Eu tava me beijando com aquela mina, que conhecia há menos de uma semana, mesmo.
Pensei que ficar com ela era mais porque eu gostava dela
E por que não admitir? Desde que a Maria morreu, eu virei um completo lixo com as mulheres, enchia a cabeça delas de conversa fiada e... depois... a gente acabava na cama, não tava nem aí se elas queriam saber de mim ou não, assim como eu, era só sexo uma vez e pronto.
A mesma coisa eu pensava com ela, embora claro – não posso negar – que a Melanie me chamava a atenção, o jeito dela, tanto por dentro quanto por fora, era simplesmente atraente pra mim.
Era uma garota, tinha quase a minha idade ou a mesma, verdade que não lembro se tem 16 ou 17 anos, no geral parece mais nova que eu. Alguém indefeso que precisa de proteção e eu só tava pensando em levar ela pra cama e tchau.
Mas aí eu vi ela com aquele cara, com o mesmo idiota da outra vez. Com aquele estúpido que se acha homem, Ja... mas mesmo assim senti um negócio ao ver ela com ele. Quando as mãos dela abraçavam ele e as dele faziam o mesmo, percebi ali que não só gostava dela, mas que sem perceber tava sentindo coisas por aquela mina.
Agora eu sentia os lábios dela nos meus
As mãos dela no meu rosto
Abri meus olhos e os dela estavam perfeitamente fechados
Como é que eu ia transar com ela?
Não
Já não queria mais isso. O que eu queria naquele momento era... era ficar com ela assim pra sempre, sentir que o corpo dela inteiro tava cheio de amor, de um amor doce e sincero.
Levantei minha mão na altura do meu rosto e acariciei a dela, fui descendo até chegar no braço dela, queria não fazer nada, mas minhas malditas hormônios mandavam outra coisa. Fui descendo devagar pelas costas dela, senti o corpo dela tremer com o toque das minhas carícias, minha outra mão coloquei em cima da coxa dela e comecei a tocar ela por ali, ela suspirou igual a mim
******************************************
Tava na casa dela
Podem acreditar?
NA CASA DELA!!
E tava beijando ela, uma combinação sutil de sensações Naquele momento, elas nasceram. As mãos dela começaram a percorrer minhas costas com uma lentidão que me matava. Depois de um tempo, a mão esquerda dela estava em cima da minha perna direita, a poucos centímetros da minha buceta.
Eu suspirei no mesmo segundo que ela também suspirou. Queria ir mais longe, mas de repente, ela deixou de ser delicada e suave para se apressar e me tocar rapidamente.
Olhei nos olhos dela, e ela estava de olhos fechados, igual a mim. Mas ela começou a enfiar a língua na minha boca... ela era boa nisso — por que negar? — ela beijava bem, mas por que ela passou de mulher a se comportar como um homem? Do mesmo jeito apressado e ansioso.
(Não quero ofender ninguém, mas quase todo mundo, quando fica com tesão, acelera o passo. E pra mim, naquela ocasião, que seria minha primeira vez, não era o ideal.)
Fiz ela parar, e ela parou — bom, pelo menos não teve a mesma atitude do Santiago e não me tratou mal.
— Me desculpa — ela sussurrou, tentando controlar a respiração — não sei por que fiz isso.
Me irritou saber que ela só queria aquilo, sexo.
Por que todo mundo é tão obcecado com a porra do sexo?
É... bom, eu sei que sou virgem e que talvez nunca tive a chance de sentir como é bom, mas não acho que seja mais importante que tudo.
— Não se preocupa — eu me levantei, arrumei minha blusa e subi meu jeans, que estava um pouco abaixado — já tenho que ir.
Ela ficou calada.
Eu esperava por isso.
Pelo pouco que a conheço, ela sempre age assim. Fez a mesma coisa no dia em que nos conhecemos. Tchau, falei ao sair, e saí de lá. Eu tava com raiva e, mais que isso, sentia tristeza.
Então não era tanta diferença assim entre estar com uma mulher e estar com um homem.
Porra!!!
Eu ferrei com tudo.
MERDA, MERDA, MERDA, MERDA.
Por que agi assim?
Bom... com outra mulher seria normal, mas com ela não... ela é especial. E agora estraguei o pouco que tinha conseguido ao lado dela. Vi ela sair da minha casa com o rosto enterrado no chão, com aquele mesmo olhar triste. Saber que fui eu que causei tudo. Isso foi... ah, não sei...
Sou uma idiota.
Aquela noite foi um desastre total. Queria ir na casa dela e pedir desculpas, dizer que não queria ter feito aquilo, mas que meu maldito orgulho preferia que eu me comportasse assim do que me apaixonar de novo e sofrer outra vez. E com ela, mais cedo ou mais tarde, isso ia acontecer — claro — antes de eu ter feito aquilo.
Os dias passaram, as horas... os minutos. Que saudades daquela mulher!!! Continuei indo no parque com a principal intenção de vê-la, mas o que eu tô falando? Óbvio que ela não ia querer saber mais de mim.
Sentei no banco, no meu banco, e me preparei pra ouvir música. "Penso em Ti" do Tremolo foi a música que mais me fez lembrar dela. Fui na casa dela várias vezes, mas não tive coragem de bater. E, infelizmente, a mãe dela nessas ocasiões não apareceu como da primeira vez. Os lábios dela, o olhar, o corpo tão frágil, a voz... Na real, ela era uma menina linda, era maravilhosa, e a ternura dela me deixava fraco com meu coração duro.
— Manu, o que cê tá fazendo?
— Hmm... nada de mais. E você, como tá?
— Bem, mas você não parece a mesma. Ainda pensando nela?
— Sim, não paro de pensar ultimamente — suspirei sem jeito.
— Olha, já faz quase 2 anos. Já tá na hora de você esquecer a Maria, não acha?
— Maria? — perguntei. Eu não tava falando dela. E foi aí que percebi que, desde que a Melanie apareceu, ela conseguiu me fazer esquecer uma lembrança minha.
— Sim — confirmou Juan Pablo —, a Maria.
— Tá, vem cá e me conta como foi o show que vocês fizeram. O que o produtor falou?
Ele não conseguiu esconder a cara de felicidade — Semana que vem a gente grava nosso primeiro demo.
— Ohh... — sorri e abracei ele — Desejo tudo de bom pra vocês.
— Valeu. Ei, como é o nome daquela menina que tava contigo aqui outro dia, sua amiga?
— Ahh... Melanie.
— Ok.
— Por que tá perguntando?
— Só queria saber, não lembrava do nome dela.
— Tá bom.
***************************************************************************
Já se passaram o quê? Umas 2 semanas quase, e não sei nada da Manuela. Me Sinto mal porque talvez não foi culpa dela... acho que a Jimena tem razão, e se ela já transou, é óbvio que quando estiver nessa situação vai querer continuar. Eu me apressei demais...
