uma parte da caixa e levanta. Depois levanta a outra até abrir tudo. Olha pro moleque, pelado, que não se mexia, e reparou que tinha um papel colado na bunda dele. O papel, bem curtinho, dizia: “Senhora Lucía,” Feliz aniversário. Espero poder ser o presente que você goste, um adolescente puro e virgem, interessado em conhecer as maravilhas do sexo. Atenciosamente, Alejandro Rebecchi”. O texto foi escrito por Hugo, na pressa, e o cara nem tinha percebido que tinha aquilo colado. Quando ouviu, lido pela que agora será sua dona, prometeu se vingar do funcionário. Acariciou ele com as duas mãos e deu uns tapas. Ele continuava imóvel, mas não aguentava o prazer de ser domesticado. Também não podia mexer os olhos ou piscar, a menos que fosse autorizado. Ela continuava acariciando ele como se fosse um cachorrinho, mas ainda não fez o pior. Isso era se colocar na frente dele, porque até agora tinha ficado atrás. Ela se desloca, passo a passo, rodeando ele pela esquerda e chega até a cabeça dele. Se abaixa e posiciona as pupilas verdes a centímetros dos olhos castanhos dele, bem assustados.
Lucia: – Você é meu presente? (ele acena que sim) Tenho que agradecer àqueles dois por me darem o que eu queria. Encontraram um voluntário que se ofereceu. Você parece ser bom. Tem todos os requisitos que costumo pedir, então… vamos ver o que acontece. (bem sensual)
Alejandro está mais relaxado agora, mas ela sai por um momento. Ele a viu e se apaixonou pela beleza que essa jovem tinha. Ao voltar, coloca uma coleira de cachorro no pescoço dele e o leva de quatro até a cama, que está a poucos passos. Ele deve olhar para baixo até que seja pedido o contrário. Ela, que estava com um vestido preto, abaixa ele até a metade, expondo um sutiã de renda quase transparente que insinuava os peitos naturais e durinhos dela. Puxa a coleira para que ele possa se erguer e olhar para ela de novo. Ela o observa com tesão, esperando que ele cumpra as funções que foram dadas a ele. Beija ele com muito desejo, e ele, sem experiência nenhuma, faz o que pode. Ela já suspeitava depois de ler o bilhete que estava na bunda dele.
Ela autoriza ele a responder perguntas.
Lucia: – Você gosta de mim?
Alejandro: – Sim.
Lucia: – Sim, o quê?
Alejandro: — Sim, senhora.
Lucía: — Muito?
Alejandro: — Sim. A senhora é muito gostosa.
Lucía: — Muito obrigada. (com gentileza) Como você acha que fico mais atraente? Assim ou pelada? (tentando seduzi-lo)
Alejandro: — A senhora é linda demais… E a roupa cai superbem.
Lucía: — Quantos elogios! Você é muito respeitoso, gatinho.
Alejandro: — Só tô falando a verdade.
Lucía: — Então você é puro e virgem, como diz esse papelzinho? (ele acena que sim) Tem certeza de que quer se despedir disso? Olha que não tem volta. Depois disso, você nunca mais volta atrás. Tô te falando porque é o que acontece com todo mundo. (avisa, acariciando o rosto dele)
Alejandro: — Tô decidido. (diz com os olhos brilhando, mas sem chorar)
Lucía: — Tá bom.
