Gabriela, uma casada gostosa 1.3

— Mas não fique aí parada, mocinha… pode ir lá pro fundo, a outra garota já chegou. Gabriela ficou uns instantes sem conseguir articular uma palavra, a mente dela era um caos, sabia que não devia fazer aquilo, mas precisava pagar a conta da caminhonete. — Ok, Pablo, muito obrigada — e com seu rebolado sensual foi até o lugar indicado. O lugar cheirava muito a gasolina, óleo, todos aqueles cheiros característicos de carros. O trajeto era longo e enquanto avançava, ela se deparava com o que achava serem trabalhadores, todos parecidos, vestindo roupas surradas, sujas e feias, caras bem normais. Ela notava o olhar lascivo de cada um deles, ao que respondia com um educado “bom dia”. Gabriela abriu devagar a porta do camarim improvisado que Seu Cipriano tinha montado e, quando abriu, viu uma garota sentada numa cadeira, vestindo um shortinho minúsculo e uma blusinha de alcinha. A garota não percebeu a entrada de Gabriela, pois estava muito ocupada arrumando o cabelo no espelho. Gaby, que por natureza era curiosa, ficou quieta observando a garota. Notou que era uma menina bem normal, não era a beleza que imaginou que encontraria depois do chamado de Seu Cipriano. Olhou o corpo dela, uns peitos de tamanho médio, descendo pra uma barriga com uma leve pancinha. Observou o rosto dela, era uma menina, no máximo 18 ou 19 anos, pelo que Gaby calculou. O que conseguiu ver do rosto dela agradou, era uma garota bonitinha, mas dentro do que se pode considerar normal. A jovem virou pra olhar a loira e foi Gaby quem quebrou o silêncio, como sempre: — Oi, me chamo Gaby e acho que somos colegas de trabalho — disse mostrando seu lindo sorriso de dentes brilhantes. — Mu… muito prazer, senhora, meu nome é Maria — disse a jovem se levantando da cadeira e apertando a mão dela. Gaby não gostou nada de ser chamada de senhora, porque, no fim das contas, qual mulher gosta de ser lembrada da idade? — Bem, Maria, mas a partir de hoje… Me chama pelo meu nome. Tá bom... — Se “senhora” já tá de boa... — Nesse momento, ficou um silêncio, e depois as duas começaram a rir — Sim, Gaby tá de boa. Gaby soube que elas iam se dar muito bem. Depois das apresentações, Maria mostrou pra Gaby onde estavam as roupas dela, que ela pegou e estendeu numa mesinha no canto do quarto. Sem nenhum pudor, a loira escultural tirou a blusa esportiva e o sutiã, e depois, de um jeito bem sensual (sem querer), deslizou lentamente a calça de moletom. — Desculpa, não sei se você se importa de eu me trocar aqui — disse Gaby, cobrindo os peitos com um braço e a intimidade com o outro. Gaby tinha o costume de fazer isso com as amigas, entre elas não tinha segredos, ainda mais algo tão simples como se ver pelada, mas lembrou que nem toda mulher era assim. — Imagina, Gaby, fica à vontade. Pra ser sincera, o corpo da Gaby impactou a Maria, nunca na vida ela tinha visto um corpo mais perfeito, e isso a deixou sem graça, envergonhada de saber que quando estivessem fora, ninguém ia olhar pra ela por causa daquela mulher espetacular. — Aconteceu alguma coisa, Maria? — perguntou Gaby. — Não, nada... posso te fazer uma pergunta? — Já fez — riu Gaby, comentário que agradou Maria. — Não, agora sério... você já fez alguma cirurgia? — disse Maria, tentando soar o mais natural possível, não queria irritar a colega. Gaby estranhou, fazia pouco tempo que conhecia Maria, nunca imaginou que ela perguntaria isso. — Não, verdade, não fiz. Fui feita assim pelos meus pais — disse, orgulhosa da própria anatomia, enquanto se olhava no espelho. — Sério? — Claro... na minha família, as mulheres sempre foram assim, embora minha mãe diga que eu exagerei — as duas riram. — Que legal deve ser ter um corpo como o seu — disse Maria, num tom melancólico, sabendo que ela não era nem metade da gostosa que a Gaby era. Gaby, percebendo que talvez ao exibir o corpo tivesse feito Maria se sentir mal, disse: — Pois é, nem pense que é moleza, é um saco na academia, e ainda todos os homens ficam te encarando. De um jeito estranho — o sorriso da Gaby era bem amigável — "Deve ser muito gostoso os caras te quererem pelo teu corpo, conseguir o que quiser." Esse último comentário preocupou a loira, ela sempre achou que o mais importante nas pessoas era o interior, não tinha casado com o marido por ele ser bonitão, fez isso porque, apesar dos defeitos, ele também tinha grandes virtudes. "Acredita em mim, não é tão bom assim," disse Gaby, "o que importa é o que a gente carrega por dentro." "SIIIM, o que a gente carrega dentro da fio dental e dentro do sutiã," respondeu Maria. Apesar da lição que Gaby queria dar pra Maria, ela não conseguiu evitar de rir. "Bom, se apressa, Gaby, que já já é hora de sair." "Sim, mas cadê o dono da oficina?" perguntou Gaby, se referindo ao Seu Cipriano. "Meu tio chega mais tarde, mas fica tranquila que ele já me deu ordens do que fazer." "Seu tio?" perguntou Gaby. "Isso mesmo, cê não nota a semelhança de família?" Na vida dela, Gaby nunca teria adivinhado. Seu Cipriano era um homem muito feio e a garota era, até certo ponto, bonitinha. "Pois é, a verdade é que não," respondeu Gaby. "Ah, graças a Deus," comentou Maria, e as duas caíram na gargalhada. Gabriela e Maria dançavam sensual na frente do Pé Grande, com suas roupas justas, no ritmo do reggaeton. A linda loira no começo ficava com vergonha de estar ali dançando pra estranhos, mas com o tempo foi ganhando confiança, até chegar à conclusão de que não era tão horrível quanto pensava. No