Fran dirige com a namorada pra ir num encontro de família. Não vê a irmã nem fala com ela desde aquele encontro bizarro que tiveram mês passado. Laura aparece com um novo namorado e o ciúme toma conta do irmão, levando ele a uma atitude bem violenta.
Fran dirige pensativo enquanto Olga não para de falar do lado dele:
— Eles fingem, fingem que gostam de mim, mas adorariam que a gente terminasse — resmungando.
— Que nada, amor, isso é filme que você mesma cria — suspirando.
— Eu não te obrigo a ir na casa dos meus pais, não é justo! — se fazendo de vítima.
— É só um tempinho, já vai ver, daqui a umas horas a gente já tá voltando.
— É, vai ver, igual da última vez: que saco que fiquei da sua irmã mais nova, todo mundo babando nas gracinhas dela, e a metida da Laura, hein? Me olha de cima como se eu fosse um pano velho de esfregão quebrado...
É, Laura é assim. Não disfarça igual os outros. Fran se desliga das reclamações irritantes da namorada enquanto o hálito quente da irmã abraça a memória dele. Como será que tão as coisas hoje? Já faz quase um mês desde que aquele erro lindo fundiu os dois num nó carnal que ninguém pode saber. Esse segredo cria um vínculo muito especial entre eles, mas a real é que não teve nenhum contato desde então. Nem uma mensagemzinha triste. É perturbador, mas de algum jeito, esse suspense deixa a visita ainda mais excitante. Ao subir a ladeira onde os pais moram, Fran sente a tensão de um primeiro encontro. Estacionam e tocam a campainha:
— Cê tá me ouvindo? Tô falando com você — reclama Olga.
— Cala a boca, amor, a gente já chegou — baixinho, mas na pressa.
Mamãe abre a porta com um sorriso acolhedor e ainda de avental:
— Que bom! Tava quase pondo a mesa — indicando o caminho depois de um beijo.
— Oi, Fina — fala Olga baixando a cabeça, de repente calma.
— Ah, mãe: que cheiro bom! — diz ele. esfregando as mãos.
– O namorado da sua irmã também veio – diz a mãe dela enquanto anda de costas.
O semblante de Fran escurece brutalmente num instante. "A Laura tem namorado? E ele veio hoje? Por quê?" Ao espiar a sala de jantar, vê os dois se tratando com todo mel, alheios à chegada dele.
– Oi, Laura – sem conseguir disfarçar o desgosto.
– Oi, Caracola! – alegremente, como se nada fosse. – Este é o David – orgulhosa.
Fran se vira sem nem olhar pra ele e vai cumprimentar o pai, ocupado com a churrasqueira. A situação fica estranha entre Olga, Laura e David, que percebem a rejeição constrangedora e, sem dizer uma palavra, trocam olhares de interrogação.
– Deixa pra lá, hoje ele tá estranho – diz Olga, tentando amenizar.
– É, já vi, ele tá besta como sempre – esboçando um sorriso.
– Espero que ele não me bata – brinca David.
Sentados à mesa, as conversas começam a fluir, mais ou menos forçadas, enquanto se servem os pratos. A avó tem uma presença mais simbólica, já que é bem surda, mas ainda assim curte a reunião em família e se distrai com a expressividade de cada um dos convidados, descobrindo algo mais sobre eles do que só com perguntas e respostas. A pequena Cristina tá toda animada com tanta gente e tanta agitação. Antonio usa a voz potente pra impor seus argumentos e interromper qualquer um que tente rebatê-lo. Fina, atenta pra que ninguém fique sem nada. Laura e David aproveitam o romance. Olga tenta entrar na conversa pra não se sentir excluída, enquanto disfarça o desconforto. O único que fica em silêncio é Fran, que só responde perguntas diretas de forma seca até perceber que a última coisa que quer é chamar atenção com a atitude fria, e começa a fingir normalidade. Enquanto isso, a ferida no coração dele continua sangrando. De vez em quando, ele olha de soslaio pra irmã sorridente. Irmã alheia às suas próprias sensações turbulentas. Ela está dolorosamente gostosa: alisou o cabelo e usou uma maquiagem sutil que realça a beleza do olhar e deixa os lábios suculentos ainda mais apetitosos. Os pensamentos dela se atropelam e ela não consegue entender por que se sente assim. É verdade que no mês passado ele comeu ela; também é verdade que desde aquele dia, sempre que transa com a namorada, pensa na Laura. Mesmo assim, não se considerava apaixonado. "Apaixonado pela própria irmã?! mas se ela é um bicho!" Ele percebe que durante o último mês evitou ideias e pensamentos que pudessem incomodá-lo sobre ela, e isso o deixou desprotegido para encarar a realidade que hoje se apresentou tão dura. A realidade do David, a realidade do distanciamento desde aquela última noite, a realidade que aquele vestido marrom justinho cheio de detalhes revela... ele repete para si mesmo "é um tropeço, só um tropeço... se acalma e segue em frente".
Os minutos passam devagar, os pratos vão esvaziando. O tom da discussão sobre o melhor jeito de governar o país vai caindo. Futebol, trabalho, escola, o tempo, a comida, a TV, os vizinhos e conhecidos... todos os assuntos foram surgindo em cima da mesa enquanto as sobremesas se preparam para finalizar docemente a comilança. Mas nenhuma reunião de família está completa até que o Antonio pergunta pro filho:
-Fran: quando vocês vão abençoar essa família com um neto? - já em tom de gozação.
-Pelo menos a gente podia ter um casamento como Deus manda - completa a Fina.
Fran balança a cabeça bufando sem responder. Não comeu muito. Está meio angustiado. De repente percebe que a Laura não está, nem ela nem o David. Uma preocupação toma conta dele de repente. Onde será que tão? O que será que tão fazendo? Ele se levanta discretamente da mesa e, assim que sai da sala de jantar, sai correndo pra procurar os dois pela casa. Não encontrando, vai pro jardim com uma ansiedade crescente. Olha pra todo lado até que ouve umas Risadinhas cheias de malícia que cortam a alma dele. Ao descobrir o esconderijo dela num canto do jardim dos fundos, percebe o que David está tentando fazer com a irmã e, tomado por um ataque de raiva, agarra ele e bate forte, para a surpresa dos dois pombinhos:
- Mas o que você pensa que tá fazendo?! É minha irmã! – grita desesperado.
- Ei, cara! – Que pussy! – Puta merda! – tentando salvar a própria pele.
- Não, Fran!!!! Para!!!! Mas o que há com você?!! – histérica.