Ela puxa a coleira de novo e aproxima ele dos lábios dela, mas nega o beijo ao puxá-lo e virá-lo de barriga pra cima na cama. Bem desesperada, sobe em cima dele e consegue beijá-lo. Ele sentia a maciez das pernas longuíssimas dela, aquelas pernas que mostravam uma feminilidade incrível, como se não fossem desse mundo. E quando tocava o cabelo dela, mais atraído por ela se sentia. Alejandro teve que aprender a usar a boca, que, pelas expressões que Lucía fazia quando ele passava a língua pelo torso dela — o que autorizou ele a levantar a camisola —, não tava fazendo errado. Ela foi guiando ele, pressionando a cabeça dele pra continuar usando a boca carnuda e a língua em cada centímetro da beleza dela. Conseguiu ensinar muito bem ele a excitar ela, a arrancar suspiros, gemidos, a gerar desejo, a fazer com que ela quisesse mais daquelas lambidas, lentas ou rápidas, que aos poucos a levavam a não conseguir ficar satisfeita. Isso é muitas vezes o auge do prazer: sempre queremos mais, mas não dá pra aguentar tudo. Também pediu pra ele ir até o lugar de onde vem a vida, onde encontrou uma porrada de fluidos frescos, que vinham de tudo aquilo que ele tinha provocado com gestos carinhosos. A primeira lição já tava aprovada, mas ela entendia que ele não chegaria a ter força suficiente pra penetrar ela e aguentar 10 minutos. Ele propôs o seguinte: iam deitar (ela por cima dele) e fazer igual no começo, se tocar, se beijar, se sentir, mas com a diferença de que a mobilidade dos dois ia ser reduzida na hora de transar. Ele tava nervoso, e ela disse que ele tava em boas mãos, que não se preocupasse com a camisinha. Ela ajudou ele a colocar, verificaram se não tinha furado e se posicionaram do jeito que combinaram. Agora os dois, ligados por aquela parte inchada, estavam sentindo a mesma coisa. Cada vez mais, mas não era só pela penetração em si, porque isso não faz sentido se não vier acompanhada de um pouco de afeto. O afeto que rola numa relação sexual mostra que a gente tá expressando nossa humanidade. Esse afeto que parecia começar a brotar entre eles, já que não se conheciam, podia atravessar barreiras ou ficar por ali mesmo.
Infelizmente, não dava pra fazer muito. Naquela noite, dividiram a mesma cama, com ele abraçando ela, sem querer soltar. De manhã, só prometeram mais encontros, mas nada além, obviamente, depois que ele cumprisse as tarefas de manutenção dele. Depois que ele terminou, três meses depois, nunca mais se viram, mas ainda ficaram gravadas no cérebro deles as sensações que curtiram.
Colo aqui uma música da época, pra vocês rirem um pouco:https://www.youtube.com/watch?v=vhOIjqOWXa8
Março de 2000. Alejandro Rebecchi é um cara bem nerd. Sim, nerd. Nerd de livros. Terminou o quinto ano com uma média de 9,33 e o início do CBC estava a poucos passos de chegar. Era o último mês de férias, incomum, já que ele estava acostumado a começar as aulas em março, mas tinha que se adaptar ao novo, que para ele era a melhor coisa que ia acontecer na vida. Todo dia ele desejava que fosse abril para devorar dezenas, centenas, o que fosse de livros. Amava o conhecimento, o pensamento, a ciência, a matemática, o saber o fazia feliz. Uma tarde, perto do outono, ele saiu de casa de bicicleta para dar uma volta pelo bairro. A mãe sempre avisava para ele tomar muito cuidado se fosse para o lado da Arias, olhar para os dois lados porque o trem podia esmagá-lo, mas que podia atravessar a linha. Ela falava isso porque ele morava em Castelar Norte e às vezes, para se exibir, ia pela Rivadavia, que é uma bagunça. Cada dia era a mesma coisa: ele combatia o tédio assim, indo