Una peculiar familia 17

CAPÍTULO XVII

Sendo como era, às vezes era difícil mergulhar no mundo interior da Dori e entender o que se passava na cabeça dela. Não que ela fosse complicada, nem mesmo reservada. Simplesmente acontecia que a bondade dela era tão extrema, que ela preferia guardar os próprios sofrimentos pra si e não externalizá-los, pra ninguém ter que se preocupar minimamente com ela, escondendo sob uma aparente felicidade o que no fundo era infelicidade.

Como eu tinha estado tão ocupado ultimamente em substituir meu pai no tálamo gozoso e surgindo o compromisso inadiável de ter, finalmente, uma sessão a sós com minha Barbi, minha próxima preocupação mais urgente era repetir a dose com a Cati, pois, já que elas eram tão iguais como gêmeas, eu achava que ambas mereciam receber o mesmo tratamento.

Sinceramente, acho que a coisa com a Cati poderia ter se concretizado sem muita demora, pois tudo parecia predisposto pra que fosse assim. Mas as coisas começaram a se complicar um pouco e não tive outra saída a não ser adiar o que já parecia iminente.

Não tive outra saída a não ser dar razão mais uma vez ao meu pai: "Os problemas nunca vêm sozinhos; e, quando muitos se juntam, o melhor a fazer é estabelecer uma ordem de prioridades, pois só assim conseguirá resolver pelo menos alguns deles".

A Bea e a Luci estavam me chamando na Mansão, pra onde eu não ia há não sei quanto tempo. A Bea, não sei se com a verdade na frente ou usando isso como simples isca, também colocou a mãe dela, a Merche, no meio, me dizendo que essa última estava interessada em receber meu pai, pra conversar um pouco e depois seguir com o que o destino sugerisse. O tipo de sugestão, vindo de onde vinha, estava mais do que claro.

E eu já estava decidido a dar uma passada na Mansão, pra resolver o assunto e fazer de quebra as devidas homenagens às minhas encantadoras meias-irmãs, quando algo muito mais prioritário pra mim veio bagunçar meus planos.

Como a Nesse ponto, como meu objetivo fundamental é narrar exclusivamente os assuntos que afetam o tema que tenho em mãos, deixando de lado tudo o que possa sobrecarregar desnecessariamente a paciência do leitor, não sei muito bem o que já disse ou não disse. Sei que fiz alguma referência aqui e ali à casa em que vivíamos, mas não me lembro de ter especificado que se tratava, de fato, de uma casa e não de um apartamento. Ou seja, pela porta da rua só entrávamos nós e quem estivesse convidado a fazê-lo, sendo esta última situação pouco frequente, pois nem meu pai nem minha mãe eram muito dados a receber visitas ou a fomentar amizades que atingissem tal grau de intimidade. "Cada um em sua casa e Deus na de todos", era o velho aforismo com que minha mãe resumia a questão, embora só se lembrasse de Deus para incluí-lo nessas ou em outras citações equivalentes.

O que eu queria chegar, com tudo isso, era explicar que, na parte de trás, minha casa tinha um pátio relativamente amplo ao ar livre, pouco frequentado durante os rigores do inverno, mas centro de muitas atividades domésticas no verão. E faço referência a isso porque foi aqui que tive a oportunidade de descobrir a tragédia que Dori estava vivendo sem que eu, na minha ingenuidade ou egoísmo, tivesse percebido nada.

Naquele dia, havia sido feita a troca geral de lençóis em todas as camas da casa, e Dori estava dedicada a colocar para secar os que já haviam passado pelo processo de lavagem correspondente. Como de costume, estava divina como sempre, com um vestido leve que, já sendo curto por si só, ficava ainda mais curto quando ela se esticava na ponta dos pés para alcançar e colocar os prendedores que seguravam os lençóis já estendidos.

Como havia feito muitas outras vezes, aproximei-me sorrateiramente por trás e, quando ela estava mais tranquila e confiante, envolvi sua cintura com meus braços, levantando-a levemente no ar.

Dori, por costume, já sabia que aquela brincadeira só podia vir de mim e, até então, sempre a recebera com uma gargalhada, à qual imediatamente seguia um beijo mais ou menos significativo, conforme as circunstâncias de cada caso.

Mas desta vez, tudo foi bem diferente. Não só não houve gargalhada, nem beijo grande ou pequeno, como no olhar que me dirigiu, percebi uma expressão bem estranha, desprovida completamente daquela doçura que tanto a caracterizava.

— O que foi? Por que tá me olhando assim?

Dori parecia ter ficado surda. Sem dar resposta alguma, assim que se viu livre do abraço, continuou colocando prendedor atrás de prendedor sem me dar a menor bola, como se eu não estivesse ao seu lado.