************
Olga se sente mais desconfortável do que nunca. Não consegue se livrar da ideia de que todo mundo acha ela chata e, pra piorar: o namorado, que tá mais estranho do que nunca, deixou ela sozinha. Não vai se sujeitar a esse calvário de novo, não. Olha o relógio mais uma vez. Cadê o Fran? Levanta da mesa e procura ele pela casa, mas não vê. Em compensação, vê a Laura entrando de repente com o rosto coberto de lágrimas e subindo as escadas correndo. Escondida atrás da porta, vê o Fran seguindo ela apressado com os punhos ensanguentados. Sem saber como interpretar essa situação, volta discretamente pra sala de jantar, mergulhada em mil perguntas, enquanto o novo discurso do Antonio continua rolando solto. O David não está. Seria o sangue nos punhos do Fran dele? O que aconteceu no jardim e por quê? Ele não é um cara violento. Talvez o David tenha tentado passar dos limites com a Laura e o Fran teve que agir como irmão mais velho pra proteger ela. Olga parece encaixar as peças do que parece ser a opção mais plausível, afastando os fantasmas da sua sensibilidade ferida. Depois de alguns minutos, enquanto a avó, o Antonio e a Fina se distraem elogiando as gracinhas da Cristina, ela aproveita a invisibilidade pra ir procurar o namorado no andar de cima. Antes mesmo de espiar pelos quartos, ouve um som perturbador de carne humana batendo uma na outra, como palmas mal dadas. Mil perguntas se cravam no peito dela enquanto encosta o ouvido na porta do banheiro. Não pode ser, não é possível, esse som que vem daí... Ela não escuta nenhuma voz humana acompanhando aquele som perturbador e frenético até perceber uma respiração acelerada que começa a se destacar em forma de gemidos femininos cheios de prazer. Será que ela está sozinha? Ou com o David? Ela tenta se agarrar a qualquer esperança antes de cair na decepção da sua vida até que:
- Ah, sim, Fran, me fode, me fode no cu - segurando essas últimas palavras.
- Aah, aaah, ssshhh, cala a boca, Laura, podem nos ouvir - ele sussurra.
Atônita, Olga afasta lentamente a orelha da porta com cara de pôquer enquanto seu coração explode em mil pedaços. Ela mal tem energia para andar quando começa a descer as escadas. Com movimentos muito lentos e cuidadosos, pega sua bolsa e, sem olhar para ninguém, nem mesmo ouvir quem fala com ela, sai da casa imersa em seu próprio e ensurdecedor silêncio. Ao bater a porta do carro com força, parece recuperar a percepção do mundo ao redor e vê o pai e a mãe de Fran olhando para ela, estranhando, da soleira da porta principal. Ela liga o carro sem demora e sai derrapando com uma pressa súbita.
**********
"Que cara mais filho da puta", pensa David consigo mesmo, um pouco intimidado pela atitude dele.
- Espero que ele não me bata - brinca.
Olga e Laura esboçam um sorriso de naturalidade duvidosa que mal se encaixa naquela situação. Felizmente, não o sentaram perto de Fran, e David pode se refugiar na conversa calorosa e boba com sua garota idolatrada. Ele nunca imaginou que a sorte sorriria para ele com uma namorada tão gostosa. Enquanto ela fala com ele, ele mal a escuta. Só olha para seu rostinho lindo, ardendo de vontade de meter o pau bem duro nela. Saíram poucas vezes e ele ainda não foi abençoado com o prêmio desejado que suas hormonas juvenis perseguem, mas sente que seu horizonte está próximo. Além disso, hoje ela está mais gata do que nunca com um vestido elegante e sexy que ela nunca usaria em Classe. É uma roupa que mostra uns peitões e uma bunda tão bem desenhada que nem Photoshop melhoraria. Ele tá tão louco pra sujar ela de porra que mal consegue manter as mãos quietas, mas Fran corta o barato: ele sente que ela tá vigiando ele pelo canto do olho.
— Ei, Laura, por que você não me mostra o jardim? — buscando privacidade.
— Mas o que você tá dizendo? Já te mostrei antes, não lembra? — surpresa.
— Já, mas quero ver de novo — piscando o olho.
— Aaah — ela sussurra quase sem emitir som enquanto percebe as intenções dele.
Sorrateiramente, eles somem da mesa enquanto Antonio reclama do time dele que perdeu o último jogo da Champions League.
**********
— Oi, Caracola! — fingindo normalidade — Esse é o David.
Olga e David ficam bem estranhos com a reação abrupta do Fran, mas Laura entende o motivo e já marca o primeiro ponto do encontro. Mesmo assim, ela imita os olhares deles, fingindo surpresa pra não se entregar.
— Deixa ele, hoje ele tá com o dia estranho — diz Olga tentando amenizar a situação.
— É, ele tá besta como quase sempre — esboçando um sorriso.
— Espero que ele não me bata — brinca David.
Laura não é alheia aos sentimentos; na verdade, ela costuma sentir ciúmes do irmão e da gostosa da Olga. São uns ciúmes que vêm se transformando no último mês por causa do que rolou na sala de casa naquele dia que os pais não estavam. Ela é uma garota sensível, embora forte. Tem seu próprio jeito de viver a vida e se diverte levando tudo como um jogo. Saber perder é essencial pra superar as mágoas e seguir em frente. Curtir a vitória é mais gostoso se você soube jogar suas cartas e usou bem suas armas. Se você não se acovarda, pode aspirar ao mais alto, até seduzir seu próprio irmão mais velho e manipulá-lo como quiser. Debaixo de uma casca de adolescente bobinha, ela transborda inteligência de vários tipos: sexual, social, emocional. Prática... David é um cara da mesma idade que ela, simplório e grosso, mas é gostoso e ela tá babando por ele. A partida tá boa. Ela tem uma mão forte. Poker de ases:
- um corpaço enfiado num vestido de matar
- um gato que beija o chão por onde ela pisa
- o que rolou no mês passado... e acima de tudo:
- plena consciência de como o jogo vai se desenrolar.
Embora Fran tente disfarçar, Laura percebe o olhar furtivo dele, torturado pelo ciúme, e quando David sugere sair pro jardim de novo, ela se vê pronta pra fazer a próxima jogada. Dessa vez, ela joga com vantagem e não tem nada a perder. Desde que comeu o irmão dele no mês passado, não ficou com ninguém, e tá afim de alojar uma roça dura dentro do corpo dela. Na real, faz dias que ela tá com tesão, e a situação de hoje só deixou ela mais excitada.
**********
Aurelia e Cristina ficam em silêncio enquanto veem Fina e Antonio voltarem estranhos pra sala de jantar. Que situação mais bizarra. O jeito que Olga apareceu entrando em câmera lenta na sala, com o olhar perdido, ignorando todo mundo, com aquele sigilo... encheu os presentes de intriga.
- Pode ser que ela estivesse passando mal - diz Fina, chutando no escuro.
- Sei não, parecia sonâmbula - fazendo questão de usar uma suavidade incomum na fala.
- De onde ela vinha? Devia estar com o Fran - fala a mãe, tentando ligar os pontos.
- Devem ter discutido, mas cadê ele?
Antonio explora o ambiente com o olhar, mais pra encenar a pergunta do que pra achar o filho. Como resposta, aparece Fran, cercado pelo olhar curioso dos 4 convidados. Surpreso com aquele silêncio pesado, pergunta:
- Ei, família, o que tá rolando aqui? - se sentindo o centro das atenções.
- Não sei, filho, diz você - responde Fina, fazendo uma expressão exigente no rosto.
Uma sensação abrasadora de angústia toma conta do garoto, que se sente descoberto. Mas como? Paralisado, ele procura a namorada. A ausência dela só faz aumentar a preocupação dele. Com claros sinais de desconforto, ele pergunta:
— Cadê a Olga? — com uma voz frágil e medrosa.
— Foi embora. Tava muito estranha. Não respondia quando a gente falava — diz Fina.
— Pode ser que não tivesse ouvindo vocês — ele fala sem conseguir sustentar o olhar da mãe.
— Com a voz que seu pai tem, é impossível que ela não ouvisse... — sendo interrompida.
— Filho! Essa mina tava traumatizada, alguma coisa você fez pra ela — Antonio, impaciente.
Um alívio cauteloso toma conta de Fran. Ele começa a acreditar que os pais não sabem que, minutos atrás, ele tava comendo a Laura no banheiro. Por outro lado, a fuga surreal da Olga parece indicar que a privacidade daqueles atos não era tão hermética quanto ele esperava. Ele senta pensativo, prevendo o fim quase certo do namoro depois de tantos anos.
