Não tema o love (6)

Fui atrás dela tentando alcançar, mas falhei. Corri até chegar na casa dela e a mãe dela disse que ela ainda não tinha chegado.

Caminhei até o parque e também não vi ela. As lágrimas começaram a inundar meu rosto, eu tava desesperada, me sentindo terrivelmente mal.

O que eu tinha acabado de fazer? Beijar um cara que odeia pessoas como eu? Enganar a mulher por quem eu tava me apaixonando? Zoar na cara dela? Fazer um papel ridículo completo? Deus... que merda.

Eu me arrependia profundamente. Fui tão devagar pra casa que cheguei quase na hora e, quando abri a porta da frente, me deparei com minha mãe sentada na sala e o Gustavo no outro canto tomando um refri.

— Que que foi?

— Meu amor, que falta de educação é essa? — minha mãe levantou e veio me cumprimentar — Não vai cumprimentar seu namorado?

— Perdão?

— Oi, meu amor — Gustavo levantou e me roubou um beijo inesperado.

— Ei, ei, ei — falei sem nem saber o que aquilo significava — Não tô entendendo o que tá rolando aqui?

— Então, minha vida — minha mãe começou a falar — que o Tavo (é, ela conhecia ele há poucos minutos e já chamava de Tavo) se apresentou, já que você não queria apresentar ele pra mim.

— Ele não é meu namorado — falei alto — Gustavo, sai da minha casa, por favor.

— Melanie, me faz o favor e respeita.

— Mas você não tá me ouvindo? Ele não é meu namorado.

— E o beijo que você me deu agora há pouco, o que significa então?

— Bem, aquele beijo... é... sei lá, a cerveja me fez um mal.

— Olha, Melanie, não vou ficar de palhaçada com você... tá bom, quer que a gente fale sério? — ela sentou e me fez sinal pra sentar também — O Gustavo me contou tudo que rola entre você e a Manuela e — ela apontou o dedo pra mim — além disso, nem precisava ele me falar, eu já desconfiava.

Meu mundo, que eu achava que tava perfeitamente bem, desabou num piscar de olhos. Minha mãe começou a falar comigo com nojo, o Gustavo me olhava como se eu não fosse normal.

— Você não pode ser assim, filha.

— Assim como? Homossexual, lésbica? Haha... tarde, mãe, tarde, porque eu já sou.

E sabe o que é? O pior – me aproximei dela falando do mesmo jeito que ela tinha falado comigo minutos antes – foi que me apaixonei por uma mulher, sim, pela Manuela.

Não terminei de falar o nome dela quando senti um tapa na minha cara. Nem tentei ouvir o que ela gritava, só me deixei levar por tudo que tinha acontecido naquele dia.

Fui pro meu quarto e não saí de lá pelo resto da noite e no dia seguinte, nem fui estudar… depois de tanto recusar, aceitei conversar com minha mãe.

Ela entrou no meu quarto com os olhos vermelhos e inchados, doeu na alma ver ela daquele jeito, e ainda mais porque era culpa minha.

– Me perdoa, filha.

– Mãe…

– Shhh… não fala nada, Melanie, eu só quero o melhor pra você – ela se acomodou do meu lado e começou a falar com carinho – Meu amor, você sabe o que a família pode decidir? Na sua escola nem vão te aceitar… além disso, Melanie, você ia matar seu pai de desgosto, e olha como ele tá doente.

As lágrimas escorriam dos olhos dela como se nunca fossem parar, a voz dela era cheia de incerteza. Só precisei que ela mencionasse meu pai pra pensar direito no que ia fazer da minha vida.

Então

Eu teria que sacrificar meus sentimentos pela saúde e bem-estar emocional da minha família e dos meus próximos?

Humm, acho que não seria capaz de aguentar isso. Por isso, decidi pedir pra minha mãe um dia, um único dia pra esclarecer as coisas (que ridícula eu fui naquele momento, como se eu pudesse parar o que não pode ser parado, como se num dia eu quisesse uma mulher e no outro um homem).

– Eu só te peço, Melanie, que pense em nós, meu amor. Olha, eu conversei direitinho com aquele rapaz e ele me pareceu ótimo, meu amor. Pensa nas coisas, mas principalmente pensa no seu futuro.

