Era uma noite tranquila, alguns vaga-lumes iluminavam o campo e o clima permitia que as crianças brincassem na rua até tarde. Era também meu último dia na vila, ao meio-dia do dia seguinte eu estaria viajando para a cidade. "Já era hora", repetia minha mãe enquanto terminava de arrumar minha bolsa e eu, como sempre, me maquiava na frente do espelho. Eu era uma das mais gostosas da vila, não queria me gabar, mas também não é como se tivesse muita concorrência. Meu cabelo liso, preto e comprido, os olhos de um cinza intrigante. Sabia que quando chegasse na cidade as coisas seriam diferentes. Por isso queria aproveitar a última noite com o Javi. Ele ficava.
Mas o que eu faria com ele? Fazia só um dia que tinha menstruado, não poderia me despedir dele daquele jeito. Sabia que ele ia querer transar, tava morrendo de vontade e não se importava em esconder. Embora eu tivesse pedido mil vezes que achava extremamente nojento ele se mostrar tão babão, ele dizia "mas é assim que o mundo é hoje, neguinha, o que vamos fazer. Se na TV só tem sexo...". Ele tinha um pouco de razão, mas eu não ia dar pra ele.
Saí de casa com o vestido florido e entrei no carro dele. Fazia um tempinho que ele me esperava. Dei um beijo molhado na boca dele e ele ligou o motor.
- Vamos pra cabana? - Ele disse, feliz.
- Não. Prefiro ir pro centro. Tô meio com medo de ir embora assim. - Respondi. Ele continuou sorrindo.
- Tá bom, mas depois a gente vai pra cabana. - Ele ligou o carro e virou numa esquina deserta.
- Depois a gente vê.
Já era tarde. Não tinha muita gente, embora tivesse um bar aberto e a locadora estivesse lotada. Assim, os dois pontos de pessoas brilhavam em quadras diferentes da praça. Sentamos num canto e vimos o pessoal transitando de um lugar pra outro. Quase todas famílias, poucos eram os grupos de jovens da nossa idade que ficavam na vila. Era pequena demais pros nossos 22 anos. Na verdade, pra mim já tinha ficado um pouco tarde. Por que eu tinha demorado tanto? No começo porque eu não queria ir embora. Mas depois de estudar numa filial da faculdade, quase por correspondência, eu tinha que terminar meus estudos na cidade, custasse o que custasse. Quando cheguei nesse ponto, já sabia que se quisesse progredir na vida, teria que ir pra lá de qualquer jeito. E claro que eu queria progredir, sendo a mais gostosa da cidade, a aluna mais dedicada, a atleta mais admirada, etc., etc. Meu instinto competitivo tinha crescido demais e eu não era nenhuma idiota. Não queria ficar com esses orgulhos pequenos. Queria ir pro oceano.
- Ainda não acredito que você gostou de O Grande Peixe. - Ele disse, como se estivesse ouvindo meus pensamentos.
- É doce. Além disso, o Burton faz filmes muito bonitos.
- Burton, Burton. Quando você estiver na cidade, vai virar uma esnobe?
- Quando eu estiver na cidade, vou ser o que eu bem entender. - Não queria ter essa discussão com ele de novo. Nós dois gostávamos de filmes e assistíamos muitos. A gente se juntava pra isso, ver TV e transar. Essa era nossa vida de casal.
Ele tinha querido ser cineasta, estudou numa escola numa cidadezinha a alguns quilômetros, mas não muito longe. Tinha que viajar e isso acabou cansando ele. Agora trabalhava com o pai dele numa loja de ferragens e eu sabia que ele queria ir embora, mas nem ele nem eu sabíamos como tirá-lo da família.
Ele apoiou a mão na minha perna e, levantando o vestido, enfiou os dedos por baixo do pano, tentando me excitar. No começo, conseguiu.
- O que você tá fazendo, Javier? - Reagi histérica e tirei a mão dele devagar, com um sorriso cúmplice, mas tentando marcar um limite que ele interpretou como brincadeira. - Tá cheio de gente.
- Do que você tá falando?
- Mas aqui pode vir gente, até meu pai disse que ia passar no vídeo.
Javier bufou e ligou o carro de novo pra dar mais uma volta na praça.
- Bom, então vamos esperar o tempo passar e você ir embora.
Ele sempre especulava com isso. Já sabia que eu estava excitada, então, mesmo que eu fizesse o papel de segurá-lo, a ideia de eu ceder o excitava. meus próprios desejos. Não ia rolar naquela noite. Fiquei em silêncio olhando pra igreja. Fazia tempo que não ia, em casa já me enchia o saco por causa disso, e eu, eu tinha sido daquelas garotas que iam fanaticamente pra igreja, tinha pedido pro padre pra entrar no grupo de Ação Católica, e foi lá que conheci o Javier. Percebi que era pra isso que os caras iam lá.
Não tinha nem um mês que eu tava lá e já um cara tinha se declarado pra mim. Fiquei com vergonha, chamavam ele de Lucho e ele era famoso na cidade porque a família dele era meio largada com ele. Diziam que ele se drogava. Por isso tinham mandado ele pro grupo, mas todo mundo discriminava ele, só eu dava bola. Eu estudava com ele e tal. Ele era meio sem noção, sim, mas era um cara legal. Um dia ele veio e disse que precisava falar comigo. Me falou que gostava de mim e eu disse que eu-também-gostava-dele-mas-como-amigo e ele ficou puto pra caralho. Me xingou e depois disso o tratamento entre a gente ficou distante. Naquela noite eu me toquei pensando em alguém, eu que não me tocava, agora lembro, não era ele, ou talvez fosse. Como uma imagem relâmpago, entre uma sensação de uma mão me acariciando, o lado mais sombrio dele, o desagradável. Deus, que horror, não queria pensar naquilo. Depois conheci o Javier, ele era meio doido, mas era bom, e os músculos dele eram marcados e talvez fosse a única coisa que importava naquele momento.
