Decisões - 2
Quando desci do quarto, vi que minha mãe, tia Carmen, estava me esperando perto da porta. Assim que pisei no chão do térreo, parei, assustado com o que ela poderia me dizer naquele momento, e pelo jeito que ela me olhou, balançou a cabeça e sorriu, ficou claro que ela tinha percebido o que eu sentia...
- Vamos um instante na sala, vem cá, meu anjo - ela disse.
Ela pegou minha mão suavemente e me arrastou atrás dela, me fazendo sentar no sofá grande assim que chegamos, e então ela se sentou ao meu lado. Notei que ela olhava fixamente pelas janelas, imaginei que pra conferir se não tinha ninguém rondando lá fora, já que depois ela me deu um beijo dulcíssimo nos lábios, passando a língua morninha pelos meus, mas se afastando quando eu coloquei a minha pra encontrar a dela... então...
- Já tá mais calminho? - ela perguntou com voz doce enquanto a mão dela passava pela minha cabeça me acariciando.
- Sim, Carmen, um pouco...
- Mamãe, tá bem, tesouro? - eu assenti - Então, mais calmo?
- Sim, mamãe.
- Bem, isso é bom. Vamos ver, Tony, você sabe que pra mim você é meu filho de verdade, que eu te amo como tal e que nada vai mudar isso, né?
- Sim, sim, eu sei.
- Ótimo. Olha... o que aconteceu nunca devia ter rolado, porque eu sou sua mãe, tá? - eu assenti - bem, mas já que aconteceu, não tem porque se arrepender, foi uma experiência gostosa pra nós dois. Fui a primeira mulher que você pegou, não fui?
- Sim, nunca tinha estado com nenhuma antes - eu criei coragem - e fico feliz com isso, feliz que foi você, foi muito especial pra mim, mesmo sabendo que você não vai gostar de ouvir...
- Meu menino...!!! - ela disse carinhosa enquanto ria alegre e me dava um abraço bem maternal - toda mulher adora ouvir essas coisas quando é a primeira, adoro saber disso. Mas sou sua mãe e é incesto, você sabe o que é incesto, né Tony? - Sim, sei o que é, é quando duas pessoas da mesma família transam...
- Sim, é isso...
- É um pecado pra igreja, ou que talvez a gente nem ligue, mas também é muito mal visto pela sociedade, e em alguns casos e países, é crime... duas pessoas da mesma família nunca deveriam fazer isso — apertei os dentes.
- Calma, querido, calma. Viu, Tony, nosso caso é um pouco diferente disso. De certa forma, não fizemos nada de errado, exceto pelo fato de você ter 16 anos, eu 38 e ainda ser sua tutora legal. Mas não temos o mesmo sangue, então não teria incesto de verdade, mesmo que tecnicamente tenhamos cometido um, entendeu?
- Não — falei, olhando pra ela surpreso, sem entender nada.
- Bom, deixa eu ver se explico. Seu pai era irmão do seu tio, eu não tenho nenhum laço de sangue nem com seu pai, nem com sua mãe ou qualquer um dos seus tios por parte dele... Além disso, sou divorciada do seu tio, então... dá até pra dizer que nem toco mais em você — ela fez um gesto safado, piscando um olho, o que me fez rir. — Se eu não fosse sua tutora, tendo sua guarda no divórcio, você e eu não teríamos feito nada de errado, exceto pela diferença de idade, que me olhariam muito mal, quase como se eu fosse uma assaltante de berço, como diriam... Então, meu anjo, não fizemos nada de errado, mas não pode se repetir... tecnicamente falando, somos mãe e filho, entendeu agora?
- Sim, mãe, acho que entendi. Você quer dizer que eu e você, mesmo sendo e nos amando como mãe e filho, não temos laços de sangue, então sem esses laços legais, o que fizemos seria normal, só um garotinho a mais se envolvendo com uma coroa, né?
- Isso mesmo, meu anjo, e agora... não se fala mais nisso. Você dormiu na sua cama e eu na minha, tá? — eu concordei com a cabeça —, perfeito, então vamos lá, dá a mão pra mamãe e vamos tomar café.
- Tá bom, vamos — falei rindo enquanto dava a mão pra ela. a mão como se fosse um moleque, arrancando dela também uma gargalhada.
Depois daquele dia, a gente nunca mais tocou no assunto, foi como se aquela noite nunca tivesse existido entre nós, mas mesmo assim teve consequências, porque ela e eu estreitamos pra caralho os nossos laços. Acho que de outro jeito ela nunca teria virado minha confidente e talvez até minha melhor amiga, teria sido só minha mãe. Quando comecei com meu grande hobby, foi pra ela que contei, e embora eu admita que no começo ela não achou muita graça, tive a vantagem de que ela me conhecia muito bem e sabia que eu não faria loucuras. Até uma vez que ela saiu com as amigas, me disse que tinha me visto com outras pessoas, e que gostou de me ver, de ver o que eu fazia, embora também tenha levado uns sustos, mas depois ficou maravilhada ao me ver superar os obstáculos... A real é que eu não vi ela, mas pelos detalhes, soube na hora que ela tava falando a mais pura verdade.
Bom, voltando à história, foi uma merda pra caralho ter a Gata ali na minha universidade, vai saber como diabos ela tinha me encontrado, não esperava por ela e sabia que podia ficar tranquilo enquanto minha costela não sarasse, e depois de um tempo prudente pra recuperar minha forma, aí... a gente via como lidar com isso. O que eu sabia que ia me dar problema, por outro lado, eram minhas "irmãs", pelo jeito que me olharam, tava mais que claro que a parada não ia ficar por isso mesmo.
Numa das aulas daquela manhã, duas amigas do grupo dela estavam sentadas duas fileiras na minha frente, entre elas e eu tinha três armários de 3x3, pareciam uns defensores de rugby os caras. A gente tava prestando atenção no que o professor explicava enquanto as duas tavam de fofoca fazendo comentários, um dos mais suculentos foi que minhas duas adoráveis irmãzinhas e uma amiga delas tinham tido uma briga monumental com os namorados por causa da Gata, se referindo a ela como "minha amiga". Vocês já podem imaginar que, depois de ouvir aquilo, já sabia que ia passar um mau bocado com as duas, porque muito provavelmente o culpado de tudo ia acabar sendo eu, como de costume.