Fiquei em silêncio e esperei ela sair do meu quarto. Fui me olhar no espelho e até me assustei (imaginem como eu tava?). Olhos inchados, com olheiras… boca ressecada, cabelo todo bagunçado, e da minha roupa nem vou falar.

Entrei no chuveiro e me deixei levar pela água caindo no meu corpo. Não conseguia parar de pensar na Manuela, precisava falar com ela.

Manuela:

Senti quando ela chegou e bateu na porta, minha mãe disse que eu ainda não tinha chegado. Vi pela janela a silhueta dela por trás, ela era tão gostosa… agh, por que isso dói tanto o que ela fez? Afinal, a gente ainda não era nada… mas, Deus… ela transou comigo no mesmo dia que beijou um HOMEM!!

(Um dia depois)

Acordei e fui pra escola, não quis falar com ninguém, não sentia necessidade…

O choque de sentimentos (ruins e bons) tava me afetando. Pedi pra sair da aula e fui pra cafeteria tomar algo pra me acalmar e me controlar.

Nem prestei atenção no tempo e, quando vi, já tinham batido o sinal de saída. Vi a Lina de longe se aproximando de mim, nem deixei ela falar. Quando senti que ela tava perto, fui direto pra saída da escola.

Era um daqueles dias comuns, era antes de conhecer a Melanie, eram cinzentos… eram iguais quando a Maria foi embora… eram… agh, tô sendo tão patética, eu sei…

Caminho e chego no meu lugar, no meu parque. Tiro da minha mochila meu caderno de pensamentos (aquele que a psicóloga me mandou uma vez) pra anotar tudo que passa na minha cabeça e me assusto: em 15 minutos já escrevi mais de 4 folhas (8 páginas)…………………………………………………………………..

A tarde toda vai nisso, escrevendo e pensando, analisando minha vida e as pessoas ao meu redor.

A Paola se aproxima de mim "como se o dia já não fosse uma merda", senta do meu lado e diz que já sabe o que aconteceu ontem à noite.

— Hmm, maravilha!!
— Manu, desculpa
— Eu desculpo mais

Na mão dela, uma garrafa de uísque (truque velho, mas eu caio nele mesmo) — Vamos pra minha casa, sim?

Concordo, tô com raiva… esqueci de dizer que uns minutos atrás cruzei com o cretino (já sabem quem é) e ele, com um sorrisinho de vitória na cara, me fala:

— "Ei, ei… já conheci a sogra lésbica, ela é bem gostosa e ainda… caí bem nela, sabia que eu e a Melanie já somos namorados??"

Pff, o que eu posso pensar sobre isso?...

Faço ele caso a Paola e vou com ela, quero esquecer por um minuto a merda que é não me sentir com ela… agh, ainda penso nisso e não acredito. Por que ela transa comigo e beija ele? Uff, que triste… triste ver que… talvez… ela seja igual ao que a maioria acaba sendo, mas beleza!! Ótimo, eu mereço isso, quem diabos me mandou ser tão filha da puta ingênua??

Vou com ela pra casa dela; primeira vez que entro, ela tá sozinha… é bem agradável e acolhedora. Quem diria?

— E sua família?
— Tão trabalhando — respondeu, indo pra cozinha e pegando duas taças. Deixei a porta aberta, não queria me trancar com ela.

Ela sentou do meu lado e assim começou uma tarde bem intensa.

Melanie:

Como não fui pra escola e não aguentava mais ficar assim, fui de novo pra escola dela e esperei ela sair. Ela discutiu com os amigos e foi sozinha pro parque.

Não me apressei, deixei meus sentimentos me guiarem — curiosamente — eles só me mandavam ficar quieta. Segui ela e fiquei mais de 2 horas vendo ela olhar pro céu e escrever no caderno…

Vi a Paola se aproximar dela, sentou do lado e grudou no corpo dela — maldita!! — foi a única coisa que pensei…

Não quis continuar vendo, mas fiquei pra ver o pior. Manuela entrou com ela na casa e deixou a porta aberta, de lá dava pra ver elas… naquela hora estavam bebendo…

Meus olhos nem piscavam, estavam abertos, atentos pra não perder nenhum momento entre elas… mas… brindaram… manuela abraçou ela… e depois… depois… se beijaram (haha mentira, impossível as duas protagonistas fazerem a mesma coisa, né?)

