Sete por Sete (17): Intervenção




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Compêndio IÉ curioso como as coisas acontecem. Uma vez, meu rouxinol me disse que tinha medo de transar comigo à noite (reforçando a ideia de eu procurar outras parceiras), porque me achava muito animado.

No entanto, depois do nosso casamento, do nascimento das pequenas e do meu novo turno na cutie, a libido da minha esposa também cresceu e é ela quem acaba exigindo mais de mim.

Acho que tá muito ligado ao fato de eu ter "outras", porque ela sempre pede pra eu "fazer demonstrações" e aquela noite não foi diferente.

Mostrei como tinha feito com a Megan, mas também aproveitei pra descarregar o tesão que a Fiona me deixou à tarde (que, como esperava, me rendeu um "puxão de orelha" do meu rouxinol, já que "me desviei do plano dela" e fez ela considerar, junto com o que vou contar nessa parte, minha posição sobre uma crítica à moral, assunto que vamos discutir entre nós dois quando eu voltar do turno).

Não menti totalmente. Tinha coisas que queria fazer com ela, porque é minha esposa e ainda me deixa a mil. Mas algumas rolaram porque me vieram à mente quando estava com a Fiona.

O negócio é que os dois ficamos felizes: pra variar, eu, preso dentro dela, mas encantado pelos olhinhos verdes dela que me olhavam com tanto carinho. Dizia que ela me deixava tão contente, porque era minha, e ela só sorria pra mim.

Mas no dia seguinte, sexta-feira, nossa relação com a Megan mudou drasticamente.

Passei uma tarde tranquila. A Fiona tava com um sorrisão, porque além do carinho que eu dei com o "Ted" (É mais fácil do que ficar escrevendo "Bichinho de Pelúcia" toda hora), o Kevin voltou bem tenso, então ela buscou o amor da esposa pra "esquecer as preocupações".

Mas à noite, me surpreendi ao ver a Megan. Ela costuma ficar de segunda a quinta quando tô de folga e de sexta a domingo vai pro apartamento dela no centro. No entanto, naquela tarde ela tinha voltado com meu rouxinol.