de um lado para o outro, acelerando a velocidade quando não via ninguém, especialmente nas áreas desertas de população. Faltando duas quadras para voltar, depois de ficar um par de horas fora, uma senhora pede para ele parar. É uma mulher mais velha, com um casaco branco cobrindo um avental. Carrega sacolas nas duas mãos e parece que não dá conta de tudo. Ele a acompanha com a bicicleta e, claro, leva duas sacolas nas mãos. Chegam a uma casa lindíssima na rua Sarmiento. A senhora se chama Edelma Guerra e é uma empregada doméstica do lugar. Ela agradece ao garoto por ser educado com ela e o convida para entrar e tomar um copo d'água. Ele aceita e eles entram. O luxo da casa o deixou perplexo, mas ele não pôde observar tudo, já que é só um visitante. Antes de ir embora, Edelma pergunta se ele não gostaria de fazer tarefas de jardinagem, que não seria de graça. O pagamento por cada dia seria de $20 (20 dólares daquela época). umas 200 ou 300 pila de hoje). Quando ouviu o valor, falou “sim” sem nenhuma objeção, sem nem consultar os pais. O primeiro dia vai ser no sábado daquela semana. Sábado, dia 11, meio-dia. Depois de almoçar, Alejandro vai até o casarão e toca a campainha. Já sabiam que ele ia ajudar. Ele desce da bicicleta e vai até o fundo. Lá encontra Edelma, que estava estendendo a roupa. Cumprimenta ela educadamente, e ela entrega uma lista das tarefas que ele vai ter que fazer daí em diante. A lista incluía transplantar umas plantas que não tinham sido colocadas nos lugares certos, podar a grama, limpar a piscina (gigante) e cortar um pouco de mato, porque num dia só não ia dar tempo. Umas 7 da noite ele já tinha terminado quase tudo. Ia deixar o resto pra quarta-feira que vem. Tava meio confuso com o horário. Ainda não tinha se acostumado que tinha 60 minutos a menos por causa do horário de inverno, e isso fez ele dormir mal nos primeiros dois dias depois da mudança. Edelma viu ele cansado e ofereceu uma bebida gelada. Mandou ele entrar, que precisava falar de uma coisa importante com ele. Edelma: — Olha, querido, hoje vai ter uma noite super importante aqui. Alejandro: — Noite de quê? Edelma: — Hoje a gente vai comemorar o aniversário da nossa patroa. Não vou te falar quantos anos. Nem tenta calcular ou perguntar. (ameaça ele com o punho, estilo Os Simpsons) Alejandro: — Não faço essas coisas, Edelma. Fica tranquila. Sou educado. (fala assustado) Edelma: — Me desculpa, querido. É que aqui são muito rígidos com os modos… (fala isso porque tem medo dos patrões) Bom… Hoje à noite é o aniversário da patroa, e vai ter comida, e um baita forrobodó. (relaxada) Alejandro: — E vai vir muita gente? Edelma: — Umas 50 pessoas, parentes, próximos, só. Eu e Hugo vamos ficar pra atender os convidados, e olha, isso não me agrada nem um pouco, cara. Preferia estar de bobeira, coçando o saco. Mãos na minha casa, mas tenho que trampar. É assim.
Você tem sorte de fazer esses bicos.
Alejandro: — Acho… Mas meus pais me bancam. A gente não tem grana, se vira como dá.
Edelma: — Nem me fala… Por isso, há 10 anos aceitei esse trampo. Como agradecimento por nos ajudar hoje, queríamos saber se você não pode vir hoje à noite depois da meia-noite dar um oi pra ela. Afinal, é ela quem te paga.
Alejandro: — Bom, tá bem… (sem vontade)
Edelma: — Sei que não quer, mas são cinco minutos. Você vem, come alguma coisa, troca umas palavras com ela e vai embora. Vou falar pro Hugo passar te buscar na caminhonete. Fechou?
Alejandro: — OK, falo pros meus pais que vou dormir na casa de um amigo, o que é verdade, e pronto. Então, a gente se vê.
Edelma: — Sim, claro. Até mais.
