Passamos o fim de semana em casa, eu não conseguia evitar fazer alguma alusão ao teste que ela tinha me proposto e do qual eu mal tinha informações, queria saber mais e a María parecia adorar frustrar minha curiosidade.
A semana passou com uma certa tensão no ar, eu não queria ceder à pressão que a María tentava exercer sobre mim e por isso evitei perguntar, fingindo um desinteresse que absolutamente não sentia. Na sexta-feira, lá pela metade da manhã, meu celular tocou no meio de uma reunião; era a María e eu desliguei a chamada, ela sabia que se fizesse isso eu ligaria mais tarde. Poucos minutos depois, recebi um SMS que só abri meia hora depois, quando a reunião acabou. Era da María e dizia assim:
"Como com o Roberto, não me espera pra academia, tq"
Roberto, um dos sócios do escritório onde eu trabalhava, o típico pesquisador transformado em executivo, cada vez mais distante da atividade profissional, egocêntrico, vaidoso, prepotente e machista. O que a María estava fazendo almoçando com um espécime desses? Talvez algum assunto do escritório que exigisse... não, não fazia sentido. Aí caiu a ficha: o teste. Será que a María estava tentando jogar a carta do ciúme? Não podia ser, ela não era tão ingênua a ponto de achar que eu cairia nessa armadilha. Respondi o SMS de forma seca:
"não cola"
Não houve resposta. Às uma e meia, tentei falar com ela, mas ela desligou na minha cara. Esperei, mas dessa vez também não respondeu. Às duas e meia, saí do escritório e fui pra casa.
Ela não estava lá. Olhei a secretária eletrônica, sem encontrar nenhuma mensagem. Li o SMS dela de novo: "não me espera pra academia". Quanto tempo ela pretendia ficar na sobremesa? Sexta-feira a gente costuma ir pra academia lá pelas seis.
Tive que admitir que, se a María estava tentando me deixar nervoso, ela tinha conseguido. Eu estava inquieto, mas tentei entrar no jogo dela. Disse pra mim mesmo que era exatamente isso que ela queria: me deixar nervoso, me fazer duvidar dela. Sorri e me armei com toda a segurança que encontrei em mim, mas meu corpo denunciava a tensão.
O som do celular me Sobressaltei, vi que era a Maria, atendi e escolhi meu tom de voz mais neutro.
"Oi, amor" – respondi; ouvi o barulho típico de um lugar cheio, talvez um restaurante.
"Oi, querido, você recebeu minha mensagem, né?"
"Claro, e você recebeu a minha, não vem com essa."
"Vou chegar um pouco mais tarde, vai você pra academia e depois te ligo" – houve um silêncio em que tentei escolher a frase certa pra mostrar que não tava engolindo a desculpa dela, mas não deu tempo – "aliás, o Roberto acabou de me perguntar sobre o congresso de janeiro, passo ele pra você e você explica, ok? Um beijo" – Nem tive tempo de responder, e mesmo se tivesse, não saberia o que dizer, logo ouvi a voz empolada do Roberto, se fazendo de "amigão", ouvi quase sem entender e respondi rapidamente, prometendo mais informações – "passa pra sua mina, que como eu tenho ela por perto todo dia, ela já me passa depois" – imbecil! Esse cretino achava que podia falar da Maria como "minha mina" e me tratar como se eu fosse um subordinado dele só porque ela trabalhava na empresa dele.
Tentei analisar a situação sem emoção, sentia em mim todos os sinais da raiva, do medo, da insegurança, minha cabeça funcionava a mil por hora imaginando alternativas, pensando que a Maria, só pra me testar, podia estar se metendo numa situação desagradável. O Roberto não perdia chance de se gabar das suas conquistas, falava dos seus casos como se fossem troféus de caça, a cortesia melosa dele, a galanteria com as mulheres, deixava transparecer desejo, superioridade, nenhum respeito; pra ele, as mulheres eram inferiores, fracas, volúveis e disponíveis, sempre disponíveis. Eu já sabia como ele olhava pra Maria, em alguma convenção a gente tinha trocado olhares depois de pegá-lo despindo ela com os olhos, e ela mesma tinha me contado das insinuações e investidas que teve que resolver com diplomacia no começo no escritório. A Maria era uma "peça não abatida" e isso, pro orgulho O hiperdesenvolvido do Roberto era algo que ela não lidava bem; ter conseguido que ele aceitasse um almoço já era uma vitória, e ela não ia parar por aí.
A angústia que eu sentia era insuportável, imaginei ela tendo que aturar as investidas dele, supus que ele teria se encorajado e que não a deixaria mais em paz, como até então.
Foi aí que questionei tudo o que tinha proposto a ela: se eu me sentia assim por causa de um simples almoço, como reagiria se ela transasse com alguém?
"Com ele não, com ele não", repetia para mim mesmo. Mas se isso era um teste, eu precisava encará-lo. Minha veia investigativa me dizia que eu tinha que dissecar minhas emoções, minhas dúvidas, meus medos… exatamente como tinha pedido a ela.