Cedi minha janta pra ela (tinha cozinhado pra Marisol e pra mim) e revivi o velho costume de “tomar um chá” que tinha na minha terra, servindo uma xícara de chá e uns sanduíches.
Mas a tensão na mesa dava pra cortar com uma faca…
Era tipo uma intervenção, igual quando o povo tem problema com vício.
“Ainda não consigo acreditar em você, Marisol.” Disse a Megan. “Quer dizer… ele é seu marido. Te ama pra caralho e vive falando isso o tempo todo. Tá me dizendo que não te incomodaria se eu beijasse ele agora?”
Marisol baixou o olhar.
“Não.” Respondeu minha esposa. “Ele é… especial… e eu sei que sempre vai voltar pra mim. Por isso deixo ele fazer isso.”
Megan bufou, sem acreditar.
“E você…” disse ela, me encarando. “Vive dizendo que ama sua esposa… Por que faz isso?... Que pergunta idiota!... porque você é homem.”
Marisol pulou pra me defender.
“Cê tá enganada! Meu marido fica desconfortável.” Disse Marisol, meio triste. “Ele sempre me pediu pra parar… até antes de a gente ficar noivo… mas eu acho ele tão doce, gentil e educado…”
“É. Não nego que ele é doce e gentil, e não me surpreenderia se você dissesse que tem outros amantes, porque ele parece um paizão bonachão e inocente… Mas ainda acho estranho vocês terem me contado isso…” Megan me olhou com estranheza. “…Eu não tenho nada a ver com essa história.”
Marisol também me olhou confusa.
“Tô te falando que preciso de alguém pra me dizer que isso é errado…”
“Por quê?” perguntou Marisol.
“Eu não tenho problema com isso!” exclamou Megan.
Tive que ser sincero…
“É porque sinto falta da Pamela.” Falei pra Marisol.
“Pamela?” Perguntou Megan. “Quem é Pamela?”
Mas Marisol ficou surpresa. Já faz quase um ano que não vejo ela…
“Amor, foi você mesmo que disse que não queria saber dela!” Disse minha esposa. “Você falou que não queria que eu te contasse sobre ela, porque queria que ela seguisse a vida dela…”
“Eu sei!... e ainda penso assim… mas não significa que não sinta falta dela.”
“Mas amor. Ela ainda…”
Sou bonzinho interrompendo esse tipo de coisa. É tipo um reflexo. Deslizei meus dedos nos lábios dela bem a tempo…
“Por favor, não fala isso!” falei, com tristeza. “Acredita em mim, a única coisa que vai fazer é me sentir pior.”
Marisol baixou o olhar, entendendo. Assim como ela age estranha, eu também tenho meus momentos.
“Ei, estrangeiros! Quem é Pamela?” perguntou Megan, interrompendo nosso mundo particular.
“Pamela é minha prima. Ela e meu marido também tiveram um rolo até a gente casar…” explicou meu rouxinol.
Os olhos de Megan ficaram arregalados.
“Então… o que ele me contou… da sua mãe e sua irmã…”
Marisol balançou a cabeça.
“Mas… Por quê?... É sua própria família!” disse Megan, toda escandalizada.
“Não é como você tá imaginando!” corrigiu Marisol. “Meu marido nunca quis me trair. Mas eu sabia que mamãe e minha irmã sentiam algo por ele. Meu pai era… bem… quando meu marido chegou na minha casa, a gente aprendeu como deveria ser um pai de verdade. Acho que foi inevitável, porque você já viu que o carinho do meu marido não tem condições, enquanto o do pai tinha…”
Megan ainda tava chocada…
“Mas sua prima…”
“Com minha prima, foi diferente.” Explicou meu rouxinol. “Talvez seja difícil de acreditar agora, mas meu marido só tinha olhos pra mim. Pamela era muito mais gostosa que eu e ficava puta que ele não olhava pra ela… Sempre tratou ele com desprezo, porque nunca acreditou que ele ia encontrar alguém que me amasse daquele jeito…”
De repente, ela olhou nos meus olhos.
“É isso que você sente falta? Que Pamela te despreze?” perguntou meu rouxinol.
“Claro que não, Marisol!” respondi. “Pamela se sentia culpada por te trair, porque achava que o que a gente fazia não era certo.”
“E por isso você me contou tudo? Porque queria que eu me sentisse culpada junto com você?” perguntou Megan, cada vez mais surpresa.
Foi nessa hora que percebi o quanto eu tinha sido egoísta…
“Olha… eu não conheço essa tal de “Pamela”, nem sei como Eu deveria me comportar pra você se sentir melhor." Respondeu Megan. "Eu sou eu… e mesmo que isso tenha sido a coisa mais estranha que já ouvi, não acho que você seja mau."
"Bem… agora você sabe de tudo. Se quiser, pode ir embora." Sugeri, mais desanimado.
Ela corou na hora.
"Claro que não!" protestou Megan. "Marisol é minha amiga… e com ela, aprendi bastante. Mesmo que tudo isso seja muito estranho… não quero ir."
O rosto de Marisol se iluminou.
"Você gosta dele!"
"O quê?"
"Você gosta do meu marido!"
"Claro que não, Marisol!" respondeu ela, tentando esconder o rosto. "O que tenho com seu marido é uma coisa de consolo… é só pra esquecer meu ex-namorado."
Mas Marisol parecia um cão de caça atrás de uma pista…
"Foi quando vocês transaram!" ela disse. "Você olhou nos olhos dele!"