A confirmação veio na hora de ir embora. Fiquei onde me mandaram, pontual como um relógio na frente do carro da minha irmã Laura. Não tive a menor dúvida, vendo as caras delas se aproximando, que ia sobrar pra mim, e foi o que aconteceu. Antes mesmo de entrar no carro, ou sequer abri-lo, começaram a me interrogar sobre "minha amiga", a morena com quem eu tinha falado na entrada. Minha resposta foi bem clara e curta: "não é da conta de vocês". Aí Laura decidiu que também não era da conta dela me dar carona, então, tranquilamente, me mandou pegar o ônibus, abriu o carro e entrou com a Belém. Quando fui abrir a porta de trás pra entrar, ela estava trancada. Tive que ver o carro dar partida e ir embora.
Tava numa puta enrascada, daquelas bem grossas. Tinha três opções: ligar pra minha mãe pra ela vir me buscar, ir direto de ônibus no horário de pico dos estudantes, levando quase duas horas com a costela fodida, ou esperar a Laura voltar pra me pegar, algo que eu sabia que ia acontecer assim que minha mãe chegasse em casa e não me visse... mas isso podia ser em duas horas, ou às dez da noite se ela resolvesse se atrasar muito, como às vezes acontecia. Decisão óbvia: me foder e ir de ônibus. Ligar pra minha mãe também não tava com cara, não era nenhum moleque e não podia fazer ela sair do trabalho por minha causa.
Pra chegar em casa, tinha que pegar três ônibus. O primeiro foi mortal, porque tava lotado até o talo, não cabia mais um alfinete. Levei duas cotoveladas no lado, mas no segundo nem sei como não caí duro de tanta dor que foi a pancada, até dava pra jurar que ouvi a costela estalar... No segundo ônibus, só entrei depois que a dor passou, então tive que deixar passar dois deles, quase uma hora. ali esperando sentado no ponto. Nesse aqui não foi muito melhor, consegui sentar e, por sorte, com o lado ruim encostado na janela, ali protegido, mas quando levantei pra descer, o ônibus freou meio brusco e fui parar contra o banco da frente, dando uma batidinha na costela, o que fez doer pra caralho... De novo tive que esperar no ponto até passar a dor. Por sorte pra mim, porque duvidava que aguentasse o terceiro ônibus, embora previsse que seria uma desgraça pra alguém em breve, minha mãe passou por ali e parou na hora ao me ver... A cara que ela fez quando contei o que tinha acontecido foi de filme de terror, mas também levei uma baita bronca por não ter avisado ela.
Assim que entramos no chalé, minha mãe estacionou o carro junto com os das minhas irmãs e minha moto. Teve que me dar uma mão pra chegar na sala, onde me joguei no sofá, protegendo o lado e apertando os dentes por causa das pontadas que tava sentindo. Minha mãe me trouxe um copo d'água com uns analgésicos pra dor, dose dupla pelo tanto que tava doendo. Vi minha mãe se aproximar da porta, bem no armário onde deixavam as chaves de casa e dos veículos, tirando de lá as chaves dos carros das minhas irmãs junto com as da minha moto. Depois foi até a porta e chamou as duas. Elas ficaram pálidas quando me viram sentado no sofá, e olha que não foi pelo meu visual, apesar de que, segundo minha mãe, eu tava branco igual um fantasma...
- Quando vinha pra casa, encontrei o irmão de vocês no ponto de ônibus do condomínio, pálido que nem um defunto e com a costela doendo pra caramba. Espero que vocês duas me deem uma explicação de por que ele tava lá e vocês tão aqui há mais de duas horas de bobeira na piscina?
- Esse não é... - Laura se calou ao ver a cara da minha mãe quando começou a frase.
- Isso eu vou falar só uma vez: se alguma uma vez, mesmo que por acaso, eu escuto da boca de alguma de vocês duas essa expressão se referindo ao vosso irmão, vou cuidar pessoalmente para que saiba o que é ter um inferno por vida... está claro para ambas?
- Sim - disseram ambas, baixando a cabeça.
- Vosso irmão me disse que chegou muito tarde e supõe que por isso vocês foram embora, pensando que ele teria ido no ônibus, coisa que não engulo, mas como de costume, vocês só tentam foder com ele e ele fica protegendo vocês - ela me olhou com cara de poucos amigos.
- Foi como ele disse, nem lembramos - apressou-se a confirmar Belém.
- Não nasci ontem, Belém, não sei o que aconteceu, mas tenho certeza de que deixaram ele lá sabendo o que estavam fazendo, mas ele mesmo cobriu vocês, então vão se livrar dessa. De qualquer forma, estou confiscando seus carros e a moto do Tony pelo resto do mês, e agradeçam, porque eu teria sido mais drástica se ele não tivesse coberto vocês. O Tony vou levar e buscar eu mesma da universidade, vocês vão ter que ir de ônibus nesse tempo, já que parece que não se importam que ele use, pra ver se no mês que vem vocês não são tão... "descuidadosas".
Minha mãe, e apesar de ambas tentarem falar com ela, não deu o braço a torcer; a quinzena do mês que restava, minhas irmãs iam ter que ir de ônibus, duas horas de viagem em cada direção, enquanto eu ia ser levado e trazido pela minha mãe. Não me rachei de rir primeiro pela dor na costela, e segundo pra não me foder também. Vendo que não iam conseguir nada além de aumentar o castigo, entre as duas contaram pra minha mãe o que tinha acontecido naquela manhã quando chegamos, mas claro, enfeitaram bastante.
Novamente estive a ponto de rir se a dor não tivesse impedido, ao ver as caras delas diante da reação da minha mãe, que por outro lado me olhava meio preocupada, perguntando se eu estava mal, mas eu a tranquilizei... depois disso foi que ela começou a me perguntar sobre o que que me contaram "minhas irmãs"...