Maria tinha acabado de fazer 29 anos, eu ainda não tinha 42. Nossa diferença de idade era perceptível, mas se no começo do nosso relacionamento eu era um homem jovem de 34 anos com uma garota de 21, agora eu já era um maduro de 42, casado com uma jovem de 29. Eu me mantinha bem, fisicamente em forma, sem nenhum vestígio daquela barriga de chopp que tanto assolava meus colegas, mas os cabelos brancos, as entradas e os primeiros pés de galinha denunciavam minha idade — bem vivida, mas estava lá. Eu fazia sucesso com as mulheres e, embora nunca tivesse me aproveitado disso, isso alimentava minha vaidade e minha ilusão de juventude eterna.
Maria estava mais gostosa do que nunca. Mantinha um corpo invejável, a academia que eu mesmo a incentivei a frequentar e o fato de não ter tido filhos a mantinham nos mesmos números de quando a conheci. O corpo dela tinha se desenvolvido da melhor forma possível: a barriga lisa, as nádegas duras, os seios pequenos, mas lindos e firmes… e o rosto dela… aquela boca sensual, sem ser exageradamente grossa, aqueles olhos pretos, profundos, capazes de me desarmar com um único olhar… ela sabe do poder que os olhos dela têm sobre os homens, e às vezes já a vi usar isso com sutileza para conseguir uma boa mesa num restaurante, quando eu já tinha falhado na tentativa, ou para se livrar de uma multa de Trafico com elegância, sim, mas com sedução não premeditada. Ela estava no auge, no pico da juventude dela.
Botei na mesa todas as minhas dúvidas, meus medos, meus complexos… e imaginei ela aceitando aquele gesto tão sem-vergonha do Roberto, que sempre pega as mulheres dos outros pela cintura… menos a Maria até aquele momento, que tinha conseguido pará-lo na hora com um sorriso nos lábios; Mas supus que ter conseguido que a Maria aceitasse o convite dele teria dado asas, se o Roberto tinha pegado ela pela cintura e ela pretendia me dar uma lição… ou se simplesmente tinha decidido botar em prática todos os meus argumentos de que ela experimentasse… se ela tinha permitido aquilo, o Roberto, depois de tanto tempo mantendo ele na rédea curta, teria interpretado como um sinal de muito mais. Imaginei ela num restaurante aceitando os avanços do Roberto, aquelas táticas grosseiras que ele tinha exibido sem vergonha na frente de todo mundo com a mulher de um funcionário recém-promovido: uma mão no ombro dela pra firmar uma piada, uma brincadeira com os dedos na mão dela, o costume dele de sentar do lado do casal em vez de na frente pra poder, em algum momento, baixar a mão e roçar a coxa dela, sabendo que ela nunca vai fazer escândalo, ainda mais com o chefe do marido. Será que a Maria aceitaria esse assédio por minha causa, pra testar como se sente?
O desespero começou a tomar conta de mim, desejei nunca ter dito nada daquilo pra ela, desejei…
Uma nova imagem apareceu na minha mente, eu via a Maria entrando num hotel com o Roberto, pegando as chaves de um quarto enquanto os funcionários a catalogam, sendo beijada no elevador enquanto sobem pro andar, entrando no quarto e se deixando despir pelo Roberto.
Comecei a ter uma ereção e fiquei chocado com minha reação, mas minha cabeça continuava criando imagens: vi ela tirando o sutiã, deixando ele se abaixar pra tirar a calcinha dela, imaginei ele aspirando o cheiro dela perto, bem perto da buceta dela, vi ela com os peitos sendo apalpados sem delicadeza por Esse homem. E finalmente a vi fodendo; minhas mãos desabotoaram apressadamente minha calça e comecei a me masturbar enquanto imaginava ela deitada na cama com o Roberto por cima, penetrando ela, fodendo sua presa, a nova peça da coleção dele, a mais cobiçada, a que mais tinha resistido a ele. E gozei exatamente quando imaginava ela recebendo o orgasmo do Roberto e a vi deitada na cama, nua, expulsando lentamente o esperma nos lençóis enquanto ele, concluída a conquista, se vestia sem dedicar um minuto de carinho.
Tirei a roupa e entrei no chuveiro, mas as imagens não paravam, o que ela faria em seguida? Ela também tomaria banho? Bastaria uma só foda pro Roberto ou ele faria ela chupar ele? Fiquei excitado de novo, meu pau endureceu na hora quando imaginei ela de joelhos na cama e o Roberto deitado enquanto ela enfiava o pau dele na boca, vi ela entregue, humilhada diante do chefe, como uma puta, como o que seria a partir daquele dia pro Roberto... e de novo me masturbei gemendo de prazer.
Saí do chuveiro e fui pra academia pra fugir da solidão da minha casa, achei que lá eu me livraria dessa obsessão, mas não foi assim, não conseguia tirar da cabeça as imagens em que a Maria era usada pelo Roberto, e me excitava ao mesmo tempo que temia isso.
A Maria não apareceu na academia e às sete e meia saí de lá; No caminho liguei pra casa mas caiu na secretária eletrônica. Ela ainda não tinha chegado e de novo minha cabeça criou mil cenas.