— Fran! — grita o pai, impaciente, assustando ele.
— É, a gente discutiu, mas não esperava que ela fosse embora assim — improvisando.
— Mas o que aconteceu, filho? — insiste Fina, com uma expressão triste.
— Nada, já antes de chegar ela tava puta por ter que vir, porque acha que todo mundo aqui odeia ela. Mas eu insisti. E aí, deixar ela sozinha por tanto tempo, ela ficou ainda mais irritada e, bem... não sei como foi, mas a discussão escalou no jardim e a gente pode ter falado umas merdas sem pensar direito — se virando pra contornar a situação.
Um silêncio reflexivo toma conta até que Laura aparece sorrateiramente, meio corada.
— O que foi? — com um fio de voz assustado.
— Nada, é que briguei com a Olga e ela foi embora — ele diz, olhando fixo pra ela.
— Ah! Poxa — ela sussurra, sentando na mesa disfarçando.
— E o David? — pergunta Fina, com curiosidade renovada.
— Mmmmmm... a gente também brigou e ele foi embora — sem muita convicção.
— Ele deixou a jaqueta aqui — observa Antonio.
— Segunda-feira eu levo pra ele na aula — despreocupada. enquanto começa a pegar a sobremesa.
- Uau! - tudo vai se resolver - diz o pai tirando o peso do assunto.
Depois que Fran e Laura desenharam um cenário razoável que explica vagamente as ausências abruptas dos convidados, a tensão se dissipa, acalmada pelos comentários que as sobremesas gostosas provocam. Tendo salvado a situação, umas olhadas cúmplices entre os irmãos escondem o alívio triunfante de quem sabe que escapou do perigo de uma situação que poderia ter se tornado infinitamente embaraçosa.
Cristina volta a sorrir, encorajada por um pensamento simples e leve que segue a corrente do momento presente. Ela não sente falta dos que foram embora e nem sequer vai dedicar um único pensamento a eles ao longo da sua vida próspera.
A perspectiva de Aurelia é bem diferente. Embora a surdez dela tenha deixado escapar a maior parte das palavras que foram ditas naquela sala de jantar, ela se dedicou a interpretar os gestos, as expressões, os olhares furtivos... Ela sabe de tudo. Sabe até mais que os próprios protagonistas, e isso deve à sua longa experiência. Ela entende melhor essas emoções e essas inquietações. Na idade dela, já viu de tudo e nada a escandaliza. Por trás do rosto enrugado, esconde-se uma mente meio distraída, mas dotada de uma grande eloquência e cheia de vivências. De jeito nenhum ela vai tomar partido nisso. Apesar de aparentemente só superar por pouco o status de um móvel no desenrolar da reunião familiar, todos ali presentes devem a existência a ela. Se alguma vez sentiu que a vida dela não tinha sentido, bastou contemplar a família, a obra, a descendência, a criação dela... para se sentir valiosa. Ela nem precisa do menor reconhecimento, pois a consciência plena já basta. Como se fosse uma tarefa complicada, ela dobra o guardanapo e o coloca sobre os joelhos.
***********
- Tá doendo? - diz Laura, mal começando a superar a enfado.
—Não, não é meu sangue — enquanto limpa as mãos na pia.
—Como você conseguiu? É que ainda não entendi — balançando a cabeça.
—Sério?... — incapaz de continuar pronunciando as palavras que queria dizer.
—O quê?! Eu bati na Olga? — indignada.
—A Olga é minha namorada há anos — respondendo em tom de lição.
—E o David é meu namorado há uma semana, e daí? — com tom agressivo.
—Isso não é namorado nem é nada — responde evitando ela.
—Você é que sabe — sussurra com desprezo.
Um breve silêncio enquanto Fran termina de se limpar e seca as mãos na toalha. Tentando adiar o contato visual e sem saber bem se entra ou não em terreno perigoso, finalmente olha pra ela e diz:
—Você só trouxe ele pra me deixar com ciúmes — em tom de reprovação.
—Ah, claro! Você é tão importante pra mim que minha vida gira em torno de você — zombando.
—Tá me dizendo que você realmente ama aquele bocó? — a tensão aumentando.
—Tá me dizendo que você realmente ama aquela foxy? — com voz debochada.
—Vocês transaram? — pergunta baixando o olhar e o tom.
—Isso não é da sua conta — bruscamente.
—Eu transei com a Olga quase toda noite — dispara.
Surge um silêncio desafiador, concentrando a energia no olhar rancoroso de Laura, que tenta transmitir seu desprezo semicerrar os olhos com o rosto contraído. Não é uma reação inesperada pra Fran, que controla o ritmo da conversa:
—Mas todas e cada uma das vezes, pensei só em você — se achando romântico.
—Então seria bom se você tivesse me dito, nem que fosse por um mísero WhatsApp, já que você não foi bom em me falar nada durante um mês inteiro — ela repreende.
—O que você quer que eu diga? "Laura: adorei aquele último dia, tô morrendo de vontade de te comer de novo, mesmo você sendo minha irmã" — cantarolando a frase.
—Por que não? Eu teria gostado de saber, qualquer coisa teria sido melhor do que ver você sumir por um mês inteiro sem me falar nada. quando você costumava vir toda semana pra jantar. Como você acha que eu me sentia quando papai e mamãe diziam "seu irmão ligou, disse que tá bem". Você acha que eu sou de pedra?
Fran fica surpreso de novo com os olhos marejados de Laura, que mostram o próprio egoísmo dele nas últimas semanas. Sem parar de encará-la, ele percebe o quanto negligenciou a irmã desde aquele dia.
— O quê?! — ela exclama, impaciente.
— Não pensei que você pudesse se sentir magoada. Parecia que tudo era um jogo pra você.
— Era um jogo, como tudo, mas era com você, isso que importa — enfatizando.
Ao terminar a frase, uma das lágrimas de Laura fica insustentável e, impulsionada por um piscar de olhos, escorre pela bochecha. Percebendo essa indiscrição, a garota se sente justificada pra adicionar um pouco de teatralidade e bancar a vítima de forma mais convincente. Ela cobre o rosto pra fingir um choro mais definido, provocando uma reação protetora e calorosa do irmão. Fran se aproxima e abraça ela com carinho, enquanto ela se desliga das lágrimas pra retribuir o abraço, levantando bem os braços pra compensar a grande diferença de altura. A fusão não é nada estática e se eterniza de forma terna. Fran vive de um jeito estranho o contraste entre a novidade da situação e a familiaridade da irmã, que se soma à antiguidade daquela pia que por tantos anos fez parte da vida dele. De repente:
— Ai!... caramba, dói aqui — com surpresa.
— Deve ser da briga ainda — com tom sonolento, consequência do abraço.
— Não percebi que tinha levado — tocando as costelas.
— Como não? Vocês se pegaram bem — sorrindo.
— Nah, eu dei mais — após uma breve pausa reflexiva.
O gotejar de palavras para, abrindo um silêncio cheio de incertezas. O abraço deles permanece, se enriquecendo com olhares tendenciosos e tão próximos que até custa focar a visão nos dois olhos um do outro. Esses segundos mudos navegam por uma... Corrente avassaladora, conduzidos inevitavelmente ao abismo de uma grande cachoeira de águas incestuosas ardentes. Sem nem tomar essa iniciativa, os dois se encontram fundidos num beijo íntimo enquanto suas línguas se esfregam uma na outra, encharcadas num coquetel de cuspe. O vestido de Laura cai lentamente aos seus pés, revelando uma lingerie marrom refinada, mas provocante, perfeitamente combinada. Enquanto tenta se livrar dela, Laura diz:
— E você? — enquanto se protege com um sorriso.
