- Bom dia, Gustavo, foi o cumprimento cristalino e brincalhão que o recebeu quando entrou no supermercado. Atrás, o pai dela estava arrumando alguns produtos.
- Bom dia, Luciana, oi, Jorge, foi a resposta medida e controlada como sempre, embora os olhos dele brilhassem ao ver a pessoinha que o cumprimentava: loira, 1,70, esbelta, um corpo desejável sem ser exuberante, olhos azuis, um rosto que, sem ser uma beleza perfeita, era muito sensual e atraente. No fim, uma mulher linda de uns 35 anos, que para os seus 55 era um sonho completo.
Fazia 25 anos que ele morava no bairro, e lembrava quando, nos primeiros tempos, ao começar a ir ao mercado, a via brincando de atender os clientes. Uma menina linda, alegre e safada, que atrapalhava mais do que ajudava.
Quando ela fez 16 anos, explodiu, se transformando na mulher que é hoje. Casou e teve dois filhos. O marido viajava o tempo todo e aparecia pouco. Ela passava os dias entre a casa com os filhos e o negócio da família, que cada vez mais ficava sob a responsabilidade dela. Os pais, aos poucos, estavam se aposentando e deixando ela no comando.
Ele percorreu as prateleiras escolhendo o que precisava, enquanto a ouvia atender os outros. A voz dela era atenciosa, mas ele juraria que, quando se dirigia a ele, ganhava um tom mais íntimo, mais próximo. Mas com certeza era imaginação dele. Tantos vezes tinha sonhado em ter ela nos braços que a mente pregava uma peça nele. Para piorar, ela morava perto da casa dele, então era muito comum vê-la passar, e em toda oportunidade, os olhos dela brilhavam e ela o cumprimentava com muita simpatia. Ele precisava se convencer de que as atenções que achava receber tinham mais a ver com o tempo que se conheciam do que com outra coisa. Mas as fantasias não podem ser controladas.
Ele chegou ao caixa e lá Luciana começou a somar as compras, enquanto perguntava sobre o trabalho dele, a esposa e os filhos.
Sim. Gustavo era casado há 30 anos e tinha dois filhos. um de 28 e a mina de 25. Os dois já independentes e morando em outra cidade, maior e mais movimentada que essa cidadezinha, onde ele passava os dias. De qualquer forma, só 30 km separavam ele da cidade grande, então se viam direto.
Finalmente, ele deu o total e Gustavo pagou.
- Aqui está seu troco - disse, tratando ele por "você" como sempre. Espero que volte logo - falou, olhando fixamente nos olhos dele.
- Sempre que der, Luciana, sempre que der - respondeu, virou as costas e saiu.
Luciana viu ele partir, e ficou com aquele gostinho estranho na boca. Desde pequena, sempre sentiu atração por aquele homem, e apesar dos anos que passaram, ele ainda provocava nela a mesma sensação, aquelas borboletas no estômago e uma plenitude que a preenchia. Depois ela se casou, amava o marido e os filhos, mas aquele homem ainda mexia com ela como no primeiro dia. Sempre pensou que só se sentiria mulher de verdade nos braços dele.
Já no caminho pra casa, ele não conseguia parar de pensar nela. Sim, conhecia ela desde pequena, mas ela não era mais uma garotinha. O que aconteceria se ele tentasse alguma coisa? Era impossível. O único lugar onde a via era no comércio, e sempre tinha outras pessoas por perto. Na rua, nem pensar em falar com ela, porque na hora chamaria a atenção de todos os vizinhos.
Mas ele não conseguia parar de pensar nela. Sentia que era uma oportunidade que chegava pra ele se sentir vivo de novo. O casamento dele era uma rotina sem graça. Amava a esposa, mas o romantismo e o sexo já tinham ido embora. De repente, com Luciana, ele sentia que voltava à juventude.
Precisava fazer alguma coisa, mas não imaginava o quê.
Naquela tarde, enquanto tomava banho, lembrou de Luciana e, como um adolescente, se masturbou debaixo do chuveiro, sonhando que a tinha à mercê dele. Finalmente, decidiu que essa situação precisava ter um fim, pra bem ou pra mal. Os dois já eram crescidos e as coisas deviam poder ser conversadas de frente.
Na próxima visita dele ao comércio, enquanto passava pelo caixa, e aproveitando que não tinha ninguém Nenhum parente por perto, deu pra ficar batendo papo mais um tempinho. Luciana começou a perguntar sobre os filhos dele.
— Tão lá, cuidando das coisas deles como sempre — respondeu ele, atencioso.
— Deve ser legal morar na cidade, né? — comentou ela.
— Bom, tem coisas boas e ruins.
— Eu adoraria morar lá, mas minha família e meu trabalho são aqui.
— Achava que você era feliz nesse lugar.
— Não tô reclamando, mas a cidade permite outras coisas. Principalmente não ficar sempre sendo observada e vigiada por todo mundo — disse com desdém.
— Isso é verdade. Aqui não dá pra fazer nada. Até a ação mais inocente vira suspeita.
Os olhos dela brilharam.
— É exatamente o que eu sempre falo. Quando consigo dar um pulo na cidade, me sinto livre.
Uma luz de atenção brilhou na mente de Gustavo.
— E você vai com frequência?
— Não muito, mas a cada 15 dias tiro uma manhã pra mim.
— Isso é bom. E o que você faz quando vai?
— Ah, nada. Fico olhando vitrines. Entro no shopping do centro. Tomo um café.
— Bom, se a gente se encontrar um dia, vou te pagar esse café — disse ele, cheio de intenção.
Ela olhou pra ele e sorriu.
— É uma promessa que aceito de boa. Mas você tá se aproveitando, porque é muito difícil a gente coincidir.
— Então vamos fazer uma coisa. Quando você for na próxima vez, me liga. Aqui, vou deixar meu número. E se por acaso eu viajar, a gente combina, que tal?
— Tá bom, mas não quero que você se sinta obrigado — disse ela com malícia.
— Por favor. Não é obrigação nenhuma. Na verdade, seria um sopro de ar fresco na rotina do dia a dia — respondeu ele.
Saiu do comércio transformado. Se sentia vivo e jovem. Nada tinha acontecido e com certeza nada ia acontecer, mas o rumo que a relação tinha tomado deixava ele satisfeito. Pelo menos tinha agido pra que as coisas mudassem.
Luciana sentia as pernas tremendo. Gustavo tinha aberto a porta pra uma oportunidade. Será que ela teria coragem de jogar esse jogo?
Tudo seguiu como sempre. Os dias passaram e nada aconteceu. Gustavo não tocou mais no assunto nas vezes que foi fazer as compras. Com certeza ela tinha sido muito atenciosa pelo tempo que se conheciam, mas daí a compartilhar com ele um tempo fora do estritamente social, era um salto muito grande. E por outro lado, ela devia ter muitos jovens da idade dela com quem sentar pra conversar, se realmente quisesse fazer isso.
Uma noite, ele estava no quarto dele vendo televisão. A esposa dele estava na sala de jantar vendo uma novela e ele tava interessado em acompanhar uma entrevista que passava em outro canal. De repente, o celular dele tocou. Número desconhecido. 11 da noite. Pensou em não atender, achando que era engano.
Meio sem vontade, atendeu.
- Alô
- Alô, é o Gustavo?
- Sim, é ele, quem é? Perguntou irritado
- Desculpa te incomodar a essa hora. Sou a Luciana
O coração dele parou por um instante. Um arrepio percorreu o corpo dele.
- Luciana, que surpresa. Não esperava que fosse você. Sinceramente, achei que era alguém querendo encher o saco, disse apressado.
- Desculpa, não quero te atrapalhar, disse Luciana se desculpando.
- Não tô falando de você. Você nunca me atrapalharia. O que você precisa?
- Nada. Bom, na verdade, o que acontece é que amanhã de manhã vou pra cidade, e se por acaso você estiver aí, podia me pagar aquele café que prometeu.
- Com todo prazer. Vamos fazer o seguinte: amanhã de manhã te ligo se eu viajar e a gente combina onde se encontrar, quer?
- Perfeito. Eu vou viajar de manhã cedo porque tenho que fazer várias compras, mas acho que no meio da manhã vou estar livre. Se você tiver um tempinho, a gente se fala.
- Claro. Fica tranquila. E obrigado por ligar, disse educadamente.
- Não, por favor, e desculpa o incômodo. A gente se fala, disse Luciana e desligou.
Ele ficou ali, sem fôlego. Não conseguia acreditar que aquilo tava acontecendo. Ficou deitado, mas o noticiário na TV passou sem que ele percebesse. Ficou pensando no dia seguinte, em como aproveitar aquela que seria a única chance dele.
Quando a esposa dele veio se deitar, interrogou ele.
- Quem Pareceu que ele ouviu o celular. Te ligaram?
- Sim. Um cliente que precisa que amanhã cedo eu vá vê-lo no escritório dele na cidade.
- Que pena que ele avisou tão em cima da hora. Eu adoraria ter dado um passeio, mas amanhã já tenho compromissos, disse a esposa, decepcionada.
- Olha, não sei até que horas ele vai me prender, então é melhor a gente marcar um passeio outro dia, quando pudermos sair os dois juntos, não acha?
- Sim, você tem razão. Não dá pra misturar trabalho com prazer, porque depois o tempo não sobra nem pra uma coisa nem pra outra.
No dia seguinte, ele acordou cedo, tomou banho, se arrumou com muito cuidado. A esposa dele ainda estava dormindo, então não pôde estranhar a situação. Deu um beijo nela, subiu no carro e partiu.