Ao chegar em casa vi a bolsa dela em cima da mesa da sala e logo ouvi o som do chuveiro, entrei no banheiro do nosso quarto e vi ela atrás do box, de costas pra mim, deixando a água escorrer pelas costas dela. Um arrepio percorreu minha espinha: a Maria não costumava tomar banho à tarde, a não ser nos dias muito quentes de verão. Bati duas vezes com os nós dos dedos no box e ela se virou assustada, logo o rosto dela mostrou um sorriso e me mandou um beijo. Saí do banheiro e Preparei um Jack Daniels com gelo enquanto tentava descobrir como deveria agir.
Maria apareceu logo depois, ainda se secando com a toalha, me mostrando aquele corpo gostoso. Nervoso, fiquei inspecionando a pele dela, procurando marcas, sinais que denunciassem algo. Era absurdo, em nenhum momento acreditei de verdade que eles tinham transado, mas não conseguia evitar aquela reação. Ela percebeu e perguntou: "O que você tá olhando? Tem alguma coisa em mim?" – disfarcei como pude.
"E aí, como foi com o Roberto?"
"Você sabe, tão idiota como sempre" – dei um gole no copo.
"E como é que vocês foram almoçar juntos?" – tentei dar um tom de indiferença na voz, mas duvido muito que tenha conseguido.
"A gente teve uma reunião e não pude recusar" – ela continuava ali, pelada, descalça, secando o cabelo, e eu procurando em cada milímetro da pele dela, espiando o pescoço pra ver se tinha alguma marca, passando mal por dentro. Não fazia sentido, não era a primeira vez que iam juntos pra reuniões fora do escritório, mas nunca tinha almoçado com ele antes.
"E por que não? Podia ter dito que tinha combinado comigo e pronto" – na hora percebi meu erro. Maria parou de esfregar o cabelo e me olhou.
"Tá com ciúme?" – a risada nervosa e exagerada que eu soltei não tinha nada a ver com a risada de indiferença que eu queria dar.
"Fala besteira não"
"Pois eu diria que sim, que meu marido ultraliberal tá com ciúme" – ela tava tirando uma onda na minha cara, e aquilo me irritou.
"Não se engana, querida, é que eu te considero uma mulher de bom gosto"
"Quer dizer que, se por acaso eu tivesse deixado o Roberto... bom, você conhece ele, enfim, nesse caso você não ia ficar chateado, né?" – ela me encarava enquanto eu bebia de novo.
"Chateado não, surpreso. Não te achava tão apressada" – eu tava sendo agressivo, ofensivo, e não era aquilo que eu queria.
"Sabe? O escritório vai se associar com um maior, talvez eu tenha uma chance de pegar a direção de uma área" – ela falou aquilo como se a conversa anterior tivesse acabado e ela começaria uma nova, mas entendi o sentido daquela frase; ela devolvia meu ataque e me dava um motivo pra ficar com Roberto, algo que salvava o bom gosto dela e colocava aquela comida como uma estratégia pra subir na vida. Não batia com ela tanta frieza, mas não quis insistir.
"E foi disso que vocês ficaram falando esse tempo todo? Devem ter te expulsado do restaurante, com certeza."
"Sim, tivemos que sair de lá" – ela se virou e foi pro quarto; se queria que eu fosse atrás dela pedindo mais detalhes, não ia conseguir, mesmo eu ficando na dúvida. Essa era minha decisão, mas minhas pernas me levaram até lá, encontrei ela colocando uma calcinha, me deu vontade de jogar ela na cama e foder ela enquanto me contava o que tinham feito.
"Isso faz parte do seu teste, né?"
"Você acha?" – disse enquanto subia a calcinha e se olhava no espelho do armário, me excitando cada vez mais.
"Sim, acho que você tá me testando, acha que vou ficar com ciúme e pensar que você esteve com Roberto, mas se enganou, você esteve com ele, é verdade porque você fez questão de eu comprovar, mas com certeza foram com mais gente, você sozinha não iria com esse lobo, e depois talvez tenha ido fazer compras pra passar tempo, ah! E o teatrinho do banho foi muito bem feito, o banho da adúltera pra apagar os vestígios do amante" – eu tava ironizando, mas sem perceber tinha contado todos os meus medos.
"Então, tá tudo bem, não?" – ela vestiu uma camiseta por cima do corpo nu, procurou numa gaveta e escolheu uma calça de pijama, e saiu pra cozinha.
Como um ladrão, entrei no banheiro e procurei no cesto de roupa suja, encontrei a calcinha que ela tinha tirado, ainda estava quentinha e quando ia desenrolar, ouvi ela entrar no quarto, tive tempo só de largar e disfarçar procurando alguma coisa no armário.
"Vou ligar a máquina de lavar, me deixa?" – eu me afastei e vi ela pegando toda a roupa do cesto. Por que uma máquina de lavar? Agora, naquele momento? Por que tanta pressa? Seria uma estratégia bem calculada pra me fazer acreditar no que ela queria que eu acreditasse, ou aquela calcinha que eu tinha segurado nas mãos realmente guardava a prova das minhas hipóteses?
Por que eu duvidava dela? Não tinha motivo nenhum, em todos esses anos nunca tinha duvidado dela. Voltei a lembrar da minha excitação, por duas vezes seguidas, ao imaginá-la fodendo com o Roberto. Por que eu não aceitava que o que eu tinha dito na teoria era real, que me excitava ela transar com outros caras?