Fran não tem tempo nem mãos suficientes para se despir, enquanto Laura se livra de suas últimas peças de um jeito muito mais lento, gracioso e sensual, ao mesmo tempo que se vira de costas, apoiada no mármore da pia.
— Não temos muito tempo — sussurra ela, justificando a brevidade dos preâmbulos.
— Não se preocupa, tô com tanta vontade de te foder que não vou durar — falando bruscamente.
Ele se junta a ela, enfiando a pica entre as coxas juntas da irmã, subindo até sentir a umidade dela. Ela se empina mais, empurrando instintivamente Fran, que não hesita em proceder como deve, sentindo aquele abraço quente e molhado na sua tranca vigorosa. Os movimentos deles mal demoram alguns segundos para acelerar apaixonadamente, em meio a uma contenção sonora mútua que só deixa espaço para o som das carnes deles se chocando. Esse som eclipsa o burburinho distante da família vindo da sala de jantar. A luz do sol atravessa distorcidamente os tijolos de vidro, pintando o corpo de Laura com linhas luminosas que acariciam e realçam suas curvas eróticas. Fran segura ela firme pela cintura enquanto imprime a energia vital de todo o seu ser, focado no ponto que os une. Ela estava com tanta vontade e está tão tesuda que não consegue disfarçar o primeiro orgasmo, mesmo abafando os gemidos. Ele, fazendo gala de um grande autocontrole, consegue se desvencilhar e parar sua deriva orgásmica. Por alguns segundos, tenta pensar na avó pelada para... Pegar um pouco mais de margem. Enquanto Laura tenta se recuperar, percebe que o irmão empurra a rola dura e molhada entre as nádegas dela, alcançando a entrada anal inédita.
- Tio, o que cê tá fazendo? - saindo do torpor com uma risada.
- Tô há semanas querendo fazer isso - apertando os dentes.
- Não, qual é... - incrédula.
- Cê é virgem de cu? - enquanto penetra até o fundo.
- Ah, aaaaah, agora não mais - sussurrando entre risadas.
Fran para, parece ter ouvido passos na escada e talvez uma sombra tenha se desenhado na janelinha translúcida sobre a porta do banheiro.
- O quê? - ela pergunta em voz baixa, sentindo ele todo dentro.
- Shhhh - ele responde, aguçando a percepção.
Mas nada quebra o silêncio, e Fran se sente no direito de retomar a disputa lasciva. Tira e mete cada vez mais rápido, enquanto a irmã lubrifica e os movimentos ficam mais frenéticos. Laura sente o cu queimar, incendiado por sensações tingidas de novidade. O tesão dela não caiu desde o orgasmo. Os gritos distantes da Cristina falando com a avó acompanham as gargalhadas do pai e os berros da mãe... longe de cortar o clima, isso a excita ainda mais, sentir tão proibido e secreto o encontro com o irmão debaixo do mesmo teto. Com o cu cheio, no meio da bagunça, ela consegue distinguir um par de sombras que aparecem por baixo da porta. Uma dedução rápida abre caminho entre o prazer desenfreado pra fazer ela notar quem está atrás da porta espiando. A satisfação que um tenista sente bem antes de rebater uma bola fácil que flutua a centímetros da rede, pedindo pra ser esmagada sem contestação, toma conta de Laura, que começa a gemer e respirar alto até soltar:
- Ah, sim, Fran, me fode, me fode no cu - pra Olga ouvir.
- Aah, aaah, sssshh, cala a boca, Laura, podem nos ouvir - ele sussurra.
Ela mal liga e continua gemendo. A ação se prolonga. repetitivamente borrando a passagem do tempo entre ondas gostosas de prazer dos dois lados. Laura percebe que o segundo orgasmo tá chegando, ainda cavalgando na esteira do primeiro. Quase sem conseguir segurar os gritos, ela goza submetida ao açoite sem parar da virilidade do irmão dela. O garoto começa a enlouquecer enquanto se entrega de corpo e alma. A explosão notória da Laura impulsiona as emoções dele, projetando elas até o teto do banheiro da família. Ele sente um calafrio, um formigamento em cada canto do ser, os pelos ficam arrepiados... Sente um jorro quente que parece vir misticamente do fundo da alma pra entrar no cu da irmã e varrer de uma vez toda aquela excitação tensa ao máximo dentro dele. É isso: uma enxurrada de paz e alívio acaba com tudo em poucos segundos enquanto ele goza entre suspiros. Quase sem forças, ele cai se desmanchando em cima do vaso ainda pingando. Quando levanta o olho, mal consegue ver a irmã se escondendo dentro do chuveiro.
- Já é tarde, Fran, tão se perguntando onde a gente tá - com pressa repentina.
Ele não fala nada e se veste com cara de pensativo. Acompanhado pelo barulho irregular do jato do chuveiro atrás da cortina, tenta avaliar os próprios atos com uma nova perspectiva menos condicionada. Se limpa um pouco na frente do espelho e dá uma última olhada na roupa da Laura jogada no chão junto com os sapatos de salto. Respira fundo, cheio de pensamentos, e vai bem devagar, degrau por degrau, em direção à sala, sentindo falta do escândalo clássico de domingo da família. Cadê as risadas? E os gritos? Quando chega na sala, vê a família dele intrigada.
- Ei, família, o que tá rolando aqui? - se sentindo o centro das atenções.
- Não sei, filho, fala você -
**********
No mesmo instante que o Fran sai do banheiro, a Laura sai do chuveiro enrolada numa toalha, abre a janela pra dissipar o vapor. Quando olha pra rua, vê Assim que o carro da Olga arranca derrapando e saindo na maior pressa. Com a mente livre de todas aquelas sensações que atormentavam seu pensamento, ela consegue raciocinar com muito mais clareza. Analisa os possíveis danos colaterais que podem estar esperando por ela lá embaixo, na sala de jantar. A verdade é que, na hora em que Fran estava comendo ela, quando percebeu a presença da Olga, só conseguia pensar em dar um golpe certeiro na sua odiada rival, mas não pensou no que ela poderia contar. Na frente do espelho, repara na sua cor, ainda mais corada que o normal. Penteia o cabelo, termina de se vestir e desce as escadas correndo.
— O que foi? — com a voz trêmula de medo.
— Nada, briguei com a Olga e ela foi embora — diz Fran, olhando fixamente para ela.
— Ah! Poxa — ela sussurra enquanto se senta à mesa, disfarçando.
— E o David? — pergunta Fina, com uma curiosidade renovada.
— Mmmmmm... também brigamos e ele foi embora — sem muita convicção.
— Ele deixou a jaqueta aqui — observa Antonio.
— Já levo pra ele na segunda-feira, na aula — responde despreocupada, enquanto começa a pegar a sobremesa.
— Uuuh! Tudo se ajeita — diz o pai, tirando o peso da situação.
A tensão se dissipa, acalmada pelos comentários sobre as sobremesas deliciosas. Tendo salvado a situação, uns olhares cúmplices entre os irmãos escondem o alívio triunfante de quem sabe que escapou de um "match point" contra. Foi uma boa partida: Fran ganhou o primeiro set espantando o David, mas Laura soube conduzir o jogo e seu golpe final foi arriscado, mas arrasador. Ponto, set e partida.
