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Compêndio IVocê lê esse título e pensa: "Mas o que tem de excitante na engenharia?" E no meu caso, eu digo: tem tudo.
A Marisol vive tirando sarro de mim quando falo da minha área. Diz que se eu fosse personagem de anime, teria uma aura brilhante e faísca saindo dos olhos.
Não culpo os outros que falam que a gente é uns nerds, que vive grudado no computador, não tem vida social e tal. Afinal, se todo mundo soubesse o que eu descobri por causa da minha troca de turno, tanto no trabalho quanto na cama, o mundo tava cheio de engenheiro. Por isso que gosto de ser um bem meio raro.
Chega de papo. Vou contar logo…
Na casa dos meus sogros, sou tipo um bicho estranho. Ninguém entende o que eu faço (o que é ótimo) e ninguém entende as aplicações ou a importância do meu trampo.
A única pessoa próxima de um engenheiro na família da minha sogra é o ex-marido da irmã dela, o pai da Pamela, que é um empresário multimilionário que mora na Espanha (e também um baita dum cuzão, mas isso é história pra outro conto).
Por essas razões, minha sogra e minha cunhada me dão um certo espaço com meus documentos: gráficos, tabelas de dados, matrizes e tudo mais. Mas claro… depois do que rolou naquela tarde, elas iam perceber que a engenharia também influencia nossa vida cotidiana.
Durante o jantar, curti ver mãe e filha radiantes de alegria. Parece que o sexo tem propriedades restauradoras pro humor das mulheres.
Eu, mal falava. Ainda tava pensando no meu trabalho.
"Você está tão calado, Marco! No que será que está pensando?" – perguntou a Amelia.
Provavelmente, ele tá pensando na Marisol." disse Verônica.
Eu sorri para as duas. "Não, só estou pensando no trabalho. É algo complicado e não sei como lidar com isso."
"Às vezes, as soluções aparecem sozinhas..." disse Verônica.
"É, Marco. Não desanima." disse Amélia "Me entristece ver você assim."
Amélia foi se deitar lá pelas nove. Depois da corrida dela à tarde, me deu um abraço e disse pra eu não me preocupar, que eu era um cara muito inteligente e que provavelmente resolveria tudo num piscar de olhos.
Minha sogra, por sua vez, aproveitou pra me dar um boquete, enquanto lavava roupa no meu quarto. Depois de engolir meu leite, limpou meu pau e a boca dela e disse que, não importava o que acontecesse, eu sempre podia voltar pra casa dela.
Mas isso não aliviava minhas preocupações de verdade. Depois de entregar a licença do dia anterior e pegar o equipamento de segurança, cheguei na minha área de trabalho e revisei a máquina.
Era meio velha, mas funcionava: um trambolho verde-claro cuja única função era mandar um sinal, montando um espectro de ondas.
Provavelmente, se eu não encontrasse o defeito, trocariam por um modelo mais novo e compacto, mas não com tanta resistência ao trabalho.
O computador, por outro lado, tinha funcionado: tinha o espectro daquele dia e do anterior, enfiado numa bagunça de pontos que ninguém conseguia ver nada, o que pelo menos me dava um alívio.
Imprimi os gráficos e revisei os pontos. Apareciam alguns dados que podiam ser os que eu precisava, mas tinha tanta informação inútil.
Saí pra tomar um ar fresco e me deparei com a máquina velha, mas fiel. Acariciei ela, como se fosse uma grande amiga, e achei curioso que a cor dela fosse muito parecida com a do vestido da Verônica...
Aí, me bateu de repente!...
Peguei o computador, processei os dados, montei a curva e acertei em cheio: os dados estavam lá! Tinha muita porcaria, mas a informação estava ali!
Distingui, pelo menos, dois sinais. Imprimi o gráfico e dei nomes distintos pra eles. Se minha intuição estivesse certa, meu mestrado... Seria um sucesso e eu não precisaria me preocupar em perder o emprego.
Quando saí do meu turno e cheguei em casa, estava extasiado. Era como se tivesse descoberto um novo continente…
Avistei a Amelia, que vinha da sua corrida matinal.
Mesmo ela me cumprimentando com um aceno, pra não perder o ritmo, abracei ela e beijei a bochecha dela. “E… isso?” ela perguntou, surpresa com meu abraço que não deixava ela se mexer.