Não voltamos a falar do assunto a noite toda. Ao nos deitarmos, ambos nus como sempre, voltei a imaginá-la assim, deitada ao lado do Roberto depois da foda. Será que tinham conversado? Será que tinham ficado abraçados? Será que tinham se beijado depois? Será que tinham feito planos pro futuro?
Senti minha ereção quase doendo e me virei pra ela.
"Bom, bom, como estamos" – ela disse, pegando no meu pau com a mão e começando a bater uma.
"Você é muito boa nisso" – falei enquanto uma onda de prazer percorria meu corpo.
"Você sabe que eu pratico bastante"
"Tem praticado ultimamente?" – me senti um idiota.
"Pare de perguntar, só aproveita" – o que ela queria dizer? Do que eu devia aproveitar, do que ela tava fazendo ou de ser um corno?
"Eu sou um corno", repetia pra mim mesmo, e quanto mais eu falava, mais excitado ficava. Subi nela e comecei a beijá-la. Ela estava linda, maravilhosa. Eu a olhava com outros olhos, imaginando que já sabia o que era foder com outro, e isso me fez... admirá-la. Ela cresceu aos meus olhos e, de certa forma, me fez perceber que eu tinha que me dedicar de verdade. Direcionei meu pau pra boceta dela e encontrei ela toda lubrificada. De novo, aquela faísca de insegurança cresceu em mim. Ela me abraçou e me puxou pra boca dela. Depois de nos beijarmos, não consegui evitar a pergunta que tava querendo sair.
"Como é que eu tô indo no teste?" – ela sorriu enquanto acompanhava o movimento dos quadris dela com os meus.
"Bom, você quase passou suspender, mas você reagiu a tempo" – eu ia perguntar, mas ela me interrompeu – "aliás, o que você estava fazendo fuçando nas minhas calcinhas usadas? Acha bonito?" – ela procurou minha boca e me beijou profundamente, apaixonadamente, enquanto acelerava o ritmo com que se mexia, como uma cobra – "meu garotão, você não sabe se já te coloquei chifre ou não, né? Meu cuck, você não sabe se já é um… e não vai saber, por enquanto, a não ser que se renda"
"você sabe que não vou me render"
"Tem certeza?"
"Acho que você não fez nada com o Roberto, seria absurdo"
"Pode ser"
"Acho que você não aguentaria ele te pegar pela cintura, foram muitos anos te mantendo no seu lugar pra jogar tudo fora por um teste." – ela não respondeu, mas eu queria saber, precisava saber – "Vamos supor que sim, que você deixou ele te pegar, o que teria sentido?" – nossos movimentos tinham desacelerado, nenhum de nós tinha pressa de chegar ao orgasmo.
"Por que não dar o passo?" – o rosto dela ficou insolente – "por que não experimentar como é? Todo esse tempo na tensão, sempre mantendo distância, como uma luta constante, é muito cansativo, além disso, talvez dar esse capricho pra ele, sem dever nada, sem nenhuma obrigação, faça ele ser menos arrogante, talvez seja só fachada e no 'corpo a corpo' ele seja menos do que aparenta" – ela falava na hipótese, mas estava insinuando que tinha deixado ele.
"Mas você conhece ele, ele não ia parar por aí, ele sentou do seu lado ou na frente?"
"O Roberto é muito previsível: sentou do meu lado" – continuávamos nos movendo devagar, mas isso não parava a excitação que crescia a cada momento. Do olhar dela emanava luxúria.
"E se ele tivesse colocado a mão na sua coxa, como fez com a Raquel naquela noite?" – eu tinha voltado ao "e se…", à hipótese, não ousava fazer a pergunta diretamente, talvez porque temesse que ela não respondesse ou talvez porque temesse a resposta.
"Não sei, talvez eu tivesse tirado a mão dele e dito pra ele não se Enganei... ou talvez tivesse esperado um pouco antes de parar ele, só um momento pra saborear a sensação de me deixar tocar" – a última frase ela tinha dito no meio de um gemido, Maria se contraiu e se entregou a um orgasmo longo e profundo, eu não precisei de mais nada pra sentir os espasmos que anunciavam meu orgasmo e, apesar das minhas punhetas da tarde, senti os jatos de gozo dentro dela. Caí exausto ao lado dela.
"Não pergunta mais, Carlos, se quiser eu conto tudo, mas aí você terá perdido o teste"
"Então você já me respondeu" – o rosto dela ficou com uma expressão de não entender o que eu queria dizer, mas eu já sabia a verdade: se perguntando eu falhasse no teste, então eu não teria conseguido o que queria, como ela tinha dito ao propor o teste. Logo, Maria não tinha transado com o Roberto hoje, nem sequer tinha deixado ele dar o menor avanço. Sorri triunfante e Maria ficou surpresa, me conhece o suficiente pra saber que minha segurança não era blefe. Beijei ela e apaguei a luz.
Mas no escuro não precisava disfarçar, a segurança que tinha mostrado pra ela estava longe de ser real, o raciocínio que dois minutos antes me deixara tão seguro fazia água por todos os lados; Perder o teste, pra mim podia ter um significado diferente do que pra Maria, perder o teste pra mim era não conseguir ver ela nos braços de outro cara, mas perder o teste pra Maria podia significar simplesmente que eu não tinha sido capaz de viver aqueles quinze dias sem ter o controle do que rolava. Não tinha nenhuma garantia, portanto, de que Maria...