Ele me beijou uma noite numa festa. Foi incrível, a noite perfeita. Talvez pelo nível de álcool no sangue, era uma chácara alugada e tinha muita gente. Eu tava a fim, não parava de rir e ele fazia todas as palhaçadas que vinham na cabeça dele. Num momento ficamos sozinhos na beira da piscina. Não era uma noite escura, era clara, dava pra ver o jardim e a casa cheia de barulho e de sombras entrando e saindo. Ele tinha pegado nas minhas mãos e me acariciava separando meus dedos. A gente se olhou e se beijou pequeno e docemente. As línguas foram avançando aos poucos como querendo conhecer o gosto um do outro e a gente foi pros nossos pescoços. Nossas respirações aceleraram e eu fiquei excitada. Ele percebeu e quis me tocar, mas eu não deixei. Ainda tinha as conversas com o padre na cabeça. Ideias de amor e de se preservar. Ideias que voariam logo, mas eu não sabia disso. No dia em que ficamos sozinhos na casa dele, percebi que sempre tinha pensado nele quando me tocava e que, se ele avançasse, eu deixaria rolar. E foi o que aconteceu. Perdi a virgindade na cama dele e a gente trepou que nem dois desgraçados. Na primeira vez doeu, mas o prazer, o prazer me fez gritar. Depois, os gritos iam nos trazer problemas, a gente foi descobrindo. Principalmente por causa do pudor.
— Vamos pra cabana? — Javier me interrompeu.
— Já te falei que não.
— Então vamos pra... cabana! — Ele falou e virou o volante, esperando que eu sorrisse cúmplice, o que eu fiz.
No carro, dava pra ver que ele queria se saciar de mim naquela noite, até tive medo que um verdadeiro animal surgisse dos movimentos dele e me possuísse com pura raiva. Além do sangue, além de tudo. Eu tirava os braços dele mecanicamente, mas aceitava os beijos.
— Não é que eu não queira, é que não posso. — Confessei, envergonhada.
— Não acredito em você. — Ele se frustrou, entendia perfeitamente o que tava rolando, a gente já se conhecia demais.
A cabana era um lugar que ele e um primo tinham encontrado e reformado, o primo agora tava viajando, então era um lugar só nosso. Mas naquela noite a gente chegou e deitou na cama. Esperando, em silêncio, confessar algo doce ou sinistro. Buscando o interesse um no outro. A gente falou de coisas sem importância até depois da meia-noite, e ele me tocava e falava as coisas mais lindas do mundo, e eu tocava ele e sentia que ia explodir.
— Cê gosta do meu pau, né?
— Tá bom. — Tentei não cortar o barato dele, mas não tinha gostado da expressão.
— Chupa meu pau.
— Não fala assim comigo.
— Vai, amor... Chupa ele. — Ele falou e baixou a calça, colocando os joelhos dos lados dos meus ombros e o Membro apontado pra minha boca.
— Love, o que cê tá fazendo?... EI!
— VAI! — Ele falava e tentava avançar.
— ME DEIXA SAIR! — Gritei desesperada.
Ele abriu as pernas e eu pulei da cama assustada.
— Qual é o seu problema? Cê é louco? Não vê que eu não gosto?
Ele, frustrado, subiu a calça de novo.
— É pra você não sentir minha falta, love. — Disse, mas a voz não tinha doçura nenhuma. — Vamos ver um filme?
Me senti meio culpada por não aceitar, mas quem ele pensava que era? A gente tinha transado pra caralho, sim. E tinha feito oral também, mas ele sabia que eu não gostava de chupar ele, e a gente tinha combinado que eu não ia fazer mais. E ainda mais assim, que porra eu era? A putinha dele? Não, eu não era putinha de ninguém. Eu era...
Ele colocou um filme e a gente deitou de novo na cama. Eu de frente pra tela, ele me abraçando. Mal o filme começou e a gente foi dormindo, perdedora e perdedor, em algumas horas eu estaria na cidade apadrinhada por um tio que tinha se tornado poderoso. Um tio milionário que tinha me prometido tudo. Ou pelo menos facilitar as coisas. Ou pelo menos era assim que eu entendia, bêbada de ansiedade.
Mais tarde na noite, Javier voltou a falar coisas doces, as coisas que eu gostava, até pediu desculpas e eu tentei chupar ele porque a gente tava excitado e tal. Abaixei um pouco a calça dele, que já tava meio solta, e dei uns beijos, ainda tava mole. Enfiei a cabeça na boca e passei a língua na glande, senti áspera, até que foi ficando macia, mas quando senti macia e dura, o líquido pré-gozo misturado com minha saliva começou a me dar nojo. Eu não queria aquilo, tentei cuspir ou brincar com a saliva sem engolir. Mas não conseguia porque ficava pensando em coisas que me davam asco.
Ele valorizou meu esforço e me beijou, me afastando. Acho que depois ele se vingou. Dormimos juntos e pelados, como sempre fazíamos. O tio, a cidade, as coisas de lá, gente estranha. Sozinha, eu avançava por entre as árvores de uma selva densa de chão. Frio, duro e escorregadio. Terra úmida, imaginei. Minha camisola branca mal me cobria. Levantei a vista pra ver o sol aparecendo de vez em quando entre as folhas. Desconfiei que era um sonho, e só nos pequenos feixes de luz fazia calor, depois puro frio. A selva não tinha fim, só galhos e caminhos estranhos que se afundavam na escuridão, sem pé nem cabeça. Comecei a correr, tive medo de congelar procurando pequenos raios de sol que não adiantavam nada pra me aquecer. O vestido molhado grudava na minha pele e eu sentia o frio, por baixo da camisola eu tava nua. Um pouco de calor. A água na minha pele era morna, suor talvez. Javier tinha me coberto com um cobertor e os braços e as pernas dele me envolviam, me acalmando durante a noite.
Foi uma viagem longa. Muitas paradas. Muitos sonhos. Tava encarando outra vida. Chorei quando me despedi de todo mundo no Terminal. E ainda tinha uma viagem de avião. José ia me esperar no aeroporto. Quando cheguei, não me surpreendi de não ver ele, mas sim uma placa com meu nome. Ele tinha mandado um motorista me buscar. Tanto barulho me atordoava, tanta gente. O motorista levou as malas pro carro. Tentamos conversar durante a viagem. O que primeiro me surpreendeu foi o clima pesado e úmido, algo diferente do que eu tava acostumada. Eu vinha de um lugar seco e frio onde as montanhas cobriam o horizonte. Agora só tinha estruturas, prédios.
Chegamos numa casa grande num condomínio fechado. Me senti aliviada, não sabia se ia aguentar tanta correria de uma vez. Uma mulher de uns cinquenta anos me recebeu, era elegante e se chamava Mabel. Ela me mostrou a casa e depois meu quarto. Era enorme. Tudo ali era gigantesco. Era o coração inteiro de um quarteirão. Uma piscina, um churrasqueiro com salão de jogos. Televisões enormes. É isso. Lá na cidadezinha ninguém podia imaginar que o tio tivesse uma fortuna dessas. Nem eu, mesmo estando no meio dela.