Ela acompanha ele até a porta. Fecha o portão depois de se despedir e ver que ele já tá a 100 metros dali. Às 10 da noite, ele vai pra casa do Fermín ver um filme do Schwarzenegger (de comédia, não o Exterminador) na TV. Quando faltava pouco pra acabar, eles estavam brigando pela pipoca, e ouviram buzinaços lá fora. Era o tal do Hugo, o motorista da "senhora" e mordomo amigo da Edelma. Um cara gente boa pra caralho, simpático, mas que tinha que se fazer de playboy quando tava trampando. Começam a conversar sem se conhecer, mas a boa vibe do homem fez o Alejandro ganhar mais confiança.
Hugo: — E aí? Tem namorada? (quebra o gelo)
Alejandro: — Não.
Hugo: — Mas deve ter tido.
Alejandro: — Não.
Hugo: — Tá me zoando? (não tá tirando)
Alejandro: — Tô falando sério. (responde, e aí um breve silêncio)
Hugo: — A Edelma te convenceu a vir, e isso é importante. Queremos dar um presente pra patroazinha e gostaríamos que você ajudasse.
Alejandro: — Por que eu? Nem sei quem é…
Hugo: — Você vai conhecer. Falamos pra você vir porque agora é tipo um funcionário novo.
Alejandro: — Tá bem. Desço ou não? (quando já (chegam à mansão)
Hugo: — Desce só quando a gente entrar. Aqui é perigoso a essa hora.
Hugo abre o portão e o adolescente fica dentro do veículo. Não tava com tanto medo. Vê gente saindo de dentro, andando. Eram os convidados da festa indo embora. O homem acena pra eles e espera até todo mundo sair pra fechar. Já tava puto de ter que esperar. Finalmente sobe e deixa a caminhonete no fundo. Leva o moleque pra dentro pra encontrar com a Edelma.
Edelma: — Você veio! Que bom… Bom, Hugo, tá na hora.
Hugo: — Hora de quê?
Edelma: — De contar a verdade, seu bobo… (ri, mas tenta disfarçar)
Hugo: — Ah, sim, a verdade. Hehehehe… (distraído)
Edelma: — Ale… (silêncio, enquanto os dois olham pra ele) O presente que a gente vai dar pra patroa… é você.
Alejandro: — Como assim sou eu? Tão me zoando? Não sou mercadoria, sou uma pessoa com sentimentos. (fala desesperado)
Edelma: — Me escuta. Se a gente não der pra dona o que ela pediu, ela manda a gente embora. E não esquece que a gente já tá velho pra arrumar trampo. Ainda mais nessa crise.
Alejandro: — Tá bom, então… (decepcionado) O que eu tenho que fazer?
Hugo: — Vem comigo que eu te explico.
O motorista e o garoto vão em silêncio até um banheiro luxuoso, majestoso de tanto luxo, mas que pra origem de classe média dele era desnecessário.
Alejandro: — O que eu tenho que fazer?
Hugo: — Primeiro, cê tem que tomar banho. Aqui. Cê toma banho, passa desodorante e perfume.
Alejandro: — É só isso?
Hugo: — Não é só isso. Cê não pode se vestir. Tem que ficar pelado.
Alejandro: — Por quê?
Hugo: — Ordem da patroa. Além disso, se ela descobrir que foi você quem fez a jardinagem hoje, te manda embora sem pagar, e manda eu e a Edelma também.
Ah, quase esqueci. Quando cê tiver pronto, eu trago a caixa pra você entrar. Cê vai ficar lá 10 minutos, e tem buracos pra você respirar.
Alejandro: — E o que ela vai fazer comigo?
Hugo: — Cê sabe o que ela vai fazer, só te peço que… aproveite, porque vai ser uma vez só.
Alejandro: — Tá bom. (triste, mas pelo que precisa fazer)
Hugo: — Vou buscar a caixa. Te espero aqui, pra te ajudar. Fechou?