Ao chegar, pegou o celular e ligou pra Luciana.
- Oi, respondeu uma voz cristalina
- Oi Luciana, onde você tá?, perguntou
- Gustavo! Achei que você não viria, ontem à noite te notei muito ocupado.
- É verdade, mas adiantei algumas coisas que tinha que fazer e de quebra cumpro minha promessa.
- Já se livrou dos compromissos?
- Tenho meia hora, mentiu, onde a gente pode se encontrar?
- Conhece o Café das Artes?, com a resposta afirmativa, ela completou “a gente se vê lá em 45 minutos, que tal?”
- Perfeito. Um beijo, respondeu Gustavo.
- Beijo pra você também, disse Luciana.
Gustavo dirigiu devagar até perto do local do encontro e estacionou a meia quadra do café. Ficou dentro do carro matando tempo, e quando chegou a hora, desceu e foi pro ponto de encontro.
Ao entrar, olhou em volta. No fundo, numa mesa, Luciana fez sinal pra ele. Sem pressa, foi até lá.
Quando chegou, Luciana se levantou e ofereceu a bochecha, que ele beijou suavemente.
- Tá esperando muito? Desculpa se demorei, mas o trânsito tava um caos, mentiu
- Não, cheguei há 5 minutos, além disso, disse olhando pro relógio, você chegou na hora certa. Eu que tava mais impaciente, falou rindo.
Eles se sentaram e começaram a... Falar das coisas cotidianas do bairro. Uma moça se aproximou e pediram dois cafés com leite. A conversa era muito agradável, e os minutos voavam. Das coisas comuns do bairro, passaram para os assuntos de família. O trabalho, os filhos, a família, e acabaram desaguando no casamento.
Gustavo estava casado há 25 anos e tinha dois filhos já crescidos. Luciana estava casada há 12 anos e tinha três filhos de 11, 8 e 5 anos.
- Pois sempre me admirei como a maternidade te caiu tão bem. Você está mais gostosa agora do que quando se casou, disse ele, puxa-saco.
- Não zoa, que sinto que os anos passaram por cima de mim. Me sinto muuuuito velha, disse ela sorrindo.
- Se você está velha, o que sobra pra mim? Sou um fóssil completo, disse Gustavo.
- Nos homens é diferente. Com os anos, às vezes eles ficam mais interessantes e atraentes. Nem sempre, mas às vezes. Já as mulheres, com o tempo, ficamos velhas e enrugadas.
- Pois no seu caso, fica tranquila que você não está nem velha nem enrugada. Com certeza você é o sonho de mais de um homem que te conhece, disse ele sinceramente.
- Pode ser, mas o que acontece é que o casamento nos condiciona demais. Meu marido me ama, tenho certeza, mas já não nos desejamos mais como antes. O tempo não perdoa, disse ela resignada.
- Acontece com todo mundo, não se preocupa. Mas me intriga o fato de você se atrair por caras mais velhos, disse ele voltando ao assunto.
- Não me atraio por todos os caras mais velhos, também não exagera. Só falei que tem homens que com os anos não perdem o charme, pelo contrário.
Com calma e devagar, Gustavo pegou as mãos dela sobre a mesa.
- Te pergunto porque me surpreende você reparar no charme de homens mais velhos que você, quando tem vários caras da sua idade pra olhar. Se ela notou que ele tinha pegado nas mãos dela, não disse nada, continuou conversando como se nada fosse.
- Se os caras são gostosos, eu olho sim, não pense que não, disse ela sorrindo.
- O problema, Luciana, é que talvez alguém maior que você interprete mal seu interesse. Sabe, com uma certa idade, a gente já não tem tanto tempo pra joguinhos, ele disse baixinho, sem soltar as mãos dela.
- Acho que ninguém se confunde tanto assim, ela disse pausadamente.
- Luciana, você não imagina o quanto eu tô feliz por ter conseguido compartilhar esse tempo com você. Mas tem umas coisas que a gente precisa esclarecer, ele disse decidido.
- Que coisas? Ela perguntou.
- Quantas vezes a gente conseguiu se encontrar e conversar assim, com tanta intimidade?
- Nunca, ela admitiu.
- Quantas vezes mais você acha que a gente vai poder se encontrar de novo?
- É... é difícil, ela disse.
- Por um momento, peço pra gente esquecer a diferença de idade, se possível. Você me atrai pra caralho. Sempre me atraiu, de verdade.
- Bom, obrigada, mas...
- Espera, deixa eu terminar, e depois prometo te ouvir, tá?
- Tá bom, ela aceitou.
- Repito que sempre gostei de você, e por muito tempo sonhei com você. Sonhei em poder te encontrar assim, em poder conversar com você. Sonhei com o quanto eu ia ser feliz, e como ia me sentir completo estando com você. E tenho que dizer que a realidade superou minhas fantasias.
- A gente se conhece há muito tempo, você é até muito amigo do meu pai e da minha mãe... ela disse.
- Nesse momento, não sou amigo de ninguém. Sou um homem enfeitiçado por uma mulher gostosa que precisa beijar e acariciar. Te falei pra esquecer tudo. Não me importa quem você é nem quem são seus pais. A única coisa que importa é o jeito que você me faz sentir. E sinto que essa é a única chance que tenho, e não quero que você fique brava, mas não posso deixar passar. Preciso que a gente fique a sós, num lugar íntimo e tranquilo, e acho que você também precisa. Nada do que aconteceu antes tem importância. Nada do que acontecer depois vai ter. O aqui e agora é a única coisa que importa pra gente. E é isso que eu tô te propondo. Que você me veja simplesmente como um homem louco por você. E que seja uma mulher decidida a dar e receber prazer.
O silêncio os envolveu. De mãos dadas, olhavam-se nos olhos.
— Gustavo, você realmente me surpreendeu. Não pensei que fosse dizer as coisas que disse. Nos conhecemos há muito tempo. Conheço sua família e você conhece a minha. Mentiria se dissesse que não gosto de você, mas daí até o que você está me propondo tem uma distância enorme, e me pega de surpresa. Não me entenda mal, não estou brava, entendo seu ponto. Entendo que esperou muito tempo pra dizer isso e que essa foi a primeira oportunidade, mas você está dificultando pra mim. Está me pedindo pra enganar meu marido, ter um caso, só pelo prazer de ter, arriscar tudo por um momento de prazer. Não acho que estou pronta pra isso, disse séria.
Gustavo puxou as mãos dela e as beijou. O perfume da pele dela invadiu todos os sentidos dele. Aqueles olhos verdes que o olhavam com curiosidade o excitavam e o faziam se sentir um adolescente.
— Olha, Luciana. Somos adultos e acho que joguinhos roubam um tempo precioso que não volta. Vamos fazer uma coisa. Não quero que você se ofenda, nem mude a opinião que tem de mim. Não gostaria de perder sua amizade, nem ficar sem poder te cumprimentar todo dia, como sempre. Vou pagar os cafés, e depois de pagar, vou te dar um beijo, levantar e ir embora. Se você ficar sentada aqui, tudo bem. Se sair comigo, aí vamos pra um motel bem discreto que conheço, e lá vou poder te beijar e acariciar com toda a vontade que tenho, e vou te possuir como sempre sonhei. Depende de você, como sempre é nesses casos. A última palavra é sempre da mulher. E dito isso, soltou as mãos dela e chamou a garçonete. Pediu a conta, enquanto de canto de olho observava as reações dela. Ela tinha ficado vermelha, e pegando a bolsa, fingia que procurava algo dentro dela, pra não ter que olhar pra ninguém. Com certeza sentia que todo mundo estava olhando pra ela, o que não era verdade. As pessoas O que tinha no café estava toda entretida nos próprios assuntos, e o diálogo foi em voz baixa, de modo que ninguém conseguiu acompanhar.
Trouxeram a conta, ele pagou, e quando a garçonete se afastou, ele se levantou e, aproximando-se de Luciana, beijou-a na bochecha, depois deu meia-volta e seguiu em direção à saída. Caminhou devagar, sem olhar para trás. Chegou à porta e saiu. O ar fresco o fez tremer. Só ali percebeu o calor que estava. Imaginou que seu rosto devia estar vermelho, mas não ligava. Achava que tinha agido como qualquer homem faria. Sem súplicas, sem implorações.
— Não seja assim, pelo menos pode me levar até o ponto de ônibus — disse uma voz atrás dele.
Ele se virou e lá estava Luciana, de pé atrás dele. Uma calça jeans justa, uma camiseta branca e uma jaqueta meia-estação.
— Vou te levar até o ponto de ônibus, não esquenta — disse ele, pegando-a pelo braço.
Foram até o estacionamento e subiram no carro de Gustavo. Antes de dar a partida, Gustavo se inclinou sobre ela e, de surpresa, tomou seus lábios, beijando-a fundo e com ternura. Luciana, surpresa, não ofereceu resistência e, depois de alguns segundos, correspondeu ao beijo da mesma forma. Foi um beijo longo, prolongado, até que os dois precisaram respirar. Gustavo se afastou, ligou o carro e saiu. Luciana ficou sentada, imóvel.
— Olha, Gustavo, me lisonjeia que você goste tanto de mim como diz — disse Luciana, procurando as palavras.
Gustavo dirigia sem dizer nada.
— Mas a gente vive numa comunidade muito pequena. Qualquer coisa que a gente fizer, todo mundo vai acabar sabendo e a gente vai ter um monte de problemas — continuou ela. Gustavo continuava em silêncio.