Me surpreendeu a ligação de um dos amigos dela agora há pouco. Hoje eles estavam fazendo uma festa em homenagem ao grande lançamento do demo dela, que é na outra semana – segundo ela me contou – mas como eles vivem em ensaio atrás de ensaio, resolveram fazer hoje. Me convidou e, sinceramente, não sei... é... só quando eu a ver?
Bom, bom... se eu for, é por ela.
– Em que tá pensando, linda?
– Em nada, mãe. Talvez em sair um pouco hoje à noite.
– Uhh – ela brincou na hora – tu tá pegando alguém, né? Se soubesse que é com uma mulher, mãe...
Fiquei calada, senti meu coração apertar. Ela sempre foi mais que minha mãe, minha amiga, e agora eu não conseguia contar o que sentia, por mais que quisesse.
– O que foi, Melanie? – Ela sentou do meu lado e colocou o braço em volta do meu pescoço – Me diz por que você tem estado assim esses últimos dias, hein?
– Mãe, eu... eu...
– Você o quê?
– Vamos mudar de assunto. Olha, quero te perguntar uma coisa.
– Fala.
– O professor de filosofia hoje falou sobre homossexualidade, as consequências... os problemas, tudo. E segundo ele, é um assunto bem problemático.
– É sim.
– O que você acha?
Senti ela cruzar as pernas e se perder no olhar, tentando encontrar palavras pra me responder.
– Acho que não é algo que uma pessoa possa se orgulhar.
– Por quê?
– Porque não. Olha, Melanie... Deus não criou Adão e Eva pra juntar Karla e Lúcia, ou Sara e Sandra, ou, por exemplo, você e sua amiga, como é o nome dela?
– Quem, a Manuela?
– Isso – ela concordou – não... isso não é bom. São duas mulheres... do mesmo sexo – ela enfatizou a última parte.
Era o que eu esperava: que ela não concordasse. – Tá bom, mãe.
– E você, o que acha?
– Eu? – Respirei assustada – Eu... não sei... não posso julgar essas pessoas. Acho que, se é isso que elas sentem, já basta. - hahaha, mas cê imagina no sexo?
Olhei pra ela surpresa, mas com um certo tom sério – como assim?
- sempre me perguntei isso, como é que os gays e as lésbicas transam? Bom, bom... os caras é mais fácil saber por onde enfiar, né?
Não respondi, não conhecia aquela senhora sentada do meu lado, que era minha mãe, por que ela tinha que zoar e julgar os outros, sendo que no fundo era comigo que ela tava fazendo isso.
- digo, e as mulheres? Têm que comprar um vibrador, um consolo ou seja lá como chamam... – ela negou – pra essa graça, ficam com um homem e pronto, não acha?
Ela tinha um ponto, até agora eu não sabia como era transar com uma mulher – se você tá dizendo, é porque é assim. E a conversa acabou ali.
O resto da tarde fiquei pensando se ia ou não, e percebi que fazia dias que não via ela, nem pra trocar uma palavra, ou pelo menos olhar pra saber se tava bem.
Me arrumei rápido e liguei de volta pro Juan Pablo pra dizer que ia, ele me deu o endereço e às 9 da noite saí de casa.
Em uns 20 minutos cheguei na casa da Estefânia (ia ser a festa lá) e pra quê negar? Todo mundo era bem legal, me senti à vontade, comecei com uma cerveja e tava batendo papo com eles, procurei a Manuela com o olhar mas não vi, suspirei resignada, ela já não vinha, olhei no relógio 11:30.
- tá acontecendo algo?
- não
- tão se divertindo?
- claro que sim
- e cê topa dançar comigo essa música?
Olhei pro Carlos, o vocalista da banda... sorri pra ele, porque vi medo no olhar dele de eu recusar – claro que sim – estendi a mão e me levantei pra dançar com ele.
**
Cheguei um pouco atrasada, mas quase não me decidi a ir... não tava com pique de sair, a Paola veio na minha casa à tarde e acabou de ferrar meu dia, que mulher chata pra caralho!!!
Cumprimentei a galera, pedi uma cerveja, passei pela piscina e Por acaso, vi a pista de dança
Lá estava ela
Com o Carlos
O que ele fazia aqui?
Meu Deus… ela estava linda, sentia falta de observá-la, analisá-la, saber como ela agia… ela ainda não sabia que eu estava ali, estava mergulhada nos pensamentos dela, abraçada no Carlos…
Cheguei no meio da música e toquei ela por trás – oi – sussurrei, ela se virou e o sorriso dela me deu as boas-vindas naquela noite
-oi, como você tá?
-bem e você?
-bem – ela parou de dançar e se desculpou com o Carlos
-podemos conversar? – perguntei meio insegura com a resposta que ela poderia me dar
-claro que sim
Apontei pra gente ir até a sacada da casa, dava pra ver a cidade toda iluminada, aquela parte da casa estava vazia… éramos só nós duas ocupando aquele espaço.
-faz dias que a gente não conversa – murmurou, esfregando os braços pra se aquecer
-é…
-quero me desculpar com você
-por quê?
-me comportei que nem uma criança da última vez na sua…
-escuta – interrompi – quem tem que pedir desculpas sou eu, me comportei que nem uma idiota… não devia ter feito tudo aquilo e além disso… me apressei demais
Ela ficou quieta, baixou o rosto e eu a acompanhei, me sentindo mal – me desculpa, te prometo que não vou fazer de novo
**
Ela me dizia que não ia fazer de novo e meu coração se apertava de novo… como ela não ia fazer de novo se eu amei o jeito que ela me beijou?? Não… ahhh, e agora, o que eu faço? Fazer o quê… vou ter que aceitar isso então.
A noite seguiu normal, como eu esperava, divertida… longa… a Manuela de vez em quando me olhava de longe porque estava com o melhor amigo dela, enquanto eu passei com os caras da banda.
O olhar dela estava triste, dava pra ver que ela realmente estava envergonhada. O único problema que vi foi que o Carlos tinha bebido um pouquinho a mais e já estava em cima de mim, tentou me roubar um beijo e todo mundo segurou ele, vi a Manuela de longe… como ela estava de olho no que ele fazia comigo. Depois de 5 minutos, ela chegou perto
-oi, eu de novo
-oi – sorri — O Carlos tá te enchendo o saco?
— Não, ele tá meio bêbado, mas eu sei lidar.
— Até que horas sua mãe deixou você ficar?
— Até as 2 — falei, olhando pro relógio quando já eram 3:30 — PORRA!! Perdi a hora.
Ela... inocente, caiu na risada. Acho que minha cara naquele momento devia estar bem cômica.
— Quer que eu te leve?
— E você?
— Minha prima me emprestou o carro dela, eu já tô indo pra casa também.
— Se você fizer esse favor, vou te agradecer pra caralho.
— Ok — ela assentiu na hora — dá tchau pra geral que eu te espero no carro.