Depois… manuela levantou e foi embora… Paola ficou chamando ela, mas mais tarde entrou. Segui aquela mina que eu tanto gostava…

O passo dela era lento, bem lento…

Era suave… a cabeça dela tava baixa

— Manuela — falei o nome dela sem nem pensar

Ela se virou e me olhou

— O que você tá fazendo aqui?
— Vamos conversar, por favor
— Sobre o quê?
— Chega um pouco mais perto, ficando a só dois passos dela – Manu, me perdoa.

– Por quê? Por que você beijou ele? Hum… não se preocupa – ela me disse com toda calma – eu não tô brava.

– Tá falando sério?

– Tô.

Não liguei que tivesse gente na rua olhando pra gente, me joguei nela e beijei ela… ela, quer dizer, o beijo dela não foi como os outros, nesse eu sentia raiva… muita raiva, mas não quis me afastar dela, abracei o pescoço dela e falei no ouvido que amava ela.

Manuela:

Agora eu tava ali… comigo ela me abraçava e, aff, se ouvissem iam achar que o que ela tava me dizendo era verdade, até eu cheguei a duvidar… ha… inacreditável, não bastava o que ela tinha me feito pra agora achar que tava tudo como se nada tivesse acontecido? Pelo amor de Deus… no que ela tá pensando?...

Senti tanta raiva, que só agarrei ela forte pela mão, chamei um táxi e levei ela… ela não sabia o que eu tava fazendo e entendo ela, porque nem eu mesma sabia pra onde a gente tava indo, ainda tava com meu uniforme e não liguei.

Ela segurava minha mão e acariciava, cada vez que eu olhava pra ela me sentia pior… era pra eu já ser namorada do Gustavo, mas ela vinha e me dizia que me amava, fechei meus olhos e me forcei a não chorar, falei pro motorista nos levar pra um motel, sim… nunca tinha entrado num, mas ela seria a primeira pessoa com quem eu ia fazer isso.

Meus planos naquela altura seriam: dormir com ela de novo, não fazer amor, mas sim transar… eu voltava a ser a mesma Manuela de duas semanas atrás… que triste… pff, que patético o amor.

– Manu…

– O quê?

– Por que num motel?

– Ah, não quer?

– Não é isso, é só que acho que primeiro a gente devia conversar.

Fiquei calada naquele momento – Moço, para um pouquinho, por favor.

– Claro – ele respondeu, parando o carro.

Desci sem falar nada e fui na loja de bebidas, comprei uma garrafa de uísque e entrei no carro de novo, vi o motorista me olhando e com a cara dele me dizendo que eu não devia fazer aquilo.

– Tem algum problema, sabe por quê? Cê não é o único taxista desta cidade

- Manuela, o que foi? – Melanie se intrometeu, falando bem alto e surpresa – Senhor, desculpe.

- Não se preocupe, e senhorita – ele olhou pra mim – eu não tô falando nada, e se com meus gestos te fiz sentir mal, peço desculpas.

Nem olhei pra ele, ouvi a Melanie falando comigo mas nem quis encarar ela, só esperei a gente chegar e pronto.

9 minutos depois, ouvi aquele senhor de boné, com um pouco de barba, olhos profundamente castanhos claros, avisar com a voz rouca que já tínhamos chegado. Paguei e peguei na mão de quem eu achava que ia ser minha namorada.

- Manu, não quero…

- Tem certeza? – falei desafiando.

- Não… tipo, vamos conversar primeiro.

- Não quero conversar – soltei a mão dela, peguei a garrafa e despejei a bebida num termo onde eu tinha uma Coca Booty na minha mala. – Vamos entrar ou não?

Ela concordou sem vontade…

Doía fazer o que eu tava fazendo, ou melhor, o que eu tava prestes a fazer… mas meu ego, não tanto porque metade do colégio hoje de manhã tava me dizendo "ah… te meteram um chifre tão feio… ugh… que merda, Manu", mas porque ela, apesar do que tinha feito, continuava no joguinho dela…

De cabeça erguida, entrei com ela no lugar.

- Boa tarde – a recepcionista perguntou.

- Boa tarde.

- Eh…

- Sim – ajudei ela – a gente vem nós duas.

- Quantos anos vocês têm?

- Vão deixar a gente entrar ou não?

- Manuela, para com isso, que grosseria é essa?