- Gata? A Gata? Não é aquela que chamam de Rainha? - ela me perguntou.
- Sim, essa mesma, é essa Gata - vi minha mãe cair na risada balançando a cabeça.
- Puxa, você deve estar contente, bom, e o que ela queria?
- Dar umas voltas comigo... ela é muito insistente...
- E eu deduzo que você não quer, né?
- Isso mesmo, eu faço isso por diversão, porque curto, não pra competir com ninguém... então tô pouco me lixando pro que ela quer, mesmo que vá ser um saco pra ela parar de encher o saco.
- Bom, então é simples, vai com ela e deixa ela ganhar... - opinou minha mãe.
- Isso funcionaria com outro, mas não com a Gata, ela não cairia nessa tão fácil... - balancei a cabeça -. Não, se eu for com ela, teria que ser a sério e não tô a fim de ir nesse pique.
- Filho, sério que não te entendo, se ela é metade do que você disse de gostosa, qualquer outro cara estaria pulando de alegria por ela ter reparado nele, e você só fica fugindo dela.
- Pode ser, mas tô fora, não tô nem aí, que ela fique com a coroa dela, não me interessa... Não vou dançar conforme a música que ela toca... eu gosto de seguir meu próprio caminho... além disso, mãe, ela tá atrás do Speed, não do Tony, então o que você disse não faz sentido...
- Bom, pode ser que ela vá atrás do Speed, mas também vai ter que lidar com o Tony, ou não?... Claro que talvez tenha a ver com o interesse dela o motivo real pelo qual você quebrou aquela costela, é possível que seja esse também o interesse dela... ou não? - minha mãe me perguntou.
- Pode ser, o cara era irmão de uma do grupo dela, na verdade de uma das melhores amigas dela, então talvez seja isso também...
- Mãe, mas você conhece essa garota?... E também sabia que chamam o Tony de Speed?... E o que é essa história de "como a costela se quebrou de verdade"? - explodiu Laura segundos antes de Belén se juntar às perguntas.
Minha mãe não disse nada. Eu as ignoro completamente, só continuo me encarando de cara fechada. No fim, ela se levantou, pegou a bolsa onde tinha deixado quando entrou, e veio na minha direção...
— Vamos, Tony, bora...
— Ir pra onde? — perguntei, confuso.
— No médico, você não tá bem, ainda tá sentindo dor e tá pálido. Vamo, eu falei, e já — ela disse, saindo andando e dando a discussão por encerrada, tudo isso sem se dar ao trabalho de responder minhas “irmãs”.
Não me deu a mínima bola, não tive outra escolha senão me levantar com toda a dor na costela, que cada vez que eu me mexia via estrelas. Fomos pro pronto-socorro, numa clínica do nosso seguro privado, onde fui atendido na hora, e graças a Deus, porque quando cheguei o lado tava doendo pra caralho. Fizeram uns exames, raio-X, essas coisas... Parece que o “peteleco” do caralho tinha aumentado um pouco a fissura, então fiquei como no começo, com a mesma dor forte. Pelo menos fiquei feliz que não quebrou de vez, isso sim teria sido muito pior... No caminho de volta pra casa...
— Então, chega de besteira, Tony, o que realmente rolou com suas irmãs?
— Olha, mãe, não vou mudar minha versão, ok, mesmo que você saiba que não é verdade. Além disso, você devia devolver os carros pra elas, pelo menos um pra irem pra faculdade. Tamo quase no fim do semestre, elas não podem perder tanto tempo... e você sabe... isso prejudica elas pra caramba...
— E você, claro, pode, né?
— Sabe que não, mas fazer o quê, você conhece elas...
— Eu sei, acredite, eu sei — ela apertou o volante e eu vi decepção no rosto dela, algo que achei que nunca mais veria depois do divórcio —, mas me diz, o que aconteceu? Fica tranquilo que não vou castigar elas, também vou fazer o que você quer, vou devolver os carros pra irem pra universidade, mas em troca, quero saber a verdade.
— Sério?
— Quer que eu prometa, que eu jure? O que te escrevo?
- Não, se você me disser, eu acredito em você, e você sabe disso... — fiquei uns segundos pensativo — tá bom, vou te contar.
Comecei a falar, vi como ela começava a se irritar, quando contei que não me abriram a porta, depois, ao dizer que me deixaram largado lá e que vi as duas irem embora de carro… Ela ficou calada por uns minutos, e olha que eu nem falei que vi perfeitamente elas rindo, podia apostar quase 99% de certeza que estavam zoando por terem me deixado na mão.
Quando ela voltou a falar, só comentou que a gente passaria na farmácia antes de ir pra casa pra comprar mais uma caixa de calmante pra mim, esses não precisavam de receita, embora obviamente desse pra pegar pelo SUS que era mais barato… nem vou dizer o olhar que ela me deu quando fiz essa observação. Quase tive que jurar que não ia me passar pela cabeça fazer nada do tipo de ir no médico por conta própria pra conseguir umas receitas. A real é que a diferença de preço era grande, mas também, minha mãe perder umas duas horas de trabalho pra ir buscar elas ia custar muito mais dinheiro do que esse gastinho, e vi na cara dela com toda clareza que de Laura e Belém ela não ia pedir absolutamente nada. O comportamento delas começou a me dar má impressão, embora eu não duvidasse que ela cumpriria o que disse…
Quando chegamos em casa, saímos do carro, eu tive que parar um pouco pra respirar, porque ao me endireitar doía pra caralho, minha mãe falou pra eu ir devagar, mas direto pro meu quarto deitar um pouco e relaxar, que ela ia trazer os analgésicos com um pouco de água e um sanduíche pra eu botar algo no estômago antes de tomar. Ela entrou em casa e eu comecei a andar atrás dela rangendo os dentes. A dor era principalmente porque o médico tinha ficado apalpando e apertando depois de ver a chapa, e puta merda, doía pra um caralho, eu sabia pelo dia que Me dei o golpe e fingi a fissura, que em uns dias tudo ficaria mais suportável. Mas que dois dias me esperavam!!!