A semana passou com uma certa tensão no ar, eu não queria ceder à pressão que a María tentava exercer sobre mim e por isso evitei perguntar, fingindo um desinteresse que absolutamente não sentia. Na sexta-feira, lá pela metade da manhã, meu celular tocou no meio de uma reunião; era a María e eu desliguei a chamada, ela sabia que se fizesse isso eu ligaria mais tarde. Poucos minutos depois, recebi um SMS que só abri meia hora depois, quando a reunião acabou. Era da María e dizia assim:
"Como com o Roberto, não me espera pra academia, tq"
Roberto, um dos sócios do escritório onde eu trabalhava, o típico pesquisador transformado em executivo, cada vez mais distante da atividade profissional, egocêntrico, vaidoso, prepotente e machista. O que a María estava fazendo almoçando com um espécime desses? Talvez algum assunto do escritório que exigisse... não, não fazia sentido. Aí caiu a ficha: o teste. Será que a María estava tentando jogar a carta do ciúme? Não podia ser, ela não era tão ingênua a ponto de achar que eu cairia nessa armadilha. Respondi o SMS de forma seca:
"não cola"
Não houve resposta. Às uma e meia, tentei falar com ela, mas ela desligou na minha cara. Esperei, mas dessa vez também não respondeu. Às duas e meia, saí do escritório e fui pra casa.
Ela não estava lá. Olhei a secretária eletrônica, sem encontrar nenhuma mensagem. Li o SMS dela de novo: "não me espera pra academia". Quanto tempo ela pretendia ficar na sobremesa? Sexta-feira a gente costuma ir pra academia lá pelas seis.
Tive que admitir que, se a María estava tentando me deixar nervoso, ela tinha conseguido. Eu estava inquieto, mas tentei entrar no jogo dela. Disse pra mim mesmo que era exatamente isso que ela queria: me deixar nervoso, me fazer duvidar dela. Sorri e me armei com toda a segurança que encontrei em mim, mas meu corpo denunciava a tensão.
O som do celular me Sobressaltei, vi que era a Maria, atendi e escolhi meu tom de voz mais neutro.
"Oi, amor" – respondi; ouvi o barulho típico de um lugar cheio, talvez um restaurante.
"Oi, querido, você recebeu minha mensagem, né?"
"Claro, e você recebeu a minha, não vem com essa."
"Vou chegar um pouco mais tarde, vai você pra academia e depois te ligo" – houve um silêncio em que tentei escolher a frase certa pra mostrar que não tava engolindo a desculpa dela, mas não deu tempo – "aliás, o Roberto acabou de me perguntar sobre o congresso de janeiro, passo ele pra você e você explica, ok? Um beijo" – Nem tive tempo de responder, e mesmo se tivesse, não saberia o que dizer, logo ouvi a voz empolada do Roberto, se fazendo de "amigão", ouvi quase sem entender e respondi rapidamente, prometendo mais informações – "passa pra sua mina, que como eu tenho ela por perto todo dia, ela já me passa depois" – imbecil! Esse cretino achava que podia falar da Maria como "minha mina" e me tratar como se eu fosse um subordinado dele só porque ela trabalhava na empresa dele.
Tentei analisar a situação sem emoção, sentia em mim todos os sinais da raiva, do medo, da insegurança, minha cabeça funcionava a mil por hora imaginando alternativas, pensando que a Maria, só pra me testar, podia estar se metendo numa situação desagradável. O Roberto não perdia chance de se gabar das suas conquistas, falava dos seus casos como se fossem troféus de caça, a cortesia melosa dele, a galanteria com as mulheres, deixava transparecer desejo, superioridade, nenhum respeito; pra ele, as mulheres eram inferiores, fracas, volúveis e disponíveis, sempre disponíveis. Eu já sabia como ele olhava pra Maria, em alguma convenção a gente tinha trocado olhares depois de pegá-lo despindo ela com os olhos, e ela mesma tinha me contado das insinuações e investidas que teve que resolver com diplomacia no começo no escritório. A Maria era uma "peça não abatida" e isso, pro orgulho O hiperdesenvolvido do Roberto era algo que ela não lidava bem; ter conseguido que ele aceitasse um almoço já era uma vitória, e ela não ia parar por aí.
A angústia que eu sentia era insuportável, imaginei ela tendo que aturar as investidas dele, supus que ele teria se encorajado e que não a deixaria mais em paz, como até então.
Foi aí que questionei tudo o que tinha proposto a ela: se eu me sentia assim por causa de um simples almoço, como reagiria se ela transasse com alguém?
"Com ele não, com ele não", repetia para mim mesmo. Mas se isso era um teste, eu precisava encará-lo. Minha veia investigativa me dizia que eu tinha que dissecar minhas emoções, minhas dúvidas, meus medos… exatamente como tinha pedido a ela.
