Caro Leitor - Parte 4 (1º final)
De todo labirinto se sai por cima"
Leopoldo Marechal.Por mais absurdo que tudo aquilo parecesse, Daniela se perguntou intimamente de novo qual seria o sentido de recusar. Ela estava ali pelo dinheiro, só isso. E dinheiro era o que estavam oferecendo. Mas naquele momento, na escuridão da mente dela, uma centelha distante brilhou e ela se agarrou nela com força:
— Sei que não tem nada a ver agora, mas… quero te contar uma coisa: amanhã vou disputar uma vaga de assistente remunerado na cadeira do Díaz Duref.
— Díaz Duref! Não acredito! — respondeu Carla com surpresa genuína.
— Por quê? O que foi?
— Também tô nessa disputa. Me inscrevi semana passada.
— Que coincidência!
— Mas, Dani, não tô com muita esperança. Fiz a matéria ano passado e o cara nem lembrava de mim. Não fui muito bem. Pra ser sincera, fui de medíocre pra baixo. Se não tivesse mostrado um pouco das pernas pro Díaz Duref, teria repetido com certeza. Fiquei sabendo da vaga e me mandei, mas… Acho que você tem grandes chances, Dani. Você tem notas muito boas, além de pernas bonitas. — Brincou Carla. Mas Daniela não conseguia levar na esportiva. Não naquele momento.
— Tomara. Às vezes acho que é minha única esperança.
Carla estava sentada na cama ao lado de Daniela, as coxas semidesnudas se roçando. Passou o braço por trás das costas dela. Daniela respondeu apoiando a cabeça no ombro de Carla.
Uma cena comovente, caro leitor: a coelhinha consolando a colegial.
— Tá se arrependendo de ter vindo?
— Sei lá… — Falavam quase num sussurro.
— Eu também tava assustada na primeira vez. Mas no dia seguinte percebi que tudo continuava igual. Que nada tinha mudado pra mim. Que eu podia seguir com minha vida, com minhas coisas… Era a mesma de sempre, só que com mais tempo livre e menos preocupações.
— Você tá com alguém, Carla? Quero dizer… além do trabalho.
— Um namorado?
— É… ou algo assim.
— Agora não… Mas fiquei com um cara, sim. Mati. Durou uns meses.
— E ele sabia..?
— Não. Ele achava que eu era sustentada pelos meus pais. velhos.
—Você não ia contar pra ele?
—Em algum momento, acho… Mas não deu tempo, a gente terminou antes. Ele tava full na merda. Não conseguia lidar. Quando descobri que ele tinha começado a se picar… Parei de ver ele… Não tenho boas lembranças… E você?
—Eu?
—Tá com alguém?
—Não… Bom… Amanhã vou almoçar com o Marcos, um cara da facul. Aquele que te falei.
—O do parque? O que molhou a calça? — lembrou Carla, segurando o riso.
—Coitado do Marcos! Não ri dele…
—É que você é irresistível, Dani! Espero que aqui você cause o mesmo efeito pra gente vazar logo!
Aí sim, as duas riram abraçadas e depois ficaram em silêncio por um momento. Daniela foi a primeira a falar. Sabia que tinha que tomar uma decisão:
—Valeu, Carla. — disse simplesmente.
Então levantou a cabeça e encostou os lábios na boca da amiga.
Como Daniela imaginava, beijá-la não era nada desagradável.
Carla se deixou levar. Foi só um beijo suave nos lábios surpresos dela, mornos e quase entreabertos. Não tinha luxúria; só ternura.
—Confio em você. — sussurrou depois.
E assim selou seu destino.
Não vou ficar investigando as motivações ocultas que te levaram a tomar essa decisão, caro leitor; só espero que você saiba distinguir entre o vício e o amor. Daniela precisa se sentir amada, acolhida; e você bem sabe que ela encontrou na figura da Carla a segurança e o carinho que tanto nossa jovenzinha demanda. Espero que você se sinta responsável pelos seus atos e que tenha coragem de acompanhar a Daniela até o fim dos acontecimentos que aqui se narram.
As duas amigas estavam lado a lado na frente do espelho, terminando de retocar alguns detalhes do cabelo, quando o celular da Carla tocou. Era o Jorge avisando que tudo tava pronto. Que elas deviam descer. Que a ação ia começar.
—A gente já desce em dois minutos. — respondeu Carla. Depois desligou e jogou o aparelho na cama. Ali estava a bolsa dela, de onde tirou um Pequeno porta-moedas com flores vermelhas e amarelas. Ela abriu e pegou um cartão plástico que prendeu entre os dentes. Depois tirou um pequeno envelope de papel metalizado que abriu na palma da mão. Pegou o cartão e cutucou o papel com uma das pontas. Finalmente, levantou dali um pequeno monte de pó branco que levou ao nariz. Inalou com força e repetiu a mesma operação uma segunda vez.
— O que você tá fazendo? — Perguntou Daniela, mais com tom de repreensão do que de curiosidade.
— Nunca experimentou?
— Não.
— Dá confiança e te mantém alerta. Duas coisas muito úteis agora. Quer?
Daniela ficou sem resposta. Não tinha uma visão obtusa sobre drogas, na verdade já tinha fumado maconha de vez em quando. Mas nunca antes tinha tido contato com cocaína e era a primeira vez que alguém falava sobre ela de uma perspectiva positiva.
Confiança e alerta. Se alguém precisava de uma dose extra das duas coisas, era ela e não a Carla, pensou Daniela. Mesmo assim, recusou de cara.
— Não, obrigada. — Disse, deixando o medo falar antes da própria razão.
— Não vou insistir nisso. Mas se bater vontade, tá aqui. — Mostrou o pequeno porta-moedas florido antes de guardá-lo de novo na bolsa. — Agora chegou a hora. Não tenha medo, Dani. É muito fácil. A única coisa que esses caras querem é se divertir, nada mais. Não vão te dar prova nenhuma.
A coelhinha loira com corpo de modelo e a colegial de decote exuberante, pele branca e olhos cor de mel, saíram do quarto rumo ao andar de baixo.
Carla ia na frente, ela seguia. Desciam degrau por degrau, diminuindo inconscientemente o passo. Enquanto desciam as escadas, Daniela teve um breve estouro de pânico cênico. A cabeça dela imaginou uma dúzia de velhos pelados esperando na sala, com os paus duros e prontos pra pular em cima delas. Mas a música que chegou aos ouvidos a distraiu. Ambas reconheceram de imediato os acordes de *Smells Like Teen Spirit*. de Nirvana que vinha da sala.
Nenhuma das duas estava calçada, então ninguém percebeu de imediato a presença delas quando chegaram ao último degrau.
À primeira vista, Daniela se surpreendeu ao ver uma única pessoa sentada no sofá enorme, na imensidão daquele cômodo. Ficou imensamente feliz por não ser o velho nojento dono da casa e que, quem quer que fosse, estava vestido. Não era nenhum dos já conhecidos. Era um cara mais ou menos da mesma idade que os outros; um sessentão, meio careca, magro e com um bigode grisalho bem aparado. O mais curioso não era ele estar sentado sozinho no meio de um sofá de quatro lugares, mas sim de olhos vendados.
O volume de *Smells Like Teen Spirit* aumentou de repente. Foi aí que Daniela percebeu que tinha se enganado na primeira impressão. Embora o centro da cena fosse o cara de venda, todo mundo estava por ali: era o Mario quem mexia no controle do som, provavelmente seguindo as ordens do Ricardo, que estava do lado dele; o Jorge estava mais afastado, em pé perto da janela que dava para o parque, fumando um cigarro. Todos eles longe da cena para não roubar a atenção do recém-chegado quarto homem, o Humberto, o homenageado.
Carla, como era de se esperar, tomou a iniciativa e foi decidida em direção ao sofá. Sabia o que tinha que fazer. Daniela, obediente, seguiu seus passos. Quando a loira sentou à direita do cara, Daniela imitou e fez o mesmo à esquerda dele.
O cego Humberto não teve dificuldade nenhuma em adivinhar a presença feminina delicada de cada lado, mesmo sem poder vê-las. Ricardo e Jorge começaram a se aproximar aos poucos, sem intenção de interferir na cena, pelo menos por enquanto.
Carla tinha se sentado de lado, quase em cima da coxa dele. Assim, deixava à vista dos sortudos espectadores sua bunda natural linda, coroada pelo rabinho de coelha branquinho. Sintético. Daniela, por outro lado, sem calcinha e com aquela saia plissada minúscula, não teve escolha a não ser sentar a bunda nua no sofá fofo de veludo, cruzando as pernas pra não deixar a buceta totalmente exposta.