Meu quarto ficava no andar de cima, chegar lá foi uma vitória, logo apareceu minha mãe com o que ela tinha dito: um prato de comida, o copo d'água e os dois comprimidos. Ela ficou comigo até eu terminar tudo e me jogar na cama. Como vocês podem imaginar, não tive problema nenhum em ficar de cueca na frente dela e vestir uma bermuda pra ficar mais confortável. Nisso, ficamos conversando sobre várias coisas, inclusive sobre a Gata. Minha mãe parecia muito interessada em saber exatamente o que tinha rolado naquela "pequena" conversa, então tentei repetir tudo o mais fielmente possível… Ela até riu e disse que, se a Laura e a Belém tivessem ouvido aquilo, deviam estar roendo as unhas pra saber o que estava acontecendo… Foi só eu mencionar os nomes delas que a alegria dela passou na hora, vi os traços do rosto dela se tensionarem de novo. Depois, me deu um beijo na testa e foi embora…
Ouvi o barulho da porta de correr do andar de baixo, que dava direto pra piscina. Com cuidado, me levantei e, com muito mais precaução ainda, espiei pela janela, tomando cuidado pra não ser visto. A verdade é que eu tinha muita prática nisso. Naquela janela era onde eu sempre me masturbava vendo as amigas das minhas "irmãs", quando o tempo bom começava e elas estavam lá de biquíni, me deixando duro toda hora. Óbvio que nem a Belém nem a Laura queriam me ver por perto nem por acaso, na verdade elas tinham me proibido terminantemente, sob pena de me fazerem coisas terríveis mesmo que eu dedurasse. Mas a verdade é que eu preferia assim. As amigas delas me serviam de inspiração pra bater uma, mas daí a ter que aturar elas… era um caminho muito longo.
Consegui ver a Laura e a Belém deitadas no sol, como eu já tinha imaginado quando não as vi na casa ao entrar. O tempo estava bom e a verdade é que dava vontade de estar lá também. Quem tinha aberto a Corredera era minha mãe... Vi que ela estava de pé ao lado dela, com os braços cruzados, o rosto virado para onde as duas estavam deitadas. Num dado momento, ela se moveu e parou ao lado delas...
- Tomem, as chaves dos seus carros. Podem usá-los para ir pra universidade ou sair com as amigas, se quiserem... - ela se virou.
- Obrigada, mãe... - disse Laura, pegando as chaves, sendo imitada por Belén.
- Não é a mim que vocês têm que agradecer - disse ela, virando-se para elas. - Agradeçam ao primo de vocês, que foi quem me convenceu a fazer isso.
Fiquei de boca aberta ao ouvi-la dizer isso. Claro que nem preciso dizer como elas duas ficaram. Acho que desde que estava com ela como mãe, era a primeira vez que a ouvia se referir a mim na frente delas pelo nosso grau real de parentesco, e não me chamar de "filho" ou "irmão"... Então Belén...
- Olha, mãe, é que o que aconteceu com o Tony...
- Não me interessam as explicações de vocês. Ele me contou o que realmente aconteceu em troca de eu devolver os carros pra vocês, pra não prejudicar os estudos de vocês, já que os exames finais estão tão perto... - a voz dela soou dura e contida, o que era um mau sinal com ela.
- Mãe - começou Laura, com um tom condescendente -, é que nosso irmão é um... - a mãe dela a interrompeu.
- Não, não venham agora com essa. Como vocês mesmas sempre diziam, Tony é só primo de vocês, não irmão. Nenhuma de vocês duas merece ele como tal. A fissura dele piorou. Ele vai ficar vários dias sem poder ir pra universidade, o que vai prejudicá-lo enormemente. Mas mesmo assim, ele intercedeu pra que não aconteça o mesmo com vocês... que são as culpadas por terem deixado ele largado lá de propósito. Tenho vergonha de vocês serem minhas filhas quando vejo como tratam ele...
- Mãe, acredita, a gente sente muito. A gente... - minha mãe interrompeu Belén.
- Já não me interessam as desculpas de vocês. Rezem pra que ele não perca o Curso, porque aí vocês vão me conhecer de verdade, as duas…
- Mãe… – tentou intervir Laura.
- Repito que não me interessa mais o que vocês duas têm a me dizer. Se o primo de vocês tiver as notas prejudicadas por causa disso, vou vender os carros de vocês…
- E a moto dele também, né? – Laura levantou a voz.
- Enquanto vocês foram para a praia às custas do seu pai e de mim, o primo de vocês passou o verão inteiro trabalhando para comprar aquela moto. Então ela é dele, porque foi ele quem pagou, não fomos nós que compramos. Mas os carros de vocês fui eu que comprei e estão no meu nome. Se as notas dele forem prejudicadas, comecem a pensar como ele fez: trabalhar neste verão para conseguir comprar pelo menos uma moto igual à dele para o ano que vem, ou pagar o passe de ônibus, porque não vou dar um centavo para vocês o ano inteiro… E, aliás, vou falar tudo isso com o seu pai pra ver o que ele acha. Acho que ele vai querer conversar com vocês duas longamente sobre como vocês tratam o primo de vocês.
O que ela disse sobre meu tio não me agradou, nem a ameaça que fez às minhas primas. Mas eu sabia que ela não estava falando por falar; se disse, ia cumprir e vender os carros delas. Meu tio, quando descobrisse um monte de coisas que eu consegui fazer minha tia não contar pra ele sobre minhas primas, ia explodir. Minhas priminhas iam passar por uma fase bem complicada pelo visto, e não vou dizer que não fico feliz com isso… mas sabia que meu tio também ia pegar no meu pé por não ter contado nada, o que pra mim tanto faz. O pior é que muito provavelmente ele acabaria discutindo com minha tia por causa disso, e isso sim me importava de verdade, era a última coisa que eu queria que acontecesse.