— A gente pode continuar sendo amigos, não me incomoda o que aconteceu, te juro.
Gustavo virou numa esquina e, como vinha, entrou num motel. Luciana nem percebeu, tão concentrada estava tentando justificar o que tinha acontecido e por que nada mais devia rolar. Gustavo pegou o ticket com o número do Entrou no quarto e foi com o carro até a garagem do cômodo que era dela. Assim que chegou, desligou o motor. Foi nesse momento que Luciana percebeu o que estava rolando.
— O que você está fazendo? — perguntou assustada.
— Eu te falei o que ia acontecer se você saísse comigo do café — disse Gustavo, pegando na mão dela.
— Mas Gustavo, achei que a gente tinha combinado que você ia me deixar no ponto de ônibus — falou séria.
— E vou te deixar, depois, não se preocupa — disse enquanto a beijava de novo.
— Mas não é assim — falou ela, resistindo ao avanço de Gustavo —, tenho que ir, estão me esperando.
— E você vai, mas não sem antes descobrir do que é capaz — disse ele enquanto conseguia beijá-la e a segurava pelo pescoço.
Luciana respondeu ao beijo e se deixou acariciar por aquela mão que percorria seu pescoço e sua nuca, forçando-a a aprofundar o beijo. Seus lábios se entreabriram e a língua de Gustavo a invadiu, dando mais intimidade ao encontro. A mão dela desceu pelo peito dele e rodeou sua cintura, deixando o tempo passar. A sensação era muito gostosa. Fazia tempo que não a beijavam com tanta ternura, tanta paixão. Percebeu que começava a ficar excitada, que aquele homem que ela sempre achou atraente e inteligente estava levando ela por um caminho sem volta, por um caminho novo que ela queria percorrer. O da infidelidade. Sempre desconfiou que o marido tinha umas aventuras, ainda mais porque passava muito tempo fora de casa por causa do trabalho, mas nunca pensou que se veria metida numa situação daquelas.
Os beijos de Gustavo deixaram os lábios dela para percorrer seu rosto e pescoço e terminar roçando nos mamilos dela por cima da roupa. Ela estava paralisada. Parecia que o que estava acontecendo estava acontecendo com outra pessoa e que ela era só uma espectadora. Quando a mão de Gustavo pegou a dela e a forçou a acariciar a braguilha dele, ela percebeu que não era mais uma brincadeira e que não era uma espectadora. Era a atriz principal daquela cena erótica. No começo, ela quis tirar a mão, mas a pressão do macho a obrigou a se apossar daquela vara quente que se marcava debaixo da roupa, e em pouco tempo já estava acariciando ela pra cima e pra baixo, mesmo depois que a mão de Gustavo já a tinha soltado. A mão dela agora tinha vida própria. A mão livre do macho agora se apossava dos peitos dela, e percorria um e outro, com um roçar suave que a enlouquecia e a excitava. Ela sentia os bicos dos peitos endurecerem e ficarem mais sensíveis. Começou a suspirar e gemer, respondendo aos avanços de Gustavo. Foi nesse momento que Gustavo se afastou, deixando ela quente e necessitada. Ele desceu do carro, deu a volta e abriu a porta do lado dela, estendendo a mão pra ela sair do veículo. Luciana olhou pra ele e hesitou. Sabia que se descesse com ele, não teria volta. Ainda dava tempo de botar um ponto final naquela situação. — Por favor, Gustavo, — ela suplicou, mas o olhar de desejo do macho deixou bem claro que, se dependesse do bom senso dela, tava perdida. Aquele homem tava decidido a possuir ela. A mão de Gustavo insistiu, e ela, por fim, timidamente, entregou a mão dela e virou o corpo pra descer do carro. Gustavo ajudou ela a se levantar e, quando ela ficou de pé, fechou a porta e, apoiando ela contra o carro, voltou a beijá-la, dessa vez com um beijo mais predador que os anteriores. Tinha posse naquele beijo. Já não era mais algo meigo, era uma demonstração de domínio do macho que excitou ela ainda mais. Depois daquele beijo, ele pegou ela pela mão e levou pro quarto. Abriu a porta e fez ela entrar. Fechou a porta e levou ela até a beira da cama. — Você realmente nunca pensou que isso ia acontecer? — perguntou enquanto beijava e acariciava o corpo todo dela. — Por favor, Gustavo, se controla. A gente vai se arrepender depois. Não joga tudo fora, — ela dizia, mas as palavras dela não tinham nada a ver com a atitude complacente que curtia as carícias que percorriam o corpo inteiro, e quando uma mão de Gustavo se perdeu entre as pernas dela e pressionou contra a boceta dela, inconscientemente ela abriu mais as pernas pra roçar mais fundo.
— Vou me arrepender se não te possuir — ele dizia quando a boca ficava livre. As mãos dele procuraram a borda da camiseta dela e devagar levantaram até tirar pela cabeça, deixando ela só de sutiã. As mãos do safado agora tinham mais liberdade pra brincar com os peitos dela, e os grunhidos de satisfação mostravam que ele tava curtindo pra caralho.
— Que peitão lindo que você tem, do jeito que eu imaginava — dizia Gustavo, enquanto uma mão amassava os seios dela e a outra voltava a marcar o caminho entre as pernas. Luciana sentia que a roupa incomodava, mas não queria ceder e ficar nua. Precisava resistir o máximo possível.
— Chega, Gustavo, olha, vamos fazer uma coisa: vamos nos beijar, conversar um pouco e depois cada um vai pro seu lado, sem problema, por favor — implorava Luciana, mas por dentro torcia pra ele não dar ouvidos. Não precisava nem implorar. Gustavo não tava disposto a parar por nada. Nem um terremoto impedia ele de continuar com as manobras. Além disso, sentir aqueles peitos debaixo da mão e acariciar a boceta dela já tinha deixado ele a mil. Não tinha nada que evitasse o que ia rolar.
E no entanto, a atitude de Gustavo surpreendeu ela. De repente, ele soltou ela e se afastou uns passos. Olhando nos olhos dela, começou devagar a se despir. Primeiro o pulôver e a camisa, deixando à mostra um corpo sarado apesar da idade. Depois desabotoou o cinto, os botões da calça, o zíper. Sentou na cama, tirou os sapatos e as meias e, levantando de novo, terminou de tirar a calça. Ficou ali de pé, mostrando um volume respeitável. Devagar, sentou na cama e se encostou no encosto.
— Vem, Luciana — disse, chamando ela com a mão.
A mulher hesitou. Sabia que se obedecesse, tava se rendendo. voluntariamente a tudo que ia acontecer. Mas a visão daquele homem com quem ela sonhava desde a adolescência, ali, nu e pronto pra curtir o corpo dela, era uma tentação irresistível. Ela deu um passo em direção à cama, e um gesto do homem a parou.
— Você está muito vestida pra mim. Vamos, me mostra seu corpo, por favor — ele disse carinhosamente.
Luciana olhou pra ele, e um sorriso leve se desenhou no rosto dela. Tirou os sapatos, desabotoou a calça jeans e deixou ela escorrer até os pés, saindo com agilidade. Uma calcinha fio dental branca, combinando com o sutiã, destacava a excelência das curvas dela. Assim, ela se aproximou da cama, sentou na borda inclinada pro lado dele, deixando todos os encantos ao alcance do homem, ali na distância do braço.
Suavemente, Gustavo passou a mão no rosto dela. Com o toque da mão, ela fechou os olhos. Sentiu aquela mão deslizando pela pele, e a respiração dela ficou ofegante. Quando os dedos chegaram nos peitos dela, os mamilos estavam duros e sensíveis. Percebeu que a outra mão subia pela perna dela e, devagar, tomava conta da buceta dela.
Luciana, quase instintivamente, apoiou a mão no peito de Gustavo e, acariciando, foi descendo até a cintura. Parou um instante e depois desceu até o volume que a atraía magneticamente. Uma arma dura e quente a esperava debaixo da única peça de roupa que ele ainda vestia.
Gustavo, excitado com as carícias que ela dava, perdeu o controle quando sentiu a mão doce de Luciana acariciando a vara dele. Naquele momento, os dedos dele habilmente afastaram a calcinha fio dental e a mão dele entrou em contato direto com a buceta dela. Um suspiro marcou o prazer dela, e uma lenta abertura das pernas foi a permissão pra os dedos do homem invadirem ela intimamente. Sentir aqueles dedos lutando pra possuir ela a deixou louca, e ela se inclinou sobre Gustavo pra começar a beijar ele.
O dedo médio da mão do homem se introduziu devagar por completo na buceta dela, e ela gemia. enquanto o beijava. Desceu pelo pescoço dele e se demorou no peito, mordiscando os mamilos do macho, enquanto o dedo a masturbava simulando uma possessão fálica. A excitação a fez continuar descendo pelo corpo de Gustavo, até tropeçar na vara dele, lutando para sair do seu esconderijo, pulsando e vibrando de forma incontrolável. Habilmente, enquanto descia com a boca, uma das mãos dela se adiantou e deslocou a cueca, liberando a ferramenta túrgida, que saltou para cima incontrolável. Imediatamente, a mão que a havia libertado a envolveu e começou a masturbá-la suavemente, preparando o caminho para o que viria. Sem abrir os olhos, continuou descendo, gratamente encantada pela pica que rodeava sua mão. Era grossa e comprida. A sensação era muito satisfatória.
