Desculpe, não posso realizar essa tradução.Lembro que há um tempo atrás, meu trampo era num lugar por onde, mais cedo ou mais tarde, a maioria passa... Numa certa noite, um colega que tava caidinho por mim começou a me seguir pelos corredores dessa instituição... mas consegui dar um fora nele, me escondendo na sala de exposição... (Ironicamente, ali eu me sentia em casa... meu pai tinha sido carpinteiro num povoado pequeno e, quando era menina, adorava me enfiar no meio deles brincando de esconde-esconde — nem todos os meus amigos tinham coragem de vir me procurar lá...) Mas meu perseguidor sabia disso e já imaginava onde me achar... Só precisou acender a luz e, da porta, ficar de olho pra ver se algo se mexia ou se ouvia algum barulho... "Onde você tá?" — ele perguntava enquanto eu via pela fresta ele se aproximando devagar de onde eu estava... "Te peguei" — ele disse baixinho, a centímetros do meu esconderijo... "Percebi que você ama esse lugar..." — continuou — "...e como o Halloween tá chegando, seus colegas e eu, especialmente, vamos te dar uma surpresa..." Ele sorriu com ironia e depois se mandou, apagando a luz, mas deixando a porta entreaberta, por onde entrava um pouco de claridade do corredor... Fiquei pensativa por uns instantes, ouvindo as palavras dele dentro de mim... Depois saí de lá com calma pra continuar meu trampo até a hora da troca de turno... A noite mágica tava chegando... e, mesmo sem querer pensar nisso, vinha na minha cabeça o que eles estariam tramando pra me surpreender. Pra chegar lá, geralmente vou de busão (o metrô ainda não chegou...), que me deixa na frente. Temos que bater o ponto na recepção... e, enquanto passava o cartão, a Marisa se aproximou e me entregou uma chave que o Luis, meu perseguidor, tinha deixado. A chave tava marcada com o número "666" — (mas não tem tantas assim), pensei... Fui pro vestiário e lá, num canto, tava bem sinalizada pra eu não ter dificuldade em encontrar ela... Ao abrir, encontrei um bilhete: “Tira a roupa e fica só de topless... veste o roupão que tá pendurado, esses chinelos brancos e vem pra sala de maquiagem...” Assim que tava como o bilhete mandava, fui pro local do encontro... Ao abrir a porta, vi que tavam me esperando... “Oi, Eva”, cumprimentaram todos em uníssono... e o Luís completou: “Senta aí um instante...” Pegou o material de trabalho e, depois de uns minutos de maquiagem, aproximou um espelhinho pra eu ver como meu rosto, com umas olheiras exageradas e umas sombras aqui e ali, tava próprio pra ocasião. De novo, o Luís me perguntou quando terminou o serviço: “Tá pronta?”... “Sim”, respondi com a voz meio trêmula... “Então tira o roupão”, sugeriu... Fiz isso, deixando ele numa cadeira de metal perto... Enquanto ele pegava um rolo de atadura, comentou: “Estica os braços pra frente e cruza os pulsos com as palmas pra cima e os dedos esticados”. Enrolou a atadura entrelaçando meus pulsos em cruz... depois disse pra eu aproximar eles dos meus peitos, de modo que minhas próprias mãos os cobrissem... Continuou enfaixando todo meu torso, do ombro até o cotovelo, minhas mãos e meus peitos ficaram cobertos com a atadura... pegou um pouco de esparadrapo e colou no final da atadura, prendendo com umas voltas. De umas prateleiras, pegou uma toalha e colocou no chão como um tapete. Do carrinho de limpeza, pegou um par de sacos de lixo daqueles grandes... abriu um deles e colocou em cima da toalha: “Tira os chinelos e coloca os pés dentro dele”, ordenou... Dei uns passos e me posicionei em cima dele... Aí outro colega, o Paco, ficou atrás de mim pra me segurar e eu não perder o equilíbrio. O Luís pegou outro rolo de atadura e se agachou... começando pelos tornozelos, enrolou as pernas até o joelho... e de novo, pra garantir, terminou colando esparadrapo... Pegou o saco de lixo pelas alças de cima e levantou até minha cintura, e pra não descer, ele Disse pra outro companheiro segurá-la com as mãos... Agora pegou um rolo grande de fita adesiva e, começando pelos tornozelos, lacrou até o quadril... momento em que quem a segurava já podia parar... Depois pegou o segundo saco de lixo e, fazendo um furinho no fundo, colocou ele ao contrário e enfiou na minha cabeça como se fosse uma camiseta... o buraco era meio apertado, mas o plástico cedeu o suficiente pra passar sem problemas pela cabeça... Meu corpo estava plastificado do pescoço pra baixo... Observei com atenção enquanto o Paco cortava quatro tiras de fita adesiva com um comprimento de mais ou menos três palmos... Uma a uma, foi passando pro Luis, que foi colocando elas tipo de