Carla logo chamou a atenção de todo mundo na sala, até da amiga, quando começou a beijar o pescoço de Humberto enquanto desabotoava a camisa dele e acariciava o peito.
O velho se assustou com o primeiro toque e a reação imediata foi apoiar a mão esquerda na coxa de Daniela. A colegial mantinha os olhos fixos na amiga e as mãos no colo. Tava esperando um sinal que indicasse o rumo. Sentia a mão suada de Humberto, que já tinha começado a acariciá-la. Tava começando a se sentir desconfortável. Sentia o coração galopando forte dentro dela. Tava assustada e muito nervosa, mas finalmente o sinal chegou.
Carla pegou suavemente uma das mãos de Daniela e colocou no peito já nu do velho. Agora as duas acariciavam os mamilos dele e subiam e desciam do peito até a barriga.
Nirvana continuava tocando alto.
A língua de Carla procurou os lábios do velho, e ele respondeu com ansiedade. Começaram a se beijar obscenamente. Daniela conseguia ver em detalhes a dança das línguas molhadas, se enrolando, se lambendo.
Enquanto isso, o velho, tomado pela excitação, agarrou com força a coxa dela. E não satisfeito, tentou avançar direto pra virilha. A tentativa foi rapidamente frustrada quando percebeu que a garota mantinha as pernas firmemente cruzadas.
Daniela imaginou que o avanço seria inevitável mais cedo ou mais tarde, então optou por uma manobra de distração. Pensou que se tomasse a iniciativa, pelo menos atrasaria as coisas. Então beijou o lóbulo da orelha esquerda de Humberto com uma doçura tão artificial quanto convincente. Beijou de novo; lambeu com a ponta da língua. E começou a descer em direção ao pescoço dele. Daniela, sem querer diretamente, tinha entrado em ação; tinha tomado a primeira iniciativa.
Sentiou que a mão do velho abandonava a coxa dela. Objetivo cumprido, pensou.
Mas agora tinha se desviado para a cintura dela. Subiu lentamente pelas costas até agarrar a nuca dela. Num movimento rápido, o velho se moveu para trás e as duas amigas ficaram de frente uma para a outra, cara a cara e a poucos centímetros.
Daniela percebeu que Humberto também segurava Carla pela nuca. O objetivo era evidente. O show tinha que começar.
Suas bocas se aproximaram e suas línguas começaram uma dança molhada e felina.
A coelhinha era quem tomava a iniciativa, quem conquistava território com a língua. Quem mordia com os dentes e com os lábios; quem lambia e chupava. Daniela sentiu pela primeira vez o gosto da saliva feminina. Também sentiu que a mão do velho voltava descendo pelas costas até agarrar a bunda dela. Preferiu não pensar nisso. Fechou os olhos e percebeu que só queria se concentrar naquele beijo. Podia corresponder e até podia aproveitar. Podia se abstrair da mão indiscreta que tinha conseguido se enfiar entre a pelúcia do sofá e o tecido da saia dela e tinha chegado até a pele nua das nádegas dela. Podia se abstrair do público e só dirigir a atenção ao gosto daquela boca inquieta. Tinha algo estranho no gosto, um amargor que não era nada desagradável.
Não sabia exatamente quando Carla tinha soltado a braguilha do velho, embora não tivesse tempo de pensar nisso. Carla segurou o pulso dela com delicadeza e guiou a mão para baixo. Seus dedos memoráveis conseguiram identificar rapidamente aquela textura macia e fofa tão peculiar. Logo soube o que tinha exatamente entre os dedos. Preferiu continuar de olhos fechados enquanto massageava os ovos quentes do velho.
Os dedos de Humberto, apertados entre a pele dela e a pelúcia, começaram a se deslocar com ansiedade para a Zona proibida. Um deles, possivelmente o maior, roçou triunfante a pele enrugada do cu dela. Como um ato reflexo, Daniela mexeu os quadris tentando se soltar, mas a sorte virou contra ela. Sem querer, deixou sua toca indefesa e ao alcance do caçador experiente.
Ao sentir aquele dedo nodoso afundar na sua buceta, Daniela deu um pulo e abafou um grito, metade de surpresa, metade de dor. Ao abrir os olhos de repente e interromper o longo transe com a amiga, percebeu que Carla a olhava estranha, sem entender o que tinha acontecido. Também notou que, enquanto ela brincava com os ovos de Humberto, Carla tinha começado a masturbá-lo com uma calma delicada.
Mas Daniela não ligava pra aquilo. Só estava focada numa coisa: sentou com força na mão de Humberto pra evitar qualquer movimento que ele tentasse fazer lá dentro.
Por sorte pra ela, a cena durou pouco. Carla tomou as rédeas da situação e, deixando os afazeres manuais pra depois, sussurrou algo no ouvido de Humberto e tirou a venda que o cegava.
O velho viu pela primeira vez as duas novinhas que estavam ao lado dele. Passou a língua voluptuosamente nos lábios pra Carla. Depois se virou pra colegial de pele branca e olhos cor de mel:
— Posso? — perguntou.
Daniela entendeu e levantou levemente os quadris, liberando a mão do velho. A retirada foi bem mais lenta que a entrada, mas finalmente saiu.
Humberto reparou no brilho molhado do dedo invasor e o cheirou obscenamente.
— Gosto de meninas limpinhas — disse. E colocou o dedo nos lábios de Daniela, que não teve escolha senão provar o gosto da própria intimidade. Enquanto reconhecia o sabor das próprias secreções, se perguntava quantas coisas mais que não tinha previsto teria que provar naquela noite.
Humberto tinha se juntado ao grupo de Jorge e Ricardo, que admiravam a cena do sofá da frente. Mario tinha ficado em pé perto do equipamento de som, musicalizando. a cena, mas também de olho no que as meninas estavam fazendo.
Carla e Daniela tinham ficado sozinhas no sofá. A colegial introvertida olhava pra amiga sem saber exatamente o que viria a seguir. Ela parecia desconfortável, perturbada, tentando inutilmente esconder as coxas esticando o tecido curtíssimo da sua minissaia plissada. A coelhinha, com total domínio da cena, lambia os lábios sem tirar os olhos de Jorge, seu mecenas, que já se remexia na cadeira por causa da pressão crescente na sua virilha.
Quando Cobain dedilhou o primeiro arpejo de Lithium na guitarra, Carla desviou completamente a atenção pra sua inexperiente colega de faculdade. Começou a desabotoar os dois únicos botões que seguravam sua camisa de gola. Ao soltar o último, os peitos aprisionados de Daniela pularam levemente pra frente e a ridícula gravata xadrez escorregou no meio. Finalmente livres! Carla abriu a peça toda, deixando à vista maravilhada de todos um espetáculo único. A pele rosada ao redor dos mamilos tinha um leve inchaço natural que dava àqueles seios uma topografia exquisita de triplo relevo.
Carla, também hipnotizada pela beleza que acabara de descobrir, passou a ponta dos dedos no contorno de uma das joias. Daniela sentiu um arrepio. Então a coelhinha teve o impulso de beijá-la de novo e assim fez. Queria que a amiga se sentisse protegida. E ela descobriu que também queria se refugiar naquele beijo.
Nenhuma das duas era bi, mas se beijaram com muito amor. Buscaram as línguas uma da outra e se morderam com ternura; e se lamberam e respiraram juntas e se lamberam de novo.
A partir dali, não teve mais show; não teve mais plateia. As duas se refugiaram na ternura daquele momento, pelo menos por alguns minutos.
Carla montou no corpo de Daniela pra beijá-la com mais profundidade, depois foi descendo pelo pescoço até os peitos. Nunca tinha provado aquele sabor. A pele macia e lisa dos mamilos parecia ficar ainda mais tensa dentro da boca dela.
Daniela, por sua vez, sentia pequenos choques elétricos em cada pedaço da pele por onde a amiga lambia. Sem perceber, começou a mover o quadril em círculos lentos sobre o sofá, roçando os lábios íntimos na textura quente e áspera da veludo.
Carla lambeu e chupou aqueles peitos generosos com ternura e dedicação até deixá-los vermelhos. Devagar, deslizou para baixo até sair do sofá e ficar de joelhos no tapete. O rabo artificial apontava para o teto, e aquela bunda artisticamente esculpida pela natureza e pela academia se oferecia de forma sugestiva para sua plateia reduzida.