Quando sua boca chegou até ela, foi engolindo devagar, até um ponto onde percebeu que era impossível engoli-la toda e dali recuou para brincar com a língua por toda a sua extensão.
Gustavo se deslizou para baixo, obrigando-a a descer mais para continuar com o fellatio, e as mãos dele a ajudaram a girar completamente e colocar um joelho de cada lado do rosto do macho, que, deslocando a calcinha dela, percorre com a língua a boceta dela, se apossa do clitóris dilatado e começa a introduzir a língua, provocando espasmos em Luciana, que se descarrega aumentando a força da sucção na pica de Gustavo.
Nunca a tinham acariciado daquele jeito. Ela tinha visto em algum filme pornô, mas o marido não era chegado a um cunnilingus, e ela nunca tinha feito aquilo. Se sentiu suja, uma verdadeira puta, mas por outro lado, gostava muito da atenção do macho. Também era verdade que o marido dela tinha que pedir para ela chupar a pica dele, e nessa situação ela tinha agido por conta própria, tomando a iniciativa. Como era diferente o sexo clandestino...
Continuaram assim por um bom tempo. Ela sentia o líquido pré-seminal brotando da vara de Gustavo e aquele sabor a excitava. Sentia o tesão crescer e aquela língua brincando na buceta dela a deixava louca. Quase sem perceber, sentiu o orgasmo aumentar, até ficar incontrolável e explodir num clímax avassalador. Teve que soltar o pau do Gustavo pra poder gemer à vontade. Foi uma libertação. Fazia muito tempo que não se sentia assim. Achou que ia morrer de prazer.
Gustavo deixou ela gozar sem parar de penetrá-la com o dedo, que chapinhava na umidade que jorrava do corpo da Luciana. Quando ela terminou e se desmanchou ronronando igual uma gata, ele desabotoou o sutiã dela, com cuidado virou ela, tirou o sutiã, puxou a tanga, abriu as pernas dela, se ajoelhou entre elas e, colocando-as sobre os ombros dele, apoiou o pau dilatado na entrada da buceta dela, fazendo a cabeça separar os lábios da mulher. Olhando nos olhos dela, avançou e a possuiu.
Luciana, ainda mole do orgasmo, não conseguiu fazer nada diante das manobras do macho e só quando se sentiu penetrada abriu os olhos. Pra surpresa dela, a expressão carinhosa do Gustavo tinha sumido. Sobre ela tinha um homem pronto a possuí-la com tudo, a partir ela no meio se pudesse, a despedaçar com o cacete enfurecido dele. E o que viu, gostou.
Nessa posição, ele se enterrou até o fundo, e ela se sentiu preenchida como nunca. Não achava que dava pra aguentar tanta pica, mas ali estavam os dois corpos se tocando e mostrando que a junção era total. As bolas do macho batiam nela quando ele investia até o fundo e depois recuava.
— Me dá mais, me dá mais — era só o que ela conseguia dizer diante do ataque predador do macho.
— Tô te dando tudo, puta, sente porque vou te partir no meio na base da pica — dizia Gustavo entre os dentes enquanto continuava o vai e vem.
— Por favor, não me enche — implorou Luciana.
— Ainda não — rosnou Gustavo enquanto acelerava as investidas. De repente parou e, saindo dela, virou ela de lado e se deitou atrás dela. Nessa levantou a perna e se enfiou de novo dentro dela enquanto acariciava os peitos dela. Luciana virando a cabeça oferecia a boca e ele pegava e metia a língua. Ao mesmo tempo, ela brincava com as bolas dele, que estavam duras, cheias de porra. Sentia aquela pica entrando e saindo, que nem uma máquina bem lubrificada. A mão dela apoiou na perna do macho e ela sentiu a tensão dos músculos quando ele empurrava pra cravar até o fundo. Esses movimentos excitavam ela pra caralho. Sentia o orgasmo crescendo de novo, mas ao mesmo tempo tinha que controlar pra Gustavo conseguir tirar antes dela gozar. Ela se cuidava, mas não queria ter problema.
Quando sentiu que a aceleração aumentava, sentiu um novo orgasmo chegando, mas ao mesmo tempo sentiu que o do macho também tava perto.
— Tira, por favor — implorou, recebendo só um grunhido como resposta.
— Tira, Gustavo, não goza dentro de mim — voltou a suplicar, e de repente sentiu o macho afundar até o talo. Agarrou a perna dele e sentiu ela tensa que nem cabo de aço, e um calor queimou ela. Gustavo tava esvaziando dentro dela.
— Peraí!!! Falei pra você tirar!!! — gritou, e na hora o orgasmo levou ela pro sétimo céu, perdendo o controle do que tava rolando. Gustavo se esvaziou dentro dela, jato após jato, gemendo e suspirando. Parecia que ia ter um treco. Fazia tempo que não tinha um orgasmo tão profundo. Por fim, ficou parado, sentindo a pica dele pulsar e amolecer. Os dois ficaram exaustos. Passaram-se vários minutos.
— Desculpa, Luciana, mas não consegui tirar. Faz tempo que queria te encher assim — falou, meio se desculpando.
— Tá tudo bem. Eu também precisava sentir você dentro de mim — disse ela. Preocupada, sentou na cama.
— Que horas são? — perguntou — Tenho que ir, tá ficando tarde.
Gustavo pegou ela pela cintura e forçou ela a deitar de novo pra começar a beijar ela. Ela se entregou total.
Se beijaram que nem adolescentes por um tempão.
— Vamos, Luciana, sei que você consegue levantar ele de novo — sussurrou Gustavo no ouvido dela, e ela entendeu. Devagar, ela voltou a pegar o pau dele na boca e acariciar as bolas. O gosto do gozo na boca agradou ela. Assim, ajoelhada na cama, enquanto chupava, a bunda dela levantada ficava ao alcance do macho. Lentamente, ele enfiou uma mão entre as pernas dela e pegou a lubrificação abundante da buceta junto com o gozo da gozada anterior e passou na bunda dela, até conseguir que um dos dedos perfurasse o esfíncter, o que surpreendeu Luciana e a excitou. Nunca tinham forçado ela daquele jeito. Quando dois dedos penetraram ela, ela já gemia de tesão, e pra completar, o pau na boca dela começava a endurecer rapidamente. Por fim, Gustavo se posicionou atrás dela como um cavaleiro pronto pra montar uma gostosa. Fez ela baixar a cabeça até apoiar na cama, e nessa posição apontou o pau pra buceta dela, e entrou como uma faca quente na manteiga, tamanha era a lubrificação que tinha lá embaixo. Imediatamente começou a bombar ela. Com uma mão, segurava o cabelo dela como se fossem as rédeas de uma gostosa, e a outra enquanto isso brincava com o cu dela, acariciando e furando de novo com os dedos.
Ela não conseguia reagir. Ali estava sendo penetrada selvagemente, e gozava como uma louca. A penetração anal estava agradando ela, os mamilos dela endureciam. De repente, o macho se retirou e ela respirou fundo. Mas imediatamente uma sensação estranha a invadiu. Algo que nunca tinha sentido estava tomando conta dela. Levou uns segundos pra entender que estavam sodomizando ela.
— Por aí não!!! — gritou, mas a cabeça do pau já tinha se aberto caminho.
— Calma, gata, relaxa e goza — foi toda a resposta do amante dela. A dor era aguda, mas o trabalho prévio tinha facilitado a manobra, e quando a cabeça se abriu caminho, ele ficou parado, apalpando os peitos dela enquanto ela se acostumava. Em uns dois minutos, ela sentiu novas estocadas e, depois de um tempo, os corpos se Chocaram. Ela tinha engolido tudo. Ele beijava suas costas sem pressa, enquanto o ânus dela se tornava complacente o suficiente para manter o encontro. Devagar, ele começou a tarefa de possuí-la por completo, e ela começou a aproveitar como nunca tinha aproveitado um encontro físico. Nunca pensou sentir tanto prazer, e um orgasmo a varreu por completo, enquanto ele a sodomizava.
— É muito bom, mas não quero terminar assim — disse Gustavo, e se retirou do cu dela. Virou-a enquanto ela ainda estava mole do orgasmo e, colocando um joelho de cada lado da cabeça dela, entregou-lhe o pau para ela chupar, coisa que ela fez sem reclamar. Por fim, o macho começou a trabalhar a boca dela como se estivesse se masturbando, e ela entendeu o que ele queria. Nunca tinha deixado o marido gozar na boca, mas estava disposta a satisfazer aquele macho e dar tudo o que pudesse. Quando sentiu o pau endurecer e esticar na boca, percebeu que o momento chegava e, por fim, com um urro, sentiu que ele gozava e um líquido quente encheu sua boca. Brincou com ele e, por fim, foi engolindo tudo até deixar aquele pau limpo e brilhante. Naquele momento, ele se retirou e começou a beijá-la docemente.
— Você foi extraordinária. É toda uma mulher. Complacente e puta como nunca tive nenhuma — e aquela frase pareceu o maior elogio que já tinham feito na vida dela.
— Oi, Gustavo, como vai?
— Bem, Luciana, fazendo as compras.
— E sua esposa? — perguntou, diligente.
— Bem, Luciana, em casa. Como está seu marido?
— Viajando, como sempre, o que é uma sorte porque me permite ir fazer compras na cidade nos próximos dias.
— Que bom, Luciana, espero que aproveite a viagem.
— Espero aproveitar tanto quanto da última vez — disse ela, sorrindo enquanto cobrava.
— E por que não? — respondeu Gustavo, saindo.
