O despertador dele tocou às sete da manhã, arrancando-o aos empurrões do mundo onírico em que descansava placidamente.
Ele saiu da cama, tomou um banho e começou a se arrumar. Debaixo do chuveiro, lembrou pela primeira vez do que acontecera na noite anterior, naquele banheiro do pub; custou a assimilar se foi um sonho ou se aconteceu de verdade, mas a rigidez na sua virilha não se importava com essas divagações: sua ereção matinal era mais do que um simples despertar dormente como todos os dias. Começou a suspeitar que tinha sido real.
Terminou de se higienizar, saiu do banheiro e foi até o quarto do hotel para terminar de preparar suas coisas para a viagem de volta, depois do café da manhã. E foi ali que percebeu: aquele encontro sexual, casual, duro e suave, embriagador. A lembrança estava sobre a bolsa, o minúsculo fio-dental que a Sonia lhe dera como recordação daquela noite era real, tão real quanto o cheiro de mulher que ainda exalava e que despertava — mais uma vez — seus desejos mais básicos.
Ele teve que resistir ao impulso de guardá-la entre seus pertences mais preciosos. Só de tocá-la, sentiu uma descarga elétrica percorrer todo o corpo. Segurou-a nas mãos, virando-a de um lado para o outro como se quisesse encontrar alguma explicação, ou sei lá o quê. Teve que se forçar a começar a colocar aquela vivência no mundo das lembranças. Além da consciência, aquém do esquecimento. Atirou-a no lixo do quarto.
Desceu ao salão e tomou seu café matinal de sempre, acompanhado de um croissant, com a mente em branco exceto por lampejos fugazes de imagens eróticas que remetiam ao encontro da noite anterior. Os gemidos dela, o peito ofegante, os peitos roçando no seu peito enquanto ele a penetrava com paixão; o olhar dela — lascivo e satisfeito — agora ele lembrava que ela tinha gozado — enquanto ele caminhava para um novo orgasmo. E o beijo final.
“Sem perguntas, sem respostas…” eles haviam prometido. E assim foi o adeus.
Ele fez o check-out e saiu. do hotel. O carro alugado o esperava para levá-lo ao aeroporto, e de lá de volta à sua rotina. Esperavam-no seu trabalho, sua família e sua esposa, a quem imaginou nua no banheiro de sua própria casa, praticando sexo oral de joelhos diante dele enquanto segurava seu cabelo e acompanhava ritmicamente a penetração oral. De repente, seu banheiro já não era seu banheiro, mas aquele outro; e sua mulher, ao olhá-lo de seu trabalho oral, já não era sua mulher, mas voltava a ser Sonia, e novamente ele teve que se acomodar no banco do carro em resposta a uma nova ereção incipiente.
— Você vai ter que esquecê-la — disse a si mesmo. Não sabia bem por que, mas como a tênue claridade que se encontra naquele instante final em que a noite e o amanhecer se fundem numa dança efêmera, e indica o começo de um novo dia, assim sua mente repetia essa ordem.
Enquanto esperava para embarcar, pegou seu celular. Mecanicamente, como se suas mãos tivessem vida e determinação próprias, revisou a agenda e selecionou seu contato.
“Excluir S. Confirmar ou cancelar.” Seu dedo oscilou, trêmulo e indeciso, contradizendo a segurança e velocidade com que se moveram até aquele momento. Olhou para o nada e as imagens voltaram: sua nudez, seus peitos, sua bunda e sua buceta, meticulosamente depilada e indescritivelmente deliciosa ao toque de seu membro penetrando-a. Novos ânimos em sua virilha, e novas dúvidas.
Fechou os olhos e apertou a tecla. “Vejo como você vai se adentrando na névoa, e começo a esquecê-lo…”, lembrou. A passagem era de Benedetti, embora não soubesse se era textual, mas era a ideia.
***
Chegou em casa. Sua esposa o cumprimentou com a naturalidade própria de quem — embora estivesse ausente alguns dias — tem anos de convivência ao seu lado. Calorosa e carinhosa, mas de forma alguma particularmente efusiva.