No primeiro dia não vi ele. No segundo também não. Eu levantava e meu café da manhã já tava pronto. Não sabia bem o que fazer. Peguei o jornal algumas vezes e marquei uns empregos. Não fazia ideia do que meu tio ia me propor. Era bem provável que eu fosse trabalhar pra ele. Também pesquisei na internet sobre a faculdade. Quanto custaria pra entrar, essas coisas. Era a única coisa que me vinha à cabeça naquelas tardes silenciosas de verão.
Até que apareceu a Mabel. Uma mulher de uns cinquenta anos, executiva, de óculos e com uma atitude de quem examina tudo, daquelas que não conseguem parar de avaliar.
— Carolina, né? — Eu assenti. — Falei com seu tio hoje de manhã, ele está viajando. Infelizmente não deu tempo de te alocar um trabalho na empresa e eu fiquei encarregada. Como entendo que você quer fazer sua vida na cidade, vou te dar um dinheiro por mês e a gente vê em que lugar da empresa podemos te encaixar, se você concordar. — Eu assenti.
Ela disse isso e foi embora. Fiquei sozinha, naquela casa gigante. Andei pelos salões de camisola várias vezes. Sem respostas, os retratos dos meus tios eram fortes, acusadores. Mas tinha algo estranho em todos eles. Algo por trás. Principalmente nas fotos que pareciam ter sido tiradas em alguma festa ou algo assim. O ambiente era esquisito. Personagens estranhos, com expressões vagas. E as mulheres, tinha algo com elas. Não conseguia definir o quê, mas em algumas dava pra ver uma alça e a lingerie deixava transparecer mais do que uma mulher recatada gostaria. Talvez fosse isso. Costumes urbanos dos quais eu, ainda, não sabia nada. O que mais me preocupava eram as expressões. Pareciam predadores. Era isso.
Passou uma semana, fácil, e nenhuma novidade. Mabel vinha de vez em quando e me informava. "Melhor pra mim", depois eu ficava sozinha na casa. Uns empregados no fundo, só isso.
Uma noite me aproximei da videoteca particular do meu tio. Mais precisamente da seção adultos. Fiquei curiosa. Lá tinha uma quantidade enorme de DVDs; parecia uma locadora. E mais atrás, havia caixas de DVDs pretas, com etiquetas que diziam "Experimento 1" e assim por diante. Coloquei um desses. Estava gravado câmera na mão, numa festa, uma festa bem formal pelo visto. Lá estava meu tio conversando com uma mulher de uns 30 anos, cabelo preto e sobrancelhas bem marcadas, uma gostosa com um vestido azul curto, bem curto. Tinha um corpo privilegiado.
Por causa do barulho da festa não dava pra ouvir o que eles diziam. Meu tio chegava perto do ouvido dela e ela continuava com o drink e com um olhar firme, os lábios dela passavam pela borda do copo. Ela concordava ou só sorria. Aí cortava.
Meu tio aparece num quarto. Ele fala com a câmera. Dessa vez é ele quem segura.
— Larpal, primeiro teste. — Ele fala e pega um frasco, passando na própria pica. Não é muito grande, ele se vira e a mina tá com o vestido e os sapatos ainda. Ela abre as pernas e levanta o vestido, mostrando que não tem calcinha, que tá depilada com uma cristinha pequena embaixo do monte de vênus, e ele enfia uns dedos ali, entre os lábios da buceta dela. Tá molhada. Os dedos vão e vêm, e eles só se olham.
— Vamos fazer uma aposta. — Ela fala. — Se você gozar primeiro, me paga o dobro. Se eu gozar primeiro, não me paga nada.
— Você tá muito molhada, como é que eu sei que não tá mentindo.
— Não minto. Sou uma puta, não uma mentirosa.
— Você dilata muito. — Meu tio continuava indo e vindo, mas com cada vez mais dedos. — Assim que eu gosto. Tem que estar preparada.
Ela gemia cada vez mais.
— Não me importaria de pagar o dobro. — Meu tio falou, virou ela de um movimento só e colocou um travesseiro debaixo do quadril dela, deixando a raba bem empinada. Tirou do bolso mais daquele produto que tinha passado na pica e besuntou a raba dela. Enfiou primeiro um dedo. Ela gemeu mais, uma mistura de prazer e dor. De novo, enfiou um, dois e três dedos. Ela parecia em êxtase, segurando os peitos com os olhos fechados. Concentrada no próprio prazer. Assim, parecia não perceber que meu tio tinha enfiado um consolo bem grosso no cu dela e se posicionado bem na frente. a boca dela.
- Abre bem a boquinha. – Meu tio pegou a cabeça dela e guiou até o pau dele, ela abriu os lábios como se estivesse saboreando algo delicioso. – Assim, chupa bem. Isso. Assim. Vamos ver como tá essa garganta. – Interrompe o boquete. – Vem, fica de cócoras e se toca. Vamos no mano a mano. – Enfiou o pau de novo na boca dela, indo e vindo, como se fosse um ator pornô. Os gemidos aumentando. Como se fosse gozar. – Vem. – Meu tio colocou os braços por baixo das pernas dela e carregou, deixando ela na posição de papai e mamãe na cama. Os músculos dele se destacavam, e o peito era forte como as costas. Tavam cara a cara.
- Tá romântico? – Ela disse, provocadora.
- Quero arrebentar teu cu.
- Quero ele todinho no meu cu – Ela ri.
- Você tem um cu bonito. Vou te mostrar o quão Promíscua você é – Ela pendurou as pernas nos ombros grandes e bem definidos do meu tio. – Abre bem. – Diz meu tio, e ela abre as bandas ao máximo, se expondo completamente. Ele passa aquele lubrificante que tinha colocado no pau e enfia os dedos besuntados. Enquanto isso, com a outra mão, coloca uma camisinha. O pau já tá bem maior. Os dedos continuam num vai e vem que faz ela gemer e gemer.
- arrrghh ah… ahhh….ah….a puta mãe – sussurra ela, mordendo os lençóis e se derretendo de prazer.
- Olha, só com os dedos. Dois dedinhos no cu e olha como você goza. – Ela começou a gritar, se acabando. – Tá só começando. – E começou a enfiar o pau grosso. Ela continuou gemendo, aumentando conforme o pau grosso abria caminho. Quando entrou por completo, ela abriu a boca e ele enfiou quatro dedos pingando lubrificante. – Vai preparando a boquinha enquanto isso. – Ela levantava as pernas a cada estocada.
