Primeiro, agradeço a todos que me acompanham, valeu mesmo por estarem comigo nessa cruzada contra o esquecimento e essas lembranças que, pra mais de um, refletem um tempo vivido e curtido.
PENSAR EM NADA
Hoje comecei essas linhas sem saber bem pra onde sair atirando, vasculhava minhas memórias uma hora e outra atrás de algo que valesse a pena ser contado, principalmente pra não decepcionar a plateia já grande e selecionada, mas nada, não veio lembrança nem memória que me levasse a fazer essas linhas coloridas... Não era a primeira vez que me batia a agonia de não saber no que pensar nem conseguir medir minhas respostas pra algum lado. Acontecia direto, já tinha ficado pra trás o Colégio e suas responsabilidades, e hoje o trampo e a faculdade me abriam caminho na vida, e talvez esse cansaço mental causasse os buracos que por horas me sugavam nas teias deles. Eu estudava na Cidade Universitária, pavilhão 3, e cursava Álgebra, uma matéria que odiava (mentira), se não fosse porque estudava junto com um par de colegas que se encantavam com meus dotes de cálculo e rapidez nos resultados.
Assim, um dia me peguei numa madrugada de sexta-feira, nos dias que eu estudava na porta do prédio de uma dessas colegas, tocando a campainha pra ela me dar acesso à casa dela. A missão: revisar um caderninho pra prova do dia. Cecilia era uma baixinha linda, cabelo curto loiro, olhão grande e sorrisão largo. O resto do corpo, verdade, não interessava, porque a gente costumava estudar junto e nossas conversas não saíam muito dos raciocínios matemáticos. Mas naquele dia, por algum motivo estranho, devia ser diferente. Juro que não levei a ideia nos meus apontamentos, como falei no começo... pensava em nada, e o nada mesmo me pegou quando ela abriu a porta da casa dela, um primeiro andar por escada. Um beijo sonolento na bochecha liberou o acesso sem medida, e depois do papo habitual, os livros ocuparam a mesa... A A manhã foi ganhando cores, e o dia foi se abrindo caminho, o mate resolvia nossas dores e mal-estares... a hora se aproximava.
Cecília, que não era de muitas palavras, estava naturalmente nervosa, essa não era uma prova qualquer, mas na verdade eu a notava esquiva ao interesse e à preocupação. Encontrava no olhar dela pequenos desvios, e seus olhos atravessavam o fundo da minha distração. Como eu dizia, o dia foi ganhando horas, e as horas ganhando na nossa ânsia a fome que só um almoço pode acalmar. Decidimos cortar o estudo, ficar confortáveis e almoçar em paz. Nunca o senhor suspeitaria, meu caro leitor/leitora, mesmo desejando, que os fatos a seguir precipitariam no que o senhor certamente espera.
Houve um gesto, algo que foi diferente, algo que simplesmente não pertencia àquele conjunto de definição de... almoço entre colegas de estudo de álgebra do curso de Engenharia de Sistemas da Universidade de Buenos Aires, etc, etc, que nos deixou imóveis um diante do outro. A parede e a mesa, na sua estreiteza de espaço, foram testemunhas daquele momento mudo, e talvez o cansaço de ambos tenha contribuído. A questão é que ela, com pratos na mão, eu, com talheres na minha, e com apenas uns 20cm de espaço entre um e outro... simplesmente ficamos absortos nos olhando...
O NADA EM SI, tinha se feito presente, e os minutos, ao contrário do que certamente imaginam, relaxaram os músculos do corpo inteiro... sim, sim, o nada em si. Não havia gesto nem movimento que nos tirasse daquela sensação de querer entrar um dentro do outro. Até o tempo tinha suspendido. Alguém tinha que fazer alguma coisa... era necessário!!! Mas os medos também olhavam sem falar do sofá, como se divertindo com a situação...
Os olhos dela, suas pupilas cor de mel, se alargavam nos meus olhos, e minha cabeça flutuava diante da respiração dela, minuto após minuto, algo se consumia que fazia querer segurá-la entre meus braços e sentir mais de perto seu coração. E ela parecia pensar parecido, porque acomodou o corpo dela contra a parede. e estico os braços dela cheios de pratos sobre a mesa enquanto eu fazia o mesmo com algo que com certeza já não interessa mais a você...
e peguei delicadamente nas mãos dela, e nos perdemos num beijo profundo e suave que fechou os olhos de nós dois.
É evidente que não pensamos em mais nada... nem preciso dizer que aquela prova ficou no semestre passado, e muito menos preciso dizer que eu frequentava aquele lugar e já não era mais tanto por causa da Álgebra. Sem dúvida, o mais interessante daquele momento não foi o frenesi escondido dentro da roupa dela nem a vontade de possuí-la, não foram os gemidos que rasgavam o silêncio quando eu beijava suas partes delicadas e sensíveis, mas sim a paixão que brota do nada, que fica à espreita esperando o momento de explodir na sua cara num impulso que surpreende e excita. Sem dúvida, pensar é um ato de racionalidade e evolução, mas pensar em nada é um ato de paixão, de fé, de involuntariedade que nos leva à felicidade de nos sentirmos livres e vivos, e às vezes é isso que realmente nos mostra que existimos.
Muito obrigado, nos vemos em breve para aproveitar muito.