Carla é uma mulher com um corpo fenomenal. Olhos verdes que apaixonam instantaneamente, como se de uma Medusa romântica se tratasse. Seus lábios carnudos eram a combinação exata para uma boca generosa e habilidosa, e uma língua que não sabia apenas pronunciar palavras. Seus seios haviam cumprido sua função materna e persistiam eroticamente, firmes apesar da amamentação e das quatro décadas que já havia completado; e seu bumbum, treinado para desafiar a lei da gravidade, mantinha-se firme e desafiador.
Mais de um garotão teria adorado ter uma história com ela. E talvez ela até fantasiasse, intimamente, com isso, mas sem dúvida aproveitava saber que sua figura despertava paixões juvenis.
Maxi a puxou novamente contra si e a beijou longamente. Abraçou-a e beijou-a como quando eram namorados. Como quando o tempo era um inimigo indesejado, que acelerava seu passo quando estavam juntos e arrastava-se lentamente quando não se viam.
— Eita, parece que alguém sentiu minha falta — disse sua esposa, alegre e surpresa.
Uma frase alheia. Maxi percebeu aquela reviravolta do destino, como um último movimento de cartas — ou pedras — desesperado para realinhar novamente os caminhos dele e de Sonia numa encruzilhada. Mas sua mente empurrou esse pensamento o mais longe que pôde.
— Mais do que isso. Eu te desejo loucamente, e te quero agora.
A urgência em sua calça era evidente, e Carla não conseguiu resistir muito mais ao sentir o vigor de seu homem contra sua virilha. Acariciou-o uma vez por cima da calça para confirmar o que seu corpo já havia notado, e a protuberância ganhou vida sob sua mão e acompanhou aquela carícia com um frenesi próprio de um desejo bestial. Seu membro estava tão duro que doía, prazerosamente.
— As crianças estão na cozinha. Vamos pro quarto. — disse ela.
— Não — disse ele. — Vamos pro banheiro, não vou aguentar até o quarto — enquanto segurava a mão de Carla em sua virilha.
— Uhhh, mas o que foi que aconteceu aqui? — disse ela olhando-o com cara de cúmplice, intimamente satisfeita por despertar tais paixões tão rápido em seu marido, depois de tanto tempo juntos.
— Eu quero te comer agora. Tô morrendo de vontade.
Entraram no banheiro que estava mais à mão na casa, o banheiro de serviço. Pequeno, como toda dependência de serviço, não permitiria muitas manobras. Mas eles nem precisavam. Assim que fecharam a porta, Maxi a beijou novamente com loucura, atacando seu corpo como se fossem dois lutadores livres.
Beijou seu pescoço desde a base até a orelha, arrancando-lhe gemidos baixos como queixos involuntários. Suas mãos eram duas desenfreadas que percorriam a geografia de seu corpo como se a estivessem tocando pela primeira vez. Seus seios, seus quadris, sua bunda e sua buceta foram apalpados como se sua vida dependesse disso. Maxi teria desejado naquele momento ter mais mãos para poder tocá-la mais.
Ele puxou de uma vez só as leggings e o fio dental que ela usava, e deslizou uma mão pela bunda –invadindo sua vagina por trás– enquanto a beijava novamente com paixão. Ela estava encharcada, e essa mensagem cifrada foi novamente interpretada por seu pau, que rugia sem som, que empinava como um corcel negro desenfreado, que latejava com fúria… que desejava penetrá-la além da doçura e do amor que sentiam: era a paixão que dominava.
Ela começou a desabotoar seu cinto e sua calça, e os baixou até onde pôde, sentindo o pau saltar livre e bater contra seu ventre. Sentiu-o quente e duro, transbordando urgência. Com uma mão começou a masturbá-lo, dos ovos até a cabeça, lenta e suavemente enquanto suas línguas não paravam de se entrelaçar em um beijo apaixonado como quando eram jovens.