Maria tinha acabado de fazer 29 anos, eu ainda não tinha 42. Nossa diferença de idade era perceptível, mas se no começo do nosso relacionamento eu era um homem jovem de 34 anos com uma garota de 21, agora eu já era um maduro de 42, casado com uma jovem de 29. Eu me mantinha bem, fisicamente em forma, sem nenhum vestígio daquela barriga de chopp que tanto assolava meus colegas, mas os cabelos brancos, as entradas e os primeiros pés de galinha denunciavam minha idade — bem vivida, mas estava lá. Eu fazia sucesso com as mulheres e, embora nunca tivesse me aproveitado disso, isso alimentava minha vaidade e minha ilusão de juventude eterna.
Maria estava mais gostosa do que nunca. Mantinha um corpo invejável, a academia que eu mesmo a incentivei a frequentar e o fato de não ter tido filhos a mantinham nos mesmos números de quando a conheci. O corpo dela tinha se desenvolvido da melhor forma possível: a barriga lisa, as nádegas duras, os seios pequenos, mas lindos e firmes… e o rosto dela… aquela boca sensual, sem ser exageradamente grossa, aqueles olhos pretos, profundos, capazes de me desarmar com um único olhar… ela sabe do poder que os olhos dela têm sobre os homens, e às vezes já a vi usar isso com sutileza para conseguir uma boa mesa num restaurante, quando eu já tinha falhado na tentativa, ou para se livrar de uma multa de Trafico com elegância, sim, mas com sedução não premeditada. Ela estava no auge, no pico da juventude dela.
Botei na mesa todas as minhas dúvidas, meus medos, meus complexos… e imaginei ela aceitando aquele gesto tão sem-vergonha do Roberto, que sempre pega as mulheres dos outros pela cintura… menos a Maria até aquele momento, que tinha conseguido pará-lo na hora com um sorriso nos lábios; Mas supus que ter conseguido que a Maria aceitasse o convite dele teria dado asas, se o Roberto tinha pegado ela pela cintura e ela pretendia me dar uma lição… ou se simplesmente tinha decidido botar em prática todos os meus argumentos de que ela experimentasse… se ela tinha permitido aquilo, o Roberto, depois de tanto tempo mantendo ele na rédea curta, teria interpretado como um sinal de muito mais. Imaginei ela num restaurante aceitando os avanços do Roberto, aquelas táticas grosseiras que ele tinha exibido sem vergonha na frente de todo mundo com a mulher de um funcionário recém-promovido: uma mão no ombro dela pra firmar uma piada, uma brincadeira com os dedos na mão dela, o costume dele de sentar do lado do casal em vez de na frente pra poder, em algum momento, baixar a mão e roçar a coxa dela, sabendo que ela nunca vai fazer escândalo, ainda mais com o chefe do marido. Será que a Maria aceitaria esse assédio por minha causa, pra testar como se sente?
O desespero começou a tomar conta de mim, desejei nunca ter dito nada daquilo pra ela, desejei…
Uma nova imagem apareceu na minha mente, eu via a Maria entrando num hotel com o Roberto, pegando as chaves de um quarto enquanto os funcionários a catalogam, sendo beijada no elevador enquanto sobem pro andar, entrando no quarto e se deixando despir pelo Roberto.
Comecei a ter uma ereção e fiquei chocado com minha reação, mas minha cabeça continuava criando imagens: vi ela tirando o sutiã, deixando ele se abaixar pra tirar a calcinha dela, imaginei ele aspirando o cheiro dela perto, bem perto da buceta dela, vi ela com os peitos sendo apalpados sem delicadeza por Esse homem. E finalmente a vi fodendo; minhas mãos desabotoaram apressadamente minha calça e comecei a me masturbar enquanto imaginava ela deitada na cama com o Roberto por cima, penetrando ela, fodendo sua presa, a nova peça da coleção dele, a mais cobiçada, a que mais tinha resistido a ele. E gozei exatamente quando imaginava ela recebendo o orgasmo do Roberto e a vi deitada na cama, nua, expulsando lentamente o esperma nos lençóis enquanto ele, concluída a conquista, se vestia sem dedicar um minuto de carinho.
Tirei a roupa e entrei no chuveiro, mas as imagens não paravam, o que ela faria em seguida? Ela também tomaria banho? Bastaria uma só foda pro Roberto ou ele faria ela chupar ele? Fiquei excitado de novo, meu pau endureceu na hora quando imaginei ela de joelhos na cama e o Roberto deitado enquanto ela enfiava o pau dele na boca, vi ela entregue, humilhada diante do chefe, como uma puta, como o que seria a partir daquele dia pro Roberto... e de novo me masturbei gemendo de prazer.
Saí do chuveiro e fui pra academia pra fugir da solidão da minha casa, achei que lá eu me livraria dessa obsessão, mas não foi assim, não conseguia tirar da cabeça as imagens em que a Maria era usada pelo Roberto, e me excitava ao mesmo tempo que temia isso.
A Maria não apareceu na academia e às sete e meia saí de lá; No caminho liguei pra casa mas caiu na secretária eletrônica. Ela ainda não tinha chegado e de novo minha cabeça criou mil cenas.
Ao chegar em casa vi a bolsa dela em cima da mesa da sala e logo ouvi o som do chuveiro, entrei no banheiro do nosso quarto e vi ela atrás do box, de costas pra mim, deixando a água escorrer pelas costas dela. Um arrepio percorreu minha espinha: a Maria não costumava tomar banho à tarde, a não ser nos dias muito quentes de verão. Bati duas vezes com os nós dos dedos no box e ela se virou assustada, logo o rosto dela mostrou um sorriso e me mandou um beijo. Saí do banheiro e Preparei um Jack Daniels com gelo enquanto tentava descobrir como deveria agir.