Fim...
Fran dirige pensativo enquanto Olga não para de falar do lado dele:
— Eles fingem, fingem que gostam de mim, mas adorariam que a gente terminasse — resmungando.
— Que nada, amor, isso é filme que você mesma cria — suspirando.
— Eu não te obrigo a ir na casa dos meus pais, não é justo! — se fazendo de vítima.
— É só um tempinho, já vai ver, daqui a umas horas a gente já tá voltando.
— É, vai ver, igual da última vez: que saco que fiquei da sua irmã mais nova, todo mundo babando nas gracinhas dela, e a metida da Laura, hein? Me olha de cima como se eu fosse um pano velho de esfregão quebrado...
É, Laura é assim. Não disfarça igual os outros. Fran se desliga das reclamações irritantes da namorada enquanto o hálito quente da irmã abraça a memória dele. Como será que tão as coisas hoje? Já faz quase um mês desde que aquele erro lindo fundiu os dois num nó carnal que ninguém pode saber. Esse segredo cria um vínculo muito especial entre eles, mas a real é que não teve nenhum contato desde então. Nem uma mensagemzinha triste. É perturbador, mas de algum jeito, esse suspense deixa a visita ainda mais excitante. Ao subir a ladeira onde os pais moram, Fran sente a tensão de um primeiro encontro. Estacionam e tocam a campainha:
— Cê tá me ouvindo? Tô falando com você — reclama Olga.
— Cala a boca, amor, a gente já chegou — baixinho, mas na pressa.
Mamãe abre a porta com um sorriso acolhedor e ainda de avental:
— Que bom! Tava quase pondo a mesa — indicando o caminho depois de um beijo.
— Oi, Fina — fala Olga baixando a cabeça, de repente calma.
— Ah, mãe: que cheiro bom! — diz ele. esfregando as mãos.
– O namorado da sua irmã também veio – diz a mãe dela enquanto anda de costas.
O semblante de Fran escurece brutalmente num instante. "A Laura tem namorado? E ele veio hoje? Por quê?" Ao espiar a sala de jantar, vê os dois se tratando com todo mel, alheios à chegada dele.
– Oi, Laura – sem conseguir disfarçar o desgosto.
– Oi, Caracola! – alegremente, como se nada fosse. – Este é o David – orgulhosa.
Fran se vira sem nem olhar pra ele e vai cumprimentar o pai, ocupado com a churrasqueira. A situação fica estranha entre Olga, Laura e David, que percebem a rejeição constrangedora e, sem dizer uma palavra, trocam olhares de interrogação.
– Deixa pra lá, hoje ele tá estranho – diz Olga, tentando amenizar.
– É, já vi, ele tá besta como sempre – esboçando um sorriso.
– Espero que ele não me bata – brinca David.
Sentados à mesa, as conversas começam a fluir, mais ou menos forçadas, enquanto se servem os pratos. A avó tem uma presença mais simbólica, já que é bem surda, mas ainda assim curte a reunião em família e se distrai com a expressividade de cada um dos convidados, descobrindo algo mais sobre eles do que só com perguntas e respostas. A pequena Cristina tá toda animada com tanta gente e tanta agitação. Antonio usa a voz potente pra impor seus argumentos e interromper qualquer um que tente rebatê-lo. Fina, atenta pra que ninguém fique sem nada. Laura e David aproveitam o romance. Olga tenta entrar na conversa pra não se sentir excluída, enquanto disfarça o desconforto. O único que fica em silêncio é Fran, que só responde perguntas diretas de forma seca até perceber que a última coisa que quer é chamar atenção com a atitude fria, e começa a fingir normalidade. Enquanto isso, a ferida no coração dele continua sangrando. De vez em quando, ele olha de soslaio pra irmã sorridente. Irmã alheia às suas próprias sensações turbulentas. Ela está dolorosamente gostosa: alisou o cabelo e usou uma maquiagem sutil que realça a beleza do olhar e deixa os lábios suculentos ainda mais apetitosos. Os pensamentos dela se atropelam e ela não consegue entender por que se sente assim. É verdade que no mês passado ele comeu ela; também é verdade que desde aquele dia, sempre que transa com a namorada, pensa na Laura. Mesmo assim, não se considerava apaixonado. "Apaixonado pela própria irmã?! mas se ela é um bicho!" Ele percebe que durante o último mês evitou ideias e pensamentos que pudessem incomodá-lo sobre ela, e isso o deixou desprotegido para encarar a realidade que hoje se apresentou tão dura. A realidade do David, a realidade do distanciamento desde aquela última noite, a realidade que aquele vestido marrom justinho cheio de detalhes revela... ele repete para si mesmo "é um tropeço, só um tropeço... se acalma e segue em frente".
Os minutos passam devagar, os pratos vão esvaziando. O tom da discussão sobre o melhor jeito de governar o país vai caindo. Futebol, trabalho, escola, o tempo, a comida, a TV, os vizinhos e conhecidos... todos os assuntos foram surgindo em cima da mesa enquanto as sobremesas se preparam para finalizar docemente a comilança. Mas nenhuma reunião de família está completa até que o Antonio pergunta pro filho:
-Fran: quando vocês vão abençoar essa família com um neto? - já em tom de gozação.
-Pelo menos a gente podia ter um casamento como Deus manda - completa a Fina.
Fran balança a cabeça bufando sem responder. Não comeu muito. Está meio angustiado. De repente percebe que a Laura não está, nem ela nem o David. Uma preocupação toma conta dele de repente. Onde será que tão? O que será que tão fazendo? Ele se levanta discretamente da mesa e, assim que sai da sala de jantar, sai correndo pra procurar os dois pela casa. Não encontrando, vai pro jardim com uma ansiedade crescente. Olha pra todo lado até que ouve umas Risadinhas cheias de malícia que cortam a alma dele. Ao descobrir o esconderijo dela num canto do jardim dos fundos, percebe o que David está tentando fazer com a irmã e, tomado por um ataque de raiva, agarra ele e bate forte, para a surpresa dos dois pombinhos:
- Mas o que você pensa que tá fazendo?! É minha irmã! – grita desesperado.
- Ei, cara! – Que pussy! – Puta merda! – tentando salvar a própria pele.
- Não, Fran!!!! Para!!!! Mas o que há com você?!! – histérica.
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Olga se sente mais desconfortável do que nunca. Não consegue se livrar da ideia de que todo mundo acha ela chata e, pra piorar: o namorado, que tá mais estranho do que nunca, deixou ela sozinha. Não vai se sujeitar a esse calvário de novo, não. Olha o relógio mais uma vez. Cadê o Fran? Levanta da mesa e procura ele pela casa, mas não vê. Em compensação, vê a Laura entrando de repente com o rosto coberto de lágrimas e subindo as escadas correndo. Escondida atrás da porta, vê o Fran seguindo ela apressado com os punhos ensanguentados. Sem saber como interpretar essa situação, volta discretamente pra sala de jantar, mergulhada em mil perguntas, enquanto o novo discurso do Antonio continua rolando solto. O David não está. Seria o sangue nos punhos do Fran dele? O que aconteceu no jardim e por quê? Ele não é um cara violento. Talvez o David tenha tentado passar dos limites com a Laura e o Fran teve que agir como irmão mais velho pra proteger ela. Olga parece encaixar as peças do que parece ser a opção mais plausível, afastando os fantasmas da sua sensibilidade ferida. Depois de alguns minutos, enquanto a avó, o Antonio e a Fina se distraem elogiando as gracinhas da Cristina, ela aproveita a invisibilidade pra ir procurar o namorado no andar de cima. Antes mesmo de espiar pelos quartos, ouve um som perturbador de carne humana batendo uma na outra, como palmas mal dadas. Mil perguntas se cravam no peito dela enquanto encosta o ouvido na porta do banheiro. Não pode ser, não é possível, esse som que vem daí... Ela não escuta nenhuma voz humana acompanhando aquele som perturbador e frenético até perceber uma respiração acelerada que começa a se destacar em forma de gemidos femininos cheios de prazer. Será que ela está sozinha? Ou com o David? Ela tenta se agarrar a qualquer esperança antes de cair na decepção da sua vida até que:
- Ah, sim, Fran, me fode, me fode no cu - segurando essas últimas palavras.