Sem dizer uma palavra, Maxi levantou uma de suas pernas e a apoiou sobre a pia. Assim, aberta como um livro, Carla começou a brincar com seus lábios sabendo que isso o enlouqueceria por completo. Ela o olhava com um olhar luxurioso, desejoso, enquanto uma mão percorria e beliscava cada um de seus mamilos, alternadamente; e a outra mão realizava uma rotação rápida, firme e precisa em torno de seu clitóris, que agradecia esse trabalho com intensos impulsos de prazer. Ela não duraria muito. E ele viu que ele também não, pois da cabeça do seu membro já nascia um líquido que denotava que a erupção não poderia tardar muito mais.
Ele se firmou, e apoiou a ponta do seu pau na entrada da sua buceta. E começou a subir por dentro, penetrando-a lentamente, como um elevador que subiria andar a andar, até chegar ao final do seu percurso. Sua buceta lubrificada denunciava o grau de excitação que lhe havia produzido não só esta situação inesperada, mas também o seu próprio toque. Fez tope nela, e começou a pistonar suavemente enquanto seguia beijando-a com loucura.
- Sim, gostosa. Você tá toda quente. Que pau lindo você tem. Vai me dar o leite?
- Sim, meu amor. Tudo eu vou te dar. Tava com muita vontade de te comer. Ahh, que gostoso que é dentro de você.
- E você tem um pau lindo também.
Os diálogos acabaram uns instantes antes de que eles o fizessem também. Primeiro ela, que derramou seus sucos nele, com gemidos baixos para que seus filhos não ouvissem; e depois ele, que se retirou e derramou toda a sua ejaculação na sua barriga e nas suas pernas.
- Que surpresa gostosa! - disse ela. - Você veio com vontade depois de uma semana sem meter.
Ele não disse nada. Só a beijou, começou a se limpar e a se vestir, ainda quente e agitado por esse encontro tão rápido quanto intenso.
***
Os chats com a Sonia já não foram os mesmos. Uma pequena fissura, no começo imperceptível, começou a ganhar corpo. Sempre é difícil determinar esse ponto na distância quando a saudade começa a perder a batalha com o esquecimento. Até que perde a guerra, o esquecimento levanta a bandeira da vitória.
As mensagens também foram se espaçando, até desaparecer por completo. E chegou um ponto em que ele já não lembrava mais nada do que poderia tê-lo vinculado àquela pessoa, àquele encontro casual. E apagá-la do seu Skype foi uma consequência de ter se esvaído da sua memória.
Como em todo final, a mente sempre elabora pequenas arestas e reescreve a história. Ele a tinha desejado tanto? Sua mente não estava mais obcecada pela aventura em si do que pela pessoa com quem a viveria? Ela era tão bonita assim? Ele já não conseguia se lembrar, e o mais importante — ou triste, como quer que se veja — já não importava nem um pouco.
Ele voltou à sua rotina, até que as pedras voltassem a ranger.
E desta vez a mulher que apareceria em sua vida virtual, Maite, seria muito mais jovem que Sonia e muito mais bela. Ou pelo menos era o que ele acreditava.
“Às vezes a primeira mão não é a melhor.”
Maite era uma mulher que aparentava uns vinte e poucos anos, com um corpo realmente lindo e cativante. Praticante assídua de crossfit, a redondeza e a firmeza do seu bumbum eram uma poesia de Neruda ou de Bécker, ou de qualquer outro. Seus ombros eram perfeitamente largos, de modo que a dimensão dos seus peitos, naturais e generosos, fosse um ímã para os olhos e — se tivesse a oportunidade — para suas mãos e sua boca. Cabelo castanho longo, ondulado, juvenil. Sua barriga lisa e macia descia até uma virilha jovial, fresca, limpinha e totalmente depilada.
Maxi não sabia por que tudo nela remetia à juventude e à potência vigorosa que acompanha essa frescura. Mas sua memória sabia: as comparações são tão odiosas quanto inevitáveis, e na maioria das vezes involuntárias.
Uma foto em particular de Maite marcou o desejo de Maxi. Não mostrava nada: era ela de costas, ajoelhada numa cama, com um fio-dental posto e as costas nuas. Arqueava perfeitamente as costas, o suficiente para que sua bunda ficasse empinada de um modo inocente, mas provocante.