- Bom dia, Luciana, oi, Jorge, foi a resposta medida e controlada como sempre, embora os olhos dele brilhassem ao ver a pessoinha que o cumprimentava: loira, 1,70, esbelta, um corpo desejável sem ser exuberante, olhos azuis, um rosto que, sem ser uma beleza perfeita, era muito sensual e atraente. No fim, uma mulher linda de uns 35 anos, que para os seus 55 era um sonho completo.
Fazia 25 anos que ele morava no bairro, e lembrava quando, nos primeiros tempos, ao começar a ir ao mercado, a via brincando de atender os clientes. Uma menina linda, alegre e safada, que atrapalhava mais do que ajudava.
Quando ela fez 16 anos, explodiu, se transformando na mulher que é hoje. Casou e teve dois filhos. O marido viajava o tempo todo e aparecia pouco. Ela passava os dias entre a casa com os filhos e o negócio da família, que cada vez mais ficava sob a responsabilidade dela. Os pais, aos poucos, estavam se aposentando e deixando ela no comando.
Ele percorreu as prateleiras escolhendo o que precisava, enquanto a ouvia atender os outros. A voz dela era atenciosa, mas ele juraria que, quando se dirigia a ele, ganhava um tom mais íntimo, mais próximo. Mas com certeza era imaginação dele. Tantos vezes tinha sonhado em ter ela nos braços que a mente pregava uma peça nele. Para piorar, ela morava perto da casa dele, então era muito comum vê-la passar, e em toda oportunidade, os olhos dela brilhavam e ela o cumprimentava com muita simpatia. Ele precisava se convencer de que as atenções que achava receber tinham mais a ver com o tempo que se conheciam do que com outra coisa. Mas as fantasias não podem ser controladas.
Ele chegou ao caixa e lá Luciana começou a somar as compras, enquanto perguntava sobre o trabalho dele, a esposa e os filhos.
Sim. Gustavo era casado há 30 anos e tinha dois filhos. um de 28 e a mina de 25. Os dois já independentes e morando em outra cidade, maior e mais movimentada que essa cidadezinha, onde ele passava os dias. De qualquer forma, só 30 km separavam ele da cidade grande, então se viam direto.
Finalmente, ele deu o total e Gustavo pagou.
- Aqui está seu troco - disse, tratando ele por "você" como sempre. Espero que volte logo - falou, olhando fixamente nos olhos dele.
- Sempre que der, Luciana, sempre que der - respondeu, virou as costas e saiu.
Luciana viu ele partir, e ficou com aquele gostinho estranho na boca. Desde pequena, sempre sentiu atração por aquele homem, e apesar dos anos que passaram, ele ainda provocava nela a mesma sensação, aquelas borboletas no estômago e uma plenitude que a preenchia. Depois ela se casou, amava o marido e os filhos, mas aquele homem ainda mexia com ela como no primeiro dia. Sempre pensou que só se sentiria mulher de verdade nos braços dele.
Já no caminho pra casa, ele não conseguia parar de pensar nela. Sim, conhecia ela desde pequena, mas ela não era mais uma garotinha. O que aconteceria se ele tentasse alguma coisa? Era impossível. O único lugar onde a via era no comércio, e sempre tinha outras pessoas por perto. Na rua, nem pensar em falar com ela, porque na hora chamaria a atenção de todos os vizinhos.
Mas ele não conseguia parar de pensar nela. Sentia que era uma oportunidade que chegava pra ele se sentir vivo de novo. O casamento dele era uma rotina sem graça. Amava a esposa, mas o romantismo e o sexo já tinham ido embora. De repente, com Luciana, ele sentia que voltava à juventude.
Precisava fazer alguma coisa, mas não imaginava o quê.
Naquela tarde, enquanto tomava banho, lembrou de Luciana e, como um adolescente, se masturbou debaixo do chuveiro, sonhando que a tinha à mercê dele. Finalmente, decidiu que essa situação precisava ter um fim, pra bem ou pra mal. Os dois já eram crescidos e as coisas deviam poder ser conversadas de frente.
Na próxima visita dele ao comércio, enquanto passava pelo caixa, e aproveitando que não tinha ninguém Nenhum parente por perto, deu pra ficar batendo papo mais um tempinho. Luciana começou a perguntar sobre os filhos dele.
— Tão lá, cuidando das coisas deles como sempre — respondeu ele, atencioso.
— Deve ser legal morar na cidade, né? — comentou ela.
— Bom, tem coisas boas e ruins.
— Eu adoraria morar lá, mas minha família e meu trabalho são aqui.
— Achava que você era feliz nesse lugar.
— Não tô reclamando, mas a cidade permite outras coisas. Principalmente não ficar sempre sendo observada e vigiada por todo mundo — disse com desdém.
— Isso é verdade. Aqui não dá pra fazer nada. Até a ação mais inocente vira suspeita.
Os olhos dela brilharam.
— É exatamente o que eu sempre falo. Quando consigo dar um pulo na cidade, me sinto livre.
Uma luz de atenção brilhou na mente de Gustavo.
— E você vai com frequência?
— Não muito, mas a cada 15 dias tiro uma manhã pra mim.
— Isso é bom. E o que você faz quando vai?
— Ah, nada. Fico olhando vitrines. Entro no shopping do centro. Tomo um café.
— Bom, se a gente se encontrar um dia, vou te pagar esse café — disse ele, cheio de intenção.
Ela olhou pra ele e sorriu.
— É uma promessa que aceito de boa. Mas você tá se aproveitando, porque é muito difícil a gente coincidir.
— Então vamos fazer uma coisa. Quando você for na próxima vez, me liga. Aqui, vou deixar meu número. E se por acaso eu viajar, a gente combina, que tal?
— Tá bom, mas não quero que você se sinta obrigado — disse ela com malícia.
— Por favor. Não é obrigação nenhuma. Na verdade, seria um sopro de ar fresco na rotina do dia a dia — respondeu ele.
Saiu do comércio transformado. Se sentia vivo e jovem. Nada tinha acontecido e com certeza nada ia acontecer, mas o rumo que a relação tinha tomado deixava ele satisfeito. Pelo menos tinha agido pra que as coisas mudassem.
Luciana sentia as pernas tremendo. Gustavo tinha aberto a porta pra uma oportunidade. Será que ela teria coragem de jogar esse jogo?
Tudo seguiu como sempre. Os dias passaram e nada aconteceu. Gustavo não tocou mais no assunto nas vezes que foi fazer as compras. Com certeza ela tinha sido muito atenciosa pelo tempo que se conheciam, mas daí a compartilhar com ele um tempo fora do estritamente social, era um salto muito grande. E por outro lado, ela devia ter muitos jovens da idade dela com quem sentar pra conversar, se realmente quisesse fazer isso.
Uma noite, ele estava no quarto dele vendo televisão. A esposa dele estava na sala de jantar vendo uma novela e ele tava interessado em acompanhar uma entrevista que passava em outro canal. De repente, o celular dele tocou. Número desconhecido. 11 da noite. Pensou em não atender, achando que era engano.
Meio sem vontade, atendeu.
- Alô
- Alô, é o Gustavo?
- Sim, é ele, quem é? Perguntou irritado
- Desculpa te incomodar a essa hora. Sou a Luciana
O coração dele parou por um instante. Um arrepio percorreu o corpo dele.
- Luciana, que surpresa. Não esperava que fosse você. Sinceramente, achei que era alguém querendo encher o saco, disse apressado.
- Desculpa, não quero te atrapalhar, disse Luciana se desculpando.
- Não tô falando de você. Você nunca me atrapalharia. O que você precisa?
- Nada. Bom, na verdade, o que acontece é que amanhã de manhã vou pra cidade, e se por acaso você estiver aí, podia me pagar aquele café que prometeu.
- Com todo prazer. Vamos fazer o seguinte: amanhã de manhã te ligo se eu viajar e a gente combina onde se encontrar, quer?
- Perfeito. Eu vou viajar de manhã cedo porque tenho que fazer várias compras, mas acho que no meio da manhã vou estar livre. Se você tiver um tempinho, a gente se fala.
- Claro. Fica tranquila. E obrigado por ligar, disse educadamente.
- Não, por favor, e desculpa o incômodo. A gente se fala, disse Luciana e desligou.
Ele ficou ali, sem fôlego. Não conseguia acreditar que aquilo tava acontecendo. Ficou deitado, mas o noticiário na TV passou sem que ele percebesse. Ficou pensando no dia seguinte, em como aproveitar aquela que seria a única chance dele.
Quando a esposa dele veio se deitar, interrogou ele.
- Quem Pareceu que ele ouviu o celular. Te ligaram?
- Sim. Um cliente que precisa que amanhã cedo eu vá vê-lo no escritório dele na cidade.
- Que pena que ele avisou tão em cima da hora. Eu adoraria ter dado um passeio, mas amanhã já tenho compromissos, disse a esposa, decepcionada.
- Olha, não sei até que horas ele vai me prender, então é melhor a gente marcar um passeio outro dia, quando pudermos sair os dois juntos, não acha?
- Sim, você tem razão. Não dá pra misturar trabalho com prazer, porque depois o tempo não sobra nem pra uma coisa nem pra outra.
No dia seguinte, ele acordou cedo, tomou banho, se arrumou com muito cuidado. A esposa dele ainda estava dormindo, então não pôde estranhar a situação. Deu um beijo nela, subiu no carro e partiu.
Ao chegar, pegou o celular e ligou pra Luciana.