Na mesma hora me despedi de todo mundo, falei que já tinha que ir e — em seguida — vazei.
Tinha carro pra caralho estacionado, não sabia qual era o dela, até que vi uma caminhonete passando na minha frente e ela dirigindo...
— Ei — falei de fora — cê fica gostosa dirigindo.
— Cê acha?
— Uhum.
— Kkkk, sobe, linda — ela abriu a porta do carona e eu sentei do lado dela. O caminho foi silencioso, ela colocou uma balada... Era... não lembro... Ah, sim, "Heaven" do Bryan Adams. Ela me olhou e sorriu tímida, eu fiquei encostada no vidro da janela esperando ela me levar.
— Chegamos — ela avisou quando eu abri os olhos e vi minha casa na minha frente.
— Ahh, sim — tirei o cinto de segurança — valeu.
Ela assentiu.
Eu ia descer, mesmo sem querer... mesmo agora me arrependendo de ter ido naquela festa por causa dela e não ter aproveitado, mesmo gritando por dentro que no caminho eu devia ter falado o que sentia e fiquei calada. Abri a porta.
— Melanie.
Me virei com o coração acelerado.
— Fala?
— Cê já quer descer?
— Não — respondi sem olhar nos olhos dela.
— Por quê?
— Porque quero conversar com você.
— Eu também.
O silêncio venceu a batalha de novo por uns minutos.
— Cê tá linda hoje — ela disse, se deitando no banco do motorista.
— Sério?
— Sim.
— Manu... eu queria te dizer que se eu fui embora daquele jeito, foi...
— Por ser rápida, sem vergonha, ousada, eu sei... eu sei que me comportei assim.
— Nãoo.
— Então? — Gostei do seu beijo, só que quando você começou a me tocar tão rápido, senti a mesma coisa que com meu ex.
— Foi ruim com ele?
— Ele quase tentou me estuprar.
Ela baixou o rosto de novo — sou uma idiota.
— Não se trata assim — estendi a mão e toquei o rosto dela.
— Você me perdoa?
— Com uma condição.
Ela sorriu — a que for.
— Que você me beije de novo com a mesma ternura da primeira vez.
Fiquei surpreso ao ouvir isso, olhei nos olhos dela… naqueles olhos com que eu tinha sonhado tantos dias. Reclinado no banco do motorista, toquei o rosto dela, e ela fechou os olhos, se deixando levar pelo meu carinho.
Me aproximei um pouco, o suficiente para sentir o cheiro dela, para sentir o calor que a proximidade do corpo dela me transmitia… um pouco… só mais um pouco e fechei meus olhos, igual a ela.
Consegui sentir uma das melhores sensações que uma pessoa pode sentir ao beijar outra. Meu coração voltava a ficar tranquilo, era com ela que ele se sentia bem. Eu estava me apaixonando, pra que negar mais? Pra que fugir dos meus próprios sentimentos? Pra que tanta merda? Puf… que se dane, eu queria ela.
Toquei os lábios dela… respirei devagar pra sentir mais fundo… tinham gosto doce… eram macios… frágeis… como ela. A puxei mais pra perto de mim e continuei acariciando o rosto dela, não queria que aquele momento acabasse nunca, mas sentimos a luz do quarto da mãe dela acender e automaticamente paramos. Ela se afastou com medo de que a mãe tivesse nos visto, mas não foi o caso.
Com a mão, ela fez um sinal pra mãe de que ia entrar, me olhou e sorriu, assim como eu — obrigada — sussurrou.
— Foi um prazer te trazer, linda.
— Não tô falando por isso.
— Ah.
— Tô falando pelo beijo.
Fiquei em silêncio, mas não parei de olhar pra ela. Ela desceu do carro e, quando eu ia dar partida, me disse:
— Você tem um número que eu possa te ligar?
Peguei uma agenda do carro e uma caneta e anotei meu número. Entreguei pra ela e me despedi.
Aquela noite foi…
Como dizer…
Perfeita. **************************************
- Ei, ei, e você vai pra onde assim, mocinha, hein?
- Mãe!! – Gritei assustada – que que cê tá fazendo acordada a essa hora?
- A mesma pergunta pra você, são 10 da manhã de sábado, isso é cedo pra caramba
- Humm sim, é que vou sair com uns amigos pra um parque de diversões
- Ahh
- Deixa eu ir?
- Vai – ela me abraçou – se comporta
**
- Manuela, posso falar com você um minuto?
Me virei e vi a Paola uffff…Meu Deus…aquela mulher tava UMA GOSTOSA! Ela tava com um short jeans roxo que deixava à mostra as pernas torneadas dela, uma blusa branca com um decote bem chamativo que – particularmente – marcava toda a cintura dela, uns saltos que faziam ela parecer mais alta do que era e o cabelo dela cuidadosamente escovado.
- Oi – falei surpresa – me fala do que você quer falar comigo
- Manu – Carlos nos interrompeu – enquanto vocês conversam, a gente vai buscar a Estafa e a Melanie, ok?
- Ahh, então passam aqui pra me pegar?
- Claro, a gente não demora
- Ok
Vi o carro se afastar ao mesmo tempo que vi a Paola com o olhar diferente dela
- Aconteceu alguma coisa com você?
- Sim, Manu…eu…quero ficar com você, me dá uma chance e deixa eu te mostrar tudo que você importa na minha vida.
Baixei o rosto rindo – hehehehe você não tem jeito, hein?
- Por favor…
- Não
- Por quê?
- Tem outra pessoa
- É aquela menina por quem você me deixou falando sozinha da outra vez no parque?
- Essa mesma
- Manuela, pelo amor de Deus – ela se levantou e começou a andar em círculos enquanto falava – cê vai me dizer que prefere aquela pivetizinha a mim?
- Sim
- Me fala o que ela tá te fazendo tão bem que você prefere ela
- Ela não tá me fazendo nada, Paola
- Então?
- Eu não tenho que te dar explicações
- Pois vai dar sim
- Não
- Sim
Ela se aproximou de mim, me levantou e me pegou pelo braço com força
- E você acha que com esse seu comportamento vai conseguir que eu me interesse por você? – falei num tom sarcástico – vai, responde, cê acha isso?
Ela me olhou Nos olhos, o olhar dela tinha raiva... ódio... mas não disse nada...
Percebi que já tinham se passado uns 30 minutos porque vi o carro do Carlos se aproximando da gente.
Eles desceram do carro, uns pegaram os instrumentos e os outros se organizavam pra ver quem ia no carro e quem ia de táxi.
— Ei, me dá atenção — gritou a Paola com força.
— Você tá sendo grossa comigo.
— Não tô nem aí.
— Ok, já vou... tchau.
Ela me segurou de novo, se aproximando mais de mim.
Naquela hora, vi a Melanie com a Estefânia conversando sobre o que tava rolando entre eu e a Paola.