PLAZ
PLAZ
PLAZ
PLAZ
Sem piedade, meu tio ia e vinha, quase tirando o pau pra enfiar de uma vez, fazendo o percurso todo rapidão. Era tão forte, tão violento, parecia descontrolado. arrancando orgasmos um atrás do outro. Ela, mais religiosa do que nunca, gritando "não pode ser" no meio dos gemidos, uma mulher no cio sob os músculos de um animal poderoso. Meu tio, o animal, a criatura sexual.
Não aguentei mais e gozei. Quando terminei, ele estava enfiando devagar na boca dela. Já não cabia inteira, tinha crescido demais. Desliguei a TV e fui dormir. Entre os lençóis, me senti meio culpada por ter me masturbado vendo meu tio, mas já fazia tanto tempo sem uma alegria. Além disso, a situação, a situação era muito sensual, aquela mulher estava completamente entregue. E com sexo anal. Algo que nunca fiz, mas que não faz sentido, tem merda ali, embora aquela puta estivesse limpa, mas o que pode ser excitante nisso! Homens, homens, e é verdade que tem umas vadias que se deixam levar.
No dia seguinte, me encontrei com a Mabel.
— A gente estava vendo onde podia te colocar. A verdade é que o assunto é complicado porque tem vagas. Sim, mas não têm muito futuro. Estive conversando com o advogado e ele me recomendou te colocar à prova num programa que talvez te interesse.
— Do que se trata? — perguntei.
— Você é uma garota muito linda e muito capaz, disso não temos dúvida. Então também não queremos que você se sinta obrigada a fazer nada que não goste. É só um projeto. Nada concreto. Acreditamos que você pode ter futuro como modelo.
Olhei para ela estranha. Era verdade, eu era uma garota bonita, os homens me olhavam, disso não tinha dúvida. Mas não era perfeita... Não naquele nível, pensei, lembrando que fazia um tempo que não malhava.
— Nunca pensou nisso? — perguntou Mabel.
— Não. De jeito nenhum — respondi sincera. — Sempre achei que isso era coisa de garota bonita sem nada na cabeça.
— Tudo bem. Você tem um pouco de razão. Eu fui modelo. — Ela riu e eu ri. Me senti meio envergonhada.
— Sério?
— Foi assim que comecei. Sabe quanto pagam por uma sessão de fotos se você é uma modelo mais ou menos conhecida?
— Muito, imagino.
— É. suficiente pra viver um tempinho sem trabalhar. E viver bem, viu.
—Mas eu não tenho corpo de modelo. As modelos são altas e perfeitas.
—Querida. Olha ao seu redor. A gente pode te deixar tão perfeita quanto você quiser. E sobre a altura, não se preocupa. Você não vai desfilar.
—Tava pensando em começar uma carreira em administração. — respondi, e Mabel suspirou.
—Seu tio ia querer que você fizesse o que quisesse... Mas te recomendo que não faça ele perder tempo.
—Eu entendo e agradeço, é só que talvez eu não queira viver me fazendo de gostosa.
—Ainda hoje nesse mundo, o povo só vive pra se fazer de gostosa. Se você não percebeu, dá uma olhada na televisão. Sai na rua. Repara.
Ela me deixou com um papel. Lá tinha um nome, um endereço, uma data e um horário. Podia ir se quisesse ou deixar pra lá.
Deixei pra lá. Um mês depois, tive que sair da mansão. Arrumei um apartamento no centro e comecei a faculdade. Meu tio me mandava uma grana por mês, mas nunca dava. Queria jantar fora sempre, além de já ter comprado um carro, sapatos e todos os vestidos de marca que apareciam na minha frente. Tava mantendo uma capacidade de poupança quase zero. Não demorei pra pedir pros meus pais me mandarem um dinheiro extra.
—Mas querida, o que cê tá fazendo com a grana? — disse minha mãe. Ela sabia que eu recebia dinheiro.
No entanto, entre festa e festa, não dava tempo de estudar. Tudo era tão chato. E tão caro. Mabel me ligou pouco tempo depois.
—Vamos ter que reduzir sua mesada, falei com seus pais e eles concordam que não estamos te fazendo bem nenhum facilitando tanto as coisas. Além disso, você não tá indo bem na faculdade. Enfim. Vai ter que trabalhar, querida.
—Mabel, não preciso que você me diga isso agora que tô como tô.
—O que aconteceu? Ainda não arrumou nenhum namorado pra te bancar?
Não respondi. Sim, tinha arrumado um. Chamava Tomás. Foi numa noite de álcool. Nós nos beijamos. Ele era muito gostoso e eu passei meu número de telefone pra ele. Marcamos um encontro, ele me convidou pro restaurante mais caro da cidade. Comemos e depois fomos pra casa dele. Uma mansão. Mal cruzamos a porta da entrada, ele me levou dos lábios dele pro pau dele. ("Pau", foi assim que ele chamou, o filho da puta, e eu deixei, sendo que fazia menos de um ano que eu tinha feito um escândalo pro amor da minha vida por causa disso). Chupei ele e quando tava dura ele começou a enfiar mais e mais fundo. Não era grande coisa, mas eu não tava acostumada com aquela violência.
- Engole! ENGOLA! - Ele disse me segurando pela nuca. Eu tirei o pau dele da minha boca, dei um tapa na cara dele e fui embora. Ele tentou me segurar me tocando.
- Vem, eu tava brincando, você não pode me deixar assim. - Ele falou de novo e naquela noite a gente transou, mas nunca mais vi ele. Ele tinha me tratado tão mal. Era um sem-vergonha. Toda aquela ostentação dele não me impressionava a ponto de eu entregar minha moral.
E lá estava Mabel, que parecia saber de tudo.
- Assim que te vi, soube o tipo de garota que você era. Inocente, mas com atitude. Já ter chegado até aqui com as pretensões que você trouxe já é bastante. Imagino que você tenha ido pra todas as festas e percebido que a vida aqui não é fácil pra se divertir e só. - Eu só olhei pra ela e acendi um cigarro. - Não pode fumar aqui. - Não liguei pra ela e ela sorriu. - Que olharinho. Você vai ter que começar a ir pra academia se quiser usar o programa.
- Programa?
- É o emprego que mais dinheiro pode te render, isso você vai ter fácil. Vou te arrumar um personal trainer. Nada complicado. Tiram umas fotos de teste e vão vendo qual é o seu perfil.
- Isso vou pagar eu? - Falei e ela acendeu o próprio cigarro. A gente conversava entre as nuvens.