Alejandro: — Fechou. (continua triste)
Hugo vai e volta em 10 minutos, e pega o Alejandro se penteando e se perfumando, peladão. Nenhum dos dois se incomoda porque são homens, e mesmo sem se conhecerem, não vão ver nada que já não tenham visto. Quando termina, ele olha o tamanho da caixa e se coloca dentro como mandaram: de bruços. Enquanto a Edelma distrai a mulher, o Hugo leva a caixa até o quarto, que nesse lugar também era enorme e excêntrico, cheio de espelhos no teto e um espelhão na frente da cama. Ele não podia falar a não ser que a mulher autorizasse, o senhor deixou bem claro. Pediu pra ele respirar normal, que a Edelma já ia chamar ele.
Ele não parava de imaginar pra quem seria entregue como pacote. Bem quando continuava sonhando acordado, ouve a voz da Edelma. Tenta enxergar pelos buracos da caixa. Consegue ver as pernas das duas, e sente que tão se aproximando da caixa. Do susto, fica imóvel, no personagem que tinha que interpretar.
Edelma: — Bom, senhora, aqui está seu presente de aniversário.
Lucía: — Muito obrigada, mas, cê sabe o que é?
Edelma: — Sei, sim. Mas a senhora é quem deve abrir. Por isso vou deixar a senhora sozinha.
Lucía: — Tá bom. Pode ir indo. Até amanhã. (fala sem maltratar ela)
A senhora, que na verdade chamavam assim por respeito, é bem novinha. E não tava de casal, nem casada. A Lucía herdou a propriedade dos pais, que têm um negócio de lanchas no Tigre, e ela tava ajudando eles. Tinham feito muita grana. Agora, na frente do presente, ela faz que tá surpresa. Já tinha uma ideia do que iam dar pra ela.
Ela vai até uma parte da caixa e levanta. Depois levanta a outra até abrir tudo. Olha pro moleque, pelado, que não se mexia, e reparou que tinha um papel colado na bunda dele. O papel, bem curtinho, dizia: “Senhora Lucía,” Feliz aniversário. Espero poder ser o presente que você goste, um adolescente puro e virgem, interessado em conhecer as maravilhas do sexo. Atenciosamente, Alejandro Rebecchi”. O texto foi escrito por Hugo, na pressa, e o cara nem tinha percebido que tinha aquilo colado. Quando ouviu, lido pela que agora será sua dona, prometeu se vingar do funcionário. Acariciou ele com as duas mãos e deu uns tapas. Ele continuava imóvel, mas não aguentava o prazer de ser domesticado. Também não podia mexer os olhos ou piscar, a menos que fosse autorizado. Ela continuava acariciando ele como se fosse um cachorrinho, mas ainda não fez o pior. Isso era se colocar na frente dele, porque até agora tinha ficado atrás. Ela se desloca, passo a passo, rodeando ele pela esquerda e chega até a cabeça dele. Se abaixa e posiciona as pupilas verdes a centímetros dos olhos castanhos dele, bem assustados.
Lucia: – Você é meu presente? (ele acena que sim) Tenho que agradecer àqueles dois por me darem o que eu queria. Encontraram um voluntário que se ofereceu. Você parece ser bom. Tem todos os requisitos que costumo pedir, então… vamos ver o que acontece. (bem sensual)
Alejandro está mais relaxado agora, mas ela sai por um momento. Ele a viu e se apaixonou pela beleza que essa jovem tinha. Ao voltar, coloca uma coleira de cachorro no pescoço dele e o leva de quatro até a cama, que está a poucos passos. Ele deve olhar para baixo até que seja pedido o contrário. Ela, que estava com um vestido preto, abaixa ele até a metade, expondo um sutiã de renda quase transparente que insinuava os peitos naturais e durinhos dela. Puxa a coleira para que ele possa se erguer e olhar para ela de novo. Ela o observa com tesão, esperando que ele cumpra as funções que foram dadas a ele. Beija ele com muito desejo, e ele, sem experiência nenhuma, faz o que pode. Ela já suspeitava depois de ler o bilhete que estava na bunda dele.
Ela autoriza ele a responder perguntas.
