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Compêndio IPor uns dias, Marisol achou que eu tinha conhecido outra mulher durante minhas corridas diárias e não estava totalmente errada.
Karen é uma mulher muito especial, em todos os sentidos genéticos da palavra.
No entanto, faltam 3 anos pra ela tirar a carteira de motorista e 4 pra beber álcool.
Mesmo assim, a pestinha dá um jeito de conseguir cerveja e cigarro.
Ela me viu no primeiro dia que saí pra correr. Como desafio pessoal, me forcei a chegar correndo até a praia das pedrinhas sem parar e consegui, mas com os pulmões queimando.
Sentei numa espécie de meia-lua, onde uns skatistas praticam ou fumam seus baseados, e lá estava ela, com uns admiradores.
O cansaço físico ativou minha visão de túnel (resumindo, só vejo o que tá na minha frente), então, além de perceber gente por perto, não reparei em detalhes sobre quem eram, mas ela me contou que estavam rindo de mim, pela minha cara patética de cansaço e porque eu tava no território dela.
E depois de uns minutos, voltei correndo.
No dia seguinte, fiz a mesma coisa.
E na quinta-feira, ela resolveu falar comigo.
“Vem me ver de novo?” perguntou naquele dia.
Mal conseguia responder e nem notei a presença dela.
Ela dá todos os sinais de ser uma garota perigosa: saia escolar curtinha, camisa desabotoada nos botões de cima e usando a gravata como lenço de escoteiro.
“Como é?” perguntei, confuso com a atitude dela.
Mas ela, com um jeito todo provocante, me deu um sorriso de rainha.
“Não precisa mentir! Pedi pros meus amigos se encontrarem mais tarde… pra gente poder conversar a sós… ou, se preferir, fazer algo mais.”
Minha gargalhada irritou ela, porque se acha uma “Femme fatale”, quando na verdade é bem magrinha pro meu gosto.
“Não, gatinha! Eu só corro…” respondi mais sério.
“Ah!” exclamou, ofendida no orgulho. “Então não devia vir aqui! Esse é meu território!” A menina mimada até que me caiu bem.
“Seu território? Por quê? Você comprou a praia?”
“Não, mas eu e meus amigos nos reunimos aqui pra relaxar e fumar.”
“E você devia estar fumando?”
“Que pergunta é essa? Todo mundo fuma!”
“Sim, mas na sua idade, atrapalha o crescimento.”
Como já me sentia recuperado, voltei a correr e deixei ela sozinha e irritada.
Na sexta, cheguei no mesmo horário e, de novo, ela estava com os amigos.
Karen é elegante e, pelo que ouvi, o colégio dela é bem caro. Mas os amigos pareciam um bando de futuros drogados.
Mantive distância do grupo, mas percebi que ela me olhava de vez em quando, bem puta.
Na semana seguinte, tive que trabalhar. Mas na que veio depois, voltei a correr.
“De novo aqui? Não entende que é meu território?” ela perguntou na terça.
“Desculpa! Mas também é minha meta.”
Ela desceu um pouco do pedestal de rainha.
“Tá bom! Podemos dividir… de qualquer jeito, você não fica a tarde toda.”
“E você fica?” perguntei, e ela deu um sorrisinho.
Ela é meio gostosinha e tá naquela fase em que o corpo começa a ficar de mulher. Os hormônios tão a mil, e qualquer companhia masculina é bem-vinda, sem importar a idade.
“E por que você não veio semana passada?” perguntou, cruzando as pernas na minha direção.
“Tava trabalhando.”
“Ah!” exclamou, surpresa.
Realmente, devo parecer mais novo.
“Trabalho numa mineradora perto de Broken Hill, em turnos de uma semana.”
“Casado?”
Mostrei o anel, mas longe de intimidar, isso a animou mais.
Parecido com o que rolou com a Liz.
“E você curte novinhas?”
“Mais ou menos. Se quiser, te mostro uma foto da minha esposa.”
E me aproximei um pouco dela. Na carteira, carrego uma foto dela e das pequenas, pros momentos de nostalgia.
Ela se decepcionou ao ver a imagem das menininhas.
“Você deve ter casado muito cedo!”
“Na verdade, essa foto é de Último verão." Eu disse, guardando-a e voltando ao meu lugar.
"Espera! Não quer sentar comigo?" ela perguntou, pegando na minha mão.
Eu ri.
"Tá maluca? Tô fedendo a suor e ainda ia me ferrar se alguém me visse com você."
Ela reconheceu que eu tinha razão e soltou minha mão.
Me lembrou a parte da raposa, em "O Pequeno Príncipe".
O principezinho não queria domesticar a raposa, porque sabia que sua viagem pela Terra era curta e seu planeta era pequeno demais pra manter uma.
O pobre menino se preocupava com sua flor, limpar seus vulcões e os baobás.
Já eu, me preocupo com a Marisol, a Lizzie e minhas pequenas.
Não preciso de uma "slutty literal".
"E seus amigos?"
"Chegam mais tarde." Respondeu, mais triste.
"Você deve ser muito popular!" Tentei animá-la.
"Sim... mas não irresistível." Exclamou, como se me culpasse pelo fracasso dela.
"Se quiser, posso te acompanhar um pouco, antes deles chegarem. Mas tenho que voltar pra casa logo, porque minha babá tem aula."
Minha ideia agradou ela e começamos a conversar.