Daniela, com a cabeça jogada para trás e os olhos fechados, parecia desmaiada. Tinha se entregado completamente. Deixou o corpo agir por conta própria. Com um movimento lento, mas contínuo, deslizou o quadril para frente e levantou as pernas, apoiando os calcanhares na borda do sofá. A buceta se abriu como uma flor que desperta na primavera depois de um inverno rigoroso. O forte contraste entre o contorno branco da pele ao redor e o vermelho intenso da intimidade era hipnótico.
Carla sentiu o aroma sutil e adocicado que exalava daquela fruta suculenta, e a boca encheu de saliva. Primeiro, beijou a parte interna de uma das coxas até chegar à virilha. Queria atrasar um pouco o prato principal, mas sentiu a mão da amiga acariciar seu cabelo e se firmar decidida na nuca, guiando-a, sem dar chance para mais nada.
Daniela sentiu o calor daquela língua esperta se esgueirar entre as pernas. Primeiro, descrevendo pinceladas lentas e descendentes que começavam no alto dos lábios menores; passavam pela entrada principal; e terminavam no cuzinho apertado e sensível. Depois, penetrando-a não mais que dois centímetros escassos, uma e outra vez. vez.
Sentia que o corpo dela era um ímã que atraía energia. Energia que se acumulava em algum lugar do baixo ventre dela.
Se Carla teve a sensação de que a pele dos mamilos de Daniela se tensionava ao contato com sua língua, agora tinha a certeza de que a buceta morna da amiga se derretia na sua boca, banhando seus lábios com aquele elixir quase tão doce quanto salgado. Continuou bebendo daquela fonte até perceber os espasmos entrecortados que sua atividade começava a causar no corpo excitado da amiga. Então prendeu o pequeno botão do prazer dela entre os lábios e pressionou de leve.
Daniela começou a ofegar e a sentir pequenas descargas. A energia acumulada naquele reator que era o próprio corpo dela tinha começado a causar falhas por sobrecarga. Sentia que precisava levantar todas as barreiras ao mesmo tempo e liberá-la, deixar fluir para fora. Foi uma explosão genuína.
Quando Carla se agarrou ao clitóris dela, Daniela se assustou, quis parar. Mas já era tarde, só teve uma fração de segundo antes do fim. Uma fração de segundo, uma foto: Nirvana tocava ao fundo, mas ela não conseguiu distinguir qual música; os quatro espectadores estavam de pé, bem atrás de Carla, observando a cena de perto; dois deles, Humberto e Jorge, tinham aberto a braguilha e se masturbavam com uma cadência fascinada. Quis se agarrar àquele segundo e se conter, quis voltar atrás, mas… a reação em cadeia tinha começado.
Sentiu todas as suas terminações nervosas se contraírem ao mesmo tempo. Suas costas se arquearam e os peitos se ergueram, prendendo a respiração. Dois segundos depois, todo o ar dos pulmões se transformou num gemido agudo e prolongado, que foi morrendo devagar até se tornar uma respiração rítmica e profunda.
Aquele sabor complexo ficou mais intenso e abundante, e Carla provou pela primeira vez o orgasmo de uma mulher na boca. Mas o transe dela durou menos que o da amiga. Enquanto ainda recebia a forte gozada da Daniela nos lábios, sentiu um líquido grosso e quente escorrendo pela lombar das costas e pelas nádegas. Virou-se surpresa e viu Humberto se masturbando a pouca distância, que tinha acertado ela com os jatos molhados do orgasmo dele.
A primeira coisa que Daniela viu quando voltou a si foi o pau gotejante do Humberto e os traços de esperma na pele da amiga. Depois encarou aqueles três rostos cheios de lascívia, de Humberto, Jorge e Ricardo, que olhavam pra ela descontrolados de tesão.
– Nunca vi nada igual. – Jorge se arriscou a falar, ainda com o pau duro na mão.
Daniela sentiu o estômago revirar de nojo e vergonha.
– Com licença… Não tô me sentindo bem… – Conseguiu dizer. E saiu correndo escada acima, sob o olhar atônito de todo mundo, inclusive da Carla.
Caro leitor, se foi seu espírito devasso – como acredito que realmente foi – que escolheu esse caminho em vez de outros menos arriscados, não procure em mim um cúmplice dos seus baixos instintos. Como disse uma vez o mestre Julio Cortázar: sou apenas o tradutor de uma história que já foi escrita. E a história de Daniela Szajha, a que você escolheu pra ela, já está.
Daniela se trancou no quarto principal e desabou a chorar. Tinha se deixado levar pela situação. Mais uma vez quis fugir da realidade e tudo escapou do seu controle. Tinha gozado com uma mulher! E nada menos que na frente de quatro homens desconhecidos da idade do pai dela! Ela! A menina exemplar! A de melhor média! Tinha gozado como a mais suja das putas!
A buceta dela estava encharcada e ainda pulsava. Sentiu vergonha e muita culpa.
Tentou desesperadamente secar a entreperna com os lençóis, entre soluços, se machucando, lacerando o próprio corpo.
Não tinham passado nem dois minutos quando Mario abriu a porta do quarto e a encontrou. Naquele estado.
Ao vê-lo, Daniela correu ao seu encontro e o agarrou nos braços. Ainda estava com a camisa aberta e os peitos nus apertados contra o corpo dele.
— Me ajuda, por favor…! Juro que não sou uma puta. Juro…
— Eu sei.
— Quero ir embora. Não quero que aqueles caras me toquem. Não quero!
Mario segurou-a pelos ombros e beijou sua testa para acalmá-la. Daniela olhou para ele suplicante, com os olhos vermelhos. Neles não havia desejo, só medo, mas os mamilos dela estavam duros e eretos como duas azeitonas milf.
— Quero que me escute e faça exatamente o que eu disser — disse finalmente o filho de Jorge, com ares de príncipe encantado.
— O que for.
— Alguma vez você já se forçou a vomitar enfiando algo até a garganta?
— O quê?! Que tipo de pervertido você é?
— Não… Não é o que você está pensando. Me escuta…
Quando Daniela saiu disparada para o andar de cima, a primeira reação de Ricardo foi enfiar a mão no bolso da calça para tirar um comprimido azul que já tinha reservado para a ocasião. Imediatamente engoliu com a ajuda da taça de champanhe e se amaldiçoou por não ter feito isso antes.
— Vou estar pronto em meia hora… Se alguém quiser ir “tomando lição” nessa garotinha, melhor ir agora, porque quando eu pegar ela, não vou deixar um buraco virgem.
Então Mario tomou a iniciativa e saiu disparado escada acima. Não queria sexo, estava preocupado com a garota.
Quando chegou ao quarto e a encontrou naquele estado, soube que sua intuição não tinha falhado.
Montou uma cena digna de cinema gore sobre a impecável cama “California King” de Ricardo.
Depois de várias ânsias violentas, Daniela vomitou tudo o que pôde sobre os lençóis imaculados e perfumados. Em dez segundos, tudo era um nojo. Inclusive o próprio corpo e sua fantasia de putinha colegial.
Sempre sob as ordens de Mario, ela se deitou na cama fedorenta fingindo estar desmaiada. O filho de Jorge, visivelmente nervoso, mas sem Hesitou, revistou as gavetas do criado-mudo do dono da casa até encontrar o que procurava: Um pequeno tubo cilíndrico de vidro, um pouco menor que um tubo de ensaio, cheio de pó branco. Tirou a tampa de plástico e levantou uma pequena quantidade com a ponta do dedo indicador para colocar sobre o buço de Daniela. Depois, guardou o recipiente de volta no lugar. Quando tudo ficou pronto, ligou para o pai no celular e disse que a garota tinha passado mal e desmaiado. Jorge, Ricardo e Humberto entraram no quarto alguns segundos depois. O homenageado, que um momento antes tinha violado aquela anatomia pueril com o dedo médio, ao contemplar a nova cena teve que se retirar imediatamente do quarto, segurando uma forte ânsia. Jorge percebeu que a garota tinha restos de droga no rosto e avisou Ricardo. O dono da casa estava alteradíssimo, e essa informação o perturbou ainda mais. — Que porra a gente faz agora?! Se ela morrer aqui, tô fudido! Acaba comigo! E ainda por cima, nem sei se é menor de idade! Puta que pariu! Essa vagabunda cheiradora vai me arruinar! Jorge tentou acalmá-lo, dizendo que chamariam uma ambulância pra dar atendimento médico, mas isso o deixou ainda pior. — Cê tá maluco?! Isso é a última coisa que a gente vai fazer! Não tá vendo? Temos que tirar essa mina da minha casa agora mesmo! Mario percebeu que tinha chegado a hora de intervir e colocar em prática a segunda fase do plano. Primeiro, pegou o pulso do corpo inerte de Daniela — que estava fazendo o melhor papel da vida dela — e concluiu que parecia normal. Em seguida, se ofereceu pra levar a garota até algum centro de saúde onde pudessem atendê-la. Jorge, e principalmente Ricardo, aprovaram a oferta de Mario e ajudaram a carregar o corpo de Daniela até o carro. Quando Carla terminou de limpar a pasta que Humberto tinha espalhado de surpresa no cu dela, a amiga já não estava mais no casa.