- Não se mete.

- Sim, quanto tempo?

Olhei pra Melanie, vermelha de vergonha, apertei a mão dela pra ela me olhar.

- Quanto tempo? – questionei olhando nos olhos dela.

- Como é que eu vou saber? – ela respondeu.

- 2 horas.

Ela me entregou um cartão e indicou por onde a gente devia ir. Subimos pro quarto, passei o cartão na porta e ela abriu. Entrei primeiro e sentei no balcão… tirei o uísque da bolsa e comecei a beber. Ela chegou perto e arrancou ele de mim violentamente.

- Por que você tá nessa atitude? – perguntou angustiada – O que foi, meu amor?

- Meu amor? – falei num tom debochado. sarcástico
- Po, Manuela, você me disse que não tava mal comigo… então por que tá me tratando assim?
- Por nada – tirei meu termo e continuei bebendo
- Não vou dormir com você se estiver bêbada
- Então o que cê tá esperando pra vazar? – murmurei grosseiramente, a raiva tava me dominando… mais do que eu queria admitir

Ela me olhou, não conseguindo segurar uma lágrima – tá bom, tchau – virou as costas e foi em direção à porta, levantei da cadeira e fui atrás dela, agarrei ela por trás, acariciando o cabelo dela – não vai embora

Virei ela e ela me abraçou – me perdoa

Não falei nada sobre aquilo – cê quer que eu não beba? Beleza – peguei o termo e joguei fora – não bebo – beijei ela---meu orgulho e minha razão gritavam e exigiam que eu parasse de beijar ela daquele jeito

Daquele jeito como? Pois… assim!! Do jeito que eu gostava de beijar ela, com amor!...

Abracei ela com toda minha força e falei de novo pra ela não ir embora…

Sem esperar, ela foi levantando minha blusa, sem parar de me beijar… os lábios dela estavam molhados, quentes… doces…

Não quis dar ouvidos à minha raiva interior, mas foi impossível, realmente impossível… fechei meus olhos e só via ela e ele… Deus… é que aquele beijo parecia melhor do que o que ela me dava, ela… ela… ela… queria ele…

Uma lágrima escorreu de mim, ela sentiu, tentou se afastar mas não deixei, joguei ela com força na cama e fiquei por cima, tirei a roupa dela quase tão rápido quanto ela demorou com minha blusa… ela tava à minha mercê, eu olhava pra ela sorrindo e meu ódio aumentava como ela podia fazer isso comigo?

Me despi também e beijei ela na boca… lábios… língua… queixo… mandíbula… começo do pescoço… pescoço… orelha… mordi ela forte… ela gemeu… agh queria que doesse, não que ela curtisse… desci pelo começo do peito dela… apertei os peitos dela com minhas mãos com força… ela se contorceu fechando os olhos… beijei ela ali… comecei a lamber eles… a… chupar eles… a… molhar eles… desci minha mão… e… enfiei… na buceta dela… toquei ela… ahh… ecoou no quarto…

Fui fazendo amor com ela desse jeito enquanto, do mesmo jeito, eu Eu me movia no ritmo do corpo dela… comecei a ficar excitada… não queria… merda… agora tinha que parar e não conseguia… agh… cada vez mais… fui mais e mais rápido até que ela… gemeu um pouco mais alto e senti o corpo dela tremer com meus dedos em contato com a buceta dela…

Ela abriu os olhos… e se virou… não deixei… ela insistiu… e eu recusei… voltamos pra mesma posição inicial… olhava pra ela com raiva… com ódio… tinha me apaixonado de verdade… que idiota que eu sou!!!

Me ajeitei de um jeito que minha buceta ficasse no meio das pernas dela e que, ao me mexer, fosse gostoso… ela fez o mesmo… começamos a nos mover e… mmm… gozei… bem rápido…

Deitei e virei de costas pra ela…

Fechei meus olhos e em minutos senti as mãos dela rodearem minha cintura, enquanto sentia os lábios dela no meu cabelo

— você é linda, Manuela, lindíssima

Ela acariciou minhas costas… meus braços… meus peitos… comecei a ficar excitada de novo… quando me senti horrível ao ouvi-la dizer "te amo"

— por que você é assim? — me virei pra ficar de frente pra ela

— assim como?