fim das contas, ela adorava dançar, adorava aquela música, sua parceira era muito agradável, e até achava graça de como algum ou outro desatento tinha sofrido pequenos acidentes por virar pra olhar elas. Já tinha conhecido todo o pessoal, embora desejasse lembrar o nome de todos, só lembrava do Macaco ou Pablo e do Francisco, um garoto de uns 20 anos que era namorado da Maria. Tinha que admitir que a estratégia parecia estar dando resultado, tinha muita gente. Gente rodeando a oficina, era verdade que muitos só iam pra olhar, mas outros entravam de verdade pelos carros. No pouco tempo que tava ali, a Gabriela já tinha recebido mais de 20 números de telefone, que ela aceitava por educação, mas claro que nunca ia ligar pra esses caras. Quando alguém pedia o número dela, ela se desculpava educadamente (mentindo), dizendo que se a empresa descobrisse, ela perderia o emprego. Enquanto isso, a poucos metros de distância, o Chango, o Francisco e o Dom Cipriano conversavam de boa. — Não fode, mano... Não aguento mais, quero comer ela logo — falou o velho Dom Cipriano. — Sim, senhor, essa mulher é uma gostosa, olha só como ela mexe a rabeta — disse Francisco apontando pra loira enquanto ela dançava a macarena, rebolando a bunda de um jeito hipnotizante. E se liga que ela tava usando um shortinho minúsculo, era uma visão de lascar. — Essa buceta vai ser minha, rapaziada, mas tudo depende do plano dar certo, e de você não cagar tudo, muleque — falou Dom Cipriano virando pra olhar o Francisco. — Já tô ligado, senhor — foi tudo que o jovem conseguiu responder. E como se a Gabriela pudesse ouvir eles, sem perder o ritmo, ela se aproximou e puxando o Dom Cipriano, chamou ele pra dançar com ela. Ele não ia perder a chance de passar a mão naquela mulher tão gostosa e, sem pensar duas vezes, foi junto. Os homens que tavam ali reunidos não acreditavam como aquele velho horrível tava se esfregando na mina, que parecia nem perceber (e era verdade, a Gabriela não imaginava nada daquilo, ela sentia o velho se encostar nela, mas era assim que se dançava). — É sério que você vai fazer isso, mano? — perguntou o Chango pro Francisco. — Ué, sim, por quê? — É que a dona é mó gente boa — no pouco tempo que o Chango conhecia a Gaby, já tinha criado um carinho por ela. — Sim, mano, mas o patrão quer comer ela, e quem não quer? Olha só ela, é uma gostosa. — Mas se ele conseguir, vai foder a vida dela, pelo que eu sei ela é casada, tem filho e tudo mais. Imagina se com a sua mãe ou sua irmã quisessem fazer uma coisa dessas, ou melhor, nem precisa ir tão longe, imagina se outro cara quisesse comer a María. Francisco ficou em silêncio, pensando. — Você sabe que eu preciso de grana e o patrão me ofereceu uma boa, além disso, María… tá de acordo — respondeu Francisco. O Chango não disse mais nada, sabia que nada faria ele mudar de ideia. Os dois ficaram ali, vidrados, olhando pra aquela casada gostosa pra caralho. As horas passaram, o primeiro dia dela tinha sido uma maravilha, ela tinha amado a sensação de liberdade, de se sentir desejada, de ter poder sobre os homens, e agora chegava a hora de voltar pra casa. E, claro, Dom Cipriano tinha se oferecido pra levar ela. Desde o primeiro momento em que chegou na oficina, ele não largou dela, e pros próximos dias ele já tinha planejado que fosse a mesma coisa, o que não incomodava a Gaby, pelo contrário, fazia ela se sentir segura. E era sempre bom estar com alguém. Dom Cipriano queria que a Gaby se acostumasse com ele, que na hora que ele metesse nela não tivesse resistência nenhuma, queria seduzir ela, queria tirar ela da família, queria que aquela puta fosse só dele, mas também queria que fosse na boa, queria que ela desejasse ele, e não ligava de usar truques e mentiras pra conseguir isso. Dom Cipriano deixou a Gaby a duas ruas do prédio dela, pra que o marido não percebesse que ela tinha chegado com ele. A loira caminhou até em casa, tinha sido um dia muito gostoso e ela já tava ansiosa pelo próximo. — Oi, meu amor — disse César ao ver a Gaby entrar — você parece meio cansada. Gabriela não contou pro marido que tinha pedido duas semanas de férias, porque não queria que ele soubesse o que ela tava fazendo. Se sentia mal por esconder algo do marido, mas tinha chegado à conclusão de que era melhor pros dois. — É, amor, foi um dia puxado. Nessa hora, entrou o Jacobo correndo — Mamãe… mamãe — falou todo empolgado — Oi, meu amor — Gabriela pegou o pequenino no colo. braços, naqueles momentos era a única coisa que importava pra ela. Os dias seguintes foram na mesma, com Gabriela indo pro "trabalho" na oficina, isso claro sem o marido saber. Ela foi estreitando os laços com quem já considerava amigos, ou seja, a María e o Chango, mas com quem se sentia cada vez mais unida era com seu Cipriano. Em tão pouco tempo, passou a vê-lo como um pai, talvez por causa da falta de um na infância dela, não sabia ao certo, mas já tinha um carinho danado por ele. Com os outros trabalhadores, mantinha uma relação cordial; notava o jeito que a olhavam, mas já tava acostumada. Só na quinta-feira, um dia antes de cumprir o contrato, é que tudo mudou. Naquele dia, María não foi trabalhar. Seu Cipriano explicou que ela tava doente, então Gabriela saiu pra ser edecã sozinha. Sentia algo estranho no ar; durante a tarde toda, não viu nenhum outro trabalhador, só seu Cipriano, o Chango e Francisco. Quando perguntou o porquê, seu Cipriano respondeu que não sabia, mas que quando descobrisse, ia se vingar (mentira, já que ele mesmo tinha dado o dia de folha pra eles). Gabriela já tava no quartinho onde trocava de roupa pra voltar pra casa, se olhando no espelho, modelando, pegando a melena loira dela por cima da cabeça (no fundo, era uma vaidosa). Examinava o corpo procurando qualquer imperfeição. De repente, a porta se abriu, e na frente dela apareceu Francisco com uma faca na mão. Gabriela não sabia o que tava rolando, e ainda por cima tinha certeza de que tinha trancado a porta. — Francisco! — exclamou a loira, preocupada mas tentando não demonstrar, enquanto recuava bem devagar até bater na parede. Francisco não dizia nada, o rosto dele não mostrava emoção nenhuma, só foi se aproximando da loira. — O que é que você quer, Francisco...? — perguntou num tom mais corajoso do que conseguia mostrar. Ele não respondeu. Agarrou ela com força. Corpo dela. Sai pra lá, seu porco — a garota tentava empurrar sem sucesso o corpo do cara, que, mesmo não sendo muito forte, tinha força o bastante pra segurá-la. — Pelo amor de Deus, alguém me ajuda — gritava a garota. O jovem continuava sem dizer uma palavra, só soltava uns sons guturais, enquanto encostava o canivete no pescoço da loira. — Cala a boca, gata, senão pode acontecer algo ruim com você — dizia Francisco, visivelmente nervoso, e começou a passar a língua pelo pescoço macio dela. "Ai, meu Deus"... Pelo amor de Deus, me ajuda... ele tá me tocando — pensava a garota, instintivamente fechou os olhos e rezou pra estar em outro lugar, que aquilo fosse só um pesadelo horrível. Naquele momento, sentiu umas mãos apertarem seus peitos enormes, apalpando, sentindo eles. — NÃOOOOOOOO — gritou a loira. — Calma... vai ficar tudo bem. As lágrimas inundaram o rosto lindo da Gaby, ela não queria ser estuprada naquele lugar. De repente, sem aviso, umas mãos agarraram o jovem e empurraram ele pro lado. A linda Gabriela observou, aliviadíssima, embora confusa com o que tava rolando. Do lado dela, sem saber como, estava Seu Cipriano, que, apesar de ser velho, também era bem corpulento e era fácil pra ele lidar com o jovem. — Cê pensa que tá fazendo o quê, moleque? — gritou o velho, se colocando na frente da garota como quem protege, o que ela agradeceu, e se encostando nele, ficou esperando. O jovem não disse nada, rapidamente se levantou e saiu correndo. O velho quis ir atrás, mas não conseguiu porque Gabriela puxou o braço dele, não queria ficar sozinha. Gabriela abraçou ele, seus olhos lindos ainda soltavam lágrimas, mas dessa vez eram lágrimas de alegria. — Muito... Muito obrigada, Seu Cipriano — dizia Gaby, sem imaginar que aquele abraço esquentava demais o velho, sentir aquele corpo voluptuoso era de enlouquecer. — Calma, mocinha... faria tudo por você... — Foi a primeira vez que Gaby achou ver no olhar dele algo mais que amor paternal. Seu Cipriano a segurou por uns Minutos entre os braços dele, era a primeira vez que sentia um desejo tão intenso por alguém, nem pela esposa dele tinha sentido tanta excitação e queria aproveitar cada segundo daquilo. Por sua vez, Gaby se sentia segura, aquele homem a tinha salvado do que teria sido a pior experiência da vida dela. Ou pelo menos era o que ela achava. Naquela noite, Gaby ainda estava inquieta, sabia que o perigo tinha passado, mas ainda estava nervosa, o que César percebeu, no entanto ela se recusou a contar a verdade e dizia que eram problemas de trabalho sem importância. Dom Cipriano tinha sugerido que Gabriela tirasse o dia seguinte para se acalmar, mas ela recusou, em parte porque estava realmente se divertindo e em parte como agradecimento ao seu salvador, não ia decepcioná-lo com o trabalho. Naquela sexta-feira, chegou à oficina e notou que as coisas estavam voltando ao normal, os trabalhadores voltaram, assim como sua colega e amiga Maria. Com muita pena, a loira contou à amiga o que aconteceu no dia anterior na oficina com Francisco (namorado de Maria). — Tô te contando isso em parte porque você é minha amiga e quero desabafar, e por outra porque um cara desse não merece você — o rosto de Gaby refletia preocupação verdadeira. O rosto de Maria era sereno, mas ao mesmo tempo preocupado. — Não... não é o que você tá pensando, amiga — defendeu Maria o namorado. — Como assim não é o que eu tô pensando? Ele me tocou, quase... — não conseguiu terminar a frase. — Agora não posso te contar mais, espera umas horas e eu conto tudo — prometeu Maria a Gaby e, sem dizer mais nada, saiu do quarto apressadamente. Gabriela ficou desconcertada, o que ela queria dizer? O que ia contar? Deixou o assunto de lado, pelo menos por enquanto, afinal em algumas horas saberia. Terminado o último dia, as duas garotas voltaram ao quarto onde se trocavam de roupa, e quando entraram, o tarado as esperava. Gabriela rapidamente ficou na defensiva, depois do que aconteceu no dia anterior, preferia estar preparada. María percebeu a atitude da amiga e disse: —Fica tranquila, eu pedi pra ele vir. O que vamos te contar é coisa séria e já peço desculpas adiantadas. —Pois é... eu também —disse o chango —Senta aí, Gaby, por favor —pediu María educadamente. Quando todos estavam sentados, continuaram: —O que vocês querem me dizer?.. Não me deixem no suspense —O que aconteceu ontem foi um erro completo —Você tá enganada, não foi erro nenhum —Gaby tinha levantado a voz. Depois do que aconteceu ontem, ela ficava puta por ele ainda tentar defender o namorado dela. Desculpa, não me expliquei direito. Nós dois (se referindo ao chango e a ela) sabemos