Maria apareceu logo depois, ainda se secando com a toalha, me mostrando aquele corpo gostoso. Nervoso, fiquei inspecionando a pele dela, procurando marcas, sinais que denunciassem algo. Era absurdo, em nenhum momento acreditei de verdade que eles tinham transado, mas não conseguia evitar aquela reação. Ela percebeu e perguntou: "O que você tá olhando? Tem alguma coisa em mim?" – disfarcei como pude.
"E aí, como foi com o Roberto?"
"Você sabe, tão idiota como sempre" – dei um gole no copo.
"E como é que vocês foram almoçar juntos?" – tentei dar um tom de indiferença na voz, mas duvido muito que tenha conseguido.
"A gente teve uma reunião e não pude recusar" – ela continuava ali, pelada, descalça, secando o cabelo, e eu procurando em cada milímetro da pele dela, espiando o pescoço pra ver se tinha alguma marca, passando mal por dentro. Não fazia sentido, não era a primeira vez que iam juntos pra reuniões fora do escritório, mas nunca tinha almoçado com ele antes.
"E por que não? Podia ter dito que tinha combinado comigo e pronto" – na hora percebi meu erro. Maria parou de esfregar o cabelo e me olhou.
"Tá com ciúme?" – a risada nervosa e exagerada que eu soltei não tinha nada a ver com a risada de indiferença que eu queria dar.
"Fala besteira não"
"Pois eu diria que sim, que meu marido ultraliberal tá com ciúme" – ela tava tirando uma onda na minha cara, e aquilo me irritou.
"Não se engana, querida, é que eu te considero uma mulher de bom gosto"
"Quer dizer que, se por acaso eu tivesse deixado o Roberto... bom, você conhece ele, enfim, nesse caso você não ia ficar chateado, né?" – ela me encarava enquanto eu bebia de novo.
"Chateado não, surpreso. Não te achava tão apressada" – eu tava sendo agressivo, ofensivo, e não era aquilo que eu queria.
"Sabe? O escritório vai se associar com um maior, talvez eu tenha uma chance de pegar a direção de uma área" – ela falou aquilo como se a conversa anterior tivesse acabado e ela começaria uma nova, mas entendi o sentido daquela frase; ela devolvia meu ataque e me dava um motivo pra ficar com Roberto, algo que salvava o bom gosto dela e colocava aquela comida como uma estratégia pra subir na vida. Não batia com ela tanta frieza, mas não quis insistir.
"E foi disso que vocês ficaram falando esse tempo todo? Devem ter te expulsado do restaurante, com certeza."
"Sim, tivemos que sair de lá" – ela se virou e foi pro quarto; se queria que eu fosse atrás dela pedindo mais detalhes, não ia conseguir, mesmo eu ficando na dúvida. Essa era minha decisão, mas minhas pernas me levaram até lá, encontrei ela colocando uma calcinha, me deu vontade de jogar ela na cama e foder ela enquanto me contava o que tinham feito.
"Isso faz parte do seu teste, né?"
"Você acha?" – disse enquanto subia a calcinha e se olhava no espelho do armário, me excitando cada vez mais.
"Sim, acho que você tá me testando, acha que vou ficar com ciúme e pensar que você esteve com Roberto, mas se enganou, você esteve com ele, é verdade porque você fez questão de eu comprovar, mas com certeza foram com mais gente, você sozinha não iria com esse lobo, e depois talvez tenha ido fazer compras pra passar tempo, ah! E o teatrinho do banho foi muito bem feito, o banho da adúltera pra apagar os vestígios do amante" – eu tava ironizando, mas sem perceber tinha contado todos os meus medos.
"Então, tá tudo bem, não?" – ela vestiu uma camiseta por cima do corpo nu, procurou numa gaveta e escolheu uma calça de pijama, e saiu pra cozinha.
Como um ladrão, entrei no banheiro e procurei no cesto de roupa suja, encontrei a calcinha que ela tinha tirado, ainda estava quentinha e quando ia desenrolar, ouvi ela entrar no quarto, tive tempo só de largar e disfarçar procurando alguma coisa no armário.
"Vou ligar a máquina de lavar, me deixa?" – eu me afastei e vi ela pegando toda a roupa do cesto. Por que uma máquina de lavar? Agora, naquele momento? Por que tanta pressa? Seria uma estratégia bem calculada pra me fazer acreditar no que ela queria que eu acreditasse, ou aquela calcinha que eu tinha segurado nas mãos realmente guardava a prova das minhas hipóteses?
Por que eu duvidava dela? Não tinha motivo nenhum, em todos esses anos nunca tinha duvidado dela. Voltei a lembrar da minha excitação, por duas vezes seguidas, ao imaginá-la fodendo com o Roberto. Por que eu não aceitava que o que eu tinha dito na teoria era real, que me excitava ela transar com outros caras?
Não voltamos a falar do assunto a noite toda. Ao nos deitarmos, ambos nus como sempre, voltei a imaginá-la assim, deitada ao lado do Roberto depois da foda. Será que tinham conversado? Será que tinham ficado abraçados? Será que tinham se beijado depois? Será que tinham feito planos pro futuro?
