E se minha cara é apenas o reflexo de um espelho,
aqui fico observando enquanto você despeja sua roupa
cai como pétalos de rosas, não morrendo,
mas sim procurando seu maior desejo de viver, de sentir
como caem as baba da minha boca expressando minha perverção
de ver seu corpo nu se movendo entre camas, entre pernas, entre lençóis, entre mordidas, entre beijos, eliminando meus suspiros e deixando apenas meus gemidos, minha excitação,
enquanto você desce, algo em mim se levanta
enquanto algo de você se molha, se desprende,
seu corpo fala sem falar, seus olhos miram sem ver
sua boca fala sem falar, e meus ouvidos vivem ouvindo sem ouvir
peregrinando todos meus pensamentos e desejos em algo tão bardo e incensado como um tronco ereto, como mamilos de cereja, mas com todas as sensações, cores e sabores num ato tão vil, tão animal, tão selvagem como nossos sexos ejaculando, expirando, comunicando-se e quizas amando ou odiando-se para apenas despetar e não saber se foi o eco da minha perverção, de um sonho inconcluso ou se o extase do climax me fez esquecer a realidade e me conduziu entre luxúria, entre escuridão, entre prazer, só sou o reflexo de um espelho,
a imagem da minha mente que cala, que guarda silêncio,
enquanto vejo seu corpo passar.
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