Não tive a menor dúvida de que ela estava brava com alguma coisa, mas não me considerei a causa da raiva, pois era habitual nela que, quando não estava de humor, não estivesse para ninguém, fosse ou não responsável pela sua irritação. Então voltei à carga e dei-lhe um novo abraço, desta vez aplicando minhas mãos naquelas tetinhas que, pouco a pouco, iam ganhando consistência.

— Por favor, Quini, me deixa em paz! Não tá vendo que tô ocupada?

Não havia na sua voz um tom especialmente animado, mas a seriedade, por ser desacostumada, me surpreendeu um tanto e congelou meu sorriso.

— Pode me dizer o que foi?

— Não foi nada.

— Tá menstruada? — às vezes, não sempre, a menstruação a deixava meio estranha.

— Não tô menstruada. Só acontece que não tô a fim de brincadeiras.

— Com certeza tá menstruada.

— Repito que não.

Antes que ela pudesse perceber, minha mão já tinha se enfiado por baixo da sua saia e apertava sua virilha. De fato, não havia nenhum absorvente delator e, por trás do tecido da sua calcinha, não apalpei outra coisa senão sua maravilhosa buceta.

— Já ficou satisfeito?

— Tá brava comigo?

— Não tô brava com ninguém.

— Tá sim. E não vou te deixar em paz até que me diga o motivo.

Dori soltou um daqueles bufos, tão típicos dela, que Ela levantou a franja até deixá-la quase horizontal. Ela sabia muito bem que, quando eu me empenhava, ninguém conseguia ser mais insistente do que eu.

Com uma expressão de resignação, ela terminou de colocar o último grampo e então me encarou, com os braços na cintura.

— Tá bom — ela se preparou para confessar. — É, eu tô brava. E tô brava com você... E se você quer saber o porquê, é porque você é burro.

— Já imagino o porquê; mas acho que entre nós dois há confiança suficiente para você ter me contado antes de ficar brava.

— Não tenho o costume de me meter em assuntos alheios quando não sou chamada.

— Várias vezes você veio até mim sem que eu te chamasse.

O que eu fui dizer! Num gesto de raiva, que eu nunca acreditaria que ela fosse capaz, ela pegou a cestinha dos grampos e a enfiou na minha cabeça como um chapéu, até os meus olhos, fugindo de mim como se fosse perseguida pelo próprio demônio.

Ela tinha enfiado a maldita cestinha tão bem na minha cabeça que levei um tempinho para me livrar dela com o mínimo sofrimento possível. Mas com paciência e alguns puxões de cabelo, consegui meu objetivo. Entrei na casa e procurei desesperadamente por Dori. A atitude dela me tinha totalmente desconcertado e saber que eu era a causa da sua tristeza me fazia sentir um miserável. Depois de olhar na cozinha e na sala, acabei encontrando-a no seu quarto. Ela estava deitada de bruços na cama, com o rosto afundado no travesseiro, o corpo agitado por uns soluços que ficavam abafados pela mordaça que ela mesma tinha criado.

Minha querida Dori chorando! E chorando por minha culpa! Isso era mais do que eu podia aguentar. Me joguei literalmente em cima dela e, vencendo sua resistência teimosa, a obriguei a me olhar diretamente nos olhos.

— Por favor, Dori! Me bate, me xinga... mas não chora!

Bebi materialmente suas lágrimas para apagar do seu rosto qualquer vestígio de tristeza e então, completamente desestabilizado, reclin perceber como sua mão começou a acariciar meu cabelo.

— Já não me odeia? — perguntei quase num suspiro.

— Odiar você? Você realmente acha que eu poderia algum dia odiá-la?

— Também não está mais brava?

— Eu deveria estar, mas...

Ela deixou a frase inacabada porque, segurando minha cabeça com ambas as mãos, a guiou até que meus lábios ficassem ao alcance dos seus, fundindo uns e outros num beijo longo e embriagante, desfazendo com o calor do amor todo o gelo daquela raiva pela qual momentaneamente se deixara dominar, talvez pela primeira vez na vida.

— Acha bonito o que me disse sobre eu vir até você sem ser chamada, como se eu fosse uma gata no cio ou algo assim?

— Não devia ter dito isso. Sinto muito.

Resultou inevitável que, entre as carícias e o beijo prolongado, meu pacote entrasse em estado de alerta vermelho. E na posição em que estávamos, era o mais natural que Dori notasse em sua coxa a pressão que sobre ela exercia meu membro endiosado, que seguia seu caminho sem se preocupar com os problemas alheios nem com a situação quase dramática que vivia seu proprietário natural.