Senti minha ereção quase doendo e me virei pra ela.
"Bom, bom, como estamos" – ela disse, pegando no meu pau com a mão e começando a bater uma.
"Você é muito boa nisso" – falei enquanto uma onda de prazer percorria meu corpo.
"Você sabe que eu pratico bastante"
"Tem praticado ultimamente?" – me senti um idiota.
"Pare de perguntar, só aproveita" – o que ela queria dizer? Do que eu devia aproveitar, do que ela tava fazendo ou de ser um corno?
"Eu sou um corno", repetia pra mim mesmo, e quanto mais eu falava, mais excitado ficava. Subi nela e comecei a beijá-la. Ela estava linda, maravilhosa. Eu a olhava com outros olhos, imaginando que já sabia o que era foder com outro, e isso me fez... admirá-la. Ela cresceu aos meus olhos e, de certa forma, me fez perceber que eu tinha que me dedicar de verdade. Direcionei meu pau pra boceta dela e encontrei ela toda lubrificada. De novo, aquela faísca de insegurança cresceu em mim. Ela me abraçou e me puxou pra boca dela. Depois de nos beijarmos, não consegui evitar a pergunta que tava querendo sair.
"Como é que eu tô indo no teste?" – ela sorriu enquanto acompanhava o movimento dos quadris dela com os meus.
"Bom, você quase passou suspender, mas você reagiu a tempo" – eu ia perguntar, mas ela me interrompeu – "aliás, o que você estava fazendo fuçando nas minhas calcinhas usadas? Acha bonito?" – ela procurou minha boca e me beijou profundamente, apaixonadamente, enquanto acelerava o ritmo com que se mexia, como uma cobra – "meu garotão, você não sabe se já te coloquei chifre ou não, né? Meu cuck, você não sabe se já é um… e não vai saber, por enquanto, a não ser que se renda"
"você sabe que não vou me render"
"Tem certeza?"
"Acho que você não fez nada com o Roberto, seria absurdo"
"Pode ser"
"Acho que você não aguentaria ele te pegar pela cintura, foram muitos anos te mantendo no seu lugar pra jogar tudo fora por um teste." – ela não respondeu, mas eu queria saber, precisava saber – "Vamos supor que sim, que você deixou ele te pegar, o que teria sentido?" – nossos movimentos tinham desacelerado, nenhum de nós tinha pressa de chegar ao orgasmo.
"Por que não dar o passo?" – o rosto dela ficou insolente – "por que não experimentar como é? Todo esse tempo na tensão, sempre mantendo distância, como uma luta constante, é muito cansativo, além disso, talvez dar esse capricho pra ele, sem dever nada, sem nenhuma obrigação, faça ele ser menos arrogante, talvez seja só fachada e no 'corpo a corpo' ele seja menos do que aparenta" – ela falava na hipótese, mas estava insinuando que tinha deixado ele.
"Mas você conhece ele, ele não ia parar por aí, ele sentou do seu lado ou na frente?"
"O Roberto é muito previsível: sentou do meu lado" – continuávamos nos movendo devagar, mas isso não parava a excitação que crescia a cada momento. Do olhar dela emanava luxúria.
"E se ele tivesse colocado a mão na sua coxa, como fez com a Raquel naquela noite?" – eu tinha voltado ao "e se…", à hipótese, não ousava fazer a pergunta diretamente, talvez porque temesse que ela não respondesse ou talvez porque temesse a resposta.
"Não sei, talvez eu tivesse tirado a mão dele e dito pra ele não se Enganei... ou talvez tivesse esperado um pouco antes de parar ele, só um momento pra saborear a sensação de me deixar tocar" – a última frase ela tinha dito no meio de um gemido, Maria se contraiu e se entregou a um orgasmo longo e profundo, eu não precisei de mais nada pra sentir os espasmos que anunciavam meu orgasmo e, apesar das minhas punhetas da tarde, senti os jatos de gozo dentro dela. Caí exausto ao lado dela.
"Não pergunta mais, Carlos, se quiser eu conto tudo, mas aí você terá perdido o teste"
"Então você já me respondeu" – o rosto dela ficou com uma expressão de não entender o que eu queria dizer, mas eu já sabia a verdade: se perguntando eu falhasse no teste, então eu não teria conseguido o que queria, como ela tinha dito ao propor o teste. Logo, Maria não tinha transado com o Roberto hoje, nem sequer tinha deixado ele dar o menor avanço. Sorri triunfante e Maria ficou surpresa, me conhece o suficiente pra saber que minha segurança não era blefe. Beijei ela e apaguei a luz.
Mas no escuro não precisava disfarçar, a segurança que tinha mostrado pra ela estava longe de ser real, o raciocínio que dois minutos antes me deixara tão seguro fazia água por todos os lados; Perder o teste, pra mim podia ter um significado diferente do que pra Maria, perder o teste pra mim era não conseguir ver ela nos braços de outro cara, mas perder o teste pra Maria podia significar simplesmente que eu não tinha sido capaz de viver aqueles quinze dias sem ter o controle do que rolava. Não tinha nenhuma garantia, portanto, de que Maria...
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