— Me mostra quem é.
— Não.
— Me mostra, Manuela.
— Não.
Ela teve a cara de levantar a mão pra mim, mas o Nicolás segurou ela por trás e afastou ela de mim.
— Deixa ela, Nicolás — falei, me aproximando dela. — Quer me bater?
Ela ficou em silêncio, se tocando.
— Me perdoa, não sei o que deu em mim.
— Você tem problemas, Paola.
— Mas qual é a porra do seu problema de não me mostrar a mulher por quem você tá me rejeitando, hein? — gritou, chamando a atenção de todos os meus amigos, da Melanie e de quem tava perto da gente.
— Vaza — falei, irritada. — E na sua vida, se você gritar comigo de novo... ou tentar me bater, tá claro?
Ela me olhou e começou a procurar entre todo mundo ali a Melanie, mas não ia achar porque não lembrava da cara dela.
Olhou pra Alejandra, pra Sara, pra Lucia, pra Estefânia, pra Melanie.
— Qual dessas cinco é?
Olhei pra ela, divertida, igual todo mundo. — Você não percebe o ridículo que tá fazendo?
— ME FALA QUAL É A VADIA?!
Olhei pra Melanie, que tava me encarando. Sorri baixinho, enquanto ela desviava o olhar pra ver o show da Paola.
— Tá bom, tá bom, não me fala — apontou o dedo pra mim. — Mas juro, Manuela Álzate, que antes de qualquer uma dessas ficar com você, eu vou estar na sua vida primeiro.
Não consegui segurar o riso e caí na gargalhada. Ela saiu pisando forte, e todo mundo ficou ali, se divertindo com o que tinha rolado.
— Epa... mas você tá bem servida. Obcecada, hein, Manu?
- Pois é, essa véia é doida.
- Não, mas espera aí – o Juan Pablo chegou perto de mim – já que você não tá com ninguém agora, por que não dá uma forcinha pra ela... porque, caralho, essa desgraçada é uma gostosa, né?
- Nem pensa nisso, Manuela – a Estefa cortou – não acredito que você ia se rebaixar tanto, ou vai?
- Hahaha, claro que não...
A Melanie tava falando no telefone com alguém que eu queria muito saber quem era, não podia ser a mãe dela porque já tava falando há vários minutos.
Não quis chegar perto dela...
Ela também não se aproximou.
E assim fomos pro parque de diversões.
Ela foi no carro com o Carlos, que nem disfarçava a vontade que tava comendo ela, e eu fui de táxi com o resto.
A gente conversou sobre tudo, eles tavam com medo porque hoje iam tocar lá, seria a primeira vez que iam se apresentar pra tanta gente, e eu... só pensava nela, não entendo por que ela não quis nem me olhar depois que a Paola foi embora.
Me surpreendi quando os caras vieram me buscar e a Manuela não tava junto, entrei e daí fomos pegar a Estefânia...
A gente demorou uns 20 minutos.
- Hahaha, essa doida não quis soltar ela, olha só – disse o Carlos apontando pra mesma mulher que eu vi no parque dias atrás com a Manuela. Me surpreendi porque dessa vez elas não tavam conversando normal, ela tava segurando a Manuela pelo braço, e a Manuela afastava ela e ela voltava.
Saímos do carro e fomos até elas, de repente aquela mulher pirou e começou a fazer um show bem patético.
A Manuela não parava de me olhar com vergonha, eu sorri pra ela... mas depois fui ficando com uma certa raiva, elas deviam ter alguma coisa pra aquela véia fazer aquele escândalo.
Ela foi embora e na mesma hora o Gustavo me ligou, sei que ele é homofóbico, mas tirando isso, era uma boa pessoa.
A gente ficou vários minutos conversando, percebi que a Manuela não tirava os olhos de mim. Eu tentava ignorar ela, não queria fazer aquilo, mas a raiva que eu sentia naquele momento me vencia.
Fui no carro do Carlos, e me sentia mal… queria falar com ela, desde que rolou aquela festa, desde que a gente se beijou, só conversamos uma vez, que foi ontem… liguei pra ela e ela me chamou pra ir hoje pra onde a gente tava indo, mas não tínhamos falado nada.
¡¡¡Chegamos!!!
Agradeci a Deus porque não aguentava mais os comentários do Carlos sobre mim.
Dois minutos depois, vi a Manuela descendo do táxi com os outros. Ela me olhou… eu olhei pra ela, mas nenhuma das duas fez mais nada.
Entramos.
Compramos as pulseiras pra poder entrar em todos os brinquedos, mas primeiro procuramos um lugar pra sentar.
— Melanie, você me acompanha no banheiro? — a Lucia me perguntou.
— Claro, vamos.
Vi a Melanie ir com a Lucia pro banheiro. "Começamos bem", pensei.
No táxi, eu tinha conversado com ela. Ela é minha amiga e contei o que tava rolando com a Melanie. Combinamos que, pra ninguém começar a fofocar, ela levaria a Melanie pro banheiro, eu iria atrás delas, e assim a gente poderia conversar sem que nenhum dos caras ficasse de olho.
Entrei e, por sorte, só estavam as duas lá.
— Oi — sussurrei, meio sem graça.
Só a Lucia respondeu. A Melanie só me olhou.
— Podemos conversar?
Ela ficou quieta de novo.
— Melanie?
— Tá falando comigo? — ela se virou e me encarou de novo.
— Sim.
Então ela olhou pra Lucia e depois pra mim.
— Fica tranquila, eu sei de tudo — disse a Lucia. — Conversem aí que eu vou ficar lá fora. Se precisarem de algo, é só chamar, ok?
— Valeu.
A porta fechou e ficamos só eu e ela.
— Como você tá?
— Bem… — respondeu seca — e você?
— Meio confusa.
— Hum, por quê?
— Por sua causa — falei, olhando fixo pra ela. — Você não quer falar comigo?
— Por que você diz isso?
— Por que você responde com outra pergunta?
— Por que você não responde primeiro?
— ¡¡¡MELANIE!!!
— ¡¡¡MANUELA!!!
— Ei, por que você tá assim comigo?
— Assim como?
— Assim tão séria, o que que tem?
O que eu ia dizer naquele momento? Que tava com ciúmes de ver ela com aquela mina? Me dá uma raiva danada ver como ele se insinuava pra ela e ela só ria sem graça…
- nada
- certeza?
- aham
- me diz uma coisa
- o quê
- você se arrepende do que rolou no carro?
Olhei pra ela. Como é que ela podia pensar isso, se foi a coisa mais linda que me aconteceu naquela noite e talvez na minha vida inteira?
- por que você tá falando isso?
- agh – ela se virou e foi saindo do banheiro, me pegando de surpresa – tá bom, não me fala não. Só queria resolver as coisas, mesmo sem saber por que tão assim. Mas pelo visto você não quer, então não tenho mais nada pra fazer aqui.