Porque, embora as coisas estivessem se ajeitando, eu sentia em meu coração o peso do resíduo amargo que nele deixara o inusitado rancor de Dori. Reconheço que sempre fui muito cabeça-dura e não cedo facilmente, por mais errado que esteja em minhas conclusões. Não admito assim, de qualquer jeito, ser responsável por nada e sempre busco razões para encontrar, no mínimo, uma responsabilidade dividida. Com Dori a coisa mudava substancialmente e, sendo como era, pouco trabalho me custava renunciar ao meu temperamento teimoso e me colocar diante dela de joelhos se fosse preciso, até mesmo para pedir um perdão que julgava inadequado. Mas no fundo, tanto nessa como em muitas outras ocasiões, admitir minha parte de culpa não implicava admitir que ela não tivesse também a dela.

— Você é um trapaceiro — Dori já voltava a ser o anjo que era e, enquanto se concentrava em o zíper da minha calça, seu sorriso inigualável florescia novamente — Você sempre joga com vantagem. — Com que vantagem? Ela atrasou a resposta até ter meu pau bem seguro na mão. — Com essa, bandido! — disse, balançando meu membro mais do que túmido. Minha réplica foi imediata e, enfiando minha mão dentro da calcinha dela, agarrei toda a grandeza de sua vulva e a presenteie com um balanço similar. — Mas isso desequilibra a balança a seu favor — continuei a brincadeira. A birra, a raiva, ou seja lá o que fosse, passou imediatamente para uma história melhor. Por pura prática, a habilidade com que nos vestíamos e desvestíamos quase parecia coisa de mágicos. Num instante, Dori e eu estávamos com a mesma indumentária que trouxemos ao nascer e, como para ela o caso era urgente pela necessidade acumulada naqueles dias de abandono, ela me pegou com tanto afinco que não saberia dizer se foi meu pau que afundou na sua buceta ou se foi ela que o absorveu sem contemplações e sem dar alternativa. Embora alguns possam pensar o contrário, a camisinha não faltava em nenhum caso, exceto no já mencionado com minha mãe, desnecessária por ela ter feito uma laqueadura que deixava seus óvulos a salvo do ataque de qualquer espermatozoide aventureiro. Acho desnecessário mencionar isso daqui em diante e o leitor deve presumir que esse requisito sempre era cumprido, mesmo que, para não repetir tantas vezes a mesma coisa, eu não o mencione expressamente. Dori, muito esperta, tinha colocado uma daquelas de "efeito retardado", porque sem dúvida queria recuperar de uma só vez todo o tempo perdido. Ela também tinha aprendido a fazer suas coisinhas com os músculos vaginais e sabia muito bem como agir quando queria me levar à loucura; mas nesta ocasião seus propósitos eram, em princípio, atender à própria demência antes que à minha e ela me esporeava sem cessar para que, sabendo que com aquele tipo de preservativo o meu poderia levar seu tempo, ela bem motivada; ou, o que é a mesma coisa, imprimisse um bom ritmo aos meus quadris para que o trabalho do aríete fosse mais contundente.

Dori era tão especial que, às vezes, eu até tinha a impressão de que ela gozava por vontade própria; ou seja, quando ela queria. Eu não sabia qual era a arte dela, mas ela fazia o mesmo em um minuto ou demorava meia hora, embora minha atividade fosse a mesma em ambos os casos. Dessa vez, ela nem chegou a um minuto. E embora, como em tudo, Dori não fosse muito espetacular em suas reações, eu diria que aquele primeiro orgasmo daquele dia teve um significado muito especial para ela e foi o melhor que ela já tinha sentido, apesar de eu ter feito pouco para proporcioná-lo. Talvez fosse porque meu pau também escapava ao meu controle em certos momentos e fazia coisas estranhas das quais eu não percebia.

De qualquer forma, o óbvio foi que, após aquele primeiro clímax, as coisas voltaram ao seu curso habitual e, uma vez saciada a fome mais urgente, Dori me fez virar de costas e subiu em cima de mim, doce presságio de que a foda que se aproximava seria muito mais parsimoniosa e coloquial.

Eu já, naquela altura, chamava de "foda celestial" porque aquilo era coisa de anjos. Ela se acomodava bem sobre minha pélvis, com todo o meu instrumento dentro de sua buceta e com os joelhos apertados contra meus lados para anular qualquer possibilidade de movimento colaborativo da minha parte. Ela era a rainha e eu seu dócil vassalo. Ela impunha as regras e a mim não deixava outra opção senão olhá-la e acariciá-la, enquanto seus movimentos, esfregando sua xota contra meu corpo com todo o meu pau dentro, adaptando-se à trajetória que ela bem entendia seguir, me levavam a um estado de catarse total até me levar à beira do possível e do impossível, a esse ponto crítico e preciso em que minha vontade já se desvanecia completamente e eu deixava de ser eu para me tornar no que ela quisesse, a um passo mínimo do tudo do nada, como se ela fingisse. E a voz dela, rouca de prazer, sussurrando recriminações que soavam para mim como um coro seráfico.

