Un profesor llamado Briggitte

Un profesor llamado Briggitte

O exercício da oficina de pedagogia consistia em se colocar no lugar de alguém que sempre sonhou ser. Um por um, os colegas de Luis Guillermo escolheram políticos, artistas ou esportistas famosos. Até que chegou sua vez, e ele disse quase sem pensar: "Eu teria gostado de ser uma mulher". Era a primeira vez que o estudante de Biologia confessava que se sentia como uma jovem presa no corpo de um homem. E, para sua surpresa, ninguém o repreendeu. "Naquele dia entendi que o mundo não desabaria sobre mim se eu aceitasse que não estava satisfeita comigo mesma", conta Luis Guillermo Baptiste, ou Brigitte, como prefere que chamem essa prestigiosa ecologista há 10 anos, quando decidiu que o que queria era se ver como a mulher que sempre se sentiu.

Brigitte Luis Guillermo Baptiste, como se chama perante a lei desde que mudou seu nome, é a subdiretora científica do Instituto de Pesquisa de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt e uma das professoras mais respeitadas dos últimos tempos na Faculdade de Estudos Ambientais da Universidade Javeriana de Bogotá. Como não gosta de ser rotulada, nunca responde quando perguntam se é homem ou mulher. E também não se importa. "Realmente transito através do gênero. Sou um ser em movimento e me sinto muito livre assim". Por isso tanto faz que a chamem de senhor ou senhora, ele ou ela.

Seu vestido azul vibrante de saia curta, seus brincos combinando, seus implantes de silicone nos seios e seu cabelo loiro penteado contrastam com sua voz grossa, sua maçã de adão pronunciada e certa dificuldade para andar de salto alto. Uma imagem que para os mais conservadores parece agressiva e até insultante. "Mas ele é tão bom no que faz que depois de ouvi-lo por cinco minutos todos esquecem como ele se parece - opina Jerónimo Rodríguez, coordenador do programa de política e legislação do Humboldt -. É muito enriquecedor trabalhar com ele. É muito inteligente e tem a capacidade de exemplificar temas cientificamente muito complexos com casos simples. Ele é metódico, preciso e, acima de tudo, muito respeitoso".

Um respeito que ela também espera dos outros, pois tornar-se Brigitte foi um processo mais que espinhoso: durante anos ela negou isso a si mesma, depois decidiu que morreria com seu segredo e, após muito pensar, acabou aceitando. "Desde muito pequena aprendi na marra que qualquer pessoa diferente é identificada e eliminada, -afirma-. Quando Brigitte nasceu, percebi que parte desses medos estava na minha cabeça, que eu tinha agido contra mim mesma. Mas também reconheço que se, quando estava no colégio, eu tivesse gritado que queria ser mulher, poderia ter acabado trabalhando obrigada em um salão de beleza ou como travesti na rua 15".

Começou a se vestir de menina aos 6 ou 7 anos. Não sabia bem por quê, mas queria ser como as meninas mais velhas do ensino médio e não como os adolescentes durões "que jogavam para ver quem se destacava mais". A atraíam a moda que via nas revistas Cromos e Cosmopolitan, a nascente diva Amparo Grisales e as fotos de travestis internacionais no jornal El Espacio, que comprava escondido. Ainda lembra que Christine Jorgensen, conhecida como a primeira pessoa a se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo, respondeu para aquele jornal uma pergunta que lhe repetem constantemente: Em qual banheiro você entra, no masculino ou no feminino?

Luis Guillermo não se sentia capaz de aceitar naquele momento que ele gostaria de entrar no banheiro que estivesse mais vazio. Para reprimir esses sentimentos que então pareciam pecaminosos, refugiou-se nos estudos, na arte (pintava retratos de suas colegas) e na leitura de ficção científica: "Uma válvula de escape na qual tudo é possível". Formou-se em biologia porque na época não existia o curso de Ecologia, fundou uma ONG que durou sete anos e viveu com diferentes comunidades indígenas da Amazônia que o chamavam de senhora por causa de seus cabelos longos, e com camponeses dos páramos de Boyacá que se benziam ao cruzar com ele.