- Oi, respondeu uma voz cristalina
- Oi Luciana, onde você tá?, perguntou
- Gustavo! Achei que você não viria, ontem à noite te notei muito ocupado.
- É verdade, mas adiantei algumas coisas que tinha que fazer e de quebra cumpro minha promessa.
- Já se livrou dos compromissos?
- Tenho meia hora, mentiu, onde a gente pode se encontrar?
- Conhece o Café das Artes?, com a resposta afirmativa, ela completou “a gente se vê lá em 45 minutos, que tal?”
- Perfeito. Um beijo, respondeu Gustavo.
- Beijo pra você também, disse Luciana.
Gustavo dirigiu devagar até perto do local do encontro e estacionou a meia quadra do café. Ficou dentro do carro matando tempo, e quando chegou a hora, desceu e foi pro ponto de encontro.
Ao entrar, olhou em volta. No fundo, numa mesa, Luciana fez sinal pra ele. Sem pressa, foi até lá.
Quando chegou, Luciana se levantou e ofereceu a bochecha, que ele beijou suavemente.
- Tá esperando muito? Desculpa se demorei, mas o trânsito tava um caos, mentiu
- Não, cheguei há 5 minutos, além disso, disse olhando pro relógio, você chegou na hora certa. Eu que tava mais impaciente, falou rindo.
Eles se sentaram e começaram a... Falar das coisas cotidianas do bairro. Uma moça se aproximou e pediram dois cafés com leite. A conversa era muito agradável, e os minutos voavam. Das coisas comuns do bairro, passaram para os assuntos de família. O trabalho, os filhos, a família, e acabaram desaguando no casamento.
Gustavo estava casado há 25 anos e tinha dois filhos já crescidos. Luciana estava casada há 12 anos e tinha três filhos de 11, 8 e 5 anos.
- Pois sempre me admirei como a maternidade te caiu tão bem. Você está mais gostosa agora do que quando se casou, disse ele, puxa-saco.
- Não zoa, que sinto que os anos passaram por cima de mim. Me sinto muuuuito velha, disse ela sorrindo.
- Se você está velha, o que sobra pra mim? Sou um fóssil completo, disse Gustavo.
- Nos homens é diferente. Com os anos, às vezes eles ficam mais interessantes e atraentes. Nem sempre, mas às vezes. Já as mulheres, com o tempo, ficamos velhas e enrugadas.
- Pois no seu caso, fica tranquila que você não está nem velha nem enrugada. Com certeza você é o sonho de mais de um homem que te conhece, disse ele sinceramente.
- Pode ser, mas o que acontece é que o casamento nos condiciona demais. Meu marido me ama, tenho certeza, mas já não nos desejamos mais como antes. O tempo não perdoa, disse ela resignada.
- Acontece com todo mundo, não se preocupa. Mas me intriga o fato de você se atrair por caras mais velhos, disse ele voltando ao assunto.
- Não me atraio por todos os caras mais velhos, também não exagera. Só falei que tem homens que com os anos não perdem o charme, pelo contrário.
Com calma e devagar, Gustavo pegou as mãos dela sobre a mesa.
- Te pergunto porque me surpreende você reparar no charme de homens mais velhos que você, quando tem vários caras da sua idade pra olhar. Se ela notou que ele tinha pegado nas mãos dela, não disse nada, continuou conversando como se nada fosse.
- Se os caras são gostosos, eu olho sim, não pense que não, disse ela sorrindo.
- O problema, Luciana, é que talvez alguém maior que você interprete mal seu interesse. Sabe, com uma certa idade, a gente já não tem tanto tempo pra joguinhos, ele disse baixinho, sem soltar as mãos dela.
- Acho que ninguém se confunde tanto assim, ela disse pausadamente.
- Luciana, você não imagina o quanto eu tô feliz por ter conseguido compartilhar esse tempo com você. Mas tem umas coisas que a gente precisa esclarecer, ele disse decidido.
- Que coisas? Ela perguntou.
- Quantas vezes a gente conseguiu se encontrar e conversar assim, com tanta intimidade?
- Nunca, ela admitiu.
- Quantas vezes mais você acha que a gente vai poder se encontrar de novo?
- É... é difícil, ela disse.
- Por um momento, peço pra gente esquecer a diferença de idade, se possível. Você me atrai pra caralho. Sempre me atraiu, de verdade.
- Bom, obrigada, mas...
- Espera, deixa eu terminar, e depois prometo te ouvir, tá?
- Tá bom, ela aceitou.
- Repito que sempre gostei de você, e por muito tempo sonhei com você. Sonhei em poder te encontrar assim, em poder conversar com você. Sonhei com o quanto eu ia ser feliz, e como ia me sentir completo estando com você. E tenho que dizer que a realidade superou minhas fantasias.
- A gente se conhece há muito tempo, você é até muito amigo do meu pai e da minha mãe... ela disse.
- Nesse momento, não sou amigo de ninguém. Sou um homem enfeitiçado por uma mulher gostosa que precisa beijar e acariciar. Te falei pra esquecer tudo. Não me importa quem você é nem quem são seus pais. A única coisa que importa é o jeito que você me faz sentir. E sinto que essa é a única chance que tenho, e não quero que você fique brava, mas não posso deixar passar. Preciso que a gente fique a sós, num lugar íntimo e tranquilo, e acho que você também precisa. Nada do que aconteceu antes tem importância. Nada do que acontecer depois vai ter. O aqui e agora é a única coisa que importa pra gente. E é isso que eu tô te propondo. Que você me veja simplesmente como um homem louco por você. E que seja uma mulher decidida a dar e receber prazer.
O silêncio os envolveu. De mãos dadas, olhavam-se nos olhos.
— Gustavo, você realmente me surpreendeu. Não pensei que fosse dizer as coisas que disse. Nos conhecemos há muito tempo. Conheço sua família e você conhece a minha. Mentiria se dissesse que não gosto de você, mas daí até o que você está me propondo tem uma distância enorme, e me pega de surpresa. Não me entenda mal, não estou brava, entendo seu ponto. Entendo que esperou muito tempo pra dizer isso e que essa foi a primeira oportunidade, mas você está dificultando pra mim. Está me pedindo pra enganar meu marido, ter um caso, só pelo prazer de ter, arriscar tudo por um momento de prazer. Não acho que estou pronta pra isso, disse séria.
Gustavo puxou as mãos dela e as beijou. O perfume da pele dela invadiu todos os sentidos dele. Aqueles olhos verdes que o olhavam com curiosidade o excitavam e o faziam se sentir um adolescente.
— Olha, Luciana. Somos adultos e acho que joguinhos roubam um tempo precioso que não volta. Vamos fazer uma coisa. Não quero que você se ofenda, nem mude a opinião que tem de mim. Não gostaria de perder sua amizade, nem ficar sem poder te cumprimentar todo dia, como sempre. Vou pagar os cafés, e depois de pagar, vou te dar um beijo, levantar e ir embora. Se você ficar sentada aqui, tudo bem. Se sair comigo, aí vamos pra um motel bem discreto que conheço, e lá vou poder te beijar e acariciar com toda a vontade que tenho, e vou te possuir como sempre sonhei. Depende de você, como sempre é nesses casos. A última palavra é sempre da mulher. E dito isso, soltou as mãos dela e chamou a garçonete. Pediu a conta, enquanto de canto de olho observava as reações dela. Ela tinha ficado vermelha, e pegando a bolsa, fingia que procurava algo dentro dela, pra não ter que olhar pra ninguém. Com certeza sentia que todo mundo estava olhando pra ela, o que não era verdade. As pessoas O que tinha no café estava toda entretida nos próprios assuntos, e o diálogo foi em voz baixa, de modo que ninguém conseguiu acompanhar.
Trouxeram a conta, ele pagou, e quando a garçonete se afastou, ele se levantou e, aproximando-se de Luciana, beijou-a na bochecha, depois deu meia-volta e seguiu em direção à saída. Caminhou devagar, sem olhar para trás. Chegou à porta e saiu. O ar fresco o fez tremer. Só ali percebeu o calor que estava. Imaginou que seu rosto devia estar vermelho, mas não ligava. Achava que tinha agido como qualquer homem faria. Sem súplicas, sem implorações.
— Não seja assim, pelo menos pode me levar até o ponto de ônibus — disse uma voz atrás dele.
Ele se virou e lá estava Luciana, de pé atrás dele. Uma calça jeans justa, uma camiseta branca e uma jaqueta meia-estação.
— Vou te levar até o ponto de ônibus, não esquenta — disse ele, pegando-a pelo braço.
Foram até o estacionamento e subiram no carro de Gustavo. Antes de dar a partida, Gustavo se inclinou sobre ela e, de surpresa, tomou seus lábios, beijando-a fundo e com ternura. Luciana, surpresa, não ofereceu resistência e, depois de alguns segundos, correspondeu ao beijo da mesma forma. Foi um beijo longo, prolongado, até que os dois precisaram respirar. Gustavo se afastou, ligou o carro e saiu. Luciana ficou sentada, imóvel.
— Olha, Gustavo, me lisonjeia que você goste tanto de mim como diz — disse Luciana, procurando as palavras.
Gustavo dirigia sem dizer nada.
— Mas a gente vive numa comunidade muito pequena. Qualquer coisa que a gente fizer, todo mundo vai acabar sabendo e a gente vai ter um monte de problemas — continuou ela. Gustavo continuava em silêncio.
— A gente pode continuar sendo amigos, não me incomoda o que aconteceu, te juro.