CONTINUA
Quando desci do quarto, vi que minha mãe, tia Carmen, estava me esperando perto da porta. Assim que pisei no chão do térreo, parei, assustado com o que ela poderia me dizer naquele momento, e pelo jeito que ela me olhou, balançou a cabeça e sorriu, ficou claro que ela tinha percebido o que eu sentia...
- Vamos um instante na sala, vem cá, meu anjo - ela disse.
Ela pegou minha mão suavemente e me arrastou atrás dela, me fazendo sentar no sofá grande assim que chegamos, e então ela se sentou ao meu lado. Notei que ela olhava fixamente pelas janelas, imaginei que pra conferir se não tinha ninguém rondando lá fora, já que depois ela me deu um beijo dulcíssimo nos lábios, passando a língua morninha pelos meus, mas se afastando quando eu coloquei a minha pra encontrar a dela... então...
- Já tá mais calminho? - ela perguntou com voz doce enquanto a mão dela passava pela minha cabeça me acariciando.
- Sim, Carmen, um pouco...
- Mamãe, tá bem, tesouro? - eu assenti - Então, mais calmo?
- Sim, mamãe.
- Bem, isso é bom. Vamos ver, Tony, você sabe que pra mim você é meu filho de verdade, que eu te amo como tal e que nada vai mudar isso, né?
- Sim, sim, eu sei.
- Ótimo. Olha... o que aconteceu nunca devia ter rolado, porque eu sou sua mãe, tá? - eu assenti - bem, mas já que aconteceu, não tem porque se arrepender, foi uma experiência gostosa pra nós dois. Fui a primeira mulher que você pegou, não fui?
- Sim, nunca tinha estado com nenhuma antes - eu criei coragem - e fico feliz com isso, feliz que foi você, foi muito especial pra mim, mesmo sabendo que você não vai gostar de ouvir...
- Meu menino...!!! - ela disse carinhosa enquanto ria alegre e me dava um abraço bem maternal - toda mulher adora ouvir essas coisas quando é a primeira, adoro saber disso. Mas sou sua mãe e é incesto, você sabe o que é incesto, né Tony? - Sim, sei o que é, é quando duas pessoas da mesma família transam...
- Sim, é isso...
- É um pecado pra igreja, ou que talvez a gente nem ligue, mas também é muito mal visto pela sociedade, e em alguns casos e países, é crime... duas pessoas da mesma família nunca deveriam fazer isso — apertei os dentes.
- Calma, querido, calma. Viu, Tony, nosso caso é um pouco diferente disso. De certa forma, não fizemos nada de errado, exceto pelo fato de você ter 16 anos, eu 38 e ainda ser sua tutora legal. Mas não temos o mesmo sangue, então não teria incesto de verdade, mesmo que tecnicamente tenhamos cometido um, entendeu?
- Não — falei, olhando pra ela surpreso, sem entender nada.
- Bom, deixa eu ver se explico. Seu pai era irmão do seu tio, eu não tenho nenhum laço de sangue nem com seu pai, nem com sua mãe ou qualquer um dos seus tios por parte dele... Além disso, sou divorciada do seu tio, então... dá até pra dizer que nem toco mais em você — ela fez um gesto safado, piscando um olho, o que me fez rir. — Se eu não fosse sua tutora, tendo sua guarda no divórcio, você e eu não teríamos feito nada de errado, exceto pela diferença de idade, que me olhariam muito mal, quase como se eu fosse uma assaltante de berço, como diriam... Então, meu anjo, não fizemos nada de errado, mas não pode se repetir... tecnicamente falando, somos mãe e filho, entendeu agora?
- Sim, mãe, acho que entendi. Você quer dizer que eu e você, mesmo sendo e nos amando como mãe e filho, não temos laços de sangue, então sem esses laços legais, o que fizemos seria normal, só um garotinho a mais se envolvendo com uma coroa, né?
- Isso mesmo, meu anjo, e agora... não se fala mais nisso. Você dormiu na sua cama e eu na minha, tá? — eu concordei com a cabeça —, perfeito, então vamos lá, dá a mão pra mamãe e vamos tomar café.
- Tá bom, vamos — falei rindo enquanto dava a mão pra ela. a mão como se fosse um moleque, arrancando dela também uma gargalhada.
Depois daquele dia, a gente nunca mais tocou no assunto, foi como se aquela noite nunca tivesse existido entre nós, mas mesmo assim teve consequências, porque ela e eu estreitamos pra caralho os nossos laços. Acho que de outro jeito ela nunca teria virado minha confidente e talvez até minha melhor amiga, teria sido só minha mãe. Quando comecei com meu grande hobby, foi pra ela que contei, e embora eu admita que no começo ela não achou muita graça, tive a vantagem de que ela me conhecia muito bem e sabia que eu não faria loucuras. Até uma vez que ela saiu com as amigas, me disse que tinha me visto com outras pessoas, e que gostou de me ver, de ver o que eu fazia, embora também tenha levado uns sustos, mas depois ficou maravilhada ao me ver superar os obstáculos... A real é que eu não vi ela, mas pelos detalhes, soube na hora que ela tava falando a mais pura verdade.
Bom, voltando à história, foi uma merda pra caralho ter a Gata ali na minha universidade, vai saber como diabos ela tinha me encontrado, não esperava por ela e sabia que podia ficar tranquilo enquanto minha costela não sarasse, e depois de um tempo prudente pra recuperar minha forma, aí... a gente via como lidar com isso. O que eu sabia que ia me dar problema, por outro lado, eram minhas "irmãs", pelo jeito que me olharam, tava mais que claro que a parada não ia ficar por isso mesmo.
Numa das aulas daquela manhã, duas amigas do grupo dela estavam sentadas duas fileiras na minha frente, entre elas e eu tinha três armários de 3x3, pareciam uns defensores de rugby os caras. A gente tava prestando atenção no que o professor explicava enquanto as duas tavam de fofoca fazendo comentários, um dos mais suculentos foi que minhas duas adoráveis irmãzinhas e uma amiga delas tinham tido uma briga monumental com os namorados por causa da Gata, se referindo a ela como "minha amiga". Vocês já podem imaginar que, depois de ouvir aquilo, já sabia que ia passar um mau bocado com as duas, porque muito provavelmente o culpado de tudo ia acabar sendo eu, como de costume.