Sua mente apagou a última brasa que pudesse restar de Sonia, para sempre. No rádio tocava “Dust in the Wind” do Kansas. E isso eram as últimas lembranças daquela noite de loucura: pó ao vento. O destino, como diz Morpheus em “Matrix”, não está isento do senso de ironia.
Como tantas vezes, ele escreveu uma mensagem e a enviou. Como tantas vezes, não esperou resposta.
Como poucas vezes às vezes, as pedras se mexeram e uma resposta apareceu dias depois na sua caixa de entrada.
Eles trocaram algumas mensagens com o casal da Maite, que era quem administrava aquela conta. Gente boa, provavelmente passou adiante a mensagem que o Maxi deixou para ela como destinatária final.
— Algo é algo — pensou ele.
Até que um dia ela respondeu uma de suas mensagens, escrita com o coração na mão. Seu romantismo era mais forte que sua excitação. Como Florentino Ariza em "O Amor nos Tempos do Cólera", ele não conseguia evitar escrever de modo romântico. As palavras vinham assim à sua mente, e assim saíam pelas suas mãos para o teclado.
— Que palavras lindas. Você é um galã — respondeu ela.
Suas palavras alcançaram o efeito desejado. Aproximar daquela mulher linda as carícias que não podia oferecer pessoalmente. Tocar sua alma enquanto não podia tocar seu corpo. E despertar seus desejos mais ocultos, e suas fantasias mais loucas.
— Pobre e imperfeita imitação da sua beleza, que poderia fazer a gente andar sobre lava fervendo, gostosa.
Depois dessa mensagem, silêncio. Espaço e silêncio. Longa espera. Incerteza.
Até que ela decidiu enviar seu contato para que pudessem se encontrar no chat. Um encontro que prometia, pelas insinuações dela, muita temperatura.
— Dessa vez nada real — Maxi se prometeu. E repetiu, pela enésima vez:
— Algo é algo.
(Continua…)
1ª parte:http://www.poringa.net/posts/relatos/2715354/Las-piedras-del-destino.html
Ele saiu da cama, tomou um banho e começou a se arrumar. Debaixo do chuveiro, lembrou pela primeira vez do que acontecera na noite anterior, naquele banheiro do pub; custou a assimilar se foi um sonho ou se aconteceu de verdade, mas a rigidez na sua virilha não se importava com essas divagações: sua ereção matinal era mais do que um simples despertar dormente como todos os dias. Começou a suspeitar que tinha sido real.
Terminou de se higienizar, saiu do banheiro e foi até o quarto do hotel para terminar de preparar suas coisas para a viagem de volta, depois do café da manhã. E foi ali que percebeu: aquele encontro sexual, casual, duro e suave, embriagador. A lembrança estava sobre a bolsa, o minúsculo fio-dental que a Sonia lhe dera como recordação daquela noite era real, tão real quanto o cheiro de mulher que ainda exalava e que despertava — mais uma vez — seus desejos mais básicos.
Ele teve que resistir ao impulso de guardá-la entre seus pertences mais preciosos. Só de tocá-la, sentiu uma descarga elétrica percorrer todo o corpo. Segurou-a nas mãos, virando-a de um lado para o outro como se quisesse encontrar alguma explicação, ou sei lá o quê. Teve que se forçar a começar a colocar aquela vivência no mundo das lembranças. Além da consciência, aquém do esquecimento. Atirou-a no lixo do quarto.
Desceu ao salão e tomou seu café matinal de sempre, acompanhado de um croissant, com a mente em branco exceto por lampejos fugazes de imagens eróticas que remetiam ao encontro da noite anterior. Os gemidos dela, o peito ofegante, os peitos roçando no seu peito enquanto ele a penetrava com paixão; o olhar dela — lascivo e satisfeito — agora ele lembrava que ela tinha gozado — enquanto ele caminhava para um novo orgasmo. E o beijo final.
“Sem perguntas, sem respostas…” eles haviam prometido. E assim foi o adeus.