que o que você tá contando é verdade, mas as coisas não são o que parecem. A loira tava toda confusa. —Vou tentar ser o mais clara possível. Olha, Francisco nunca quis te machucar, mas foi obrigado por alguém —María e o chango trocavam olhares ansiosos. —Por quem? —perguntou com medo, mas ao mesmo tempo morrendo de vontade de saber o que iam contar. —Pelo patrão —respondeu o chango na hora. Aquilo foi como um balde de água fria pra loira. —O quê? —Mesmo com o que falavam, era difícil de engolir. É isso mesmo, Gaby, meu tio armou tudo, e o pior é que a gente sabia —dava pra ver o arrependimento na voz dela, mas Gabriela não tava muito convencida de que tavam falando a verdade. De repente, ela levantou da cadeira e, visivelmente irritada, disse: —Não acredito que depois do que aconteceu ontem, vocês têm coragem de fazer uma piada dessas —Acredita em mim, Gaby, queria muito que fosse brincadeira, mas não é. —Pois sinto muito, minha rainha, mas não consigo acreditar que um homem como Seu Cipriano tenha tramado isso, e ainda por cima, com que objetivo? —Gaby continuava no mesmo tom desafiador. —SHHHHHHH —fez o chango, com medo de que alguém pudesse ouvir. —Por favor, Gaby, tô vendo que você tá muito nervosa, melhor deixar pra outro dia —sugeriu María. —Não, não vou me calar, ou você me conta agora o que tá rolando, ou Seu Cipriano vai ficar sabendo que vocês tão inventando mentiras pra cima dele. falsos. —Ameaçou Gaby, com aquele tom que mostrava o quanto ela estava puta. Aquele homem tinha sido muito bom com ela, ela não ia deixar mentirem sobre ele, ainda mais numa parada tão grave. —Tá bom, queria te contar com jeito, mas já que você quer assim— Maria respirou fundo. —Meu tio tá a fim de você, em outras palavras, ele quer te comer— O rostinho bonito da Gaby se encheu de surpresa. —Ele é obcecado em te levar pra cama— disse Maria, enquanto o macaco balançava a cabeça confirmando. —Cê tá louca, sério que acha que vou engolir essa? Ele sempre foi gente boa comigo— Gaby ainda não acreditava no que ouvia. —É verdade, Gaby, se não for, que minha mãezinha morra— falou o macaco, achando que isso ia convencer ela. —Desculpa, mas isso me parece uma puta idiotice. E, afinal, por que tão me contar isso agora? —Porque você é foda pra caralho. Nós (o macaco e a Maria) criamos um baita carinho por você e não achamos justo meu tio te passar pra trás. Você tem um filho e um marido que, pelo que conta, ama e é amada. Além disso, também não acho justo com minha tia, ela é uma mulher boa que não merece levar gaia. Gabriela sabia que Seu Cipriano era casado, e pela forma como ele falava dela, não acreditava que ele fosse capaz de traí-la. Maria contou pra Gaby como o tio tinha proibido ela de chegar perto da oficina no dia anterior, ameaçando mandar ela embora do emprego se não obedecesse, e também que ele tinha dado folga pros funcionários (lembrando que pra Gaby ela disse que não sabia por que eles não foram trabalhar). O macaco, por sua vez, contou como Seu Cipriano tinha apostado que ia levar ela pra cama, o jeito que ele fingia ser na frente dela e como ele era de verdade pelas costas. E o mais importante: contaram o que tinha rolado com Francisco. Ele era um bom rapaz que, infelizmente, tinha a mãe muito doente no hospital, e Seu Cipriano se aproveitou disso pra obrigar ele a atacar a loira. Assim, Chegar de última hora e sair como herói na frente dela, ele tinha prometido que se tudo desse certo, daria uma grana boa pra ela e a promessa de poder voltar ao trabalho depois que a Gaby fosse embora. — Na verdade, não consigo acreditar em vocês, Seu Cipriano é um homem bom — Ela não sabia se realmente não conseguia acreditar ou se não queria. — Quem dera você tivesse acreditado na gente de primeira, mas fazer o quê, parece que vamos ter que te mostrar como meu tio é de verdade. Em seguida, começaram a contar o que iam fazer. Maria disse que as duas iam se esconder no closet, que ela prestasse atenção em tudo que o tio dela dissesse, do resto o chango cuidava. Gabriela acabou aceitando, com a ameaça de que se não acreditasse, contaria tudo pro Seu Cipriano. Ela queria ir até o fundo dessa história, agora só faltava o Seu Cipriano aparecer. Ouviram barulhos vindo da entrada, o que os alertou de que o Seu Cipriano tinha acabado de voltar, então Maria incentivou Gabriela a se esconderem no closet, fecharam a porta com tranca pra evitar que o Seu Cipriano as descobrisse, enquanto isso, o chango seria o encarregado de desmascará-lo, atraindo ele pro quarto pra Gabriela ouvir. — O que você quer, chango? — perguntou Seu Cipriano, enquanto procurava vestígios da Gaby com o olhar. — Ah, nada, só queria avisar que a Gaby passou mal… Ela levou a caminhonete dela (lembrando que naquele dia a caminhonete dela finalmente tava pronta). — Sem problema, meu changuinho, no fim das contas já tenho ela comendo na minha mão, hahahaha — A loira, do esconderijo, conseguia ouvir toda a conversa, ficou surpresa com o comentário do Seu Cipriano, mas no fim das contas ele ainda não tinha dito nada tão ruim, continuou ouvindo com atenção. O chango sabia que pra Gaby acreditar neles, ela precisava ouvir ele como ele realmente era, então se arriscou a perguntar. — E como vai a aposta, chefia? — Seu idiota, é o dinheiro mais fácil que vou ganhar — se gabou Seu Cipriano — É tão fácil assim? Fácil?" — a voz do macaco ecoava no quartinho. Enquanto no seu esconderijo, Gabriela não entendia do que falavam, mas a resposta veio num instante. — "Olha