PRECISO FUMAR
00:26. A cabeça da Nadja sobe e desce. Eu olho o cabelo bagunçado dela e passo meus dedos por ele. Minha cabeça está apoiada no travesseiro, e em cima do travesseiro, de qualquer jeito, está a almofada que uso pra ler na cama. Meu corpo está totalmente esticado, de barriga pra cima, de um jeito que meu pescoço faz um ângulo desconfortável e meio antinatural que eu chuto ser uns 52º. Vejo os poucos pelos do meu peito e como minha pele se curva pra cima onde minha barriga alarga o abdômen. No fim, a curva desce e dá pra adivinhar o começo dos meus pelos pubianos e a cabeça da Nadja sobe e desce, se dedicando num trabalho caprichado e gostoso que envolve, em intervalos regulares, a língua, os lábios e, de leve e às vezes, os dentes, como sem querer.
Brincando com o cabelo dela.
00:28. É terça-feira, e amanhã tenho um dia de louco. Temos que depurar todo o código do módulo novo de checkout e pagamento com cartão de crédito. O modelo de integração com o terminal de pagamento virtual do BBVA é complexo, e estamos tendo problemas pra abrir um canal SSL. A cabeça da Nadja sobe e desce, e eu sinto meu sangue correndo pro chamado da boca dela, macia, de lábios grossos, delicados, carinhosos. O cabelo dela se espalha na minha cintura e, de vez em quando, ela levanta o olhar e nossos olhos se cruzam. Me sinto duro, tenso, grato, nervoso, terrivelmente excitado. Tô com medo. Fecho os olhos e consigo visualizar pedaços dos programas que tão dando problema sem fazer muito esforço de memória. Me pergunto se ela vai achar que a gente tá namorando. A pergunta me assusta e minha testosterona recua. A pressão sanguínea baixa e a tensão entre os espaços intercelulares cai.
00:31. Definitivamente tenho que fazer alguma coisa com aquele relógio. Ele me distrai quando tento dormir, e me distrai agora enquanto a Nadja retomou o controle da situação, levanta o olhar, para por um segundo e passa a língua de leve pelos lábios. avermelhados, que consigo adivinar molhados, lubrificados. Será que ela está se apaixonando por mim? Ela abaixa a testa. A cabeça dela sobe e desce, e agora ela pega um ritmo. Eu fecho os nós dos dedos, agarrando uma onda do cabelo dela. Tento me contrair, mas é difícil. Ela está sugando minha vontade. Uma dor formigante nasce no centro do meu cérebro e se espalha pelos meus braços e pernas, uma sensação de formigamento no paladar me derrota, e enquanto arqueio as plantas dos pés, me derramo na boca dela numa explosão de milhares de pontos de dor e prazer. Consigo sentir como a informação orgásmica se propaga pelo meu sistema nervoso, num concerto de sinapses que axônios e dendritos executam de forma coordenada, sincronizando vários milhões de operações de troca elétrica intercelular em alguns milhares de milissegundos, enquanto fecho os olhos, soltando o ar preso nos meus pulmões, exatamente às 00:32.
Agora ela está por cima de mim. Me beija longa e profundamente, e consigo me reconhecer no gosto amargo da língua dela. Coloco as mãos nas nádegas nuas dela e olho nos olhos dela. Quero contar pra ela minha comoção, expressar gratidão, dizer que quero morrer uma e outra vez na boca dela, milhares de vezes até me esvaziar por completo, até que não sobrem em mim restos daquela solidão que me corrói e consome há tantos anos. Quero servir minhas tripas numa bandeja pra ela e entregar minhas armas, render aos pés dela os arautos da minha fúria e da minha dor. Respiro fundo, tentando conjurar uma emoção que sinto nascer no meu peito, tenho vontade de chorar sobre a pele dela, lambuzá-la com minhas lágrimas pra depois recuperar o sal dela com a língua e os dentes, beijá-la dos pés à cabeça e me submeter ao feitiço dela de saliva e suor fresco, tenro. Busco os olhos dela com os meus, e abro a boca pra dizer o que estou sentindo.
- Isso não tá certo – eu me ouço dizer.
- O quê? – na voz dela descubro um tom dolorido e ofendido. – Faço uma pausa longa, tento organizar meus pensamentos. Sorrio.
- Nada, é que foi Foi lindo. Adorei. Preciso fumar.
É um conto que peguei na internet há um tempo, não lembro o site. Espero que gostem.