Jorge minimizou a situação, dizendo que ela tinha passado mal e que preferiu ir embora na companhia do Mario, já que ele também não tava com clima pra continuar aquela noitada.
— Com certeza ela se recupera na viagem e vão meter um trem num hotel. Esse Mario é meio tímido, mas eu vi como ele olhava pra ela…
Carla tentou falar com a amiga, mas o celular tava desligado. Então não teve outra escolha senão confiar na palavra do seu mecenas e terminar sozinha o trabalho daquela noite.
Daniela tava assustada. O carro já tinha se afastado mais de cem metros da casa e ela ainda continuava fingindo o desmaio. Só abriu os olhos quando Mario estendeu uma manta pra cobrir o corpo semidespido e fedendo a vômito.
— Por hoje chega. — Ele disse.
Daniela se enrolou na manta pra cobrir a semi nudez.
— Valeu.
Depois ficaram em silêncio.
Depois de um tempo chegaram na casa da Daniela. Ela agradeceu de novo, perturbada pela vergonha e humilhação de ser vista naquele estado, e saiu do carro.
Quando entrou no apartamento, não conseguiu segurar o choro. Ainda tava enrolada na manta. Por baixo, era a putinha colegial que fedía a vômito rançoso.
Foi direto pro banheiro e se despiu completamente, entre soluços, sem acender a luz. Queria evitar ver a própria imagem naquele estado.
O banho quente conseguiu acalmá-la.
De manhã teria que fazer uma prova e não sobravam muitas horas de sono. Já deitada, com a pele de porcelana exalando o leve cheiro dos sais de banho, as lembranças daquela noite começaram a ficar pra trás, dando lugar ao sono reparador. A última coisa que pensou antes de dormir foi que nem tinha conseguido recuperar a calça onde tinha guardado um dinheiro.
Tudo tinha sido em vão, mas com certeza poderia ter sido muito pior se não fosse por aquele cara, o filho do Jorge.
Depois dormiu.
Sonhou com Mario em algum momento. Naquela noite, mas ela nunca soube porque tudo foi parar no inconsciente dela. Só percebeu ao acordar que os mamilos estavam duros como azeitonas milf.
Caro leitor, aqui terminam os acontecimentos daquela noite nefasta, embora fundamental, na vida de Daniela Szajha. Como corolário, vamos nos concentrar nos trechos mais relevantes da vida privada dela que ocorreram a partir desse ponto de virada.
Como sempre acontecia, Daniela foi perfeitamente bem naquela prova. Na mesma hora, entregou pessoalmente ao professor Díaz Duref um envelope com o currículo dela, conforme tinham combinado.
Agora que a tensão tinha acabado, ela se sentia exausta física e mentalmente. Tinha perdido boa parte do entusiasmo por aquele almoço combinado com Marcos na saída da prova. Além disso, teria que esperar quase meia hora na porta da faculdade até a hora do encontro.
Enquanto esperava em pé na calçada, considerava seriamente a possibilidade de ir embora quando um carro parou bem na frente dela. Era nada mais, nada menos que Mario, o filho do Jorge, que a tinha resgatado do inferno da noite anterior. Mario propôs irem almoçar e depois levá-la até a casa dela.
Naquela noite, o telefone tocou lá pelas dez. Daniela já estava profundamente adormecida, mas mesmo assim decidiu atender. Era Carla, que se mostrava muito preocupada com o estado de saúde dela. Daniela não teve coragem de revelar a verdade; sentia que tinha abandonado a amiga naquela noite. Mas Carla não parecia ofendida. Na verdade, tinha informado que estava com a parte do dinheiro dela. Finalmente, combinaram de se encontrar para tomar café da manhã num bar naquela mesma manhã. Daniela desligou a ligação e voltou a dormir profundamente, abraçada ao corpo quente de Mario, que também descansava ao lado dela.
O dinheiro recuperado daquela noite permitiu que Daniela terminasse o semestre sem apertos financeiros e pudesse se dedicar full time aos estudos. Ela até conseguiu enviar um dinheiro para os pais.
Duas semanas depois do ocorrido, Daniela descobriu que, infelizmente, o cargo na cátedra do Díaz Duref não seria dela no final. Mas duas razões ajudaram Daniela a não se sentir desanimada: primeiro, seu caso de amor com Mario crescia a cada dia; e segundo, inacreditavelmente, tinha sido Carla quem finalmente ficou com o cargo.
Daniela celebrou isso como uma vitória pessoal. Ela tinha um grande carinho pela amiga. Carla prometeu que largaria o trabalho de "acompanhante", embora isso não incluísse o vínculo com Jorge, que era sua principal fonte de renda.
De qualquer forma, Daniela só precisou esperar até o próximo semestre para começar sua carreira como professora remunerada, embora não fosse mais na cátedra do Dr. Díaz Duref.
No início do quarto e último ano da faculdade, o dinheiro já não era mais um problema. Pouco antes de completar vinte e um anos, Daniela deixou o apartamento alugado para morar na casa de Mario. Os dois estavam profundamente apaixonados. Depois dos dois primeiros meses morando juntos, Mario ainda não tinha falado com o pai sobre o relacionamento. Finalmente, ele decidiu marcar um encontro para contar a novidade, mas a reunião nunca aconteceu. Vinte e quatro horas antes, Jorge sofreu um ataque cardíaco que tirou sua vida. O médico disse que a mistura de uísque com sildenafil tinha sido um coquetel explosivo para o coração dele.
Carla ficou muito abalada com a morte de Jorge. Embora tivesse certo apreço por ele, não dava para dizer que o amava. Muito menos que estivesse apaixonada pelo seu mecenas. O que a chocou foi vê-lo dar o último suspiro enquanto o velho derramava o xarope da vida dentro da boca dela. Tudo aconteceu num segundo: Jorge já tinha passado para o outro lado quando Carla ainda não tinha criado coragem suficiente para engolir tudo aquilo. Levou um tempo para tirar da cabeça a ideia mórbida de que Jorge já tava morto quando o pau dele ainda jorrava a porra na boca dela.
Depois de se recuperar do susto que isso causou, Carla decidiu voltar a fazer programa pra complementar o salário de professora. Quando contou pra Daniela, ela falou com o namorado na hora. Então Mario arrumou um emprego de secretária na consultoria que ele tocava, e Carla largou de vez a prostituição.
Um mês depois, Carla e Daniela se encontraram pra tomar um café na sala dos professores da faculdade de psicologia:
— Daniela: Te considero minha melhor amiga e preciso te contar uma coisa que não dá mais pra guardar. Algo que aconteceu há um tempo… Mas antes de tudo, quero que saiba que você tem todo o direito de me mandar pra merda. De me odiar.
— Pelo amor, Carla. Não seja dramática.
— Eu traí no concurso do Díaz Duref.
— Traiu? — Daniela ficou desconcertada.
— Sim. Um dia antes de ele decidir quem ficaria com a vaga, fui até o escritório particular dele e o subornei.
A primeira reação de Daniela foi segurar uma risada. Depois perguntou, com uma incredulidade brincalhona:
— Você comeu o Díaz Duref? Ali mesmo, no escritório dele?
— Primeiro ele disse que ia me expulsar quando perguntei se fazia muito tempo que uma aluna não chupava o pau dele, mas depois acabei mamando ele em cima da mesa. Me perdoa, mas era minha única saída.
Dessa vez Daniela não conseguiu segurar a gargalhada no meio da sala dos professores. Depois abraçou a amiga e confessou o quanto a amava. As duas se emocionaram e choraram, mas então Daniela se afastou e disse:
— Todo mundo tem um esqueleto no armário, amiga. — E contou toda a verdade sobre o que aconteceu naquela noite distante em que foi puta pela primeira e única vez.