- Não, querida, você não conseguiria pagar uma coisa dessas. Embora na verdade você tenha que fazer isso, seu tio quer que você se responsabilize, e principalmente com esses números.
Por que eu nunca conseguia falar com meu tio sobre essas coisas? Sempre que ele... tava ocupado ou não tinha tempo...
Continua...
Mas o que eu faria com ele? Fazia só um dia que tinha menstruado, não poderia me despedir dele daquele jeito. Sabia que ele ia querer transar, tava morrendo de vontade e não se importava em esconder. Embora eu tivesse pedido mil vezes que achava extremamente nojento ele se mostrar tão babão, ele dizia "mas é assim que o mundo é hoje, neguinha, o que vamos fazer. Se na TV só tem sexo...". Ele tinha um pouco de razão, mas eu não ia dar pra ele.
Saí de casa com o vestido florido e entrei no carro dele. Fazia um tempinho que ele me esperava. Dei um beijo molhado na boca dele e ele ligou o motor.
- Vamos pra cabana? - Ele disse, feliz.
- Não. Prefiro ir pro centro. Tô meio com medo de ir embora assim. - Respondi. Ele continuou sorrindo.
- Tá bom, mas depois a gente vai pra cabana. - Ele ligou o carro e virou numa esquina deserta.
- Depois a gente vê.
Já era tarde. Não tinha muita gente, embora tivesse um bar aberto e a locadora estivesse lotada. Assim, os dois pontos de pessoas brilhavam em quadras diferentes da praça. Sentamos num canto e vimos o pessoal transitando de um lugar pra outro. Quase todas famílias, poucos eram os grupos de jovens da nossa idade que ficavam na vila. Era pequena demais pros nossos 22 anos. Na verdade, pra mim já tinha ficado um pouco tarde. Por que eu tinha demorado tanto? No começo porque eu não queria ir embora. Mas depois de estudar numa filial da faculdade, quase por correspondência, eu tinha que terminar meus estudos na cidade, custasse o que custasse. Quando cheguei nesse ponto, já sabia que se quisesse progredir na vida, teria que ir pra lá de qualquer jeito. E claro que eu queria progredir, sendo a mais gostosa da cidade, a aluna mais dedicada, a atleta mais admirada, etc., etc. Meu instinto competitivo tinha crescido demais e eu não era nenhuma idiota. Não queria ficar com esses orgulhos pequenos. Queria ir pro oceano.
- Ainda não acredito que você gostou de O Grande Peixe. - Ele disse, como se estivesse ouvindo meus pensamentos.
- É doce. Além disso, o Burton faz filmes muito bonitos.
- Burton, Burton. Quando você estiver na cidade, vai virar uma esnobe?
- Quando eu estiver na cidade, vou ser o que eu bem entender. - Não queria ter essa discussão com ele de novo. Nós dois gostávamos de filmes e assistíamos muitos. A gente se juntava pra isso, ver TV e transar. Essa era nossa vida de casal.
Ele tinha querido ser cineasta, estudou numa escola numa cidadezinha a alguns quilômetros, mas não muito longe. Tinha que viajar e isso acabou cansando ele. Agora trabalhava com o pai dele numa loja de ferragens e eu sabia que ele queria ir embora, mas nem ele nem eu sabíamos como tirá-lo da família.
Ele apoiou a mão na minha perna e, levantando o vestido, enfiou os dedos por baixo do pano, tentando me excitar. No começo, conseguiu.
- O que você tá fazendo, Javier? - Reagi histérica e tirei a mão dele devagar, com um sorriso cúmplice, mas tentando marcar um limite que ele interpretou como brincadeira. - Tá cheio de gente.
- Do que você tá falando?
- Mas aqui pode vir gente, até meu pai disse que ia passar no vídeo.
Javier bufou e ligou o carro de novo pra dar mais uma volta na praça.
- Bom, então vamos esperar o tempo passar e você ir embora.
Ele sempre especulava com isso. Já sabia que eu estava excitada, então, mesmo que eu fizesse o papel de segurá-lo, a ideia de eu ceder o excitava. meus próprios desejos. Não ia rolar naquela noite. Fiquei em silêncio olhando pra igreja. Fazia tempo que não ia, em casa já me enchia o saco por causa disso, e eu, eu tinha sido daquelas garotas que iam fanaticamente pra igreja, tinha pedido pro padre pra entrar no grupo de Ação Católica, e foi lá que conheci o Javier. Percebi que era pra isso que os caras iam lá.
Não tinha nem um mês que eu tava lá e já um cara tinha se declarado pra mim. Fiquei com vergonha, chamavam ele de Lucho e ele era famoso na cidade porque a família dele era meio largada com ele. Diziam que ele se drogava. Por isso tinham mandado ele pro grupo, mas todo mundo discriminava ele, só eu dava bola. Eu estudava com ele e tal. Ele era meio sem noção, sim, mas era um cara legal. Um dia ele veio e disse que precisava falar comigo. Me falou que gostava de mim e eu disse que eu-também-gostava-dele-mas-como-amigo e ele ficou puto pra caralho. Me xingou e depois disso o tratamento entre a gente ficou distante. Naquela noite eu me toquei pensando em alguém, eu que não me tocava, agora lembro, não era ele, ou talvez fosse. Como uma imagem relâmpago, entre uma sensação de uma mão me acariciando, o lado mais sombrio dele, o desagradável. Deus, que horror, não queria pensar naquilo. Depois conheci o Javier, ele era meio doido, mas era bom, e os músculos dele eram marcados e talvez fosse a única coisa que importava naquele momento.
Ele me beijou uma noite numa festa. Foi incrível, a noite perfeita. Talvez pelo nível de álcool no sangue, era uma chácara alugada e tinha muita gente. Eu tava a fim, não parava de rir e ele fazia todas as palhaçadas que vinham na cabeça dele. Num momento ficamos sozinhos na beira da piscina. Não era uma noite escura, era clara, dava pra ver o jardim e a casa cheia de barulho e de sombras entrando e saindo. Ele tinha pegado nas minhas mãos e me acariciava separando meus dedos. A gente se olhou e se beijou pequeno e docemente. As línguas foram avançando aos poucos como querendo conhecer o gosto um do outro e a gente foi pros nossos pescoços. Nossas respirações aceleraram e eu fiquei excitada. Ele percebeu e quis me tocar, mas eu não deixei. Ainda tinha as conversas com o padre na cabeça. Ideias de amor e de se preservar. Ideias que voariam logo, mas eu não sabia disso. No dia em que ficamos sozinhos na casa dele, percebi que sempre tinha pensado nele quando me tocava e que, se ele avançasse, eu deixaria rolar. E foi o que aconteceu. Perdi a virgindade na cama dele e a gente trepou que nem dois desgraçados. Na primeira vez doeu, mas o prazer, o prazer me fez gritar. Depois, os gritos iam nos trazer problemas, a gente foi descobrindo. Principalmente por causa do pudor.