só, meu macaco, na frente da Gabrielinha eu sou um herói. Se não fosse por mim, o Francisco já tinha comido ela" — disse Cipriano, seguido de uma gargalhada. Por uns instantes, o silêncio reinou entre os dois homens; o macaco não sabia mais o que dizer. Até aquele momento, Seu Cipriano não tinha dito nada comprometedor, e ele sabia que era só questão de tempo até a Gaby largar o plano e sair do armário. Felizmente, ele não precisou falar mais. — "Sabe o que me irrita?" — perguntou Seu Cipriano — "Me irrita ter que dar tanta grana pra aquele cara só pra seguir meu plano. Mas quando lembro das nalgas espetaculares da Gabrielinha e como vou meter nelas, esqueço todo o resto." As palavras de Seu Cipriano estavam carregadas de luxúria, uma luxúria que o consumia por dentro. — "Não fode, macaco, ela é uma gostosa" — disse Cipriano, se referindo à Gaby. — "Sim, chefe, ela é... muito bonita, mas..." — Em outra situação, o macaco teria usado um adjetivo mais pesado, mas sabendo que a Gaby estava ouvindo, se segurou. — "Mas o quê?" — perguntou Cipriano, com um tom irritado. — "Ela é casada, senhor, e ainda tem um filho." — "Foda-se o marido e o filho dela, ela é uma mulher incrível e, pelo visto, adora uma pica." Essas palavras cravaram fundo no coração de Gaby, que, com o ouvido colado na portinha de madeira do armário, ouvia claramente como Seu Cipriano falava dela. — "E o que não me falta é isso... pica... hahahaha." O velho notou o nervosismo na cara do macaco. Agora que tinha certeza de que a Gaby tinha ouvido, ele se perguntava como ela reagiria. Tinha medo de que ela pudesse sair do armário e encarar o chefe dele; afinal, ela era desse tipo de mulher. Ele se perguntou se tinha sido um erro arriscar o emprego pela amiga. — "O que foi, cara? Tô te achando estranho." — "Nada, senhor, só tava pensando agora que... é o que ele vai fazer com a Gaby. O macaco mentiu. — Amanhã é meu dia de sorte, macaco. Ela me contou que o marido não vai estar amanhã (era verdade, finalmente César tinha conseguido um trampo e precisava sair da cidade carregado). Vou chamar ela pra sair, e à noite a gente vai passar uma delícia... hahaha. — E o senhor acha que ela vai querer sair? Só se conhecem há duas semanas. — Claro, como te falei, sou o herói dela, então ela não vai recusar. E se recusasse, seria só questão de insistir... Macaco, vou te contar uma parada, mas isso você não conta pra ninguém, nem pra Maria. — Por que o senhor não quer que eu conte? — o macaco ficou intrigado. — Essas duas ficaram muito amigas, e tenho medo que essa menina vá cagar tudo — disse Dom Cipriano, sem imaginar que ela já tinha cagado. — Prometo, senhor — o macaco cruzou os dedos mentindo, claro, sem que Dom Cipriano visse. — Olha, eu tô pensando em trazer ela aqui mesmo e colocar uma câmera ali — disse Cipriano apontando pra janela — escondida, claro, e chantagear ela de algum jeito com isso. Gaby não acreditava no que tava ouvindo. Cadê aquele senhor bonzinho que ela conhecia? Será que desde que a conheceu esse era o plano dele? E por que ela? Por que ele não se importava em destruir a família dela pra ficar com ela? Os minutos passaram e Gaby ficava cada vez mais enojada de ouvir o jeito tão baixo que Dom Cipriano falava dela, as posições que segundo ele ia fazer, quantas vezes ia gozar dentro dela, até ouviu como queria engravidar ela. Não aguentava mais, queria sair correndo e falar um monte de verdades pra aquele homem que tinha enganado ela, fazendo ela acreditar que era um cara legal. Mas se conteve, porque tinha prometido. Num certo momento, Dom Cipriano se despediu, deixou o macaco fechar o boteco e foi pra casa dele. Um tempo depois, as duas minas saíram do armário quando ouviram o carro de Dom Cipriano dar partida. — Sinceramente, sinto muito que você tenha descoberto desse jeito, e peço desculpas de novo pela gente. — Sabíamos —disse a jovem María enquanto o macaco balançava a cabeça concordando.
O macaco e María ficaram em silêncio por uns instantes, sem saber como Gaby reagiria. O silêncio era muito desconfortável, até que Gaby o quebrou.
— Agradeço que no final tenham feito a coisa certa… embora deva admitir que estou meio puta com vocês — ela se conhecia, sabia que em poucos dias esqueceria o que fizeram de errado. Quem ela não conseguiria perdoar era o Dom Cipriano.
— Cadê minha caminhonete? — perguntou Gaby secamente, virando-se para o macaco (era o dia em que a caminhonete dela ficaria pronta).
— A duas quadras daqui — disse o macaco, entregando as chaves e apontando a direção.
— Acho que não preciso nem falar, mas não contem pro Cipriano que o "plano" dele já era — Ambos concordaram com a cabeça e viram ela se afastar. Não disseram nada, sabiam que era melhor deixá-la sozinha por enquanto.
Mesmo naquela situação e sendo amigo dela, o macaco não conseguiu evitar de cravar o olhar na rabetona da garota.
"Que bucetão gostoso… que bucetão gostoso…" pensou o macaco.

Gaby dirigia sua caminhonete em direção a casa, enquanto pensava sobre o que tinha acontecido recentemente. Não entendia por que alguém tentaria separá-la dos seus dois grandes amores (o filho e o marido), e muito menos entendia que fizesse isso por algo tão banal quanto sexo. Isso mesmo, aquele homem só queria ela pra transar, não pra fazer amor, mas pra saciar as taras mais baixas dele. E isso a enojava, a irritava do jeito que ele se fez de bonzinho só pra meter na cama dela. E decidiu que não podia ficar assim, precisava se vingar de algum jeito.