FIM
De todo labirinto se sai por cima"
Leopoldo Marechal.Por mais absurdo que tudo aquilo parecesse, Daniela se perguntou intimamente de novo qual seria o sentido de recusar. Ela estava ali pelo dinheiro, só isso. E dinheiro era o que estavam oferecendo. Mas naquele momento, na escuridão da mente dela, uma centelha distante brilhou e ela se agarrou nela com força:
— Sei que não tem nada a ver agora, mas… quero te contar uma coisa: amanhã vou disputar uma vaga de assistente remunerado na cadeira do Díaz Duref.
— Díaz Duref! Não acredito! — respondeu Carla com surpresa genuína.
— Por quê? O que foi?
— Também tô nessa disputa. Me inscrevi semana passada.
— Que coincidência!
— Mas, Dani, não tô com muita esperança. Fiz a matéria ano passado e o cara nem lembrava de mim. Não fui muito bem. Pra ser sincera, fui de medíocre pra baixo. Se não tivesse mostrado um pouco das pernas pro Díaz Duref, teria repetido com certeza. Fiquei sabendo da vaga e me mandei, mas… Acho que você tem grandes chances, Dani. Você tem notas muito boas, além de pernas bonitas. — Brincou Carla. Mas Daniela não conseguia levar na esportiva. Não naquele momento.
— Tomara. Às vezes acho que é minha única esperança.
Carla estava sentada na cama ao lado de Daniela, as coxas semidesnudas se roçando. Passou o braço por trás das costas dela. Daniela respondeu apoiando a cabeça no ombro de Carla.
Uma cena comovente, caro leitor: a coelhinha consolando a colegial.
— Tá se arrependendo de ter vindo?
— Sei lá… — Falavam quase num sussurro.
— Eu também tava assustada na primeira vez. Mas no dia seguinte percebi que tudo continuava igual. Que nada tinha mudado pra mim. Que eu podia seguir com minha vida, com minhas coisas… Era a mesma de sempre, só que com mais tempo livre e menos preocupações.
— Você tá com alguém, Carla? Quero dizer… além do trabalho.
— Um namorado?
— É… ou algo assim.
— Agora não… Mas fiquei com um cara, sim. Mati. Durou uns meses.
— E ele sabia..?
— Não. Ele achava que eu era sustentada pelos meus pais. velhos.
—Você não ia contar pra ele?
—Em algum momento, acho… Mas não deu tempo, a gente terminou antes. Ele tava full na merda. Não conseguia lidar. Quando descobri que ele tinha começado a se picar… Parei de ver ele… Não tenho boas lembranças… E você?
—Eu?
—Tá com alguém?
—Não… Bom… Amanhã vou almoçar com o Marcos, um cara da facul. Aquele que te falei.
—O do parque? O que molhou a calça? — lembrou Carla, segurando o riso.
—Coitado do Marcos! Não ri dele…
—É que você é irresistível, Dani! Espero que aqui você cause o mesmo efeito pra gente vazar logo!
Aí sim, as duas riram abraçadas e depois ficaram em silêncio por um momento. Daniela foi a primeira a falar. Sabia que tinha que tomar uma decisão:
—Valeu, Carla. — disse simplesmente.
Então levantou a cabeça e encostou os lábios na boca da amiga.
Como Daniela imaginava, beijá-la não era nada desagradável.
Carla se deixou levar. Foi só um beijo suave nos lábios surpresos dela, mornos e quase entreabertos. Não tinha luxúria; só ternura.
—Confio em você. — sussurrou depois.
E assim selou seu destino.
Não vou ficar investigando as motivações ocultas que te levaram a tomar essa decisão, caro leitor; só espero que você saiba distinguir entre o vício e o amor. Daniela precisa se sentir amada, acolhida; e você bem sabe que ela encontrou na figura da Carla a segurança e o carinho que tanto nossa jovenzinha demanda. Espero que você se sinta responsável pelos seus atos e que tenha coragem de acompanhar a Daniela até o fim dos acontecimentos que aqui se narram.
As duas amigas estavam lado a lado na frente do espelho, terminando de retocar alguns detalhes do cabelo, quando o celular da Carla tocou. Era o Jorge avisando que tudo tava pronto. Que elas deviam descer. Que a ação ia começar.
—A gente já desce em dois minutos. — respondeu Carla. Depois desligou e jogou o aparelho na cama. Ali estava a bolsa dela, de onde tirou um Pequeno porta-moedas com flores vermelhas e amarelas. Ela abriu e pegou um cartão plástico que prendeu entre os dentes. Depois tirou um pequeno envelope de papel metalizado que abriu na palma da mão. Pegou o cartão e cutucou o papel com uma das pontas. Finalmente, levantou dali um pequeno monte de pó branco que levou ao nariz. Inalou com força e repetiu a mesma operação uma segunda vez.
— O que você tá fazendo? — Perguntou Daniela, mais com tom de repreensão do que de curiosidade.
— Nunca experimentou?
— Não.
— Dá confiança e te mantém alerta. Duas coisas muito úteis agora. Quer?
Daniela ficou sem resposta. Não tinha uma visão obtusa sobre drogas, na verdade já tinha fumado maconha de vez em quando. Mas nunca antes tinha tido contato com cocaína e era a primeira vez que alguém falava sobre ela de uma perspectiva positiva.
Confiança e alerta. Se alguém precisava de uma dose extra das duas coisas, era ela e não a Carla, pensou Daniela. Mesmo assim, recusou de cara.
— Não, obrigada. — Disse, deixando o medo falar antes da própria razão.
— Não vou insistir nisso. Mas se bater vontade, tá aqui. — Mostrou o pequeno porta-moedas florido antes de guardá-lo de novo na bolsa. — Agora chegou a hora. Não tenha medo, Dani. É muito fácil. A única coisa que esses caras querem é se divertir, nada mais. Não vão te dar prova nenhuma.
A coelhinha loira com corpo de modelo e a colegial de decote exuberante, pele branca e olhos cor de mel, saíram do quarto rumo ao andar de baixo.
Carla ia na frente, ela seguia. Desciam degrau por degrau, diminuindo inconscientemente o passo. Enquanto desciam as escadas, Daniela teve um breve estouro de pânico cênico. A cabeça dela imaginou uma dúzia de velhos pelados esperando na sala, com os paus duros e prontos pra pular em cima delas. Mas a música que chegou aos ouvidos a distraiu. Ambas reconheceram de imediato os acordes de *Smells Like Teen Spirit*. de Nirvana que vinha da sala.
Nenhuma das duas estava calçada, então ninguém percebeu de imediato a presença delas quando chegaram ao último degrau.
À primeira vista, Daniela se surpreendeu ao ver uma única pessoa sentada no sofá enorme, na imensidão daquele cômodo. Ficou imensamente feliz por não ser o velho nojento dono da casa e que, quem quer que fosse, estava vestido. Não era nenhum dos já conhecidos. Era um cara mais ou menos da mesma idade que os outros; um sessentão, meio careca, magro e com um bigode grisalho bem aparado. O mais curioso não era ele estar sentado sozinho no meio de um sofá de quatro lugares, mas sim de olhos vendados.
O volume de *Smells Like Teen Spirit* aumentou de repente. Foi aí que Daniela percebeu que tinha se enganado na primeira impressão. Embora o centro da cena fosse o cara de venda, todo mundo estava por ali: era o Mario quem mexia no controle do som, provavelmente seguindo as ordens do Ricardo, que estava do lado dele; o Jorge estava mais afastado, em pé perto da janela que dava para o parque, fumando um cigarro. Todos eles longe da cena para não roubar a atenção do recém-chegado quarto homem, o Humberto, o homenageado.
Carla, como era de se esperar, tomou a iniciativa e foi decidida em direção ao sofá. Sabia o que tinha que fazer. Daniela, obediente, seguiu seus passos. Quando a loira sentou à direita do cara, Daniela imitou e fez o mesmo à esquerda dele.
O cego Humberto não teve dificuldade nenhuma em adivinhar a presença feminina delicada de cada lado, mesmo sem poder vê-las. Ricardo e Jorge começaram a se aproximar aos poucos, sem intenção de interferir na cena, pelo menos por enquanto.
Carla tinha se sentado de lado, quase em cima da coxa dele. Assim, deixava à vista dos sortudos espectadores sua bunda natural linda, coroada pelo rabinho de coelha branquinho. Sintético. Daniela, por outro lado, sem calcinha e com aquela saia plissada minúscula, não teve escolha a não ser sentar a bunda nua no sofá fofo de veludo, cruzando as pernas pra não deixar a buceta totalmente exposta.