PENSAR EM NADA
Hoje comecei essas linhas sem saber bem pra onde sair atirando, vasculhava minhas memórias uma hora e outra atrás de algo que valesse a pena ser contado, principalmente pra não decepcionar a plateia já grande e selecionada, mas nada, não veio lembrança nem memória que me levasse a fazer essas linhas coloridas... Não era a primeira vez que me batia a agonia de não saber no que pensar nem conseguir medir minhas respostas pra algum lado. Acontecia direto, já tinha ficado pra trás o Colégio e suas responsabilidades, e hoje o trampo e a faculdade me abriam caminho na vida, e talvez esse cansaço mental causasse os buracos que por horas me sugavam nas teias deles. Eu estudava na Cidade Universitária, pavilhão 3, e cursava Álgebra, uma matéria que odiava (mentira), se não fosse porque estudava junto com um par de colegas que se encantavam com meus dotes de cálculo e rapidez nos resultados.
Assim, um dia me peguei numa madrugada de sexta-feira, nos dias que eu estudava na porta do prédio de uma dessas colegas, tocando a campainha pra ela me dar acesso à casa dela. A missão: revisar um caderninho pra prova do dia. Cecilia era uma baixinha linda, cabelo curto loiro, olhão grande e sorrisão largo. O resto do corpo, verdade, não interessava, porque a gente costumava estudar junto e nossas conversas não saíam muito dos raciocínios matemáticos. Mas naquele dia, por algum motivo estranho, devia ser diferente. Juro que não levei a ideia nos meus apontamentos, como falei no começo... pensava em nada, e o nada mesmo me pegou quando ela abriu a porta da casa dela, um primeiro andar por escada. Um beijo sonolento na bochecha liberou o acesso sem medida, e depois do papo habitual, os livros ocuparam a mesa... A A manhã foi ganhando cores, e o dia foi se abrindo caminho, o mate resolvia nossas dores e mal-estares... a hora se aproximava.
Cecília, que não era de muitas palavras, estava naturalmente nervosa, essa não era uma prova qualquer, mas na verdade eu a notava esquiva ao interesse e à preocupação. Encontrava no olhar dela pequenos desvios, e seus olhos atravessavam o fundo da minha distração. Como eu dizia, o dia foi ganhando horas, e as horas ganhando na nossa ânsia a fome que só um almoço pode acalmar. Decidimos cortar o estudo, ficar confortáveis e almoçar em paz. Nunca o senhor suspeitaria, meu caro leitor/leitora, mesmo desejando, que os fatos a seguir precipitariam no que o senhor certamente espera.
Houve um gesto, algo que foi diferente, algo que simplesmente não pertencia àquele conjunto de definição de... almoço entre colegas de estudo de álgebra do curso de Engenharia de Sistemas da Universidade de Buenos Aires, etc, etc, que nos deixou imóveis um diante do outro. A parede e a mesa, na sua estreiteza de espaço, foram testemunhas daquele momento mudo, e talvez o cansaço de ambos tenha contribuído. A questão é que ela, com pratos na mão, eu, com talheres na minha, e com apenas uns 20cm de espaço entre um e outro... simplesmente ficamos absortos nos olhando...
O NADA EM SI, tinha se feito presente, e os minutos, ao contrário do que certamente imaginam, relaxaram os músculos do corpo inteiro... sim, sim, o nada em si. Não havia gesto nem movimento que nos tirasse daquela sensação de querer entrar um dentro do outro. Até o tempo tinha suspendido. Alguém tinha que fazer alguma coisa... era necessário!!! Mas os medos também olhavam sem falar do sofá, como se divertindo com a situação...
Os olhos dela, suas pupilas cor de mel, se alargavam nos meus olhos, e minha cabeça flutuava diante da respiração dela, minuto após minuto, algo se consumia que fazia querer segurá-la entre meus braços e sentir mais de perto seu coração. E ela parecia pensar parecido, porque acomodou o corpo dela contra a parede. e estico os braços dela cheios de pratos sobre a mesa enquanto eu fazia o mesmo com algo que com certeza já não interessa mais a você...
e peguei delicadamente nas mãos dela, e nos perdemos num beijo profundo e suave que fechou os olhos de nós dois.
É evidente que não pensamos em mais nada... nem preciso dizer que aquela prova ficou no semestre passado, e muito menos preciso dizer que eu frequentava aquele lugar e já não era mais tanto por causa da Álgebra. Sem dúvida, o mais interessante daquele momento não foi o frenesi escondido dentro da roupa dela nem a vontade de possuí-la, não foram os gemidos que rasgavam o silêncio quando eu beijava suas partes delicadas e sensíveis, mas sim a paixão que brota do nada, que fica à espreita esperando o momento de explodir na sua cara num impulso que surpreende e excita. Sem dúvida, pensar é um ato de racionalidade e evolução, mas pensar em nada é um ato de paixão, de fé, de involuntariedade que nos leva à felicidade de nos sentirmos livres e vivos, e às vezes é isso que realmente nos mostra que existimos.
Muito obrigado, nos vemos em breve para aproveitar muito.
4 comentários - Histórias de uma Vida Divertida - CAP1 - Pensar em Nada
Seguí así!!! Gracias por compartir tus recuerdos con nosotros...
Besos!
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Si Manolito comento, la mejor manera de agradecerselo es comentando un post suyo
Poringa, Una Comunidad Hermosa
ManolitoP#