— Vamos pra cabana? — Javier me interrompeu.
— Já te falei que não.
— Então vamos pra... cabana! — Ele falou e virou o volante, esperando que eu sorrisse cúmplice, o que eu fiz.
No carro, dava pra ver que ele queria se saciar de mim naquela noite, até tive medo que um verdadeiro animal surgisse dos movimentos dele e me possuísse com pura raiva. Além do sangue, além de tudo. Eu tirava os braços dele mecanicamente, mas aceitava os beijos.
— Não é que eu não queira, é que não posso. — Confessei, envergonhada.
— Não acredito em você. — Ele se frustrou, entendia perfeitamente o que tava rolando, a gente já se conhecia demais.
A cabana era um lugar que ele e um primo tinham encontrado e reformado, o primo agora tava viajando, então era um lugar só nosso. Mas naquela noite a gente chegou e deitou na cama. Esperando, em silêncio, confessar algo doce ou sinistro. Buscando o interesse um no outro. A gente falou de coisas sem importância até depois da meia-noite, e ele me tocava e falava as coisas mais lindas do mundo, e eu tocava ele e sentia que ia explodir.
— Cê gosta do meu pau, né?
— Tá bom. — Tentei não cortar o barato dele, mas não tinha gostado da expressão.
— Chupa meu pau.
— Não fala assim comigo.
— Vai, amor... Chupa ele. — Ele falou e baixou a calça, colocando os joelhos dos lados dos meus ombros e o Membro apontado pra minha boca.
— Love, o que cê tá fazendo?... EI!
— VAI! — Ele falava e tentava avançar.
— ME DEIXA SAIR! — Gritei desesperada.
Ele abriu as pernas e eu pulei da cama assustada.
— Qual é o seu problema? Cê é louco? Não vê que eu não gosto?
Ele, frustrado, subiu a calça de novo.
— É pra você não sentir minha falta, love. — Disse, mas a voz não tinha doçura nenhuma. — Vamos ver um filme?
Me senti meio culpada por não aceitar, mas quem ele pensava que era? A gente tinha transado pra caralho, sim. E tinha feito oral também, mas ele sabia que eu não gostava de chupar ele, e a gente tinha combinado que eu não ia fazer mais. E ainda mais assim, que porra eu era? A putinha dele? Não, eu não era putinha de ninguém. Eu era...
Ele colocou um filme e a gente deitou de novo na cama. Eu de frente pra tela, ele me abraçando. Mal o filme começou e a gente foi dormindo, perdedora e perdedor, em algumas horas eu estaria na cidade apadrinhada por um tio que tinha se tornado poderoso. Um tio milionário que tinha me prometido tudo. Ou pelo menos facilitar as coisas. Ou pelo menos era assim que eu entendia, bêbada de ansiedade.
Mais tarde na noite, Javier voltou a falar coisas doces, as coisas que eu gostava, até pediu desculpas e eu tentei chupar ele porque a gente tava excitado e tal. Abaixei um pouco a calça dele, que já tava meio solta, e dei uns beijos, ainda tava mole. Enfiei a cabeça na boca e passei a língua na glande, senti áspera, até que foi ficando macia, mas quando senti macia e dura, o líquido pré-gozo misturado com minha saliva começou a me dar nojo. Eu não queria aquilo, tentei cuspir ou brincar com a saliva sem engolir. Mas não conseguia porque ficava pensando em coisas que me davam asco.
Ele valorizou meu esforço e me beijou, me afastando. Acho que depois ele se vingou. Dormimos juntos e pelados, como sempre fazíamos. O tio, a cidade, as coisas de lá, gente estranha. Sozinha, eu avançava por entre as árvores de uma selva densa de chão. Frio, duro e escorregadio. Terra úmida, imaginei. Minha camisola branca mal me cobria. Levantei a vista pra ver o sol aparecendo de vez em quando entre as folhas. Desconfiei que era um sonho, e só nos pequenos feixes de luz fazia calor, depois puro frio. A selva não tinha fim, só galhos e caminhos estranhos que se afundavam na escuridão, sem pé nem cabeça. Comecei a correr, tive medo de congelar procurando pequenos raios de sol que não adiantavam nada pra me aquecer. O vestido molhado grudava na minha pele e eu sentia o frio, por baixo da camisola eu tava nua. Um pouco de calor. A água na minha pele era morna, suor talvez. Javier tinha me coberto com um cobertor e os braços e as pernas dele me envolviam, me acalmando durante a noite.
Foi uma viagem longa. Muitas paradas. Muitos sonhos. Tava encarando outra vida. Chorei quando me despedi de todo mundo no Terminal. E ainda tinha uma viagem de avião. José ia me esperar no aeroporto. Quando cheguei, não me surpreendi de não ver ele, mas sim uma placa com meu nome. Ele tinha mandado um motorista me buscar. Tanto barulho me atordoava, tanta gente. O motorista levou as malas pro carro. Tentamos conversar durante a viagem. O que primeiro me surpreendeu foi o clima pesado e úmido, algo diferente do que eu tava acostumada. Eu vinha de um lugar seco e frio onde as montanhas cobriam o horizonte. Agora só tinha estruturas, prédios.
Chegamos numa casa grande num condomínio fechado. Me senti aliviada, não sabia se ia aguentar tanta correria de uma vez. Uma mulher de uns cinquenta anos me recebeu, era elegante e se chamava Mabel. Ela me mostrou a casa e depois meu quarto. Era enorme. Tudo ali era gigantesco. Era o coração inteiro de um quarteirão. Uma piscina, um churrasqueiro com salão de jogos. Televisões enormes. É isso. Lá na cidadezinha ninguém podia imaginar que o tio tivesse uma fortuna dessas. Nem eu, mesmo estando no meio dela.
No primeiro dia não vi ele. No segundo também não. Eu levantava e meu café da manhã já tava pronto. Não sabia bem o que fazer. Peguei o jornal algumas vezes e marquei uns empregos. Não fazia ideia do que meu tio ia me propor. Era bem provável que eu fosse trabalhar pra ele. Também pesquisei na internet sobre a faculdade. Quanto custaria pra entrar, essas coisas. Era a única coisa que me vinha à cabeça naquelas tardes silenciosas de verão.