Carla logo chamou a atenção de todo mundo na sala, até da amiga, quando começou a beijar o pescoço de Humberto enquanto desabotoava a camisa dele e acariciava o peito.
O velho se assustou com o primeiro toque e a reação imediata foi apoiar a mão esquerda na coxa de Daniela. A colegial mantinha os olhos fixos na amiga e as mãos no colo. Tava esperando um sinal que indicasse o rumo. Sentia a mão suada de Humberto, que já tinha começado a acariciá-la. Tava começando a se sentir desconfortável. Sentia o coração galopando forte dentro dela. Tava assustada e muito nervosa, mas finalmente o sinal chegou.
Carla pegou suavemente uma das mãos de Daniela e colocou no peito já nu do velho. Agora as duas acariciavam os mamilos dele e subiam e desciam do peito até a barriga.
Nirvana continuava tocando alto.
A língua de Carla procurou os lábios do velho, e ele respondeu com ansiedade. Começaram a se beijar obscenamente. Daniela conseguia ver em detalhes a dança das línguas molhadas, se enrolando, se lambendo.
Enquanto isso, o velho, tomado pela excitação, agarrou com força a coxa dela. E não satisfeito, tentou avançar direto pra virilha. A tentativa foi rapidamente frustrada quando percebeu que a garota mantinha as pernas firmemente cruzadas.
Daniela imaginou que o avanço seria inevitável mais cedo ou mais tarde, então optou por uma manobra de distração. Pensou que se tomasse a iniciativa, pelo menos atrasaria as coisas. Então beijou o lóbulo da orelha esquerda de Humberto com uma doçura tão artificial quanto convincente. Beijou de novo; lambeu com a ponta da língua. E começou a descer em direção ao pescoço dele. Daniela, sem querer diretamente, tinha entrado em ação; tinha tomado a primeira iniciativa.
Sentiou que a mão do velho abandonava a coxa dela. Objetivo cumprido, pensou.
Mas agora tinha se desviado para a cintura dela. Subiu lentamente pelas costas até agarrar a nuca dela. Num movimento rápido, o velho se moveu para trás e as duas amigas ficaram de frente uma para a outra, cara a cara e a poucos centímetros.
Daniela percebeu que Humberto também segurava Carla pela nuca. O objetivo era evidente. O show tinha que começar.
Suas bocas se aproximaram e suas línguas começaram uma dança molhada e felina.
A coelhinha era quem tomava a iniciativa, quem conquistava território com a língua. Quem mordia com os dentes e com os lábios; quem lambia e chupava. Daniela sentiu pela primeira vez o gosto da saliva feminina. Também sentiu que a mão do velho voltava descendo pelas costas até agarrar a bunda dela. Preferiu não pensar nisso. Fechou os olhos e percebeu que só queria se concentrar naquele beijo. Podia corresponder e até podia aproveitar. Podia se abstrair da mão indiscreta que tinha conseguido se enfiar entre a pelúcia do sofá e o tecido da saia dela e tinha chegado até a pele nua das nádegas dela. Podia se abstrair do público e só dirigir a atenção ao gosto daquela boca inquieta. Tinha algo estranho no gosto, um amargor que não era nada desagradável.
Não sabia exatamente quando Carla tinha soltado a braguilha do velho, embora não tivesse tempo de pensar nisso. Carla segurou o pulso dela com delicadeza e guiou a mão para baixo. Seus dedos memoráveis conseguiram identificar rapidamente aquela textura macia e fofa tão peculiar. Logo soube o que tinha exatamente entre os dedos. Preferiu continuar de olhos fechados enquanto massageava os ovos quentes do velho.
Os dedos de Humberto, apertados entre a pele dela e a pelúcia, começaram a se deslocar com ansiedade para a Zona proibida. Um deles, possivelmente o maior, roçou triunfante a pele enrugada do cu dela. Como um ato reflexo, Daniela mexeu os quadris tentando se soltar, mas a sorte virou contra ela. Sem querer, deixou sua toca indefesa e ao alcance do caçador experiente.
Ao sentir aquele dedo nodoso afundar na sua buceta, Daniela deu um pulo e abafou um grito, metade de surpresa, metade de dor. Ao abrir os olhos de repente e interromper o longo transe com a amiga, percebeu que Carla a olhava estranha, sem entender o que tinha acontecido. Também notou que, enquanto ela brincava com os ovos de Humberto, Carla tinha começado a masturbá-lo com uma calma delicada.
Mas Daniela não ligava pra aquilo. Só estava focada numa coisa: sentou com força na mão de Humberto pra evitar qualquer movimento que ele tentasse fazer lá dentro.
Por sorte pra ela, a cena durou pouco. Carla tomou as rédeas da situação e, deixando os afazeres manuais pra depois, sussurrou algo no ouvido de Humberto e tirou a venda que o cegava.
O velho viu pela primeira vez as duas novinhas que estavam ao lado dele. Passou a língua voluptuosamente nos lábios pra Carla. Depois se virou pra colegial de pele branca e olhos cor de mel:
— Posso? — perguntou.
Daniela entendeu e levantou levemente os quadris, liberando a mão do velho. A retirada foi bem mais lenta que a entrada, mas finalmente saiu.
Humberto reparou no brilho molhado do dedo invasor e o cheirou obscenamente.
— Gosto de meninas limpinhas — disse. E colocou o dedo nos lábios de Daniela, que não teve escolha senão provar o gosto da própria intimidade. Enquanto reconhecia o sabor das próprias secreções, se perguntava quantas coisas mais que não tinha previsto teria que provar naquela noite.
Humberto tinha se juntado ao grupo de Jorge e Ricardo, que admiravam a cena do sofá da frente. Mario tinha ficado em pé perto do equipamento de som, musicalizando. a cena, mas também de olho no que as meninas estavam fazendo.
Carla e Daniela tinham ficado sozinhas no sofá. A colegial introvertida olhava pra amiga sem saber exatamente o que viria a seguir. Ela parecia desconfortável, perturbada, tentando inutilmente esconder as coxas esticando o tecido curtíssimo da sua minissaia plissada. A coelhinha, com total domínio da cena, lambia os lábios sem tirar os olhos de Jorge, seu mecenas, que já se remexia na cadeira por causa da pressão crescente na sua virilha.
Quando Cobain dedilhou o primeiro arpejo de Lithium na guitarra, Carla desviou completamente a atenção pra sua inexperiente colega de faculdade. Começou a desabotoar os dois únicos botões que seguravam sua camisa de gola. Ao soltar o último, os peitos aprisionados de Daniela pularam levemente pra frente e a ridícula gravata xadrez escorregou no meio. Finalmente livres! Carla abriu a peça toda, deixando à vista maravilhada de todos um espetáculo único. A pele rosada ao redor dos mamilos tinha um leve inchaço natural que dava àqueles seios uma topografia exquisita de triplo relevo.
Carla, também hipnotizada pela beleza que acabara de descobrir, passou a ponta dos dedos no contorno de uma das joias. Daniela sentiu um arrepio. Então a coelhinha teve o impulso de beijá-la de novo e assim fez. Queria que a amiga se sentisse protegida. E ela descobriu que também queria se refugiar naquele beijo.
Nenhuma das duas era bi, mas se beijaram com muito amor. Buscaram as línguas uma da outra e se morderam com ternura; e se lamberam e respiraram juntas e se lamberam de novo.
A partir dali, não teve mais show; não teve mais plateia. As duas se refugiaram na ternura daquele momento, pelo menos por alguns minutos.
Carla montou no corpo de Daniela pra beijá-la com mais profundidade, depois foi descendo pelo pescoço até os peitos. Nunca tinha provado aquele sabor. A pele macia e lisa dos mamilos parecia ficar ainda mais tensa dentro da boca dela.
Daniela, por sua vez, sentia pequenos choques elétricos em cada pedaço da pele por onde a amiga lambia. Sem perceber, começou a mover o quadril em círculos lentos sobre o sofá, roçando os lábios íntimos na textura quente e áspera da veludo.
Carla lambeu e chupou aqueles peitos generosos com ternura e dedicação até deixá-los vermelhos. Devagar, deslizou para baixo até sair do sofá e ficar de joelhos no tapete. O rabo artificial apontava para o teto, e aquela bunda artisticamente esculpida pela natureza e pela academia se oferecia de forma sugestiva para sua plateia reduzida.