A confirmação veio na hora de ir embora. Fiquei onde me mandaram, pontual como um relógio na frente do carro da minha irmã Laura. Não tive a menor dúvida, vendo as caras delas se aproximando, que ia sobrar pra mim, e foi o que aconteceu. Antes mesmo de entrar no carro, ou sequer abri-lo, começaram a me interrogar sobre "minha amiga", a morena com quem eu tinha falado na entrada. Minha resposta foi bem clara e curta: "não é da conta de vocês". Aí Laura decidiu que também não era da conta dela me dar carona, então, tranquilamente, me mandou pegar o ônibus, abriu o carro e entrou com a Belém. Quando fui abrir a porta de trás pra entrar, ela estava trancada. Tive que ver o carro dar partida e ir embora.
Tava numa puta enrascada, daquelas bem grossas. Tinha três opções: ligar pra minha mãe pra ela vir me buscar, ir direto de ônibus no horário de pico dos estudantes, levando quase duas horas com a costela fodida, ou esperar a Laura voltar pra me pegar, algo que eu sabia que ia acontecer assim que minha mãe chegasse em casa e não me visse... mas isso podia ser em duas horas, ou às dez da noite se ela resolvesse se atrasar muito, como às vezes acontecia. Decisão óbvia: me foder e ir de ônibus. Ligar pra minha mãe também não tava com cara, não era nenhum moleque e não podia fazer ela sair do trabalho por minha causa.
Pra chegar em casa, tinha que pegar três ônibus. O primeiro foi mortal, porque tava lotado até o talo, não cabia mais um alfinete. Levei duas cotoveladas no lado, mas no segundo nem sei como não caí duro de tanta dor que foi a pancada, até dava pra jurar que ouvi a costela estalar... No segundo ônibus, só entrei depois que a dor passou, então tive que deixar passar dois deles, quase uma hora. ali esperando sentado no ponto. Nesse aqui não foi muito melhor, consegui sentar e, por sorte, com o lado ruim encostado na janela, ali protegido, mas quando levantei pra descer, o ônibus freou meio brusco e fui parar contra o banco da frente, dando uma batidinha na costela, o que fez doer pra caralho... De novo tive que esperar no ponto até passar a dor. Por sorte pra mim, porque duvidava que aguentasse o terceiro ônibus, embora previsse que seria uma desgraça pra alguém em breve, minha mãe passou por ali e parou na hora ao me ver... A cara que ela fez quando contei o que tinha acontecido foi de filme de terror, mas também levei uma baita bronca por não ter avisado ela.
Assim que entramos no chalé, minha mãe estacionou o carro junto com os das minhas irmãs e minha moto. Teve que me dar uma mão pra chegar na sala, onde me joguei no sofá, protegendo o lado e apertando os dentes por causa das pontadas que tava sentindo. Minha mãe me trouxe um copo d'água com uns analgésicos pra dor, dose dupla pelo tanto que tava doendo. Vi minha mãe se aproximar da porta, bem no armário onde deixavam as chaves de casa e dos veículos, tirando de lá as chaves dos carros das minhas irmãs junto com as da minha moto. Depois foi até a porta e chamou as duas. Elas ficaram pálidas quando me viram sentado no sofá, e olha que não foi pelo meu visual, apesar de que, segundo minha mãe, eu tava branco igual um fantasma...
- Quando vinha pra casa, encontrei o irmão de vocês no ponto de ônibus do condomínio, pálido que nem um defunto e com a costela doendo pra caramba. Espero que vocês duas me deem uma explicação de por que ele tava lá e vocês tão aqui há mais de duas horas de bobeira na piscina?
- Esse não é... - Laura se calou ao ver a cara da minha mãe quando começou a frase.
- Isso eu vou falar só uma vez: se alguma uma vez, mesmo que por acaso, eu escuto da boca de alguma de vocês duas essa expressão se referindo ao vosso irmão, vou cuidar pessoalmente para que saiba o que é ter um inferno por vida... está claro para ambas?
- Sim - disseram ambas, baixando a cabeça.
- Vosso irmão me disse que chegou muito tarde e supõe que por isso vocês foram embora, pensando que ele teria ido no ônibus, coisa que não engulo, mas como de costume, vocês só tentam foder com ele e ele fica protegendo vocês - ela me olhou com cara de poucos amigos.
- Foi como ele disse, nem lembramos - apressou-se a confirmar Belém.
- Não nasci ontem, Belém, não sei o que aconteceu, mas tenho certeza de que deixaram ele lá sabendo o que estavam fazendo, mas ele mesmo cobriu vocês, então vão se livrar dessa. De qualquer forma, estou confiscando seus carros e a moto do Tony pelo resto do mês, e agradeçam, porque eu teria sido mais drástica se ele não tivesse coberto vocês. O Tony vou levar e buscar eu mesma da universidade, vocês vão ter que ir de ônibus nesse tempo, já que parece que não se importam que ele use, pra ver se no mês que vem vocês não são tão... "descuidadosas".
Minha mãe, e apesar de ambas tentarem falar com ela, não deu o braço a torcer; a quinzena do mês que restava, minhas irmãs iam ter que ir de ônibus, duas horas de viagem em cada direção, enquanto eu ia ser levado e trazido pela minha mãe. Não me rachei de rir primeiro pela dor na costela, e segundo pra não me foder também. Vendo que não iam conseguir nada além de aumentar o castigo, entre as duas contaram pra minha mãe o que tinha acontecido naquela manhã quando chegamos, mas claro, enfeitaram bastante.
Novamente estive a ponto de rir se a dor não tivesse impedido, ao ver as caras delas diante da reação da minha mãe, que por outro lado me olhava meio preocupada, perguntando se eu estava mal, mas eu a tranquilizei... depois disso foi que ela começou a me perguntar sobre o que que me contaram "minhas irmãs"...