- Aah, aaah, ssshhh, cala a boca, Laura, podem nos ouvir - ele sussurra.
Atônita, Olga afasta lentamente a orelha da porta com cara de pôquer enquanto seu coração explode em mil pedaços. Ela mal tem energia para andar quando começa a descer as escadas. Com movimentos muito lentos e cuidadosos, pega sua bolsa e, sem olhar para ninguém, nem mesmo ouvir quem fala com ela, sai da casa imersa em seu próprio e ensurdecedor silêncio. Ao bater a porta do carro com força, parece recuperar a percepção do mundo ao redor e vê o pai e a mãe de Fran olhando para ela, estranhando, da soleira da porta principal. Ela liga o carro sem demora e sai derrapando com uma pressa súbita.
**********
"Que cara mais filho da puta", pensa David consigo mesmo, um pouco intimidado pela atitude dele.
- Espero que ele não me bata - brinca.
Olga e Laura esboçam um sorriso de naturalidade duvidosa que mal se encaixa naquela situação. Felizmente, não o sentaram perto de Fran, e David pode se refugiar na conversa calorosa e boba com sua garota idolatrada. Ele nunca imaginou que a sorte sorriria para ele com uma namorada tão gostosa. Enquanto ela fala com ele, ele mal a escuta. Só olha para seu rostinho lindo, ardendo de vontade de meter o pau bem duro nela. Saíram poucas vezes e ele ainda não foi abençoado com o prêmio desejado que suas hormonas juvenis perseguem, mas sente que seu horizonte está próximo. Além disso, hoje ela está mais gata do que nunca com um vestido elegante e sexy que ela nunca usaria em Classe. É uma roupa que mostra uns peitões e uma bunda tão bem desenhada que nem Photoshop melhoraria. Ele tá tão louco pra sujar ela de porra que mal consegue manter as mãos quietas, mas Fran corta o barato: ele sente que ela tá vigiando ele pelo canto do olho.
— Ei, Laura, por que você não me mostra o jardim? — buscando privacidade.
— Mas o que você tá dizendo? Já te mostrei antes, não lembra? — surpresa.
— Já, mas quero ver de novo — piscando o olho.
— Aaah — ela sussurra quase sem emitir som enquanto percebe as intenções dele.
Sorrateiramente, eles somem da mesa enquanto Antonio reclama do time dele que perdeu o último jogo da Champions League.
**********
— Oi, Caracola! — fingindo normalidade — Esse é o David.
Olga e David ficam bem estranhos com a reação abrupta do Fran, mas Laura entende o motivo e já marca o primeiro ponto do encontro. Mesmo assim, ela imita os olhares deles, fingindo surpresa pra não se entregar.
— Deixa ele, hoje ele tá com o dia estranho — diz Olga tentando amenizar a situação.
— É, ele tá besta como quase sempre — esboçando um sorriso.
— Espero que ele não me bata — brinca David.
Laura não é alheia aos sentimentos; na verdade, ela costuma sentir ciúmes do irmão e da gostosa da Olga. São uns ciúmes que vêm se transformando no último mês por causa do que rolou na sala de casa naquele dia que os pais não estavam. Ela é uma garota sensível, embora forte. Tem seu próprio jeito de viver a vida e se diverte levando tudo como um jogo. Saber perder é essencial pra superar as mágoas e seguir em frente. Curtir a vitória é mais gostoso se você soube jogar suas cartas e usou bem suas armas. Se você não se acovarda, pode aspirar ao mais alto, até seduzir seu próprio irmão mais velho e manipulá-lo como quiser. Debaixo de uma casca de adolescente bobinha, ela transborda inteligência de vários tipos: sexual, social, emocional. Prática... David é um cara da mesma idade que ela, simplório e grosso, mas é gostoso e ela tá babando por ele. A partida tá boa. Ela tem uma mão forte. Poker de ases:
- um corpaço enfiado num vestido de matar
- um gato que beija o chão por onde ela pisa
- o que rolou no mês passado... e acima de tudo:
- plena consciência de como o jogo vai se desenrolar.
Embora Fran tente disfarçar, Laura percebe o olhar furtivo dele, torturado pelo ciúme, e quando David sugere sair pro jardim de novo, ela se vê pronta pra fazer a próxima jogada. Dessa vez, ela joga com vantagem e não tem nada a perder. Desde que comeu o irmão dele no mês passado, não ficou com ninguém, e tá afim de alojar uma roça dura dentro do corpo dela. Na real, faz dias que ela tá com tesão, e a situação de hoje só deixou ela mais excitada.
**********
Aurelia e Cristina ficam em silêncio enquanto veem Fina e Antonio voltarem estranhos pra sala de jantar. Que situação mais bizarra. O jeito que Olga apareceu entrando em câmera lenta na sala, com o olhar perdido, ignorando todo mundo, com aquele sigilo... encheu os presentes de intriga.
- Pode ser que ela estivesse passando mal - diz Fina, chutando no escuro.
- Sei não, parecia sonâmbula - fazendo questão de usar uma suavidade incomum na fala.
- De onde ela vinha? Devia estar com o Fran - fala a mãe, tentando ligar os pontos.
- Devem ter discutido, mas cadê ele?
Antonio explora o ambiente com o olhar, mais pra encenar a pergunta do que pra achar o filho. Como resposta, aparece Fran, cercado pelo olhar curioso dos 4 convidados. Surpreso com aquele silêncio pesado, pergunta:
- Ei, família, o que tá rolando aqui? - se sentindo o centro das atenções.
- Não sei, filho, diz você - responde Fina, fazendo uma expressão exigente no rosto.
Uma sensação abrasadora de angústia toma conta do garoto, que se sente descoberto. Mas como? Paralisado, ele procura a namorada. A ausência dela só faz aumentar a preocupação dele. Com claros sinais de desconforto, ele pergunta:
— Cadê a Olga? — com uma voz frágil e medrosa.
— Foi embora. Tava muito estranha. Não respondia quando a gente falava — diz Fina.
— Pode ser que não tivesse ouvindo vocês — ele fala sem conseguir sustentar o olhar da mãe.
— Com a voz que seu pai tem, é impossível que ela não ouvisse... — sendo interrompida.
— Filho! Essa mina tava traumatizada, alguma coisa você fez pra ela — Antonio, impaciente.
Um alívio cauteloso toma conta de Fran. Ele começa a acreditar que os pais não sabem que, minutos atrás, ele tava comendo a Laura no banheiro. Por outro lado, a fuga surreal da Olga parece indicar que a privacidade daqueles atos não era tão hermética quanto ele esperava. Ele senta pensativo, prevendo o fim quase certo do namoro depois de tantos anos.