Daniela, com a cabeça jogada para trás e os olhos fechados, parecia desmaiada. Tinha se entregado completamente. Deixou o corpo agir por conta própria. Com um movimento lento, mas contínuo, deslizou o quadril para frente e levantou as pernas, apoiando os calcanhares na borda do sofá. A buceta se abriu como uma flor que desperta na primavera depois de um inverno rigoroso. O forte contraste entre o contorno branco da pele ao redor e o vermelho intenso da intimidade era hipnótico.
Carla sentiu o aroma sutil e adocicado que exalava daquela fruta suculenta, e a boca encheu de saliva. Primeiro, beijou a parte interna de uma das coxas até chegar à virilha. Queria atrasar um pouco o prato principal, mas sentiu a mão da amiga acariciar seu cabelo e se firmar decidida na nuca, guiando-a, sem dar chance para mais nada.
Daniela sentiu o calor daquela língua esperta se esgueirar entre as pernas. Primeiro, descrevendo pinceladas lentas e descendentes que começavam no alto dos lábios menores; passavam pela entrada principal; e terminavam no cuzinho apertado e sensível. Depois, penetrando-a não mais que dois centímetros escassos, uma e outra vez. vez.
Sentia que o corpo dela era um ímã que atraía energia. Energia que se acumulava em algum lugar do baixo ventre dela.
Se Carla teve a sensação de que a pele dos mamilos de Daniela se tensionava ao contato com sua língua, agora tinha a certeza de que a buceta morna da amiga se derretia na sua boca, banhando seus lábios com aquele elixir quase tão doce quanto salgado. Continuou bebendo daquela fonte até perceber os espasmos entrecortados que sua atividade começava a causar no corpo excitado da amiga. Então prendeu o pequeno botão do prazer dela entre os lábios e pressionou de leve.
Daniela começou a ofegar e a sentir pequenas descargas. A energia acumulada naquele reator que era o próprio corpo dela tinha começado a causar falhas por sobrecarga. Sentia que precisava levantar todas as barreiras ao mesmo tempo e liberá-la, deixar fluir para fora. Foi uma explosão genuína.
Quando Carla se agarrou ao clitóris dela, Daniela se assustou, quis parar. Mas já era tarde, só teve uma fração de segundo antes do fim. Uma fração de segundo, uma foto: Nirvana tocava ao fundo, mas ela não conseguiu distinguir qual música; os quatro espectadores estavam de pé, bem atrás de Carla, observando a cena de perto; dois deles, Humberto e Jorge, tinham aberto a braguilha e se masturbavam com uma cadência fascinada. Quis se agarrar àquele segundo e se conter, quis voltar atrás, mas… a reação em cadeia tinha começado.
Sentiu todas as suas terminações nervosas se contraírem ao mesmo tempo. Suas costas se arquearam e os peitos se ergueram, prendendo a respiração. Dois segundos depois, todo o ar dos pulmões se transformou num gemido agudo e prolongado, que foi morrendo devagar até se tornar uma respiração rítmica e profunda.
Aquele sabor complexo ficou mais intenso e abundante, e Carla provou pela primeira vez o orgasmo de uma mulher na boca. Mas o transe dela durou menos que o da amiga. Enquanto ainda recebia a forte gozada da Daniela nos lábios, sentiu um líquido grosso e quente escorrendo pela lombar das costas e pelas nádegas. Virou-se surpresa e viu Humberto se masturbando a pouca distância, que tinha acertado ela com os jatos molhados do orgasmo dele.
A primeira coisa que Daniela viu quando voltou a si foi o pau gotejante do Humberto e os traços de esperma na pele da amiga. Depois encarou aqueles três rostos cheios de lascívia, de Humberto, Jorge e Ricardo, que olhavam pra ela descontrolados de tesão.
– Nunca vi nada igual. – Jorge se arriscou a falar, ainda com o pau duro na mão.
Daniela sentiu o estômago revirar de nojo e vergonha.
– Com licença… Não tô me sentindo bem… – Conseguiu dizer. E saiu correndo escada acima, sob o olhar atônito de todo mundo, inclusive da Carla.
Caro leitor, se foi seu espírito devasso – como acredito que realmente foi – que escolheu esse caminho em vez de outros menos arriscados, não procure em mim um cúmplice dos seus baixos instintos. Como disse uma vez o mestre Julio Cortázar: sou apenas o tradutor de uma história que já foi escrita. E a história de Daniela Szajha, a que você escolheu pra ela, já está.
Daniela se trancou no quarto principal e desabou a chorar. Tinha se deixado levar pela situação. Mais uma vez quis fugir da realidade e tudo escapou do seu controle. Tinha gozado com uma mulher! E nada menos que na frente de quatro homens desconhecidos da idade do pai dela! Ela! A menina exemplar! A de melhor média! Tinha gozado como a mais suja das putas!
A buceta dela estava encharcada e ainda pulsava. Sentiu vergonha e muita culpa.
Tentou desesperadamente secar a entreperna com os lençóis, entre soluços, se machucando, lacerando o próprio corpo.
Não tinham passado nem dois minutos quando Mario abriu a porta do quarto e a encontrou. Naquele estado.
Ao vê-lo, Daniela correu ao seu encontro e o agarrou nos braços. Ainda estava com a camisa aberta e os peitos nus apertados contra o corpo dele.
— Me ajuda, por favor…! Juro que não sou uma puta. Juro…
— Eu sei.
— Quero ir embora. Não quero que aqueles caras me toquem. Não quero!
Mario segurou-a pelos ombros e beijou sua testa para acalmá-la. Daniela olhou para ele suplicante, com os olhos vermelhos. Neles não havia desejo, só medo, mas os mamilos dela estavam duros e eretos como duas azeitonas milf.
— Quero que me escute e faça exatamente o que eu disser — disse finalmente o filho de Jorge, com ares de príncipe encantado.
— O que for.
— Alguma vez você já se forçou a vomitar enfiando algo até a garganta?
— O quê?! Que tipo de pervertido você é?
— Não… Não é o que você está pensando. Me escuta…
Quando Daniela saiu disparada para o andar de cima, a primeira reação de Ricardo foi enfiar a mão no bolso da calça para tirar um comprimido azul que já tinha reservado para a ocasião. Imediatamente engoliu com a ajuda da taça de champanhe e se amaldiçoou por não ter feito isso antes.
— Vou estar pronto em meia hora… Se alguém quiser ir “tomando lição” nessa garotinha, melhor ir agora, porque quando eu pegar ela, não vou deixar um buraco virgem.
Então Mario tomou a iniciativa e saiu disparado escada acima. Não queria sexo, estava preocupado com a garota.
Quando chegou ao quarto e a encontrou naquele estado, soube que sua intuição não tinha falhado.
Montou uma cena digna de cinema gore sobre a impecável cama “California King” de Ricardo.
Depois de várias ânsias violentas, Daniela vomitou tudo o que pôde sobre os lençóis imaculados e perfumados. Em dez segundos, tudo era um nojo. Inclusive o próprio corpo e sua fantasia de putinha colegial.
Sempre sob as ordens de Mario, ela se deitou na cama fedorenta fingindo estar desmaiada. O filho de Jorge, visivelmente nervoso, mas sem Hesitou, revistou as gavetas do criado-mudo do dono da casa até encontrar o que procurava: Um pequeno tubo cilíndrico de vidro, um pouco menor que um tubo de ensaio, cheio de pó branco. Tirou a tampa de plástico e levantou uma pequena quantidade com a ponta do dedo indicador para colocar sobre o buço de Daniela. Depois, guardou o recipiente de volta no lugar. Quando tudo ficou pronto, ligou para o pai no celular e disse que a garota tinha passado mal e desmaiado. Jorge, Ricardo e Humberto entraram no quarto alguns segundos depois. O homenageado, que um momento antes tinha violado aquela anatomia pueril com o dedo médio, ao contemplar a nova cena teve que se retirar imediatamente do quarto, segurando uma forte ânsia. Jorge percebeu que a garota tinha restos de droga no rosto e avisou Ricardo. O dono da casa estava alteradíssimo, e essa informação o perturbou ainda mais. — Que porra a gente faz agora?! Se ela morrer aqui, tô fudido! Acaba comigo! E ainda por cima, nem sei se é menor de idade! Puta que pariu! Essa vagabunda cheiradora vai me arruinar! Jorge tentou acalmá-lo, dizendo que chamariam uma ambulância pra dar atendimento médico, mas isso o deixou ainda pior. — Cê tá maluco?! Isso é a última coisa que a gente vai fazer! Não tá vendo? Temos que tirar essa mina da minha casa agora mesmo! Mario percebeu que tinha chegado a hora de intervir e colocar em prática a segunda fase do plano. Primeiro, pegou o pulso do corpo inerte de Daniela — que estava fazendo o melhor papel da vida dela — e concluiu que parecia normal. Em seguida, se ofereceu pra levar a garota até algum centro de saúde onde pudessem atendê-la. Jorge, e principalmente Ricardo, aprovaram a oferta de Mario e ajudaram a carregar o corpo de Daniela até o carro. Quando Carla terminou de limpar a pasta que Humberto tinha espalhado de surpresa no cu dela, a amiga já não estava mais no casa.