- Gata? A Gata? Não é aquela que chamam de Rainha? - ela me perguntou.
- Sim, essa mesma, é essa Gata - vi minha mãe cair na risada balançando a cabeça.
- Puxa, você deve estar contente, bom, e o que ela queria?
- Dar umas voltas comigo... ela é muito insistente...
- E eu deduzo que você não quer, né?
- Isso mesmo, eu faço isso por diversão, porque curto, não pra competir com ninguém... então tô pouco me lixando pro que ela quer, mesmo que vá ser um saco pra ela parar de encher o saco.
- Bom, então é simples, vai com ela e deixa ela ganhar... - opinou minha mãe.
- Isso funcionaria com outro, mas não com a Gata, ela não cairia nessa tão fácil... - balancei a cabeça -. Não, se eu for com ela, teria que ser a sério e não tô a fim de ir nesse pique.
- Filho, sério que não te entendo, se ela é metade do que você disse de gostosa, qualquer outro cara estaria pulando de alegria por ela ter reparado nele, e você só fica fugindo dela.
- Pode ser, mas tô fora, não tô nem aí, que ela fique com a coroa dela, não me interessa... Não vou dançar conforme a música que ela toca... eu gosto de seguir meu próprio caminho... além disso, mãe, ela tá atrás do Speed, não do Tony, então o que você disse não faz sentido...
- Bom, pode ser que ela vá atrás do Speed, mas também vai ter que lidar com o Tony, ou não?... Claro que talvez tenha a ver com o interesse dela o motivo real pelo qual você quebrou aquela costela, é possível que seja esse também o interesse dela... ou não? - minha mãe me perguntou.
- Pode ser, o cara era irmão de uma do grupo dela, na verdade de uma das melhores amigas dela, então talvez seja isso também...
- Mãe, mas você conhece essa garota?... E também sabia que chamam o Tony de Speed?... E o que é essa história de "como a costela se quebrou de verdade"? - explodiu Laura segundos antes de Belén se juntar às perguntas.
Minha mãe não disse nada. Eu as ignoro completamente, só continuo me encarando de cara fechada. No fim, ela se levantou, pegou a bolsa onde tinha deixado quando entrou, e veio na minha direção...
— Vamos, Tony, bora...
— Ir pra onde? — perguntei, confuso.
— No médico, você não tá bem, ainda tá sentindo dor e tá pálido. Vamo, eu falei, e já — ela disse, saindo andando e dando a discussão por encerrada, tudo isso sem se dar ao trabalho de responder minhas “irmãs”.
Não me deu a mínima bola, não tive outra escolha senão me levantar com toda a dor na costela, que cada vez que eu me mexia via estrelas. Fomos pro pronto-socorro, numa clínica do nosso seguro privado, onde fui atendido na hora, e graças a Deus, porque quando cheguei o lado tava doendo pra caralho. Fizeram uns exames, raio-X, essas coisas... Parece que o “peteleco” do caralho tinha aumentado um pouco a fissura, então fiquei como no começo, com a mesma dor forte. Pelo menos fiquei feliz que não quebrou de vez, isso sim teria sido muito pior... No caminho de volta pra casa...
— Então, chega de besteira, Tony, o que realmente rolou com suas irmãs?
— Olha, mãe, não vou mudar minha versão, ok, mesmo que você saiba que não é verdade. Além disso, você devia devolver os carros pra elas, pelo menos um pra irem pra faculdade. Tamo quase no fim do semestre, elas não podem perder tanto tempo... e você sabe... isso prejudica elas pra caramba...
— E você, claro, pode, né?
— Sabe que não, mas fazer o quê, você conhece elas...
— Eu sei, acredite, eu sei — ela apertou o volante e eu vi decepção no rosto dela, algo que achei que nunca mais veria depois do divórcio —, mas me diz, o que aconteceu? Fica tranquilo que não vou castigar elas, também vou fazer o que você quer, vou devolver os carros pra irem pra universidade, mas em troca, quero saber a verdade.
— Sério?
— Quer que eu prometa, que eu jure? O que te escrevo?
- Não, se você me disser, eu acredito em você, e você sabe disso... — fiquei uns segundos pensativo — tá bom, vou te contar.
Comecei a falar, vi como ela começava a se irritar, quando contei que não me abriram a porta, depois, ao dizer que me deixaram largado lá e que vi as duas irem embora de carro… Ela ficou calada por uns minutos, e olha que eu nem falei que vi perfeitamente elas rindo, podia apostar quase 99% de certeza que estavam zoando por terem me deixado na mão.
Quando ela voltou a falar, só comentou que a gente passaria na farmácia antes de ir pra casa pra comprar mais uma caixa de calmante pra mim, esses não precisavam de receita, embora obviamente desse pra pegar pelo SUS que era mais barato… nem vou dizer o olhar que ela me deu quando fiz essa observação. Quase tive que jurar que não ia me passar pela cabeça fazer nada do tipo de ir no médico por conta própria pra conseguir umas receitas. A real é que a diferença de preço era grande, mas também, minha mãe perder umas duas horas de trabalho pra ir buscar elas ia custar muito mais dinheiro do que esse gastinho, e vi na cara dela com toda clareza que de Laura e Belém ela não ia pedir absolutamente nada. O comportamento delas começou a me dar má impressão, embora eu não duvidasse que ela cumpriria o que disse…
Quando chegamos em casa, saímos do carro, eu tive que parar um pouco pra respirar, porque ao me endireitar doía pra caralho, minha mãe falou pra eu ir devagar, mas direto pro meu quarto deitar um pouco e relaxar, que ela ia trazer os analgésicos com um pouco de água e um sanduíche pra eu botar algo no estômago antes de tomar. Ela entrou em casa e eu comecei a andar atrás dela rangendo os dentes. A dor era principalmente porque o médico tinha ficado apalpando e apertando depois de ver a chapa, e puta merda, doía pra um caralho, eu sabia pelo dia que Me dei o golpe e fingi a fissura, que em uns dias tudo ficaria mais suportável. Mas que dois dias me esperavam!!!