— Fran! — grita o pai, impaciente, assustando ele.
— É, a gente discutiu, mas não esperava que ela fosse embora assim — improvisando.
— Mas o que aconteceu, filho? — insiste Fina, com uma expressão triste.
— Nada, já antes de chegar ela tava puta por ter que vir, porque acha que todo mundo aqui odeia ela. Mas eu insisti. E aí, deixar ela sozinha por tanto tempo, ela ficou ainda mais irritada e, bem... não sei como foi, mas a discussão escalou no jardim e a gente pode ter falado umas merdas sem pensar direito — se virando pra contornar a situação.
Um silêncio reflexivo toma conta até que Laura aparece sorrateiramente, meio corada.
— O que foi? — com um fio de voz assustado.
— Nada, é que briguei com a Olga e ela foi embora — ele diz, olhando fixo pra ela.
— Ah! Poxa — ela sussurra, sentando na mesa disfarçando.
— E o David? — pergunta Fina, com curiosidade renovada.
— Mmmmmm... a gente também brigou e ele foi embora — sem muita convicção.
— Ele deixou a jaqueta aqui — observa Antonio.
— Segunda-feira eu levo pra ele na aula — despreocupada. enquanto começa a pegar a sobremesa.
- Uau! - tudo vai se resolver - diz o pai tirando o peso do assunto.
Depois que Fran e Laura desenharam um cenário razoável que explica vagamente as ausências abruptas dos convidados, a tensão se dissipa, acalmada pelos comentários que as sobremesas gostosas provocam. Tendo salvado a situação, umas olhadas cúmplices entre os irmãos escondem o alívio triunfante de quem sabe que escapou do perigo de uma situação que poderia ter se tornado infinitamente embaraçosa.
Cristina volta a sorrir, encorajada por um pensamento simples e leve que segue a corrente do momento presente. Ela não sente falta dos que foram embora e nem sequer vai dedicar um único pensamento a eles ao longo da sua vida próspera.
A perspectiva de Aurelia é bem diferente. Embora a surdez dela tenha deixado escapar a maior parte das palavras que foram ditas naquela sala de jantar, ela se dedicou a interpretar os gestos, as expressões, os olhares furtivos... Ela sabe de tudo. Sabe até mais que os próprios protagonistas, e isso deve à sua longa experiência. Ela entende melhor essas emoções e essas inquietações. Na idade dela, já viu de tudo e nada a escandaliza. Por trás do rosto enrugado, esconde-se uma mente meio distraída, mas dotada de uma grande eloquência e cheia de vivências. De jeito nenhum ela vai tomar partido nisso. Apesar de aparentemente só superar por pouco o status de um móvel no desenrolar da reunião familiar, todos ali presentes devem a existência a ela. Se alguma vez sentiu que a vida dela não tinha sentido, bastou contemplar a família, a obra, a descendência, a criação dela... para se sentir valiosa. Ela nem precisa do menor reconhecimento, pois a consciência plena já basta. Como se fosse uma tarefa complicada, ela dobra o guardanapo e o coloca sobre os joelhos.
***********
- Tá doendo? - diz Laura, mal começando a superar a enfado.
—Não, não é meu sangue — enquanto limpa as mãos na pia.
—Como você conseguiu? É que ainda não entendi — balançando a cabeça.
—Sério?... — incapaz de continuar pronunciando as palavras que queria dizer.
—O quê?! Eu bati na Olga? — indignada.
—A Olga é minha namorada há anos — respondendo em tom de lição.
—E o David é meu namorado há uma semana, e daí? — com tom agressivo.
—Isso não é namorado nem é nada — responde evitando ela.
—Você é que sabe — sussurra com desprezo.
Um breve silêncio enquanto Fran termina de se limpar e seca as mãos na toalha. Tentando adiar o contato visual e sem saber bem se entra ou não em terreno perigoso, finalmente olha pra ela e diz:
—Você só trouxe ele pra me deixar com ciúmes — em tom de reprovação.
—Ah, claro! Você é tão importante pra mim que minha vida gira em torno de você — zombando.
—Tá me dizendo que você realmente ama aquele bocó? — a tensão aumentando.
—Tá me dizendo que você realmente ama aquela foxy? — com voz debochada.
—Vocês transaram? — pergunta baixando o olhar e o tom.
—Isso não é da sua conta — bruscamente.
—Eu transei com a Olga quase toda noite — dispara.
Surge um silêncio desafiador, concentrando a energia no olhar rancoroso de Laura, que tenta transmitir seu desprezo semicerrar os olhos com o rosto contraído. Não é uma reação inesperada pra Fran, que controla o ritmo da conversa:
—Mas todas e cada uma das vezes, pensei só em você — se achando romântico.
—Então seria bom se você tivesse me dito, nem que fosse por um mísero WhatsApp, já que você não foi bom em me falar nada durante um mês inteiro — ela repreende.
—O que você quer que eu diga? "Laura: adorei aquele último dia, tô morrendo de vontade de te comer de novo, mesmo você sendo minha irmã" — cantarolando a frase.
—Por que não? Eu teria gostado de saber, qualquer coisa teria sido melhor do que ver você sumir por um mês inteiro sem me falar nada. quando você costumava vir toda semana pra jantar. Como você acha que eu me sentia quando papai e mamãe diziam "seu irmão ligou, disse que tá bem". Você acha que eu sou de pedra?
Fran fica surpreso de novo com os olhos marejados de Laura, que mostram o próprio egoísmo dele nas últimas semanas. Sem parar de encará-la, ele percebe o quanto negligenciou a irmã desde aquele dia.
— O quê?! — ela exclama, impaciente.
— Não pensei que você pudesse se sentir magoada. Parecia que tudo era um jogo pra você.
— Era um jogo, como tudo, mas era com você, isso que importa — enfatizando.
Ao terminar a frase, uma das lágrimas de Laura fica insustentável e, impulsionada por um piscar de olhos, escorre pela bochecha. Percebendo essa indiscrição, a garota se sente justificada pra adicionar um pouco de teatralidade e bancar a vítima de forma mais convincente. Ela cobre o rosto pra fingir um choro mais definido, provocando uma reação protetora e calorosa do irmão. Fran se aproxima e abraça ela com carinho, enquanto ela se desliga das lágrimas pra retribuir o abraço, levantando bem os braços pra compensar a grande diferença de altura. A fusão não é nada estática e se eterniza de forma terna. Fran vive de um jeito estranho o contraste entre a novidade da situação e a familiaridade da irmã, que se soma à antiguidade daquela pia que por tantos anos fez parte da vida dele. De repente:
— Ai!... caramba, dói aqui — com surpresa.
— Deve ser da briga ainda — com tom sonolento, consequência do abraço.
— Não percebi que tinha levado — tocando as costelas.
— Como não? Vocês se pegaram bem — sorrindo.
— Nah, eu dei mais — após uma breve pausa reflexiva.
O gotejar de palavras para, abrindo um silêncio cheio de incertezas. O abraço deles permanece, se enriquecendo com olhares tendenciosos e tão próximos que até custa focar a visão nos dois olhos um do outro. Esses segundos mudos navegam por uma... Corrente avassaladora, conduzidos inevitavelmente ao abismo de uma grande cachoeira de águas incestuosas ardentes. Sem nem tomar essa iniciativa, os dois se encontram fundidos num beijo íntimo enquanto suas línguas se esfregam uma na outra, encharcadas num coquetel de cuspe. O vestido de Laura cai lentamente aos seus pés, revelando uma lingerie marrom refinada, mas provocante, perfeitamente combinada. Enquanto tenta se livrar dela, Laura diz:
— E você? — enquanto se protege com um sorriso.