— Por que sou tão mole com você? Você não merece nem um décimo do carinho que sinto por você...

O fervor da buceta dela se espalhava por todo o meu corpo. Não era um calor opressivo, mas sim entorpecedor; ou melhor, anestesiante dos sentidos, de modo que eu sentia sem sentir e delirava sem delirar.

— Na verdade, você não merece carinho nenhum... Eu deveria é odiar você...

— Se é assim que você demonstra seu ódio, continue me odiando com toda sua alma... Nunca se canse de me odiar, que eu te acompanho...

Aquilo era o mais parecido com o ser ou não ser do drama shakespeariano, com o viver sem viver do misticismo teresiano e com todas aquelas coisas estranhas que se dizem e se leem e que a gente só entende de verdade quando sofre na própria carne. Comigo era assim quando a Dori imprimia naquele corpo dela aquele balanço sugestivo e insistente, que às vezes dava a impressão de que não se mexia, mas que exercia sobre mim todo o efeito da maior das carícias.

— Você não diz nada, né? Porque sabe que pisou na bola...

Bendita pisada de bola minha, que recebia um castigo desses! Eu tinha chegado a um estado de graça tão grande, que gozar ou não gozar já era o de menos. Eu me sentia como se todo o meu corpo fosse um grande falo, com um formigamento doce que se espalhava da cabeça aos pés.

— Da próxima vez, minha vingança vai ser terrí...

A última sílaba ficou engasgada e ela nunca chegou a pronunciá-la. Toda a voltagem que ela tinha acumulado na ppk se espalhou de repente por todo o seu ser, e aquelas descargas dela fizeram com que todo o meu formigamento se concentrasse de uma vez no meu pau, que acabou cuspindo aos tropeços toda a seiva sabiamente contida pelo trabalho metódico e cuidadoso a que a Dori a tinha submetido por sabe-se lá quanto tempo; pois fazia um bom tempo que eu tinha perdido completamente a noção do tempo, do espaço e de todas as dimensões existentes e por existir.

Passado o fragor da tempestade e restabelecida a calma, ainda com meu pau alojado em seu encantador refúgio, Dori retomou seus movimentos mefistofélicos, embora agora suavemente, como aquelas marés mansas que ficam depois de passada a grande ondulação.

—Você gostou, né?

A resposta, por óbvia, me poupei e me limitei a acariciar com as pontas dos dedos aqueles peitinhos, que já começavam a merecer um diminutivo menos drástico.

—Me comportei bem, né? Só precisa ver a cara de satisfação que ficou em você...

—Querida Dori, você sempre se comporta de forma impecável e tem a virtude de me proporcionar algo que não encontrei em mais ninguém até agora... Suponho que também seja em parte devido ao quanto você significa para mim.

—Se eu significo tanto para você, por que me tem tão abandonada?

—Você sabe que nunca te abandonaria por nada. Talvez eu tenha pecado de egoísta da minha parte; e isso, somado à sua generosidade, fez com que acontecesse o que aconteceu...

—E que espero que nunca mais aconteça.

Não me atrevi a me comprometer tanto. Geralmente, aquilo que se tem garantido nunca recebe o apreço que merece e somos mais aficionados em conquistar o passageiro, o incomum, antes que escape.

E isso me fez lembrar que Bea e Luci, e até a própria Merche, também já estavam me cobrando, todas alegando motivos diferentes; mas, no fim das contas, perseguindo o mesmo objetivo.

O talante de cavalheiro que eu já ia adquirindo me impedia de permanecer insensível a tais demandas e isso fazia com que o trabalho se acumulasse para mim. De certa forma, também tinha Bea e Luci quase garantidas. O caso da Merche era outra história.

Se não fosse por Viki, que continuava teimando em seus treze, minha felicidade teria sido mais que completa. Se ao menos eu tivesse alguma noção do que passava por sua cabecinha intrincada...

PRÓXIMO RELATOO
http://www.poringa.net/posts/relatos/2601224/Una-peculiar-familia-18.html.

1 comentários - Una peculiar familia 17

SIGUIENTE RELATOO

http://www.poringa.net/posts/relatos/2601224/Una-peculiar-familia-18.html