— pensei que você fosse diferente, Melanie… juro que pensei

— do que você tá falando?

— DE VOCÊ, VOCÊ NÃO ME OUVE?!

— Manuela, não grita comigo

Levantei da cama, e percebi que tava tonta, me vesti e peguei o uísque, quando já tava pronta, vi ela chorando sentada na cama

— você ficou comigo por vingança? Por isso tava com tanta raiva? Por isso foi tão bruta? Hã? RESPONDE?!

— você já tem quem fique com você melhor do que comigo, né?

— Manuela, pelo amor — ela se levantou com o lençol cobrindo o corpo — aquele beijo foi uma puta burrice

— não, Melanie, não foi, sabe?… diz pro seu namorado que ele ganhou… que ficou com você… sabe? — me aproximei dela, vi ela tremendo, tava com medo… medo de mim — te conheço há mais ou menos duas semanas, e desde o primeiro momento que te vi, você me interessou, comecei a te tratar e… — pensei um minuto — me apaixonei — vi como ela me olhou — me apaixonei por você… ontem — uma lágrima escorreu de mim, enquanto ela pegava minha mão e me beijei – quando a gente ficou junto foi a melhor coisa que me aconteceu, foi… algo lindo, mas depois… depois eu vi, vi algo estranho em você, tipo arrependimento, te liguei de tarde e… você não tava bem, me senti um lixo, sabe?... depois te vejo com ele

-manu, deixa eu explicar – ela sussurrou com a voz falhando

-deixa eu terminar

Suspirei

-te vi com ele… vi como você olhava pra ele e como ele olhava pra você… me deu raiva… me senti triste – olhei nos olhos dela com a maior sutileza – e depois você dança com ele… fica com ele… beija ele… e tudo gira na minha cabeça e… – quando viro pra ver se você vem atrás de mim, continuo te vendo naquela… pelo amor de Deus… é que mesmo se eu tivesse feito a pior coisa pra você, você não teria sido tão cruel… e pra completar… hoje eu trombo com ele e ele me fala que já se dá bem com sua mãe, que ela aceitou ele como seu namorado, e que vocês são namorados

-manuela…

-shhh sabe como eu me senti? Igual quando ela morreu – não queria ter dito isso, nem sequer pensei nisso

-quem é ela, manuela?

-me senti a pior merda, Melanie – ignorei a pergunta dela e voltei ao assunto – e você vem… e… – não consigo falar, porra!! Por que sou tão fraca?… – me diz que me ama? Por acaso você é de pedra pra não sentir o que eu sinto quando você fala isso?

-foi mal

O celular dela tocou – atende – falei me levantando pra pegar

-não

-sim

Peguei do bolso da calça dela e… uff… """"Gustavo""""

Sorri…

-fica bem

-¡¡¡MANUELA!!! Não vai não… – ela chorou – não me abandona

-vai, atende seu namorado! Vai… ele tá te esperando

Saí daquele lugar com o coração em pedaços, peguei um táxi e fui pra casa.

Melanie:

No táxi ela age diferente… ela… ela não é ela… eu sei, não quero contrariar ela, não quero perder ela, chegamos num motel

Deus… ontem perdi minha virgindade e hoje tô num motel, briga com a recepcionista, peço pra ela se acalmar e em poucas palavras ela me responde com um – "não se mete" – tipo, não seja "METIDA"

Ela só faz beber e beber, me dói ver ela assim Sei que é por minha culpa, me sinto igual, entendo ela, mas não quero que continue bebendo, tô com medo. Entramos no quarto e ela pega outra dose, tiro da mão dela, quero ir embora… ela me segura e me abraça, implorando pra não ir, me vira e me beija.

Deus… ela me beija igual ontem, eu amo ela… e… mesmo doendo, não vou largar esse sentimento; pela minha família, não posso.

Sinto uma lágrima dela na minha bochecha, quero perguntar o que houve, mas ela não deixa. Me joga com força na cama e começa a fazer amor comigo de um jeito diferente… não quero… não quero…

Não quero que ela seja assim… não quero, deixo ela fazer o que quiser e ela continua chorando, humm que martírio isso, queria voltar no tempo e não ter sido tão idiota.