Gustavo virou numa esquina e, como vinha, entrou num motel. Luciana nem percebeu, tão concentrada estava tentando justificar o que tinha acontecido e por que nada mais devia rolar. Gustavo pegou o ticket com o número do Entrou no quarto e foi com o carro até a garagem do cômodo que era dela. Assim que chegou, desligou o motor. Foi nesse momento que Luciana percebeu o que estava rolando.
— O que você está fazendo? — perguntou assustada.
— Eu te falei o que ia acontecer se você saísse comigo do café — disse Gustavo, pegando na mão dela.
— Mas Gustavo, achei que a gente tinha combinado que você ia me deixar no ponto de ônibus — falou séria.
— E vou te deixar, depois, não se preocupa — disse enquanto a beijava de novo.
— Mas não é assim — falou ela, resistindo ao avanço de Gustavo —, tenho que ir, estão me esperando.
— E você vai, mas não sem antes descobrir do que é capaz — disse ele enquanto conseguia beijá-la e a segurava pelo pescoço.
Luciana respondeu ao beijo e se deixou acariciar por aquela mão que percorria seu pescoço e sua nuca, forçando-a a aprofundar o beijo. Seus lábios se entreabriram e a língua de Gustavo a invadiu, dando mais intimidade ao encontro. A mão dela desceu pelo peito dele e rodeou sua cintura, deixando o tempo passar. A sensação era muito gostosa. Fazia tempo que não a beijavam com tanta ternura, tanta paixão. Percebeu que começava a ficar excitada, que aquele homem que ela sempre achou atraente e inteligente estava levando ela por um caminho sem volta, por um caminho novo que ela queria percorrer. O da infidelidade. Sempre desconfiou que o marido tinha umas aventuras, ainda mais porque passava muito tempo fora de casa por causa do trabalho, mas nunca pensou que se veria metida numa situação daquelas.
Os beijos de Gustavo deixaram os lábios dela para percorrer seu rosto e pescoço e terminar roçando nos mamilos dela por cima da roupa. Ela estava paralisada. Parecia que o que estava acontecendo estava acontecendo com outra pessoa e que ela era só uma espectadora. Quando a mão de Gustavo pegou a dela e a forçou a acariciar a braguilha dele, ela percebeu que não era mais uma brincadeira e que não era uma espectadora. Era a atriz principal daquela cena erótica. No começo, ela quis tirar a mão, mas a pressão do macho a obrigou a se apossar daquela vara quente que se marcava debaixo da roupa, e em pouco tempo já estava acariciando ela pra cima e pra baixo, mesmo depois que a mão de Gustavo já a tinha soltado. A mão dela agora tinha vida própria. A mão livre do macho agora se apossava dos peitos dela, e percorria um e outro, com um roçar suave que a enlouquecia e a excitava. Ela sentia os bicos dos peitos endurecerem e ficarem mais sensíveis. Começou a suspirar e gemer, respondendo aos avanços de Gustavo. Foi nesse momento que Gustavo se afastou, deixando ela quente e necessitada. Ele desceu do carro, deu a volta e abriu a porta do lado dela, estendendo a mão pra ela sair do veículo. Luciana olhou pra ele e hesitou. Sabia que se descesse com ele, não teria volta. Ainda dava tempo de botar um ponto final naquela situação. — Por favor, Gustavo, — ela suplicou, mas o olhar de desejo do macho deixou bem claro que, se dependesse do bom senso dela, tava perdida. Aquele homem tava decidido a possuir ela. A mão de Gustavo insistiu, e ela, por fim, timidamente, entregou a mão dela e virou o corpo pra descer do carro. Gustavo ajudou ela a se levantar e, quando ela ficou de pé, fechou a porta e, apoiando ela contra o carro, voltou a beijá-la, dessa vez com um beijo mais predador que os anteriores. Tinha posse naquele beijo. Já não era mais algo meigo, era uma demonstração de domínio do macho que excitou ela ainda mais. Depois daquele beijo, ele pegou ela pela mão e levou pro quarto. Abriu a porta e fez ela entrar. Fechou a porta e levou ela até a beira da cama. — Você realmente nunca pensou que isso ia acontecer? — perguntou enquanto beijava e acariciava o corpo todo dela. — Por favor, Gustavo, se controla. A gente vai se arrepender depois. Não joga tudo fora, — ela dizia, mas as palavras dela não tinham nada a ver com a atitude complacente que curtia as carícias que percorriam o corpo inteiro, e quando uma mão de Gustavo se perdeu entre as pernas dela e pressionou contra a boceta dela, inconscientemente ela abriu mais as pernas pra roçar mais fundo.
— Vou me arrepender se não te possuir — ele dizia quando a boca ficava livre. As mãos dele procuraram a borda da camiseta dela e devagar levantaram até tirar pela cabeça, deixando ela só de sutiã. As mãos do safado agora tinham mais liberdade pra brincar com os peitos dela, e os grunhidos de satisfação mostravam que ele tava curtindo pra caralho.
— Que peitão lindo que você tem, do jeito que eu imaginava — dizia Gustavo, enquanto uma mão amassava os seios dela e a outra voltava a marcar o caminho entre as pernas. Luciana sentia que a roupa incomodava, mas não queria ceder e ficar nua. Precisava resistir o máximo possível.
— Chega, Gustavo, olha, vamos fazer uma coisa: vamos nos beijar, conversar um pouco e depois cada um vai pro seu lado, sem problema, por favor — implorava Luciana, mas por dentro torcia pra ele não dar ouvidos. Não precisava nem implorar. Gustavo não tava disposto a parar por nada. Nem um terremoto impedia ele de continuar com as manobras. Além disso, sentir aqueles peitos debaixo da mão e acariciar a boceta dela já tinha deixado ele a mil. Não tinha nada que evitasse o que ia rolar.
E no entanto, a atitude de Gustavo surpreendeu ela. De repente, ele soltou ela e se afastou uns passos. Olhando nos olhos dela, começou devagar a se despir. Primeiro o pulôver e a camisa, deixando à mostra um corpo sarado apesar da idade. Depois desabotoou o cinto, os botões da calça, o zíper. Sentou na cama, tirou os sapatos e as meias e, levantando de novo, terminou de tirar a calça. Ficou ali de pé, mostrando um volume respeitável. Devagar, sentou na cama e se encostou no encosto.
— Vem, Luciana — disse, chamando ela com a mão.
A mulher hesitou. Sabia que se obedecesse, tava se rendendo. voluntariamente a tudo que ia acontecer. Mas a visão daquele homem com quem ela sonhava desde a adolescência, ali, nu e pronto pra curtir o corpo dela, era uma tentação irresistível. Ela deu um passo em direção à cama, e um gesto do homem a parou.
— Você está muito vestida pra mim. Vamos, me mostra seu corpo, por favor — ele disse carinhosamente.
Luciana olhou pra ele, e um sorriso leve se desenhou no rosto dela. Tirou os sapatos, desabotoou a calça jeans e deixou ela escorrer até os pés, saindo com agilidade. Uma calcinha fio dental branca, combinando com o sutiã, destacava a excelência das curvas dela. Assim, ela se aproximou da cama, sentou na borda inclinada pro lado dele, deixando todos os encantos ao alcance do homem, ali na distância do braço.
Suavemente, Gustavo passou a mão no rosto dela. Com o toque da mão, ela fechou os olhos. Sentiu aquela mão deslizando pela pele, e a respiração dela ficou ofegante. Quando os dedos chegaram nos peitos dela, os mamilos estavam duros e sensíveis. Percebeu que a outra mão subia pela perna dela e, devagar, tomava conta da buceta dela.
Luciana, quase instintivamente, apoiou a mão no peito de Gustavo e, acariciando, foi descendo até a cintura. Parou um instante e depois desceu até o volume que a atraía magneticamente. Uma arma dura e quente a esperava debaixo da única peça de roupa que ele ainda vestia.
Gustavo, excitado com as carícias que ela dava, perdeu o controle quando sentiu a mão doce de Luciana acariciando a vara dele. Naquele momento, os dedos dele habilmente afastaram a calcinha fio dental e a mão dele entrou em contato direto com a buceta dela. Um suspiro marcou o prazer dela, e uma lenta abertura das pernas foi a permissão pra os dedos do homem invadirem ela intimamente. Sentir aqueles dedos lutando pra possuir ela a deixou louca, e ela se inclinou sobre Gustavo pra começar a beijar ele.
O dedo médio da mão do homem se introduziu devagar por completo na buceta dela, e ela gemia. enquanto o beijava. Desceu pelo pescoço dele e se demorou no peito, mordiscando os mamilos do macho, enquanto o dedo a masturbava simulando uma possessão fálica. A excitação a fez continuar descendo pelo corpo de Gustavo, até tropeçar na vara dele, lutando para sair do seu esconderijo, pulsando e vibrando de forma incontrolável. Habilmente, enquanto descia com a boca, uma das mãos dela se adiantou e deslocou a cueca, liberando a ferramenta túrgida, que saltou para cima incontrolável. Imediatamente, a mão que a havia libertado a envolveu e começou a masturbá-la suavemente, preparando o caminho para o que viria. Sem abrir os olhos, continuou descendo, gratamente encantada pela pica que rodeava sua mão. Era grossa e comprida. A sensação era muito satisfatória.
Quando sua boca chegou até ela, foi engolindo devagar, até um ponto onde percebeu que era impossível engoli-la toda e dali recuou para brincar com a língua por toda a sua extensão.