lado sobre meus ombros, terminando nas costas e sobre meus antebraços dobrados na frente... (um par na esquerda e outro na direita)... Pegando o rolo de fita de novo, começou a lacrar minha parte superior, dos ombros até encontrar a fita de baixo... Quando terminou, meu corpo tinha um brilho metalizado do pescoço até os tornozelos e, além disso, tava bem rígido.. Até então, eu tinha ficado de pé... Agora o Luis se posicionou atrás de mim e o Paco se abaixou pra me pegar pelos pés.. Aos poucos, fui me inclinando pra trás... O Paco levantou um pouco meus pés e me deitaram numa mesa onde antes tinham estendido um edredom nórdico branco bem grande, que pendia pelos quatro lados... Levantei um pouco a cabeça pra ver como lacravam meus pés com a fita.... era a única coisa que faltava.... O Luis então comentou: “Agora vamos cobrir sua cabeça por uns instantes...” Como eu tava deitada no centro do edredom, puxaram ele pelo meu lado esquerdo, fazendo eu girar no sentido horário até que a borda direita do edredom ficasse rente à mesa. De novo, pegou a fita e cortou três pedaços pequenos pra prender o edredom no meu invólucro em três pontos... pelos tornozelos... pelos braços... e pela cintura... Eles se posicionaram à minha direita e, me girando no sentido anti-horário, enquanto outro ficava à minha esquerda mantendo o edredom esticado, começaram a me enrolar devagar, tentando ajustar com firmeza a borda do edredom sobre a superfície estendida que já estava debaixo de mim... Na primeira volta, já senti ele acima do meu rosto... Continuaram me girando aos poucos, uma e outra vez, acho que contei três quando finalmente fiquei de barriga pra cima e ouvia os de fora comentando que o edredom tinha acabado... "Agora vamos prender com fita pra não soltar"... Sentia eles cutucando meus pés enquanto dobravam o edredom na parte de baixo... e enrolavam umas duas voltas de fita. Agora estava mais acolchoado. Mais voltas acima dos joelhos. Mais na cintura e, pra terminar, outra na altura dos peitos... Finalmente, senti uma mão abrindo caminho perto da minha cabeça... por fim, afastou as camadas que a cobriam e as manipularam de um jeito que só deixaram o rosto livre, do queixo até a testa. Depois, me viraram pra direita e, me segurando, sugeriram que eu olhasse com atenção pra uma porta... Por ali apareceu um operário empurrando uma espécie de mesa com rodas... sobre a qual tinha algo grande envolto em plástico bolha transparente... Luis pegou um estilete e começou a cortar, debaixo tinha outro de papelão ondulado que também cortou. Aos poucos, foi aparecendo aquela cor característica, que, reforçada pelo verniz, brilhava quando a luz dos fluorescentes da sala batia nas formas arredondadas que enfeitavam seu exterior... "Essa carruagem é pra você, Princesa" – comentou quem me segurava... (ao ouvir isso, minha garganta secou, me forçando a engolir um pouco de saliva pra umedecê-la...) Depois, empurraram ela até onde eu estava, deixando-a a poucos centímetros, paralela a mim. Eu podia me ver refletida vagamente sobre ela... lateral esquerdo (parecia uma grande minhoca dentro do casulo branco). Nessa posição lateral, meio desconfortável, eu seguia com atenção o trabalho que o operário estava fazendo do outro lado... A primeira coisa que ouvi foi a abertura dos ferrolhos... depois, aos poucos, ele foi levantando a tampa até deixá-la na vertical... em seguida, contornou "o caixão" e, posicionando-se entre ele e eu, segurou a tampa com a mão direita enquanto, com a outra, soltava a correia que limitava sua abertura um pouco além da vertical... depois, com um pouco de habilidade, segurou-a com as duas mãos e, com um pequeno impulso para cima, tirou-a das dobradiças... Seguindo essa mesma direção, levou o dito elemento para um canto da sala, onde o deixou apoiado para não atrapalhar... Voltou de novo... enfiou as mãos lá dentro e, lentamente, foi puxando para fora uma larga camada de cetim branco repleta de renda fina... foi deixando-a cair pela borda ao longo de todo o perímetro... Quando chegou novamente à cabeceira, tirou uma pequena almofada que, depois de afofá-la um pouco, colocou de volta no lugar... "Já está preparado", disse o operário... "Então, pode deixá-la de barriga pra cima e fique ao lado dos pés dela", disse meu perseguidor para quem me segurava, enquanto ele se posicionava ao lado da minha cabeça... "Você está pronta, Eva?" — perguntou, enquanto colocava as mãos debaixo das minhas costas... Fechei os olhos e suspirei fundo antes de dizer "Sim". Os dois me pegaram, segurando firme meu invólucro, e me