Ao contrário do que muitos pensam ao vê-la, Brigitte Luis Guillermo nunca sentiu atração por outros homens. Sempre teve uma fixação pelo feminino em todas as suas expressões. "Para o comum das pessoas seria mais fácil aceitar se ela dissesse que é homossexual", diz Diana Maya, diretora do mestrado em Desenvolvimento Rural da Javeriana, que a conhece há sete anos. "Como não é e sai dos formatos tradicionais, muitos têm certa rejeição. O melhor de tudo é que o menos preocupado com as críticas ou comentários é ela."

'Bap', como a chamam seus amigos de infância, teve sua primeira namorada aos 25 anos, mas uma viagem dela ao exterior forçou a separação. Por isso, quando ganhou uma bolsa para um pós-graduação em Estudos Latino-Americanos na Flórida, decidiu ir com sua parceira da época, com quem se casou.

Nos Estados Unidos, ela encontrou uma cultura muito mais liberal que a colombiana, onde homossexuais, lésbicas e transexuais tinham todas as facilidades para ter uma vida comum e corriqueira. Embora uma vez tenha considerado a possibilidade de fazer a cirurgia de redesignação sexual, isso lhe parecia um "salto no escuro", pois tinha um relacionamento com uma mulher que não estava ciente de tudo o que ele pensava e sentia.

O casamento terminou quando voltaram para a Colômbia. O fim do relacionamento coincidiu com a morte de sua irmã, o que a mergulhou em uma profunda depressão e a fez refletir sobre seu futuro: "Pensei: o que estou fazendo? Esta vida é muito curta para eu não ser quem quero ser: uma mulher."

Foi então que, aos 35 anos, Luis Guillermo, já vinculado ao Instituto Humboldt e professor da Javeriana, universidade de padres jesuítas que sempre o respeitaram, passou a ser Brigitte. Adotou o nome de sua referência feminina por excelência, Brigitte Bardot, e seu filme *E Deus Criou a Mulher*. Primeiro pintou o cabelo, depois as unhas e, aos poucos, foi comprando bolsas, brincos e vestidos. No meio desse processo, conheceu sua atual esposa, Adriana, com quem foi fazer um doutorado em Barcelona e teve duas filhas que hoje têm 8 e 6 anos. As meninas foram criadas em uma casa onde não há papéis definidos e o gênero não importa. Seu pai é seu pai, mesmo que não seja exatamente o "homem da casa".

Para sua surpresa, poucos foram os que zombaram dele na cara ou o ofenderam. Lembra que cuspiram nele no metrô de Barcelona. Também que um colega de escola de suas filhas disse certa vez: "Meu pai diz que não posso brincar com vocês porque seu pai é gay, uma porcaria". Então Brigitte conversou com o menino e caso encerrado. De resto, tudo tem sido compreensão. Seus chefes nunca passaram de uma brincadeira bem-intencionada; para seus alunos, o biólogo interessante ofusca o "bicho estranho"; sua mãe não dá importância ao assunto, e seu pai, a quem descreve como um clássico bogotano, a única coisa que disse certa vez foi: "E você consegue andar com esses saltos?".

"De Luis Guillermo admiro hoje o que sempre admirei: a capacidade de ir além, de sair do padrão, de pensar diferente. Ele é um inovador social no pessoal e no profissional – diz Juan Camilo Cárdenas, professor de Economia da Universidade dos Andes e amigo do peito de Baptiste. Seu testemunho me serve para educar meus filhos e mostrar que sim, é possível ser diferente em um país tão intolerante".

E assim, vivendo a vida entre o masculino e o feminino, Brigitte Luis Guillermo Baptiste, de 46 anos, é uma eminência em temas relacionados à ecologia, dá conferências internacionais premiadas sobre biodiversidade, busca as notas de suas filhas na escola e explica a taxistas incrédulos que está muito mais são, ou sã, do que eles imaginam.

2 comentários - Un profesor llamado Briggitte


Excelente nota, lo había visto en face, pero muy buena data.
Es para tomar ejemplo pero hay que tener unos huevos asi de grandes para hacer lo que él hizo.
Gracias por compartir 👍
travesti
Yo comenté tu post. Vos... ¿comentaste el mío?