Vi ela sair de lá, me deixando sem palavras.
Pensei que ficar com ela era mais porque eu gostava dela
E por que não admitir? Desde que a Maria morreu, eu virei um completo lixo com as mulheres, enchia a cabeça delas de conversa fiada e... depois... a gente acabava na cama, não tava nem aí se elas queriam saber de mim ou não, assim como eu, era só sexo uma vez e pronto.
A mesma coisa eu pensava com ela, embora claro – não posso negar – que a Melanie me chamava a atenção, o jeito dela, tanto por dentro quanto por fora, era simplesmente atraente pra mim.
Era uma garota, tinha quase a minha idade ou a mesma, verdade que não lembro se tem 16 ou 17 anos, no geral parece mais nova que eu. Alguém indefeso que precisa de proteção e eu só tava pensando em levar ela pra cama e tchau.
Mas aí eu vi ela com aquele cara, com o mesmo idiota da outra vez. Com aquele estúpido que se acha homem, Ja... mas mesmo assim senti um negócio ao ver ela com ele. Quando as mãos dela abraçavam ele e as dele faziam o mesmo, percebi ali que não só gostava dela, mas que sem perceber tava sentindo coisas por aquela mina.
Agora eu sentia os lábios dela nos meus
As mãos dela no meu rosto
Abri meus olhos e os dela estavam perfeitamente fechados
Como é que eu ia transar com ela?
Não
Já não queria mais isso. O que eu queria naquele momento era... era ficar com ela assim pra sempre, sentir que o corpo dela inteiro tava cheio de amor, de um amor doce e sincero.
Levantei minha mão na altura do meu rosto e acariciei a dela, fui descendo até chegar no braço dela, queria não fazer nada, mas minhas malditas hormônios mandavam outra coisa. Fui descendo devagar pelas costas dela, senti o corpo dela tremer com o toque das minhas carícias, minha outra mão coloquei em cima da coxa dela e comecei a tocar ela por ali, ela suspirou igual a mim
******************************************
Tava na casa dela
Podem acreditar?
NA CASA DELA!!
E tava beijando ela, uma combinação sutil de sensações Naquele momento, elas nasceram. As mãos dela começaram a percorrer minhas costas com uma lentidão que me matava. Depois de um tempo, a mão esquerda dela estava em cima da minha perna direita, a poucos centímetros da minha buceta.
Eu suspirei no mesmo segundo que ela também suspirou. Queria ir mais longe, mas de repente, ela deixou de ser delicada e suave para se apressar e me tocar rapidamente.
Olhei nos olhos dela, e ela estava de olhos fechados, igual a mim. Mas ela começou a enfiar a língua na minha boca... ela era boa nisso — por que negar? — ela beijava bem, mas por que ela passou de mulher a se comportar como um homem? Do mesmo jeito apressado e ansioso.
(Não quero ofender ninguém, mas quase todo mundo, quando fica com tesão, acelera o passo. E pra mim, naquela ocasião, que seria minha primeira vez, não era o ideal.)
Fiz ela parar, e ela parou — bom, pelo menos não teve a mesma atitude do Santiago e não me tratou mal.
— Me desculpa — ela sussurrou, tentando controlar a respiração — não sei por que fiz isso.
Me irritou saber que ela só queria aquilo, sexo.
Por que todo mundo é tão obcecado com a porra do sexo?
É... bom, eu sei que sou virgem e que talvez nunca tive a chance de sentir como é bom, mas não acho que seja mais importante que tudo.
— Não se preocupa — eu me levantei, arrumei minha blusa e subi meu jeans, que estava um pouco abaixado — já tenho que ir.
Ela ficou calada.
Eu esperava por isso.
Pelo pouco que a conheço, ela sempre age assim. Fez a mesma coisa no dia em que nos conhecemos. Tchau, falei ao sair, e saí de lá. Eu tava com raiva e, mais que isso, sentia tristeza.
Então não era tanta diferença assim entre estar com uma mulher e estar com um homem.
Porra!!!
Eu ferrei com tudo.
MERDA, MERDA, MERDA, MERDA.
Por que agi assim?
Bom... com outra mulher seria normal, mas com ela não... ela é especial. E agora estraguei o pouco que tinha conseguido ao lado dela. Vi ela sair da minha casa com o rosto enterrado no chão, com aquele mesmo olhar triste. Saber que fui eu que causei tudo. Isso foi... ah, não sei...
Sou uma idiota.
Aquela noite foi um desastre total. Queria ir na casa dela e pedir desculpas, dizer que não queria ter feito aquilo, mas que meu maldito orgulho preferia que eu me comportasse assim do que me apaixonar de novo e sofrer outra vez. E com ela, mais cedo ou mais tarde, isso ia acontecer — claro — antes de eu ter feito aquilo.
Os dias passaram, as horas... os minutos. Que saudades daquela mulher!!! Continuei indo no parque com a principal intenção de vê-la, mas o que eu tô falando? Óbvio que ela não ia querer saber mais de mim.
Sentei no banco, no meu banco, e me preparei pra ouvir música. "Penso em Ti" do Tremolo foi a música que mais me fez lembrar dela. Fui na casa dela várias vezes, mas não tive coragem de bater. E, infelizmente, a mãe dela nessas ocasiões não apareceu como da primeira vez. Os lábios dela, o olhar, o corpo tão frágil, a voz... Na real, ela era uma menina linda, era maravilhosa, e a ternura dela me deixava fraco com meu coração duro.
— Manu, o que cê tá fazendo?
— Hmm... nada de mais. E você, como tá?
— Bem, mas você não parece a mesma. Ainda pensando nela?
— Sim, não paro de pensar ultimamente — suspirei sem jeito.
— Olha, já faz quase 2 anos. Já tá na hora de você esquecer a Maria, não acha?
— Maria? — perguntei. Eu não tava falando dela. E foi aí que percebi que, desde que a Melanie apareceu, ela conseguiu me fazer esquecer uma lembrança minha.
— Sim — confirmou Juan Pablo —, a Maria.
— Tá, vem cá e me conta como foi o show que vocês fizeram. O que o produtor falou?
Ele não conseguiu esconder a cara de felicidade — Semana que vem a gente grava nosso primeiro demo.
— Ohh... — sorri e abracei ele — Desejo tudo de bom pra vocês.
— Valeu. Ei, como é o nome daquela menina que tava contigo aqui outro dia, sua amiga?
— Ahh... Melanie.
— Ok.
— Por que tá perguntando?
— Só queria saber, não lembrava do nome dela.
— Tá bom.
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Já se passaram o quê? Umas 2 semanas quase, e não sei nada da Manuela. Me Sinto mal porque talvez não foi culpa dela... acho que a Jimena tem razão, e se ela já transou, é óbvio que quando estiver nessa situação vai querer continuar. Eu me apressei demais...