Ele fez o check-out e saiu. do hotel. O carro alugado o esperava para levá-lo ao aeroporto, e de lá de volta à sua rotina. Esperavam-no seu trabalho, sua família e sua esposa, a quem imaginou nua no banheiro de sua própria casa, praticando sexo oral de joelhos diante dele enquanto segurava seu cabelo e acompanhava ritmicamente a penetração oral. De repente, seu banheiro já não era seu banheiro, mas aquele outro; e sua mulher, ao olhá-lo de seu trabalho oral, já não era sua mulher, mas voltava a ser Sonia, e novamente ele teve que se acomodar no banco do carro em resposta a uma nova ereção incipiente.
— Você vai ter que esquecê-la — disse a si mesmo. Não sabia bem por que, mas como a tênue claridade que se encontra naquele instante final em que a noite e o amanhecer se fundem numa dança efêmera, e indica o começo de um novo dia, assim sua mente repetia essa ordem.
Enquanto esperava para embarcar, pegou seu celular. Mecanicamente, como se suas mãos tivessem vida e determinação próprias, revisou a agenda e selecionou seu contato.
“Excluir S. Confirmar ou cancelar.” Seu dedo oscilou, trêmulo e indeciso, contradizendo a segurança e velocidade com que se moveram até aquele momento. Olhou para o nada e as imagens voltaram: sua nudez, seus peitos, sua bunda e sua buceta, meticulosamente depilada e indescritivelmente deliciosa ao toque de seu membro penetrando-a. Novos ânimos em sua virilha, e novas dúvidas.
Fechou os olhos e apertou a tecla. “Vejo como você vai se adentrando na névoa, e começo a esquecê-lo…”, lembrou. A passagem era de Benedetti, embora não soubesse se era textual, mas era a ideia.
***
Chegou em casa. Sua esposa o cumprimentou com a naturalidade própria de quem — embora estivesse ausente alguns dias — tem anos de convivência ao seu lado. Calorosa e carinhosa, mas de forma alguma particularmente efusiva.
Carla é uma mulher com um corpo fenomenal. Olhos verdes que apaixonam instantaneamente, como se de uma Medusa romântica se tratasse. Seus lábios carnudos eram a combinação exata para uma boca generosa e habilidosa, e uma língua que não sabia apenas pronunciar palavras. Seus seios haviam cumprido sua função materna e persistiam eroticamente, firmes apesar da amamentação e das quatro décadas que já havia completado; e seu bumbum, treinado para desafiar a lei da gravidade, mantinha-se firme e desafiador.
Mais de um garotão teria adorado ter uma história com ela. E talvez ela até fantasiasse, intimamente, com isso, mas sem dúvida aproveitava saber que sua figura despertava paixões juvenis.
Maxi a puxou novamente contra si e a beijou longamente. Abraçou-a e beijou-a como quando eram namorados. Como quando o tempo era um inimigo indesejado, que acelerava seu passo quando estavam juntos e arrastava-se lentamente quando não se viam.
— Eita, parece que alguém sentiu minha falta — disse sua esposa, alegre e surpresa.
Uma frase alheia. Maxi percebeu aquela reviravolta do destino, como um último movimento de cartas — ou pedras — desesperado para realinhar novamente os caminhos dele e de Sonia numa encruzilhada. Mas sua mente empurrou esse pensamento o mais longe que pôde.
— Mais do que isso. Eu te desejo loucamente, e te quero agora.
A urgência em sua calça era evidente, e Carla não conseguiu resistir muito mais ao sentir o vigor de seu homem contra sua virilha. Acariciou-o uma vez por cima da calça para confirmar o que seu corpo já havia notado, e a protuberância ganhou vida sob sua mão e acompanhou aquela carícia com um frenesi próprio de um desejo bestial. Seu membro estava tão duro que doía, prazerosamente.
— As crianças estão na cozinha. Vamos pro quarto. — disse ela.
— Não — disse ele. — Vamos pro banheiro, não vou aguentar até o quarto — enquanto segurava a mão de Carla em sua virilha.
— Uhhh, mas o que foi que aconteceu aqui? — disse ela olhando-o com cara de cúmplice, intimamente satisfeita por despertar tais paixões tão rápido em seu marido, depois de tanto tempo juntos.