Lucia: – Você gosta de mim?
Alejandro: – Sim.
Lucia: – Sim, o quê?
Alejandro: — Sim, senhora.
Lucía: — Muito?
Alejandro: — Sim. A senhora é muito gostosa.
Lucía: — Muito obrigada. (com gentileza) Como você acha que fico mais atraente? Assim ou pelada? (tentando seduzi-lo)
Alejandro: — A senhora é linda demais… E a roupa cai superbem.
Lucía: — Quantos elogios! Você é muito respeitoso, gatinho.
Alejandro: — Só tô falando a verdade.
Lucía: — Então você é puro e virgem, como diz esse papelzinho? (ele acena que sim) Tem certeza de que quer se despedir disso? Olha que não tem volta. Depois disso, você nunca mais volta atrás. Tô te falando porque é o que acontece com todo mundo. (avisa, acariciando o rosto dele)
Alejandro: — Tô decidido. (diz com os olhos brilhando, mas sem chorar)
Lucía: — Tá bom.
Ela puxa a coleira de novo e aproxima ele dos lábios dela, mas nega o beijo ao puxá-lo e virá-lo de barriga pra cima na cama. Bem desesperada, sobe em cima dele e consegue beijá-lo. Ele sentia a maciez das pernas longuíssimas dela, aquelas pernas que mostravam uma feminilidade incrível, como se não fossem desse mundo. E quando tocava o cabelo dela, mais atraído por ela se sentia. Alejandro teve que aprender a usar a boca, que, pelas expressões que Lucía fazia quando ele passava a língua pelo torso dela — o que autorizou ele a levantar a camisola —, não tava fazendo errado. Ela foi guiando ele, pressionando a cabeça dele pra continuar usando a boca carnuda e a língua em cada centímetro da beleza dela. Conseguiu ensinar muito bem ele a excitar ela, a arrancar suspiros, gemidos, a gerar desejo, a fazer com que ela quisesse mais daquelas lambidas, lentas ou rápidas, que aos poucos a levavam a não conseguir ficar satisfeita. Isso é muitas vezes o auge do prazer: sempre queremos mais, mas não dá pra aguentar tudo. Também pediu pra ele ir até o lugar de onde vem a vida, onde encontrou uma porrada de fluidos frescos, que vinham de tudo aquilo que ele tinha provocado com gestos carinhosos. A primeira lição já tava aprovada, mas ela entendia que ele não chegaria a ter força suficiente pra penetrar ela e aguentar 10 minutos. Ele propôs o seguinte: iam deitar (ela por cima dele) e fazer igual no começo, se tocar, se beijar, se sentir, mas com a diferença de que a mobilidade dos dois ia ser reduzida na hora de transar. Ele tava nervoso, e ela disse que ele tava em boas mãos, que não se preocupasse com a camisinha. Ela ajudou ele a colocar, verificaram se não tinha furado e se posicionaram do jeito que combinaram. Agora os dois, ligados por aquela parte inchada, estavam sentindo a mesma coisa. Cada vez mais, mas não era só pela penetração em si, porque isso não faz sentido se não vier acompanhada de um pouco de afeto. O afeto que rola numa relação sexual mostra que a gente tá expressando nossa humanidade. Esse afeto que parecia começar a brotar entre eles, já que não se conheciam, podia atravessar barreiras ou ficar por ali mesmo.
Infelizmente, não dava pra fazer muito. Naquela noite, dividiram a mesma cama, com ele abraçando ela, sem querer soltar. De manhã, só prometeram mais encontros, mas nada além, obviamente, depois que ele cumprisse as tarefas de manutenção dele. Depois que ele terminou, três meses depois, nunca mais se viram, mas ainda ficaram gravadas no cérebro deles as sensações que curtiram.
Colo aqui uma música da época, pra vocês rirem um pouco:https://www.youtube.com/watch?v=vhOIjqOWXa8
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