Meu quarto ficava no andar de cima, chegar lá foi uma vitória, logo apareceu minha mãe com o que ela tinha dito: um prato de comida, o copo d'água e os dois comprimidos. Ela ficou comigo até eu terminar tudo e me jogar na cama. Como vocês podem imaginar, não tive problema nenhum em ficar de cueca na frente dela e vestir uma bermuda pra ficar mais confortável. Nisso, ficamos conversando sobre várias coisas, inclusive sobre a Gata. Minha mãe parecia muito interessada em saber exatamente o que tinha rolado naquela "pequena" conversa, então tentei repetir tudo o mais fielmente possível… Ela até riu e disse que, se a Laura e a Belém tivessem ouvido aquilo, deviam estar roendo as unhas pra saber o que estava acontecendo… Foi só eu mencionar os nomes delas que a alegria dela passou na hora, vi os traços do rosto dela se tensionarem de novo. Depois, me deu um beijo na testa e foi embora…
Ouvi o barulho da porta de correr do andar de baixo, que dava direto pra piscina. Com cuidado, me levantei e, com muito mais precaução ainda, espiei pela janela, tomando cuidado pra não ser visto. A verdade é que eu tinha muita prática nisso. Naquela janela era onde eu sempre me masturbava vendo as amigas das minhas "irmãs", quando o tempo bom começava e elas estavam lá de biquíni, me deixando duro toda hora. Óbvio que nem a Belém nem a Laura queriam me ver por perto nem por acaso, na verdade elas tinham me proibido terminantemente, sob pena de me fazerem coisas terríveis mesmo que eu dedurasse. Mas a verdade é que eu preferia assim. As amigas delas me serviam de inspiração pra bater uma, mas daí a ter que aturar elas… era um caminho muito longo.
Consegui ver a Laura e a Belém deitadas no sol, como eu já tinha imaginado quando não as vi na casa ao entrar. O tempo estava bom e a verdade é que dava vontade de estar lá também. Quem tinha aberto a Corredera era minha mãe... Vi que ela estava de pé ao lado dela, com os braços cruzados, o rosto virado para onde as duas estavam deitadas. Num dado momento, ela se moveu e parou ao lado delas...
- Tomem, as chaves dos seus carros. Podem usá-los para ir pra universidade ou sair com as amigas, se quiserem... - ela se virou.
- Obrigada, mãe... - disse Laura, pegando as chaves, sendo imitada por Belén.
- Não é a mim que vocês têm que agradecer - disse ela, virando-se para elas. - Agradeçam ao primo de vocês, que foi quem me convenceu a fazer isso.
Fiquei de boca aberta ao ouvi-la dizer isso. Claro que nem preciso dizer como elas duas ficaram. Acho que desde que estava com ela como mãe, era a primeira vez que a ouvia se referir a mim na frente delas pelo nosso grau real de parentesco, e não me chamar de "filho" ou "irmão"... Então Belén...
- Olha, mãe, é que o que aconteceu com o Tony...
- Não me interessam as explicações de vocês. Ele me contou o que realmente aconteceu em troca de eu devolver os carros pra vocês, pra não prejudicar os estudos de vocês, já que os exames finais estão tão perto... - a voz dela soou dura e contida, o que era um mau sinal com ela.
- Mãe - começou Laura, com um tom condescendente -, é que nosso irmão é um... - a mãe dela a interrompeu.
- Não, não venham agora com essa. Como vocês mesmas sempre diziam, Tony é só primo de vocês, não irmão. Nenhuma de vocês duas merece ele como tal. A fissura dele piorou. Ele vai ficar vários dias sem poder ir pra universidade, o que vai prejudicá-lo enormemente. Mas mesmo assim, ele intercedeu pra que não aconteça o mesmo com vocês... que são as culpadas por terem deixado ele largado lá de propósito. Tenho vergonha de vocês serem minhas filhas quando vejo como tratam ele...
- Mãe, acredita, a gente sente muito. A gente... - minha mãe interrompeu Belén.
- Já não me interessam as desculpas de vocês. Rezem pra que ele não perca o Curso, porque aí vocês vão me conhecer de verdade, as duas…
- Mãe… – tentou intervir Laura.
- Repito que não me interessa mais o que vocês duas têm a me dizer. Se o primo de vocês tiver as notas prejudicadas por causa disso, vou vender os carros de vocês…
- E a moto dele também, né? – Laura levantou a voz.
- Enquanto vocês foram para a praia às custas do seu pai e de mim, o primo de vocês passou o verão inteiro trabalhando para comprar aquela moto. Então ela é dele, porque foi ele quem pagou, não fomos nós que compramos. Mas os carros de vocês fui eu que comprei e estão no meu nome. Se as notas dele forem prejudicadas, comecem a pensar como ele fez: trabalhar neste verão para conseguir comprar pelo menos uma moto igual à dele para o ano que vem, ou pagar o passe de ônibus, porque não vou dar um centavo para vocês o ano inteiro… E, aliás, vou falar tudo isso com o seu pai pra ver o que ele acha. Acho que ele vai querer conversar com vocês duas longamente sobre como vocês tratam o primo de vocês.
O que ela disse sobre meu tio não me agradou, nem a ameaça que fez às minhas primas. Mas eu sabia que ela não estava falando por falar; se disse, ia cumprir e vender os carros delas. Meu tio, quando descobrisse um monte de coisas que eu consegui fazer minha tia não contar pra ele sobre minhas primas, ia explodir. Minhas priminhas iam passar por uma fase bem complicada pelo visto, e não vou dizer que não fico feliz com isso… mas sabia que meu tio também ia pegar no meu pé por não ter contado nada, o que pra mim tanto faz. O pior é que muito provavelmente ele acabaria discutindo com minha tia por causa disso, e isso sim me importava de verdade, era a última coisa que eu queria que acontecesse.
CONTINUA
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