Me surpreendeu a ligação de um dos amigos dela agora há pouco. Hoje eles estavam fazendo uma festa em homenagem ao grande lançamento do demo dela, que é na outra semana – segundo ela me contou – mas como eles vivem em ensaio atrás de ensaio, resolveram fazer hoje. Me convidou e, sinceramente, não sei... é... só quando eu a ver?
Bom, bom... se eu for, é por ela.
– Em que tá pensando, linda?
– Em nada, mãe. Talvez em sair um pouco hoje à noite.
– Uhh – ela brincou na hora – tu tá pegando alguém, né? Se soubesse que é com uma mulher, mãe...
Fiquei calada, senti meu coração apertar. Ela sempre foi mais que minha mãe, minha amiga, e agora eu não conseguia contar o que sentia, por mais que quisesse.
– O que foi, Melanie? – Ela sentou do meu lado e colocou o braço em volta do meu pescoço – Me diz por que você tem estado assim esses últimos dias, hein?
– Mãe, eu... eu...
– Você o quê?
– Vamos mudar de assunto. Olha, quero te perguntar uma coisa.
– Fala.
– O professor de filosofia hoje falou sobre homossexualidade, as consequências... os problemas, tudo. E segundo ele, é um assunto bem problemático.
– É sim.
– O que você acha?
Senti ela cruzar as pernas e se perder no olhar, tentando encontrar palavras pra me responder.
– Acho que não é algo que uma pessoa possa se orgulhar.
– Por quê?
– Porque não. Olha, Melanie... Deus não criou Adão e Eva pra juntar Karla e Lúcia, ou Sara e Sandra, ou, por exemplo, você e sua amiga, como é o nome dela?
– Quem, a Manuela?
– Isso – ela concordou – não... isso não é bom. São duas mulheres... do mesmo sexo – ela enfatizou a última parte.
Era o que eu esperava: que ela não concordasse. – Tá bom, mãe.
– E você, o que acha?
– Eu? – Respirei assustada – Eu... não sei... não posso julgar essas pessoas. Acho que, se é isso que elas sentem, já basta. - hahaha, mas cê imagina no sexo?
Olhei pra ela surpresa, mas com um certo tom sério – como assim?
- sempre me perguntei isso, como é que os gays e as lésbicas transam? Bom, bom... os caras é mais fácil saber por onde enfiar, né?
Não respondi, não conhecia aquela senhora sentada do meu lado, que era minha mãe, por que ela tinha que zoar e julgar os outros, sendo que no fundo era comigo que ela tava fazendo isso.
- digo, e as mulheres? Têm que comprar um vibrador, um consolo ou seja lá como chamam... – ela negou – pra essa graça, ficam com um homem e pronto, não acha?
Ela tinha um ponto, até agora eu não sabia como era transar com uma mulher – se você tá dizendo, é porque é assim. E a conversa acabou ali.
O resto da tarde fiquei pensando se ia ou não, e percebi que fazia dias que não via ela, nem pra trocar uma palavra, ou pelo menos olhar pra saber se tava bem.
Me arrumei rápido e liguei de volta pro Juan Pablo pra dizer que ia, ele me deu o endereço e às 9 da noite saí de casa.
Em uns 20 minutos cheguei na casa da Estefânia (ia ser a festa lá) e pra quê negar? Todo mundo era bem legal, me senti à vontade, comecei com uma cerveja e tava batendo papo com eles, procurei a Manuela com o olhar mas não vi, suspirei resignada, ela já não vinha, olhei no relógio 11:30.
- tá acontecendo algo?
- não
- tão se divertindo?
- claro que sim
- e cê topa dançar comigo essa música?
Olhei pro Carlos, o vocalista da banda... sorri pra ele, porque vi medo no olhar dele de eu recusar – claro que sim – estendi a mão e me levantei pra dançar com ele.
**
Cheguei um pouco atrasada, mas quase não me decidi a ir... não tava com pique de sair, a Paola veio na minha casa à tarde e acabou de ferrar meu dia, que mulher chata pra caralho!!!
Cumprimentei a galera, pedi uma cerveja, passei pela piscina e Por acaso, vi a pista de dança
Lá estava ela
Com o Carlos
O que ele fazia aqui?
Meu Deus… ela estava linda, sentia falta de observá-la, analisá-la, saber como ela agia… ela ainda não sabia que eu estava ali, estava mergulhada nos pensamentos dela, abraçada no Carlos…
Cheguei no meio da música e toquei ela por trás – oi – sussurrei, ela se virou e o sorriso dela me deu as boas-vindas naquela noite
-oi, como você tá?
-bem e você?
-bem – ela parou de dançar e se desculpou com o Carlos
-podemos conversar? – perguntei meio insegura com a resposta que ela poderia me dar
-claro que sim
Apontei pra gente ir até a sacada da casa, dava pra ver a cidade toda iluminada, aquela parte da casa estava vazia… éramos só nós duas ocupando aquele espaço.
-faz dias que a gente não conversa – murmurou, esfregando os braços pra se aquecer
-é…
-quero me desculpar com você
-por quê?
-me comportei que nem uma criança da última vez na sua…
-escuta – interrompi – quem tem que pedir desculpas sou eu, me comportei que nem uma idiota… não devia ter feito tudo aquilo e além disso… me apressei demais
Ela ficou quieta, baixou o rosto e eu a acompanhei, me sentindo mal – me desculpa, te prometo que não vou fazer de novo
**
Ela me dizia que não ia fazer de novo e meu coração se apertava de novo… como ela não ia fazer de novo se eu amei o jeito que ela me beijou?? Não… ahhh, e agora, o que eu faço? Fazer o quê… vou ter que aceitar isso então.
A noite seguiu normal, como eu esperava, divertida… longa… a Manuela de vez em quando me olhava de longe porque estava com o melhor amigo dela, enquanto eu passei com os caras da banda.
O olhar dela estava triste, dava pra ver que ela realmente estava envergonhada. O único problema que vi foi que o Carlos tinha bebido um pouquinho a mais e já estava em cima de mim, tentou me roubar um beijo e todo mundo segurou ele, vi a Manuela de longe… como ela estava de olho no que ele fazia comigo. Depois de 5 minutos, ela chegou perto
-oi, eu de novo
-oi – sorri — O Carlos tá te enchendo o saco?
— Não, ele tá meio bêbado, mas eu sei lidar.
— Até que horas sua mãe deixou você ficar?
— Até as 2 — falei, olhando pro relógio quando já eram 3:30 — PORRA!! Perdi a hora.
Ela... inocente, caiu na risada. Acho que minha cara naquele momento devia estar bem cômica.
— Quer que eu te leve?
— E você?
— Minha prima me emprestou o carro dela, eu já tô indo pra casa também.
— Se você fizer esse favor, vou te agradecer pra caralho.
— Ok — ela assentiu na hora — dá tchau pra geral que eu te espero no carro.