Até que apareceu a Mabel. Uma mulher de uns cinquenta anos, executiva, de óculos e com uma atitude de quem examina tudo, daquelas que não conseguem parar de avaliar.
— Carolina, né? — Eu assenti. — Falei com seu tio hoje de manhã, ele está viajando. Infelizmente não deu tempo de te alocar um trabalho na empresa e eu fiquei encarregada. Como entendo que você quer fazer sua vida na cidade, vou te dar um dinheiro por mês e a gente vê em que lugar da empresa podemos te encaixar, se você concordar. — Eu assenti.
Ela disse isso e foi embora. Fiquei sozinha, naquela casa gigante. Andei pelos salões de camisola várias vezes. Sem respostas, os retratos dos meus tios eram fortes, acusadores. Mas tinha algo estranho em todos eles. Algo por trás. Principalmente nas fotos que pareciam ter sido tiradas em alguma festa ou algo assim. O ambiente era esquisito. Personagens estranhos, com expressões vagas. E as mulheres, tinha algo com elas. Não conseguia definir o quê, mas em algumas dava pra ver uma alça e a lingerie deixava transparecer mais do que uma mulher recatada gostaria. Talvez fosse isso. Costumes urbanos dos quais eu, ainda, não sabia nada. O que mais me preocupava eram as expressões. Pareciam predadores. Era isso.
Passou uma semana, fácil, e nenhuma novidade. Mabel vinha de vez em quando e me informava. "Melhor pra mim", depois eu ficava sozinha na casa. Uns empregados no fundo, só isso.
Uma noite me aproximei da videoteca particular do meu tio. Mais precisamente da seção adultos. Fiquei curiosa. Lá tinha uma quantidade enorme de DVDs; parecia uma locadora. E mais atrás, havia caixas de DVDs pretas, com etiquetas que diziam "Experimento 1" e assim por diante. Coloquei um desses. Estava gravado câmera na mão, numa festa, uma festa bem formal pelo visto. Lá estava meu tio conversando com uma mulher de uns 30 anos, cabelo preto e sobrancelhas bem marcadas, uma gostosa com um vestido azul curto, bem curto. Tinha um corpo privilegiado.
Por causa do barulho da festa não dava pra ouvir o que eles diziam. Meu tio chegava perto do ouvido dela e ela continuava com o drink e com um olhar firme, os lábios dela passavam pela borda do copo. Ela concordava ou só sorria. Aí cortava.
Meu tio aparece num quarto. Ele fala com a câmera. Dessa vez é ele quem segura.
— Larpal, primeiro teste. — Ele fala e pega um frasco, passando na própria pica. Não é muito grande, ele se vira e a mina tá com o vestido e os sapatos ainda. Ela abre as pernas e levanta o vestido, mostrando que não tem calcinha, que tá depilada com uma cristinha pequena embaixo do monte de vênus, e ele enfia uns dedos ali, entre os lábios da buceta dela. Tá molhada. Os dedos vão e vêm, e eles só se olham.
— Vamos fazer uma aposta. — Ela fala. — Se você gozar primeiro, me paga o dobro. Se eu gozar primeiro, não me paga nada.
— Você tá muito molhada, como é que eu sei que não tá mentindo.
— Não minto. Sou uma puta, não uma mentirosa.
— Você dilata muito. — Meu tio continuava indo e vindo, mas com cada vez mais dedos. — Assim que eu gosto. Tem que estar preparada.
Ela gemia cada vez mais.
— Não me importaria de pagar o dobro. — Meu tio falou, virou ela de um movimento só e colocou um travesseiro debaixo do quadril dela, deixando a raba bem empinada. Tirou do bolso mais daquele produto que tinha passado na pica e besuntou a raba dela. Enfiou primeiro um dedo. Ela gemeu mais, uma mistura de prazer e dor. De novo, enfiou um, dois e três dedos. Ela parecia em êxtase, segurando os peitos com os olhos fechados. Concentrada no próprio prazer. Assim, parecia não perceber que meu tio tinha enfiado um consolo bem grosso no cu dela e se posicionado bem na frente. a boca dela.
- Abre bem a boquinha. – Meu tio pegou a cabeça dela e guiou até o pau dele, ela abriu os lábios como se estivesse saboreando algo delicioso. – Assim, chupa bem. Isso. Assim. Vamos ver como tá essa garganta. – Interrompe o boquete. – Vem, fica de cócoras e se toca. Vamos no mano a mano. – Enfiou o pau de novo na boca dela, indo e vindo, como se fosse um ator pornô. Os gemidos aumentando. Como se fosse gozar. – Vem. – Meu tio colocou os braços por baixo das pernas dela e carregou, deixando ela na posição de papai e mamãe na cama. Os músculos dele se destacavam, e o peito era forte como as costas. Tavam cara a cara.
- Tá romântico? – Ela disse, provocadora.
- Quero arrebentar teu cu.
- Quero ele todinho no meu cu – Ela ri.
- Você tem um cu bonito. Vou te mostrar o quão Promíscua você é – Ela pendurou as pernas nos ombros grandes e bem definidos do meu tio. – Abre bem. – Diz meu tio, e ela abre as bandas ao máximo, se expondo completamente. Ele passa aquele lubrificante que tinha colocado no pau e enfia os dedos besuntados. Enquanto isso, com a outra mão, coloca uma camisinha. O pau já tá bem maior. Os dedos continuam num vai e vem que faz ela gemer e gemer.
- arrrghh ah… ahhh….ah….a puta mãe – sussurra ela, mordendo os lençóis e se derretendo de prazer.
- Olha, só com os dedos. Dois dedinhos no cu e olha como você goza. – Ela começou a gritar, se acabando. – Tá só começando. – E começou a enfiar o pau grosso. Ela continuou gemendo, aumentando conforme o pau grosso abria caminho. Quando entrou por completo, ela abriu a boca e ele enfiou quatro dedos pingando lubrificante. – Vai preparando a boquinha enquanto isso. – Ela levantava as pernas a cada estocada.
PLAZ
PLAZ
PLAZ
PLAZ
Sem piedade, meu tio ia e vinha, quase tirando o pau pra enfiar de uma vez, fazendo o percurso todo rapidão. Era tão forte, tão violento, parecia descontrolado. arrancando orgasmos um atrás do outro. Ela, mais religiosa do que nunca, gritando "não pode ser" no meio dos gemidos, uma mulher no cio sob os músculos de um animal poderoso. Meu tio, o animal, a criatura sexual.