Megan estava muito enrascada…
"Marisol… aquilo não foi 'transar'…" Respondeu Megan, vermelha até as orelhas. "Foi só sexo de despeito…"
"Não me minta!" insistiu Marisol. "Você também sentiu!"
Megan estava encurralada.
"Do que você tá falando?" perguntou ela.
"Marco, me explica como o vento se forma!" ordenou Marisol.
"O quê?" perguntei, confuso com a pergunta inesperada.
"Por favor, me explica como o vento se forma, que eu já esqueci!"
"Mas… perguntar isso agora?"
"Só faz!" ela ordenou.
Como a Megan estava presente, tive que ser mais gráfico e usar as mãos. Disse que a luz do sol aquecia o ar na superfície do planeta ou do mar, o que fazia o ar subir. Como se criava um vácuo, ele era preenchido com ar fresco, que repetia o ciclo, gerando assim o vento.
O rosto de Megan era indescritível…
"Ela fez esses olhos quando vocês fizeram, né?" perguntou Marisol.
"Como… você sabe?" Perguntou Megan, muito surpresa.
Na real, não sei se ela viu. Quando transei com a Megan, tava escuro e, embora ela tenha se aproximado e eu conseguisse distinguir parte dos traços dela, não vi o rosto dela claramente. Pode ser que ela, enquanto me montava, tenha Teve mais sorte…
Marisol sorriu, bem envergonhada.
"São os mesmos olhos que ele faz quando está comigo. São os olhos dele para as coisas que ele ama…" explicou Marisol. "Uma boa amiga chama isso de 'Olhos de engenheiro'… mas acho que é mais que isso. Você se sentiu amada, gostosa, a única mulher no mundo, né?"
"Sim." confessou Megan.
"Você se sentiu protegida, segura e não queria que ele parasse de te olhar, verdade?"
"Sim, Marisol. Tudo que você diz é verdade… mas ele não pode me amar." respondeu ela. "Sei que não agrado ele, porque não sou o tipo dele. Talvez você seja, sua vizinha ou até a chata da ruiva, mas olha meus peitos. Não são muito grandes… e além disso, sei bem que não agrado ele."
Megan baixou o olhar. Pensei em dizer algo, mas Marisol me impediu.
"Você perguntou pra ele?"
"Claro!" exclamou Megan, bem irritada. "Queria saber por que ele brincava comigo! Por que não me tocava!… e a única coisa que consegui foi uma resposta idiota de que gostava que eu fosse esforçada."
Marisol sorriu.
"É que essa é outra das coisas que torna meu marido especial: mesmo quando o corpo dele diz o contrário, ele sempre repara no que você sente." explicou ela.
"Do que você está falando?" perguntou Megan, incrédula.
"Quando a gente namorava, eu era ainda mais magra que você e o corpo que tenho agora é só por causa da gravidez. Você sabe bem que ele gosta de peitos grandes, assim como eu sabia, e imagina como eu me sentia quando minha irmã mais nova me dava os sutiãs velhos dela, porque os peitos dela tinham crescido demais." disse Marisol, com um tom nostálgico, mas depois me olhou nos olhos. "Mas mesmo que minha mãe e minha irmã fossem mais atraentes pra ele, e até minha prima Pamela tentasse roubar a atenção dele, meu marido sempre me olhava e eu sabia que era dele, assim como eu sou dele… e por isso te digo que ele te ama e se ele quis te contar isso, deve ter seus motivos."
"E… o que vamos fazer?" perguntou Megan.
Por um momento, tive a sensação de já ter vivido isso antes. Lembrava da minha querida Pamela, perguntando algo parecido com o que a Megan perguntava.
“Não sei! Como ele diz, se você quiser, pode ir embora…”
“Não, não quero!” disse Megan. “Isso é muito estranho pra mim… e sinceramente, não sei o que sinto pelo seu marido. Por enquanto, queria… aproveitar e ver no que dá.”
“Nossa casa é grande e temos muitas camas…” disse Marisol. “Ou, se preferir, pode dormir com a gente…”
Acho que isso foi a gota d’água…
“Marisol… sei que você pensa diferente e aceito… mas ficar com outra mulher é algo estranho pra mim, entende?” respondeu Megan, com sinceridade. “Acho você muito gostosa… e talvez, um dia, a gente fique… mas, se não se importa… queria ir mais devagar… a sós, sabe?”
Com certeza, isso eu já tinha vivido antes. Não era a primeira vez que me sentia “emprestado”, como se fosse uma vassoura ou um aspirador…
“Claro que entendo! Não é a primeira vez que isso acontece comigo!” respondeu meu rouxinol. “Que tal você ficar com ele primeiro? Porque prefiro que depois você me mostre o que fez com ele…”
A vergonha a impediu de responder com palavras e, como se fosse uma menina, me pegou pela mão e me levou pro quarto dela.
“Não se preocupa! Eu cuido das pequenas!… mas tenta voltar antes das 3, porque vou estar te esperando…” disse Marisol, me mandando um beijo.
Sim. Com certeza já tinha vivido algo parecido… algum tempo atrás…
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2 comentários - Sete por Sete (17): Intervenção

Hola! Yo no encuentro las entrega 7x7 2 y 3
Si, ya me han avisado. Las voy a subir.