Na mesma hora me despedi de todo mundo, falei que já tinha que ir e — em seguida — vazei.
Tinha carro pra caralho estacionado, não sabia qual era o dela, até que vi uma caminhonete passando na minha frente e ela dirigindo...
— Ei — falei de fora — cê fica gostosa dirigindo.
— Cê acha?
— Uhum.
— Kkkk, sobe, linda — ela abriu a porta do carona e eu sentei do lado dela. O caminho foi silencioso, ela colocou uma balada... Era... não lembro... Ah, sim, "Heaven" do Bryan Adams. Ela me olhou e sorriu tímida, eu fiquei encostada no vidro da janela esperando ela me levar.
— Chegamos — ela avisou quando eu abri os olhos e vi minha casa na minha frente.
— Ahh, sim — tirei o cinto de segurança — valeu.
Ela assentiu.
Eu ia descer, mesmo sem querer... mesmo agora me arrependendo de ter ido naquela festa por causa dela e não ter aproveitado, mesmo gritando por dentro que no caminho eu devia ter falado o que sentia e fiquei calada. Abri a porta.
— Melanie.
Me virei com o coração acelerado.
— Fala?
— Cê já quer descer?
— Não — respondi sem olhar nos olhos dela.
— Por quê?
— Porque quero conversar com você.
— Eu também.
O silêncio venceu a batalha de novo por uns minutos.
— Cê tá linda hoje — ela disse, se deitando no banco do motorista.
— Sério?
— Sim.
— Manu... eu queria te dizer que se eu fui embora daquele jeito, foi...
— Por ser rápida, sem vergonha, ousada, eu sei... eu sei que me comportei assim.
— Nãoo.
— Então? — Gostei do seu beijo, só que quando você começou a me tocar tão rápido, senti a mesma coisa que com meu ex.
— Foi ruim com ele?
— Ele quase tentou me estuprar.
Ela baixou o rosto de novo — sou uma idiota.
— Não se trata assim — estendi a mão e toquei o rosto dela.
— Você me perdoa?
— Com uma condição.
Ela sorriu — a que for.
— Que você me beije de novo com a mesma ternura da primeira vez.
Fiquei surpreso ao ouvir isso, olhei nos olhos dela… naqueles olhos com que eu tinha sonhado tantos dias. Reclinado no banco do motorista, toquei o rosto dela, e ela fechou os olhos, se deixando levar pelo meu carinho.
Me aproximei um pouco, o suficiente para sentir o cheiro dela, para sentir o calor que a proximidade do corpo dela me transmitia… um pouco… só mais um pouco e fechei meus olhos, igual a ela.
Consegui sentir uma das melhores sensações que uma pessoa pode sentir ao beijar outra. Meu coração voltava a ficar tranquilo, era com ela que ele se sentia bem. Eu estava me apaixonando, pra que negar mais? Pra que fugir dos meus próprios sentimentos? Pra que tanta merda? Puf… que se dane, eu queria ela.
Toquei os lábios dela… respirei devagar pra sentir mais fundo… tinham gosto doce… eram macios… frágeis… como ela. A puxei mais pra perto de mim e continuei acariciando o rosto dela, não queria que aquele momento acabasse nunca, mas sentimos a luz do quarto da mãe dela acender e automaticamente paramos. Ela se afastou com medo de que a mãe tivesse nos visto, mas não foi o caso.
Com a mão, ela fez um sinal pra mãe de que ia entrar, me olhou e sorriu, assim como eu — obrigada — sussurrou.
— Foi um prazer te trazer, linda.
— Não tô falando por isso.
— Ah.
— Tô falando pelo beijo.
Fiquei em silêncio, mas não parei de olhar pra ela. Ela desceu do carro e, quando eu ia dar partida, me disse:
— Você tem um número que eu possa te ligar?
Peguei uma agenda do carro e uma caneta e anotei meu número. Entreguei pra ela e me despedi.
Aquela noite foi…
Como dizer…
Perfeita. **************************************
- Ei, ei, e você vai pra onde assim, mocinha, hein?
- Mãe!! – Gritei assustada – que que cê tá fazendo acordada a essa hora?
- A mesma pergunta pra você, são 10 da manhã de sábado, isso é cedo pra caramba
- Humm sim, é que vou sair com uns amigos pra um parque de diversões
- Ahh
- Deixa eu ir?
- Vai – ela me abraçou – se comporta
**
- Manuela, posso falar com você um minuto?
Me virei e vi a Paola uffff…Meu Deus…aquela mulher tava UMA GOSTOSA! Ela tava com um short jeans roxo que deixava à mostra as pernas torneadas dela, uma blusa branca com um decote bem chamativo que – particularmente – marcava toda a cintura dela, uns saltos que faziam ela parecer mais alta do que era e o cabelo dela cuidadosamente escovado.
- Oi – falei surpresa – me fala do que você quer falar comigo
- Manu – Carlos nos interrompeu – enquanto vocês conversam, a gente vai buscar a Estafa e a Melanie, ok?
- Ahh, então passam aqui pra me pegar?
- Claro, a gente não demora
- Ok
Vi o carro se afastar ao mesmo tempo que vi a Paola com o olhar diferente dela
- Aconteceu alguma coisa com você?
- Sim, Manu…eu…quero ficar com você, me dá uma chance e deixa eu te mostrar tudo que você importa na minha vida.
Baixei o rosto rindo – hehehehe você não tem jeito, hein?
- Por favor…
- Não
- Por quê?
- Tem outra pessoa
- É aquela menina por quem você me deixou falando sozinha da outra vez no parque?
- Essa mesma
- Manuela, pelo amor de Deus – ela se levantou e começou a andar em círculos enquanto falava – cê vai me dizer que prefere aquela pivetizinha a mim?
- Sim
- Me fala o que ela tá te fazendo tão bem que você prefere ela
- Ela não tá me fazendo nada, Paola
- Então?
- Eu não tenho que te dar explicações
- Pois vai dar sim
- Não
- Sim
Ela se aproximou de mim, me levantou e me pegou pelo braço com força
- E você acha que com esse seu comportamento vai conseguir que eu me interesse por você? – falei num tom sarcástico – vai, responde, cê acha isso?
Ela me olhou Nos olhos, o olhar dela tinha raiva... ódio... mas não disse nada...
Percebi que já tinham se passado uns 30 minutos porque vi o carro do Carlos se aproximando da gente.
Eles desceram do carro, uns pegaram os instrumentos e os outros se organizavam pra ver quem ia no carro e quem ia de táxi.
— Ei, me dá atenção — gritou a Paola com força.
— Você tá sendo grossa comigo.
— Não tô nem aí.
— Ok, já vou... tchau.
Ela me segurou de novo, se aproximando mais de mim.
Naquela hora, vi a Melanie com a Estefânia conversando sobre o que tava rolando entre eu e a Paola.
— Me mostra quem é.
— Não.
— Me mostra, Manuela.