— Eu quero te comer agora. Tô morrendo de vontade.
Entraram no banheiro que estava mais à mão na casa, o banheiro de serviço. Pequeno, como toda dependência de serviço, não permitiria muitas manobras. Mas eles nem precisavam. Assim que fecharam a porta, Maxi a beijou novamente com loucura, atacando seu corpo como se fossem dois lutadores livres.
Beijou seu pescoço desde a base até a orelha, arrancando-lhe gemidos baixos como queixos involuntários. Suas mãos eram duas desenfreadas que percorriam a geografia de seu corpo como se a estivessem tocando pela primeira vez. Seus seios, seus quadris, sua bunda e sua buceta foram apalpados como se sua vida dependesse disso. Maxi teria desejado naquele momento ter mais mãos para poder tocá-la mais.
Ele puxou de uma vez só as leggings e o fio dental que ela usava, e deslizou uma mão pela bunda –invadindo sua vagina por trás– enquanto a beijava novamente com paixão. Ela estava encharcada, e essa mensagem cifrada foi novamente interpretada por seu pau, que rugia sem som, que empinava como um corcel negro desenfreado, que latejava com fúria… que desejava penetrá-la além da doçura e do amor que sentiam: era a paixão que dominava.
Ela começou a desabotoar seu cinto e sua calça, e os baixou até onde pôde, sentindo o pau saltar livre e bater contra seu ventre. Sentiu-o quente e duro, transbordando urgência. Com uma mão começou a masturbá-lo, dos ovos até a cabeça, lenta e suavemente enquanto suas línguas não paravam de se entrelaçar em um beijo apaixonado como quando eram jovens.
Sem dizer uma palavra, Maxi levantou uma de suas pernas e a apoiou sobre a pia. Assim, aberta como um livro, Carla começou a brincar com seus lábios sabendo que isso o enlouqueceria por completo. Ela o olhava com um olhar luxurioso, desejoso, enquanto uma mão percorria e beliscava cada um de seus mamilos, alternadamente; e a outra mão realizava uma rotação rápida, firme e precisa em torno de seu clitóris, que agradecia esse trabalho com intensos impulsos de prazer. Ela não duraria muito. E ele viu que ele também não, pois da cabeça do seu membro já nascia um líquido que denotava que a erupção não poderia tardar muito mais.
Ele se firmou, e apoiou a ponta do seu pau na entrada da sua buceta. E começou a subir por dentro, penetrando-a lentamente, como um elevador que subiria andar a andar, até chegar ao final do seu percurso. Sua buceta lubrificada denunciava o grau de excitação que lhe havia produzido não só esta situação inesperada, mas também o seu próprio toque. Fez tope nela, e começou a pistonar suavemente enquanto seguia beijando-a com loucura.
- Sim, gostosa. Você tá toda quente. Que pau lindo você tem. Vai me dar o leite?
- Sim, meu amor. Tudo eu vou te dar. Tava com muita vontade de te comer. Ahh, que gostoso que é dentro de você.
- E você tem um pau lindo também.
Os diálogos acabaram uns instantes antes de que eles o fizessem também. Primeiro ela, que derramou seus sucos nele, com gemidos baixos para que seus filhos não ouvissem; e depois ele, que se retirou e derramou toda a sua ejaculação na sua barriga e nas suas pernas.
- Que surpresa gostosa! - disse ela. - Você veio com vontade depois de uma semana sem meter.
Ele não disse nada. Só a beijou, começou a se limpar e a se vestir, ainda quente e agitado por esse encontro tão rápido quanto intenso.
***
Os chats com a Sonia já não foram os mesmos. Uma pequena fissura, no começo imperceptível, começou a ganhar corpo. Sempre é difícil determinar esse ponto na distância quando a saudade começa a perder a batalha com o esquecimento. Até que perde a guerra, o esquecimento levanta a bandeira da vitória.
As mensagens também foram se espaçando, até desaparecer por completo. E chegou um ponto em que ele já não lembrava mais nada do que poderia tê-lo vinculado àquela pessoa, àquele encontro casual. E apagá-la do seu Skype foi uma consequência de ter se esvaído da sua memória.