Jorge minimizou a situação, dizendo que ela tinha passado mal e que preferiu ir embora na companhia do Mario, já que ele também não tava com clima pra continuar aquela noitada.
— Com certeza ela se recupera na viagem e vão meter um trem num hotel. Esse Mario é meio tímido, mas eu vi como ele olhava pra ela…
Carla tentou falar com a amiga, mas o celular tava desligado. Então não teve outra escolha senão confiar na palavra do seu mecenas e terminar sozinha o trabalho daquela noite.
Daniela tava assustada. O carro já tinha se afastado mais de cem metros da casa e ela ainda continuava fingindo o desmaio. Só abriu os olhos quando Mario estendeu uma manta pra cobrir o corpo semidespido e fedendo a vômito.
— Por hoje chega. — Ele disse.
Daniela se enrolou na manta pra cobrir a semi nudez.
— Valeu.
Depois ficaram em silêncio.
Depois de um tempo chegaram na casa da Daniela. Ela agradeceu de novo, perturbada pela vergonha e humilhação de ser vista naquele estado, e saiu do carro.
Quando entrou no apartamento, não conseguiu segurar o choro. Ainda tava enrolada na manta. Por baixo, era a putinha colegial que fedía a vômito rançoso.
Foi direto pro banheiro e se despiu completamente, entre soluços, sem acender a luz. Queria evitar ver a própria imagem naquele estado.
O banho quente conseguiu acalmá-la.
De manhã teria que fazer uma prova e não sobravam muitas horas de sono. Já deitada, com a pele de porcelana exalando o leve cheiro dos sais de banho, as lembranças daquela noite começaram a ficar pra trás, dando lugar ao sono reparador. A última coisa que pensou antes de dormir foi que nem tinha conseguido recuperar a calça onde tinha guardado um dinheiro.
Tudo tinha sido em vão, mas com certeza poderia ter sido muito pior se não fosse por aquele cara, o filho do Jorge.
Depois dormiu.
Sonhou com Mario em algum momento. Naquela noite, mas ela nunca soube porque tudo foi parar no inconsciente dela. Só percebeu ao acordar que os mamilos estavam duros como azeitonas milf.
Caro leitor, aqui terminam os acontecimentos daquela noite nefasta, embora fundamental, na vida de Daniela Szajha. Como corolário, vamos nos concentrar nos trechos mais relevantes da vida privada dela que ocorreram a partir desse ponto de virada.
Como sempre acontecia, Daniela foi perfeitamente bem naquela prova. Na mesma hora, entregou pessoalmente ao professor Díaz Duref um envelope com o currículo dela, conforme tinham combinado.
Agora que a tensão tinha acabado, ela se sentia exausta física e mentalmente. Tinha perdido boa parte do entusiasmo por aquele almoço combinado com Marcos na saída da prova. Além disso, teria que esperar quase meia hora na porta da faculdade até a hora do encontro.
Enquanto esperava em pé na calçada, considerava seriamente a possibilidade de ir embora quando um carro parou bem na frente dela. Era nada mais, nada menos que Mario, o filho do Jorge, que a tinha resgatado do inferno da noite anterior. Mario propôs irem almoçar e depois levá-la até a casa dela.
Naquela noite, o telefone tocou lá pelas dez. Daniela já estava profundamente adormecida, mas mesmo assim decidiu atender. Era Carla, que se mostrava muito preocupada com o estado de saúde dela. Daniela não teve coragem de revelar a verdade; sentia que tinha abandonado a amiga naquela noite. Mas Carla não parecia ofendida. Na verdade, tinha informado que estava com a parte do dinheiro dela. Finalmente, combinaram de se encontrar para tomar café da manhã num bar naquela mesma manhã. Daniela desligou a ligação e voltou a dormir profundamente, abraçada ao corpo quente de Mario, que também descansava ao lado dela.
O dinheiro recuperado daquela noite permitiu que Daniela terminasse o semestre sem apertos financeiros e pudesse se dedicar full time aos estudos. Ela até conseguiu enviar um dinheiro para os pais.
Duas semanas depois do ocorrido, Daniela descobriu que, infelizmente, o cargo na cátedra do Díaz Duref não seria dela no final. Mas duas razões ajudaram Daniela a não se sentir desanimada: primeiro, seu caso de amor com Mario crescia a cada dia; e segundo, inacreditavelmente, tinha sido Carla quem finalmente ficou com o cargo.
Daniela celebrou isso como uma vitória pessoal. Ela tinha um grande carinho pela amiga. Carla prometeu que largaria o trabalho de "acompanhante", embora isso não incluísse o vínculo com Jorge, que era sua principal fonte de renda.
De qualquer forma, Daniela só precisou esperar até o próximo semestre para começar sua carreira como professora remunerada, embora não fosse mais na cátedra do Dr. Díaz Duref.
No início do quarto e último ano da faculdade, o dinheiro já não era mais um problema. Pouco antes de completar vinte e um anos, Daniela deixou o apartamento alugado para morar na casa de Mario. Os dois estavam profundamente apaixonados. Depois dos dois primeiros meses morando juntos, Mario ainda não tinha falado com o pai sobre o relacionamento. Finalmente, ele decidiu marcar um encontro para contar a novidade, mas a reunião nunca aconteceu. Vinte e quatro horas antes, Jorge sofreu um ataque cardíaco que tirou sua vida. O médico disse que a mistura de uísque com sildenafil tinha sido um coquetel explosivo para o coração dele.
Carla ficou muito abalada com a morte de Jorge. Embora tivesse certo apreço por ele, não dava para dizer que o amava. Muito menos que estivesse apaixonada pelo seu mecenas. O que a chocou foi vê-lo dar o último suspiro enquanto o velho derramava o xarope da vida dentro da boca dela. Tudo aconteceu num segundo: Jorge já tinha passado para o outro lado quando Carla ainda não tinha criado coragem suficiente para engolir tudo aquilo. Levou um tempo para tirar da cabeça a ideia mórbida de que Jorge já tava morto quando o pau dele ainda jorrava a porra na boca dela.
Depois de se recuperar do susto que isso causou, Carla decidiu voltar a fazer programa pra complementar o salário de professora. Quando contou pra Daniela, ela falou com o namorado na hora. Então Mario arrumou um emprego de secretária na consultoria que ele tocava, e Carla largou de vez a prostituição.
Um mês depois, Carla e Daniela se encontraram pra tomar um café na sala dos professores da faculdade de psicologia:
— Daniela: Te considero minha melhor amiga e preciso te contar uma coisa que não dá mais pra guardar. Algo que aconteceu há um tempo… Mas antes de tudo, quero que saiba que você tem todo o direito de me mandar pra merda. De me odiar.
— Pelo amor, Carla. Não seja dramática.
— Eu traí no concurso do Díaz Duref.
— Traiu? — Daniela ficou desconcertada.
— Sim. Um dia antes de ele decidir quem ficaria com a vaga, fui até o escritório particular dele e o subornei.
A primeira reação de Daniela foi segurar uma risada. Depois perguntou, com uma incredulidade brincalhona:
— Você comeu o Díaz Duref? Ali mesmo, no escritório dele?
— Primeiro ele disse que ia me expulsar quando perguntei se fazia muito tempo que uma aluna não chupava o pau dele, mas depois acabei mamando ele em cima da mesa. Me perdoa, mas era minha única saída.
Dessa vez Daniela não conseguiu segurar a gargalhada no meio da sala dos professores. Depois abraçou a amiga e confessou o quanto a amava. As duas se emocionaram e choraram, mas então Daniela se afastou e disse:
— Todo mundo tem um esqueleto no armário, amiga. — E contou toda a verdade sobre o que aconteceu naquela noite distante em que foi puta pela primeira e única vez.
FIM
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