Enquanto se revirava na cama, sozinha, lembrava que fazia algumas horas que o marido tinha ido embora, o filho dela dormia tranquilamente no quarto ao lado. Aquele dia tinha sido pesado. No começo, foi difícil aceitar que aquele homem que ela quase chegou a amar como um pai a traísse daquele jeito. Percebeu que o celularzinho vibrava, dando sinal. de que tava entrando uma chamada, pegou o celular na mesinha do lado direito do quarto de casal, na esperança de que fosse o marido. A decepção foi tanta quando viu na tela que a chamada era de Seu Cipriano. Hesitou um momento sobre o que fazer, talvez devesse ter feito o mais lógico e não atender, afinal já tinha pago a dívida e recuperado a caminhonete, mas a vida prega armadilhas no caminho e a loira cometeu um dos maiores erros da vida dela: atendeu. — Alô — respondeu Gaby — Oi, Gabrielinha, como cê tá? — perguntou Seu Cipriano. Era inacreditável como aquele homem que horas atrás ela protegeria de qualquer coisa agora lhe causava tanto nojo, mas ela não deixou transparecer. — Tô bem, senhor, tava aqui dormindo, sozinha, com frio — ela agiu de um jeito estranho — Cê tá sozinha porque quer, gata, é só falar que eu vou aí te esquentar — o velho se atreveu a dizer, em qualquer outro momento Gaby teria desligado, mas depois daquela tarde ela queria dar uma lição nele, então entrou no jogo. — O senhor é um conquistador, hein... hahaha — Gaby fingiu uma risada tímida. Passaram uns instantes de silêncio entre eles, mas o velho, sentindo falsamente que tinha ganhado terreno, não tirou o pé do acelerador. — Então, gata, vou aí na sua casa pra "conversar"? — Ah, até que eu gostaria... mas tô me sentindo meio dodói... mas também tô me sentindo sozinha, ai, senhor, não sei o que fazer — a atuação da garota era tão convincente que o homem achou que ela tava dando mole — Fácil... vou aí e te massajo essas feridinhas — o velho começou a usar os mesmos diminutivos que Gaby usava. Seu Cipriano achava que já tinha ela na mão, na imaginação já via ela pelada chupando o pau dele. — Ai, não, senhor, o que os vizinhos vão pensar se virem um machão que nem o senhor entrando na minha casa a essa hora, com meu marido fora, iam pensar o pior de mim — Gabriela sabia que o que mais excitava os homens era ser elogiados. — Manda eles Vai todo mundo pro caralho – dizia o velho preso da luxúria – A loira esboçou um sorriso malicioso, podia sentir a luxúria vindo das palavras do velho, que cada vez se esforçava menos pra disfarçar que tava falando da doença da Gabriela. – Eu até gostaria, Seu Cipriano, mas cê vê, essas são as desvantagens de ser casada, a gente não se diverte tanto quanto queria – O velho não acreditava na putaria que a Gaby tava soltando, então pensou que talvez tivesse entendendo errado, e perguntou. – Aaaa... como assim? – gaguejou o velho, ansioso pra ouvir a resposta. – Cê sabe como é, Seu, se fosse por mim, te convidava pra minha casa, te dava um massagem gostosa e a gente passava um tempo bem gostoso, tudo pro meu Herói – Gabriela se surpreendeu com o tesão que tava saindo da própria voz, além da rapidez que tava pensando naquela situação. O velho tava em choque, claramente a Gabrielita, a mulher que ele mais desejou na vida, tava se oferecendo pra dar pra ele. – Além disso, Seu, meu filhinho tá aqui em casa, e o que ele ia pensar se me visse com outro homem que não é o pai dele? – O coração de Gabriela se partia ao falar dos seus dois grandes amores naquela situação. – Se te entendo, gata, mas me entende também, se você visse como eu tô com o pau duro e grande por sua causa... ufff – Gabriela não imaginava que naquele instante o velho tava se masturbando forte. – Que nojo aquelas palavras davam nela, mas ela tinha que aguentar, pelo menos por enquanto. – Tenho uma ideia, gata... que tal se eu passar aí e a gente for pra outro lugar, o que você quiser? – Não, Seu, não posso deixar o Jacobo sozinho... mas... que tal se a gente deixar pra amanhã? – Amanhã? – perguntou o velho com um tom esperançoso. – É... amanhã de manhã eu deixo o Jacobinho com a minha sogra idiota (isso saiu do fundo do coração) e à noite a gente tem o tempo todo do mundo só pra nós dois, ok, mas claro, com duas condições – A voz da Gaby era tão sensual que nem um pai de santo aguentava. – Quais? – perguntou o velho – A primeira é que a gente vá pra um lugar afastado da minha casa, não queremos que um vizinho fofoqueiro estrague nossa noite, né?" - perguntou Gaby, carregada de sensualidade.
"Nem que Deus permita, minha rainha... nem que Deus permita."
Apesar do nojo que agora sentia de Dom Cipriano, não conseguia evitar sentir uma certa graça pela tesão que notava no velho, e sua diversão aumentava quando imaginava a decepção que ele teria no fim da noite.
"E a outra coisa" - continuou Gaby - "é que a gente leve minha caminhonete. Depois que o melhor mecânico do mundo arrumou ela, quero exibir."
"Claro, o que você quiser, mamacita."
"Amanhã passa me buscar às 8 e daqui a gente sai, entendido?"
"Entendido, já não vejo a hora."
"Velho porco, se você não se importou em tentar foder minha vida, eu não vou me importar em foder a sua" - pensou Gaby.

Na manhã seguinte, Gaby sentia um estranho sentimento de culpa. De certa forma, tinha aceitado sair com um homem que não era seu marido. Sabia que não rolaria nada sexual e que, na verdade, seu plano era deixá-lo no ridículo, mas para conseguir isso precisava se passar por uma garota obediente que queria tudo com ele, e tinha que se mostrar gostosa, disponível, sexy. E isso, de certa forma, parecia uma leve traição.

Para aliviar a culpa, passou a manhã toda mimando seu nenuco (como chamava carinhosamente o Jacobo). Levou ele no parque cedo, depois no McDonald's pra tomar café, e terminaram vendo um filme infantil. Depois disso, com o plano em ação como tinha dito a Dom Cipriano, passou pra deixar o Jacobo com a avó.

E a mesma ladainha de sempre: a velha reclamando com Gaby, dizendo coisas tipo que mal o filho dela saía e ela já aproveitava pra sair com as "amigas" – clara insinuação de que não era com amigas. Mas naquele dia Gabriela não respondeu. Não tava com paciência, já tinha se cansado de brigar com a sogra. Ou talvez porque naquele dia a velha tinha um pouco de razão.