Não aguentei mais e gozei. Quando terminei, ele estava enfiando devagar na boca dela. Já não cabia inteira, tinha crescido demais. Desliguei a TV e fui dormir. Entre os lençóis, me senti meio culpada por ter me masturbado vendo meu tio, mas já fazia tanto tempo sem uma alegria. Além disso, a situação, a situação era muito sensual, aquela mulher estava completamente entregue. E com sexo anal. Algo que nunca fiz, mas que não faz sentido, tem merda ali, embora aquela puta estivesse limpa, mas o que pode ser excitante nisso! Homens, homens, e é verdade que tem umas vadias que se deixam levar.
No dia seguinte, me encontrei com a Mabel.
— A gente estava vendo onde podia te colocar. A verdade é que o assunto é complicado porque tem vagas. Sim, mas não têm muito futuro. Estive conversando com o advogado e ele me recomendou te colocar à prova num programa que talvez te interesse.
— Do que se trata? — perguntei.
— Você é uma garota muito linda e muito capaz, disso não temos dúvida. Então também não queremos que você se sinta obrigada a fazer nada que não goste. É só um projeto. Nada concreto. Acreditamos que você pode ter futuro como modelo.
Olhei para ela estranha. Era verdade, eu era uma garota bonita, os homens me olhavam, disso não tinha dúvida. Mas não era perfeita... Não naquele nível, pensei, lembrando que fazia um tempo que não malhava.
— Nunca pensou nisso? — perguntou Mabel.
— Não. De jeito nenhum — respondi sincera. — Sempre achei que isso era coisa de garota bonita sem nada na cabeça.
— Tudo bem. Você tem um pouco de razão. Eu fui modelo. — Ela riu e eu ri. Me senti meio envergonhada.
— Sério?
— Foi assim que comecei. Sabe quanto pagam por uma sessão de fotos se você é uma modelo mais ou menos conhecida?
— Muito, imagino.
— É. suficiente pra viver um tempinho sem trabalhar. E viver bem, viu.
—Mas eu não tenho corpo de modelo. As modelos são altas e perfeitas.
—Querida. Olha ao seu redor. A gente pode te deixar tão perfeita quanto você quiser. E sobre a altura, não se preocupa. Você não vai desfilar.
—Tava pensando em começar uma carreira em administração. — respondi, e Mabel suspirou.
—Seu tio ia querer que você fizesse o que quisesse... Mas te recomendo que não faça ele perder tempo.
—Eu entendo e agradeço, é só que talvez eu não queira viver me fazendo de gostosa.
—Ainda hoje nesse mundo, o povo só vive pra se fazer de gostosa. Se você não percebeu, dá uma olhada na televisão. Sai na rua. Repara.
Ela me deixou com um papel. Lá tinha um nome, um endereço, uma data e um horário. Podia ir se quisesse ou deixar pra lá.
Deixei pra lá. Um mês depois, tive que sair da mansão. Arrumei um apartamento no centro e comecei a faculdade. Meu tio me mandava uma grana por mês, mas nunca dava. Queria jantar fora sempre, além de já ter comprado um carro, sapatos e todos os vestidos de marca que apareciam na minha frente. Tava mantendo uma capacidade de poupança quase zero. Não demorei pra pedir pros meus pais me mandarem um dinheiro extra.
—Mas querida, o que cê tá fazendo com a grana? — disse minha mãe. Ela sabia que eu recebia dinheiro.
No entanto, entre festa e festa, não dava tempo de estudar. Tudo era tão chato. E tão caro. Mabel me ligou pouco tempo depois.
—Vamos ter que reduzir sua mesada, falei com seus pais e eles concordam que não estamos te fazendo bem nenhum facilitando tanto as coisas. Além disso, você não tá indo bem na faculdade. Enfim. Vai ter que trabalhar, querida.
—Mabel, não preciso que você me diga isso agora que tô como tô.
—O que aconteceu? Ainda não arrumou nenhum namorado pra te bancar?
Não respondi. Sim, tinha arrumado um. Chamava Tomás. Foi numa noite de álcool. Nós nos beijamos. Ele era muito gostoso e eu passei meu número de telefone pra ele. Marcamos um encontro, ele me convidou pro restaurante mais caro da cidade. Comemos e depois fomos pra casa dele. Uma mansão. Mal cruzamos a porta da entrada, ele me levou dos lábios dele pro pau dele. ("Pau", foi assim que ele chamou, o filho da puta, e eu deixei, sendo que fazia menos de um ano que eu tinha feito um escândalo pro amor da minha vida por causa disso). Chupei ele e quando tava dura ele começou a enfiar mais e mais fundo. Não era grande coisa, mas eu não tava acostumada com aquela violência.
- Engole! ENGOLA! - Ele disse me segurando pela nuca. Eu tirei o pau dele da minha boca, dei um tapa na cara dele e fui embora. Ele tentou me segurar me tocando.
- Vem, eu tava brincando, você não pode me deixar assim. - Ele falou de novo e naquela noite a gente transou, mas nunca mais vi ele. Ele tinha me tratado tão mal. Era um sem-vergonha. Toda aquela ostentação dele não me impressionava a ponto de eu entregar minha moral.
E lá estava Mabel, que parecia saber de tudo.
- Assim que te vi, soube o tipo de garota que você era. Inocente, mas com atitude. Já ter chegado até aqui com as pretensões que você trouxe já é bastante. Imagino que você tenha ido pra todas as festas e percebido que a vida aqui não é fácil pra se divertir e só. - Eu só olhei pra ela e acendi um cigarro. - Não pode fumar aqui. - Não liguei pra ela e ela sorriu. - Que olharinho. Você vai ter que começar a ir pra academia se quiser usar o programa.
- Programa?
- É o emprego que mais dinheiro pode te render, isso você vai ter fácil. Vou te arrumar um personal trainer. Nada complicado. Tiram umas fotos de teste e vão vendo qual é o seu perfil.
- Isso vou pagar eu? - Falei e ela acendeu o próprio cigarro. A gente conversava entre as nuvens.
- Não, querida, você não conseguiria pagar uma coisa dessas. Embora na verdade você tenha que fazer isso, seu tio quer que você se responsabilize, e principalmente com esses números.
Por que eu nunca conseguia falar com meu tio sobre essas coisas? Sempre que ele... tava ocupado ou não tinha tempo...
Continua...
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