Ela é bem promíscua. Passa boa parte do dia sozinha, já que os pais trabalham e, na maioria das vezes, ela e os amigos terminam as reuniões no quarto.
"Se quiser, pode vir também..." me convidou abertamente.
Sorri pra ela, porque apesar de ser gostosa e tentadora, já tenho duas minas pra cuidar em casa e não preciso de uma terceira.
Ela também me contou que já ficou com homens mais velhos, provavelmente os professores dela, porque disse que estava "coberta pelas faltas" deles.
No dia seguinte, cheguei de novo e ela me jogou uma lata de cerveja.
"Vamos! Bebe comigo!"
"Tá maluca? Tô malhando!"
Levantei e fui devolver pra ela.
"Não seja assim! Não me deixa bebendo sozinha!"
"Não, valeu!" Respondi firme e voltei pro meu lugar.
"Ush! Tá bom!"
Ela revirou a bolsa, tirou uma garrafa d'água e me jogou de novo.
"Seu louco esportista!" exclamou irritada.
Fui devolver de novo.
"Quê? Não tá 'batizada' não!" apontou. se referindo a que não tinha substâncias estranhas.
“Eu sei! Mas não quero ela.”
“É porque você não gosta de mim?” perguntou, levando as mãos ao rosto e fazendo um escândalo.
“Não, não é isso!” respondi, sem graça. “A cerveja é feita de cevada, um açúcar complexo que se armazena como gordura corporal, e embora a água me refresque, ela está mais gelada que meu corpo e corro o risco de ter uma cãibra por causa da contração dos vasos sanguíneos quando voltar a correr.”
Ela parou de chorar na hora.
“Bah! Que biologia mais chata!” exclamou a pequena safada, bem mais séria.
Assim os dias foram passando e fomos ganhando mais confiança. Mas ela sempre puxava o assunto sexo na conversa.
“Aposto que sei mais coisas que sua esposa na cama!” me disse outra vez.
“Duvido!”
Ela sorriu, bem confiante.
“Se você soubesse as coisas que já fiz, não diria isso!” me desafiou, com a intenção de me tentar.
“Bom, se você conhecesse minha esposa, não estaria tão confiante.”
“Vamos ver!”
E, só para agradar, começamos a comparar experiências.
Boquetes, 69, sexo ao ar livre e fantasias eram moleza pra ela.
Sexo anal, bondage, incesto e ménage com outra mulher eram uma disciplina completamente diferente do que ela estava acostumada.
Finalmente, dei o golpe de misericórdia quando me preparava pra voltar.
“E agora mesmo, ela está tentando convencer uma amiga lésbica a fazer um ménage com a gente. Te vejo amanhã!”
No entanto, Karen é uma péssima perdedora.
No dia seguinte, estava com o grupo de amigos dela e esperou até eu chegar para se despedir de mim de forma provocante, indo embora com os amigos, provavelmente pra casa dela, com um olhar desafiador e cheio de tesão.
Por isso, me aproximei dela pra dar meu telefone na próxima vez que a visse.
“Caso você precise da minha ajuda em algum problema.”
Ela parecia muito feliz e satisfeita.
“Que divertido! Isso significa que posso te mandar fotos pelada, pra você ver quando ficar de saco cheio da sua esposa?”
“Uma foto dessas que Peguei meu celular e não volto mais!" respondi enfurecido.
"Uai, que gênio! Só tava brincando!" exclamou. "Mas e se um dia eu estiver sozinha e quiser companhia? Você iria na minha casa?"
"Provavelmente não. Mas conversaria por telefone."
"Podia tomar um banho no meu chuveiro!" falou toda safada, mexendo no capuz do moletom que usava pra correr.
"Valeu! Mas prefiro tomar banho com uma mulher de verdade..." estourei a bolha dela.
Mesmo assim, apesar do jeito infantil, ela também me fez perguntas sérias sobre sexo oral e os cuidados pra não engravidar.
Expliquei sobre os "dias seguros" e deixei claro que mesmo gozando fora, ainda dá pra engravidar, então ela tinha que tomar pílula direto se não fosse usar camisinha.
O que eu admito é que as pernas dela são longas e bonitas, mas o resto ainda precisa se desenvolver bem.
Mas o maior freio que essa menina de cabelo claro me impõe são aqueles tufos rosa e roxo, idênticos (e provavelmente imitados) do desenho dos Pôneis que minhas filhas assistem.
Além de matar todo o charme pelo contraste horrível com os cachos castanhos e curtos dela e dar um aspecto triste a uma garota alegre e despreocupada, é um lembrete de que, apesar da lábia e da esperteza, não temos a mesma maturidade emocional.
E não quis tocar no assunto por dois motivos: pra não me meter em encrenca e pra não forçar ela a mudar antes da hora.
Pra fechar, ela também não gostou de saber que eu ia viajar pro exterior.
"Por que não manda sua mulher sozinha? Cê não tem que trabalhar?"
"Tenho, mas também quero dar uma descansada."
"Talvez... eu pudesse ir com você se ficasse. Podia me ensinar... e você não ficaria tão sozinho." sugeriu nervosa, enquanto eu me preparava pra voltar a correr.
"Quem sabe... mas duvido que você aguente mais de uma hora inteira na cama." respondi, amarrando meu tênis.
Os olhos arregalados dela, o rubor e a expressão bestificada foram a resposta mais clara. evidência de que eu não tinha me enganado nas minhas impressões.Post seguinte
2 comentários - Sete por Sete (114): Minha Parceira de Corrida