Meu melhor conto - 3ª parte

Passamos o dia juntos. Na hora de ir embora, foi ela quem retomou o assunto:

"Olha, no fim das contas, é teu sócio e quem vai se foder é você. Eu, no máximo, paro de ir na tua sala e pronto." "Isso sim, não posso garantir nada. Se rolar, rolou." "Não quero me sentir pressionada, nem que você acabe puto porque eu não topei."

Entendi aquilo como um SIM.

Não tocamos mais no assunto.

Deixei passar umas semanas e organizei um jantar em casa, pra sexta-feira.

Avisei a Silvia que tinha convidado o Lázaro pra comer. Não falei mais nada.

Passei pra buscá-la na casa dela. Ela me ajudou a preparar as coisas. Daí a pouco o Lázaro chegou com a sobremesa. E nos preparamos pra jantar.

A Silvia estava radiante, e se comportava como a dona da casa. Servia os pratos, procurava as coisas.

Ela tava usando um vestido de gaze colorido, e por cima da saia tinha um avental de cozinha pra proteger o vestido, o que contrastava com o resto da roupa, mais arrumada pra sair do que pra servir a mesa.

Ela ia e vinha, e o Lázaro não perdia a chance de olhar pra rabeta dela, ou pras tetas.

A conversa passou por assuntos do escritório, pelos casais, pela política.

Foi a Silvia quem disparou:

"E você, Lázaro, quando vai apresentar uma namorada pra gente?"

Lázaro fez uma pausa, como se estivesse pensando nas palavras, e disse: "Devo ser um homem muito exigente quando o assunto é mulher."

O jantar seguiu com os papos normais.

Nós três levantamos a mesa.

Preparamos pra comer a sobremesa na sala.

Nós levamos as taças e o baldinho com uma garrafa de champanhe.

A Silvia apareceu atrás da gente com uma bandeja cheia de torta gelada. Ela tinha tirado o avental, e a luz deixava transparecer parte do vestido, insinuando a calcinha fio dental escura dela.

Sentamos nos sofás e a Silvia sentou do meu lado, de frente pro Lázaro. Quando ela se levantou pra passar a sobremesa pra ele, ele olhou de novo pra virilha dela, mas dessa vez vi que a Silvia não fez nada pra evitar. Se cobriu. Deixou ele olhar.

Meu coração batia a mil. Sabia que era eu quem tinha que tomar a iniciativa, mas não sabia por onde começar. Não sabia qual poderia ser a reação de Lázaro, embora não tivesse dúvidas de que minha namorada agradava ele. Não sabia se Silvia ia sair correndo, ou se a gente ia acabar numa discussão.

Inesperadamente, foi a Silvia quem veio me salvar.

"Faz quanto tempo que vocês se conhecem?" ela perguntou.

"Uns... quase 20 anos, desde a época da faculdade."

"Viu, Lázaro, essa é uma das grandes diferenças entre homens e mulheres." "A gente, as minas, mal se conhece e já solta um monte de informação, sobre o parceiro, sobre os gostos, sobre as ansiedades, sobre os problemas." "Já os caras se veem por anos e não contam pro outro se tão doentes, ou se tão com problemas, ou que porra querem da vida." "Por isso também a amizade entre os caras é mais duradoura, porque não se desgasta tanto, já que no fim das contas só falam de futebol e de buceta."

Lázaro não respondeu, deu um gole no copo, e depois disse: "É verdade, mas os caras também são mais leais, e o que um amigo confia, mesmo que deixe de ser nosso amigo por algum motivo, fica guardado na amizade que foi." "Dificilmente você vê um cara contando coisas de outro cara, no máximo ele fanfarrona com as próprias."

Naquela altura, já sentia que tinha que intervir.

A observação da Silvia tinha sido um tiro de misericórdia pra mim. Uma mensagem tipo: já que você fantasiou tanto e montou esse jantar, quero ver como vai fazer pra expor sua ideia, teoricamente na frente de alguém que conhece há tanto tempo.

"Na real, eu acho que o que a Silvia disse tem mais a ver com a nossa incapacidade de nos mostrar como realmente somos, mesmo em situações em que desejamos muito alguma coisa."

"Não entendi", falou Lázaro.

Respirei fundo, tomei um gole e me joguei de cabeça.

"De forma clara e direta, é que... Durante muito tempo, seu nome apareceu na relação que tenho com a Silvia, é verdade que por muita insistência minha, e que até cheguei a dizer pra ela que eu tinha a sensação de que você gostava dela”

Silvia se divertia com a enrascada em que eu estava me metendo.

“Você sabe que a gente é um casal bem aberto, e às vezes a gente brinca com a ideia de sexo grupal”

Lázaro estava pálido, Silvia tinha uma cara de “finalmente vocês se conhecem”,… e eu devia estar com uma cara de “finalmente falei”

Era estranho, porque outras vezes eu tinha me empolgado, mas nesse caso, era meu amigo/sócio e minha parceira.

Fez-se um silêncio profundo. Daqueles que você não sabe como sair.
Foi talvez pra aliviar a tensão que a Silvia, de novo, entrou na jogada.

“Bom, mas agora o que eu quero saber é se você realmente me acha gostosa ou não”, ela disse às gargalhadas, como se não desse muita importância pra coisa.

“Ela se levantou e deu uma volta nos calcanhares, mostrando o corpo” A saia do vestido se abriu como um leque.

“Você realmente me parece muito atraente, e adoro sua desinibição” disse Lázaro sem hesitar.

Silvia se aproximou, pegou a mão dele, e chegou perto como se fosse dar um beijo na bochecha.

“Valeu, vocês são dois homens que sabem fazer a mulher se sentir bem” ela disse, enquanto estampava um beijo sonoro na bochecha dele.

Senti que a situação estava relaxando.

CONTINUA…

2 comentários - Meu melhor conto - 3ª parte

Viene cada vez mejor el relato !!!
Felicitaciones.


Gracias por compartir.
Besos y Lamiditas !!!

Mi mejor relato - 3ra. parte

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