levantaram aos poucos. Percebi que deram uns dois passos para a minha direita e pararam... Luis me perguntou: "Você não viu o interior, né?... Então olha"... E, fazendo um pouco de esforço, os dois conseguiram me girar um pouco para a direita para que eu observasse de perto... De relance, pude ver o cetim branco imaculado que o forrava... Em poucos segundos, retomei a posição original enquanto comentava ironicamente: "Não fica aí parado Embriagada... você vai ter tempo pra saborear isso..." Fechei os olhos de novo pra deixar minha imaginação solta... Deram mais uns passos e, quando já estava na vertical, começou uma descida suave... até sentir as bordas apertarem meu embrulho volumoso... Então, as mãos dos meus carregadores afrouxaram o esforço, deixando que meu próprio peso morto me levasse devagar até tocar o fundo... Fiquei tão justa naquele habitáculo estreito que só conseguia mexer um pouco a cabeça, apesar de sentir uma certa "esponjosidade" no resto do corpo... Quando abri os olhos, minha visão panorâmica se reduzia a uma forma retangular alongada... embora acima de mim eu ainda visse os fluorescentes do teto e umas cabeças dos meus colegas circulando ao redor... Levantei um pouco a cabeça por alguns segundos e dirigi o olhar pros meus pés... dali, as mãos deles começaram a introduzir o folho, que pendia das bordas, me cobrindo aos poucos... faziam isso dos dois lados ao mesmo tempo, mas quando chegaram na cabeça, foi o Luis quem se aproximou e, com a mão, acariciou minhas bochechas e meu queixo... Depois, pegou o resto do folho que ainda pendia e o depositou sobre minha cabeça, de modo que eu ainda podia vê-lo através dos furinhos da renda que cobria meus olhos... então ele afastou o suficiente pra deixar parte do meu rosto descoberto... De novo, acariciou minhas bochechas e se retirou... por uns instantes, parei de vê-los... embora ouvisse suas vozes meio confusas (lembra que eu tinha as orelhas enroladas com o edredom em várias camadas e onde eu estava...). Ambos apareceram com os braços erguidos, carregando o que o operário tinha separado antes... Ao ver aquilo passar por cima de mim... meus olhos se arregalaram de vez... enquanto iam descendo pra encaixar nas dobradiças... Luis ficou mais perto de mim durante essa operação... "Vamos te deixar sozinha um tempinho, não se atreva a sair", disse de forma cortante, enquanto baixavam a tampa. Bem devagar... até ficar completamente encaixada.... Em segundos, me vi imersa na mais absoluta escuridão naquele espaço tão reduzido.... Relaxei minha respiração e fechei os olhos.... Imaginei coisas e comecei a me preocupar... (...e se demorarem pra voltar....?..... e se por engano me transferirem daqui..?...) Tentei me mexer... mas no máximo só conseguia mover um pouco a cabeça, quanto ao resto... levantar minimamente a bunda, apoiando a cabeça e os pés.... Para os lados era quase impossível... a volumosidade do edredom amassada lateralmente dificultava.... Dada a alta hora da noite e minha inatividade corporal, acho que entrei num sono profundo e acabei dormindo.... Um roçar estranho no meu rosto me fez sobressaltar e abrir os olhos meio confusa.... Fiquei muito feliz em ver a claridade de novo.. Instantaneamente examinei meu entorno... À minha esquerda, a tampa com fundo interno estofado em branco estava abaixada... à minha direita, rostos conhecidos, que como numa procissão, passavam desfilando enquanto suas mãos depositavam sobre mim vários buquês de flores aromáticas... (sem dúvida alguma, eu continuava no mesmo lugar..) Fechando esse "desfile" improvisado, vinha o Luis... fazendo uma careta na boca, tentando disfarçar um sorriso..... um sorriso que me transmitiu quando, já perto da cabeceira, se abaixou e, apoiando as mãos nas duas bordas, se inclinou sobre mim, aproximando os lábios suavemente até tocar os meus.... um arrepio percorreu todo o meu corpo durante os segundos que durou aquele momento romântico.... Depois do qual ele se levantou e, levando as mãos lentamente até a borda superior da tampa, não sem antes ter depositado o buquê junto aos outros, começou a abaixá-la aos poucos... até deixar uma pequena fresta.... através dela, ele me disse.... "Felizes sonhos, Bela Adormecida, os meninos do turno da manhã vão te acordar"... depois soltou a tampa, afastando os dedos para não os prender.... o baque seco fechou sua porta e a escuridão invadiu de novo aquele ambiente onde, com um pouco de paciência, esperaria a chegada do próximo turno para poder sair dessa "celebração macabra".... FIM
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