00:26. A cabeça da Nadja sobe e desce. Eu olho o cabelo bagunçado dela e passo meus dedos por ele. Minha cabeça está apoiada no travesseiro, e em cima do travesseiro, de qualquer jeito, está a almofada que uso pra ler na cama. Meu corpo está totalmente esticado, de barriga pra cima, de um jeito que meu pescoço faz um ângulo desconfortável e meio antinatural que eu chuto ser uns 52º. Vejo os poucos pelos do meu peito e como minha pele se curva pra cima onde minha barriga alarga o abdômen. No fim, a curva desce e dá pra adivinhar o começo dos meus pelos pubianos e a cabeça da Nadja sobe e desce, se dedicando num trabalho caprichado e gostoso que envolve, em intervalos regulares, a língua, os lábios e, de leve e às vezes, os dentes, como sem querer.
Brincando com o cabelo dela.
00:28. É terça-feira, e amanhã tenho um dia de louco. Temos que depurar todo o código do módulo novo de checkout e pagamento com cartão de crédito. O modelo de integração com o terminal de pagamento virtual do BBVA é complexo, e estamos tendo problemas pra abrir um canal SSL. A cabeça da Nadja sobe e desce, e eu sinto meu sangue correndo pro chamado da boca dela, macia, de lábios grossos, delicados, carinhosos. O cabelo dela se espalha na minha cintura e, de vez em quando, ela levanta o olhar e nossos olhos se cruzam. Me sinto duro, tenso, grato, nervoso, terrivelmente excitado. Tô com medo. Fecho os olhos e consigo visualizar pedaços dos programas que tão dando problema sem fazer muito esforço de memória. Me pergunto se ela vai achar que a gente tá namorando. A pergunta me assusta e minha testosterona recua. A pressão sanguínea baixa e a tensão entre os espaços intercelulares cai.
00:31. Definitivamente tenho que fazer alguma coisa com aquele relógio. Ele me distrai quando tento dormir, e me distrai agora enquanto a Nadja retomou o controle da situação, levanta o olhar, para por um segundo e passa a língua de leve pelos lábios. avermelhados, que consigo adivinar molhados, lubrificados. Será que ela está se apaixonando por mim? Ela abaixa a testa. A cabeça dela sobe e desce, e agora ela pega um ritmo. Eu fecho os nós dos dedos, agarrando uma onda do cabelo dela. Tento me contrair, mas é difícil. Ela está sugando minha vontade. Uma dor formigante nasce no centro do meu cérebro e se espalha pelos meus braços e pernas, uma sensação de formigamento no paladar me derrota, e enquanto arqueio as plantas dos pés, me derramo na boca dela numa explosão de milhares de pontos de dor e prazer. Consigo sentir como a informação orgásmica se propaga pelo meu sistema nervoso, num concerto de sinapses que axônios e dendritos executam de forma coordenada, sincronizando vários milhões de operações de troca elétrica intercelular em alguns milhares de milissegundos, enquanto fecho os olhos, soltando o ar preso nos meus pulmões, exatamente às 00:32.
Agora ela está por cima de mim. Me beija longa e profundamente, e consigo me reconhecer no gosto amargo da língua dela. Coloco as mãos nas nádegas nuas dela e olho nos olhos dela. Quero contar pra ela minha comoção, expressar gratidão, dizer que quero morrer uma e outra vez na boca dela, milhares de vezes até me esvaziar por completo, até que não sobrem em mim restos daquela solidão que me corrói e consome há tantos anos. Quero servir minhas tripas numa bandeja pra ela e entregar minhas armas, render aos pés dela os arautos da minha fúria e da minha dor. Respiro fundo, tentando conjurar uma emoção que sinto nascer no meu peito, tenho vontade de chorar sobre a pele dela, lambuzá-la com minhas lágrimas pra depois recuperar o sal dela com a língua e os dentes, beijá-la dos pés à cabeça e me submeter ao feitiço dela de saliva e suor fresco, tenro. Busco os olhos dela com os meus, e abro a boca pra dizer o que estou sentindo.
- Isso não tá certo – eu me ouço dizer.
- O quê? – na voz dela descubro um tom dolorido e ofendido. – Faço uma pausa longa, tento organizar meus pensamentos. Sorrio.
- Nada, é que foi Foi lindo. Adorei. Preciso fumar.
É um conto que peguei na internet há um tempo, não lembro o site. Espero que gostem.
1 comentários - Preciso fumar um. (hetero)