[…]

Ela senta do meu lado e me fala tudo que sente, é tão meiga, não quer chorar mas não consegue…

Peço pra ela me ouvir e ela não deixa, sinto meu coração batendo muito rápido, não sei por que, mas sinto que isso é tipo uma despedida, ela continua chorando… toca o maldito do meu celular, olho e é o Gustavo, não!! Não posso ser mais azarada…

— Fica bem — ela fala saindo pela porta.

A única coisa que consigo fazer na hora é chorar, minha mãe me armou uma cilada… por isso a atitude dela ontem, se envolveu com ele pra me separar da Manuela e… caí na armadilha dela… por quê? Por quê?—

Me visto e vou pra minha casa, abro a porta e encontro minhas malas na sala…

Merda, pra que perguntar o que houve se já sei?

— Melanie, onde você tava? — minha mãe pergunta preocupada.

— O que te importa?

— O quê?

— Você ouviu.

— Ok, perfeito que você esteja assim, já sabe que essas malas são suas e já vai embora.

— Pra onde?

— Pra casa dos seus avós, na praia… já falei com seus professores, o ano já tá acabando, então não tem problema.

— Por quê?

— Meu amor, é pro seu bem.

— Mãe… não faz isso comigo, não faz — falo implorando, quase chorando.

— Desculpa, filha, mas é pro seu bem — ela me abraça e nem me deixa me despedir do meu pai, me arrasta até o carro. carro do meu tio e me levam.

Nunca pensei que isso fosse acontecer, que minha própria mãe fizesse isso comigo, a Manuela não quer saber de mim, minha família… hum… O que posso dizer da minha família? Ou melhor, da minha mãe?---

Fecho meus olhos com uma impotência no coração, então é aqui que acaba o fim da Manuela e eu? Merda… quero morrer…

-tchau, meu amor – sussurro para mim mesmo – te amo, Manuela…

Manuela:+

-o que aconteceu no final?

-nada, Lucia… já acabou tudo

-você sabe que não é verdade

-não quero mais me apaixonar, pelo menos por um tempo

Ela me abraça e peço pra ela ficar comigo, esse é o pior momento que passei em muito tempo.

(Passam 5 dias)

Estou na casa do Nicolás, esperando meus amigos, quero me distrair, nesses dias não soube nada da Melanie, não sei por que esperava que… sei lá, ela talvez me procurasse ou insistisse mas… pelo visto não fui tão importante.

Batem na porta, vou abrir enquanto o Nicolás tá todo atrapalhado tentando fazer uma sobremesa há mais de uma hora, abro e vejo a Lucia meio… Hmm como eu digo? Ela tá…

-o que você tem?

-Manuela. É a Melanie

O tom de voz dela é preocupante, temo o pior - o que aconteceu com ela?

-você é uma idiota – ela me diz entrando em casa – idiota, falam qualquer coisa e você já cai. Né?

-oi, e o que aconteceu com a Melanie?

-ah, viu como você se preocupa? Pois é, não queria saber nada dela

-se você não me contar, vou procurar ela, Lucia

-vai, vai… ela não tá, você não vai mais encontrá-la

A mesma coisa que o Santiago me disse, o irmão da Maria quando ela morreu, foi tanto pânico que senti que perdi o equilíbrio e caí.

Abri meus olhos e vejo meus amigos gritando comigo

-estou bem

-vamos conversar, tá?

-ela… Lucia, ela…

-não, Manu, ela não morreu – sorriu ao ver minha calma – vamos sair pra você tomar um ar

********************************************

-é assim – resolveu me dizer

Agora eu sabia, que ela sentiu ciúmes… nunca pensei que ela tinha beijado o Gustavo por raiva Lina, a mãe dela mandou ela sei lá pra onde morar com os avós, ela preferiu ficar comigo do que com eles, e eu estraguei tudo…

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaagggghhhhhhh!!!

Lucia!!!

— O que eu fiz?

— Manu… já é tarde, foi o irmão dela que me contou. Eu tava conversando com ele e nem sabia que eram irmãos até agora, quando vi um documento com os mesmos sobrenomes da Melanie. Perguntei e ele me contou tudo.

— Ele não te disse pra onde ela foi?

— Ele nem sabe quando ela saiu. A mãe dela não quis contar, com medo do marido não deixar.

Fim da história!CONTINUARÁ?

3 comentários - Não tema o love (6)

fem28
guau q impresionante....q mala onda de la madre es una yegua je 😞