No fim da tarde, a loira começou a se arrumar pro "encontro". Tomou banho, se perfumou, escolheu cuidadosamente a As roupas que ia usar, tentando parecer extremamente gostosa. Pra aquela noite, Gabriela tinha decidido usar suas melhores roupas, as mais caras e as que mais destacavam sua voluptuosa anatomia. Primeiro escolheu uma calcinha fio-dental minúscula e um sutiã bem pequeno, ambos pretos. Vestiu a calcinha fio-dental, que era tão pequena que parecia que ela só usava um fiozinho na altura do quadril, porque as bundas enormes dela cobriam tudo. O sutiã minúsculo parecia que ia estourar, tentando segurar a majestade dos melões da dona. Depois do armário, pegou um vestido minúsculo que chegava acima das coxas, metade preto em cima e metade cinza embaixo, sem mangas, que desenhava perfeitamente a rabeta e os peitões dela. Soltou o cabelo loiro e passou os produtos de beleza típicos que as mulheres usam, depois se maquiou (embora não precisasse) e, por último, calçou uns saltos pretos finíssimos. Ao terminar, se olhou no espelho de corpo inteiro que tinha no banheiro. Ela sabia: tava espetacular. — Então é por isso que você queria me separar da minha família — falou pra si mesma no espelho, enquanto com as duas mãos pegava na rabeta espetacular. — Mas cê vai ver que isso é mais do que umas bundas — terminou dizendo e sorriu pra si mesma. A hora tava chegando, e o coração dela batia cada vez mais rápido, não sabia se tava fazendo a coisa certa. Gabriela andava de um lado pro outro pensando no que fazer, pensando se tava fazendo o certo. No fundo, sabia a resposta, mesmo que as circunstâncias fossem especiais, não devia fazer o que estava prestes a acontecer. Tava quase saindo com outro homem que não era o marido dela, mas não ia trair ele, isso nunca, e muito menos com um sujeito tão desprezível. Rapidamente pegou o telefone, torcendo pra não ser tarde demais pra cancelar aquele encontro extraconjugal, inventando qualquer desculpa. Começou a discar quando ouviu a campainha tocar. Se amaldiçoou: tinha sido muito lenta. Pergunto se ainda dava pra voltar atrás. O velho, ao ver a silhueta voluptuosa do que ele imaginava ser sua parceira sexual da noite, não conseguiu evitar se sentir o homem mais sortudo do mundo. Ela, por outro lado, sentiu repulsa ao ver o velho, que vestia uma camisa preta xadrez, uma calça jeans azul e botas de vaqueiro. — Boa noite, senhorita — disse o velho num tom bem sugestivo. — Boa noite, senhor — respondeu Gaby, lançando um sorriso provocante, promissor, sexy. A loira rapidamente pegou a bolsa que estava em cima da mesa de passar e num instante se dirigiu à saída, não queria que aquele homem pisasse um centímetro sequer da casa dela. A loira fechou a porta e enfiou a chave com intenção de trancar. *Plash*, foi o som retumbante da palmada violenta que o homem deu na esposa sensual. Não satisfeito, o homem não tirou a mão, mas a deixou ali, massageando a bunda da garota. "Droga, o que eu faço, ele tá me tocando", pensava a garota, tomada pelo desespero. Naquele momento, queria dar um soco nele, mas se quisesse seguir com o plano, tinha que aguentar. — Uuuhhhh, não seja tarado — foi o que conseguiu responder com seu sorriso sensual, afastando delicadamente a mão dele com a sua. No rosto do homem, só se via o sorriso de alguém que já se achava vencedor, que tinha certeza de que seria uma grande noite. — Já não aguento mais, Gabrielinha... me dá um gostinho — as mãos grandes do homem a puxaram para perto dele. Mesmo ela resistindo, adiantou pouco; o velho era muito forte. A garota conseguia sentir o calor que emanava daquele corpo gordo. Naquele momento, soube que era inútil resistir, precisava ser inteligente. — Não... aqui não... podem nos ver, jijijiji — riu Gaby nervosamente. — Não se faça de difícil, pelo menos um beijinho pro seu herói. O homem mantinha a mulher presa com suas duas mãos enormes, que estavam posicionadas a alguns centímetros acima da bunda carnuda dela. Só bastava um... Movimento pra apalpar elas, pra sentir aquela dureza com que tinha sonhado todas as noites desde que a conheceu. Não aguento mais e pego elas, aperto, senti elas em toda a sua grande dimensão, eram melhores do que eu imaginava, duras mas ao mesmo tempo macias, impactantes. Gabriela tava realmente preocupada que alguém pudesse ver eles (algum vizinho), tava numa situação comprometedora. Não tinha outra saída, de um jeito provocante, ela encostou os lábios nos do velho, e num instante tirou. Aquele beijinho foi o suficiente pra excitar ainda mais o velho. — Ai, seu moço, vamos pra outro lugar… Pra poder dar a massagenzinha que prometi ontem e também quero o que o senhor me prometeu, grande e duro, e garanto que vai terminar com um final feliz — sussurrou isso no ouvido esquerdo de Dom Cipriano, passando levemente a língua na orelha do velho — Uuuummm, que gostoso, gosto de macho, Aaaahhhh O velho, olhando fixamente pra garota, pegou a mão dela e praticamente puxando, incentivou ela a segui-lo em direção à saída do prédio, já não queria esperar mais. O velho levou ela pra um hotel que ficava uns 20 minutos do prédio onde a garota morava, fez isso na caminhonete dela, porque uma das condições que Gaby colocou era que usassem a caminhonete dela. A primeira proposta do mecânico tinha sido levá-la pra oficina dele, mas Gaby, lembrando do que ele disse no dia anterior, sobre colocar câmeras, recusou, dizendo que já tinha conhecidos por aqueles lados. O velho, por mais que insistisse, não conseguiu fazê-la mudar de ideia, então decidiu levá-la pra outro lugar. A viagem foi horrível pra garota, teve que aguentar todo tipo de cantada bem pesada, e além disso, o velho, completamente seguro de que já tinha ela na cama, não parava de massagear as pernas poderosas dela. O pior não era isso, o pior pra Gaby era ter que fingir que tava gostando, ter que usar aquela risada idiota pra ele não