Como em todo final, a mente sempre elabora pequenas arestas e reescreve a história. Ele a tinha desejado tanto? Sua mente não estava mais obcecada pela aventura em si do que pela pessoa com quem a viveria? Ela era tão bonita assim? Ele já não conseguia se lembrar, e o mais importante — ou triste, como quer que se veja — já não importava nem um pouco.
Ele voltou à sua rotina, até que as pedras voltassem a ranger.
E desta vez a mulher que apareceria em sua vida virtual, Maite, seria muito mais jovem que Sonia e muito mais bela. Ou pelo menos era o que ele acreditava.
“Às vezes a primeira mão não é a melhor.”
Maite era uma mulher que aparentava uns vinte e poucos anos, com um corpo realmente lindo e cativante. Praticante assídua de crossfit, a redondeza e a firmeza do seu bumbum eram uma poesia de Neruda ou de Bécker, ou de qualquer outro. Seus ombros eram perfeitamente largos, de modo que a dimensão dos seus peitos, naturais e generosos, fosse um ímã para os olhos e — se tivesse a oportunidade — para suas mãos e sua boca. Cabelo castanho longo, ondulado, juvenil. Sua barriga lisa e macia descia até uma virilha jovial, fresca, limpinha e totalmente depilada.
Maxi não sabia por que tudo nela remetia à juventude e à potência vigorosa que acompanha essa frescura. Mas sua memória sabia: as comparações são tão odiosas quanto inevitáveis, e na maioria das vezes involuntárias.
Uma foto em particular de Maite marcou o desejo de Maxi. Não mostrava nada: era ela de costas, ajoelhada numa cama, com um fio-dental posto e as costas nuas. Arqueava perfeitamente as costas, o suficiente para que sua bunda ficasse empinada de um modo inocente, mas provocante.
Sua mente apagou a última brasa que pudesse restar de Sonia, para sempre. No rádio tocava “Dust in the Wind” do Kansas. E isso eram as últimas lembranças daquela noite de loucura: pó ao vento. O destino, como diz Morpheus em “Matrix”, não está isento do senso de ironia.
Como tantas vezes, ele escreveu uma mensagem e a enviou. Como tantas vezes, não esperou resposta.
Como poucas vezes às vezes, as pedras se mexeram e uma resposta apareceu dias depois na sua caixa de entrada.
Eles trocaram algumas mensagens com o casal da Maite, que era quem administrava aquela conta. Gente boa, provavelmente passou adiante a mensagem que o Maxi deixou para ela como destinatária final.
— Algo é algo — pensou ele.
Até que um dia ela respondeu uma de suas mensagens, escrita com o coração na mão. Seu romantismo era mais forte que sua excitação. Como Florentino Ariza em "O Amor nos Tempos do Cólera", ele não conseguia evitar escrever de modo romântico. As palavras vinham assim à sua mente, e assim saíam pelas suas mãos para o teclado.
— Que palavras lindas. Você é um galã — respondeu ela.
Suas palavras alcançaram o efeito desejado. Aproximar daquela mulher linda as carícias que não podia oferecer pessoalmente. Tocar sua alma enquanto não podia tocar seu corpo. E despertar seus desejos mais ocultos, e suas fantasias mais loucas.
— Pobre e imperfeita imitação da sua beleza, que poderia fazer a gente andar sobre lava fervendo, gostosa.
Depois dessa mensagem, silêncio. Espaço e silêncio. Longa espera. Incerteza.
Até que ela decidiu enviar seu contato para que pudessem se encontrar no chat. Um encontro que prometia, pelas insinuações dela, muita temperatura.
— Dessa vez nada real — Maxi se prometeu. E repetiu, pela enésima vez:
— Algo é algo.
(Continua…)
1ª parte:http://www.poringa.net/posts/relatos/2715354/Las-piedras-del-destino.html
3 comentários - Las piedras del destino (parte 2°)
esperando la tercer parte!
besos,
No se si todo es tan sencillo para Maxi...
Gracias por pasar, linda.