— Não.
Ela teve a cara de levantar a mão pra mim, mas o Nicolás segurou ela por trás e afastou ela de mim.
— Deixa ela, Nicolás — falei, me aproximando dela. — Quer me bater?
Ela ficou em silêncio, se tocando.
— Me perdoa, não sei o que deu em mim.
— Você tem problemas, Paola.
— Mas qual é a porra do seu problema de não me mostrar a mulher por quem você tá me rejeitando, hein? — gritou, chamando a atenção de todos os meus amigos, da Melanie e de quem tava perto da gente.
— Vaza — falei, irritada. — E na sua vida, se você gritar comigo de novo... ou tentar me bater, tá claro?
Ela me olhou e começou a procurar entre todo mundo ali a Melanie, mas não ia achar porque não lembrava da cara dela.
Olhou pra Alejandra, pra Sara, pra Lucia, pra Estefânia, pra Melanie.
— Qual dessas cinco é?
Olhei pra ela, divertida, igual todo mundo. — Você não percebe o ridículo que tá fazendo?
— ME FALA QUAL É A VADIA?!
Olhei pra Melanie, que tava me encarando. Sorri baixinho, enquanto ela desviava o olhar pra ver o show da Paola.
— Tá bom, tá bom, não me fala — apontou o dedo pra mim. — Mas juro, Manuela Álzate, que antes de qualquer uma dessas ficar com você, eu vou estar na sua vida primeiro.
Não consegui segurar o riso e caí na gargalhada. Ela saiu pisando forte, e todo mundo ficou ali, se divertindo com o que tinha rolado.
— Epa... mas você tá bem servida. Obcecada, hein, Manu?
- Pois é, essa véia é doida.
- Não, mas espera aí – o Juan Pablo chegou perto de mim – já que você não tá com ninguém agora, por que não dá uma forcinha pra ela... porque, caralho, essa desgraçada é uma gostosa, né?
- Nem pensa nisso, Manuela – a Estefa cortou – não acredito que você ia se rebaixar tanto, ou vai?
- Hahaha, claro que não...
A Melanie tava falando no telefone com alguém que eu queria muito saber quem era, não podia ser a mãe dela porque já tava falando há vários minutos.
Não quis chegar perto dela...
Ela também não se aproximou.
E assim fomos pro parque de diversões.
Ela foi no carro com o Carlos, que nem disfarçava a vontade que tava comendo ela, e eu fui de táxi com o resto.
A gente conversou sobre tudo, eles tavam com medo porque hoje iam tocar lá, seria a primeira vez que iam se apresentar pra tanta gente, e eu... só pensava nela, não entendo por que ela não quis nem me olhar depois que a Paola foi embora.
Me surpreendi quando os caras vieram me buscar e a Manuela não tava junto, entrei e daí fomos pegar a Estefânia...
A gente demorou uns 20 minutos.
- Hahaha, essa doida não quis soltar ela, olha só – disse o Carlos apontando pra mesma mulher que eu vi no parque dias atrás com a Manuela. Me surpreendi porque dessa vez elas não tavam conversando normal, ela tava segurando a Manuela pelo braço, e a Manuela afastava ela e ela voltava.
Saímos do carro e fomos até elas, de repente aquela mulher pirou e começou a fazer um show bem patético.
A Manuela não parava de me olhar com vergonha, eu sorri pra ela... mas depois fui ficando com uma certa raiva, elas deviam ter alguma coisa pra aquela véia fazer aquele escândalo.
Ela foi embora e na mesma hora o Gustavo me ligou, sei que ele é homofóbico, mas tirando isso, era uma boa pessoa.
A gente ficou vários minutos conversando, percebi que a Manuela não tirava os olhos de mim. Eu tentava ignorar ela, não queria fazer aquilo, mas a raiva que eu sentia naquele momento me vencia.
Fui no carro do Carlos, e me sentia mal… queria falar com ela, desde que rolou aquela festa, desde que a gente se beijou, só conversamos uma vez, que foi ontem… liguei pra ela e ela me chamou pra ir hoje pra onde a gente tava indo, mas não tínhamos falado nada.
¡¡¡Chegamos!!!
Agradeci a Deus porque não aguentava mais os comentários do Carlos sobre mim.
Dois minutos depois, vi a Manuela descendo do táxi com os outros. Ela me olhou… eu olhei pra ela, mas nenhuma das duas fez mais nada.
Entramos.
Compramos as pulseiras pra poder entrar em todos os brinquedos, mas primeiro procuramos um lugar pra sentar.
— Melanie, você me acompanha no banheiro? — a Lucia me perguntou.
— Claro, vamos.
Vi a Melanie ir com a Lucia pro banheiro. "Começamos bem", pensei.
No táxi, eu tinha conversado com ela. Ela é minha amiga e contei o que tava rolando com a Melanie. Combinamos que, pra ninguém começar a fofocar, ela levaria a Melanie pro banheiro, eu iria atrás delas, e assim a gente poderia conversar sem que nenhum dos caras ficasse de olho.
Entrei e, por sorte, só estavam as duas lá.
— Oi — sussurrei, meio sem graça.
Só a Lucia respondeu. A Melanie só me olhou.
— Podemos conversar?
Ela ficou quieta de novo.
— Melanie?
— Tá falando comigo? — ela se virou e me encarou de novo.
— Sim.
Então ela olhou pra Lucia e depois pra mim.
— Fica tranquila, eu sei de tudo — disse a Lucia. — Conversem aí que eu vou ficar lá fora. Se precisarem de algo, é só chamar, ok?
— Valeu.
A porta fechou e ficamos só eu e ela.
— Como você tá?
— Bem… — respondeu seca — e você?
— Meio confusa.
— Hum, por quê?
— Por sua causa — falei, olhando fixo pra ela. — Você não quer falar comigo?
— Por que você diz isso?
— Por que você responde com outra pergunta?
— Por que você não responde primeiro?
— ¡¡¡MELANIE!!!
— ¡¡¡MANUELA!!!
— Ei, por que você tá assim comigo?
— Assim como?
— Assim tão séria, o que que tem?
O que eu ia dizer naquele momento? Que tava com ciúmes de ver ela com aquela mina? Me dá uma raiva danada ver como ele se insinuava pra ela e ela só ria sem graça…
- nada
- certeza?
- aham
- me diz uma coisa
- o quê
- você se arrepende do que rolou no carro?
Olhei pra ela. Como é que ela podia pensar isso, se foi a coisa mais linda que me aconteceu naquela noite e talvez na minha vida inteira?
- por que você tá falando isso?
- agh – ela se virou e foi saindo do banheiro, me pegando de surpresa – tá bom, não me fala não. Só queria resolver as coisas, mesmo sem saber por que tão assim. Mas pelo visto você não quer, então não tenho mais nada pra fazer aqui.
Vi ela sair de lá, me deixando sem palavras.
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