“É porque eu te quero. Porque nunca te valorizei, mas você sempre esteve aqui.” falei, o que fez ela ficar toda vermelha.
“Caramba! Chegaram juntos!” disse a Verônica ao nos ver entrar. Ela ia me cumprimentar no rosto, mas peguei ela pela cintura e dei um abraço bem caloroso.
“Marco!...” ela disse, ao ver que a filha dela estava olhando pra gente. “É porque você sempre esteve do meu lado e eu nunca consegui te ouvir.” falei.
As duas estavam confusas, mas eu me sentia o rei do mundo.
Pra disfarçar, começaram a fazer piadas, mas quando a Amélia viu minhas anotações, perguntou:
“Somos… nós?” ao ver o espectro de sinais. A Verônica também viu como uma das curvas se chamava Amélia e a outra tinha o nome dela.
É isso mesmo." "Quer dizer… Você pensa na gente… enquanto trabalha?" Amélia começava a ficar corada.
"Claro que sim."
"Mas o que isso significa?" perguntou Verônica.
"Bom, pelo visto, vocês é que vão me dar meu título de mestre."
As coitadas ainda não estavam entendendo nada.
"Então, você tá dizendo que essas ondas somos nós?" perguntou Verônica, enquanto almoçávamos.
Eu concordei com a cabeça.
"E por que eu sou essa aqui e não a outra?" perguntou Amélia.
"Porque ela é tão especial quanto você. Por isso", falei, pegando seu queixo e dando um olhar cheio de ternura, que a fez sorrir.
"Vou tentar ser mais claro: imaginem que a casa é a gostosa, mas tá cheia de barulho. O trabalho que mandaram vocês fazerem aqui era escutar sua mãe lavando a louça. Sua mãe tá gritando comigo a plenos pulmões alguma coisa…"
Verônica ficou vermelha…
“Pra mim, é algo muito importante ouvir sua mãe, porque ela pode estar fazendo algo que nunca tinha feito antes…” Confirmei com o olhar que estava me referindo ao que tinha acontecido no dia anterior.
“No entanto, enquanto sua mãe estava lavando, um barulho forte saía do seu quarto e era a sua voz, me chamando…” falei para a Amélia, olhando nos olhos dela, o que fez ela também ficar vermelha...
“Pra mim, é muito necessário ouvir as duas, pra saber o que vocês precisam...” “Por quê?” perguntou Verônica.
“Porque a Amélia pode estar precisando de ‘algo’ com muita vontade...”
Amélia olhou pro chão...
“...enquanto a Verônica pode estar pedindo: ‘Por favor, para!’...”
Verônica ficou vermelha de novo...
“Então... a mamãe é o sinal mais importante?” perguntou Amélia, meio triste.
“Claro que não. Sua mãe, a gente precisava ouvir e ouviu, mas agora o desafio é ouvir você.”
“Sério?” perguntou Amélia, animada. “Por quê?”
“Porque se você tá mandando um sinal, é porque precisa de algo, e se eu não souber o que você precisa ou onde você tá, não vou conseguir te dar do jeito que você quer.”
Os olhos dela brilharam de alegria.
“E por que... você abraçou a gente?” perguntou Amélia, tímida.
“Porque vocês são meus dois sinais. Sua mãe, que sempre esteve do meu lado no trabalho, mas eu nunca consegui ouvir, e você, porque sempre esteve falando comigo e eu não soube entender.”
Não conversamos mais depois do almoço. Nem sei se elas entenderam o exemplo.
Mas, quando Amélia se preparava pra subir, passei a jaqueta de corrida pra ela e falei:
“Toma aqui, pra você descansar e depois a gente sair pra correr. Continua dando esse sinal, que eu adorei ouvir...” falei, piscando um olho, enquanto ela ficava toda vermelha.
Depois arrumei a mesa, peguei na cintura da minha sogra, puxei a calcinha dela pra baixo e comecei a meter. “Então… eu sou… o sinal Verônica?”
“Isso mesmo…” eu dizia, enfiando com violência.
“E qual… foi… o sinal… Amélia?”
“Era… música”
“Música?... Ah!?”
“Sim… Você não… ouviu?”
“Não… Ah!... ouvi… Ah!... nada”
“Que estranho” falei, enquanto gozava dentro dela “Soava como música pros meus ouvidos…”
E outra vantagem da engenharia é que ela sempre pode ser reaplicada…Próximo post
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