Fran não tem tempo nem mãos suficientes para se despir, enquanto Laura se livra de suas últimas peças de um jeito muito mais lento, gracioso e sensual, ao mesmo tempo que se vira de costas, apoiada no mármore da pia.
— Não temos muito tempo — sussurra ela, justificando a brevidade dos preâmbulos.
— Não se preocupa, tô com tanta vontade de te foder que não vou durar — falando bruscamente.
Ele se junta a ela, enfiando a pica entre as coxas juntas da irmã, subindo até sentir a umidade dela. Ela se empina mais, empurrando instintivamente Fran, que não hesita em proceder como deve, sentindo aquele abraço quente e molhado na sua tranca vigorosa. Os movimentos deles mal demoram alguns segundos para acelerar apaixonadamente, em meio a uma contenção sonora mútua que só deixa espaço para o som das carnes deles se chocando. Esse som eclipsa o burburinho distante da família vindo da sala de jantar. A luz do sol atravessa distorcidamente os tijolos de vidro, pintando o corpo de Laura com linhas luminosas que acariciam e realçam suas curvas eróticas. Fran segura ela firme pela cintura enquanto imprime a energia vital de todo o seu ser, focado no ponto que os une. Ela estava com tanta vontade e está tão tesuda que não consegue disfarçar o primeiro orgasmo, mesmo abafando os gemidos. Ele, fazendo gala de um grande autocontrole, consegue se desvencilhar e parar sua deriva orgásmica. Por alguns segundos, tenta pensar na avó pelada para... Pegar um pouco mais de margem. Enquanto Laura tenta se recuperar, percebe que o irmão empurra a rola dura e molhada entre as nádegas dela, alcançando a entrada anal inédita.
- Tio, o que cê tá fazendo? - saindo do torpor com uma risada.
- Tô há semanas querendo fazer isso - apertando os dentes.
- Não, qual é... - incrédula.
- Cê é virgem de cu? - enquanto penetra até o fundo.
- Ah, aaaaah, agora não mais - sussurrando entre risadas.
Fran para, parece ter ouvido passos na escada e talvez uma sombra tenha se desenhado na janelinha translúcida sobre a porta do banheiro.
- O quê? - ela pergunta em voz baixa, sentindo ele todo dentro.
- Shhhh - ele responde, aguçando a percepção.
Mas nada quebra o silêncio, e Fran se sente no direito de retomar a disputa lasciva. Tira e mete cada vez mais rápido, enquanto a irmã lubrifica e os movimentos ficam mais frenéticos. Laura sente o cu queimar, incendiado por sensações tingidas de novidade. O tesão dela não caiu desde o orgasmo. Os gritos distantes da Cristina falando com a avó acompanham as gargalhadas do pai e os berros da mãe... longe de cortar o clima, isso a excita ainda mais, sentir tão proibido e secreto o encontro com o irmão debaixo do mesmo teto. Com o cu cheio, no meio da bagunça, ela consegue distinguir um par de sombras que aparecem por baixo da porta. Uma dedução rápida abre caminho entre o prazer desenfreado pra fazer ela notar quem está atrás da porta espiando. A satisfação que um tenista sente bem antes de rebater uma bola fácil que flutua a centímetros da rede, pedindo pra ser esmagada sem contestação, toma conta de Laura, que começa a gemer e respirar alto até soltar:
- Ah, sim, Fran, me fode, me fode no cu - pra Olga ouvir.
- Aah, aaah, sssshh, cala a boca, Laura, podem nos ouvir - ele sussurra.
Ela mal liga e continua gemendo. A ação se prolonga. repetitivamente borrando a passagem do tempo entre ondas gostosas de prazer dos dois lados. Laura percebe que o segundo orgasmo tá chegando, ainda cavalgando na esteira do primeiro. Quase sem conseguir segurar os gritos, ela goza submetida ao açoite sem parar da virilidade do irmão dela. O garoto começa a enlouquecer enquanto se entrega de corpo e alma. A explosão notória da Laura impulsiona as emoções dele, projetando elas até o teto do banheiro da família. Ele sente um calafrio, um formigamento em cada canto do ser, os pelos ficam arrepiados... Sente um jorro quente que parece vir misticamente do fundo da alma pra entrar no cu da irmã e varrer de uma vez toda aquela excitação tensa ao máximo dentro dele. É isso: uma enxurrada de paz e alívio acaba com tudo em poucos segundos enquanto ele goza entre suspiros. Quase sem forças, ele cai se desmanchando em cima do vaso ainda pingando. Quando levanta o olho, mal consegue ver a irmã se escondendo dentro do chuveiro.
- Já é tarde, Fran, tão se perguntando onde a gente tá - com pressa repentina.
Ele não fala nada e se veste com cara de pensativo. Acompanhado pelo barulho irregular do jato do chuveiro atrás da cortina, tenta avaliar os próprios atos com uma nova perspectiva menos condicionada. Se limpa um pouco na frente do espelho e dá uma última olhada na roupa da Laura jogada no chão junto com os sapatos de salto. Respira fundo, cheio de pensamentos, e vai bem devagar, degrau por degrau, em direção à sala, sentindo falta do escândalo clássico de domingo da família. Cadê as risadas? E os gritos? Quando chega na sala, vê a família dele intrigada.
- Ei, família, o que tá rolando aqui? - se sentindo o centro das atenções.
- Não sei, filho, fala você -
**********
No mesmo instante que o Fran sai do banheiro, a Laura sai do chuveiro enrolada numa toalha, abre a janela pra dissipar o vapor. Quando olha pra rua, vê Assim que o carro da Olga arranca derrapando e saindo na maior pressa. Com a mente livre de todas aquelas sensações que atormentavam seu pensamento, ela consegue raciocinar com muito mais clareza. Analisa os possíveis danos colaterais que podem estar esperando por ela lá embaixo, na sala de jantar. A verdade é que, na hora em que Fran estava comendo ela, quando percebeu a presença da Olga, só conseguia pensar em dar um golpe certeiro na sua odiada rival, mas não pensou no que ela poderia contar. Na frente do espelho, repara na sua cor, ainda mais corada que o normal. Penteia o cabelo, termina de se vestir e desce as escadas correndo.
— O que foi? — com a voz trêmula de medo.
— Nada, briguei com a Olga e ela foi embora — diz Fran, olhando fixamente para ela.
— Ah! Poxa — ela sussurra enquanto se senta à mesa, disfarçando.
— E o David? — pergunta Fina, com uma curiosidade renovada.
— Mmmmmm... também brigamos e ele foi embora — sem muita convicção.
— Ele deixou a jaqueta aqui — observa Antonio.
— Já levo pra ele na segunda-feira, na aula — responde despreocupada, enquanto começa a pegar a sobremesa.
— Uuuh! Tudo se ajeita — diz o pai, tirando o peso da situação.
A tensão se dissipa, acalmada pelos comentários sobre as sobremesas deliciosas. Tendo salvado a situação, uns olhares cúmplices entre os irmãos escondem o alívio triunfante de quem sabe que escapou de um "match point" contra. Foi uma boa partida: Fran ganhou o primeiro set espantando o David, mas Laura soube conduzir o jogo e seu golpe final foi arriscado, mas arrasador. Ponto, set e partida.
Fim...
5 comentários - Jogo de Irmãos (Parte 2) Final
Me gusto mucho...
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