Gustavo se deslizou para baixo, obrigando-a a descer mais para continuar com o fellatio, e as mãos dele a ajudaram a girar completamente e colocar um joelho de cada lado do rosto do macho, que, deslocando a calcinha dela, percorre com a língua a boceta dela, se apossa do clitóris dilatado e começa a introduzir a língua, provocando espasmos em Luciana, que se descarrega aumentando a força da sucção na pica de Gustavo.
Nunca a tinham acariciado daquele jeito. Ela tinha visto em algum filme pornô, mas o marido não era chegado a um cunnilingus, e ela nunca tinha feito aquilo. Se sentiu suja, uma verdadeira puta, mas por outro lado, gostava muito da atenção do macho. Também era verdade que o marido dela tinha que pedir para ela chupar a pica dele, e nessa situação ela tinha agido por conta própria, tomando a iniciativa. Como era diferente o sexo clandestino...
Continuaram assim por um bom tempo. Ela sentia o líquido pré-seminal brotando da vara de Gustavo e aquele sabor a excitava. Sentia o tesão crescer e aquela língua brincando na buceta dela a deixava louca. Quase sem perceber, sentiu o orgasmo aumentar, até ficar incontrolável e explodir num clímax avassalador. Teve que soltar o pau do Gustavo pra poder gemer à vontade. Foi uma libertação. Fazia muito tempo que não se sentia assim. Achou que ia morrer de prazer.
Gustavo deixou ela gozar sem parar de penetrá-la com o dedo, que chapinhava na umidade que jorrava do corpo da Luciana. Quando ela terminou e se desmanchou ronronando igual uma gata, ele desabotoou o sutiã dela, com cuidado virou ela, tirou o sutiã, puxou a tanga, abriu as pernas dela, se ajoelhou entre elas e, colocando-as sobre os ombros dele, apoiou o pau dilatado na entrada da buceta dela, fazendo a cabeça separar os lábios da mulher. Olhando nos olhos dela, avançou e a possuiu.
Luciana, ainda mole do orgasmo, não conseguiu fazer nada diante das manobras do macho e só quando se sentiu penetrada abriu os olhos. Pra surpresa dela, a expressão carinhosa do Gustavo tinha sumido. Sobre ela tinha um homem pronto a possuí-la com tudo, a partir ela no meio se pudesse, a despedaçar com o cacete enfurecido dele. E o que viu, gostou.
Nessa posição, ele se enterrou até o fundo, e ela se sentiu preenchida como nunca. Não achava que dava pra aguentar tanta pica, mas ali estavam os dois corpos se tocando e mostrando que a junção era total. As bolas do macho batiam nela quando ele investia até o fundo e depois recuava.
— Me dá mais, me dá mais — era só o que ela conseguia dizer diante do ataque predador do macho.
— Tô te dando tudo, puta, sente porque vou te partir no meio na base da pica — dizia Gustavo entre os dentes enquanto continuava o vai e vem.
— Por favor, não me enche — implorou Luciana.
— Ainda não — rosnou Gustavo enquanto acelerava as investidas. De repente parou e, saindo dela, virou ela de lado e se deitou atrás dela. Nessa levantou a perna e se enfiou de novo dentro dela enquanto acariciava os peitos dela. Luciana virando a cabeça oferecia a boca e ele pegava e metia a língua. Ao mesmo tempo, ela brincava com as bolas dele, que estavam duras, cheias de porra. Sentia aquela pica entrando e saindo, que nem uma máquina bem lubrificada. A mão dela apoiou na perna do macho e ela sentiu a tensão dos músculos quando ele empurrava pra cravar até o fundo. Esses movimentos excitavam ela pra caralho. Sentia o orgasmo crescendo de novo, mas ao mesmo tempo tinha que controlar pra Gustavo conseguir tirar antes dela gozar. Ela se cuidava, mas não queria ter problema.
Quando sentiu que a aceleração aumentava, sentiu um novo orgasmo chegando, mas ao mesmo tempo sentiu que o do macho também tava perto.
— Tira, por favor — implorou, recebendo só um grunhido como resposta.
— Tira, Gustavo, não goza dentro de mim — voltou a suplicar, e de repente sentiu o macho afundar até o talo. Agarrou a perna dele e sentiu ela tensa que nem cabo de aço, e um calor queimou ela. Gustavo tava esvaziando dentro dela.
— Peraí!!! Falei pra você tirar!!! — gritou, e na hora o orgasmo levou ela pro sétimo céu, perdendo o controle do que tava rolando. Gustavo se esvaziou dentro dela, jato após jato, gemendo e suspirando. Parecia que ia ter um treco. Fazia tempo que não tinha um orgasmo tão profundo. Por fim, ficou parado, sentindo a pica dele pulsar e amolecer. Os dois ficaram exaustos. Passaram-se vários minutos.
— Desculpa, Luciana, mas não consegui tirar. Faz tempo que queria te encher assim — falou, meio se desculpando.
— Tá tudo bem. Eu também precisava sentir você dentro de mim — disse ela. Preocupada, sentou na cama.
— Que horas são? — perguntou — Tenho que ir, tá ficando tarde.
Gustavo pegou ela pela cintura e forçou ela a deitar de novo pra começar a beijar ela. Ela se entregou total.
Se beijaram que nem adolescentes por um tempão.
— Vamos, Luciana, sei que você consegue levantar ele de novo — sussurrou Gustavo no ouvido dela, e ela entendeu. Devagar, ela voltou a pegar o pau dele na boca e acariciar as bolas. O gosto do gozo na boca agradou ela. Assim, ajoelhada na cama, enquanto chupava, a bunda dela levantada ficava ao alcance do macho. Lentamente, ele enfiou uma mão entre as pernas dela e pegou a lubrificação abundante da buceta junto com o gozo da gozada anterior e passou na bunda dela, até conseguir que um dos dedos perfurasse o esfíncter, o que surpreendeu Luciana e a excitou. Nunca tinham forçado ela daquele jeito. Quando dois dedos penetraram ela, ela já gemia de tesão, e pra completar, o pau na boca dela começava a endurecer rapidamente. Por fim, Gustavo se posicionou atrás dela como um cavaleiro pronto pra montar uma gostosa. Fez ela baixar a cabeça até apoiar na cama, e nessa posição apontou o pau pra buceta dela, e entrou como uma faca quente na manteiga, tamanha era a lubrificação que tinha lá embaixo. Imediatamente começou a bombar ela. Com uma mão, segurava o cabelo dela como se fossem as rédeas de uma gostosa, e a outra enquanto isso brincava com o cu dela, acariciando e furando de novo com os dedos.
Ela não conseguia reagir. Ali estava sendo penetrada selvagemente, e gozava como uma louca. A penetração anal estava agradando ela, os mamilos dela endureciam. De repente, o macho se retirou e ela respirou fundo. Mas imediatamente uma sensação estranha a invadiu. Algo que nunca tinha sentido estava tomando conta dela. Levou uns segundos pra entender que estavam sodomizando ela.
— Por aí não!!! — gritou, mas a cabeça do pau já tinha se aberto caminho.
— Calma, gata, relaxa e goza — foi toda a resposta do amante dela. A dor era aguda, mas o trabalho prévio tinha facilitado a manobra, e quando a cabeça se abriu caminho, ele ficou parado, apalpando os peitos dela enquanto ela se acostumava. Em uns dois minutos, ela sentiu novas estocadas e, depois de um tempo, os corpos se Chocaram. Ela tinha engolido tudo. Ele beijava suas costas sem pressa, enquanto o ânus dela se tornava complacente o suficiente para manter o encontro. Devagar, ele começou a tarefa de possuí-la por completo, e ela começou a aproveitar como nunca tinha aproveitado um encontro físico. Nunca pensou sentir tanto prazer, e um orgasmo a varreu por completo, enquanto ele a sodomizava.
— É muito bom, mas não quero terminar assim — disse Gustavo, e se retirou do cu dela. Virou-a enquanto ela ainda estava mole do orgasmo e, colocando um joelho de cada lado da cabeça dela, entregou-lhe o pau para ela chupar, coisa que ela fez sem reclamar. Por fim, o macho começou a trabalhar a boca dela como se estivesse se masturbando, e ela entendeu o que ele queria. Nunca tinha deixado o marido gozar na boca, mas estava disposta a satisfazer aquele macho e dar tudo o que pudesse. Quando sentiu o pau endurecer e esticar na boca, percebeu que o momento chegava e, por fim, com um urro, sentiu que ele gozava e um líquido quente encheu sua boca. Brincou com ele e, por fim, foi engolindo tudo até deixar aquele pau limpo e brilhante. Naquele momento, ele se retirou e começou a beijá-la docemente.
— Você foi extraordinária. É toda uma mulher. Complacente e puta como nunca tive nenhuma — e aquela frase pareceu o maior elogio que já tinham feito na vida dela.
— Oi, Gustavo, como vai?
— Bem, Luciana, fazendo as compras.
— E sua esposa? — perguntou, diligente.
— Bem, Luciana, em casa. Como está seu marido?
— Viajando, como sempre, o que é uma sorte porque me permite ir fazer compras na cidade nos próximos dias.
— Que bom, Luciana, espero que aproveite a viagem.
— Espero aproveitar tanto quanto da última vez — disse ela, sorrindo enquanto cobrava.
— E por que não? — respondeu Gustavo, saindo.
8 comentários - Colhe o que plantou
pD: ¿Me parece o la chica queda dos veces en corpiño?? Humm!
Tenés razón. Eso pasa cuando el relato se construye en varios días. Por ahí algo de la trama se escapa. Te agradezco la correción.
Exitos!!!