desconfiar, embora em certo momento ela se sentiu culpada. Reflito sobre o que o marido dela estaria fazendo enquanto ela se deixava apalpar por um sujeito que poderia ser pai dela, mas não tinha volta, eu precisava ensinar àquele homem que com a dona Gabriela Ramos de Guillen não se brinca. Estacionaram a caminhonete perto do hotel, era um prédio bem antigo, não dava pra dizer que era horrível, mas era bem precário, pelo menos a fachada, uns quantos andares que claramente estavam há anos sem uma pintada, uma placa enorme com a palavra motel em vermelho piscando, exceto pelo "o" que não funcionava. Gabriela via casais entrando e saindo (embora fossem mais os que entravam, dada a hora), e sentiu vergonha, na cabeça dela sabia, eles eram o "casal mais descombinado", os casais que ela via eram geralmente da mesma idade e características, diferente deles. Sentia que todos os olhares estavam fixos neles, e não estava muito longe da realidade, os homens se perguntavam como aquele sujeito nojento conseguia trazer pela cintura uma garota tão gostosa, se ele tinha pago algo e, se fosse assim, devia ser muito dinheiro. As mulheres rapidamente pensavam no mais óbvio, que era uma puta. Chegaram no recepcionista. — Boa noite — disse o recepcionista, que imediatamente notou a beleza da garota. — Preciso de um quarto — respondeu o velho, dava pra ver que estava apressado. — Cama de casal ou de solteiro? — perguntou o funcionário do hotel. — O senhor não tá vendo, não? — respondeu o velho irritado, enquanto com o olhar apontava pra Gaby. — Desculpe, senhor. O funcionário entregou as chaves do quarto, Seu Cipriano pagou e os dois se retiraram em direção a ele, com o olhar do recepcionista grudado no balanço sensual da bunda da casada, naquela hora ele desejou ter câmeras nos quartos. Com certa dificuldade, Seu Cipriano enfiou a chave na fechadura e abriu a porta, a ansiedade pra comer a Gaby era grande. Então a loira pôde ver o quarto, não era muito amplo, mas também não era Pequena demais, tinha só o necessário pro que os casais precisavam dela: uma cama no centro, encostada na parede, alguns móveis e um cômodo no fundo, que ela achou que era o banheiro. Os pensamentos da loira foram interrompidos pela voz do velho, que dizia: — Agora sim, gatinha… Vamos aproveitar como recém-casados. Lentamente, Cipriano se aproximava dela, que não sabia o que fazer. Precisava pensar rápido ou estaria em perigo. Sabia que um homem excitado era capaz de qualquer coisa.

Talvez vocês se perguntem o que exatamente Gabriela pensava ao se meter na boca do lobo, ao se expor daquele jeito com aquele homem que queria tudo com ela. Era simples: não podia deixar as coisas assim, não podia permitir que ele tirasse sarro dela e, menos ainda, da família dela. Era uma mulher independente, capaz de se virar sozinha. Quando alguém tentava machucá-la, ela sabia se defender, e nesse caso não era exceção. O plano dela era expor ele na frente de todo mundo, fazer a mulher dele perceber que tipo de homem ele era, e pra isso tinha guardado uma surpresa.

— Espera aí um pouquinho, seu… Que tal se eu der a massagem que prometi ontem? — perguntou Gaby com aquela voz cheia de inocência.

— O que você quiser, minha rainha — respondeu Cipriano.

“Porco velho… Enquanto você tá aqui com outra mulher, sua pobre esposa deve estar preocupadíssima com você”, pensava Gaby. “Mas você vai se arrepender de ter aceitado minha proposta.” Foi nesse instante que Gaby percebeu que Don Cipriano tinha tirado a camisa xadrez. Era uma visão nojenta: a barriga enorme de Don Cipriano subia e descia por causa da respiração ofegante, os pelos grossos dele pareciam sujeira de longe. Definitivamente, era um cara nojento.

— Não, ainda não — disse Gaby, percebendo que o velho tentava tirar a calça e depois a cueca.

— O que foi, rainha? — perguntou Don Cipriano, sem entender a reação dela.

Gaby, vendo que tinha reagido mal, disse: — Vai pro Banheiro, tire a roupa e pegue uma toalha. O velho, que ainda não entendia por que não podia se despir ali, ficou imóvel até que Gaby continuou: — Me excita esperar… quero me surpreender com seu pauzão e brincar muito com ele. Dom Cipriano sorriu, era a primeira vez que ouvia uma mulher tão gostosa falar sobre o membro dele. — Te garanto que meu cacete não vai te decepcionar, gatinha… daqui a pouco vou fazer você gritar que nem uma loba. Ele se aproximou perigosamente da anatomia de Gabriela, que rapidamente se colocou na defensiva, mas o homem foi mais rápido: com um puxão, atraiu ela para perto e deu um puta beijo nela, que a garota recebeu de má vontade. A mente dela oscilava entre empurrá-lo e continuar beijando; precisava manter as aparências, fazer ele acreditar que estava gostando. O velho era habilidoso e alcançava lugares profundos na boca da loira, aproveitando para massagear o corpo do que ele já achava que era sua amante. Adorava passar as mãos na bunda enorme da garota e subir pela cintura fina dela. Sentia que a garota resistia, mas não o suficiente para afastá-lo, então continuou. O cheiro que o homem exalava da boca era nojento para Gabriela — uma mistura de álcool e tabaco, duas das coisas que ela mais odiava na vida. Mas algo estava acontecendo dentro dela, algo estranho. Aquele homem era o típico mexicano: machista, sujo, infiel, mulherengo — coisas que ela odiava num homem. Mas, naquele momento, nos braços dele, ela se sentia estranha. O jeito como ele a beijava sem cerimônia e sem pedir permissão não a incomodava tanto quanto ela pensava. Sentia-se protegida, desejada, enfim, como uma mulher — algo que nunca tinha sentido com o marido. Para seguir seu plano, ela devolveu o beijo. A língua dela começou a brincar com a de Dom Cipriano, e as mãos dela (que até então estavam sobre as dele, tentando afastá-las) pararam de fazer pressão e foram para o pescoço de Dom Cipriano.

2 comentários - Gabriela, uma casada gostosa 1.3